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CONVERSAS SOBRE ENSINAGEM, EXERCÍCIOS DE A/R/TISTAGEM: encontros e trocas na docência universitária

PID: S1982-03052024000100125 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Bueno Lima
Resumo O ensaio discute as questões que emergiram durante uma pesquisa de pós-doutorado que teve por objeto de estudo as práticas docentes. As autoras enfatizam a relevância de uma abordagem integrada entre o ensino universitário, a pesquisa e a extensão. A argumentação é sustentada a partir dos conceitos de ensinagem, artistagem e integridade docente, desenvolvidos pelas estudiosas Léa Anastasiou, Sandra Mara Corazza e bell hooks. Para conduzir este estudo/esta pesquisa, as autoras adotam a metodologia da a/r/tografia, segundo a qual a produção artística é mobilizada como elemento condutor de uma investigação voltada para as atividades educativas. A adoção desse enfoque possibilitou às autoras afirmarem a docência universitária como um processo criativo, ético e estético. Por fim, o texto aborda a importância da colaboração entre docentes formadores/as, a necessidade de uma revisão da formação pedagógica no ensino superior e o reconhecimento da valorização de uma docência que seja marcada pela criatividade, pela reflexividade e pelo compromisso com a construção de conhecimentos e práticas transformadoras.

CORPO-MULHER AMAZÔNIDA: pesquisadoras na Filosofia da diferença

PID: S1982-03052024000400312 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Oliveira Costa Aikawa
Resumo Esse ensaio objetiva problematizar a existência da mulher e pesquisadora, reafirmando a existência duma multiplicidade de vidas no grupo de estudo e pesquisa Vidar In-tensões, na perspectiva da Filosofia da diferença. Como escrever um corpo-mulher amazônida que pesquisa alinhada à diferença? De que modos se escrever enquanto corpo-mulher pesquisadora que escapa às posições e coordenadas localizáveis? Beleza e delicadeza compõem um feminino instituído num tempo disciplinar em que este corpo segue preso no interior de poderes, limitações, proibições e obrigações. Esses elementos ainda não se encerraram para a mulher e se instalam na sociedade como modo de fabricação da imagem do feminino sensualizado, objetificado, subvalorizado, docilizado e recatado. Suspeitamos dessas verdades e nos posicionamos como mulheres-pesquisadoras no viés do Devir da Filosofia da diferença, enquanto filosofia da multiplicidade e construção incessante que assume uma fluidez provocativa à invenção de conceitos. O texto articula-se à ferramenta da escrita de si foucaultiana, ao assumir o escrever-se enquanto criação de si, multiplicação de formas de vida de mulheres amazônidas que pesquisam nas fronteiras da diferença. Rodamos nossas próprias vidas com o grupo Vidar In-tensões, em atos de si consigo e com outros(as), em fugas dos instituintes do que podemos e devemos ser. Neste, mobilizamo-nos em processos formativos docentes por entrevias menores, clandestinidades, nomadismos, geramos pesquisas femininas desimportantes, desinteressantes, desqualificadas para homens doutos e dialogamos, acontecemos, encontramo-nos no (re)existir na universidade enquanto mulheres-pesquisadoras na Filosofia da diferença. Seguimos como brecha nos espaços mais fechados, num devir-mulher em transformação de si em zona de vizinhança.

CORPOS INTERDITADOS NO BRASIL DAS DESIGUALDADES HISTÓRICAS: educação, racismo e LGBTfobia na trajetória do barítono Raimundo Pereira (1990-2006)

PID: S1982-03052024000300065 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Oliveira Monti
Resumo Este artigo tem como objetivo refletir, a partir da trajetória do cantor de ópera Raimundo Pereira, sobre obstáculos historicamente impostos à escolarização de pessoas subalternizadas. Nos caminhos da História Oral indagamos: como a presença de corpos não hegemônicos de pessoas negras e homossexuais são interditados em espaços educacionais e artísticos? Enfatizamos a temporalidade entre 1990 e 2006 por relacionar-se ao percurso de formação universitária e militante do sujeito protagonizado na pesquisa. Priorizamos fragmentos de documentos orais produzidos mediante entrevistas realizadas com contemporâneos do artista e trechos de sua autobiografia. Interpretamos que Raimundo Pereira interrompeu sua trajetória acadêmica em razão do conjunto de opressões sobrepostas e indissociáveis de suas identidades homossexual, de classe, raça e regionalidade. Assim, argumentamos que discursos meritocráticos, antigênero, racistas e classistas desconsideram fatores históricos e operam por meio da produção de estereótipos negativos, culpabilizando grupos vulnerabilizados, desresponsabilizando o Estado e a sociedade quanto a medidas de reparação.

COTISTAS RACIAIS E O MERCADO DE TRABALHO: a trajetória dos egressos da Unipampa de 2015 a 2022

PID: S1982-03052024000300107 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Rosa Jesus
Resumo O presente trabalho tem como finalidade apresentar parte dos resultados obtidos por meio de uma pesquisa de uma dissertação de mestrado, defendida no Programa de Pós-Graduação em Ensino - PPGE. Para isso, buscou-se analisar questões históricas acerca da educação e do mercado de trabalho para a população negra brasileira. Além disso, analisou-se o percurso de inserção no mercado de trabalho dos egressos cotistas raciais negros, pretos e pardos dos cursos presenciais de graduação do Campus Bagé da Unipampa que ingressaram no curso no período de 2015 a 2018 e concluíram o curso entre 2018 e 2022. Cabe destacar que esta é uma pesquisa de cunho qualitativo que conjuga análise histórica e a análise de conteúdo de narrativas obtidas por meio de questionário com questões abertas e fechadas, junto a egressos da instituição, que cursaram a graduação enquanto cotistas raciais. O recorte aqui apresentado, considera apenas o ingresso desses egressos no mercado de trabalho. Dito isso, sabe-se que as cotas raciais ampliaram o ingresso da população negra no ensino público superior brasileiro, sendo assim, torna-se pertinente pesquisar acerca da trajetória dos egressos diante de sua inserção no mercado de trabalho.

CRIATIVIDADE EM ARTES VISUAIS NO CONTEXTO DAS ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO

PID: S1982-03052024000100361 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Pedrosa Lustosa
Resumo O artigo apresenta recorte de tese de Doutorado em Educação, com ênfase na Educação Especial e Inclusiva, abordando a criatividade, as artes visuais e as altas habilidades/superdotação (AH/SD). A pesquisa objetivou investigar, na perspectiva de especialistas em artes visuais, a criatividade em educandos identificados e em processo de identificação nas AH/SD no Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S). Trata-se de pesquisa qualitativa com delineamento de pesquisaação, que se realizou por meio de um curso denominado Artexpansões, em que a leitura de imagem suscitou vivências de pintura e colagem, visando estimular a criatividade dos educandos. Os produtos derivados do fazer artístico, elaborados pelos sujeitos, foram avaliados por especialistas em artes visuais quanto à visualidade e à criatividade. Os produtos considerados criativos, de forma unânime, constituíram o cerne das análises deste recorte de pesquisa. Como resultado, os especialistas evidenciaram elementos que permearam as distintas composições dos sujeitos e confirmaram a expressão da criatividade.

DA REDENÇÃO À REPARAÇÃO: A CONSTRUÇÃO DA QUESTÃO RACIAL NO BRASIL

PID: S1982-03052024000100003 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Campos Tebet
Resumo Este artigo visa analisar a trajetória dos estudos sobre o povo negro, por meio de uma análise histórica do processo de colonização, sobretudo na elaboração de estereótipos que foram utilizados para justificar o processo desumanizador da escravização ancorado nas Teorias Raciais e no racismo científico. Buscamos, ainda, compreender a maneira pela qual alguns iluministas contribuíram para solidificar o processo de invisibilidade do continente africano e dos povos africanos. Discutimos a ideologia da democracia racial brasileira e a maneira como essa narrativa legitimou a marginalização do afro-brasileiro. Para subsidiar esse estudo, realizamos pesquisa bibliográfica, acionando pensadores/as que versam sobre a temática, a saber: Munanga (2000; 2008), Silva (2007), Hernandes (2008), Hall (2006), Guimarães (2001; 2004), Azevedo (1996), Freyre (2005), Fernandes (2008), Ki-Zerbo (2010), dentre outros. Os resultados apontam para a maneira pela qual o racismo foi utilizado como base ideológica da dominação, tanto no colonialismo, quanto no neocolonialismo. No Brasil, essa narrativa, construída a partir da marginalização dos afro-brasileiros, legitimou e inviabilizou a inserção do negro na sociedade brasileira, sobretudo após a abolição, que consideramos malsucedida. Nesse sentido, o racismo operacionalizado no Brasil, de maneira escamoteada, estabeleceu um conjunto de estratégias que foram capazes de promover uma inversão no tocante à promoção da imagem do país como uma democracia racial.

DALCÍDIO JURANDIR: do Peixe Frito às páginas de Dom Casmurro

PID: S1982-03052024000300265 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Carvalho Silva
Resumo O escritor paraense Dalcídio Jurandir compôs o Ciclo do Extremo Norte, conjunto de romances no qual ficcionalizou vivências amazônicas do início do século XX, promovendo a circulação de saberes e de linguagens frequentemente marginalizadas. Seu ingresso na cena literária nacional ocorreu com a publicação de Chove nos Campos de Cachoeira (1941), possibilitada pela vitória do Concurso de Romances Vecchi-Dom Casmurro em 1940. Este artigo tem como objetivo mapear o papel de mediação cultural promovido por epitextos editoriais (Genette, 2009) que envolveram a divulgação do romance inaugural dalcidiano nas páginas do jornal literário Dom Casmurro, uma vez que a apresentação de Dalcídio Jurandir aos leitores do periódico possibilitou a difusão de elementos constitutivos da identidade cultural amazônica. São analisados três artigos jornalísticos relacionados à divulgação do romance e escritos pelos literatos paraenses Dalcídio Jurandir, Bruno de Menezes e Cléo Bernardo. Do ponto de vista teórico e metodológico, a ênfase recai nos pressupostos da História Cultural (Chartier, 2011; 2014), associados à maneira de conceber as relações entre grupos sociais e a circulação da cultura escrita. Este estudo situa-se, pois, na interseção entre a História da Educação e a História do Livro e da Leitura.

DESCOLONIZAÇÃO DAS DISCIPLINAS ACADÊMICAS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

PID: S1982-03052024000400106 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Silva
Resumo O artigo aborda o processo de desenvolvimento de práticas e de conteúdos descolonizadores no âmbito da educação superior. Constitui-se da análise do movimento político-pedagógico crítico de reconstrução do currículo universitário de forma endógena, a partir da invenção de outras práticas e da circulação de outros saberes na ministração das disciplinas obrigatórias do curso de formação inicial de professores(as). Trata das especificidades do curso de licenciatura em Pedagogia do Campo, ofertado por uma universidade federal da região Nordeste do Brasil. O estudo documental e qualitativo observou que o contato de diferentes grupos étnicos, culturais e sociais, com interesses políticos e culturais semelhantes, fez insurgir, nas(os) futuras(os) professoras(es), o interesse pelo desenvolvimento de saberes e práticas que confrontam o modelo colonizador de formação acadêmica na educação superior.

DIÁLOGOS, DISPUTAS E RESSIGNIFICAÇÕES NA MICROPOLÍTICA DOS PROCESSOS DE EXPERIMENTAÇÃO PEDAGÓGICA

PID: S1982-03052024000300425 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Alén
Resumo Este artigo pretende analisar o conceito de micropolítica e como essa produção teórica faz parte de uma concepção das instituições escolares como organizações políticas. Com a expressão micropolítica, analisase o conjunto de decisões e definições que se processam cotidianamente em uma instituição escolar, e como estes vão moldando a produção de uma política que se baseia em posições docentes (Southwell e Vassiliades, 2014), ao mesmo tempo, constituídas em coletivas (Barreiro, Rodríguez e Stevenazzi, 2020) alcançando, assim, diferentes graus de explicação e reflexão, aqueles que não podem ser separadas de seu fardo político. Embora uma série de esforços materiais e simbólicos sejam feitos para excluir as dimensões políticas do trabalho pedagógico, no cotidiano escolar convivem uma série de definições postas em prática e com poucas possibilidades de reflexão, às quais se sobrepõe um processo de gestão que exclui gradativamente o pedagógico dentro da escola. A figura do quotidiano associada ao político é interessante, porque é aí que se jogam os grandes enunciados, se põem em prática todos os dias os discursos político-pedagógicos, é nessa dialética do quotidiano em que se processam as transformações do educativo.

DOCENTES NEGROS NO PÓS-ABOLIÇÃO: a greve e seus atravessamentos interseccionais na cidade de Salvador em 1918

PID: S1982-03052024000300091 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Sousa Lima
Resumo Tomamos neste escrito a análise das presenças e atuações das professoras e professores da escola primária, negras e negros, na greve ocorrida em Salvador em 1918. O objetivo é explicitar as presenças e atuações dessas professoras e professores da escola primária, negras e negros, na liderança da greve de docentes no ano de 1918, refletindo sobre a interseccionalidade que os atravessavam quando dos seus movimentos e lutas por direitos profissionais docente, com a intenção de comunicar a história daqueles que historicamente têm sido invisibilizados e as complexidades que os conformam. O aporte teórico relacionado à greve docente de 1918 é inspirado em autores como Silva (1997), Costa e Conceição (2001), Silva (2017) e Miguel (2021), com interseccionalidade e aprofundamento das desigualdades tratadas a partir de Collins e Bilge (2021) e Carneiro (2011). Dessa maneira, problematizar esse tema exige que pensemos na categoria raça e em seu atravessamento com outras categorias, como gênero e classe, e o aprofundamento das desigualdades vividas por esses docentes no final da década de 1910 no Brasil.

DOCÊNCIAS CURRICULANTES EM ATOS FORMACIONAIS: heurística e política municipalista insurgentes

PID: S1982-03052024000400108 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Macedo Silva Silva
Resumo O presente artigo, tomando a perspectiva de docência curriculante e a crítica às políticas de currículo e formação antidocência, apresenta argumentos sobre a experiência heurística e formacional do Programa de formação para a (Re)elaboração dos Referenciais Curriculares dos Municípios do Estado da Bahia, vinculado à UNDIME-BA (União dos Dirigentes Municipais de Educação, Secção Bahia). Explicita como nessa experiência coletiva, professoras(es) criaram saberes curriculares a partir do seu trabalho docente, dos seus territórios de identidade e de forma retroalimentada, construíram, propuseram e institucionalizaram saberes curriculares para subsidiar e realizar por suas ações a construção dos referenciais curriculares de seus municípios. Com essa vontade política, autorizando-se, a partir dos estudos e debates sobre a Teoria Etnoconstitutiva de Currículo e a Etnopesquisa-formação (Macedo, 2016, 2021), instituíram saberes curriculares e formativos, assim como produções heurísticas insurgentes, marcadas pelos seus pertencimentos municipais, suas experiências profissionais, lutas por reconhecimento, anseios por participação legítima e por protagonismo laboral.

EDUCAR PARA O PROGRESSO DA NAÇÃO: recortes de livros didáticos de português do ensino primário e secundário brasileiro (1930-1971)

PID: S1982-03052024000100267 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Boto Giardino Ferrero
Resumo O presente artigo objetiva investigar as finalidades assumidas pela disciplina escolar português no período entre 1930 e 1971 no Brasil, a partir do estudo de livros didáticos. Procuramos efetuar uma periodização inscrita diretamente na história da educação brasileira. Sendo assim, o marco inicial é 1930, ano em que foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública, e em que se percebeu um progressivo controle estatal sobre a educação e a produção de livros didáticos no país. A data final é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei no 5.692/1971), uma vez que provocou mudanças significativas no ensino básico. A partir dos fundamentos teórico-metodológicos da história cultural, buscou-se lançar luz sobre os discursos presentes nos livros escolares da disciplina português adotados no ensino primário e no secundário, evidenciando aproximações de cada etapa. Disponíveis na biblioteca do livro didático na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, as fontes forneceram relevantes indícios sobre as práticas em sala de aula, de maneira a esclarecer em parte o contexto social, histórico e pedagógico do período em questão. Foi possível concluir que o ensino da língua materna, dentro do processo de escolarização, era pensado e mobilizado como aliado a um projeto civilizatório que visava à inculcação de certos valores e comportamentos considerados fundamentais à nação.

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM UM MUNDO HÍBRIDO: desafios da inclusão digital humanizada

PID: S1982-03052024000100450 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Baptista Teles
Resumo A pandemia de Covid tornou a relação com o mundo digital mais intensa e desafiadora. Esse debate já ocorre na educação, porém precisa ser mais explorado na educação de jovens e adultos (EJA). O presente ensaio visa refletir sobre a EJA e os desafios da inclusão digital no mundo contemporâneo, à luz das dificuldades estruturais e tecnológicas que atravessam esta modalidade da educação básica. A pesquisa se baseia em método qualitativo, com análise bibliográfica e de dados secundários, valendo-se de abordagem crítica em diálogo com teorias de Arendt (2014) sobre a condição humana e a produção sobre letramento e tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs) na educação, com centralidade nas categorias humanização e letramento digital. As reflexões apontam que a inclusão digital para ser real deve ir além do simples acesso às tecnologias. Assumir a inclusão assente em efetivo letramento digital na EJA é, sobretudo, um projeto humanizador.

EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS NOS CURRÍCULOS DOS CURSOS DE DIREITO DE TRÊS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS

PID: S1982-03052024000100320 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Lopes Matoso Silva
Resumo Este estudo bibliográfico e documental de cunho qualitativo e exploratório propõe uma reflexão sobre a educação em direitos humanos no Brasil com foco na análise das matrizes curriculares dos cursos de graduação em direito de três universidades públicas brasileiras: UFPR, UFSC e USP. Os aportes teóricos consideram, sobretudo, as contribuições de Sacristán (1998; 2000), Candau (2008), Freire (1996), Arroyo (2015) e, ainda, Dibbern e Serafim (2023). A problemática questiona em que medida as matrizes curriculares e os currículos das disciplinas dos cursos de graduação em direito possibilitam a abordagem dos direitos humanos em consonância com o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos? Os resultados apontam que os direitos humanos (DH) ainda são ensinados como normas e conceitos, sem um caráter pedagógico, voltado para a educação em e para direitos humanos (EDH).

EDUCAÇÃO FINANCEIRA MENOR: ato criativo docente em uma comunidade ribeirinha no Amazonas

PID: S1982-03052024000400109 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Brito Soares Dolzane
Resumo Este artigo problematiza a substanciação das macropolíticas em Educação Financeira e apresenta a educação financeira menor como linhas de fuga para a prática pedagógica. Objetivamos investigar como práticas pedagógicas de educação financeira menor, no contexto ribeirinho e a partir de um projeto específico, transformam a sala de aula, influenciadas pela sociedade e cultura. Para isso, utilizamos o referencial teóricometodológico pós-estruturalista, adotando a cartografia como metodosofia dessa pesquisa de mestrado, a qual requer o acompanhamento sensível do cartógrafo aos deslocamentos traçados nas composições de mapas abertos, suscetíveis a rasuras e mudanças de percurso. Nossos intercessores teórico-conceituais incluem Deleuze, Guattari, Gallo, Corazza e Paraíso, problematizando dois pontos principais: a) a criação do currículo menor, que emerge como um território de resistência para os professores; b) a educação financeira menor, vista como uma resistência e um escapamento ao estrato da Educação Financeira Maior, especialmente relevante para uma comunidade ribeirinha, que sobrevive do pescado, tanto para os estudantes quanto para os pais. Como considerações deste artigo, apontamos que essa fuga da educação financeira maior abre brechas que, a partir do vazio e da precariedade da sala de aula, possibilitam a emergência de novas possibilidades, fugindo de qualquer tentativa de controle e dando vida à educação financeira menor.

EDUCAÇÃO VACINAL NO ENSINO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA: um olhar para os livros didáticos dos projetos integradores do novo ensino médio

PID: S1982-03052024000100252 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Umeres Venturi
Resumo No contexto brasileiro pós-pandêmico e de declínio vacinal, o presente estudo teve o objetivo de analisar o tema vacinas nos livros didáticos dos projetos integradores, da área de ciências da natureza e suas tecnologias, recém-chegados na educação básica em função da reforma do ensino médio. Em uma perspectiva qualitativa, por meio de análise de conteúdo, onze livros do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) de 2021 foram analisados. De forma preocupante, dois não apresentaram qualquer menção ao tema vacinas. Em contrapartida, nove livros destacaram-se em discussões envolvendo as relações entre o tema, a ciência e a sociedade, evidenciando as discussões que envolvem a identificação de informações falsas em redes sociais, decorrentes de movimentos antivacinas. Entretanto, a produção, o funcionamento biológico das vacinas e do processo imunológico do organismo foi deficitário. Assim, defende-se adequações aos editais do PNLD, incentivo aos docentes e à sua formação para aprofundar a temática, em especial suas deficiências, em favor do desenvolvimento de conhecimentos necessário para uma educação sobre vacinas que contribua para os processos de alfabetização científica e midiática e para a formação cidadã na educação em ciências escolar.

EFETIVO EXERCÍCIO NA EDUCAÇÃO BÁSICA E O PROUNI: a (re)construção de uma docente

PID: S1982-03052024000300396 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Nalin Felicetti Robayo
Resumo Este artigo apresenta os resultados de um processo investigativo voltado à análise das percepções sobre a (re)construção docente de uma professora egressa do ProUni do curso de licenciatura em letras, que, durante a graduação, esteve em efetivo exercício na educação básica da rede pública. A partir de uma análise quantitativa, chegou-se até a egressa a ser entrevistada. Da abordagem qualitativa compreensiva e hermenêutica, apoiada na análise textual discursiva, de Moraes e Galiazzi (2016), evidenciou-se que os processos reflexivos, concomitantes com a formação acadêmica, facilitam a fusão efetiva entre o financiamento à formação e o fazer e ser docente. Tais evidências mostram a importância de políticas e investimentos públicos na formação do professor da educação básica, colocando em cena a necessidade de o professor em exercício refletir a sua prática, fortalecendo, assim, os elos entre a teoria e o experienciado no contexto da sala de aula.

ENSINO E APRENDIZAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO DO CAMPO E DA EDUCAÇÃO DE PESSOAS JOVENS, ADULTAS E IDOSAS: uma meta-análise

PID: S1982-03052024000400114 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Santos Lima
Resumo Essa pesquisa configura-se como um estudo bibliográfico do tipo meta-análise, com a finalidade de analisar trabalhos publicados na Plataforma BDTD - Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações sobre a Educação do Campo e a Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas associadas ao ensino e aprendizagem matemática. Assim, estabelece-se uma relação com a Educação do Campo e com a Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas, as quais exigem amplo direcionamento na construção de aprendizagem. Diante disso, foi definida como questão norteadora específica para a meta-análise a seguinte pergunta: qual o lugar do tema do estudo em tela na produção acadêmica disponível na BDTD no período de 2018 a 2022? A pesquisa em questão traçou-se como objetivo geral analisar as principais discussões de pesquisas (teses e dissertações) na Plataforma BDTD sobre a Educação do Campo e a Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas relacionadas ao ensino e aprendizagem matemática. Como principais resultados, ressalta-se a essencialidade de fomento a pesquisas voltadas para esse contexto, visto que a partir de estudo, revela-se a ausência de pesquisas com as temáticas de forma integrada na plataforma selecionada e no recorte temporal delimitado.

FINALIDADES E TAREFAS EDUCATIVAS DA ESCOLA NA PERSPECTIVA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS POPULARES

PID: S1982-03052024000400200 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Hage
Resumo O artigo aborda um diálogo com Roseli Caldart, militante histórica do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), educadora e pesquisadora comprometida com uma educação pública de qualidade, voltada para os territórios do campo, das águas e das florestas. Sua visão se ancora na Educação Popular, que propõe uma formação humana libertadora, omnilateral e unitária para os sujeitos do campo e da cidade. Caldart compreende que a educação pode contribuir para o fortalecimento da contra-hegemonia ao sistemamundo capitalista, que mercantiliza todos os aspectos da vida. Recentemente, lançou o livro Sobre as Tarefas Educativas da Escola e a Atualidade, publicado pela Editora Expressão Popular, no qual reflete sobre o papel social da escola nos dias de hoje, tomando como referência sua trajetória de protagonismo na construção do Movimento da Educação do Campo, que completou 25 anos em 2023.

GENÉTICA NO ENEM: a presença das imagens e a caracterização das questões com base na matriz de referência para o exame

PID: S1982-03052024000400303 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Diniz Barros Araújo-Jorge
Resumo O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), instituído em 1998, ganhou notoriedade em 2005 como mecanismo de acesso ao Programa Universidade para Todos (ProUni) e consagrou-se a partir de 2009 como aparato de acesso ao Sistema de Seleção Unificado (SISU). O presente trabalho analisa, segundo os eixos cognitivos presentes na matriz de referência, 147 questões de Genética do ENEM aplicadas entre 1998 e 2023, almejando compreender o Exame. Além disso, dá destaque às questões que contém imagens em sua estrutura ou em suas alternativas, uma vez que se percebe uma grande relação entre o ensino de Genética e a utilização da linguagem visual. As imagens foram analisadas e categorizadas. Foi possível perceber, no âmbito da Genética, que a contextualização e a interdisciplinaridade se fazem presentes nas questões e desempenham papéis fundamentais no ensino de Ciências. Além disso, verificou-se a presença de muitas imagens próprias da linguagem científica da área da Genética e afins.
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