RESUMO Este artigo é resultante de uma pesquisa de Iniciação Científica que teve como principal objetivo investigar as possíveis contribuições do processo antropofágico contido no Movimento Roraimeira para o ensino das artes no estado de Roraima, numa perspectiva intercultural de educação. Tal proposta surge da necessidade de se pensar uma educação voltada às particularidades do estado, tendo em vista a diversidade cultural presente em sua constituição, bem como, a precária qualificação profissional dos professores(as) atuantes no ensino de artes, os quais, em grande maioria não possuem formação na área. A pesquisa possui caráter bibliográfico onde foram analisadas as produções culturais do Movimento Roraimeira - 1988 a 2000 -, e discutidas com base em autores do campo da educação, do ensino de artes, da intercultura e da Antropofagia Cultural Brasileira.
As discussões sobre a profissão docente são retratadas de maneiras diversas e nos mais variados contextos, este artigo tem por objetivo abordá-la com o intuito de compreender como foi construída a(s) identidade(s) dos professores dos cursos de Arquitetura e Urbanismo do estado do Ceará. Tornar-se professor envolve um complexo processo de apoderação que implica muitos fatores, tais como a vida individual de cada sujeito e a história das suas práticas educativas. Sabendo disto perguntamos a 06 (seis) professores das diferentes instituições de ensino superior existentes no Estado do Ceará porque eles fizeram a opção pela docência. Percebemos pelos relatos que tornar-se professor de arquitetura e urbanismo envolve um complexo processo tais como, a estabilidade financeira, a vocação e realização pessoal.
RESUMO Este artigo objetiva discorrer sobre a formação do cidadão no Brasil atual, destacando os papéis que o Estado e o conjunto de professores desempenham nesse processo formativo. Metodologicamente, este trabalho baseia-se na revisão da bibliografia concernente ao assunto nele abordado. Assim, partindo da reflexão contemporânea sobre os conceitos de cidadão e cidadania, o texto traz uma abordagem crítica tanto das políticas públicas educacionais formuladas e implementadas no âmbito da União, dos estados e dos municípios a partir da década de 1990 quanto do trabalho docente ora desenvolvido nas escolas públicas brasileiras. Com isso, pretende-se discutir como o Estado e o professorado, atores essenciais no contexto educacional, podem contribuir para o processo da formação cidadã.
RESUMO Este artigo tem como objetivo analisar, a partir de uma abordagem qualitativa, o funcionamento do discurso pedagógico utilizado na disciplina de Educação Moral e Cívica, implantada nas escolas brasileiras durante o regime militar. Para isso, será realizado um estudo de caso sobre um dos livros didáticos utilizados na época: "Educação Moral e Cívica", dos autores Otto Costa, Felipe N. Moschini e José C. Paixão. Por meio da Análise de Discurso (AD) de linha francesa, procuraremos mostrar os efeitos de sentido produzidos pelo sujeito discursivo e seu interlocutor, observando as diferentes formações discursivas presentes, o processo de interpelação do sujeito pela ideologia e o conceito de interdiscurso/memória discursiva.
Apresenta reflexões sobre a educação como um direito de todos e a relevância das bibliotecas universitárias na inclusão dos alunos com deficiência no ensino superior. Visa analisar a educação inclusiva no ensino superior e compreender os processos pelos quais se articula com as bibliotecas universitárias. A pesquisa baseou-se em referencial teórico com enfoque crítico-descritivo. A coleta de dados foi efetuada por meio de observações em 10 bibliotecas, e entrevistas semiestruturadas com os bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Paraná (SiBi/UFPR) e 17 alunos com deficiência matriculados na UFPR. A análise dos dados fundamentou-se na análise de conteúdos. Evidencia-se a necessidade da implantação de política institucional inclusiva para erradicação de barreiras e favorecimento no acesso e permanência com sucesso de alunos com deficiência no ensino superior.
RESUMO Neste trabalho se discute o processo de escolarização dos sujeitos com deficiência a partir de ações-intervenções realizadas na escola, possibilitadas pelo trabalho colaborativo. Objetivou-se descrever as ações respaldadas na Política da Educação Especial na Perspectiva Inclusiva e como estas impulsionaram o processo educacional dos sujeitos com deficiência. Dessa forma, sustentou-se metodologicamente na pesquisa-ação sob perspectiva crítico-colaborativa. Participaram da pesquisa cinco escolas da rede pública regular que possuíam matriculados sujeitos com deficiência. Como resultados, destaca-se o acesso a um currículo mais inclusivo mediante a adaptação de diversos recursos pedagógicos através da implementação da Tecnologia Assistiva. Dessa forma, mostrou-se a necessidade de reorientar as práticas vigentes e buscar novos subsídios que possibilitem delinear uma escola verdadeiramente inclusiva.
Nesta tentativa de aproximar Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro trilhamos pela temática da educação integral, condição primordial para um projeto de emancipação social. Orientando-nos por uma "política de liberdade", fizemos com que esses dois intelectuais cruzassem novamente um o caminho do outro. Para nós, os resultados foram férteis, porque ao olharmos tanto para a trajetória quanto para seus projetos, conseguimos vislumbrar a possibilidade de uma sociedade autônoma alinhada a um projeto pensado por um, para atender a uma sociedade em pleno processo de crescimento, que ia deixando um lastro de pessoas desatendidas pela escola, e pelo outro, para resgatar o direito social, perdido ao longo da história republicana do pais.
En un mundo crecientemente complejo, comprender unilateralmente realidades tan variables como las socio-educativas parece un caminho complicado. Esta contradicción presente en nuestras sociedades (pos) modernas está acompañada de relaciones de poder que legitiman un único punto de vista de experiencias y conocimientos. Mediante la reflexión teórica, se pretende colaborar para desenmascarar los processos de legitimación de la ciencia moderna y de deslegitimación del resto de formas de conocer, especialmente en educación. Necesitamos así valorar otros caminos inclusivos, que recojan la urgencia de cambiar paradigmas epistemológicos dominantes por otros basados en redes de conocimientos plurales y horizontales. Se recoge en el texto que outro tipo de educación tiene que desarrollarse, epistemológicamente inclusiva y con ideas como red, cotidiano, pluralidad y horizontalidad como pilares, determinantes para un entendimiento democrático del mundo.
RESUMO O trabalho tem por objetivo socializar os resultados da pesquisa que analisou as contribuições do Projeto "Cidadão Ambiental Mirim", no desenvolvimento da Educação Ambiental (EA), nos anos iniciais do ensino fundamental, no município de Colombo-PR. O referencial teórico teve como pressuposto a importância da formação cidadã do educando, comprometido com uma viável sustentabilidade socioambiental. A pesquisa qualitativa, diagnóstico-avalitativa, levantou dados por meio de observações participantes, análise documental, entrevistas e questionários com docentes, equipes pedagógicas e alunos; o tratamento dos dados embasou-se no método de análise de conteúdos. O estudo revelou que o Projeto tem potencial educativo para estimular a formação cidadã dos educandos, precisando avançar sob o foco da EA crítica, em relação ao seu desenvolvimento prático e na formação dos educadores, na perspectiva de uma educação socioambiental cidadã.
Este artigo tem por intuito apresentar, por meio de uma pesquisa etnográfica de cunho qualitativo, via uso da observação e de diário de bordo, como as reuniões por área de conhecimento entre os professores do Ensino Médio na politecnia podem favorecer a interdisciplinaridade, a qualificação e a valorização docente, a fim de maximizar o processo ensino-aprendizagem e minimizar os índices de repetência e evasão na educação básica do estado gaúcho. Averiguou-se que a ideia da interdisciplinaridade não pode ficar restrita a um processo interno às respectivas áreas, mas entre os componentes curriculares de outras ciências, tratando-se de um processo que instiga a investigação crítica e coletiva; um modo de reelaborar a metodologia para que o educando possa entender as diferentes ramificações do conhecimento como pressupostos aos eixos da politecnia.
Este artigo pretende aprofundar a noção de reflexividade, aproximando o significado à experiência contemporânea. Ao contrário de reflexividade tradicional, equivalente à virtude e reflexividade moderna, equivalente à autorreflexão e diálogo interno, este artigo propõe a noção de "reflexividade construcionista" para evidenciar o processo recursivo de inclusão dos produtos sociais na facticidade da realidade. Na segunda parte, o artigo coloca em questão o conceito de "reflexividade construcionista" como um instrumento para a descrição da realidade social, com especial referência para a escrita sociológica. Finalmente, sugere três dimensões principais para desenvolver uma forma de escrita reflexiva construcionista: escuta, crítica e responsabilidade.
Nas primeiras décadas do século passado foram difundidas no contexto educacional brasileiro as ideias da Escola Nova, que chegaram através dos intelectuais que iam estudar no exterior e traziam essas concepções para o Brasil. Essas percepções foram apropriadas por docentes das instituições escolares. Diante disso, este trabalho busca analisar as concepções das professoras do Grupo Escolar Manuel Luís, localizado no Estado de Sergipe, instituição criada no ano de 1924 e que tinha a finalidade de formar as crianças da capital. Primeiramente, faremos um panorama do contexto educacional e sergipano e, em seguida, demonstraremos os principais discursos presentes nas Reuniões Pedagógicas realizadas no Grupo Escolar. Por fim, através da análise das atas, constatamos que as professoras se apropriaram de alguns conceitos da Escola Nova, desenvolvendo assim uma prática escolar pautada nesse pressuposto.
Resumo Este artigo tem como objetivo principal apresentar e problematizar alguns títulos de livros destinados ao processo inicial de ensino da leitura e da escrita, destacando algumas palavras e expressões recorrentes em uma amostra escolhida para análise. Os livros analisados fazem parte do acervo do grupo de pesquisa História da Alfabetização, Leitura, Escrita e dos Livros Escolares (HISALES), ligado à Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas. A análise, cujo referencial teóricometodológico baseia-se em estudos do Círculo de Bakhtin, abrange os anos de 1950 até meados dos anos 2000. O estudo mostra que os títulos destes livros indicam os sentidos atribuídos ao processo de alfabetização e as expectativas do que é alfabetizar-se e ser "alfabetizando" em diferentes momentos históricos.
Este texto apresenta a análise da constituição da educação do campo em assentamentos rurais, a partir de um projeto de extensão, em interface com pesquisa, que buscou identificar ações e desafios, concepções e perspectivas em relação à educação, colocados para os sujeitos do campo, explicitando a interconexão entre um projeto educativo e um projeto de desenvolvimento social. As análises sustentam-se em autores como Caldart (2008), Molina, Kolling e Nery (1999), Arroyo (2007), Marx (2001). Os resultados apontam um movimento inicial de constituição de uma concepção de educação do campo que extrapola a escola, caracterizada por especificidade local, reconhecimento da diversidade de saberes e relação entre trabalho e educação, movimento a ser fortalecido em um projeto coletivo que vislumbre a transformação da educação e a emancipação dos trabalhadores do campo.
O objetivo do texto é discutir as alterações nos modelos de gestão pública e as implicações para a gestão educacional. Partimos do pressuposto que o padrão de gestão das instituições públicas se altera conforme a reestruturação do capitalismo e suas crises constantes. O estudo faz referência a três modelos de gestão, sendo estes: a gestão burocrática, a gestão democrática e a gestão empresarial gerencial. Conclui que na gestão pública há a predominância dos modelos de gestão empresarial gerencial e da gestão burocrática, que ainda não foi superada. Contudo, contraditoriamente, a gestão democrática está presente na legislação da educação, por conta da luta dos trabalhadores desta área, mas se desenrola de forma muito tênue e embrionária nas escolas públicas.
O texto analisa o Programa Mais Educação e tem como objetivo discutir a proposta de Educação Integral no referido Programa, implantado no Governo Lula. A proposta deste Programa e a forma como a Educação Integral é nele contemplada são questionadas neste estudo que se utiliza de pesquisa e discussão bibliográfica, análise de documentos. O Programa Mais Educação desenvolve-se como ação do Plano de Desenvolvimento da Educação e a Educação Integral é reforçada como meta do Plano Nacional de Educação. Como resultados, verifica-se que, no primeiro Governo Lula, a educação é apresentada como meta de inclusão social e, no segundo mandato, a meta do desenvolvimento do país a partir da educação de qualidade. Mostra-se que a Educação Integral implementada corresponde à ampliação do tempo de permanência do aluno na escola.
A escola pública e a gravidez em jovens alunas são o tema central deste estudo, fruto da dissertação de mestrado Experiências escolares de meninas-mães da periferia de Ijuí-RS. Discutimos neste artigo a relação das escolas públicas com as alunas gestantes ou mães, a partir da fala das equipes diretivas acerca das ações que as escolas procuram desenvolver ao se depararem com os temas da sexualidade e da gravidez no seu cotidiano. Procuramos entender os limites e as possibilidades da escola ao defrontar-se com uma aluna gestante e da aluna ao perceber-se como uma gestante na escola. Quanto à escola, parece que é vista como um não lugar de barrigas, pois a gravidez de uma jovem aluna aponta para certo estranhamento, mesmo que invisível, entre a gestante e a escola.
A partir de uma problematização sobre o conflito que se estabelece entre as expectativas de ensino e as de aprendizagem da escrita acadêmica, sugerimos que os "suportes amigáveis" são uma das alternativas a que os estudantes recorrem a fim de tentar lidar com esse conflito. Esses suportes podem ser úteis também para que os alunos reconheçam, paulatinamente, a existência de relações de poder e autoridade perpassando a produção textual acadêmica, bem como a necessidade de incorporar o papel social e a identidade exigidos pela academia.
No Projeto "Consciência Histórica-Teoria e Práticas" que, têm explorado as narrativas de jovens lusófonos acerca do mundo contemporâneo, numa primeira fase, participaram estagiários de História de três universidades portuguesas, e em fases subsequentes, jovens em final de escolaridade obrigatória em Portugal, Brasil e Moçambique. A análise indutiva das narrativas sugeriu que os jovens destes países revelam uma identidade nacional relativamente fundamentada, sem xenofobias. Quanto às narrativas globais, as dos jovens portugueses e moçambicanos aparecem muito menos substanciadas do que as nacionais, enquanto as dos jovens brasileiros narram a um mesmo nível a História do país e do mundo, interligando-as. As produções portuguesas e brasileiras mostram poucos protagonistas, emergindo apenas alguns "vilões". Por outro lado, os jovens brasileiros e moçambicanos mostram-se interventivos face ao presente.
Este artigo analisa os efeitos subjetivos e simbólicos produzidos entre os estudantes aprovados por um dos vestibulares mais concorridos na cidade de São Paulo, o vestibulinho para acesso ao ensino médio da Escola Técnica Federal. Um dos efeitos do vestibular, definido por Pierre Bourdieu (2008) enquanto um rito de instituição, refere-se à produção de um sentimento de eleição que confirma a crença no "dom" e legitima desigualdades sociais. Os estudantes aprovados pelo Vestibulinho da Federal cultivaram uma autoimagem como membros de um grupo de excelência, com um "carisma grupal" alicerçado no mérito escolar. A pesquisa possui como metodologia a realização e análise de entrevistas semiestruturadas com 21 jovens, selecionados a partir de um questionário aplicado a todos os estudantes do terceiro ano do ensino médio (total de 257 questionários).