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O trabalho com espaço e forma na educação infantil: Experiências em colaboração

PID: S1982-71992016000300433 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Fernandes Megid Almeida Ferreira
Resumo Este relato apresenta a experiência de um trabalho com o quebra-cabeça “Meli-Melô” em duas turmas de educação infantil em Unidades Educacionais do interior de São Paulo, Brasil. A partir das atividades, trabalhamos aspectos relativos a espaço e forma e grandezas e medidas. As propostas de caráter lúdico foram realizadas com crianças de dois anos e meio a cinco anos, tendo como objetivos: desenvolver habilidades espaciais e geométricas, possibilitar a realização de ações de medir, favorecer o diálogo e promover a vivência de trabalho em grupo. Foram realizadas diferentes atividades como: manipulação das peças, montagem de figuras livremente e a partir de traçados e de sombras, montagem de figuras tridimensionais e jogo do comprimento. A avaliação do trabalho considerou a observação de algumas questões: como foi a participação das crianças no grupo grande e em pequenos grupos? Como as crianças, de diferentes faixas etárias participaram das diferentes propostas? Quais atividades foram mais fáceis ou mais difíceis para cada grupo? Quais comportamentos e falas nos revelaram aprendizagens? A realização das atividades planejadas demonstrou que as crianças têm diversas hipóteses acerca das formas, identificam semelhanças e diferenças, utilizam vocabulário geométrico, argumentam acerca do que pensam, especialmente no trabalho em pequenos grupos, cujas experiências favorecem a participação de quase todas as crianças que os compõem. Considera-se que o trabalho possibilitou aprendizagens e favoreceu o contato com a matemática na educação infantil.

O uso da tecnologia assistive por professores de educação física

PID: S1982-71992016000300215 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Ferreira Ranieri
Resumo A Tecnologia Assistiva (TA) objetiva funcionalidade, independência, autonomia e qualidade de vida das pessoas com deficiência, por meio de recursos, estratégias, serviços e equipamentos. Seus possíveis usos na Educação Física são as adaptações nas regras, atividades, no ambiente ou nos materiais, sendo desconhecido o contato efetivo com esse conteúdo na formação profissional. Esta pesquisa objetivou investigar as formas de atuação dos professores de Educação Física envolvendo alunos com deficiência e os meios de adaptação de suas aulas, sondando a respeito do uso da TA. A pesquisa é de cunho qualitativo, envolvendo procedimentos da análise de entrevistas semiestruturadas com seis professores de Educação Física. Quanto aos relatos, identificou-se adaptações e improvisos nas atividades envolvendo alunos com deficiência, sendo que a TA não é conhecida pela maioria. Dada a incipiência do uso da TA, uma solução direcionada aos cursos de Educação Física seria trazer em suas disciplinas maiores possibilidades de aproximação com a realidade escolar e da pessoa com deficiência, além de abordagem curricular da Tecnologia Assistiva, como ferramenta na prática docente.

Os negros na legislação educacional e educação formal no Brasil

PID: S1982-71992016000200234 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Almeida Sanchez
Resumo O presente artigo busca compreender o processo de implementação das legislações educacionais que atuam nas vidas de negros no processo de educação formal. Neste delineia-se a defasagem entre o apregoado e o planejado e a realidade. Dessa forma, entendemos que as legislações aqui estudadas representam um movimento de tensionamento rumo à democratização do currículo e da própria escola, pois possibilita que populações menos visíveis e valorizadas nessa instituição e em suas práticas sociais sejam reconhecidas em suas histórias, tomem voz, participem ativamente da constante construção e reconstrução do cotidiano escolar.

Padrões arquitetônicos escolares e expansão do Ensino Fundamental no início do século XX no Brasil

PID: S1982-71992016000300087 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Fernandes Alaniz
Resumo O artigo propõe descrever a transformação ocorrida no espaço físico das escolas de ensino fundamental no Brasil, no período inicial da expansão do acesso à educação básica, ocorrida entre os anos 1930 a 1940. Procurou-se, por meio da abordagem histórico-descritiva, demonstrar que os projetos arquitetônicos escolares materializaram aspectos constitutivos das políticas educacionais vigentes nos períodos indicados. Abordou-se, com base na pesquisa bibliográfica de aporte histórico, a emergência de novas diretrizes de planejamento nos órgãos estatais e a configuração da arquitetura escolar brasileira em conformidade com o discurso modernizador do período. Perseguiu-se as transformações dos modelos arquitetônicos e a mudança de orientação dos órgãos de planejamento, os quais utilizaram-se de conceitos funcionalistas da arquitetura do movimento moderno para a construção dos prédios escolares, seguindo princípios construtivos modulares, pré-fabricação e despojamento de toda ornamentação. Tendo como referência as modificações nas diretrizes de planejamento e a forma como configurou-se a rede física escolar, identificou-se que a expansão da rede física seguiu o parâmetro de racionalização do gasto público. Esse fator corroborou para a massificação do acesso, ocasionou a adoção de soluções arquitetônicas padronizadas, o empobrecimento e a precarização da estrutura física das escolas públicas brasileiras.

Percepções dos estudantes sobre a prontidão para a carreira e a eficácia de um programa de formação de professores

PID: S1982-71992016000200317 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Dantas
Resumo Este estudo investigou as percepções de estudantes sobre o conceito de prontidão para a carreira (career readiness) e a eficácia de um programa de formação de professores na Lynn University. Em 2011, uma pesquisa realizada por McCulloch, Burris, e Ulmer enfatizou que existem mais de 1.400 faculdades e universidades nos Estados Unidos, as quais preparam os alunos para a profissão docente. No entanto, os programas de formação de professores nos Estados Unidos continuam a formar muitas pessoas que não permanecem na carreira docente em longo prazo. Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de atestar se as percepções de estudantes podem ser utilizadas como uma perspectiva diferente em termos de avaliação de programas de formação de professores. A investigação foi conduzida através da coleta de dados de uma pesquisa demográfica e a administração de entrevistas semi-estruturadas com os participantes da pesquisa. Os dados foram organizados através das seguintes categorias de análise proposta pelo pesquisador: Categoria A: habilidades eficazes de gestão de sala de aula; Categoria B: Programas e endossos; Categoria C: recomendações do instrutor; Categoria D: requisitos do Programa e recursos; Categoria E: Preparação para testes - requisitos legais do Estado e de outros tipos de combinações entre eles. Os resultados do estudo demonstraram que os estudantes recomendam a inclusão de “atividades de mão na massa” como uma alternativa dedicada a melhorar aquele programa de formação de professores.Os resultados deste estudo podem ser úteis para contribuir para o desenvolvimento de programas de formação de professores, para a literatura de pesquisa educacional, e também em termos de planejamento e implementação de desenvolvimento profissional eficaz para os professores.

Perspectiva da gestão de Educação de Jovens e Adultos e interfaces com a formação docente

PID: S1982-71992016000300041 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Duques Amorim
Resumo Este artigo tem como objetivo analisar a relação entre gestão educacional e a formação docente na Educação de Jovens e Adultos (EJA) no município de Matina, no estado da Bahia, Brasil. A investigação se pautou na abordagem qualitativa, com delineamento no estudo de caso. Para coleta de dados, lançou-se mão da análise de documentos, da observação e da entrevista semiestruturada com educadores e educandos de três escolas que ofertam a EJA, no município de Matina. O tratamento dos dados foi possível graças à ferramenta da análise de conteúdo. Como resultado, constatou-se que a gestão da EJA municipal apresenta-se, ainda, de maneira precária, o que implica difíceis condições de trabalho e de formação, comprometendo a educação ofertada à comunidade local. Verificou-se também que existe uma estreita relação entre a gestão educacional e a formação dos educadores de EJA, o que aponta para a necessidade de investimento financeiro, material e pedagógico no âmbito da melhoria dos processos de gestão educacional, escolar e consequentemente na melhoria e na garantia dos processos formativos, no âmbito da EJA.

Políticas públicas em educação do campo: Pronera, Procampo e Pronacampo

PID: S1982-71992016000200135 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Santos Silva
Resumo O presente artigo tem como objetivo central apresentar reflexões acerca de três políticas públicas específicas de educação do campo no Brasil: o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), integrado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário; o Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo (Procampo) e o Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo), ambos vinculados ao Ministério da Educação. Oriundas da mobilização das organizações e movimentos sociais, essas políticas públicas evidenciam que a luta pela reforma agrária transcende à luta pela terra, uma vez que compreende a ocupação de diversos outros espaços. Neste trabalho, realizamos uma sucinta abordagem do contexto que deu origem à Educação do Campo, indicando os principais aspectos dos programas estudados. Desenvolvemos uma pesquisa bibliográfica e documental, utilizando entre as fontes de investigação, legislações, portarias e decretos, assim como, alguns referenciais produzidos nos últimos anos sobre educação do campo no Brasil. Concluímos que a produção coletiva do saber em parceria com educandos/ as, educadores/as, comunidades e os movimentos sociais de luta pela terra pode dialogar com histórias, memórias, identidades, desejos, valores e reconhecimento, fortalecendo o debate em torno da educação do campo na sua estreita relação com os movimentos sociais, as escolas do campo e as universidades públicas. Constatamos que essa articulação é um dos principais desafios a serem enfrentados pelo Movimento da Educação do Campo na consolidação dos resultados do Pronera, Procampo e Pronacampo.

Por entre rostos: o sujeito analfabeto para além das ausências

PID: S1982-71992016000100157 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Gomes Altamor
Resumo O presente artigo propõe-se, por meio de procedimento de pesquisa denominado autoetnográfico, realizar uma reflexão acerca do analfabetismo a partir de um olhar mais atento à Dona Alzira, pessoa de muitas linguagens e que, sob o rótulo de analfabeta, é pensada socialmente a partir daquilo que lhe falta. Relega-se à periferia, assim, sua cultura e seus saberes próprios. Aliada a estas discussões, faz-se uma relação entre a aprendizagem da leitura e da escrita como divisor de águas entre aqueles socialmente valorizados enquanto cultos, trazendo à emergência tal discussão a partir da narrativa da história de alfabetização de uma das autoras. Busca aporte teórico em autores como Levinas, Nunes e Freire, teóricos que contribuem para a ampliação das discussões apresentadas no sentido de avançar no entendimento dos sentidos do analfabetismo e da alfabetização a partir da valorização do outro a partir de sua própria história, transpondo os rótulos sociais que caracterizam sujeitos analfabetos como inferiores. O artigo apresenta um importante desafio: olhar os sujeitos humanos a partir de suas próprias palavras. Escutá-los enquanto sujeitos de história, de cultura, para muito além do analfabetismo. Isso porque, o outro é rosto, pura linguagem e indizível, quando olhado em sua característica de infinito. Ele está em lugar de privilégio em relação a mim; vem antes e, justamente por isso, é meu mestre. É o próprio outro quem me ensina a olhá-lo.

Problemas experienciados por professoras iniciantes em aulas de matemática

PID: S1982-71992016000300267 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Ciríaco Morelatti
Resumo Este artigo tem como objetivo perceber dificuldades experienciadas por professoras iniciantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental no trabalho com Matemática. Pretende, também, identificar características da formação inicial com influência na aquisição dos conhecimentos e saberes necessários à docência. A metodologia é qualitativa de caráter descritivo-analítico. Relatamos narrativas de duas professoras sobre os desafios do aprender a ensinar Matemática em seus primeiros anos de carreira, decorrentes de uma entrevista semiestruturada. Os resultados mostram que existem problemas em relação ao conhecimento matemático no decorrer do curso de formação inicial, dado que, muitas vezes os programas descrevem uma formação centrada em procedimentos metodológicos e sem atender a questões conceituais necessárias à prática pedagógica, o que pode originar desafios na fase de iniciação profissional.

Relações entre violência escolar, gênero e estresse em pré‑adolescentes

PID: S1982-71992016000100110 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Sousa Stelko-Pereira
Resumo A violência escolar é um problema nacional e se caracteriza por comportamentos que visam causar danos e que envolvem atos agressivos entre alunos, de alunos a funcionários e de funcionários a alunos. O objetivo deste estudo compreende investigar se há relação entre comportamentos de estresse e tipos de envolvimento em violência escolar, bem como a relação entre estresse, violência escolar e gênero. Participaram da pesquisa 106 alunos de 9 a 14 anos de uma escola pública situada em uma área de baixo índice de desenvolvimento humano da cidade de Fortaleza, Brasil. Esses participantes manifestaram assentimento e seus pais autorizaram a participação mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram respondidas a Escala de Violência Escolar (EVE) e a Escala de Stress Infantil (ESI). Como resultados foi possível perceber pelas categorias analisadas (vitimização de alunos por alunos, vitimização de alunos por funcionários e autoria de violência) ocorrências de violência física, psicológica e material, mas a maior parte dos alunos não estava em estado considerável de estresse. Notaram-se correlações positivas significativas entre estresse e vitimização de alunos por alunos; estresse e sofrer violência psicológica por funcionários; e estresse e ser autor de violência psicológica, física e virtual, bem como estresse e comportamentos de risco. Constatou-se que meninas são mais vítimas do que meninos em relação à violência psicológica por alunos; são mais autoras de violência psicológica e virtual do que meninos e sofrem mais estresse do que alunos do gênero masculino.

Representações de alunos com deficiência visual sobre as aulas de educação física escolar

PID: S1982-71992016000100100 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Freitas Sales Moreira
Resumo Este estudo objetivou analisar a percepção de alunos com deficiência visual matriculados no ensino regular a respeito das aulas de Educação Física. O estudo apresentou caráter qualitativo, descritivo e exploratório, tendo sido realizado na Associação Jequieense de Cegos (Ajece) Brasil. Participaram da entrevista semiestruturada cinco alunos com deficiência visual matriculados na rede regular de ensino de Jequié e assistidos pela Ajece. Após análise de conteúdo, foram evidenciadas três categorias: atividades desenvolvidas durante as aulas de Educação Física, interesse dos alunos por esportes enquanto elementos da Educação Física e atividade física em outros espaços. Todos os alunos investigados declararam que, apesar do interesse, não participavam das aulas de Educação Física, atribuindo essa infeliz realidade aos professores que não se atêm a adaptar as metodologias de ensino e as atividades práticas (físicas, esportivas, recreativas) às suas especificidades.

Retenção e não retenção no ciclo de alfabetização: estudo com professores estaduais de Chapecó-SC, Brasil

PID: S1982-71992016000200009 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Fantin
Resumo O presente trabalho de pesquisa tem como objetivo analisar o processo da não retenção nos anos iniciais do ensino fundamental a partir da perspectiva dos professores. O questionamento que norteou a pesquisa está relacionado às repercussões que esse novo modelo de avaliação produziu nas escolas e junto aos professores, as considerações docentes sobre a não retenção dos alunos. Foi realizada uma pesquisa de campo com professores, para conhecer como esta regulamentação, que muda o sistema de avaliação dos alunos, vem sendo implementada nas escolas e como os professores avaliam as mudanças de um sistema de retenção para a não retenção de alunos no ciclo de alfabetização. O trabalho consistiu na realização de uma pesquisa qualitativa, apoiada, sobretudo em entrevistas semi-diretivas, com um grupo de professores das séries iniciais da rede pública estadual de educação da cidade de Chapecó - Santa Catarina, Brasil. A análise dos dados se fundamentou na perspectiva sócio-histórica-cultural da Proposta Curricular do Estado. Os resultados revelaram as resistências, as dificuldades encontradas pelos professores, mas também possibilidades de aceitação e aplicação desse novo modelo de avaliação.

Reverberações da atual formação de professores na prática docente

PID: S1982-71992016000300197 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Nunes Oliveira Rocha
Resumo Concebendo a importância das formações de professores para a construção e reconstrução de práticas e condutas docentes, o artigo objetiva investigar as reverberações dessa formação na prática de ensino de educadores que trabalham em uma escola pública de Fortaleza, Brasil. São ressaltados, dentro desse propósito, os impactos na construção da subjetividade e identidade docente e na saúde mental desses profissionais. Para isso, foi realizada uma pesquisa empírica que contou com a observação do contexto escolar e de ensino, um questionário aplicado aos professores e devolutiva realizada com a direção da escola. Participaram da pesquisa, vinte e seis professores, além do núcleo gestor, composto por três profissionais. Os resultados indicam, paradoxalmente, de um lado, a satisfação dos professores com a sua prática e com a escola, e, de outro, índices preocupantes de mal-estar docente e sofrimento psíquico. A relação com os alunos é evidenciada como um elemento que mais produz estresse nos profissionais participantes da pesquisa. Essas problemáticas estão intimamente relacionadas com a configuração da formação de professores, a qual não tem prezado por trabalhar a subjetividade e identidade docente, não tem corroborado com a constituição de práticas críticas, que levem em consideração a heterogeneidade existente na sala de aula, além de colaborarem com a produção de um perfil profissional alienado. Esses fatores corroboram, então, para a instauração do mal-estar docente.

Sistema de cotas, trajetórias educacionais e assistência estudantil: por uma educação inclusiva

PID: S1982-71992016000200273 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Machado Magaldi
Resumo O presente texto visa abordar o atual cenário universitário brasileiro a partir da conjuntura do sistema de cotas. Para tal, foram utilizados os estudos de Ferraro (2011) e Carvalho e Rezende (2012), de forma a englobar a trajetória do aluno cotista desde a educação básica, destacando a trajetória escolar dos meninos negros. Em seguida, discute-se como se dão os posicionamentos acerca da política de cotas no seio das discussões acadêmicas e de que forma a política de ação afirmativa aqui abordada se relaciona com o conceito de equidade, tal como elaborado por López (2005). A partir do conceito de equidade, faz-se um rápido histórico da introdução do sistema de cotas na universidade brasileira, enfatizando as ações isoladas de algumas universidades até a aprovação da Lei nº 12.711, que trata da política nacional de cotas. Para finalizar, discute-se a mudança ocorrida no público universitário a partir da instauração do sistema de cotas e as transformações na assistência estudantil, tanto em termos de recursos quanto no que tange a uma proposta que não mais se resume ao auxílio econômico, estando voltada para a inclusão pedagógica e social do aluno na universidade pública brasileira. Ressalta-se que o objetivo central deste artigo é, a partir de pesquisa bibliográfica, estabelecer uma relação entre os vários gargalos pelos quais passam os alunos negros e pobres até o ensino superior e a necessidade da adoção das cotas como uma forma de lidar com tais obstáculos.

Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK): modelo explicativo da ação docente

PID: S1982-71992016000300231 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Nakashima Piconez
Resumo: O presente artigo compreende reflexões derivadas de pesquisa exploratória, em periódicos internacionais, sobre educação e tecnologias e capítulos de livros que discutem a inter-relação dos diferentes tipos de conhecimentos docentes, apoiados por tecnologias. O objetivo foi compreender as contribuições e desafios do TPACK, como modelo explicativo da ação docente, nas decisões acerca da integração de tecnologias em práticas pedagógicas. Dentre as contribuições foram destacadas as investigações e experiências apoiadas pelo TPACK; o TPACK como orientador da formação inicial e permanente de professores e a relação do TPACK com outros modelos teóricos. O modelo TPACK foi considerado base de conhecimento docente para a integração das tecnologias em contextos educacionais, a partir do alinhamento com abordagens pedagógicas e ensino de conteúdos específicos. Entretanto, alguns desafios foram apontados pelos estudos, como a dificuldade de consenso ao definir cada constructo do modelo; a necessidade de definição dos tipos de tecnologias abarcadas pelo TPACK e a fragilidade no processo de avaliação do modelo. A expectativa deste artigo é apresentar reflexões que possam mobilizar a continuidade e o desenvolvimento da temática investigada.

Tendências curriculares no ensino de música: indefinição e permanência de um presente eterno

PID: S1982-71992016000300281 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Carvalho Carvalho
Resumo As teses sobre a pós-modernidade, bem como a sua expressão nas reformas educacionais implementadas a partir da década de 1990, têm sido amplamente incorporadas pelo campo da educação musical, no ensino e na formação docente. Nosso objetivo neste texto é problematizar essa questão analisando os temas do professor prático-reflexivo e de uma pedagogia centrada em competências docentes, no aprender a aprender e na sobrevalorização dos saberes da experiência cotidiana. O levantamento na literatura da área baseado, sobretudo em artigos publicados na Revista e nos Anais da ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical) nos últimos dez anos, sugere a larga difusão, no campo da educação musical, dos pressupostos pós-modernos/pós-estruturalistas acerca da vida social e cultural. Tal difusão se daria em paralelo à vasta incorporação das suas correlatas concepções de formação e conhecimento. A partir do referencial marxiano, afirma-se que essas teses podem produzir na educação um recuo da teoria, a despolitização do debate e o empobrecimento do ato de conhecer.

Trabalhos acadêmicos do Programa Redefor: a produção de conhecimento sobre educação especial e inclusiva

PID: S1982-71992016000300401 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2016
Autores: Terçariol Santos Gitahy Schlünzen
Resumo O programa Rede São Paulo de Formação Docente (Redefor) da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo/Brasil propôs, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (UNESP), a formação continuada de professores da rede pública estadual de ensino, em cursos de especialização nas áreas da Educação Inclusiva e Especial, na modalidade a distância. Para atender a um público de 1.600 professores, foram executados de 2014 a 2015 sete cursos, entre os quais se encontra o curso de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, com carga horária total de 444 horas distribuídas entre atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem da UNESP, estágios, Encontros Presenciais, bem como elaboração e apresentação de Trabalhos Acadêmicos (TA). Após a finalização das disciplinas e Encontros Presenciais, em 2015 foram criadas 55 turmas para orientação dos TA, em que cada orientador deveria realizar a mediação pedagógica on-line de 10 a 20 cursistas para a elaboração de um artigo científico. Pretende-se neste artigo discutir sobre os aspectos presentes em dois artigos científicos desenvolvidos no âmbito do curso, que abordaram a discussão sobre professores iniciantes e currículo para o desenvolvimento da Educação Especial na perspectiva Inclusiva. Os resultados demonstram que o curso de especialização trouxe para o eixo de reflexão dos cursistas elementos importantes para que a Educação Especial possa realmente se fortalecer em uma perspectiva inclusiva, nas escolas públicas do Estado de São Paulo.

A Frequência Escolar e a Educação a partir do ponto de vista das Beneficiárias do Programa Bolsa Família

PID: S1982-71992015000100136 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2015
Autores: Feijó Pires
Resumo O Programa Bolsa Família (PBF) é uma política de transferência de renda, implantada pelo governo federal, em 2003, que visa combater a pobreza. Destina-se a famílias com renda per capita igual ou inferior a R$ 140,00. O desenho do PBF busca enfrentar a pobreza articulando ações em dois períodos temporais. Em curto prazo, transferir renda diretamente às famílias, atuando na redução da chamada pobreza absoluta. Em longo prazo, combater a chamada transmissão intergeracional da pobreza, por meio de condicionalidades vinculadas à saúde e, sobretudo, à educação. Em relação à educação, é exigida frequência escolar mínima de 85% para as crianças entre 6 e 15 anos de idade, e 75% para adolescentes entre 16 e 17 anos de idade. O pressuposto deste entendimento, que vincula transferência de renda com exigência de frequência escolar, é que as crianças e jovens, ao entrarem cedo no mercado de trabalho, diminuiriam a sua escolaridade e reduziriam drasticamente suas chances de sair da pobreza quando adultas. Este artigo visa compreender como se estabelece a relação entre frequência escolar e saída da pobreza, de acordo com os pontos de vista dos próprios titulares das famílias beneficiárias pelo PBF, residentes na região sul do município de Campinas (SP), Brasil. Os resultados da pesquisa realizada indicam que as entrevistadas não tiveram problemas em cumprir com as exigências das condicionalidades em educação, uma vez que nenhuma verbalizou dificuldades no sentido de não conseguir vagas ou acesso à escola para seus filhos. Treze das quinze entrevistadas afirmaram que seus filhos estariam na escola mesmo se não estivessem participando do Programa Bolsa Família. Todavia, quanto mais avançada a idade do filho, mais difícil se torna a tarefa de cumprir com a exigência, conforme atestam suas falas. No tocante à compreensão sobre a educação e o papel que esta desempenha no enfrentamento da pobreza, as mães expressam a convicção de que a educação trará possibilidades de mudanças, seja para elas, seja para seus filhos. No entanto, com diferentes matizes que se relacionam com a própria escolaridade das entrevistadas. Para algumas mães, a possibilidade de um dia elas ou seus filhos fazerem alguma faculdade “genérica” ainda faz parte dos planos. Para outras, a possibilidade de entrar no mundo do letramento. No entanto, as respostas denotam certa insatisfação com a qualidade do ensino oferecido e, relacionado a esta compreensão, expectativas modestas A Frequência Escolar e a Educação a partir do ponto de vista das Beneficiárias do Programa Bolsa Família 137 sobre a educação oferecida. Mais importante do que os conteúdos e vivências da escola, o que parece de fato fazer a diferença no futuro é passar pelos ciclos escolares e obter o diploma.

A Indissociabilidade na Universidade. Fragmentos de uma experiência

PID: S1982-71992015000100287 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2015
Autores: Moura Zucchetti
Resumo Neste relato discute-se a complexa, tensa e precária articulação entre ações de ensino, pesquisa e extensão na perspectiva da indissociabilidade, enquanto condição necessária para uma formação acadêmica que rompa com a produção de saberes endógenos, distantes da realidade social e desconexos entre si. Os escritos partem de uma experiência, desenvolvida pelas autoras, inicialmente para atender demandas extensionistas de tipo práticas de educação não escolar e que avançam para a economia solidária. Enquanto espaço de diálogo entre a universidade e a comunidade, apostamos no caráter transgressor da extensão - lócus da produção do conhecimento válido - como oportunidade de encontro entre a sociabilidade de homens e mulheres simples e seus saberes cotidianos e, a consequente e necessária problematização do que se ensina-e-aprende no ensino superior. Tal experiência, posteriormente transformada em uma Incubadora de Economia Solidária, foi produzindo efeitos sobre o corpo docente e discente que se fizeram sentir tanto sobre as práticas de ensino, pesquisa e extensão, quanto no interior da própria universidade, na medida em que os saberes se deslocam da interdisciplinaridade para a transdisciplinaridade tendo como ponto de sustentação o movimento da economia solidária e nele a temática da solidariedade.

A construção da diferença de gênero nas escolas - Aspectos históricos (São Paulo, séculos XIX-XX)

PID: S1982-71992015000100065 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2015
Autores: Almeida
Resumo Os discursos e a prática da coeducação dos sexos originaram debates educacionais em São Paulo, Brasil nos anos finais do século XIX e iniciais do século XX. Os princípios coeducativos foram defendidos de um lado pelos liberais republicanos e representantes do protestantismo; e por outro lado houve oposição da Igreja Católica e dos setores conservadores da sociedade. Esse aspecto da escolarização de crianças teve seu ponto de partida nos Estados Unidos e Europa. Ao chegar ao Brasil, introduzida pelos missionários norte-americanos, a coeducação provocou algumas discussões, mas, aparentemente, não teve a mesma repercussão que nos demais países. As escolas mistas tornaram-se comuns, embora, na sua essência, não garantam igualdade entre os sexos.
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