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Diferença sexual e religiosa no currículo de ensino religioso em escolas de Recife

PID: S1982-71992016000100128 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Oliveira
Resumo Este artigo discute os resultados de pesquisa de pós-doutorado, realizada na Pontifícia Universidade Católica do Paraná e financiada pela Capes (2014-2015), cujo objetivo principal foi o de avaliar, no currículo da disciplina de Ensino Religioso (ER), a presença ou não de conteúdos que tratem da diferença sexual e religiosa em escolas estaduais e municipais da cidade de Recife, no Estado de Pernambuco, Brasil. Assim, fazendo uso da Teoria do Discurso (TD), procuramos localizar os discursos hegemônicos mais relevantes sobre os temas pesquisados, buscando os sentidos de concepções como as de pluralismo, cidadania, diferença, tolerância, alteridade... isso entre nossos entrevistados: gestores de escolas, professores da disciplina em questão e representantes das Secretarias de Educação estadual e municipal. Como metodologia, fizemos uso da Análise de Discurso (AD), priorizando identificar as ideologias mais circulantes nos recortes de falas dos entrevistados examinados, ideologias estas atuantes junto aos principais discursos hegemônicos. Como resultado nas escolas visitadas, que foram num total de 11, obteve-se a não visibilidade da temática da diferença sexual, observada pela ausência de discussões sobre orientação sexual e diversidade sexual nas aulas de Ensino Religioso. Aliado a isso, verificou-se também, dificuldades no ER de tratamento com o tema do pluralismo religioso envolvendo religiões não cristãs, especificamente as afro-brasileiras, negligenciadas, sobretudo por professores evangélicos, de linha pentecostal e neopentecostal, que acreditam que elas são religiões que possuem valores e práticas perigosas, portanto, não passíveis de serem discutidas em suas aulas.

Educação em Astronomia: contribuições de um curso de formação de professores em um espaço não formal de aprendizagem

PID: S1982-71992016000100234 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Fontanella Meglhioratti
Resumo A Astronomia é uma área fundamental na Educação Básica e proporciona a compreensão dos fenômenos cotidianos. Contudo, professores e alunos encontram dificuldades na compreensão dos conceitos dessa área do conhecimento. Desse modo, a importância dessa pesquisa se justifica ao investigar a formação de professores no curso “Fundamentos Teóricos e Metodológicos para o Ensino-Aprendizagem em Astronomia: Formação de Educadores” ofertado pelo “Polo Astronômico Casimiro Montenegro Filho”, localizado em Foz do Iguaçu, Brasil, e avaliar a percepção dos professores participantes em relação à formação realizada. O trabalho é de natureza qualitativa e utilizou para a constituição dos dados questionários, entrevistas e registros do desenvolvimento do curso. Os dados coletados foram analisados à luz da teoria da análise de conteúdo e nos apontam que em se tratando de conteúdos de Astronomia os professores apresentam muitas dificuldades por não terem formação inicial ou continuada de qualidade. Além disso, foram detectados erros conceituais e concepções alternativas em questões relacionadas à Astronomia por nós pesquisadores e também pelos próprios professores participantes do curso. Os dados indicam dificuldades na formação docente em relação à área de Astronomia, contudo, apontam-nos sugestões para amenizar essas dificuldades, como é o caso do curso para formação de professores em Astronomia, que se revelou um aliado do professor ao trabalhar conteúdos, metodologias e recursos potencialmente utilizáveis em sala de aula.

Estudar para quê? A (des)valorização do ensino médio na fala de três gerações

PID: S1982-71992016000200072 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Coutrim Ferreira Lebourg
Resumo Este artigo é fruto de uma pesquisa realizada em Mariana, uma cidade do interior de Minas Gerais, Brasil, e que teve como principal proposta investigar as representações da escola feitas por três gerações na mesma família, ou seja, avós, pais e netos. Por meio de uma pesquisa de abordagem qualitativa, foram aplicados questionários a 96 jovens concluintes do Ensino Médio, de ambos os sexos, de duas escolas públicas da cidade e que convivem com os pais e os avós. Também foram ouvidos cinco pais e cinco avós de alunos selecionados a partir do questionário, com o objetivo de conhecer as mudanças ocorridas ao longo do tempo nas relações geracionais e nas expectativas profissionais e de formação do jovem. Observou-se, entre outras coisas, que a escola é uma instituição valorizada pela família, principalmente, porque é vista como um meio eficaz para se conseguir um bom emprego, embora haja divergências na visão do papel da escola entre diferentes gerações da mesma família. Para a geração dos pais, o foco está no indivíduo, isto é, o sucesso escolar e profissional é considerado mérito do estudante, que precisa ter interesse e determinação para realizar seus objetivos. Para os avós, a escola é o centro da Educação e a grande responsável pelo desempenho de um aluno na sua vida escolar e também profissional.

Estágio de docência: a arte como intercessora na experimentação de outras maneiras de pensar

PID: S1982-71992016000100249 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Crizel Rodrigues Munhoz
Resumo Este texto relata a experiência do estágio de docência no Ensino Superior do Mestrado em Ensino do Centro Universitário UNIVATES, Brasil, que ocorreu no primeiro semestre de 2014 no curso de Pedagogia da instituição. As autoras aproximam-se da arte como importante intercessora, provocando movimentos para pensar o currículo e os discursos em educação e ensino. A arte que se misturou aos conteúdos de estudo das disciplinas Estudos do Currículo e Diferenças e Multiplicidades é aquela vivida por Nietzsche, uma arte imanente à vida, que não possui compromissos com o belo e o feio, com métodos e técnicas; uma arte que promove encontros sensíveis e potencializa a vida. Na primeira seção, apresenta-se a matéria que movimenta este artigo: dois estágios que possuem em comum um curso - o de Pedagogia - e um intercessor - a arte. A compreensão de arte operada pelos autores que percorrem o território da Filosofia da Diferença é desenvolvida na segunda seção. O terceiro momento deste artigo divide-se em duas partes, pois apresenta as experimentações desenvolvidas em cada um dos estágios curriculares.

Etnografia digital e ensino a distância

PID: S1982-71992016000300459 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Ribeiro
Resumo A antropologia não é uma ciência das sociedades longínquas e exóticas, nem mesmo das pequenas comunidades ou das sociedades simples. Deslocada das suas temáticas de origem, “repatriada”, a antropologia centra a sua investigação nas sociedades complexas e em novos campos, em novas temáticas e sobretudo nas questões da mudança. Propomo-nos apresentar um programa de pesquisa e ensino em antropologia digital/antropologia virtual ou do virtual, explorar os ambientes, culturas e comunidades on-line como campo e objeto do projeto antropológico e adequar os métodos de investigação às novas dinâmicas sociais e culturais que emergem destas situações e da era digital.

Formação docente em direitos humanos e o advento da Lei n 13.010/2014

PID: S1982-71992016000200050 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Barros
Resumo Este artigo tem como objetivo desenvolver reflexões a respeito da Lei n° 13.010, de 26/06/2014, que altera a Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, acrescentando o parágrafo 9° ao artigo 26 no qual se impõe nos currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio conteúdos relativos aos direitos humanos e à prevenção de todas as formas de violência contra a criança e o adolescente no Brasil. Em uma abordagem crítica, o direito é apresentado como um instrumento de conservação de determinado tipo de sociedade, mas dentro do possível o cidadão deve se servir do próprio direito para se opor às ofensas e reivindicar respeito e melhores condições de vida, consciente de que não é possível se limitar no direito. Por isso, no processo de ensino e aprendizagem, o docente precisa ir além das normas jurídicas e das doutrinas de direito, abrindo, assim, caminho para a reflexão e transformação social que assegure emancipação.

Gestão democrática na escola: em busca da participação e da liderança

PID: S1982-71992016000300009 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Cária Andrade
Resumo O artigo é fruto de estudos realizados no Grupo de Pesquisa em Educação e Gestão (GPEG), certificado pela Universidade do Vale do Sapucaí e registrado no Diretório do CNPq. O estudo objetiva ampliar o olhar para a denominada “gestão democrática” e a “participação” na administração do trabalho educativo da escola. Articula-se fundamentos teóricos e legais aos desafios e questões que, normalmente, os gestores enfrentam no exercício da sua função no cotidiano escolar em face de contradições e desafios a que estão expostos. Navegando entre o poder outorgado e o poder real, os gestores são pressionados, por um lado, pela responsabilização e avaliação de resultados e, por outro lado, pela falta de autonomia e condições propícias para uma gestão escolar democrática.

Gestão socioambiental na comunidade de remanescentes quilombolas de Cruz em Alagoas

PID: S1982-71992016000300075 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Silva Mira
Resumo: O presente artigo analisa o aporte teórico da disciplina Epistemologia da Gestão Socioambiental em sua contribuição à reflexão e à práxis socioambiental no semiárido nordestino brasileiro, especificamente no povoado quilombola Cruz, no contexto das aulas ministradas no programa de Pós-Graduação em Ecologia Humana; analisar suas possíveis contribuições à reflexão epistemológica em face da monocultura do saber como lógica em processo de superação; visa, ainda, apresentar alguns aspectos socioambientais da comunidade quilombola estudados do ponto de vista da ecologia de saberes. Por fim, apresentaremos alguns resultados de pesquisa efetivada na comunidade quilombola do Povoado Cruz, em Delmiro Gouveia, estado de Alagoas, Brasil - a pesquisa levou em consideração a lida da comunidade, seu modo de produção e subsistência como processos de interação homem/ambiente (MORAN, 1999, 2008, 2010, 2011; LEFF, 2010, 2012).

Infância catarinense e educação intercultural

PID: S1982-71992016000100026 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Valença
Resumo O propósito deste artigo é refletir sobre a infância catarinense na perspectiva da educação intercultural. Com esse objetivo, realizou-se uma revisão teórica e uma pesquisa empírica, exploratória, com 78 crianças de várias descendências de oito a 12 anos. Partiu-se do pressuposto de que a infância catarinense, por ser constituída de diversas descendências/etnias, apresenta elementos culturais comuns e algumas especificidades com relação aos valores estético-culturais. A educação intercultural é aquela que visa à criação de contextos educativos nos quais os conflitos entre identidade e diferença sejam minimizados, promovendo uma convivência respeitosa e solidária entre as crianças. A pesquisa foi desenvolvida no âmbito do projeto do Museu das Crianças do Brasil, espaço cultural criado para elas a exemplo do Brooklyn Children’s Museum, de Nova York. Da pesquisa, participaram crianças descendentes: africanas, indígenas e europeias (ucranianas e açorianas). Elas foram submetidas a três questionários, sobre as tradições, a vida cotidiana e o padrão físico de beleza. Tabulados, os resultados possibilitaram o traçado de um perfil que evidenciou características comuns a todas as crianças, como os valores atribuídos às pessoas: respeito aos mais velhos, responsabilidade e honestidade (valores relacionados ao ideal de ego); assim como expressaram particularidades de cada descendência (festas, culinária, manifestações religiosas). No que diz respeito ao padrão físico de beleza, predominou “a beleza do consumo”: pele clara ou bronzeada e cabelos lisos. Tais resultados constituirão a Rede Virtual, a do Imaginário Infantil, que alimentará o museu e por suas atividades será alimentada.

Interfaces entre educação e linguagem: uma experiência de extensão

PID: S1982-71992016000100143 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Fritzen Fischer Ewald Nunes
Resumo Neste artigo, discute-se uma das experiências do Núcleo de Estudos Linguísticos (NEL), o qual se formou em 2004, congregando acadêmicos e professores de licenciatura, bolsistas de iniciação científica e do Programa de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), bem como acadêmicos, egressos e docentes do Programa de Mestrado em Educação da Universidade Regional de Blumenau (FURB), Brasil. Para tanto, busca-se realizar tais discussões a partir das análises de depoimentos dos participantes do Grupo de Pesquisa do NEL recolhidos em fichas de avaliação no fim de cada semestre de 2013 e 2014. Em encontros semanais, os participantes do grupo discutem fenômenos da linguagem e sua interface com a educação. Nessas reuniões, têm-se como base textos produzidos pelos próprios membros do grupo, como projetos de pesquisa, resumos para eventos, artigos científicos, bem como textos teóricos que ajudem a ampliar a educação linguística dos participantes. O foco de discussão neste artigo abrange dois dos objetivos do NEL: envolver corpo docente e discente dos Departamentos de Letras e de Educação e do curso de Mestrado em Educação nos programas de extensão da Universidade e articular a relação ensino-pesquisa-extensão no que concerne à educação linguística. Nesses anos de atuação, o Grupo de Pesquisa se tornou um espaço central de extensão universitária na concretização de ações de formação. Além desse aspecto, o grupo vem se consolidando como ponto de encontro e de interlocução entre sujeitos que refletem sobre os conhecimentos produzidos na esfera acadêmica e o ensino na educação superior e nas escolas de educação básica.

Leitura na escola e incidência de descritores da Prova Brasil em Livro Didático de Português

PID: S1982-71992016000200299 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Silva Silva
Resumo Este artigo apresenta resultados a respeito de um estudo sobre leitura. No contexto educacional, ela perpassa todas as disciplinas do Currículo. Tal fato é de fundamental importância, já que as atividades de leitura e interpretação feitas pelos alunos devem favorecer o desenvolvimento dos letramentos (institucionalizados ou não). Na escola, sua prática ocorre, na maioria das vezes, a partir do livro didático (LD) e este, ultimamente, tem despertado o interesse dos pesquisadores que passaram a vê-lo como um importante integrante das práticas escolares. Levando em conta que as avaliações são construídas tendo a leitura como ferramenta para medir as competências e habilidades do aluno, discute-se aqui se as propostas de leitura e interpretação do texto escrito, apresentadas aos alunos pelo Livro Didático de Português - LDP - Tudo é linguagem, Ensino Fundamental II - anos finais, contemplam os cinco descritores do Tópico I da Matriz de Referência de Língua Portuguesa da Prova Brasil, entendendo que o desenvolvimento das competências e habilidades, propostas pela matriz, coadunam com práticas significativas de leitura. O estudo apresenta caráter qualitativo interpretativista, caracterizando-se como estudo de caso, sendo situado no campo da Educação. Sua pretensão é contribuir para as reflexões acerca do ensino e aprendizagem de leitura e interpretação de textos. Alguns aportes teóricos utilizados foram PCN, Bakhtin/Volochínov, Bakhtin, Schneuwly e Dolz, dentre outros. Os resultados mostram que os cinco descritores do Tópico I da Prova Brasil foram mobilizados na coleção, porém havendo discrepância quantitativa e qualitativa de ocorrência entre eles.

Material didático para inclusão de estudantes com deficiência visual nas aulas práticas sobre o processo de cicatrização

PID: S1982-71992016000100273 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Oliveira Silva Jesus Almeida
Resumo As pessoas com deficiência visual podem se beneficiar do processo de aprendizagem, de forma diferencial, por meio da utilização de estímulos e ativação de canais sensoriais diversos e da organização metamodal do sistema nervoso. O presente trabalho consiste em apresentar o processo de construção de um material didático para a inclusão de estudantes com deficiência visual nas aulas práticas sobre o processo de cicatrização. A elaboração do material didático foi sistematizada em etapas caracterizadas pela seleção dos recursos e materiais; seleção das estruturas e processos fundamentais a serem traduzidos da estimulação luminosa para mecânica; padronização dos componentes a serem estudados; dinâmica para a utilização do material e avaliação a curto, médio e longo prazo. Optou-se pela representação do processo de cicatrização em modelos didáticos confeccionados com papel Paraná como base e materiais diversos para estimulação do tato discriminativo considerando os aspectos do relevo, textura, tamanho e distância adequados. Concluiu-se que o recurso didático produzido despertou motivação, mobilizou estruturas cognitivas para compreensão tátil e possibilitou a construção de um mecanismo mental do conteúdo gerando, inclusive, memória a curto, médio e longo prazo. Os impactos que a introdução do material exerceu no estudante não foi apenas na “aquisição” de conteúdos e notas, mas também na promoção da resiliência. Portanto, a inclusão, considerando este conteúdo da microscopia, foi efetiva.

Mídia e educação: Os ofídios por trás das câmeras - répteis ou monstros?

PID: S1982-71992016000300251 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Cosendey Salomão
Resumo Colocados rotineiramente na berlinda pelas mídias sociais, as serpentes são animais rodeados de estórias e mistérios. A fim de investigar as visões culturais sobre serpentes, foram analisados filmes comerciais que têm esses animais como assunto central. Algumas cenas foram selecionadas e editadas para a produção de um curta (também utilizado como material didático). Foram trabalhados os conhecimentos prévios sobre serpentes de universitários de Pedagogia através de um questionário seguido pela exibição do curta e um debate. Após análise, percebeu-se que os filmes geralmente exploram o tema de maneira exagerada, mesclando científico e imaginário. O questionário evidenciou que lendas antigas ainda são vigentes, que o medo predomina quando se trata de serpentes e que métodos inadequados de primeiros socorros a acidentes ofídicos ainda são utilizados. O debate permitiu confrontar crenças e esclarecer dúvidas, contribuindo para uma visão mais realística sobre esses animais.

O Professor Mediador Escolar e Comunitário: uma Prática em Construção

PID: S1982-71992016000300341 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Rocha Bittar Lopes
Resumo A função de professor mediador escolar e comunitário (PMEC) foi instituída no Estado de São Paulo, Brasil, em 2010, através da implantação do Sistema de Proteção Escolar, cujo propósito é coordenar o planejamento de execução de medidas de prevenção, mediação e resolução de conflitos no ambiente escolar. Este estudo visou caracterizar os PMEC alocados em uma Diretoria de Ensino do interior paulista, com a construção do seu perfil e, especialmente, reunindo e discutindo suas proposições e estratégias de ação. Para tanto, lançou mão da aplicação de um questionário que alcançou 82% deles. Verificou-se que a principal ação foi o combate à evasão escolar, diretriz da referida Diretoria, para o quê os PMECs buscaram apoio em serviços de saúde, Conselho Tutelar, serviços de segurança pública e naqueles de proteção social, numa perspectiva centrada no indivíduo, especificamente o aluno, ao invés de uma perspectiva também coletiva que abrangesse outros atores escolares e comunitários.

O atendimento educacional especializado pelas vozes das professoras

PID: S1982-71992016000100088 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Bernardes Cordeiro
Resumo O estudo teve por objetivo conhecer o trabalho docente do/no Atendimento Educacional Especializado (AEE) em uma rede municipal de ensino do Estado de Santa Catarina, Brasil, pelas vozes das professoras que atuam nesse serviço. Para a construção dos dados, aplicaram‑se questionários a 34 professoras atuantes na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, que foram tratados à luz da análise de conteúdo. Todas as participantes da pesquisa são mulheres com idades entre 31 e 50 anos concursadas como docentes no AEE, atuando 40 horas semanais como docentes no AEE. Pode-se dizer que as professoras especializadas são experientes, já que 71% atuam há mais de seis anos na rede municipal de ensino. Contudo, no que tange à experiência no AEE, 88% das professoras estão no serviço há três anos ou menos, estando, assim, num momento profissional de descoberta e sobrevivência, em que são explorados os contornos dessa nova função. Considera-se que as professoras estão em fase de (re)conhecimento do seu trabalho no AEE e evidenciou-se que, em grande medida, este configura-se de forma isolada. No entanto, há professoras que dão indicativos de um trabalho que envolve a comunidade escolar. A fala das participantes revelou falta de coesão sobre a função de professora do/no AEE, o que adverte para a necessidade de propor discussões sobre o assunto, a fim de buscar compreender sua função e até mesmo significar o AEE como estratégia pedagógica no contexto escolar, para que contribua para o processo de escolarização dos estudantes, que são, em primeiro lugar, alunos da escola.

O discurso médico-psicológico na configuração do campo da Educação Especial

PID: S1982-71992016000100069 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Silva
Resumo Neste trabalho, discute-se a aliança de compromisso entre a Medicina e a Psicologia na configuração da Educação Especial no Brasil. Importante evidenciar que a Psicologia, ao sair do campo da Filosofia e almejar o status de ciência, incorpora o corpus epistemológico da Medicina, principalmente no que se refere aos conceitos de adaptação e desenvolvimento oriundos da Biologia. Dessa forma, o funcionamento dito psicológico é muitas vezes reduzido à maturação, o que implica diretamente uma concepção predeterminada acerca da aprendizagem, por exemplo. Analisar alguns matizes históricos, os quais evidenciam a confluência entre Medicina e Psicologia, objetiva problematizar por que, ainda hoje, em tempos de educação inclusiva, são preferencialmente médicos e psicólogos que são chamados à escola em nome de um saber especialista. O campo social e político, no qual a escola está imersa, fica imune às críticas perante a hegemonia do discurso médico-psicológico. Destaca-se que o atendimento escolar do diferente, nos seus primórdios, ocorria em classes anexas a hospitais e asilos, geralmente de caráter filantrópico, o que denota, na origem, a influência do campo médico, responsável por tais instituições. Pautando-se nos procedimentos da Medicina, a Educação Especial incorpora a visão clínica através dos processos de reabilitação e legitima a deficiência como uma questão individual, em consequência de fatores orgânicos. Conclui-se que o saber médico-psicológico foi determinante na definição do atendimento escolar especializado, em instituições exclusivas, daquelas crianças consideradas inadequadas ao ensino regular.

O jovem contemporâneo e sua escola: sobre encontros e desencontros

PID: S1982-71992016000300321 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Oliveira Kaercher
Resumo O jovem contemporâneo vem surpreendendo a sociedade nos mais diferentes setores. Este mesmo jovem encontra-se em nossos bancos escolares e, por vezes, não damos a devida atenção às suas individualidades, coletividades e expressões. Esta pesquisa trata das culturas juvenis no âmbito escolar e suas relações de pertencimento dos jovens contemporâneos em relação à instituição escola. Para atingir os objetivos propostos, montou-se questionário o qual abarcou as relações dos sujeitos-jovens entrevistados com sua escola, que foi aplicado em três turmas de terceiro ano do ensino médio do espaço de pesquisa - escola pública estadual em Porto Alegre-RS, Brasil - e, posteriormente, analisado, resultando a construção do texto final. Os resultados da pesquisa indicam que o jovem-aluno contemporâneo é composto de múltiplas e transitórias identidades e, com isso, está adaptado a múltiplos pertencimentos. Mesmo tratando-se de uma realidade específica que foi analisada, entendemos que o perfil de jovem elencado pela pesquisa pode ser assim entendido em outros espaços, na medida em que vai se moldando a estas configurações identitárias. Constatou-se que o jovem contemporâneo percebe sua escola e, ao mesmo tempo, aponta possíveis falhas na gestão escolar. Da mesma forma, verificou-se que o jovem aprecia muito diferentes espaços da escola, como pátios e corredores, entretanto, não houve inferência na sala de aula como um espaço aprazível. Há muito que se avançar neste tipo de pesquisa, uma vez que tratamos de nossa prática docente.

O materialismo cultural de Raymond Williams: aproximações às pesquisas sobre história do currículo e da profissão docente

PID: S1982-71992016000200332 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Mariano
Resumo O presente trabalho, de natureza ensaística, busca apresentar elementos da obra do britânico Raymond Williams que podem contribuir para os estudos em História da Educação, mormente aqueles relativos aos temas do currículo e da profissão docente. O trabalho tem como premissa identificar conceitos que podem apresentar potencial heurístico para a pesquisa, reconhecendo sua perspectiva do materialismo cultural e, sobretudo, que a escola se insere nesse movimento de poder ser pensada a partir de conceitos como: elementos residual e emergente; estruturas de sentimento, tradição, instituição e formação; advoga ainda que há pouca inserção da obra do autor no campo educacional. O texto procura mostrar o potencial do autor para os estudos concernentes à história do currículo e da profissão docente, ao reconhecer que é na escola que os elementos culturais são transformados e ressignificados e que esse papel de ressignificação é empreendido por aqueles que exercem o ofício de professor. Finaliza preocupando destacar, em primeiro lugar, que não se trata de uma defesa de que a obra de Williams funcione como panaceia ou camisa de força para os estudos sobre história do currículo e da profissão docente; em segundo, que, tais estudos podem ser enriquecidos por análises que reconheçam os métodos de ensino como os elementos nevrálgicos em torno dos quais a profissão docente se ancora e que, tais métodos, assim como a dinâmica cultural, estão fortemente implicados na produção de um tipo de subjetividade.

O número negativo na proposição de ensino davydoviana: necessidades para a sua introdução

PID: S1982-71992016000200203 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Búrigo Damazio
Resumo As dificuldades apresentadas por estudantes brasileiros na apropriação do número negativo relatadas em pesquisas contribuíram para a elaboração desse artigo. Preocupados com tais dificuldades, recorremos à proposição davydoviana que é objeto desse estudo. O problema de pesquisa é: quais são as necessidades criadas nas tarefas particulares da organização de ensino davydoviano para a introdução do conceito de número negativo, em situação escolar? Trata-se de uma pesquisa qualitativa na modalidade bibliográfica cuja fonte de análise são quatro tarefas presentes no livro didático do estudante pertencente à proposição davydoviana. O processo de análise se desenvolveu por meio da categoria necessidade: de ordem conceitual e pedagógica. A pesquisa evidencia que a necessidade do estudo dos números negativos decorre de que apenas eles possibilitam a resolução de alguns casos de subtração e equação. Para propiciar o significado de oposto ao número negativo, a necessidade principal é a passagem das grandezas escalares para a vetorial.

O professor-tradutor: imagens do Projeto Político-Pedagógico na Educação Infantil

PID: S1982-71992016000300059 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Schvingel Corazza
Resumo O presente trabalho, oriundo da disciplina “O professor-tradutor de EIS AICE: currículo e didática” de um Programa de Pós-Graduação em Educação, objetiva “olhar” as traduções ou representações de um Projeto Político-Pedagógico (PPP) através de algumas imagens criadas por um grupo de educadores de uma escola pública de Educação Infantil do sul do Brasil. Metodologicamente, este trabalho pode ser considerado de cunho qualitativo, porque fez uso de uma questão geradora - Traduza o PPP da escola na forma de imagem ou imagens. Tem como aporte teórico alguns conceitos advindos da teoria da tradução como criação e crítica, de Campos (2013) e Corazza (2013; 2015b) e do conceito de imagem do pensamento, em Deleuze (2009), Corazza (2013; 2015a) e Machado (2013). O estudo desses materiais suscitou diferentes análises e interpretações dos pensamentos dos educadores acerca do Projeto Político-Pedagógico. Permitiu inferir, ainda, que os educadores, ao traduzirem ou representarem o referido documento na forma de imagens, o fizeram com um pensamento acerca dele - a imagem do pensamento. Esta, por sua vez, se constituiu durante a formação e a prática docente. Por fim, essas traduções ou representações permitiram pensamentos outros, pelo viés da criação e da crítica, que denunciam o impensado e as coisas mortas da educação.
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