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VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT! Representações sobre o projeto editorial do Mensario do Jornal do Commercio (1938-1946)

PID: S1982-78062025000100438 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Machado Carvalho Spindula
Resumo Este estudo insere-se no campo da História da Educação, compreendendo a educação como manifestação social e reconhecendo o fenômeno educativo como elemento indispensável para assegurar o acesso à cultura. Nosso objetivo é realizar uma análise comparativa entre a proposta inicial do Mensario do Jornal do Commercio (RJ), publicado entre março de 1938 e setembro de 1946, e as representações construídas por diferentes sujeitos sobre os exemplares dessa coleção ao longo de sua circulação. Partimos da hipótese de que o Mensario constituiu uma estratégia político-cultural da empresa liderada por Elmano Cardim, concebida como instrumento de educação não formal voltado à formação de leitores e à difusão de valores culturais e políticos compatíveis com o projeto nacionalista do Estado Novo. Por meio da produção intelectual, da retórica discursiva e do controle simbólico da leitura, os produtores do Mensario interviram nos desígnios nacionais, atuando como mediadores entre a cultura escrita, a política cultural e a construção de uma nova ideia de nacionalidade.

‘Amiamo molto l’ Italia, quantunque lontani’: um silabário italiano impresso em Pelotas/RS, a contribuição do professor Malan

PID: S1982-78062025000100305 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Luchese
Resumo O objetivo desse artigo é analisar produção, circulação e consumo de uma obra quase desconhecida, um silabário em italiano escrito pelo professor e agente consular italiano Gian Pietro Malan e publicado em Pelotas, Rio Grande do Sul. Trata-se do Sillabario ad uso dei figli dei coloni italiani della provincia di Rio Grande del Sul per imparare contemporaneamente a leggere ed a scrivere. A pequena obra, com 49 páginas e dividido em 33 lições, veio a lume por uma das mais importantes editoras gaúchas do período, a Livraria Americana, de Carlos Pinto & C. Succs. Por meio da análise documental histórica do silabário, entrecruzado com relatórios consulares, correspondências, jornais e com as categorias analíticas de produção, circulação e consumo, prescruto e situo aspectos históricos do livro escolar, seu autor e editora, no contexto do período, num olhar transnacional.

A Didática nos cursos de formação de professores: sobre tempos, espaços e alguns sujeitos envolvidos com a disciplina na Universidade de São Paulo e na Universidade do Brasil (1934-1969)

PID: S1982-78062025000100420 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Silva Silva
Resumo O artigo é fruto da pesquisa que analisou a disciplina Didática na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da Universidade de São Paulo e na Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) da Universidade do Brasil, visando conhecer dimensões referentes à atuação de alguns de seus professores e os seus programas de ensino, os aspectos históricos de constituição e do ensino da disciplina, seus distanciamentos e suas convergências. Os marcos temporais compreenderam o período de funcionamento das duas instituições, a FFCL/USP (1934-1969) e a FNFi/UB (1939-1968). Com o objetivo de indiciar alguns aspectos referentes às histórias da disciplina Didática no ensino superior, contribuindo também para a recuperação de elementos que fazem parte da cultura e da memória destas instituições que estão entre as mais antigas do Brasil, o estudo tomou como fontes privilegiadas a documentação destas universidades, obras memorialísticas, programas de disciplinas e planos de ensino.

A Escola Especial Concórdia entre a religião e a religiosidade luterana (1966-1996)

PID: S1982-78062025000100439 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Kuster Weiduschadt
Resumo O presente artigo tematiza alguns aspectos do luteranismo, desde sua constituição histórica até a forma como se configuraram as particularidades dessa religião. No Rio Grande do Sul, membros luteranos foram responsáveis pelo primeiro movimento de confissão religiosa voltado à Educação Especial, por meio da fundação da Escola Especial Concórdia. Diante disso, este artigo objetiva problematizar essa instituição educativa no contexto da religião e religiosidade luterana. Para tanto, utiliza-se como aporte teórico os estudos de Weiduschadt (2007), sobre o luteranismo, e de Manoel (2007) e Siqueira (2013), sobre os conceitos de religião e religiosidade. No que se refere à história dessa escola, foram considerados os trabalhos de Raymann (2001) e Kuster (2022). A análise evidenciou que a atuação educacional da Escola Especial Concórdia foi crucial para a constituição de uma cultura surda específica, comunitária e religiosa luterana.

A Imprensa e a Representação do Universo Escolar no Interior Paulista (Franca: década de 1960)

PID: S1982-78062025000100422 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Souza
Resumo O texto propõe reflexão sobre a relação imprensa e educação na década de 1960, marcada pela implantação do regime autoritário no Brasil a partir de 1964. A pesquisa tem como cenário o interior paulista, observando-se as aproximações e distanciamentos entre os discursos nacional e regional relativos ao universo escolar. As fontes trabalhadas foram três jornais da cidade de Franca, além de documentos oficiais, priorizando-se a análise das representações relativas à educação, a analfabetismo, a professor e a estudante veiculadas por eles. Os jornais constituíram-se em importantes testemunhos para a compreensão do jogo de interesses, revelando aspirações e tensões advindas das classes populares, mas se portando como representantes do discurso hegemônico no contexto autoritário nacional.

A Revista Escola Secundária na formação de professores no Brasil (1957-1963)

PID: S1982-78062025000100417 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Moreira Gatti
Resumo Trata-se de comunicação de resultados de investigação sobre a Revista Escola Secundária, um dos instrumentos empregados pela Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário (CADES) no processo de formação de professores para o ensino secundário brasileiro durante o período de 1957 a 1963. Parte-se do questionamento sobre a intensidade que tiveram as orientações metodológicas veiculadas na seção de Didática da referida revista. Metodologicamente, a pesquisa ancorou-se na análise do impresso Revista Escola Secundária. O referencial teórico que sustenta esta análise compreende as contribuições de Frangella (2003), Miranda (2019), Pinto (2008) e Silva (1969). Os resultados evidenciam que a Revista Escola Secundária, com particular destaque para sua seção de Didática, enfatizou diversas orientações metodológicas destinadas a auxiliar os professores secundaristas e aprimorar suas práticas pedagógicas, sublinhando a importância do papel docente nessa modalidade de ensino. Conclui-se que a Revista Escola Secundária constituiu um dispositivo significativo para os professores do ensino secundário, ao apresentar em suas edições artigos que corroboravam de maneira expressiva com a prática docente, configurando-se como uma compilação de práticas pedagógicas direcionadas a essa especificidade educacional.

A abordagem de funções em livros didáticos de matemática no período anterior ao Movimento da Matemática Moderna

PID: S1982-78062025000100410 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Santos Abreu
Resumo O propósito desse trabalho é analisar de que modo os autores de livros didáticos no Brasil para o colégio se apropriaram da noção de função no período que antecede ao início da década de 1960 que coincide aproximadamente com o surgimento do Movimento da Matemática Moderna. Argumentaremos que essa noção foi por eles apropriada de forma a sanar parcialmente um problema detectado por Felix Klein no ensino da matemática na Alemanha: o fenômeno da Dupla Descontinuidade. Faremos isso através da análise de um conjunto de sete coleções de livros didáticos que circularam no Brasil no período considerado.

A atuação de Adolphe Ferrière em prol da Educação Nova na França na década de 1920: entre esperanças e desilusões

PID: S1982-78062025000100413 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Gutierrez
Resumo Este artigo analisa os vínculos que Adolphe Ferrière, representante no mundo francófono da Liga Internacional para a Educação Nova, manteve com os círculos educacionais franceses na década de 1920. Além dessa personalidade singular, cujos principais traços de caráter serão delineados aqui, tratar-se-á de compreender as razões pelas quais a implementação das ideias da Educação Nova na França foi tão trabalhosa. Entre crítica à escola tradicional e análise das primeiras tentativas de difusão desse movimento educacional, o presente estudo se propõe retomar, para além do apoio das sociedades científicas e do sindicato nacional dos professores e das professoras, as razões que estiveram na origem das desilusões do pedagogo genebrino.

A imprensa pedagógica gaúcha: uma análise dos Boletins do CPOE, da Revista do Ensino e do Jornal Despertar (1947-1954)

PID: S1982-78062025000100416 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Dewes Vanz Souza
Resumo A imprensa pedagógica, no Rio Grande do Sul, teve um papel representativo na propagação de representações sobre as novas práticas escolares. Este estudo desenvolve-se a partir da análise documental histórica, tendo como fontes três materiais dessa imprensa: o Boletim do CPOE, a Revista do Ensino e o jornal Despertar. Com recorte delimitado pelos exemplares localizados do Despertar, publicados entre 1947 e 1954, realizamos um percurso teórico ancorado na perspectiva da História Cultural, articulando os conceitos de representação, prática e cultura material escolar. Como resultado, consideramos que os conteúdos veiculados pelos impressos convergem para aspectos relacionados às novas metodologias, práticas e condutas escolares, as quais operavam como formas de disciplinar os sujeitos em um contexto marcado pelas propostas de renovação pedagógica. Tais meios contribuíram para consolidar as orientações disseminadas pelo órgão estadual de ensino. Compreendemos, ainda, que os impressos produzidos em âmbito estadual inspiraram a produção do jornal Despertar, que circulou no contexto escolar caxiense.

A manualística na América Latina. Uma abordagem de algumas das suas linhas de investigaçao na perspectiva da história atual

PID: S1982-78062025000100435 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Cordoví Núñez
Resumo O objetivo principal do artigo é analisar quatro das linhas de pesquisa que se concentram nos estudos das representações de processos e grupos sociais nos livros escolares, dos expoentes de uma historiografia, cujo campo de atuação, ainda em construção, deu origem chamada de “manualística”. Não se trata de resumir todos os autores com suas obras, nem de revisar cada resultado, o que ultrapassa o interesse e as possibilidades deste texto, mas sim de apontar para temas-chave que, da história presente ou da história do passado recente, partem a partir do reconhecimento de insuficiências nas formas de representar, nos livros e manuais escolares, determinados problemas associados a acontecimentos traumáticos: os conflitos internacionais, os cenários nacionais de violência, bem como a identidade das populações indígenas e afrodescendentes, e a presença feminina na o percurso histórico dos países da América Latina, região que enfoca o artigo. Nesse sentido, é interessante conhecer os referenciais teóricos e as metodologias transdisciplinares utilizadas pelos autores selecionados, e suas principais propostas de mudanças na concepção multimodal dos livros e na formação de professores.

A sala de aula nas obras literárias de J. B. de Mello e Souza, professor catedrático do Colégio Pedro II (1938-1943)

PID: S1982-78062025000100431 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Cândido Gabriel
Resumo Este trabalho intenta identificar mudanças e permanências nas salas de aula descritas por J. B. de Mello e Souza (1888-1969), professor de 1914 a década de 1960 em escolas públicas e privadas e catedrático do Colégio Pedro II. Em sua obra, a sala de aula é apresentada em recortes temporais e espaços geográficos distintos do final do século XIX até meados do século XX. A análise considera Majupira (1938), Meninos de Queluz (1949) e Estudantes do meu tempo (1943), com atenção às diferenças da sala de aula nas obras ficcional e memorialistas. Para tal, os aportes teórico-metodológicos em História da Educação sobre o conceito sala de aula apoia-se nas pesquisas de Escolano Benito (2017) e Rosa Fátima de Souza (1998, 2013), dentre outros. O estudo das obras oportuniza discussões a respeito das práticas de ensino e representações dos professores debatidas pelo governo republicano e a manutenção de tradicionais modelos escolares.

Aprender a ler e escrever na Itália no início do século XX. O silabário Api sui fiori de Marcellina Cappelli Bajocco

PID: S1982-78062025000100303 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: D’Alessio Panzera
Resumo Marcellina Cappelli Bajocco (1885-1964) representa o perfil da geração de professoras primárias formadas na Itália no início do século XX. Após obter o diploma de professora primária em 1903, na escola normal de Camerino, iniciou sua atividade profissional em escolas rurais da região, desenvolvendo uma sensibilidade para iniciativas destinadas a combater o analfabetismo. Mas foi nos anos que se seguiram ao fim da Primeira Guerra Mundial que a professora produziu um verdadeiro curso de leitura intitulado Api sui fiori [Abelhas nas flores], composto de um silabário e de livros de leitura para as outras séries do ensino primário. Este artigo propõe-se examinar a gênese do silabário e do primeiro livro de leitura destinados à alfabetização inicial, e sua estrutura e articulação, a fim de destacar a originalidade dos temas propostos às crianças em idade escolar, tanto do ponto de vista metodológico quanto conteudista, com base nos modelos educacionais adquiridos durante o aperfeiçoamento da escola pedagógica.

Castigos e punições no método lancasteriano: a educação (des)humanista no Século XIX

PID: S1982-78062025000100424 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Ferreira
Resumo Os castigos lancasterianos contidos no Decreto Lei de 1827 ficaram adstritos a um fragmento do Livro de Lancaster traduzido por Guilherme Skinner. A descrição dos castigos lancasterianos no Brasil são descritos em uma sobreposição hermenêutica desse manuscrito sem ir à fonte primária. Fizemos uma pesquisa in loco no British Museum em Londres nos livros originais de Joseph Lancaster. Objetivo foi entender diretamente da obra do autor a descrição dos castigos nas escolas de primeiras letras e sua forma. Utilizamos como metodologia o método indiciário com uma pesquisa in loco e interpretação qualitativa, documental e bibliográfica. Os resultados demonstram que os castigos lancasterianos se diziam humanos e contrários aos suplícios físicos, mas representava constrangimento moral, sofrimento psicológico e constrição física: penas similares às usadas em cárceres nos adultos.

Contribuições da iconografia de Boris Kossoy e da iconologia de Erwin Panofsky para a pesquisa em História da Educação

PID: S1982-78062025000100419 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Costa Santos
Resumo A análise da fotografia como documento insere-se no campo da História Social e da História das Mentalidades. O artigo situa a importância das fontes iconográficas no contexto da pesquisa em história da educação. A iconografia não rivaliza nem nega outras fontes, mas articula-se com elas, fornecendo informações inéditas, nem sempre encontradas nos documentos clássicos. O texto traz uma discussão metodológica sobre a utilização de fotografias na pesquisa historiográfica. Propõe e foca no alinhamento de duas perspectivas de análise fotográfica: a iconografia de Boris Kossoy e a iconologia de Erwin Panofsky, em diálogo com as análises de Ana Maria Mauad, Solange Ferraz de Lima, Vânia Carneiro de Carvalho e Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses. Em conjunto, a iconografia e a iconologia abrem novos espectros de abordagem, análise e interpretação da história. As duas técnicas contribuem para a decifração do conteúdo imagético. As fotografias não são recursos alegóricos. Carregam simbologias, representações e significados que não podem ser desprezados pela historiografia da educação. Não é o quantitativo de imagens arroladas no estudo que confere qualidade à pesquisa, mas o esforço interpretativo do pesquisador na busca das relações causais dos fenômenos históricos que podem ser encontradas no artefato fotográfico.

Cultura mapuche e sua não descolonização no Chile

PID: S1982-78062025000100425 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Muñoz
Resumo Entre os séculos XIII e XIV, desenvolveu-se uma cultura importante se desenvolve na região central do Chile: a dos mapuches, que em mapuche significa "povo da terra": ocupavam uma área entre os rios Maule e Tolten, da costa aos vales centrais. Assimilaram a cultura agrícola e sedentária e, além disso, tinham gado à base de lhamas e alpacas, das quais obtinham lã para suas roupas. Eles mal desenvolveram metalurgia. O povo Mapuche está e sempre esteve entre as etnias indígenas mais importantes do país, tanto por seu peso social e demográfico quanto por seu forte senso de identidade cultural, que historicamente encontrou formas de resistência e adaptação à dinâmica de contato fronteiriço com espanhóis e chilenos. Na verdade, nunca foi subjugado pelos espanhóis e somente com a chamada 'Pacificação da Araucanía', o exército chileno os despojou de suas melhores terras e os entrincheirou, que é a origem do problema atual desse grupo étnico com o Estado chileno que começou há meio século e que não terminará até que as terras de seus ancestrais sejam devolvidas a eles; pela mesma razão, ainda não foi descolonizado.

Da Arte de Silabar aos modernos silabários da Língua Portuguesa: a persistência da língua ensinada

PID: S1982-78062025000100301 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Magalhães
Resumo A linguagem progride e torna-se mais complexa em conformidade com o desenvolvimento dos indivíduos, das sociedades, da humanidade. A partir de final da Idade Média, as línguas vernáculas formalizaram gramáticas para uniformização, normalização e ensino da linguagem falada e escrita. Os silabários passaram a constituir um meio fundamental para o ensino das línguas às crianças, mas também a adultos. Neste texto, esboça-se um olhar comparativo e de longa duração sobre o ensino da Língua Portuguesa, cujo primeiro silabário, A Arte de Silabar, foi criado por João de Barros, em meados do século XVI, e o das línguas francesa, inglesa, castelhana. Procurar-se-á compreender e justificar, nos planos pedagógico e psicolinguístico, a longa-duração e a persistência dos silabários nas línguas ensinadas. Modalidade de pequeno livro didáctico que tem perdurado ora como verbete autónomo, ora integrado em compêndios compósitos de leitura e escrita, mais recentemente, o silabário constitui também jogo de linguagem facultado através de suportes digitais.

Da escravidão à cidadania elegível: a trajetória de José Agostinho dos Reis em defesa da ciência e da educação popular

PID: S1982-78062025000100402 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Alves
Resumo O presente artigo visa refletir sobre as contribuições de sujeitos invisibilizados pela historiografia tradicional, mas que desempenharam papeis relevantes na educação popular e no processo abolicionista brasileiro, por meio da trajetória de José Agostinho dos Reis. Durante as últimas décadas do século XIX, a educação e a abolição passaram a ser debatidas e, por alguns, consideradas como necessárias ao processo de modernização do Império para alcançar os objetivos de civilidade e progresso. Escravizados e escravizadas, assim como pessoas que saíram do cativeiro e até livres, investiram na educação como possibilidade de transformação social e combate ao preconceito existente. Nascido na condição de escravizado, José Agostinho dos Reis tornou-se abolicionista, formou-se em Engenharia e foi professor na Escola Politécnica, assumindo sua direção interina e alcançando prestígio e reconhecimento social. Dessa forma, sua vivência permite perceber as complexidades das relações estabelecidas entre escravidão e liberdade, além do papel da educação nessa configuração.

Educando mulheres, aguçando sensibilidades: medicamento, artefatos e acessórios em propagandas no Jornal Diário da Tarde - 1920

PID: S1982-78062025000100433 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Corrêa
Resumo Este trabalho aborda, sob a ótica das sensibilidades (Le Breton, 2016; Pesavento, 2005), conteúdos de propagandas destinadas à mulher, contidos em anúncios do jornal Diário da Tarde do ano de 1920. A finalidade é refletir sobre o fato de que os conteúdos presentes nas propagandas contêm representações (Chartier, 2011, 1990) que consubstanciam modos de educar por meio de processo de inculcação de valores, atitudes e comportamentos femininos, incidindo sobre suas sensibilidades. São analisados anúncios sobre vitaminas, artefatos e acessórios destinados às mulheres. Para Kotler e Keller (2012), a publicidade é um modo de veicular informações que promovem tipos de produtos ou serviços, não descartando o seu caráter persuasivo. É neste aspecto que ela incide sobre a mulher, na medida em que comporta elementos referentes à sensibilidade feminina, utilizando-se de linguagem específica.

Educação católica em Mariana: notas sobre a influências da Ratio Studiorum no Seminário Nossa Senhora da Boa Morte (1750)

PID: S1982-78062025000100427 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Lima-Jardilino Pereira
Resumo O presente texto tem como objetivo apresentar a estrutura básica do plano de ensino da educação jesuíta - Ratio at que Institutio Studiorum Societatis Iesu, e sua influência no seminário Nossa Senhora da Boa Morte, que se desenrola, sobretudo, por meio do primeiro regulamento desta instituição. O texto terá por base a análise documental do Ratio Studiorum na versão traduzida e comentada pelo Pe. Leonel Franca, e do primeiro regulamento do Seminário de Mariana, promulgado em 1760 por Dom Frei Manuel da Cruz. Também, no intuito de cumprir o objetivo proposto, será utilizado o regulamento do seminário de Belém da Cachoeira, uma instituição de ensino fundada pelos Jesuítas no século XVII. Esse documento auxiliará na conexão do regulamento do seminário de Mariana com o modelo educacional Jesuíta.

Educação tecnocrática: controle social e a reprodução das desigualdades estruturais

PID: S1982-78062025000100437 | Periódico: Cadernos de História da Educação (1982-7806) | Ano: 2025
Autores: Brasão Araújo
Resumo Este estudo interdisciplinar investiga o tecnicismo na política e educação brasileiras de 1968 até o fim dos anos 1970, por meio de uma abordagem qualitativa e documental embasada em Fazenda (2013). Durante a ditadura civil-militar no Brasil, o tecnicismo educacional foi mais que uma abordagem pedagógica, ao ser aplicado para o controle ideológico e a manutenção do poder autoritário. Implementado nas reformas de ensino, priorizava eficiência técnica em detrimento de uma formação crítica, ao utilizar a educação para conformar e reprimir a dissidência. Na tentativa de sustentar o regime, tal perspectiva também contribuiu para seu declínio, ao ignorar as forças culturais que resistiam à imposição. Assim como no passado, a abordagem analisada subordina o ensino às necessidades econômicas, reforça desigualdades e limita a formação crítica dos estudantes.
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