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O encontro da criança com o livro didático: representações da infância

PID: S1982-71992020000100178 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Zanolla Ramos Bohm
Resumo O ingresso no Ensino Fundamental é momento de transição e possibilita o contato da criança com um livro didático. Com quais imagens de crianças representadas os alfabetizandos se deparam no livro? Que elementos de constituição do ser criança são comunicados? Neste artigo, buscamos responder a essas questões por meio de uma pesquisa qualitativa descritiva, que visa a descrever e analisar as representações sociais da infância nas imagens da parte inicial da obra Ápis Língua Portuguesa - 1º ano (2017). O livro foi selecionado pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2019 e está presente em muitas escolas públicas brasileiras nas cinco regiões do País. O estudo parte da descrição dos elementos constitutivos das imagens para a compreensão das representações sociais (MOSCOVICI, 1978) presentes, discutindo-as com base na concepção de linguagem como constitutiva do ser humano (VYGOTSKY, 1989, 2008) e em estudos sobre a infância (STEARNS, 2006). Ao interagir com o livro didático, os estudantes não apenas têm acesso a conhecimentos, mas também entram em contato com representações identitárias. As imagens iniciais do livro didático retratam diferentes origens e características físicas e individuais das crianças. Contudo, a diversidade de etnias e as características físicas não dão conta da diversidade social e cultural das infâncias brasileiras, o que não contribui para a constituição subjetiva dos estudantes.

O estudo da construção da imagem contemporânea no processo experimental entre teoria e prática

PID: S1982-71992020000100712 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Rosa Teixeira Galdino
Resumo Trata-se do relato de experiência de um projeto desenvolvido com alunos da disciplina Linguagens Poéticas: A “imagem” contemporânea do curso de mestrado interdisciplinar. A proposta foi elaborada com o objetivo de contribuir para o entendimento dos modos de articulação e construção da imagem na contemporaneidade e refletir sobre a teoria, os processos e práticas contemporâneas que levam em conta hibridismos técnicos e estruturas relacionais. O projeto teve o objetivo de fazer uma intervenção artística no espaço de apoio social e cultural dedicado às crianças carentes de uma região da cidade de São Carlos, interior de São Paulo. A atividade foi desenvolvida ao longo das 135 horas/aula que compõem o semestre letivo da disciplina e envolveu, além da docente, um corpo de cinco mestrandos do programa de pós-graduação, bem como o apoio da coordenadoria pedagógica, funcionários e atendidos pelo projeto social. Compreendendo a metodologia de pesquisa e estudo no campo das artes, o trabalho registrou e relatou o processo da produção de cartazes lambe-lambe desde a pesquisa bibliográfica até a intervenção artística em muros. No procedimento de estudo e prática notou-se a necessidade de dominar o processo de imanência e transcendência quando os fenômenos se confundem com nossa própria vivência. Com o resultado do projeto foi possível compreender as relações do dizível e não dizível, visível e não visível da imagem, além de estabelecer consistentes permutas entre a teoria e a prática.

O estágio como práxis, a pedagogia e a didática: que relação é essa?

PID: S1982-71992020000100147 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Araújo
Resumo O foco deste estudo é a problematização do estágio supervisionado como práxis, sua relação com a Pedagogia e a Didática, e sua secundarização no Programa de Residência Pedagógica no contexto social-político brasileiro contemporâneo. Neste trabalho, teoricamente, parte-se do pressuposto que o estágio como práxis, reflexão e experimentação de práticas de planejamento, de ensino e avaliação nas redes de ensino básico, é subsídio para o desenvolvimento profissional e a formação pedagógica dos estudantes dos cursos de licenciatura. Enfatizamos, em particular, que o estágio é práxis porque é um processo pedagógico; instrumento de ensino e de apreensão da profissão docente tendo como princípio a produção do conhecimento a partir da leitura crítica da realidade, e subsidiado, sobretudo, pela Pedagogia e a Didática.

O friso da vida: uma biografia de Edvard Munch sob a percepção de alunos

PID: S1982-71992020000100702 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Assis Carneiro Marion Azevedo
Resumo O presente texto apresenta um relato pedagógico sobre uma exposição das obras do pintor norueguês: Edvard Munch, em uma turma de ensino superior. A exposição encerrou uma unidade didática sobre moral e ética, na qual a teoria do desenvolvimento moral de Lawrence Kolhberg foi abordada. A experiência evidenciou como a interação dos alunos foi amplamente satisfatória e como o uso da arte em sala de aula pode ser uma experiência formativa auspiciosa, contanto que as condições objetivas, isto é, a devida preparação e organização dos aspectos didáticos, tanto quanto a mediação pedagógica possibilitem uma espécie de "sensibilização do olhar" discente.

O isolamento docente e seus condicionantes no início da docência em ciências

PID: S1982-71992020000100220 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Amorim Maestrelli
Resumo Este trabalho direciona o olhar para o início da docência em ciências e mais especificamente para a questão do isolamento docente, trazido como um dos principais problemas enfrentados no período de inserção profissional. A partir de breve aporte teórico sobre o tema, fundamentado em autores que discutem a questão da formação, da cultura profissional e do trabalho docentes, e do contato com a perspectiva de professoras iniciantes de ciências de Florianópolis sobre o tema por meio da realização de entrevistas narrativo-reflexivas, buscou-se identificar quais são os principais condicionantes do isolamento destes sujeitos. Os condicionantes identificados se relacionam a compreensões sobre a docência e à trajetória formativa (história de vida, opção pela docência, formação profissional), a condições de trabalho (mais ou menos imediatas, mas bastante vinculadas à condição de substituto nas escolas), a relações interpessoais na escola (a importância da equipe pedagógica, as dificuldades nas relações com colegas, a motivação proporcionada pelo contato com estudantes) e aos modos de funcionamento da escola (se estimulam o isolamento ou a colaboração). A cultura escolar foi identificada como fio que conecta estes condicionantes, evidenciando que a mudança escolar necessária, que possibilite a humanização dos sujeitos, passa pela superação do choque cultural no início da docência, o que demanda da formação inicial, da escola, das redes de ensino e de políticas públicas articulações para uma maior aproximação com a realidade profissional, colocando em diálogo conhecimentos que sustentam práticas pedagógicas coerentes.

O obscurantismo bolsonarista, o neoliberalismo e o produtivismo acadêmico

PID: S1982-71992020000100104 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Duarte Alves dos Santos Melo Duarte
Resumo As implicações do bolsonarismo para a produção e difusão de conhecimentos nas instituições públicas de ensino superior são analisadas neste artigo por meio do desenvolvimento de três argumentos teóricos. O primeiro deles é o de que o bolsonarismo é parte de um fenômeno sociocultural mais amplo que é o obscurantismo, o que coloca a exigência de compreensão dos processos que alimentam o obscurantismo no mundo todo e no Brasil em particular. O segundo é o de que o obscurantismo, por sua vez, mantém relações não acidentais com o neoliberalismo, entendido este como a forma contemporânea de organização não só da economia, mas de toda a prática social e, por consequência, das diversas dimensões da vida humana. O vetor político e ideológico central do neoliberalismo é o de que a liberdade dos indivíduos só pode ser assegurada por uma sociedade que seja comandada pela espontaneidade do mercado. A defesa neoliberal da liberdade é, na realidade, um aprisionamento da sociedade a uma perspectiva que retira dos seres humanos a possibilidade de fazerem escolhas sobre o futuro da humanidade. Nesse sentido, a luta contra o bolsonarismo pode não alcançar resultados significativos se não for parte da luta pela libertação da sociedade do aprisionamento à lógica de mercado. O terceiro argumento apresentado neste artigo é o de que o produtivismo, como expressão acadêmica do neoliberalismo, configura a produção e difusão do conhecimento nas instituições públicas de ensino superior de maneira favorecedora da penetração do obscurantismo na vida acadêmica.

O papel das mídias digitais e da literacia digital na educação não-formal em saúde

PID: S1982-71992020000100320 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Yamaguchi Barros Souza Bernuci Oliveira
Resumo Literacia digital em saúde envolve a capacidade do indivíduo em interpretar, avaliar e usar de forma eficaz as informações de saúde obtidas por meio das mídias digitais, permitindo-o tomar decisões e ter maior autonomia sobre sua saúde. Considerando a crescente utilização das mídias digitais como fonte de informações em saúde para população, o presente estudo objetivou avaliar o nível de literacia digital em saúde de indivíduos que fazem uso das mídias digitais. O estudo foi desenvolvido com uma amostra de 423 indivíduos por meio de questionário digital para obtenção de dados socioeconômicos e o instrumento eHealth literacy scale (eHeals) foi utilizado para avaliar o nível de literacia digital em saúde. Os resultados indicaram que maior nível de escolaridade e renda correlaciona com maiores níveis de literacia digital em saúde. Os determinantes biológicos idade e sexo não apresentaram correlação com a literacia digital. Conclui-se que a estratégia do governo que busca, por exemplo, utilizar as redes sociais online Facebook, Instagram e Twiter como alternativa de educação não-formal em saúde deve considerar que o êxito dessa estratégia perpassa pela necessidade de investir na educação formal.

O programa Future-se e o desmonte do financiamento público e da autonomia universitária

PID: S1982-71992020000100107 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Araújo Kato Chaves
Resumo O texto analisa as três versões do “Programa Universidades e Institutos Empreendedores e Inovadores - Future-se”, apresentado pelo governo federal brasileiro. A proposta tem sido alvo de intensas críticas, desencadeando um amplo processo de mobilização e rejeição pelos órgãos deliberativos das Instituições Federais de Ensino Superior. Os procedimentos metodológicos pautaram-se por revisão bibliográfica e análises documentais com abordagem de natureza qualitativa. Na análise feita identificou-se que, além do caráter privatizante, ao propor instrumentos de autofinanciamento via captação de recursos no mercado, o programa ataca a autonomia universitária, com interferência inclusive no perfil formativo dos cursos. Ações de empreendedorismo e empregabilidade, pela proposta, devem nortear a gestão acadêmica dos cursos de graduação e pós-graduação. A lógica gerencialista, pautada em contratos e indicadores de resultado, em troca da concessão de benefícios especiais imputa restrições ao fazer universitário. A despeito da grave crise de ordem econômica, política e sanitária enfrentada no país, o governo encaminhou o projeto de lei do Future-se à Câmara de Deputados e se juntará ao conjunto de medidas de desmonte do Estado, idealizada por Paulo Guedes. Os resultados apontam que está em curso um agressivo processo de contrarreforma universitária cuja centralidade é o desmonte do financiamento público e o esvaziamento da autonomia universitária.

O projeto temático “Química e Energia em Prol de um Desenvolvimento Sustentável”: apontamentos iniciais

PID: S1982-71992020000100125 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Adams Alves Santos Nunes
Resumo O uso de metodologias diferenciadas permite tornar as aulas de Química mais atrativas e promover melhorias no processo ensino / aprendizagem. Assim, buscando propiciar a construção ativa do conhecimento, as bolsistas do subprojeto de Química do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) da Universidade Federal de Goiás / Regional Catalão (UFG / RC) desenvolveram o Projeto Temático “Química e Energia em prol de um desenvolvimento sustentável”. Uma das atividades propostas foi a elaboração / desenvolvimento de aulas contextualizadas / problematizadas denominadas “Sensibilização”. Estas abordaram a temática “Energia e Sustentabilidade” e o foco das aulas foi a conscientização para o uso de Energias Sustentáveis. Assim, buscou-se propiciar a formação de sujeitos ativos na construção do conhecimento. A análise quantitativa foi utilizada a fim de avaliar o impacto deste projeto na formação dos alunos, tendo os questionários como instrumento de coleta de dados. Avalia-se que as aulas contextualizadas serviram como metodologia facilitadora do processo ensino/aprendizagem, pois permitiram que os alunos vivenciassem atividades as quais lhes propiciaram uma formação autônoma e crítica. Assim, sugere-se que sejam trabalhadas mais atividades desse tipo, cuja contextualização do conhecimento através de uma problemática real e atual possa ajudar na tão almejada formação cidadã.

O trabalho em parceria na educação inclusiva: experiências na Educação Infantil

PID: S1982-71992020000100161 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Rosalen Chaluh
Resumo O presente artigo é um recorte de pesquisa que teve como objetivo geral compreender de que forma a estrutura organizativa de uma escola pública possibilitou o trabalho com os alunos público-alvo da educação especial (PAEE) para a efetivação da proposta de educação verdadeiramente inclusiva. Neste trabalho discutimos a colaboração/parceria numa perspectiva que articula os diferentes segmentos de profissionais da escola na interlocução com a família, perspectiva que almeja potencializar a aprendizagem do aluno PAEE. Apresentamos experiência desenvolvida com aluno da Educação Infantil, no contexto de uma escola municipal do interior do estado de São Paulo, em que a vice-diretora/pesquisadora apresenta processos colaborativos desenvolvidos entre professora regente, professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e agente educacional, sujeitos que se responsabilizaram por elaborar e desenvolver projetos, atividades e materiais pedagógicos para o referido aluno. Os dados produzidos para este trabalho contemplam: Diário de Bordo das professoras, Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) do aluno, registro avaliativo da mãe do aluno, caderno de registro cotidiano da vice-diretora e registro reflexivo das professoras e agente educacional sobre suas experiências junto ao aluno PAEE. A produção dos dados foi analisada a partir do paradigma indiciário. A colaboração/parceria foi possibilitada através da constituição de um grupo onde os sujeitos se apoiaram mutuamente, experimentaram ações conjuntas e tinham sentimentos de pertença produtiva, em torno do objetivo comum de garantir a aprendizagem do aluno PAEE. A participação da família foi primordial para o alcance dos objetivos propostos com o aluno PAEE.

O uso do vídeo como inovação didática na aula de filosofia em uma escola pública da comunidade de Coronel (Chile)

PID: S1982-71992020000100306 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Vigueras Barra
Resumo O objetivo desta pesquisa foi avaliar a necessidade e a efetividade de integrar vídeos como recursos didáticos, a fim de analisar o rendimento escolar e a inclinação dos alunos, em relação à aplicação do material nas aulas de Filosofia. A investigação foi desenvolvida com estudantes do 4º ano do Ensino Médio, no Colégio “Antonio Salamanca Moraes”, cidade de Coronel - Chile. Desenvolveu-se um projeto experimental para observar o rendimento e a aceitação, quanto à inclusão de vídeos pedagógicos nas aulas da disciplina de Filosofia. Com um grupo de controle e outro grupo experimental, aplicou-se um teste ao início da subunidade 2, correspondente ao Plano de Estudos de Filosofia, e um segundo teste ao finalizar a subunidade, depois da inclusão do vídeo. Os resultados evidenciaram as diferenças no rendimento escolar, favorável ao grupo experimental. De modo que, mostraram-se satisfeitos com esta inovação didática, bem como, não foi observada nenhuma resistência dos alunos em relação às aulas de filosofia.

Os contributos da reflexão e da experiência vivenciada na formação continuada de professores

PID: S1982-71992020000100144 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Behrens Fedel
Resumo A necessidade de buscar significado para a mudança de visão da formação docente, visando superar os cursos estanques que ainda continuam a ser promovidos nas instituições de ensino, levou a desenvolver uma pesquisa exploratória sobre o que deveria compor os processos de formação continuada, para que fosse possível a reconstrução da docência nos diferentes níveis de ensino. O objetivo da pesquisa foi investigar os contributos necessários para favorecer os processos de formação continuada no sentido de subsidiar a busca contínua da reconstrução da ação docente. O problema investigado foi: a experiência vivenciada na profissão docente e a reflexão sobre ela podem ser consideradas como contributos relevantes na formação contínua dos professores? Destacam-se do referencial teórico investigado os estudos de pesquisadores como Imbernón (2001, 2016), Schön (1992, 2000), Nóvoa (1992, 2016), Tardif (2014), Zeichner (1993, 2008). O principal procedimento metodológico usado na pesquisa exploratória foi a revisão de literatura, que abrangeu a consulta às fontes bibliográficas e artigos relacionados com a temática. A caminhada na pesquisa permitiu perceber que a experiência e a reflexão podem ser entendidas como os princípios norteadores relevantes para a formação contínua do professor. A mudança da prática pedagógica necessita ser refletida e ressignificada, especialmente por meio da discussão entre pares, o que pode ser determinante para a reconstrução da docência de maneira crítica. Conclui-se que acolher o processo de reflexão e de valorização da experiência vivenciada dos professores podem ser contributos relevantes para a formação docente com vistas a buscar uma educação relevante e transformadora.

Pandemia e educação superior no Brasil

PID: S1982-71992020000100101 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Mancebo
Resumo O texto discute os impactos da pandemia da Covid 19 na educação superior brasileira. Para a apreensão da temática, ancora-se numa investigação de caráter exploratório, que contemplou pesquisa bibliográfica, levantamentos sistemáticos na imprensa alternativa e análise documental de problemáticas convergentes e necessárias à compreensão do tema, mas também na consulta de dados agregados já existentes, adotando, portanto, uma perspectiva de análise que conjuga, a um só tempo, aspectos quantitativos e qualitativos. Segue, em linhas gerais, o seguinte plano: primeiramente, busca analisar a situação política e econômica na qual se encontrava o país, quando da chegada da pandemia da Covid 19, por considerar que os impactos econômicos e sanitários da propagação do vírus dependiam de fendas e vulnerabilidades preexistentes. Analisa as particularidades do enfrentamento da pandemia no Brasil, com especial destaque ao negacionismo em relação aos preceitos sanitários e científicos, que tem caracterizado o bolsonarismo. Adentra, então, no universo da educação superior, organizando os argumentos a partir da análise de dois eixos, considerados centrais para essa discussão: os impactos do ultraneoliberalismo e do neoconservadorismo nas instituições de educação superior brasileiras. Após essas considerações, apresenta o que, de fato, mudou com a chegada da pandemia nas instituições e os horizontes que se descortinam para elas.

Percepções de estudantes e professores sobre métodos ativos para a formação de médicos

PID: S1982-71992020000100170 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Conceição Moraes
Resumo No contexto de modernização da educação médica, pela qual as faculdades de medicina perpassam no Brasil com as novas Diretrizes Curriculares Nacionais, é recomendada a utilização de métodos ativos de ensino e aprendizagem, que surgem como alternativas a fim de se garantir a competência profissional. O objetivo dessa pesquisa foi o de explorar as percepções de estudantes e professores sobre os métodos ativos para a formação de médicos. O estudo é descritivo, quantitativo e qualitativo e contou com a aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas para estudantes e professores de uma faculdade do interior do Estado de São Paulo (Brasil). Os dados dos questionários foram dispostos em tabelas e descritos em porcentagens correspondentes, e as entrevistas transcritas para realização de análise de conteúdo, modalidade temática. Estudantes e professores consideraram que o processo desencadeado em métodos ativos promove habilidades de raciocínio crítico, autonomia, comunicação, interdependência positiva em relação aos colegas além do conhecimento cognitivo. Avaliaram também que os métodos ativos na graduação em medicina trazem benefícios cognitivos, psicossociais e motores. Assim, pode-se concluir que o currículo com métodos ativos suscita uma formação com postura ativa do estudante, facilita a resolução de problemas da prática profissional e pode levar à transformação da realidade social da saúde.

Periódicos científicos: sua inserção em materiais didáticos no curso de especialização em Educação e Tecnologias da UFSCar

PID: S1982-71992020000100163 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Ricci Veloso
Resumo Este artigo pretende analisar a utilização de artigos e periódicos científicos eletrônicos no material didático do curso de especialização em Educação e Tecnologias da UFSCar. Para tanto, foi feita análise bibliográfica sobre o desenvolvimento dos periódicos científicos e a questão da legitimidade conferida a esse tipo de publicação. A análise documental do material didático do curso, composto por 48 volumes, teve como objetivo avaliar o tipo de material citado e indicado nos guias de estudo multimídia. Os dados levantados mostram que os livros são o material mais citado pelos autores do material didático, enquanto outros tipos de material eletrônico compõem a maioria das indicações de material complementar. Os artigos publicados em periódicos científicos, considerados pela comunidade científica internacional o principal e mais legítimo meio de divulgação de ciência, aparecem como terceiro tipo de material mais citado e indicado pelos docentes autores. Esse resultado aponta uma dissociação do material didático do curso e a sua proposta inovadora de formação híbrida, flexível e integrada, bem como as tendências internacionais de legitimação do conhecimento científico. Tal dissociação, comumente encontrada nas ciências humanas, pode ferir a qualidade da ciência produzida no Brasil e sua integração na comunidade científica internacional.

Pibid e formação docente: contribuições do professor supervisor

PID: S1982-71992020000100183 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Queiroz Andrade Mizukami
Resumo O presente artigo tem por objetivo analisar contribuições do professor supervisor para a prática pedagógica do aluno egresso do curso de Pedagogia e em início de carreira que tenha participado do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Tratou-se de uma pesquisa de cunho qualitativo, tendo como instrumentos de coleta de dados um formulário fechado e entrevistas semiestruturadas, além da análise de documentos oficiais. O referencial teórico pautou-se em autores da pedagogia crítica e em estudos sobre os saberes docentes, a relação teoria e prática e a formação docente. Constatamos que, a partir das ações dos supervisores junto aos alunos bolsistas participantes do PIBID, estabeleceu-se uma parceria entre a universidade e as escolas da rede pública, beneficiando a formação dos licenciandos para atuarem na docência.

Políticas Educacionais e Proesde: Uma experiência de formação docente no Estado de Santa Catarina

PID: S1982-71992020000100718 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Corrêa Junglos Cervi
Resumo O texto propõe relatar uma experiência de formação docente junto ao Proesde/Licenciatura (Programa de Educação Superior para o Desenvolvimento Regional do Estado de Santa Catarina), vinculado à Universidade Regional de Blumenau - FURB. No ano 2018, tal programa buscou qualificar os estudantes de licenciatura para atuarem frente à BNCC (Base Nacional Comum Curricular), configurada como sendo uma política pública de padronização do currículo nacional. Dentro do programa previsto de formação, foi proporcionado um encontro que percorresse outros fluxos do até então instituído e discursado sobre a BNCC, problematizando o currículo através do viés epistemológico pós-crítico, que o interpreta como sendo um campo de disputas pela significação do que vem a ser currículo e como ele deve operar na instituição escolar. Essa perspectiva entende que as decisões políticas são determinadas por discursos de verdade que cristalizam normas comuns e totalitárias que merecem ser questionadas, fazendo emergir os antagonismos daquilo que foi sedimentado em decorrência de uma escolha/ato de poder. Assim, a BNCC coloca em dúvida sua própria legitimidade no contexto social-político-econômico atual. Objetivou-se nesse encontro de formação discutir, junto aos licenciandos, através de textos e vídeos, as contingências e os fluxos da BNCC, defendendo a ideia de uma política curricular sem fundamentos para poder, a partir daí, pensar possibilidades de currículos-outros, menos hegemônicos, normatizados, desiguais, excludentes, assistidos pela ideia de educação menor. O resultado proveniente de tal discussão cristalizou-se na atividade de escrita e reescrita de uma nuvem de palavras ao longo da formação, na qual a Base passou de um conjunto de afirmações para um conjunto de incertezas e interrogações.

Políticas de indução para professores iniciantes: a experiência chilena e os desafios para América Latina

PID: S1982-71992020000100230 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Beca Boerr
Resumo O tema da indução dos professores principiantes vem ganhando relevância nas políticas educativas orientadas para o desenvolvimento da profissão docente. O presente artigo tem por objeto contribuir para a reflexão sobre os desafios da indução aos docentes que se iniciam no exercício da profissão na América Latina. Apresenta-se uma reflexão a respeito da necessidade de gerar os dispositivos necessários para apoiar os docentes durante sua inserção no exercício profissional e uma breve discussão sobre as distintas estratégias e modelos de acompanhamento ou mentoria. Além de apresentar brevemente algumas experiências realizadas em países latino-americanos, se foca na experiência desenvolvida no Chile, desde seu início no começo dos anos 2000 até os últimos avanços a partir da Lei que cria o Sistema de Desenvolvimento Profissional Docente, que considera um sistema nacional de indução, reconhecendo o direito de todas as professoras e professores iniciantes a receberem um acompanhamento mediante mentores com experiência docente e formação especializada. O artigo culmina com uma reflexão acerca do caminho percorrido e os desafios que impõem os novos cenários educativos para o ingresso dos docentes ao seu exercício profissional.

Políticas públicas de formação para professores da Educação Básica: estudo sobre a formação por EaD

PID: S1982-71992020000100180 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Araújo
Resumo Este artigo pretende discutir as políticas de formação de professores da Educação Básica no Brasil, com ênfase à modalidade de ensino por Educação à Distância - EaD, refletindo-se sobre o ensino oferecido pelas Instituições de Ensino Superior privado - IES, e suas implicações para a formação dos filhos da classe trabalhadora da cidade e do campo. A discussão gira em torno da atual conjuntura política do país, trazendo para o debate os limites e desafios que ações governamentais, realizadas a partir do ano de 2016, representam à educação pública. A metodologia utilizada consiste em uma revisão bibliográfica. Como referência, nos baseamos em teóricos como: Duarte (2010, 2004), Martins (2010), Saviani (1995, 2009 e 2011), dentre outros, bem como em dados da Avaliação NacionaldaAlfabetização- ANA (2016) e do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior - SEMESP (2015). Constata-se que, no contexto das sociedades organizadas a partir do modo de produção capitalista, a formação do professor se dá por meio do desenvolvimento das políticas públicas oriundas das políticas neoliberais, influenciadas pelas demandas do mercado e das suas exigências de formação. Tudo isso por meio de práticas pedagógicas esvaziadas de sentido e que possam favorecer, de fato, uma educação capaz de contribuir para a superação da sociedade de classes.

Por que professores utilizam vídeos como mediadores no processo de aprendizagem?

PID: S1982-71992020000100304 | Periódico: Revista Eletrônica de Educação (1982-7199) | Ano: 2020
Autores: Pereira Fernandes
Resumo Este artigo se constituiu a partir de uma pesquisa realizada para investigar os motivos que levam os professores a utilizar vídeos em suas aulas no município de Sorocaba/SP. Trata-se de uma pesquisa exploratória de cunho qualiquantitativo, que utilizou como instrumento de coleta de dados um questionário com roteiro de questões fechadas e abertas, aplicadas virtualmente; participaram do estudo vinte e cinco docentes, de diversos segmentos da educação básica. Foi realizada tabulação das questões fechadas e análise de conteúdo das questões dissertativas abertas. Os resultados apresentam os motivos que os docentes alegam para utilizar (ou não) vídeos em suas aulas e opções metodológicas daqueles que utilizam este recurso, inclusive relacionadas às fases do ciclo profissional em que se encontram. O grupo minoritário dos que não utilizam argumentam sobre falta de estrutura física e/ou tempo para assistir e selecionar as obras; os docentes que fazem uso do vídeo em aula utilizam para ilustrar e complementar o conteúdo da disciplina, destacando entre os motivos mais comuns para a escolha deste recurso a interatividade proporcionada, por considerarem a sociedade atual como uma “Sociedade da Imagem”. As justificativas apresentadas para a escolha deste instrumento mediador puderam ser categorizadas em seis temas: Complementação; Sociedade de Imagem; Introdução; Instigação; Interatividade; Lazer. Tais categorias emergem consoantes aos objetivos de exibição do vídeo e fornecem indícios sobre as metodologias empregadas pelos docentes; nesse sentido verificou-se certo padrão estrutural, que consiste em três momentos: 1-apresentação do tema, 2-exibição do vídeo e 3-retorno. Houve, contudo, variação nas formas de apresentação do tema (exposição teórica, levantamento de conhecimentos prévios, questionário), na forma como ocorre a exibição (com ou sem pausas) e na conclusão da ação (roda de conversa e/ou produção textual).
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