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ENTRE PENSAMENTOS SOBRE PESQUISA E EXTENSÃO, DESDOBRAMENTOS CURRICULARES

PID: S1982-03052022000400042 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Marques Amorim
Resumo Este trabalho discute, teórica e experimentalmente, projetos de pesquisa e extensão na escola pública, e seus des-dobramentos curriculares. Sustenta-se teoricamente em autores da filosofia contemporânea, a partir de Gilles Deleuze e Félix Guattari, discutindo, com outros pesquisadores e com a experimentação imagética, noções de imediação e de intermezzos, apresentando parte de pesquisa de pós-doutoramento em educação, interessada em práticas curriculares liberadoras das diferenças. Os projetos relacionados à história e à cultura indígena, afro-brasileira e africana de língua portuguesa são entendidos como oportunidades de composições individualizantes, espaços de pequenas percepções, atmosferas aptas a imediações e a outras paisagens em nossas tão regulamentadas vidas, desenhando-se, neste trabalho, a partir de ações desses projetos, como estruturantes de percursos curriculares, no qual destacamos os intermezzos da disposição para entrar em um projeto e da formação; os da preparação e da oferta de oficinas e rodas de conversas; os da criação e da participação em eventos; e os da experimentação, da pesquisa e da criação artística. Destaca-se a micropolítica desses movimentos, com ressonâncias as mais variadas, com potências singulares no campo educacional e dos estudos sobre currículos.

ESTUDOS DA DEFICIÊNCIA NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA

PID: S1982-03052022000100291 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Boff Rosa Regian
Resumo Este artigo é fragmento de uma pesquisa concluída em 2016 que investigou, a partir do modelo social da deficiência, como ocorre o processo educativo de estudantes com deficiência em uma instituição de Educação Profissional e Tecnológica. A pesquisa, de natureza qualitativa, teve como sujeitos cinco estudantes que foram convidados a participar de uma entrevista individual semiestruturada. A partir das regularidades presentes nos dados, duas categorias de análise foram elencadas com base na análise de conteúdo. Em relação à categoria Autoinstauração na constituição do indivíduo, o objetivo é possibilitar a valorização das singularidades dos estudantes com deficiência, assim como o seu acesso a direitos humanos básicos como formação educacional e profissional, representando assim a inclusão social desse público. Concernente à categoria Acessibilidade Arquitetônica e Metodológica, a estrutura física da instituição, bem como os procedimentos de ensino adotados pelos docentes, apresenta barreiras ao processo de aprendizagem dos estudantes entrevistados e não corresponde aos pressupostos do modelo social de deficiência. Pode-se inferir que o princípio do modelo médico de deficiência ainda está presente na instituição, contudo, existem iniciativas por parte dos docentes, técnico-administrativos e da equipe de gestão para a superação desse modelo. Como possibilidade, propõe-se a formação docente continuada de forma sistemática e fundamentada nos princípios do modelo social de deficiência.

ESTUDOS SOCIAIS DA INFÂNCIA NA UNB: apontamentos a partir da produção acadêmica

PID: S1982-03052022000100002 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Voltarelli
Resumo Este artigo é resultado de parte de um projeto de pesquisa sobre os Estudos da Infância nas produções da Universidade de Brasília, que buscou investigar as produções acadêmicas nos Programas de Pós-Graduação em Ciências Humanas desta universidade a fim de localizar indicativos sobre o campo dos Estudos Sociais da Infância. O texto apresentado refere-se aos dados do Programa de Pós-Graduação em Educação, o qual apresentou maior aproximação e diálogo com o campo da educação infantil. A pesquisa, de cunho bibliográfico e exploratório, utilizou o recorte temporal de 2014 a 2018 e se baseou no novo paradigma da infância, proposto por James e Prout (1990). Verificou-se a presença de alguns elementos do paradigma nos trabalhos analisados, bem como a utilização dos aportes metodológicos para a realização de pesquisas com crianças. Entretanto pode-se dizer que de modo geral ainda é tímida a fundamentação teórica a partir da sociologia da infância nas temáticas investigadas, o que demonstra que as crianças ainda são pouco estudadas e abordadas enquanto sujeitos de estudo por direito próprio e que a infância demonstrou ser compreendida pela perspectiva desenvolvimentista.

FEEDBACKS E AUTORREGULAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO ENSINO SUPERIOR: uma revisão de escopo

PID: S1982-03052022000400414 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Cristofari Irala
Resumo Os processos avaliativos ganharam destaque nas pesquisas sobre o ensino superior, em âmbito internacional, nos últimos anos. Este trabalho apresenta uma revisão de escopo, a partir de artigos publicados na literatura internacional entre os anos de 2016 a 2021. Realizamos uma pesquisa na Plataforma Dimensions, com foco nas produções acadêmicas direcionadas a feedback e autorregulação no ensino superior. Com a finalidade de especificar a análise realizada, compartimento dos estudos foram divididos em três categorias: os que se referem às pesquisas que abordam a avaliação formativa; às pesquisas que abordam o feedback e a autorregulação da aprendizagem dos alunos e aos estudos sobre feedback dialógico. Conclui-se que a avaliação formativa não tem caráter classificatório, não se detém somente na nota final do processo e sim possui um papel de acompanhar a trajetória do ensino e da aprendizagem. Outra análise é o impacto do feedback entre pares, que melhora a escrita e o diálogo. Destacamos a avaliação formativa como meio de acompanhar o estado da aprendizagem.

FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM MUSEUS DE CIÊNCIAS: análise de oficinas formativas do Espaço Ciência InterAtiva

PID: S1982-03052022000400310 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Santos Pereira
Resumo Este trabalho tem como objetivo apresentar o desenvolvimento e as contribuições de uma oficina durante a formação continuada para professores do Museu de Ciências Espaço Ciência InterAtiva (ECI), sob o viés crítico-reflexivo. A oficina explorou fenômenos físicos de Óptica Geométrica, presentes na exposição de Neurociências do Museu. A formação foi ofertada aos docentes do ensino fundamental de escolas da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. A metodologia empregada foi de natureza qualitativa, cuja coleta de dados se deu por meio de questionários (antes e após a formação) e entrevista semiestruturada (após a formação). A pesquisa foi dividida em três etapas: visita ao ECI, realização da oficina e avaliação do curso. O material coletado foi analisado pelo método de tematização. Os resultados evidenciaram que os participantes não tinham o hábito de visitar Museus de Ciências e não conheciam o ECI, quanto às práticas pedagógicas, muito utilizavam, exclusivamente o livro didático. Verificou-se após a formação de professores, a presença de docentes que inseriram em suas aulas metodologias trabalhadas na oficina, como atividades práticas, realização de experimentais, além de aulas mais dinâmicas e lúdicas. A oficina também aproximou os professores do Museu de Ciências, os quais passaram a vê-lo como um local para a educação em ciências e formação. Pode-se inferir que este estudo foi relevante ao promover um espaço de debate e reflexão de forma crítica acerca das práticas docentes, propiciou trocas de saberes, interlocuções entre os participantes e a construção de novos saberes nas áreas de Ciências, como também evidenciou a importância dos Museus para a formação continuada de professores.

FORMAÇÃO DE PROFESSORES INDÍGENAS NO MOVIMENTO DA INCLUSÃO ESCOLAR NO CONTEXTO AMAZÔNICO AMAZONENSE

PID: S1982-03052022000400081 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Menezes Simas
Resumo Este trabalho é fruto de uma pesquisa de doutorado em educação em andamento, cujo objetivo é discutir a formação de professores indígenas no movimento da inclusão escolar no contexto amazônico amazonense. Como sabemos o processo de inclusão escolar das pessoas com deficiência no Brasil não é algo fácil, ainda mais, no contexto da educação escolar indígena no que tange à formação de professores/as indígenas. No entanto, buscou-se verificar se há discussão acerca da inclusão escolar de pessoas com deficiências nas Matrizes Curriculares dos Projetos Pedagógicos de Cursos de Formação de Professores Indígena das Instituições Públicas de Ensino Superior do estado do Amazonas. Os métodos de coleta de dados são as pesquisas bibliográficos e os documentais, e as análises tiveram enfoque qualitativo (SEVERINO, 2016). Como resultado, observou-se que é preciso pensar numa política de educação especial intercultural que possa atender aos anseios e às necessidades de cada realidade escolar, e para que esta construção seja possível, é preciso ouvir os/as professores/as, os/as gestores/as, a comunidade indígena e a família.

FORMAÇÃO DE PROFESSORES: (re)construindo sentidos e fazeres na educação para as relações étnico-raciais

PID: S1982-03052022000400113 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Trancoso Lucas Pinto
Resumo Este artigo tem por temática as nuances do movimento formativo de docentes concebido pela interculturalidade numa perspectiva dialógica. Seu objetivo é compreender a produção de sentidos e desdobramentos no contexto de sala de aula dos professores concluintes do curso Educação para as Relações Étnico-Raciais na rede municipal de ensino da Serra: promovendo a diversidade na escola voltado para valorização das diferenças, justificado pelas Leis n. 10.639/2003 e n. 11.645/2008 e embasado em um currículo decolonial crítico. O percurso metodológico escolhido vai ao encontro da fundamentação teórica, pois trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa do tipo participante, na qual as pesquisadoras se faziam inseridas e operantes nas ações formativas. A análise foi realizada por meio da discussão crítico-reflexiva, compreendendo a relação dialógica da pesquisa baseada em Freire (2016). Os resultados demonstram a importância da formação que aposta nos educadores enquanto sujeitos ativos do processo. Foi constatado no contexto de sala de aula a potência desses profissionais como agentes transformadores, que fomentam o desenvolvimento pessoal e social das/dos crianças/estudantes, numa ótica sociocultural.

FORMAÇÃO DOCENTE ANTIRRACISTA, PLURIEPISTÊMICA, DESCOLONIZADORA DE SABERES, INTERSECCIONAL É POSSÍVEL?

PID: S1982-03052022000400069 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Lima
Resumo As reflexões teórico-metodológicas deste artigo são frutos de pesquisa de pós-doutorado em desenvolvimento, cuja pretensão tem sido tanto compreender as recentes licenciaturas de currículo interdisciplinar, intercultural e pluriepistêmico, decorrentes de políticas públicas inclusivas de expansão e interiorização das universidades públicas, quanto articular um currículo possível para Licenciatura Interdisciplinar em Antirracismo, Diversidade e Ecologia Saberes, em solidariedade com sujeitos e sujeitas de territórios educacionais negros e indígenas. A intenção é que, a partir de contextos reais de licenciaturas existentes, seja possível articular currículo para um curso de formação docente que contemple a diversidade étnico-racial, a pluriepistemicidade e práticas antirracistas no currículo, nos fluxos pedagógicos e na gestão dos processos formativos. Para tanto, os protocolos metodológicos têm implicado abertura e escuta, a partir de metodologias decoloniais e colaborativas, com a/os sujeita/os pertencentes a territórios educacionais negros e indígenas, bem como com sujeita/os pertencentes a cursos de licenciaturas interdisciplinares, interculturais, pluriepistêmicos

FORÇA DE YABÁ: representações da pomba-gira e de identidades femininas em terreiros da região sul do Rio Grande do Sul

PID: S1982-03052022000300057 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Soares Bussoletti
Resumo O artigo que segue tem o objetivo de descrever as representações da pomba-gira, figura feminina da Quimbanda, aproximada das forças das yabás, mães-de-santo de terreiros da região sul do Rio Grande do Sul. A produção do mesmo foi possível pela realização de nove entrevistas semiestruturadas com dirigentes de terreiros, pós aprovação do projeto pelo comitê de ética em pesquisas com seres humanos. Enquanto resultados foi possível observar que as representações das pomba-giras estão aproximadas com as ideias de mulheres que rompem com regramentos sociais que definem seus papeis sociais de sujeitos, enquanto seres domésticos e obedientes. As representações das entidades femininas da Quimbanda exemplificam o contraponto, a resistência e outras formas de ser mulher na sociedade, pois, elas vão de encontro a obediência e silenciamento das vontades. As mães-de-santo, donas dos terreiros cumprem a função de desenvolver noções de liberdade e cultos aos corpos de todos os sujeitos que passam pelas suas mãos e, por sua vez, ensinamentos.

HERANÇAS AFRICANAS EM IPOJUCA/PE: das configurações raciais aos desafios sociais

PID: S1982-03052022000200324 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Santos Júnior Arantes
Resumo O artigo é fruto de pesquisa desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-graduação em Educação da UPE. Como foco temático, apresentou-se aspectos sócio-históricos e idiossincrasias que evidenciam as relações da cidade de Ipojuca, e das microrregiões de Suape e Litoral Sul pernambucano com as culturas africanas, refletindo sobre ancestralidades e pertencimento racial a partir dos elementos locais apresentados. O estudo revela materialidade para o desenvolvimento do trabalho pedagógico com a Lei 10.639/03 de acordo com as heranças africanas que a cidade possui em variadas perspectivas. Quanto à metodologia, utilizou-se a pesquisa etnográfica, buscando fazer uma análise historiográfica da trajetória da população negra local que como resultado prático da pesquisa, encontra justificativas para uma política pública de cunho sócio racial.

HISTÓRIA DE MULHERES E EDUCAÇÃO: transgressões, resistências e empoderamentos

PID: S1982-03052022000300002 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Vasconcelos Silva Vieira
Resumo Ao longo da história, as mulheres, resistindo ao discurso e às instituições que as subalternizavam, conseguiram exercer atividades criadoras e promover deslocamentos da posição que as circunscrevia ao casamento, à maternidade e à vida doméstica. Trabalhadoras da indústria têxtil, enfermeiras, professoras, ativistas foram alguns dos postos que ocuparam a partir do acesso à leitura e à educação. Contudo, para elas, muitas foram as lutas travadas no campo social, sobretudo, quando se tratava de mulheres das classes trabalhadoras e de mulheres negras, discriminadas pelo preconceito que sobrepunha classe, raça e gênero. Nesta Seção Temática, cujo foco são histórias de mulheres em diálogo com a educação, reunimos artigos que contribuem para refletir e questionar as relações que se estabeleceram entre as mulheres e a sociedade, em diversos contextos e temporalidades. A partir da ampliação de pesquisas sobre a história de mulheres, dão-se a conhecer protagonistas que se destacaram em diversos campos do conhecimento, muitas, inclusive, pela arte e pela escrita, bem como aquelas que se projetaram na sociedade utilizando a tribuna para reivindicar os direitos civis e de cidadania que lhe tenham sido subtraídos.

HISTÓRIAS DE MULHERES EDUCADORAS: transgressões e alterações do formato da escola

PID: S1982-03052022000300389 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Southwell
Resumo As primeiras décadas do século XX trouxeram à cena uma crítica ao sistema educativo desenvolvido na segunda metade do século XIX, questionando as promessas inacabadas desta implantação educativa e a necessidade de chegar aos setores sociais negligenciados. Esta é a experiência da Haydée Maciel, em particular, o arranque e implantação da Escuela al Aire Libre ou Escuela de Puertas Abiertas (que foi criada em Rosário em 1916 e encerrada em 1931), que adotou uma organização não graduada sem horários rígidos. Localizada no espaço físico do hipódromo, a escola recebeu os filhos dos seus empregados e também as crianças que trabalhavam na rua (caneleiras, canillitas, etc.). Esta experiência também teve lugar num momento de consolidação da formação e do trabalho das professoras, que se esforçavam por desenvolver perspectivas conceituais e trabalho autônomo, desafiando não só o papel que lhes era atribuído pelo sistema, mas também o formato hegemônico da escolaridade.

INFÂNCIA, EDUCAÇÃO E LINGUAGEM EM MICHEL DE MONTAIGNE

PID: S1982-03052022000100042 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Carniel Cunha
Resumo Tomando por base o conceito de infância elaborado por Philippe Ariès, este artigo mostra que as manifestações de Michel de Montaigne sobre a educação de crianças são tipicamente modernas, pois se pautam no interesse psicológico e na preocupação moral. Utilizando metodologia fundamentada em conceitos da retórica, o artigo analisa os ensaios de Montaigne intitulados “Pedantismo” e “Da educação das crianças”, destacando o valor atribuído pelo autor à linguagem e à comunicação entre aluno e professor. Destaca-se que Montaigne atribui o sucesso da docência às qualidades pessoais do professor, cuja sensibilidade pode ser desenvolvida pelo contato com as artes. As conclusões sugerem a necessidade de rever os conceitos educacionais vigentes na atualidade.

INTERCULTURALIDADE E PLAC: reflexões acerca de educação e cidadania de imigrantes e refugiados

PID: S1982-03052022000200230 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Miranda Fernandes
Resumo A inversão do cenário brasileiro de maior emigração para o de maior recepção de imigrantes devido ao crescimento econômico desde 1980 descortinou a ausência de uma tradição de acolhimento das diferenças (PATARRA, 2012). Embora atualmente a legislação brasileira reconheça direitos fundamentais de imigrantes e refugiados, o país ainda carece de políticas públicas no sentido da efetivação da cidadania plena. Tendo em vista o direito à educação democrática como elemento fundamental à cidadania e à constituição do Estado Democrático de Direito (FERNANDES, 1989), este estudo busca, por meio da revisão de literatura, refletir sobre a possibilidade de uma educação intercultural pela proposta do Português como Língua de Acolhimento (PLAc). Para tanto, buscamos revisitar conceitos necessários à compreensão da interculturalidade e refletir acerca dos processos hegemônicos oriundos da condição colonial e da expansão educacional como projeto nacionalista. Aponta-se que a ausência de políticas públicas voltadas à formação de professores de PLAc e à inclusão de imigrantes e refugiados se acomoda em uma perspectiva assistencialista, responsabilizando os sujeitos do processo educativo, precarizando a qualidade educacional e a profissão docente. Conclui-se que a percepção crítica de PLAc com vistas ao exercício da cidadania alinha-se à interculturalidade por promover o papel ativo dos sujeitos imigrantes e refugiados e considerar suas filiações culturais, sociais e linguísticas, constituindo-se como alternativa emancipatória às concepções hegemônicas da educação tradicional.

JAPONESA, ABRE O OLHO: racismo, xenofobia e misoginia contra mulheres amarelas

PID: S1982-03052022000200273 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Kurihara Baliscei
Resumo Este artigo tematiza as diversas manifestações de ódio que acometem as mulheres amarelas. Assim, o objetivo desta pesquisa é problematizar as violências xenofóbicas, racistas e misóginas que, na contemporaneidade, atingem as identidades femininas nipônicas. Para isso, recorre-se aos Estudos da Cultura Visual como aporte teórico e metodológico, uma vez que considera que as imagens, em suas diversas manifestações, apresentam formas de se ver e estar no mundo. A partir da pesquisa bibliográfica, foi realizada a contextualização histórica, cultural e social da chegada das/os imigrantes japonesas/es no Brasil. Em seguida, foi feita uma análise de discursos, obras de arte e outras visualidades que permeiam os significados estereotipados construídos acerca das identidades de mulheres amarelas, em especial no contexto da pandemia do COVID-19. Por fim, conclui-se que a educação possui potencial para construir novas narrativas que rompam preconceitos e respeitem as diferenças, uma vez que a sociedade contemporânea é composta por múltiplas identidades que interagem entre si.

JOVENS EM CONTEXTO DE REFÚGIO: narrativas que revelam modos de vida e o lugar da escola

PID: S1982-03052022000200257 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Carrano Magalhães
Resumo O artigo aborda relações de jovens em contexto de refúgio com suas escolas e outros lugares da cidade. Migrantes, refugiados, solicitantes de refúgio e filhos de africanos, esses são estudantes e moradores do bairro de Gramacho, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Os jovens e as jovens participantes da pesquisa compartilham representações sobre cotidianos, hábitos, costumes, entretenimentos e a socialização familiar. As experiências reveladas ocorrem no espaço-tempo antropológico que denominamos contexto de refúgio. As narrativas desses jovens revelam sonhos, expectativas, frustrações e alegrias atravessados pelos vínculos estabelecidos com a instituição escolar. A metodologia da pesquisa propôs que os jovens elaborassem suas narrativas através da produção de fotografias. Para isso, uma máquina fotográfica foi cedida para que estes produzissem imagens de seus cotidianos. Após recebidas e categorizadas, as fotografias proporcionaram momentos dialógicos que fortaleceram vínculos entre os jovens e a pesquisa. Narrar o fotografado estimulou a reflexividade dos jovens sobre aquilo que decidiram selecionar para contar suas próprias histórias. Os encontros, as fotografias e as narrativas revelaram representações elaboradas a partir da ideia de oportunidade de integração que a escola enuncia para os jovens. Observamos, ainda, que para os jovens africanos e seus familiares a possibilidade de completar o ciclo de formação educacional é um fator relevante no ato de migrar.

LA FORMACIÓN EN EL HACER: práctica docente en la educación de personas jóvenes y adultas

PID: S1982-03052022000400463 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Blazich
Resumo São expostas algumas análises derivadas de uma pesquisa de doutorado que abordou os processos de construção da prática docente de uma professora de nível fundamental que atuava simultaneamente em dois espaços educativos distintos: uma escola de nível fundamental da modalidade de educação permanente para jovens e adultos e em um Plano para a Conclusão dos Estudos Primários e Secundários - Plano Multas do mesmo nível - que foi sediado numa paróquia. Adotou-se uma abordagem qualitativa, especificamente um estudo de caso. Realizou-se revisão documental, observação de aulas e entrevistas em profundidade com a professora. Foram identificados e caracterizados quatro grupos de ações que a professora realizou no âmbito de seu trabalho, que foram denominados: ações sobre problemas locais, com finalidades institucionais, solidariedade para com questões vitais para os alunos e formação que extrapola o espaço escolar. Ela os dotou de significado pedagógico e passaram a fazer parte de seus próprios processos de formação como professora.

LAICIDADE E PANDEMIA EM TEMPOS CONSERVADORES

PID: S1982-03052022000200384 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Sepulveda Mendonça
Resumo O crescimento do extremismo religioso no Brasil e no mundo e sua relação com a pandemia expôs a importância de se lutar por um estado laico. Sendo assim, o objetivo desse texto é discutir e demonstrar a importância da laicidade como forma de enfrentamento a movimentos conservadores no campo educacional, como por exemplo o Escola sem Partido. A proposta de valorizar a laicidade como forma de enfrentamento ao negacionismo científico é uma forma de defender a sociedade de argumentos religiosos extremistas que ferem princípios básicos de direitos humanos, como por exemplo a violência contra as mulheres e a misoginia de um modo geral.

LOIDE BONFIM: RETRATOS DA TRAJETÓRIA DE UMA MULHER NA RESERVA INDÍGENA DE DOURADOS-MT(1938-1984)

PID: S1982-03052022000300139 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Peres Furtado
Resumo O artigo objetiva analisar a trajetória da professora Loide Bonfim e os seus desdobramentos no trabalho missionário e na área da saúde e educação, na Reserva Indígena de Dourados (RID) no século XX. Para o desenvolvimento dessa análise, recorreu-se, principalmente, aos periódicos protestantes O Puritano (presbiteriano), O Estandarte (presbiteriano, presbiteriano independente) e Expositor Cristão (metodista), que divulgaram matérias sobre os trabalhos missionários desenvolvidos por Loide Bonfim na Missão Evangélica Caiuá (MEC) e na Reserva Indígena. As fontes mobilizadas foram analisadas a partir dos pressupostos teóricos da Nova História Cultural. O estudo dessa trajetória permitiu compreender que Loide Bonfim atuando no campo da educação escolar e não escolar, no processo de evangelização e na área da saúde com os povos indígenas, ainda que em boa parte de suas ações estivesse permeada pela inserção da cultura não indígena entre os indígenas, essa mulher desempenhou um papel importante com os seus ensinamentos e, além disso, contribuiu para melhorias nas condições de vida dos Kaoiwá, Guarani e Terena. Constatamos, assim, que a trajetória de Loide Bonfim tem muito a revelar sobre a história de mulheres como ela, que atuaram com os indígenas, que não pode ser escrita sem levar em consideração o papel exercido por mulheres comuns, mas ativas, que foram resistentes em seu trabalho e enfrentaram as adversidades cotidianas.

MIGRAÇÃO CHINESA EM GOVERNADOR VALADARES-MG: “primeira onda” e os desafios de deixar o país de origem em situações de conflito

PID: S1982-03052022000200294 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2022
Autores: Pinto Rial Siqueira
Resumo Governador Valadares, no leste de Minas Gerais, é conhecida como uma cidade de cultura emigratória, em especial para os Estados Unidos. Este artigo, no entanto, apresenta uma vertente que evidencia o outro lado desse fenômeno, que é o da presença de estrangeiros na cidade mineira. A pesquisa aqui apresentada é um recorte da tese de doutoramento em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que analisa a migração de chineses para o território de Governador Valadares, a partir das narrativas dos próprios imigrantes com base em suas experiências e trajetórias. A etnografia foi o método de pesquisa escolhido e a técnica de coleta de dados adotada foi a de entrevista de história oral. Neste artigo são apresentadas as duas grandes ondas migratórias de chineses para o Brasil e para Governador Valadares - a primeira, entre as décadas de 1950 e 1970; e a segunda, a partir da década de 1990. Para atender a proposta temática desta edição, optou-se por voltar as atenções para os chineses que migraram para a cidade mineira durante a chamada primeira grande onda, devido às suas particularidades. Nesse sentido, a pesquisa revela que entre os primeiros chineses que chegaram em Governador Valadares, os fatores que os levaram a deixar o país de origem estavam geralmente relacionados a contextos de guerra e conflitos políticos. Assim, para alguns, deixar a terra natal não era uma opção ou parte de um projeto previamente elaborado, mas uma alternativa de sobrevivência.
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