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A vida em forma de história: tempos/lugares de experiência

PID: S1984-64442020000100226 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Neves Frison
RESUMO A pesquisa intitulada “A vida em Forma de História: tempos/lugares de experiência” objetivou tecer significações de ordem teórico-metodológica a respeito da pesquisa biográfico narrativa mediante produção da história de vida de uma destacada educadora/pesquisadora do Rio Grande do Sul, Brasil. Portanto, essa vida em forma de história apresenta-se, neste texto, como rico material para, ao modelar eventos vividos, evidenciar dimensões relativas a tempos/lugares experienciais constituintes dessa história como elementos compreensivos caros à pesquisa (auto)biográfica. O circuito narrativo, constituído pela palavra dada e escuta atenta, forneceu elementos analíticos para a busca desse desiderato. No processo de análise, mediante Compreensão Cênica, buscamos apreender os sentidos que lugares e momentos vivenciados, narrados reflexivamente, ocupam no decorrer dessa história. É pela reflexão, empreendida no seio do circuito narrativo, que as vivências evoluem em experiências significativas, formadoras, portanto, via uma história singular e, ao mesmo tempo plural, desde que busca construir significações do vivido em dado e datado contexto sócio-histórico. A pesquisa (auto)biográfica opera, assim, histórias de vida que representam, além de um produto, nesse caso, a vida de uma destacada educadora sul-rio-grandense em forma de história, uma opção teórico-metodológica que inclui dimensões formativas da sensibilidade humana em processo de significação de identidades narrativas. Assim, ao mesmo tempo em que homenageamos uma vida, o presente artigo tem como escopo iluminar oportunidades que a pesquisa em histórias de vida proporciona pela reflexão do narrado, possibilitando compreensões a respeito de modos pelos quais o sujeito autobiográfico se (re)inventa: no presente pela rememoração do passado, projetando-se na produção, presente/futura, de uma aprendizagem mediada por uma história composta por um conjunto de experiências vividas em tempos e lugares biográfico narrativos.

A vita activa e os desafios para a educação a partir de Hannah Arendt

PID: S1984-64442020000100266 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Briskievicz
RESUMO O foco temático deste artigo é a discussão de Hannah Arendt sobre a vita activa e suas três atividades que são o labor, o trabalho e a ação e suas relações com a educação. O objetivo é explicar como no mundo atual por conta da vitória do animal laborans [a necessidade de preservação da própria vida] e/ou do homo faber [a intensa produção de bens duráveis pelo trabalho] houve um desmerecimento/desvalorização da ação política no espaço público, relacionando esse fenômeno com a compreensão arendtiana de educação como preparação para o mundo comum. Demonstramos como para Arendt a escola é um espaço preparatório para a plena cidadania com a chegada dos jovens à maioridade civil, um espaço para ensaios da vida pública no mundo comum que será herdado pelos estudantes. O método utilizado é a pesquisa bibliográfica de textos clássicos de Hannah Arendt como A condição humana e seus textos sobre a educação, além de ampla pesquisa sobre os seus comentadores. Os resultados esperados são: (a) a demonstração conceitual dos desafios da educação para o pleno exercício da cidadania no mundo atual diante da vitória do animal laborans e do homo faber bem como (b) a conceituação da educação para Hannah Arendt. Uma conclusão de nossos estudos é que pela educação como a entendeu Arendt, é possível refletir sobre o papel social da escola e questionar sua função de ensinar para a cidadania plena que pode se expressar na felicidade pública.

Aprendizagem ativa e deeper learning: reflexões sobre as demandas por uma educação em compasso com seu tempo

PID: S1984-64442020000100255 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Almeida
RESUMO Considerando a tendência crescente por renovação das práticas pedagógicas na educação, a ideia de “ativação” dos estudantes tem se tornado uma concepção-chave nessa discussão. Desta forma, o texto apresenta uma reflexão sobre o que, de fato, tem fundamentado essa noção, contextualizando a questão a partir das demandas cada vez maiores por uma educação mais em compasso com seu tempo. Sistemas educacionais capazes de atender às urgências da contemporaneidade, sobretudo, através de reconfigurações que levem em conta: as pesquisas e teorias científicas do campo dos estudos da aprendizagem; as demandas do mundo produtivo e do trabalho; e as demandas advindas de complexas questões sociais. Assim, é apresentado o conceito de deeper learning como um exemplo de tentativa em transpor para as práticas pedagógicas as demandas de uma educação que se quer promotora do que comumente tem se denominado “aprendizagem ativa”, acima de tudo, um processo de aprendizagem mais conectado à realidade cotidiana. A partir deste objetivo, são discutidos alguns conceitos e termos que ajudam a contextualizar a discussão de maneira mais ampla, tendo como foco central o campo da educação, como os casos de: “sociedade do conhecimento”, “sociedade da aprendizagem” e “competências do século XXI”.

Aquisição de Vocabulário e leitura de livro infantil: estratégias de uma professora do 1º ano

PID: S1984-64442020000100278 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Nóbrega Nogueira
RESUMO Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa, cujo objetivo foi investigar as estratégias utilizadas por uma professora do 1º ano do Ensino Fundamental, de uma escola no Rio Grande do Sul, no trabalho com vocabulário em momentos de leitura de livro de história infantil. Os dados discutidos, neste texto, foram produzidos por meio de observação na sala de aula e entrevista com a professora. Como referencial teórico, utilizamos os estudos de Stein e Rosemberg (2010), Manrique (1997), Moreira (1984) e Melo (2005). Dentre as estratégias utilizadas por essa professora, destacamos 7 aspectos: 1) justaposição das palavras e seus significados; 2) questionamentos explícitos para verificar conhecimentos prévios das crianças; 3) intervenções focadas explicitamente no vocabulário; 4) utilização dos aspectos físicos do livro - ilustrações - proporcionando informações contextuais; 5) testes realizados pelas crianças em relação às suas hipóteses quanto às derivações de palavras; 6) predição, precisamente a etapa chamada de processamento da informação e a etapa chamada de avaliação das respostas e 7) repetição, ou seja, quando a fala é repetida e, na sequência, reestruturada para esclarecer o significado. A situação de leitura da história aqui analisada proporcionou o trabalho com o vocabulário pelas crianças, facilitando o acesso ao sistema semântico, responsável pelo significado das palavras.

As avaliações em larga escala como dispositivo do poder disciplinar e da biopolítica

PID: S1984-64442020000100265 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Tedeschi Pavan
RESUMO Neste artigo, discutimos as avaliações em larga escala. A análise é fruto de pesquisa realizada por meio de entrevista semiestruturada com professores/as que atuam do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública estadual com alto Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Para a análise dos enunciados dos/as professores/as, aproximamo-nos dos estudos pós-estruturalistas. Problematizamos, em um primeiro momento, as avaliações em larga escala e a pretensão de se colocarem como uma das “verdades” da educação na atualidade e de medirem a “qualidade” da educação. Em um segundo momento, mostramos as avaliações em larga escala como um dispositivo do poder disciplinar e da biopolítica. Ao adotarem procedimentos do poder disciplinar e da biopolítica para o controle e normalização dos sujeitos escolares, essas avaliações forçam uma padronização curricular e deparam-se com movimentos de resistência de professores/as e alunos/as, que potencializam outros modos de pensar a avaliação, o currículo e os processos educacionais no contexto escolar.

As humanidades e a escola de Ensino Médio como espaço democrático

PID: S1984-64442020000100259 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Silva Zucolotto Zanella
RESUMO Este estudo de cunho teórico pretende abordar algumas reflexões sobre a importância do ensino de humanidades para a escola de ensino médio constituir-se de fato em um espaço democrático. Inicialmente, o texto enfatiza pontos da Lei nº 13.415/2017, oriunda da Medida Provisória nº 746/2016 que reformula o ensino médio brasileiro e que pode representar, entre outras questões, uma ameaça ao ensino de humanidades. Nesse sentido, embasado por Paiva (1987), Aranha (2006) e Libâneo (2012) traz algumas considerações a respeito da história da educação brasileira e sua organização escolar, a fim de se compreender como e com que ideais este espaço foi sendo construído em nossa sociedade ao longo dos anos. No decorrer do texto, enfoca-se na defesa das humanidades como um caminho para que a escola seja realmente um território democrático. Para tanto, reporta-se a Rouanet (1987), Saviani (1997), Morais (2014) e principalmente a algumas ideias de Nussbaum (2015), que enfatizam a necessidade de se priorizar as humanidades para viabilizar a opção pela democracia, apontando para a urgência de uma educação democrática. O estudo aponta ainda para o papel fundamental da escola com vistas ao contexto democrático e o quanto esta, com o aporte das humanidades, pode contribuir para a formação de cidadãos verdadeiramente comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

As significações de professor do Ensino Médio sobre a educação inclusiva

PID: S1984-64442020000100256 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Lima
RESUMO O texto tem como objeto de estudo a atividade de ensino-aprendizagem de alunos com necessidades educativas especiais (NEEs) na escola regular. Trata-se do recorte de pesquisa de doutoradoe teve como problemática: quais as significações de uma professora de Ensino Médio sobre a atividade de ensino-aprendizagem desenvolvida para a inclusão escolar de alunos com NEEs no Ensino Médio? A investigação é de natureza qualitativa e tem como objetivo analisar os significados e os sentidos constituídos por uma professora de Ensino Médio acerca da atividade de ensino- aprendizagem de alunos com NEEs. A base teórico-metodológica de sustentação foram o Materialismo Histórico Dialético e a Psicologia Sócio-Histórica. O procedimento analítico utilizado foi o Núcleo de Significação. A participante da pesquisa foi uma professora de História. As técnicas e os instrumentos metodológicos foram a entrevista narrativa e reflexiva. A professora entrevistada expressa que, para que o aluno com NEEs participe e se aproprie da cultura sistematizada, concebe que o professor deve ter jogo de cintura para que esse aluno não seja excluído, segregado ou mesmo passível de bullyingpor aqueles sem NEEs. Conclui-se quea professora,após receber esses alunos em sala de aula, sente-se afetada com a educação inclusiva, realizando jogo de cintura para que eles sejam incluídos nos processos de formação, de aprendizagem e de desenvolvimento na escola regular.

Aspectos a serem considerados em investigações a respeito do movimento de constituição da Identidade Profissional de professores que ensinam matemática

PID: S1984-64442020000100219 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Paula Cyrino
RESUMO O objetivo do presente artigo é discutir aspectos a serem considerados em investigações a respeito do movimento de constituição da Identidade Profissional (IP) de professores que ensinam matemática (PEM). Para tanto, analisaram-se e problematizaram-se aspectos associados: (i) aos processos de constituição da IP de PEM; (ii) aos contextos investigativos; e (iii) às perspectivas epistemológicas de IP de PEM, identificados em investigações a respeito da IP de PEM no decorrer da construção e da análise de dois corpora, tendo como recorte temporal, o período de 2006-2016. Os resultados evidenciam que a complexidade, a dinamicidade, a temporalidade e a experiencialidade são aspectos importantes a serem levados em conta pelas pesquisas que se propõem a investigar os processos de constituição da IP de PEM. Quanto ao contexto investigativo, ações envolvendo PEM já atuantes na Educação Básica, futuros professores e docentes universitários em ambientes grupais fomentam a integração entre os participantes e a valorização de suas práticas profissionais. Em relação às perspectivas epistemológicas, é imprescindível reconhecer que as escolhas do pesquisador influenciam todo o processo de análise. Nesse sentido, problematizar a IP nas investigações em uma perspectiva formativa pode fomentar a valorização das práticas profissionais de (futuros) PEM e evidenciar momentos de tensão/fragilidade potencializadores desses processos de formação necessários para o movimento de constituição da IP.

Atendimento educacional em ambiente hospitalar: princípios pedagógicos

PID: S1984-64442020000100403 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Medeiros
RESUMO Segundo diversos estudos, situações de hospitalizações e/ou de tratamento de saúde podem comprometer o processo de aprendizagem, desenvolvimento e escolarização de crianças e adolescentes. Portanto, uma atenção especializada deve ser oferecida a essa clientela. Os atendimentos educacionais em ambientes hospitalares, anteriormente denominados de classes hospitalares, são uma alternativa para tentar minimizar tais efeitos. No intuito de retratar relações estabelecidas, dinâmicas desse processo, interferências, funcionamento, estruturação e políticas implementadas, é que foi elaborado este artigo. No Brasil, embora já houvesse alguns atendimentos voltados a esse fim, o Ministério da Educação (MEC), oficialmente, os criou em 1994, por meio da Política Nacional de Educação Especial. Sucessivamente, novas legislações foram surgindo no âmbito federal, estadual e municipal, regulamentando e normatizando a política de educação em ambiente hospitalar. Assim, as secretarias estaduais e municipais de educação passaram a implementar, acompanhar e supervisionar todo o trabalho pedagógico desenvolvido nos hospitais. Nesse atendimento, os professores responsáveis elaboraram planos de ensino (atividades acadêmicas e recreativas) destinados a alunos oriundos da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e Médio, levando em conta suas condições físicas, psicológicas, sociais e educacionais, sempre com a colaboração e a participação das equipes multidisciplinares de saúde. Em paralelo, esses profissionais devem fazer intercâmbios diretos com as escolas, objetivando dar continuidade ao processo escolar, antes nelas efetivado, conhecendo toda a trajetória acadêmica e de aprendizagem desses alunos.

Atratividade no ingresso e permanência na carreira docente em redes municipais de educação

PID: S1984-64442020000100268 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Lima Masson
RESUMO Este artigo é parte integrante de pesquisa de pós-doutoramento realizada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa e vinculada ao Grupo de Pesquisa Estado, Políticas e Gestão da Educação (UNICENTRO/PR) e ao Grupo Capital, Trabalho, Estado e Educação: Políticas Educacionais e Formação de Professores (UEPG/PR). A referida pesquisa teve como objetivo central analisar dados sobre os Planos de Carreira dos docentes das 35 redes municipais de educação das mesorregiões Sudeste e Centro-Oriental do Paraná, para verificar a atratividade no ingresso e permanência na carreira docente. Planos de carreira e tabelas salariais atualizadas foram utilizados como fontes de estudo. Pelos dados levantados, este texto observa que a valorização do professor, de acordo com a titulação desde o início da carreira, não ocorre na quase totalidade das redes, e diversos desafios ainda precisam ser superados para a garantia da valorização docente.

Atuação dos alunos no blendedlearning organizado pela Teoria das Situações Didáticas

PID: S1984-64442020000100293 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Furletti Costa
RESUMO Este trabalho apresenta a atuação de alunos em uma proposta metodológica que integrou didaticamente o blendedlearning em atividades de matemática na perspectiva da Teoria das Situações Didáticas. Para isso, foram elaboradas três atividades para permitir aos alunos desempenharem os esquemas de ação, formulação e validação contendo vídeos, arquivos em PDF, arquivo do Geogebra, chat e fórum. O método de investigação foi de característica qualitativa do tipo pesquisa-ação com alunos do 2º ano do ensino médio de cursos técnicos integrados. A coleta de dados ocorreu por meio de pesquisa documental, entrevistas, questionários e relatórios do ambiente virtual de ensino e aprendizagem. Os resultados apontaram que os alunos desempenharam as atividades com protagonismo e autonomia, foi percebido esforço para alcançarem os três esquemas adidáticos, sendo constatado o de ação como o mais recorrente. Os recursos tecnológicos favoreceram as interações entre os alunos e com o conteúdo nos diversos tempos e espaços em um ambiente qualificado. Observou-se que as trocas de mensagem orais, escritas e gráficas auxiliaram nas estratégias de resolução dos problemas. Comparando as três atividades, percebeu-se que o potencial da metodologia experimentada residiu em promover o avanço da ação intelectual dos alunos entre os esquemas adidáticos, visto que estes transitaram da posição de manipuladores de informações para a condição de serem capazes de explicar os problemas, modelos formulados e de comprovarem matematicamente a validade dos modelos. Dessa forma, a proposta constitui-se como uma alternativa para compor o repertório de ações didáticas dos professores de matemática.

Avaliação da educação infantil: um subcampo social em disputa

PID: S1984-64442020000100230 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Nagase Limana Azevedo
RESUMO O objetivo deste artigo é analisar a avaliação da educação infantil, com base nas perspectivas indicadas por Souza (2014): uma com ênfase nas condições de oferta e outra com foco no desempenho dos alunos. Inicialmente, são apresentados alguns conceitos que fundamentam a análise, cuja base se encontra na teoria de campo, de Pierre Bourdieu, e na tese de Agenda Globalmente Estruturada para a Educação (AGEE), de Roger Dale. Tratar sobre esses conceitos contribui para compreender a importância que a avaliação da educação passa a ter no contexto de reestruturação do Estado, bem como a preocupação da implementação de uma avaliação da primeira etapa da educação com caráter gerencialista. Posteriormente, o objetivo é apontar alguns retrocessos envolvendo a educação infantil que, de certo modo, convergem com uma das perspectivas propostas. Ao mostrar o debate sobre a avaliação dessa etapa, percebe-se que a avaliação da educação infantil é um objeto em disputa no campo educacional, mas também é um subcampo em que instrumentos, metodologias e resultados estão em disputa.

Clínica dialógica e relação aos saberes em situações extremas: à escuta dos relatos de adolescentes doentes

PID: S1984-64442020000100404 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Lani-Bayle Maia-Vasconcelos
RESUMO O objetivo deste estudo é conhecer como os adolescentes hospitalizados se sentem em relação à sua vivência como um paciente crônico grave, excetuando-se aqui os pacientes neurológicos severos e os com problemas psicológicos graves, e que saberes esses sujeitos desenvolvem durante o período de hospitalização. Trabalhou-se com cinco adolescentes com cânceres de diferentes etiologias, com idades compreendidas entre 13 e 19 anos. Todos os adolescentes foram atendidos no hospital seguindo o método das Conversas Fenomenológicas (FERNANDES, 2017). O objetivo foi questionar as diferentes hipóteses possíveis sobre o papel da escolarização para o adolescente gravemente doente e sua relação com o saber neste momento de dificuldade física e de supressão do direito à escola. Como resultado, percebeu-se que o estudo regular não lhes faz falta, pois o que eles querem é falar sobre si mesmos, sobre tudo o que lhes acontece, sobre a doença, seus sentimentos, sua maneira de ver o mundo e tudo sobre o que nunca pensaram. Sua relação com a classe hospitalar parece inaugurar uma nova relação com o saber escolar, ainda não inaugurada pela escola.

Cogestão, democratização eprivatização de equipamentos públicos de educação infantil: conceitos em disputa

PID: S1984-64442020000100286 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Domiciano
RESUMO Este trabalho apresenta, discute e analisa o termo cogestão inscritono decreto regulamentador do Programa de Atendimento Especial à Educação Infantil (PAEEI), implementado em Campinas-SP, em 2007. Por meio da análise do texto da lei, dos documentos que o normatiza no período de 2007 a 2014, e do levantamento bibliográfico, comparamos as características “administrativas” deste Programa buscando explicitar que a apropriação do vocábulo por parte dos legisladores não condiz com a construção social e histórica do conceito de cogestão. Apuramos que o Programa em curso corresponde a um processo de privatização explícito, pois transfere a gestão de equipamentos de educação infantil públicos ao setor privado com subsídio governamental, materializando a lógica gerencialista defendida pelos setores hegemônicos que tem como fim a “flexibilização” da gestão pública e a transformação da educação em mercadoria.

Colonização e educação na Amazônia portuguesa (1500-1757)

PID: S1984-64442020000100298 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Damasceno Miranda
RESUMO Trata da colonização da Amazônia, com foco no aspecto educacional, no período cronológico de 1500 a 1757, abrangendo desde as primeiras expedições ao rio Amazonas até a consolidação de diretrizes para a instrução da população paraense, no século XVIII, tendo por objetivo compreender o vínculo entre a colonização no Estado do Grão-Pará e Maranhão e o processo educacional.Perpassa pela relação entre os religiosos e a educação no Estado do Grão-Pará e Maranhão, unidade administrativa da colônia portuguesa distinta do Brasil, e a transferência das responsabilidades acerca da educação para o Estado, durante o governo de Mendonça Furtado. Analisa, para o traçar dos fatos históricos, as "Instruções regias, publicas e secretas" dirigidas ao governador, assim como o "Directorio" editado por Mendonça Furtado em obediência às ordens reais, caracterizando-se como uma pesquisa histórico-documental. Reflete quanto à imposição de valores da civilização ocidental cristã e da visão eurocêntrica do mundo, tendo como meio de disseminação a educação para a dominação econômica, política e ideológica. Considera, assim, que a instrução ofertada aos gentios, negros e filhos de colonos foi orientada pelo projeto de hegemonia e dominação portuguesa; e que, a partir desses intentos, foi implementado o projeto político-pedagógico que objetivava formar indivíduos que se desconhecessem como membros de um grupo oprimido, estabelecendo-se mecanismos permanentes de obstrução a qualquer tentativa de emergência de um processo pedagógico contrário aos interesses da Coroa e das ordens religiosas.

Composição, diálogo e conscientização na EJA: um estudo no campo da educação musical

PID: S1984-64442020000100221 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Oliveira Beineke
RESUMO Pesquisa sobre a composição musical em aulas de música na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), com o objetivo de investigar os processos de diálogo e conscientização que emergem na ação pedagógica de compor na escola. O referencial teórico foi construído na articulação entre autores que abordam a composição como ação pedagógica em educação musical e a concepção freireana de educação problematizadora. Foi realizada uma pesquisa participante com estudantes de uma turma do segundo segmento da EJA. O desenho metodológico incluiu a imersão do pesquisador no contexto escolar para atuar como professor e desenvolver um planejamento didático com vivências em composição musical com os participantes. Essas vivências foram registradas em vídeo e realizadas entrevistas de reflexão em grupos focais com auxílio desses vídeos. Os resultados apontaram evidências de que a composição musical pode propiciar aos estudantes a participação no processo de aprendizagem como sujeitos ativos, no qual podem aprender vivendo sua realidade musical, dialogando sobre ela e abrindo espaço para uma possível ampliação de sua visão sobre a música e a sua relação com ela e o mundo.

Comunidade acadêmica feminina e a internacionalização na Universidade Federal de Mato Grosso (1973-2016)

PID: S1984-64442020000100283 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Martins Ferreira
RESUMO Este artigo, com foco temático na história da educação feminina, tem por objetivo compreender como sobreveio a participação de mulheres nos processos de internacionalização da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT. Ao trazermos reflexões sobre processos de internacionalização vivenciados na instituição de educação superior federal, localizada na região Centro-Oeste do Brasil, fundada tardiamente no ano de 1970, analisamos a mobilização feminina internacionalna instituição entre os anos de 1973 a 2016. Trazemos algumas reflexões a partir da análise de documentos institucionais tais como legislação, artigos científicos, páginas de web site e documentos oficiais coletados no acervo institucional. É compreensível que não houve uma política institucional definida para os processos de internacionalização, bem como inexiste, noperfil de seus partícipes, equidade de acesso. Identificamos, contudo, que mulheres participaram e contribuíram para os processos de internacionalização da UFMT.Possibilidades de atuações e oportunidades para mulheres, entretanto, ainda representam parcela ínfima nos movimentos de internacionalização. Para nós, claro está que uma instituição de ensino superior não pode prescindir de políticas públicas que incentivem a internacionalização, mas deve articular iniciativas viáveis e ações que promovam a equidade de acesso às políticas de internacionalização institucionais.

Condorcet: Pressupostos e Relevância da Instrução Pública

PID: S1984-64442020000100233 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Barbosa Fontes Souza
RESUMO Tido como um dos últimos filósofos iluministas na França, o Marquês de Condorcet aliou o ideal de esclarecimento humano a uma proposta política de concretização desse ideal quando, em 1792, entregou um relatório propondo um plano completo de organização da instrução nacional que tinha como fundamento o exercício da liberdade e a defesa da igualdade capaz de excluir toda e qualquer dependência. Tal proposta ficou conhecida como as Cinco Memórias sobre a Instrução Pública. A fim de compreendermos o teor e a relevância dessa proposta, trilharemos o seguinte percurso: 1. Analisaremos como o modo de instrução defendido por ele busca ser o viés condutor e conjugador do saber universal, tal como se encontra elaborado num dado momento histórico, e o saber elementar, processo que tem como pressuposto a compreensão de perfectibilidade humana; 2. Apresentaremos a proposta educacional de Condorcet nas três etapas do seu projeto de instrução buscando abarcar seus pressupostos numa compreensão de pessoa humana e de progresso do espírito humano; 3. Tais pressupostos e métodos produz algumas implicações que podem ser expressas nas questões que nos guiarão: visto ser todo indivíduo naturalmente dado à perfectibilidade, donde provém a necessidade de sermos instruídos? De que modo podem ser conjugadas, na prática educativa, a liberdade e a “igualdade de fato”, consequentes da proposta de uma instrução pública universalizante? Pretendemos, portanto, lançar um pouco de luz sobre as concepções que servem de base sólida a Condorcet para que, como um espelho, nos permita refletir sobre a presente condição da educação.

Consciência do direito: via de acesso à cidadania da pessoa com deficiência

PID: S1984-64442020000100204 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Mendonça Fernandes Orrico Queiroz
RESUMO O presente trabalho trata da questão da inclusão da pessoa com deficiência - PcD no meio social. Utilizou-se de instrumento pedagógico voltado à remediação dos aspectos relativos à falta de conscientização e de conhecimento da própria PcD de seus direitos de cidadania plena protegidos por lei. Fundamenta-se na insuficiente motivação política dos tomadores de decisão em relação à problemática referida, no despreparo da comunidade em geral para influir objetivamente e relacionar-se de forma profícua e na frágil disposição da própria PcD para lutar pelos direitos que já lhe foram concedidos por lei. Para tanto, apoia-se em perspectiva pedagógica que se consubstancia em um programa de curso com foco na literatura de cunho histórico, filosófico e sociológico, como também no conhecimento da legislação pertinente, objetivando a melhor compreensão do quadro social da exclusão, pano de fundo desta realidade que busca remediar. O curso é fruto de pesquisa cujo produto contribui para uma perspectiva de mudança nas atitudes e comportamentos que embasam o paradigma social da PcD na atualidade. O programa elaborado com base em um elenco de conteúdos constituído a partir da pesquisa desenvolvida foi aprovado por seus usuários após testagem, alcançando, ainda, repercussão dentro e fora do Brasil, o que permite concluir que seus objetivos foram encaminhados.

Cores que desenham o mundo: infâncias e as marcas de gênero, raça e classe

PID: S1984-64442020000100201 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2020
Autores: Pereira Santiago
RESUMO O ato de desenhar constitui uma das expressões singulares do protagonismo infantil, reverberando a experiência de vida pela qual as crianças materializam e compartilham suas indagações frente ao mundo, atividade criadora que traz a complexidade das relações experienciadas na convivência entre elas e entre elas e com os/as adultos/as, estilos de vida e práticas culturais que deixam as marcas de sua presença. Essas marcas de experiência, por sua vez, são rastros que carregam representações que nos contam pensamentos e interpretações do que é ser uma menina ou um menino, negro/a ou branco/a e filhos/as da classe trabalhadora. Com base nos desenhos de meninas e meninos, negros/as e brancos/as, com idade entre 8 e 9 anos, procuramos compreender como as crianças do ensino fundamental concebem as infâncias vivenciadas na periferia da cidade de São Paulo - Brasil. Ao tomarmos os desenhos infantis como fonte primaria da pesquisa, os conceituamos como artefatos culturais e documentos históricos, que podem contribuir para que se reconheçam as culturas infantis expressas nos traços, símbolos e cores das criações das crianças, permitindo-nos assim pensar este momento da sociedade, com suas especificidades históricas, e as suas marcas de gênero, raça e classe social. Trata-se de uma análise interpretativa, pautada na antropologia, sociologia e pedagogia da infância.
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