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Características do Instituto Nacional de Cinema Educativo: organização administrativa e categorização de suas narrativas

PID: S1982-71992020000100143 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Pereira
Resumo O artigo que segue foi construído a partir da análise de noventa e nove produções do Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), compreendidas entre 1936 até 1945. Optei por esse recorte histórico em virtude da vasta produção de filmes ocorrida no período que, não por acaso, é compatível com o grande investimento estatal em educação e propaganda política que marcaram o Estado Novo. Para a maior compreensão da natureza das narrativas cinematográficas do órgão, constam no texto aspectos da criação do Instituto analisados à luz da gestão administrativa do governo Vargas. Os debates e circulação de ideias a respeito do emprego do cinema a serviço da educação, também fazem parte do presente estudo, bem como o destaque à necessidade metodológica de categorização das noventa e nove narrativas analisadas, com o intuito de viabilizar a pesquisa, mapeando temas e abordagens. Ressalta-se que o objetivo da sistematização foi compreender a variedade e riqueza daquelas produções com o intuito de sanar dúvidas sobre a natureza do INCE e seus intentos.

Casos de ensino: narrativas de professores de Língua Espanhola de uma Instituição de Ensino Superior

PID: S1982-71992020000100148 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Duarte Calil
Resumo Este artigo tem por finalidade analisar situações pedagógicas que constituem o conhecimento profissional dos docentes de Língua Espanhola de uma Instituição de Ensino Superior localizada na região do Vale do Paraíba, buscando-se extrair dados que contribuam para este e para outros ambientes educacionais. Tal análise foi realizada por intermédio de quatro narrativas em formato de casos de ensino compostas por estes professores e fundamentando-se, em grande medida, nas categorias da base do conhecimento (SHULMAN, 2014). A base metodológica desta pesquisa é a abordagem qualitativa (BOGDAN; BIKLEN, 1994), levando-se em conta a perspectiva, a subjetividade e a vivência dos participantes no seu próprio ambiente natural como fonte direta da obtenção de dados descritivos sobre seu conhecimento profissional. O instrumento de coleta de dados utilizado foi um pedido para composição individual de casos de ensino. Fundamentou-se o uso deste instrumento nos estudos realizados por Shulman (2000) e Nono e Mizukami (2002). Os principais resultados encontrados apontam, dentre outras, para as seguintes conclusões: percebeu-se a validade de desenvolver a aprendizagem dos seus alunos sob uma perspectiva integral; de se aprender com a própria experiência; e de se compartilhar casos de ensino como os aqui analisados, no intuito de agregar experiências de companheiros ao seu próprio conhecimento profissional e, desta forma, potencializar as oportunidades de aprendizagem dos alunos desta Instituição de Ensino.

Cinema e Educação: o Projeto Imagens em Movimento e espaços de alteridade

PID: S1982-71992020000100177 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Ribeiro Gonçalves
Resumo1 Neste artigo nos propomos a discutir o trabalho educativo com cinema em escolas da rede pública como espaço de criação e alteridade. Partindo da experiência do Projeto Imagens em Movimento, iniciado no ano 2011, que realiza um trabalho com cinema em escolas da rede pública e atuou em escolas e pontos de cultura de alguns municípios do estado do Rio de Janeiro e do estado de Minas Gerais, investigamos o trabalho educativo com cinema, no espaço da escola pública, a partir da experiência de três escolas com esse projeto, todas localizadas na cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de parte de uma pesquisa realizada a partir do mapeamento das informações disponíveis na plataforma digital do projeto sobre o seu histórico e suas ações e pela análise de entrevistas realizadas com oito trabalhadores envolvidos no projeto nessas três escolas. O referencial teórico da pesquisa se ancorou em conceitos como: cinema e educação, atividade criadora, alteridade, aprendizagem, experiência e infância, a partir de um diálogo com autores fundamentais - em especial Alain Bergala, para quem a escola deve ser um espaço de apropriação e fruição do cinema como arte. Focando na experiência com cinema como espaço de alteridade destacamos que, quando professores, cineastas e/ou demais trabalhadores da Educação Básica trabalham em parceria, experimentando o cinema junto com os estudantes dentro e fora da escola, parecem ser mobilizadas muitas aprendizagens em todos os envolvidos no projeto, alterando subjetividades e construindo saberes em conjunto.

Comunidades de Aprendizagem e práticas colaborativas nos processos de inserção profissional

PID: S1982-71992020000100224 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Passos Andrade Aparicio Costa
Resumo O trabalho colaborativo se apresenta como resposta ao individualismo marcado historicamente na cultura das instituições escolares. O artigo analisa os modos de colaboração que constituem as comunidades de aprendizagem profissional, suas relações com a cultura da escola e com o processo de inserção de professores iniciantes. As formas de interação entre docentes nos locais de trabalho e descritas como colaboração nem sempre expressam metas, ações comuns e decisões mais amplas que envolvem a melhoria das práticas, dos conhecimentos e das concepções e que resultem na qualidade da docência e da gestão. A instituição escolar precisa se posicionar em relação a essas decisões e criar condições para que novas formas de colaboração beneficiem o trabalho pedagógico do professor. As características e dimensões dos grupos colaborativos constituídos como comunidades de aprendizagem são exploradas a partir de critérios apresentados pela literatura na perspectiva de assegurar a aprendizagem e o desenvolvimento profissional dos professores em inserção profissional. A análise de uma experiência pedagógica de aprendizagem colaborativa no âmbito da pesquisa de professores e da relação universidade-escola é apresentada como potencializadora da reflexão, do questionamento de crenças e valores, assim como da problematização das escolhas didáticas que orientarão a prática de professores na sala de aula.

Condições de trabalho no início da docência: elementos constituintes e repercussões no desenvolvimento profissional

PID: S1982-71992020000100216 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Rigolon Príncepe Pereira
Resumo Este ensaio tem como objetivo problematizar a relação entre condição de trabalho e inserção profissional, considerando que os elementos que constituem as condições de trabalho docente podem repercutir negativamente no desenvolvimento profissional, necessitando serem levados em consideração quando se investiga o fenômeno da evasão e do abandono da carreira, em especial pelos professores iniciantes. Partindo do princípio de que a carreira é um processo de marcação e de incorporação dos indivíduos às práticas e rotinas institucionalizadas das equipes de trabalho, que depende de condições positivas para se consolidar e que é por meio da estruturação da carreira que se manifestam as condições objetivas do trabalho docente, são apontados neste ensaio alguns elementos que compõem a carreira docente, considerados fundantes para a compreensão do desenvolvimento profissional: a) as formas de contratação, b) as jornadas de trabalho, c) o número de alunos por turma, de turmas e de escolas em que o professor iniciante leciona, d) os tempos e espaços de formação ofertados pelas instituições, e) os apoios ofertados a esses profissionais. Defendemos que qualquer análise que se pretenda fazer sobre a inserção profissional na carreira docente precisa contemplar as inúmeras clivagens que incidem diretamente nas relações de trabalho e que adensam ainda mais as dificuldades enfrentadas pelos que começam a exercer o trabalho docente.

Configurações da infância na cidade: desigualdade interbairros e nos usos dos tempos e espaços por crianças curitibanas

PID: S1982-71992020000100156 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Ferreira Ferreira
Resumo Este artigo analisa dados de um questionário respondido por 1060 famílias sobre o uso que crianças moradoras de diferentes bairros de Curitiba, faziam do bairro de moradia e da cidade. Para a análise dos dados, utilizou-se autores das ciências sociais (Elias, Lahire), da sociologia urbana, da infância entre outros. Evidenciou-se que crianças moradoras do norte e região central socializavam-se mais em ambientes consolidados de lazer e cultura, faziam mais atividades voltadas ao modo escolar de socialização e atividades esportivas elitizadas e espiritualizadas. Já as do sul e extremo sul faziam mais atividades próximas de um enquadramento cívico, moral e religioso e realizavam mais atividades esportivas ligadas à defesa pessoal. Conclui-se que o bairro e a cidade também contribuem nos processos de socialização influenciando na formação de redes de interdependência que podem ser mais, como também menos variadas, elásticas e móveis do ponto de vista espacial.

Construindo modelos científicos com materiais e obras artísticas em uma disciplina da licenciatura do campo

PID: S1982-71992020000100716 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Silva Silva Silva
Resumo Os modelos científicos são construções que permeiam diversos campos da atividade do ensino de Ciências e constituem o foco de discussões nas salas de aulas do ensino básico e superior. Desta forma, tanto a construção de um modelo quanto sua avaliação são atividades que permitem o contato dos alunos com as Ciências. Para a formação de professores de Ciências, o contato com o processo de modelagem se torna relevante para o entendimento de seu campo de atuação. Neste trabalho apresenta-se um relato de experiência sobre a construção de modelos em uma disciplina do curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Minas Gerais. As discussões científicas, bem como as atividades de modelagem, aproximaram-se das artes plásticas, por meio do uso de alguns materiais e abertura para a expressividade. A partir das discussões da disciplina, os alunos, além de se envolverem com o processo de modelagem, ainda argumentaram sobre a natureza desse processo durante a avaliação e o teste do modelo construído por eles. Um desses modelos elaborados pelos licenciandos possuía abrangência para explicar a teoria cinético molecular dos gases, corroborando com relatos outros sobre as ciências. A elaboração de modelos contribuiu tanto para o contato dos alunos com práticas científicas quanto para a expressão de suas ideias por meio da aproximação às atividades artísticas.

Construção do direito da criança pequena à educação no Brasil: história a partir do estado

PID: S1982-71992020000100169 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Perea Ramos
Resumo Este artigo discorre sobre os caminhos da construção do direito à educação da criança pequena no Brasil, tendo como referência a atuação do Estado nesse processo. Com base em análise bibliográfica, verificou a predominância de três períodos centrais nessa história, sendo: o de um Estado ausente, que legou a educação da criança a iniciativas familiares, particulares, comunitárias, religiosas e caritativas; o de um Estado conservador, que atuou na área notadamente a partir de ações normativas e de fiscalização de instituições privadas, para tutela e controle da infância, sob um viés assistencial, higienista e de prestação de favor à sociedade; e o de um Estado em disputa, que aprovou as principais legislações e documentos voltados ao reconhecimento do direito da criança pequena à educação e ao fortalecimento da educação infantil, não obstante a manutenção de políticas: para o atendimento informal dos mais pobres e a baixo custo público; de focalização do ensino fundamental, em detrimento da educação infantil; de desvalorização das creches dentro da educação infantil; etc. Conclui, assim, que o quadro legal herdado a partir da Constituição Federal de 1988, do Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 ainda é a principal conquista e ferramenta que se tem na área para fortalecer a luta contra retrocessos na história de construção do direito da criança pequena à educação no Brasil.

Contribuições do PIBIC/CNPq para a constituição do habitus de pesquisador

PID: S1982-71992020000100173 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Moura Cecchetti Bernardi
Resumo Esse trabalho versa sobre o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), mantido e fomentado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O estudo foi desenvolvido na Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), com o objetivo de analisar se o PIBIC/CNPq influenciou os bolsistas egressos da IES a permanecerem no campo científico e a internalizarem um habitus de pesquisador. A coleta de dados foi realizada através de questionário eletrônico aos bolsistas ingressantes no PIBIC/CNPq no período de 2010 a 2015 e que finalizaram as atividades no Programa até 2017. O tratamento dos dados foi realizado com base na Análise de Conteúdo, ancorada epistemologicamente no pensamento de Pierre Bourdieu. Os resultados apontaram que os beneficiados do PIBIC/CNPq adquiriram um montante de capital científico que favoreceu a entrada e permanência no campo científico. Assim, através das atividades científicas desenvolvidas durante a vigência da bolsa - participação e publicação em eventos, acompanhamento de um professor-orientador, auxílio na escolha profissional e estímulo para continuação dos estudos em nível de pós-graduação - tais estudantes constituíram um habitus de pesquisador.

Cultura da leitura e escrita em práticas mídia-educativas nas escolas municipais do Rio de Janeiro

PID: S1982-71992020000100302 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Sá Fonseca Machado
Resumo Em 2015, a Gerência de Mídia e Educação/SME-RJ, o Instituto Desiderata e o Grupo de Pesquisa em Educação e Mídia da PUC-Rio realizaram uma pesquisa quantitativa sobre práticas mídia-educativas, que contou com participação de 911 escolas da rede municipal e apontou a baixa recorrência de produção de mídias digitais e audiovisuais nas escolas. Alguns números dos questionários respondidos chamam a atenção: 90,6% das escolas assinalaram “assistir a filmes/vídeos” com frequência, enquanto 53,7% apontaram nunca ter produzido vídeos com os alunos. Os resultados indicam estar consolidadas nessas escolas práticas mídia-educativas que têm por base a produção de materiais ligados à cultura da leitura e escrita, como livros, fanzines e jornais. A partir desses dados, este artigo tem por objetivo estruturar argumentos para a compreensão desse cenário, com foco na análise comparativa entre políticas públicas de promoção da leitura e de práticas mídia-educativas, a fim de levantar questões sobre o papel das mídias digitais na cultura escolar, levando em conta que os estudantes atuam nas redes virtuais, compartilhando opiniões e produzindo conteúdos. Cultura escolar, mídia-educação, literacia digital são os conceitos que permitem o adensamento do debate sobre esse tema. A pesquisa conclui que as práticas mídia-educativas latentes no cotidiano dessas escolas ocorrem por meio de ações isoladas de professores e coletivos, e argumenta sobre a necessidade de uma articulação institucional sistematizada e prolongada para que a aprendizagem escolar se enriqueça com o potencial representado pelo uso das mídias digitais e audiovisuais na contemporaneidade.

Currículo do Ensino de Língua Inglesa e uso de tecnologias digitais previstos na BNCC

PID: S1982-71992020000100146 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Silva Pacheco
Resumo Este artigo propõe uma análise documental da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especificamente na área de Língua Inglesa (LI), no Ensino Fundamental. O objetivo é relacionar as orientações sobre currículo de Inglês com o uso de tecnologias digitais na sala de aula ou fora dela. A escolha desse documento se justifica pelo fato de que atualmente a BNCC compõe a última orientação nacional para as escolas brasileiras sobre conteúdos e competências que devem estar em foco no Ensino Fundamental. A orientação é que as escolas tenham como referência os eixos norteadores constantes na Base e que garantam também conteúdos diversificados, de acordo com a realidade local. A escolha de LI como delimitação do estudo se deu pela mudança no parâmetro de texto da BNCC sobre a Língua Estrangeira, ou Língua Adicional. Os documentos anteriores facultavam às escolas a escolha da língua estrangeira a ser ensinada, porém a Base coloca o Inglês como língua obrigatória. O documento explica que a opção pela LI é por seu papel de língua de comunicação internacional, uma língua franca utilizada por falantes espalhados no mundo inteiro, com diferentes repertórios linguísticos e culturais. O texto discute a importância da presença do contexto na orientação normativa que guiará os currículos de todas as escolas do país, prevendo que o ensino da LI é fundamental e contribui para a formação integral do aluno, tão enfatizada em todo o documento.

Descentramento Cultural na Educação Primária de Angola

PID: S1982-71992020000100145 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Curimenha
Resumo Este artigo apresenta uma análise teórica sobre a emergência da noção de descentramento cultural operado com processo da reforma curricular na educação básica angolana, em que os discursos sobre cultura adquirem certa ruptura e ressignificações. Historicamente, o caminho traçado na construção de Angola privilegiava a invenção de uma cultura homogênea que pretendia eliminar a diferença e o diferente através da unidade étnico-linguístico e da reunião de determinadas características singulares para construção da “grande família nacional”. Os arranjos do sistema educativo seguido pelas produções de conhecimentos nos documentos legais, curriculares e os manuais dos professores, fragmentos estes que servirão como objetos de análise, emergem uma concepção teórica de descontinuidade para pensar a cultura angolana. Agora, os textos curriculares buscam, de forma crítica, contestar o pensamento normatizado como verdade cultural, propondo outros olhares na constituição do sujeito e da sociedade.

Desconstruindo a educação superior, os direitos humanos e a produção científica: o bolsonarismo em ação

PID: S1982-71992020000100105 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Santos Musse Catani
Resumo O artigo examina a ascensão da extrema direita no País e a chegada ao poder de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018. Analisa as características do bolsonarismo e do governo, assim como suas proposições e consequências para a educação superior pública e para a produção do conhecimento no Brasil. Identifica a predominância da guerra cultural no âmbito do Ministério da Educação, manifestada no embate - contraposição inexistente nas demais esferas do governo - entre defensores do mercado, os ultraneoliberais que querem privatizar o ensino da creche à pós-graduação, e aqueles que pretendem resguardar o controle estatal. Discute os efeitos da Emenda Constitucional no. 95/2016 no aprofundamento da crise do financiamento da educação e da ciência & tecnologia ao tornar estrutural o escoamento dos recursos do fundo público para as elites rentistas. Propugna que a proposição de programas como o Future-se tem como objetivo refuncionalizar as universidades públicas na perspectiva da guerra cultural, ou seja, sob a ótica da autocracia, do anticientifismo, da mercantilização e do utilitarismo que norteiam as ações do atual governo. Os fundamentos anti-iluministas, autocráticos, conservadores e negacionistas do bolsonarismo pressupõem a destruição da universidade pública como instituição autônoma, produtora de conhecimento novo e capaz de assegurar a liberdade de cátedra.

Desenho animado e imaginário infantil de massa: narrativas, mito e mídias na mediação escolar

PID: S1982-71992020000100318 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Odinino Souza
Resumo O presente artigo busca compreender como os repertórios midiáticos endereçados aos públicos infantis participam na constituição do imaginário da cultura de massa, pelo qual a linguagem do desenho animado tem desfrutado de uma centralidade no cenário globalizado, a partir das matrizes culturais e dos mitos que o povoam e o delineiam. Realizando aproximações conceituais entre cultura de massa e imaginário infantil, a análise visa oferecer subsídios para educar crianças para/sobre, com e através das mídias, por meio de uma perspectiva educacional transformadora, crítica e cidadã. A metodologia utilizada parte de um levantamento teórico-conceitual sobre clássicos da cultura de massa (MORIN, 1975; ECO, 1970) e do mito (ELIADE, 2016; BARTHES, 1989) e na medida em que traz elementos para compreender esta relação remete, por sua vez, à forma como o imaginário infantil é constituído. Dialoga com autores da mídia-educação (FANTIN, 2006; BUCKINGHAM, 2013) no sentido de ampliar as possibilidades de reflexão crítica e de usos das mídias na escola, espaço privilegiado de constituição de coletivos infantis e, portanto, de mediação cultural. Tais análises apontam que a cultura de massa apresenta uma inerente contrariedade, com características apocalípticas e integradoras simultaneamente, mesmo nos dias atuais, as quais compõem significativamente e garantem inteligibilidade à cultura da infância na contemporaneidade. O artigo, a partir das reflexões sobre a complexa relação entre mito, narrativa e imaginário infantil, apresenta nas considerações finais inúmeras possibilidades de usos dos desenhos animados, ao discorrer sobre as possibilidades da mediação pedagógica com vistas à qualificação e à promoção de uma recepção e imaginação infantil mais crítica, diversificada e participativa.

Discursos sobre as ciências humanas no bolsonarismo: da repetição à prática

PID: S1982-71992020000100114 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Alves Silva
Resumo Neste artigo, analisam-se discursos sobre as Ciências Humanas no esteio do movimento social e político denominado de bolsonarismo. O intento é relacionar a repetição de determinadas verdades acerca dessa área do conhecimento com a prática que se revela em ataques institucionais para minimizar esse campo do saber e os sujeitos que nele atuam. Para tanto, busca-se respaldo teórico na perspectiva de Michel Foucault acerca do enunciado, do discurso, da prática discursiva, da formação discursiva, do poder, do saber e da verdade. O corpus de análise percorre diversos enunciados produzidos pelo presidente Bolsonaro, os ex-ministros da Educação e demais apoiadores, os quais tiveram repercussão na mídia digital. Trata-se de um estudo descritivo-qualitativo, cuja abordagem segue um viés predominantemente qualitativo. A análise possibilita entrever que a repetição de discursos desfavoráveis às Ciências Humanas revela um projeto de poder autoritário e unilateral que objetiva, sobretudo, minar a emergência de um sujeito crítico que possa contrariar as vontades de verdade da prática discursiva bolsonarista. Na medida em que concebe esse campo do saber como um alvo a ser atingido, como um inimigo em potencial, o projeto bolsonarista se propõe a descaracterizar as pesquisas das Ciências Humanas junto à opinião pública e, com isso, sucatear as instituições de ensino e precarizar a pesquisa científica.

Divulgação científica em educação na Venezuela: hegemonía o resistência?

PID: S1982-71992020000100155 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Chacón Melo
Resumo Os artigos publicados na revista EDUCERE por Rivas (2010a, 2010b, 2011a, 2011b, 2012, 2013, 2016a, 2016b, 2017) representam um debate continuo sobre as implicações experimentadas ao editar e publicar revistas qualificadas em educação. Aproximando-nos do tema, objetivamos compreender o papel exercido pelas discussões apresentadas nos artigos de Rivas (2010a - 2017), através da identificação e interpretação de fenômenos emergentes. Nesta proposta pretendemos relacionar as realidades, negadas em alguns momentos, sobre o papel da divulgação científica em educação na Venezuela. A metodologia desenvolvida foi a Análise Textual Discursiva, que nos permitiu a criação de categorias que contribuíram tanto para a continuidade do debate apresentado nos artigos analisados, quanto na estruturação do presente trabalho. A crise na Venezuela é uma realidade e as revistas em educação a estão vivendo também, sobretudo pela vulnerabilidade de serem consideradas 'gasto suntuoso', posicionando-as no final da fila de aspectos de interesse nacional. Embora tudo aponte para que as revistas de divulgação científica em educação sejam um meio para difundir o conhecimento, apresentaremos brevemente outras perspectivas.

Diários de aula como estratégia de reflexão na formação e prática docente

PID: S1982-71992020000100152 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Sivieri-Pereira Lopes Silva
Resumo Este artigo nasce dos resultados de uma pesquisa maior que objetivou identificar a relação que o professor estabelece entre suas dimensões pessoais (identidade) e as dimensões profissionais (identidade docente) na sua formação e na sua prática, através da reflexão sobre sua ação diária. Neste momento da pesquisa, o objetivo era identificar e descrever os processos reflexivos observados sobre a ação prática do professor, bem como os caminhos percorridos na formação e constituição da identidade profissional. Para tal foi utilizada a metodologia de redação de diários de aula, embasados, primordialmente, no referencial teórico da Zabalza. Os diários foram desenvolvidos por cinco docentes durante três meses em um semestre letivo, com posterior reflexão dos relatos a partir de um roteiro apresentado a eles pelos pesquisadores. Os dados, analisados pela técnica de Análise de Conteúdo, segundo Bardin, revelaram cinco categorias que explicitaram sobre os saberes da prática docente, os processos reflexivos, a formação do professor e a constituição de sua identidade profissional. Os resultados mostraram que a metodologia utilizada (diários de aula) foi eficiente no sentido de permitir um espaço destinado à reflexão, como forma de construir uma prática eficaz e condizente com as questões pessoais do profissional. As reflexões feitas pelos professores indicam que vivem as complexidades da profissão como uma grande carga a se carregar tendo ideias inacabadas sobre estratégias de enfrentamento das mesmas.

Do positivismo ao positivismo jurídico: reverberações na formação do Bacharel em Direito

PID: S1982-71992020000100130 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Pereira Siquelli
Resumo O presente artigo analisa as ideias pedagógicas do ensino jurídico no Brasil, numa perspectiva histórica e política, buscando questionar como o pensamento positivista exerceu e ainda exerce influência na formação dos profissionais do Direito, uma vez que, atualmente, o perfil do egresso tem se mostrado com características de um profissional técnico, entretanto incapaz muitas vezes de exercer uma reflexão de sua própria prática. Concebida no século XIX, a escola positivista, que teve como precursor o filósofo Augusto Comte, sustentava que apenas as leis estabelecidas pela ciência deveriam ser aceitas. No campo jurídico, o positivismo foi detalhadamente trabalhado pelo jurista e filósofo austríaco Hans Kelsen em sua obra “A Teoria Pura do Direito”, que corroborou a influência do positivismo filosófico no campo jurídico, ao sustentar que apenas a lei é capaz de realizar plenamente o Direito. Para o rígido pensamento, a norma se basta, sendo a principal fonte do Direito, prevalecendo sobre todas as demais. A metodologia empregada na pesquisa foi de natureza qualitativa, desenvolvida a partir de uma análise bibliográfica dos conceitos filosóficos jurídicos que compõem a formação deste profissional. Também foi feita uma investigação documental nas diretrizes curriculares apontadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). Os resultados finais desta pesquisa identificaram que o positivismo jurídico continua influenciando a formação do bacharel do Direito. No entanto, não é o único fator que forja o atual profissional da área jurídica.

Do real ao desejável: formação e práticas de docentes de língua portuguesa

PID: S1982-71992020000100181 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Santos
Resumo Diante das transformações sociais mais amplas, a educação e os profissionais docentes de Língua Portuguesa são afetados, com isso surgem necessidades de reformas do ensino que traduzam mudanças no currículo, nas práticas docentes e também na formação de novos perfis de leitores e escritores, sobretudo diante dos insatisfatórios resultados que os estudantes têm apresentado nas avaliações externas. O objetivo desta pesquisa consiste em descrever e discutir como docentes de Língua Portuguesa compreendem seus percursos de formação inicial e contínuo e como tais percursos se efetivam em suas práticas mobilizadas cotidianamente em sala de aula, em uma perspectiva inter-transdisciplinar, crítica e multicultural. O estudo filia-se, pois, aos pressupostos teórico-metodológicos da pesquisa qualitativo-interpretativista. O corpus de análise constituiu-se de excertos de informações geradas por respostas a um questionário online composto por perguntas objetivas e subjetivas. Os resultados apontam que se faz imprescindível a reinvenção dos currículos de Letras, a fim de fomentar, no processo de formação de professores, eventos e novas práticas de letramentos como possibilidade de potencializar uma formação para o reconhecimento da diversidade linguístico-discursiva e o desenvolvimento de práticas inovadoras que problematizem a complexidade do mundo, da escola e da sala de aula, sobretudo por meio de políticas públicas significativas.

Educação Infantil e formação inicial de professores: o jogo pedagógico na organização do ensino

PID: S1982-71992020000100186 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Binsfeld Lopes
Resumo Este artigo discute parte de uma investigação desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação, tendo por objetivo identificar aprendizagens de futuras professoras na organização do ensino de matemática na Educação Infantil, tomando o jogo pedagógico, como orientador das ações propostas. Compreende-se a Educação Infantil como um espaço de aprendizagens que proporciona à criança crescer, desenvolver-se e produzir cultura, pelas experiências com o conhecimento científico e, nesta investigação em especial, com o conhecimento matemático. A partir de tal compreensão, o embasamento teórico deste trabalho está respaldado pelos pressupostos da Teoria Histórico-Cultural, da Teoria da Atividade, da Atividade Orientadora de Ensino e do jogo como atividade principal da criança. Como procedimento metodológico organizou-se um experimento formativo com 15 encontros para estudos, discussões e desenvolvimento de situações desencadeadoras de aprendizagem em uma turma de Educação Infantil com crianças a partir de 5 anos. Quando futuros professores têm possibilidade de estudar, planejar e avaliar situações de aprendizagem, produzindo um modo geral de planejar pelo jogo como a atividade que melhor permite à criança vivenciar e experienciar os conhecimentos científicos, em especial de matemática, estão aprendendo sobre a responsabilidade social de ser professor de Educação Infantil. Isto está intrinsecamente relacionado com a função social do trabalho do professor, no que se refere à aprendizagem dos aspectos metodológicos da organização do ensino e, em especial, ao planejamento.
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