O bonito gesto do corazonar o risco de reintroduzir o binarismo razão-emoção
PID: S1984-64442025000100208 |
Periódico: Educação UFSM (1984-6444) |
Ano: 2025
Autores: Silva Valiente Oto
RESUMO Este artigo retoma a provocação do professor indígena Tule Abadio Green Stocel, para quem "ir ao outro e voltar do outro" não é um problema intelectual, mas um problema do coração. A partir daí, sugere sobre o fato de que estudar o outro é algo diferente de compreendê-lo. Isso envolve conhecer a vida das e com as pessoas. Para ele, pesquisar significa mudar o coração, a metodologia. Isso soa bonito e deu origem ao corazonar como um método sabedoria desenvolvido pelo músico e antropólogo equatoriano Guerrero Arias, como uma expressão próxima ao pensamento fronteiriço que supomos ser necessário para esse "ir e voltar ao outro", para compreender a maneira como os sujeitos entendem a realidade e oferecer respostas criativas com base em seu próprio pensamento, mas, ao mesmo tempo, nos leva a nos perguntar: isso não reintroduz o velho binarismo de emoção e razão, batendo de frente com a agradável impressão que essa bela expressão gera em nós? Dito isso, na veradade estamos interessados em construir uma ponte entre esse "ir e voltar para o outro", no sentido do "corazonar" dos povos indígenas equatorianos (kitu kara), assim como, nossa maneira de entendê-lo/assumi-lo, o que implica uma relação com o que é representado, moldada por nossa tarefa intelectual.