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O debate sobre o lócus e nível da formação de professores para a educação básica no Brasil

PID: S1984-64442019000100040 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Araújo Nicácio
RESUMO O artigo tem como objetivo discutir a categoria lócus de formação docente no Brasil e a política atual dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia como novo lócus de formação de professores. A pesquisa baseia-se em revisão bibliográfica e análise documental sobre o tema. A primeira parte do texto traz um panorama histórico da formação de professores e a segunda parte analisa as categorias lócus e nível de formação em evidência nas políticas a partir dos anos de 1990. Atreladas a complexa reorganização produtiva do país e oriundas das propostas dos organismos internacionais. Nessa perspectiva, erige-se o modelo neoliberal de formação de professores que tem se propalado até a atualidade. Nas considerações finais, são levantadas questões no sentido de problematizar a formação docente ao indicar efeitos como: a instabilidade da profissão, aceitação de múltiplos espaços de formação, a não garantia de uma formação socialmente referenciada e a dificuldade de cumprimento das metas do PNE (2014-2024).

O direito educacional ao ensino primário nas relações do agir comunicativo do Estado em face da sociedade na Província do Pará

PID: S1984-64442019000100066 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Corrêa Costa
RESUMO O presente estudo objetivou identificar as relações estabelecidas entre os sujeitos sociais e o Estado, por meio da comunicação ocorrida através da linguagem empregada nos textos legislativos dos presidentes da Província do Estado do Pará, à época do período imperial. Quais os mecanismos acionados pela sociedade para ter acesso ao direito educacional nas vilas do interior da então Província do Pará, durante o período imperial? Realizou-se pesquisa bibliográfica e documental concernente ao século XIX. Além de instituir sua interferência na sociedade a partir das regras jurídicas, o Estado brasileiro e suas Províncias, na fase imperial, também faziam circular as normas regulamentadoras por meio dos jornais, relatórios, a imprensa, na organização e funcionamento curricular, na seleção dos conhecimentos oficiais ensinados nas instituições escolares, e pela inspeção e controle sobre o trabalho dos professores, de modo a incluir o outro na teia discursiva baseada na racionalidade das ações públicas e da forma como se efetiva a distribuição dos papeis sociais, principalmente tendo a oferta do direito à educação e o acesso às Escolas de Primeiras Letras como suas premissas na concessão de privilégios e imposição de deveres.

O ensino de Relações Públicas em frente à cultura digital no Brasil, Argentina e Uruguai Public Relations education facing digital culture in Brazil, Argentina, and Uruguay

PID: S1984-64442019000100101 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Rhoden Oliveira
RESUMO Esta pesquisa teve como objetivo comparar as Diretrizes Curriculares Nacionais de Relações Públicas de Brasil, Argentina e Uruguai e refletir a respeito da formação recebida pelos universitários da área. A metodologia conta com pesquisa bibliográfica e amparo documental. O ensino superior representa a preparação cidadã e profissional para o mundo do trabalho e, neste artigo, compara-se a realidade brasileira com a dos países vizinhos no que tange o ensino de Relações Públicas no âmbito digital. Os resultados mostraram que, apenas no Brasil, há diretrizes curriculares especificadas em âmbito nacional, criadas em 2013. A respeito da carga horária, há diferença significativa entre os países estudados. E em relação ao presente cenário, que insere a profissão de Relações Públicas na cultura digital, percebemos que tal mudança é discutida de forma incipiente pela documentação oficial brasileira. Ademais, outro ponto observado é que, na Argentina e no Uruguai, os cursos de Relações Públicas têm autonomia para criar seus conteúdos.

O método biografemático: escritura nova em educação

PID: S1984-64442019000100062 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Feil
RESUMO Este artigo propõe um método que tange o modo como escrevemos sobre os autores da área educacional. Tal método se intitula “Método Biografemático” por se constituir a partir da noção de biografema, apresentada por Roland Barthes em Sade Fourier, Loyola (2005a), A câmara clara (1984) e Preparação do romance (2005c). O artigo se justifica por pensar em novas formas de expressar a escrita em Educação. A sua conclusão se expressa na articulação, no plano teórico, entre a noção de biografema e o que Gilles Deleuze e Félix Guattari (1992) chamam de personagem conceitual, figura estética e tipo psicossocial. Conforme o artigo argumenta, quando uma escritura se apropria de uma figura estética ou de um personagem conceitual ou de um tipo psicossocial, necessariamente, não se apropria do autor enquanto Sujeito, o que é condição para a tarefa de encontrar (inventar) traços biografemáticos.

O planejamento docente e a avaliação: uma reflexão sobre os seus reflexos na repetência escolar dos alunos das escolas do I Ciclo em Cabinda/Angola

PID: S1984-64442019000100080 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Mavungo
RESUMO Este artigo versa sobre o planejamento docente, a avaliação e a repetência escolar, ecoando as preocupações da sociedade cabindense, concernentes ao elevado número de alunos que reprovam de classe. O objetivo que o norteia busca a partir da análise das publicações relacionadas com essas três categorias, refletir sobre o que é dito e o que é feito em suas ocorrências nas escolas do I Ciclo em Cabinda e sobre os seus reflexos na realidade escolar dos alunos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa bibliográfica, cujos objetos de análise e reflexão foram os documentos oficiais do Ministério da Educação, livros e artigos produzidos por pesquisadores locais e estrangeiros, assim como alguns trabalhos feitos por professores que lecionam nesse ciclo. Neste estudo ficou notório que, embora as pesquisas mostram a relevância desses instrumentos no êxito do processo pedagógico, os mesmos no cotidiano de muitos professores dessas escolas não passam de simples formalidade, ao carecer das ações concretas que situam os seus alunos no cerne das atividades que são planejadas, executadas e avaliadas nas salas de aulas, tendo-os como sujeitos concretos. Reconhece-se que para um maior afloramento das questões que foram levantadas nessa pesquisa, precisa-se de mais estudos, visando subsidiar a atuação desses professores nos seus planejamentos e nas suas avaliações. Neste estudo concluiu-se que a qualidade do planejamento diário dos professores do I ciclo tem reflexos nos resultados das avaliações dos alunos e incidem nos índices da repetência escolar que são observados nessas escolas.

O que as crianças dizem sobre a escola?

PID: S1984-64442019000100015 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Santos
RESUMO Compreender o que seja a escola na formação do pensamento simbólico dos alunos é o nosso desafio. Sendo assim, o presente artigo tem como objetivo perceber a infância por meio do olhar da criança de modo a levar em conta a alteridade da mesma, legitimando-a como ser capaz de refletir ao narrar suas vivências e, por essa via, trazer informações importantes sobre as escolas da infância e sobre a criança-sujeito. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de campo com alunos da Educação Infantil e Anos Iniciais de um colégio estadual localizado na cidade de Londrina, Paraná, tendo como objetivo compreender a percepção das crianças de 4 a 10 anos de idade a respeito da escola e de sua funcionalidade na formação e aprendizado humano. Em relação à metodologia de trabalho, este estudo se pautou na pesquisa bibliográfica e de campo, usando como parâmetro a abordagem qualitativa, que utilizou a narrativa como um instrumento de coleta de dados. Ao término da pesquisa, pôde-se constatar que a escola precisa ressignificar o seu tempo e espaço escolar, possibilitando ao aluno a capacidade de construir e transformar, de forma independente, a atividade da própria vida, ser seu verdadeiro sujeito social, tecendo um olhar urgente para a própria transformação do espaço do aprender que ainda se detém a uma organização que não permite a interação e o diálogo em favor do conhecimento e da formação humana.

Os círculos de cultura na educação infantil: construindo práticas pedagógicas dialógicas

PID: S1984-64442019000100096 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Silva Marques
RESUMO Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa realizada com crianças de 5 anos de idade em uma pré-escola municipal de Santo André/SP. Trata-se de uma pesquisa de intervenção que teve como objetivo construir uma prática pedagógica dialógica a partir dos círculos de cultura propostos por Paulo Freire. Parte do pressuposto de que as crianças leem e comunicam o mundo desde que nascem, através de múltiplas linguagens. Contudo, em uma sociedade adultocêntrica e grafocêntrica como a brasileira, suas vozes terminam por serem silenciadas nas diferentes instâncias de socialização, dentre elas as educacionais. A pesquisa problematizou o silenciamento imposto às crianças e a urgência em escutá-las, tendo como referencial teórico os estudos de Paulo Freire em interlocução com pesquisadores(as) da infância. A intervenção se deu a partir dos círculos de cultura, com o tema gerador relações de gênero, visto ter sido este tema recorrente entre as crianças e dada a sua relevância frente à sociedade heteronormativa. Os resultados demonstram que a leitura que as crianças fazem de mundo está impregnada de suas vivências cotidianas, onde em um movimento dinâmico se apropriam, confrontam e ressignificam a cultura. No coletivo, através dos círculos, colocaram em debate sua visão de mundo acerca da temática, o que possibilitou repensarem a oposição binária em relação aos papeis sociais atribuídos a homens e mulheres. Isso revela a potência do trabalho com os círculos de cultura com as crianças, evidenciando que uma prática educativa marcada pela amorosidade e pelo diálogo abre caminho para uma educação crítico-libertadora.

PROEJA no IFMT: Possibilidades de inclusão ou exclusão?

PID: S1984-64442019000100075 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Bittencourt Alberto Santos
RESUMO Este artigo objetiva apresentar alguns fatores de exclusão e de inclusão de alunos do PROEJA do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso - IFMT - a partir de dados de uma pesquisa qualitativa e de outra quantitativa. Como embasamento teórico, utilizou-se a teoria Histórico-Cultural de Vygotsky (1993), que concebe o ser humano histórica e socialmente construído. A amostra compreendeu 184 participantes, discentes (jovens e adultos) e docentes do programa PROEJA, no período de 2010 a 2013. Analisaram-se os dados qualitativos utilizando as práticas discursivas de Spink (2004), com Mapas de Associação e repertórios interpretativos; na quantitativa, usou-se o SPSS. Os dados apontaram que existem fatores na operacionalização do PROEJA possibilitadores de inclusão, como grande alcance social, recuperação da escolaridade, efetivação da cidadania e inserção no trabalho. Por outro lado, a não contextualização dos conteúdos, a não flexibilização dos cursos, os currículos não adequados e a falta de capacitação dos docentes podem desestimular o aluno e provocar a exclusão.

PROINFANTIL: a necessidade do programa e seu desenvolvimento

PID: S1984-64442019000100053 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Cabral Silva
RESUMO O presente trabalho faz parte de pesquisa de mestrado (CPAN/UFMS) realizado no município de Corumbá-MS e consiste em descrever sobre as propostas de formação dos profissionais da Educação Infantil no Brasil e no estado de Mato Grosso do Sul com destaque ao programa PROINFANTIL - Programa de Formação Inicial para Professores em Exercício na Educação Infantil - cujos resultados obtidos indicaram que o Programa foi relevante por discutir temáticas imprescindíveis à reflexão e ao conhecimento de quem atua na área; além de motivar a equipe participante em investir na formação profissional. Para a realização deste estudo optou-se por um diálogo com o referencial teórico de autores como Barbosa (1991, 2003, 2011), Silva (1997), Kramer (2006), dentre outros; além da análise das propostas do material oferecido no programa. Como metodologia a pesquisa consistiu em levantamento bibliográfico e análise documental.

Pais ouvintes e filhos surdos: o lugar das famílias em propostas educacionais bilíngues

PID: S1984-64442019000100054 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Ribeiro Barbosa Martins
RESUMO A partir do final do século XX, pesquisas intensificaram as discussões sobre o papel fundante da Língua de Sinais no desenvolvimento educacional da criança surda. No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais - Libras - foi reconhecida, oficialmente, como a primeira língua da comunidade surda, e seu uso e divulgação garantidos por documentos legais que, no mesmo sentido, preveem que a educação do surdo ocorra em contexto bilíngue. As crianças surdas que nascem em lares de pais surdos interagem em Língua de Sinais, naturalmente, como os ouvintes, na língua oral-auditiva. Por conseguinte, crianças surdas, filhas de pais ouvintes, enfrentam dificuldades para se relacionar com os membros da família, caso não haja oportunidade de apropriação da Língua de Sinais, no tempo adequado, o que interfere, negativamente, em seu desenvolvimento linguístico e educacional. Embora o papel da família seja claramente estabelecido em documentos legais e de orientações específicas do Ministério da Educação e da Secretaria de Educação Especial, explicitando a importância da aprendizagem desta língua pelos familiares, programas destinados a esse fim, constituem metas a serem perseguidas pelas escolas brasileiras. Nesse sentido, este estudo tem por objetivo discorrer sobre tais implicações, ampliando a discussão sobre a necessidade da oferta de ações destinadas à família, em programas educacionais bilíngues que, dentre outros aspectos, defendam o direito da criança surda interagir no mundo na/pela Libras. Diante do exposto, acredita-se que o programa norueguês Se mitt språk (Veja minha língua) pode se constituir como relevante referência para futuras e urgentes ações nesse sentido, o que foi possível constatar, a partir de análise qualitativa de observações e registros, por meio de Diário de Campo, bem como por materiais de divulgação e relatório sobre o programa, colhidos durante visita de grupo de estudos ao referido país, patrocinada pela fundação Rotary International.

Panorama do processo de avaliação na Educação de Jovens e Adultos em Vila Velha, Espírito Santo

PID: S1984-64442019000100081 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Cruz
RESUMO A partir do cenário da Educação de Jovens e Adultos no Brasil, decidiu-se realizar uma investigação do sistema avaliativo na EJA, considerando a cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, buscando-se detectar a adequação do procedimento avaliativo na perspectiva de professores e estudantes. Tomou-se como objetivo geral, portanto, estabelecer um panorama de como estudantes e professores das escolas investigadas compreendem a avaliação, se entendem que os métodos são satisfatórios e adequados para a construção de uma formação plena e crítica. Metodologicamente, a pesquisa teve caráter misto, ou seja, em parte abordou o tema de forma qualitativa e bibliográfica, e, em parte, ofereceu análise quantitativa, descritiva e interpretativa. Empreendeu-se a pesquisa através de questionários, bem como realização de entrevistas, com amostra de 200 estudantes e 50 docentes. Constatou-se que embora os educadores tenham claras concepções em torno das especificidades de trabalho com a EJA, dificuldades e de todo o ambiente dos alunos, no que toca ao processo avaliativo, continuam mantendo a distribuição de 60% dos pontos por meio de prova escrita. Além disso, 60% dos estudantes pensam com certa frequência em desistir dos estudos por medo das notas e provas, apesar de considerarem que o sistema avaliativo é justo. Concluiu-se que há uma necessidade, para o desenvolvimento da EJA, de se abandonar a metodologia avaliativa quantitativa, partindo-se para um novo modelo, que envolva efetivamente o aluno, fomentando a avaliação mediadora do ensino-aprendizagem, como diagnóstico do que deve ser melhorado por todos os envolvidos no processo educativo.

Perfil do professor mediador: proposta de identificação

PID: S1984-64442019000100021 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Lima Guerreiro
RESUMO Este trabalho originou-se do desenvolvimento de um Produto Acadêmico, necessário para a conclusão do mestrado profissional da autora principal, e objetivou a construção de uma ferramenta que auxilie na identificação do perfil do professor mediador. Trata-se de uma pesquisa de natureza quanti-qualitativa a partir de uma abordagem descritiva. A fundamentação teórica aborda a Pedagogia da Mediação, a Experiência de Aprendizagem Mediada (EAM) e o perfil do professor mediador. A pesquisa partiu dos estudos de Vygotsky sobre a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), do paradigma de Feuerstein, concernente ao perfil do professor mediador e da proposta didática cognitivo-construtivista, cujo foco foi identificar as competências didáticas que são demandadas do professor, enquanto mediador do processo ensino/aprendizagem. Com estes fundamentos, foi construído um instrumento de avaliação denominado ProfMed, o qual pode ser utilizado em qualquer nível ou modalidade de ensino. O instrumento consiste em um questionário semiestruturado dividido em três partes: a primeira refere-se às competências do professor mediador e o grau de concordância do respondente às sentenças apresentadas; a segunda consiste em duas perguntas abertas sobre a prática docente; e a terceira, dos dados gerais do respondente. Neste artigo trataremos apenas da primeira parte citada, que se limita a mensurar o nível de mediação didática do professor com base nas respostas dadas. Esta mensuração não tem a intenção de assumir um caráter de teste, onde alguém seria aprovado ou reprovado, mas um instrumento de reflexão da prática didática com indicativos de áreas a serem trabalhadas através da formação contínua.

Políticas curriculares e a base nacional comum curricular: emancipação ou regulação?

PID: S1984-64442019000100023 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Almeida Jung
RESUMO Este artigo é fruto de pesquisa bibliográfica e documental sobre a Base Nacional Comum Curricular. O objetivo é refletir sobre o documento em vigor no contexto das políticas educacionais, seguindo a metodologia histórico-crítica. Enquanto instrumento de regulação da educação com uma maquiagem de legislação, apresenta-se como caminho para a emancipação humana no sistema capitalista. Foram encontrados pontos de regulação na Base Comum a todos, pois a seleção de determinados conteúdos em detrimento de outros denuncia a visão de um grupo dominante acerca do que seja legítimo ensinar, num exercício de regulação a serviço de uma Pátria panóptica. Os fundamentos científicos, metodológicos, filosóficos e pedagógicos da proposta do Estado, ainda que questionem a tradicional integração das disciplinas e resgatem temas como a ética e a justiça, tornam a escola um cenário midiático, com apelo às estratégias televisivas de entretenimento, em que não especialistas falam sobre tudo.

Políticas de Avaliação e o Desenvolvimento Profissional do Professor de Ciências

PID: S1984-64442019000100045 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Garcia Bizzo Rosa
RESUMO Este estudo analisa a percepção de professores de Ciências que atuam nos anos finais do ensino fundamental sobre seu desenvolvimento profissional, considerando as reformas nacionais realizadas na Educação das últimas décadas, sobretudo a implantação das Avaliações de Larga-Escala (ALEs). A teoria fundamentada foi usada como abordagem metodológica para coletar dados com esses profissionais (N=77), na região do grande ABC Paulista, uma das mais ricas do Brasil, situada na região metropolitana do estado de São Paulo. Os dados revelaram que, após a implantação das ALEs, a oferta de formação de professores se tornou ainda mais desregulada, afetando o desenvolvimento profissional dos professores de Ciências. Essas políticas têm estabelecido um contexto de inequidade de formação e de possibilidades profissionais dentro dos municípios, e o mais agravante, dentro da própria escola. Secretarias, Diretorias de Educação e escolas oferecem maiores oportunidades, recursos e tempos para a formação docente nas áreas de português e matemática. Esse quadro de desalinhamento da formação iniciou-se após a implementação das reformas nacionais. Os resultados desta pesquisa podem ser utilizados no contexto das universidades, nos cursos de formação de professores e diretores e junto às secretarias de educação.

Processo educativo e personalidade: cuidado e superação do sofrimento psicológico.

PID: S1984-64442019000100070 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Marino Filho
RESUMO Este artigo objetiva tratar das consequências do processo educativo na formação da personalidade dos indivíduos; resulta de revisão bibliográfica e da prática do autor em ensino e psicoterapia fundamentada na Psicologia Histórico-Cultural; responde à necessidade dos educadores considerarem a afetividade como condição essencial para os processos cognitivos e formação do ser social; toma como eixo do processo educativo a significação social e o sentido pessoal; sugere que as contradições na formação da personalidade podem se transformar em sofrimento e conflito psicológico por meio de uma ruptura entre significado social e sentido pessoal. Os resultados apontam que, os sujeitos podem alcançar, também por meio da educação, o domínio dos meios de orientação e controle de suas relações, superando as contradições que o levam ao sofrimento psicológico durante o processo educativo. Conclui-se, portanto, que a educação tem um duplo caráter humanizador da personalidade, pode tanto causar sofrimento como empoderamento nos sujeitos para superação das contradições geradoras de conflito psicológico.

Reconhecimento docente: a experiência social de professores do ensino privado gaúcho

PID: S1984-64442019000100098 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Cuty Pereira
RESUMO O presente artigo objetiva analisar o reconhecimento social docente sob a visão articulada da teoria do reconhecimento de Axel Honneth (2009) com o modelo desenvolvido por Nancy Fraser - integrando as esferas de reconhecimento com os conceitos de redistribuição e status, analisando como os professores se veem como sujeitos frente à ausência de reconhecimento social e a consequente falta de autorrealização. Para tanto, trabalhou-se com um recorte restrito, a partir de um corpus mais extenso, produzido em uma pesquisa que analisou os discursos docentes publicados na coluna Palavra de Professor do jornal Extra Classe, do SINPRO/RS, entre 2006 e 2015, investigando como eles sugerem aspectos de relações interpessoais na coluna “Palavra de Professor”, e formulando considerações sobre a significação do reconhecimento para docentes do ensino privado do Rio Grande do Sul. As análises limitam-se a explorar traços de presença ou ausência do reconhecimento em sequências discursivas extraídas do jornal, explorando indicadores estratégicos derivados de um olhar dirigido aos traços enunciativos dos sujeitos.

Reconhecimento e educação popular: uma perspectiva democrático-republicana

PID: S1984-64442019000100049 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Cossetin Fensterseifer
RESUMO O presente artigo parte da controversa relação entre a Educação Popular e o Estado democrático republicano. Uma educação que, ao ser gestada, patrocinada e orientada pelos marcos legais desse Estado, também estaria destinada a subvertê-lo, uma vez que ela se vê comprometida com as demandas de setores excluídos da sociedade e se legitima sob a égide das mesmas condições que a forjaram. Diante disso, buscamos identificar a ambivalente origem democrático-republicana da Educação Popular e também verificar em que medida esse tipo de educação pode ser concebida como explícita manifestação da luta por reconhecimento, cujo equacionamento possível se dá na dinamicidade sócio-histórica das democracias republicanas. Reconhecimento este que, para constituir-se reciprocamente e assim transcender a mera unilateralidade, assimetria e instrumentalidade, precisa pressupor a radicalidade do diálogo.

Recriações de papeis sociais sobre família no brincar de crianças pequenas

PID: S1984-64442019000100067 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Campos Ramos
RESUMO O presente estudo pretende analisar a rotina de brincadeiras de papéis sociais sobre relações familiares que as crianças empreendem em suas interações com parceiros de idade no contexto da Educação Infantil. Participaram da pesquisa 25 crianças, com trinta e seis meses de idade, integrantes de uma instituição municipal de Educação Infantil. Os dados foram produzidos por meio da perspectiva etnográfica, através de observações, filmagens e registros em notas de campo dos momentos de brincadeiras de livre escolha das crianças no parquinho, na brinquedoteca e durante atividades não direcionadas pelo adulto, dentro da sala de referência do grupo. Do conjunto de 102 cenas interativas analisadas, no intuito de fornecer suportes empíricos à discussão, foi escolhido o episódio “Dois pais” para dar visibilidade aos achados e por apresentar aspectos considerados relevantes para o alcance do objetivo central elencado para o presente trabalho. Os resultados do estudo comprovam que, em situações de brincadeiras com pares de idade, as crianças constroem, negociam e compartilham significados, indicando compreensões de relações e de papeis sociais desempenhados no contexto familiar, sinalizando fragmentos perceptivos/interpretativos a respeito desse contexto social.

Representações Sociais de Trabalhadores com Baixa Escolaridade, Informais e Desempregados sobre a Escolarização

PID: S1984-64442019000100068 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Rosso Silva Oliveira Moro Santos
RESUMO O artigo analisa as representações sociais (RS) de trabalhadores (N=145) com baixa escolaridade, informais e desempregados sobre a escolarização. A abordagem teórica das RS é a dimensional de Moscovici associada às discussões sobre escolarização parental. As informações foram coletadas em entrevistas semiestruturadas sobre escolarização pessoal e de seus filhos. Os softwares Alceste e Nvivo e a análise de conteúdo foram utilizados no tratamento das informações para descrever as atitudes, conhecimentos e imagens sobre a escolarização. A produção discursiva formou quatro classes: educação escolar e familiar; interações com a escola; contingências na escolarização; conquistas pessoais e familiares na escolarização. O contexto social e das experiências pessoais dos participantes da pesquisa e de seus filhos com a escola indicam a formação de três representações sociais. A escolarização como: utilidade subordinada às necessidades e projetos familiares ligadas ao trabalho; como complemento ao processo educacional doméstico voltado aos aspectos morais e dos cuidados parentais; e, como correção e disciplinamento para o convívio social.

Residência de pedagogia na Saúde Mental Coletiva - educação como saúde

PID: S1984-64442019000100102 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2019
Autores: Werner Freitas Ceccim
RESUMO A partir da trajetória de uma pedagoga em uma residência em saúde mental, o artigo coloca em discussão as ações desta categoria profissional na atenção psicossocial. A abordagem revela percurso e produções cartográficas da residência, sua preceptoria e tutoria, realizadas na saúde. Dos diversos cenários de atuação da pedagogia na residência, dá-se destaque a um projeto de ação desenvolvido com trabalhadores e jovens de uma unidade de atendimento socioeducativo. Como conclusão, salienta-se o quanto os pedagogos têm a oferecer no campo da saúde mental coletiva, sendo convocados e demandados de diferentes formas, proporcionando o olhar da educação à saúde, oferecendo a educação como saúde. Constata-se a falta de oferta de formação em saúde para profissionais de pedagogia, tema a ser aberto.
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