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AINDA SOBRE EDUCAÇÃO: do grito de uma só boca

PID: S1982-03052024000100100 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Almeida Matos
Resumo Partindo da cena de Zaratustra, que sugere a unidade e a identidade que podem restar na aparência de multiplicidade, e resultante de experimentação desenvolvida em projeto de doutorado em curso, o artigo apresenta apontamentos filosóficos cujo objetivo é realizar a deriva acerca da sobrevida dos elementos teológicos e metafísicos nos projetos pedagógicos contemporâneos. Sendo assim, com a leitura de Friedrich Nietzsche e de alguns autores do pensamento contemporâneo, o texto investe sobre os vestígios teológicos, mostrando sua permanência e sua atualização na instrumentalização da educação pela economia. O percurso traçado também efetua sua deriva pelos usos da aprendizagem, seu papel de apêndice aos critérios econômicos, supõe o tensionamento constitutivo de forças, ao mesmo tempo que diagnostica o triunfo das forças reativas. No entanto, requerendo sua contrapartida, a escritura deixa rastros daquilo que poderia escapar ao retorno do idêntico. Como antídoto à insistente permanência que se atualiza, atendo-se aos riscos sugeridos pela cena de Zaratustra em que a voz única se oculta na fisionomia e na aparência de diversas vozes, indica-se a abertura da educação aos vocabulários para os quais multiplicidade e diferença são termos incontornáveis.

ALBERTO DE ASSIS: professor, autor e intelectual na História da educação da Bahia republicana

PID: S1982-03052024000300077 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Assis Brito
Resumo Este artigo objetiva explorar a trajetória de um professor negro do ensino primário, além de autor e intelectual periférico, que desempenhou um papel fundamental, seja na luta entre os docentes pela melhoria de infraestrutura, seja no desenvolvimento do ensino primário na Bahia durante as décadas de 1920 e 1930. A intelectualidade de Alberto de Assis é compreendida à luz de Sirinelli (2004), observadas as percepções individuais do autor e a transmissão de suas concepções a outros. Por meio de uma abordagem qualitativa baseada na análise de jornais e revistas da época, o artigo busca situar a vida e a escrita desse professor para a educação na Bahia em um contexto político que envolveu uma grande greve no magistério, em 1918, seguida de uma reforma escolar, durante a gestão de Góes Calmon no estado. Assim, o texto trata de um ensaio teórico amparado em estudo bibliográfico e em análise documental. A pesquisa revela não apenas os desafios enfrentados pelo magistério, como as estratégias adotadas por Alberto de Assis, especialmente a partir da escrita, em um contexto de políticas higienistas entre as tentativas de modernizar a formação de cidadãos civilizados, aptos a servir ao país.

ANÁLISE DAS METAS DE VALORIZAÇÃO DOCENTE DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (2014-2024) E PERSPECTIVAS PARA O NOVO DECÊNIO (2024-2034)

PID: S1982-03052024000400115 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Farias Wagner
Resumo Este artigo investiga as metas 15, 16, 17 e 18 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, que tratam da valorização dos profissionais da educação. O objetivo é analisar os avanços e desafios dessas metas, especialmente no contexto de planejamento do novo PNE 2024-2034. Foram revisados o documento final da Conferência Nacional de Educação (CONAE, 2024) e os Relatórios do 4º e 5º Ciclo de Monitoramento das Metas do PNE 2014-2024. A análise fundamenta-se nos trabalhos de Evangelista e Shiroma (2007), Libâneo (2015), Oliveira (2015) e Silva e Santos (2022). O estudo adota uma abordagem qualitativa, com análise bibliográfica e documental, e utiliza o método de análise de Bardin (2020). Conclui-se que, apesar de avanços significativos na formação inicial de professores e na ampliação da oferta de cursos de pósgraduação (Metas 15 e 16), persistem desafios substanciais na equiparação salarial e na implementação de planos de carreira (Metas 17 e 18). A desigualdade regional e a falta de infraestrutura adequada continuam a ser barreiras críticas, destacando a necessidade de políticas mais eficazes e de um monitoramento rigoroso para o próximo decênio.

ANÁLISE RETÓRICA DOS ARGUMENTOS POR UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

PID: S1982-03052024000300325 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Palmares Alvarenga
Resumo Este artigo examina alguns argumentos recorrentes em favor de uma educação inclusiva. Para tanto, apresenta inicialmente os marcos legais a respeito da educação inclusiva, tanto em âmbito internacional quanto no Brasil. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecida depois da Segunda Guerra Mundial, impulsionou a formulação de legislações específicas em cada país a respeito do convívio, da liberdade e da dignidade humana. No Brasil, alguns documentos foram definidos para nortear a educação inclusiva, entre os quais: a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o Plano Nacional de Educação (PNE) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A análise retórica, utilizada para examinar o material discursivo, fundamenta-se na proposta de Perelman e Olbrechts-Tyteca. Os autores resgatam a retórica aristotélica, focalizando o posicionamento do auditório diante dos argumentos que o orador enuncia. A análise retórica dos marcos legais e da argumentação de autores dedicados ao tema da inclusão de pessoas com deficiência expõe os raciocínios naturalizados a respeito da inclusão. Os argumentos que estabelecem a soma das partes para fortalecer o todo; a escola democrática como consequência da supressão das diferenças sociais; o caleidoscópio como metáfora para definir a educação inclusiva e a dissociação da noção de educação abrangem os raciocínios examinados. Por fim, a educação inclusiva, como um marco social contemporâneo, aciona os objetos de acordo na comunidade escolar, cuja adesão visa mobilizar um auditório universal.

APRENDER A ENSINAR: O QUE DIZEM DOCENTES EM DIFERENTES FASES DA CARREIRA

PID: S1982-03052024000400314 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Valadares Moreira
Resumo Neste artigo são apresentados os resultados de uma pesquisa na qual se buscou compreender como professores aprendem a ensinar, a partir da ótica de três professores iniciantes, três experientes e três aposentados. Teoricamente fundamenta-se na contribuição de Garcia, Feiman-Nemser e Huberman, que apresentam, no conjunto, relevantes contribuições sobre as diferentes fases e desafios da docência. Foram realizadas nove entrevistas narrativas, cujo conteúdo foi tratado de acordo com as recomendações de Bardin. Os resultados mostraram que, para os participantes da pesquisa, “tornar-se professor” é uma construção que necessita da teoria e que encontra na prática e nas relações com os alunos, com os pares, e outros atores da escola, seu principal espaço de formação.

APRENDIZAGEM INFINDÁVEL E PERDA DE PRESTÍGIO DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

PID: S1982-03052024000200330 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Oliveira Saraiva
Resumo O objetivo do artigo é analisar como os sujeitos trabalhadores atualmente são direcionados para uma constante renovação de habilidades por meio de uma aprendizagem infindável. Mais especificamente, pretende-se mostrar as estratégias para a constituição de sujeitos que buscam na aprendizagem ao longo da vida um meio de permanecer no mercado. A empiria é constituída por matérias do jornal Valor Econômico e entrevistas com quatro trabalhadores. A análise identifica e discute estratégia argumentativa que afirma que as instituições de ensino superior já não conseguem assegurar uma aprendizagem que garanta a permanência no mercado de trabalho. A partir dessa estratégia, são apresentados três focos de análise: a redefinição dos papéis e atribuições dos professores, a constituição de um aprendiz ativo e autônomo e, por fim, a necessidade de que essa aprendizagem seja mediada por tecnologias digitais. É perceptível uma convergência entre os enunciados presentes nas matérias do jornal e nas entrevistas, mostrando que a mídia e os indivíduos compartilham de um mesmo regime de verdade acerca de uma aprendizagem que capacita para o trabalho.

AS COMPETÊNCIAS DA CULTURA: a interculturalidade funcional na Base Nacional Comum Curricular

PID: S1982-03052024000100293 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Cordeiro
Resumo Neste artigo debatemos como a diversidade cultural é abordada na Base Nacional Comum Curricular. O trabalho foi construído a partir da análise do documento, seguindo as orientações da pesquisa documental e em diálogo com parte da bibliografia crítica do campo do currículo (Silva, 2008; Cury, Reis, Zanardi, 2018). Averiguamos a recorrência do tema da cultura nas competências gerais da educação básica e nas demais competências previstas pelas diferentes áreas do conhecimento estabelecidas pela Base, construindo o discurso que diz se tratar de um documento que visa construir currículos interculturais na educação básica. Contudo, concluímos que a própria noção de competência é uma abordagem que reforça e referenda o ideário neoliberal que, por princípio, é monocultural. Deste modo, a suposta valorização da diversidade cultural presente na BNCC é na verdade uma expressão do que Tubino (2005) chama de interculturalidade funcional, quer dizer, ações que dizem promover a tolerância, mas sem tocar nas causas das assimetrias sociais e culturais hoje vigentes, o que torna o diálogo intercultural inautêntico.

AS CRIANÇAS NO VISCONDE DA GRAÇA: silêncios em gritaria

PID: S1982-03052024000300225 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Ribeiro Pereira
Resumo Este artigo se debruça sobre histórias de crianças que emergem a partir do trabalho do Núcleo de Extensão e Pesquisa em Educação, Memória e Cultura (NEPEC), vinculado ao Câmpus Pelotas-Visconde da Graça (CaVG), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul). Na guarda de um acervo institucional, há dez anos o NEPEC vem abrindo e fechando caixas das quais saltam vidas que passam pela instituição desde sua fundação, em 1923, como Patronato Agrícola Visconde da Graça (PAVG). Por meio da etnografia documental, como Penélopes, vamos exercendo e disputando o trabalho da memória. Des-tecemos histórias daqueles contados como heróis e tensionamos promessas societárias que se cumprem como barbárie. E, ao mesmo tempo, exercitamos o trabalho da tecitura de histórias que ecoam de silêncios em gritaria e de rostos anônimos que exigem nome próprio. Neste texto, crianças mencionadas nos documentos e imagens acervados como menores desvalidos assumem seu devido protagonismo, reviram narrativas históricas, nos convocam a pensar sobre as exigências do presente e sobre quais histórias ainda podemos contar.

AS GENTES NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: das margens dos rios às periferias urbanas

PID: S1982-03052024000300002 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Silva Custódio
Resumo Quem são as gentes da história da educação? Agentes? Sujeitas? Mulheres de ontem? Às margens? Periféricas? Quando as margens dos rios encontram o asfalto das cidades? De quem é a rua asfaltada? Atravessam pontes? Cruzam fronteiras? Transitam nas encruzilhadas? Vozes silenciadas? Invisíveis ou invisibilizadas? Quem pode falar? Quem escuta? Quem tem medo do corpo vilipendiado da mulher negra? Quem escuta a criança violada? Quem exuma os ossos dos mortos? Vidas negras importam? Existe amor no encontro das vozes dissidentes? Solitárias? Solidárias? Quem se levanta? Quem se aquilomba? Consciência crítica para quem? Quem ensina a transgredir? Quem evade? Quem permanece? Quem rompe barreiras? Quem se afoga na inundação?? Quem resiste? Quem se movimenta? Para onde vai? Quem encontra o caminho de volta para casa? Quem volta para a beira do Rio? Para o fundo do poço? Para o fundo do mar? Para a cova rasa? Para a vala exposta? Futuro para quem? O futuro é um espectro de cores. Luto é verbo. Para as pessoas que vivem às margens, periféricas, (in)visíveis, plurais, potentes.

ATERRANDO POLÍTICAS PÚBLICAS OBSCURANTISTAS: uma discussão curricular sobre possibilidades de conversas (complicadas) no Antropoceno

PID: S1982-03052024000100458 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Coelho Abreu Milanez
Resumo Em virtude do reflexo gerado nos últimos meses a partir da implementação do Novo Ensino Médio (NEM) no país, este ensaio teórico tem por objetivo traçar diálogos entre a filosofia latouriana e as conversas complicadas sobre currículo, tecidas por William Pinar, dando base para pensar em formas de orientação perante a desterritorialização ampliada pelas mutações climáticas e aos impactos gerados pelas políticas públicas em nosso saber-fazer-artístico docente. O cenário político atual, marcado por manifestações e pela protocolação do PL n. 2.601/2023, abriu espaço para pensar em currículos outros, construídos a partir do diálogo entre seres-terrestres, partindo de suas experiências de vida e saberes produzidos com/no/sobre o ambiente em que (co)habitam. Ao propor, neste artigo, uma reconstrução do passado indolente, marcado pela imposição de políticas públicas nefastas a partir de interesses das elites obscurantistas, esperançamos a (re)construção de um currículo pautado em geo-histórias, orientando os terrestres frente a mutações climáticas e os politizando para a superação de uma globalização individualista e segregante.

Apresentação - POLÍTICAS CURRICULARES E O ENGAJAMENTO COLETIVO DAS PESQUISAS COMO MODO DE INSURGÊNCIA

PID: S1982-03052024000400100 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Rodrigues Oliveira Montoya
Resumo Este texto apresenta a seção temática “Políticas Curriculares e o Engajamento Coletivo das Pesquisas como Modo de Insurgência”. O objetivo é agregar pesquisas que respondam a demandas para a área de currículo nas últimas décadas, desenvolvidas com métodos de abordagem qualitativa, que apresentem análises de currículo em múltiplos contextos, na perspectiva de recondução da produção de conhecimentos ante às tentativas de padronização, descontextualização e sentidos antidemocráticos que ensejam políticas curriculares atuais. Objetiva, ainda, evidenciar o poder coletivo de grupos identitários presentes nos currículos, em conexão com movimentos sociais, sobretudo quando destacam o processo de produção de conhecimento nas criações curriculares em escolas de educação básica. Os manuscritos foram avaliados e aprovados por pares. Entre esses, dezenove artigos foram selecionados pelos coordenadores/as da seção, por corresponderem aos objetivos e critérios postos para o dossiê. Esses artigos são oriundos, predominantemente, de universidades públicas e de todas as regiões do Brasil, tendo, ainda, a presença de duas instituições e de três pesquisadores/as internacionais. Os artigos trazem referencial teórico diverso, porém não contraditório, com exercícios de compreensão, visibilidade e proposição de processos pedagógicos democráticos, travados em espaços institucionais e escolares/educacionais. Trazem, ainda, acuidade estética e conceitual na compreensão da complexidade de relações de poder contingentes, precárias, ambivalentes e potentes, que configuram tanto a produção de conhecimentos em currículo quanto políticas educacionais e curriculares, envolvendo a educação básica e a formação de professores no âmbito do social.

BNCC E DOP’S COMO INSTRUMENTOS POLÍTICO-IDEOLÓGICOS DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS DA EJA

PID: S1982-03052024000200280 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Nogueira Santos Maia
Resumo Este artigo analisa as políticas educacionais que normatizam a educação de jovens e adultos (EJA) a partir do período pós-golpe de 2016, a saber a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as Diretrizes Operacionais para a Educação de Jovens e Adultos (DOp’s), de 2021. A metodologia utilizada é uma aproximação da análise do ciclo de políticas (Ball, 1994), notadamente o contexto de elaboração da política e o contexto da elaboração do texto da política, combinada aos modelos de análise de políticas educacionais voltados à EJA, propostos por Lima (2020), e a abordagem de contradição, de Gracindo (1994). Conclui-se que as políticas investigadas estão vinculadas, predominantemente, ao modelo de gestão de recursos humanos que responde a uma concepção de formação dos educandos da EJA voltada aos interesses mercadológicos alinhados ao neoconservadorismo, limitando a formação crítica e o horizonte emancipatório desses sujeitos, e mantendo a lógica de dominação material e intelectual da classe trabalhadora e seus filhos.

CENAS ANTIDEMOCRÁTICAS: manifestações neoliberais e neoconservadoras nos currículos escolares

PID: S1982-03052024000400103 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Santos Segat Caetano
Resumo O artigo objetiva investigar as expressões da aliança entre neoliberalismo e neoconservadorismo nos debates sobre as políticas curriculares da educação básica. Para isso, a partir de pesquisa bibliográfica, buscamos, em um primeiro momento, explorar meandros dessas racionalidades e suas alianças, pensando em como reverberam no campo da educação. Como destaque, apresentamos os projetos ligados ao homeschooling e à militarização das escolas. Após, por meio de uma abordagem qualitativa e fazendo uso da metodologia de pesquisa narrativa, compartilhamos duas cenas do cotidiano escolar, vivenciadas por professoras/es da educação básica. A partir disso, propomo-nos a problematizar como os projetos neoliberal e neoconservador se expressam nas disputas em torno dos currículos. A partir de uma perspectiva pós-crítica e dos estudos nosdoscom os cotidianos, apresentamos uma concepção de currículo que extrapola os documentos e políticas formais. Os currículos são, assim, articulados como território de disputas, que são praticados nos cotidianos em que convivem diferentes culturas e redes formativas. Observamos que tais projetos estão cada vez mais presentes, afetando os cotidianos das escolas. No entanto, as/os praticantes, nesse espaçotempo, por meio de táticas, vão criando resistências ao que se tenta ali instituir.

CLAUDIO ULPIANO: a docência como obra

PID: S1982-03052024000100438 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Marques
Resumo O presente ensaio discute a docência como obra em Claudio Ulpiano (Rio de Janeiro, 1932 - 1999). Para tal, considera o material publicizado das e sobre as aulas - relatos de ex-alunos/as, depoimentos de participantes dos encontros, textos, vídeos, sites, áudios - que possa revelar uma forma de ensinar filosofia característica desse professor. Defende a hipótese de que o acontecimento-aula dinamiza o conceito e, portanto, que o exercício da docência em Ulpiano se constitui como obra reverberada na presença. No devir da ação e da palavra, o encontro/aula possibilita uma extensão com e além do conteúdo partilhado, com e além do espaço-tempo de sua realização. Tomada como obra, a realização da docência viabiliza um legado passível de ser disseminado, continuado e transformado. Assim, da experiência de ensino em Claudio Ulpiano, discorre sobre a busca didática por conjugar inteligência e intuição, razão e emoção, conteúdo e experiência de mundo. Conclui-se com a defesa da obra de docência como indispensável à experiência acadêmica.

COMBATENDO A SUBVERSÃO EM NOME DA PÁTRIA, DE DEUS E DA FAMÍLIA: ações e representações em torno de jovens e drogas na ditadura militar

PID: S1982-03052024000400306 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Magaldi Silva
Resumo A sociedade brasileira vivia um cenário promissor em termos políticos e educacionais no início dos anos 1960, com projetos comprometidos com a educação pública e a construção da vida social em bases democráticas. A ditadura militar interrompe esse processo, com progressivo fechamento político, restrições ao estado democrático e perseguição aos opositores. Entre estes são tomados os jovens e a contracultura e símbolos deste movimento são atacados, como as drogas psicodélicas. Este trabalho busca observar como setores da sociedade, entre os quais uma associação de mulheres católicas e veículos da imprensa carioca, se mobilizam na conformação da juventude brasileira, e no combate à “subversão” identificada à mesma em nome dos valores do novo regime, focalizando ainda ações conduzidas pelo Estado na mesma direção. Dialogando com estudos de Rosa de Olmo, Júlio Delmanto e Antonio Maurício Freitas Brito, entre outros, e operando com o conceito de representação na perspectiva de Roger Chartier, essa pesquisa histórica toma como marcos temporais os anos 1960-70 no Brasil e está baseada em diferentes tipos de fontes, como jornais, arquivos de associações, leis e decretos, relatórios estatísticos e outros. Como resultado, entendemos que a educação é arrolada enquanto aparato institucional para controle e adestramento da juventude.

COMPONDO CURRÍCULOS NÔMADES NOS COTIDIANOS ESCOLARES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

PID: S1982-03052024000200343 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Fonseca Delboni
Resumo Este artigo é parte de uma pesquisa em andamento com turmas do segundo segmento da educação de jovens e adultos (EJA) de uma escola pública da rede municipal que aposta na composição de currículos nômades constituídos nos movimentos de corpos coletivos nos cotidianos escolares. Problematiza como as macro/micropolíticas engendram currículos nômades, configurando linhas de fuga nos cotidianos escolares da EJA. Objetiva cartografar os processos de composições curriculares que ocorrem nos encontros coletivos e nos espaços de ensino-aprendizagem, como outros modos possíveis de ser e estar na educação. Entende- se que a cartografia, como metodologia de pesquisa, requer o acompanhamento com olhar sensível do cartógrafo aos deslocamentos traçados nas composições de mapas abertos, passíveis de rasuras e mudanças de percurso. As ferramentas teórico-conceituais apresentadas têm como intercessores teóricos Deleuze, Guattari, Rolnik, Gallo e Foucault, para problematizar os conceitos de macro/micropolítica entendidos como forças indissociáveis em constante relação na educação; currículos nômades como linhas de fuga a outros fazeres possíveis; e heterotopias como o espaço do fora, os espaços dessacralizados de aprendizagens nas composições curriculares com a EJA. Como conclusão parcial, aponta os movimentos que constituem currículos nômades como insurgências tecidas nos encontros, nos afetos e afecções de corpos coletivos que potencializam a vida dos cotidianos escolares da EJA.

CONCEPÇÃO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA DO PROGRAMA TEMPO DE APRENDER: proposta inovadora ou velho modelo travestido de novo?

PID: S1982-03052024000400302 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Costa Gontijo
Resumo Este artigo tem por objetivo analisar como o programa de formação de professores alfabetizadores Tempo de Aprender, proposto pela Política Nacional de Alfabetização (PNA), lançada em 2019, articula a relação ensino-aprendizagem da leitura no contexto de sua proposta formativa. Adota, como metodologia de estudo, a pesquisa documental, pois analisa os vídeos que compõem os sete módulos do programa, os textos explicativos de cada vídeo e as fichas de estratégias de ensino. Assume a perspectiva enunciativo-discursiva de linguagem conforme proposta por Mikhail Bakhtin, que compreende que essa concepção, atrelada aos conceitos de alfabetização e de leitura, permite, ao mesmo tempo, reivindicar, a despeito do programa, uma alfabetização crítica. Conclui que, apesar de o programa apregoar que se fundamenta em práticas inovadoras por meio da denominada “alfabetização baseada em evidências científicas”, retoma, a partir dos pressupostos bloomfieldianos, antigas práticas relacionadas com as metodologias fônicas para o ensino da leitura e da escrita.

CONCEPÇÕES SOBRE EDUCAÇÃO SEXUAL DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DE UMA ESCOLA DO CAMPO DO MUNICÍPIO DE ANTÔNIO CARDOSO (BA)

PID: S1982-03052024000400315 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Cerqueira Mendes
Resumo Este artigo tem como objetivo compreender as concepções sobre sexualidade de docentes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de uma escola do campo do município de Antônio Cardoso (BA). Para tanto, partimos do pressuposto de que tais concepções contribuem para a constituição das práticas pedagógicas. O estudo caracterizou-se como descritivo e exploratório, com abordagem qualitativa e as informações foram obtidas por meio da aplicação de um questionário com cinco questões abertas para 12 (doze) professores que atuam na EJA Campo e analisadas com base na análise de conteúdo temática. O referencial teórico norteador da pesquisa foi o dos estudos da sexualidade. Como resultados, identificamos que as concepções de sexualidade são baseadas em discursos preventivistas e heteronormativos, que produzem diferentes efeitos na prática docente. Concluímos que a inclusão da temática sexualidade na formação de professores, a partir de uma perspectiva posicionada contra a patologização e a ações heteronormativas, é um ato político voltado à garantia dos direitos humanos e que o desafio de trabalhar a Educação Sexual dentro de questões não só biológicas, mas, também, histórica, social e cultural é urgente e atual.

CONHECIMENTO CURRICULAR DA GEOMETRIA: um estudo com professores dos anos iniciais

PID: S1982-03052024000100167 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Lima Junior Azerêdo
Resumo Este artigo aborda o ensino de matemática, especificamente, o eixo temático geometria. Tem como objetivo discutir o conhecimento curricular da geometria apresentado por professores dos anos iniciais. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa empírica, de caráter qualitativo, realizada com 37 professores dos anos iniciais, cuja interpretação dos dados se baseou nas técnicas de análise de conteúdo. Como resultado, apontou-se para questões importantes sobre o quê, quando e por que ensinar geometria nos anos iniciais de escolarização. Os professores sinalizaram diferentes razões para o ensino da geometria, tais como: a presença do conteúdo geométrico no cotidiano, o desenvolvimento do pensamento geométrico e a apropriação de noções de localização e deslocamento no espaço. Os dados mostraram que o ensino das figuras geométricas emerge como principal conteúdo abordado em sala de aula. Além disso, os professores não demonstraram trabalhar com plantas baixas, croquis e noções de lateralidade (esquerda e direita), o que pode indicar fragilidades no ensino da geometria.

CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UM TRABALHO DOCENTE ANTIRRACISTA NA PANDEMIA

PID: S1982-03052024000400112 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Oliveira Santos Zanardi
Resumo Este artigo objetiva apresentar e analisar as ações desenvolvidas por um grupo de professores(as) da rede pública municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais, na construção coletiva de uma educação antirracista durante a pandemia. Na pesquisa qualitativa, utilizou-se a análise de conteúdo das entrevistas semiestruturadas realizadas com os(as) professores(as) que desenvolveram o projeto. Balizam essa pesquisa referenciais teóricos da área da formação de professores(as) e do currículo, no intuito de compreender de maneira complexa as ações empreendidas pelo coletivo de professores. Visibilizam-se as iniciativas do coletivo de professores(as) da Educação Básica pública como forma de desenvolvimento de insurgências curriculares, promovendo a resistência ao neoconservadorismo que avança sobre a escola. Os dados afirmam a importância do trabalho coletivo para o desenvolvimento da autonomia profissional docente e da construção de uma educação antirracista. Entre as conclusões, destacamos que a flexibilização e a multiplicação de tempos e espaços destinados ao trabalho coletivo são elementos fundamentais para a promoção de projetos integrados e interdisciplinares.
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