Este estudo toma como princípio a compreensão da existência de uma "Didática da História" como aporte do aprendizado docente na formação de professores de História e das suas práticas no ensino da disciplina de História. Também toma como base a produção do teórico alemão Jörn Rüsen na busca da conceituação para a categoria Didática da História como um campo de análise dos fundamentos da Educação Histórica, a qual cumpre papel central no processo de reflexão sobre as atividades dos historiadores.
Resumen O objetivo do presente estudo foi analisar a adesão ao valor justiça em crianças. Compararam-se as respostas dadas por crianças entre 9 e 12 anos a dois tipos de questionários: o primeiro, com alternativas construídas em níveis crescentes de descentração de perspectiva social, e o segundo, com as mesmas questões feitas de forma aberta. As questões foram apresentadas em formato de histórias que envolviam justiça distributiva, retributiva e comutativa. O questionário, com alternativas, foi aplicado em 111 crianças e o fechado, em outras 28. Em ambos os tipos de questionários, as crianças revelaram as mesmas tendências na adesão ao valor. No entanto, as respostas espontâneas mostraram-se mais punitivas e com uso mais forte de sanções expiatórias que as fechadas, no caso das histórias a respeito de justiça retributiva e comutativa.
O artigo pretende promover uma reflexão sobre a necessidade de implementação prática, no quotidiano escolar, da Educação Intercultural e em Direitos Humanos, com foco na temática de gênero. Nesse sentido, apresentamos um conjunto de procedimentos didático-pedagógicos, realizados no contexto de aulas da disciplina de Língua Portuguesa, que tiveram como objetivo problematizar com estudantes, por meio de práticas de letramento, a situação da mulher na contemporaneidade. Nesse contexto, a metodologia proposta por Paulo Freire foi apresentada como ferramenta privilegiada para transpor da teoria à prática tal Educação. Assim, mediante a análise da vivência de estudantes (sujeitos da pesquisa) em Círculos de Cultura, tendo como tema gerador o sexismo, constatamos que a educação escolar pode conduzir o(a) aluno(a) de uma consciência alienada para uma consciência crítica.
O objetivo desse texto foi refletir sobre HQ's como recurso didático no Ensino de Ciências e Biologia. Da experiência como docente do curso de Ciências Biológicas, ministrando a disciplina Metodologia de Ensino desde 2009, inferimos que as HQ's podem ser úteis na Educação, os futuros professores aprovam sua utilização, proporiam que seus alunos elaborassem suas próprias HQ's. Alertamos para a adequação conceitual, pois a utilização da HQ pressupõe uma correção absoluta, salvo nos casos em que o professor deseje comparar ao conceito adequado; para a linguagem, uma vez que muitos cartunistas utilizam uma linguagem chula em suas produções; para a imagem, pois os autores constroem personagens que não são facilmente identificados como pessoas ou são animais desconhecidos; para os valores, pois os quadrinhos podem emitir juízos particulares dos autores.
A questão-problema central que esse artigo apresenta tem a ver com a análise crítica que os autores da Teoria Crítica, particularmente Adorno e Horkheimer, estabelecem entre o projeto de esclarecimento e os limites da emancipação do indivíduo. A partir dessa abordagem teórica, procura-se mostrar se é possível pensar num projeto emancipatório no contexto da sociedade capitalista hodierna. Por um lado, busca-se problematizar a contradição: o esclarecimento como promessa de uma sociedade melhor e aquilo que ele, de fato, se tornou: uma razão totalitária. Por outro lado, procura-se entender, a partir do posicionamento dos autores, se, frente ao pretenso projeto de esclarecimento, a filosofia e a educação teriam um poder de resistência em relação ao rumo caótico que o processo civilizatório tomou.
O texto propõe um debate crítico sobre as avaliações educacionais em larga escala e suas implicações junto à experiência pedagógica cotidiana. Por meio de revisão teórica e de uma compilação de estudos recentes sobre o tema, analisa-se a questão, concebendo a avaliação externa padronizada como um instrumento cujos meios e resultados alimentam ideais performáticos, tomando-se a performance como um princípio de legitimação típico da atualidade, perpassado pela concorrência e pela perspectiva produtivista extraída do âmbito privado. Debatem-se também subprodutos das avaliações, como a emergência dos rankings educacionais, da responsabilização docente, a apropriação midiática dos resultados e as possíveis implicações de tais fenômenos. Por fim, exploram-se alguns dos efeitos da quantificação e da classificação voltada à educação, apontando prejuízos que um olhar baseado na performatividade pode acarretar à prática educacional.
Este artigo apresenta algumas considerações acerca da Sociologia Educacional na perspectiva de Antônio Carneiro Leão (1887-1966). Considera-se pertinente, num primeiro momento, discutir alguns dados biográficos deste importante intelectual brasileiro, bem como clarificar algumas concepções de Carneiro Leão no que tange à Sociologia Educacional, analisando o pensamento do autor sobre a mesma. Para tanto, tomaram-se como principais fontes de pesquisa os livros Fundamentos de Sociologia, cuja primeira edição data de 1940, e Panorama Sociológico do Brasil, publicado em 1958. Parte-se do pressuposto de que ambas as publicações dão referências e subsídios para que se possa compreender as concepções de Carneiro Leão acerca da Sociologia Educacional.
Este artigo relata a pesquisa bibliográfica sobre a competência ética em ambientes escolares. Partiu-se da concepção de ética como a sabedoria diante de situações cotidianas, na interação da pessoa com si própria e com o mundo. Considerou-se a orientação epistemológica como determinante das relações éticas e encaminhou-se a discussão a partir de dois eixos: um que entende ser o humano determinado pelo ambiente; e, o outro, que o concebe como construtor do mundo e de si próprio. Concluiu-se que a crença no poder do ambiente fomenta o espírito ético da padronização; enquanto isso, na perspectiva centrada na ação do sujeito, a competência ética surge como não pertencente aos conteúdos ensináveis, mas como algo que se aprende praticando: valorizando o olhar atento que busca ver e compreender o mundo.
O presente estudo tematiza a emergência de um novo paradigma epistemológico no cenário contemporâneo, o qual sinaliza para a problemática da complexidade implicada em toda dinâmica do conhecimento humano. A abordagem metodológica orienta-se por uma perspectiva hermenêutica e dialética, a qual busca privilegiar a leitura crítica das obras de Edgar Morin, situando-as numa leitura de conjunto e procurando extrair delas relações entre concepções epistemológicas, éticas e políticas. O resultado desta leitura, quando tematizada no âmbito escolar, consiste em compreender o novo desafio da escola no trato com o conhecimento. Para além de ensinar conhecimentos, a escola precisa ensinar uma nova relação com o conhecimento. Esta pressupõe uma leitura mediata e complexa da realidade, re-elaborando o significado da ciência e do conhecimento no contexto societário.
Este estudo teve como objetivo compreender dificuldades encontradas para que a corporeidade e a ludicidade possam ser mais vivenciadas em sala de aula das séries iniciais do Ensino Fundamental. A pesquisa de campo de cunho qualitativo teve a colaboração de quatro professoras de escolas públicas de Minas Gerais. Constatou-se que a corporeidade e a ludicidade são aspectos relevantes na realidade do educador desta etapa e que se faz necessária nova compreensão destes aspectos. As atividades lúdicas se apresentam como possibilidade valiosa de trabalhar a corporeidade, a criatividade e a expressividade tanto do educando quanto do educador. Também se mostram como uma contribuição para o fortalecimento dos laços afetivos professor-aluno e para o desenvolvimento das dimensões afetiva, cognitiva e motora da criança.
Este texto propõe uma reflexão sobre um modo de ensinar e aprender filosofia que se consolidou nos cursos superiores de filosofia e produziu efeitos diferenciados em ensino na escola básica. Destaca os discursos produzidos, nas últimas décadas, no tensionamento entre ensinar filosofia e ensinar a filosofar perpassados pela relação com a História da Filosofia e, tendo como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (2012), apresenta um novo cenário escolar em construção. Em tal cenário, está indicado um novo desenho curricular, estruturado por área de conhecimentos, que passa a solicitar dos professores o enfrentamento da questão da interdisciplinaridade e da contextualização dos saberes escolares. Nessas condições, procuramos pensar, de forma inicial, sobre o ensino de filosofia, no contexto da área das Ciências Humanas, com vistas a experiências interdisciplinares.
O presente artigo apresenta o projeto de atenção ao desenvolvimento infantil dos bebês que residem com suas mães apenadas na instituição prisional, Penitenciária Feminina Estadual Madre Pelletier/RS. Ele promove ações visando ao bem-estar físico, afetivo e sócio cognitivo das crianças entre 3 e 12 meses, na perspectiva do cuidar e educar. Estudantes da Pedagogia, sob orientação e supervisão de professores do Curso, planejam e desenvolvem atividades educativas duas vezes por semana, considerando as especificidades da rotina carcerária e as necessidades de desenvolvimento dos bebês. Porém, é preciso reconhecer que faltam políticas públicas comprometidas com as necessidades de desenvolvimento dessas crianças para que possam assegurar que o vínculo mãe-bebê se estabeleça da forma mais saudável possível.
El propósito de este trabajo es revisar la noción de "didáctica de la filosofía" desde una perspectiva que fortalezca su dimensión filosófica, y formular una propuesta específica de didáctica que problematice el vínculo del aprendizaje filosófico con la enseñanza. Se asume que uma didáctica "filosófica" debe explicitar la concepción de la filosofía y el filosofar desde los cuales se intenta elucidar la cuestión "enseñar filosofía", y definir un sentido consecuente de práctica docente. Se justifica la adopción, como referencia conceptual, de una filosofía del acontecimiento, que privilegie el encuentro y la novedad de quienes participan en la situación de aprender y enseñar filosofía. A partir de ello, se define una didáctica "aleatoria" de la filosofía como posibilidad teórica y práctica de una didáctica filosófica.
Este estudo exploratório propõe a aproximação entre a Educação Especial e a Educação de Jovens e Adultos, analisando as contribuições que os direcionamentos legais e políticos nacionais trazem acerca da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. As publicações dos Fóruns EJA e a produção acadêmica têm propiciado o diálogo entre as duas áreas. A imersão teórica e crítica nos "lugares" considerados legítimos para que esse diálogo aconteça foi feita a partir da premissa da EJA no ensino comum, como espaço escolar potencializador, para que os jovens e adultos com deficiência desenvolvam seus modos singulares de aprender. A investigação apontou a timidez de estudos com esse viés e a necessidade de ampliar a discussão sobre o Atendimento Educacional Especializado para os jovens e adultos com deficiência.
Esta pesquisa investiga exercícios produzidos por crianças de 10 anos de idade, que cursam a turma E, do Ciclo II(5º ano do Ensino Fundamental), da Escola Municipal Prof. Lourenço Ferreira Campos, da cidade de Goiânia. O objetivo foi analisar como essas crianças se relacionam com o passado e como percebem a mudança no tempo e no espaço, a partir de três imagens da cidade de Goiânia em diferentes épocas. Foram selecionadas três fotos, dos anos de 1937, 1942 e 2011, para a realização da tarefa em sala de aula. Considerou que a cidade Goiânia foi planejada e começou a ser construída na década de 1930, sendo que no ano de 1942 ocorreu seu batismo cultural com as festividades cívicas promovidas pelo poder público.
Este artigo tem como objetivo apresentar os resultados do projeto de extensão "Ensino de filosofia em espaços não formais", explicitando tanto os processos de sua execução em termos práticos quanto seus desdobramentos filosóficos. A ideia geral do projeto era criar um espaço dedicado às possibilidades de experiência com o filosofar, diferente daquele estabelecido em ambientes formais (instituição escolar). Devido às experiências anteriores que tivemos com o ensino de filosofia nas formalidades institucionais, procuramos transbordar esses espaços, convertendo o ensino tradicional em uma dimensão dialógica de aprendizagem e de criação de pensamento. Em síntese, a escrita deste texto permite que exploremos algumas implicações daquilo que projetamos e que doravante vivenciamos: nossa própria construção de sentido acerca do ensinar e do aprender filosofia e, sobretudo, do que significa pensar filosoficamente.
Em 2006, o ensino de história na Rede Municipal de Ensino de Curitiba adota a perspectiva da Educação Histórica, tomando como referência, especialmente, os estudos de Lee (2001), Barca (1998; 2004) e Schmidt (2001). Isso está expresso nas Diretrizes Curriculares (CURITIBA, 2006a) e nos Cadernos Pedagógicos - História (CURITIBA, 2006b). Em relação à formação continuada, mais especificamente em relação aos cursos oferecidos em parceria com a Universidade Federal do Paraná/Laboratório de Pesquisa em Educação Histórica (LAPEDUH), pode-se dizer que a sistemática adotada tem trazido contribuições valiosas, pois mudou a forma como o professor tem se relacionado com os conteúdos a serem trabalhados, na medida em que investiga as ideias tácitas dos alunos, seleciona diferentes fontes históricas, bem como solicita a produção de narrativas históricas aos alunos.
Resumen Este texto objetiva desvelar questões sobre a construção de Estados de Conhecimento na área da Educação e apontar posições teóricas fundamentadoras dessas questões com vista à prática de pesquisa articulada à realidade nacional. Parte de tematizações encima de experiências, ao longo de quatro anos, em um curso de pós-graduação de excelência. Identifica categorias de análise na perspectiva do campo científico (Bourdieu): Políticas públicas do Estado-nação e da área disciplinar; Finalidades do Estado de Conhecimento para a ruptura de pré-conceitos (Quivy e Capenhoudt); Qualidade interna do Estado de Conhecimento (Lovitts) marcado pela originalidade; e Metodologia de aprendizagem colaborativa. Conclui pela complexidade da produção de um Estado de Conhecimento decorrente das inúmeras inter-relações sócio-científicas e resgata sua importância para a inserção no campo científico e na área do objeto de pesquisa.
O artigo investiga possibilidades de se firmarem experiências formativas envolvendo as dimensões da amizade e as vivências na amizade, como dinâmicas potencializadoras do reconhecimento do outro. Considera as relações pedagógicas, visando à homogeneização, como portadoras do risco de submeter e excluir o outro e o diferente. Reconhece a necessária prudência diante da complexidade e das dificuldades históricas de compreensão do outro. O estudo tem como base a buscagem em referenciais teóricos e entende que a vivência na amizade permite a construção de visões positivas de mundo, de si e do outro como seres humanos singulares e diversos. A convivência na amizade como um com-sentir contempla cenários de respeito à alteridade, um respeito que passa pela descoberta de si e do outro como exercício dessa convivência.
No Brasil ocorre uma ênfase em políticas voltadas para a formação de professores, inclusive professores de História, em que a centralidade do debate está no binômio educação e desenvolvimento. Nesse debate, a personagem que tem sido mais destacada é o professor. O presente trabalho tem como foco apresentar uma síntese das propostas para a formação do professor de História no Brasil, a partir de documentos oficiais. A análise dos documentos teve como referência teórica as questões que envolvem a relação entre a formação fundamentada na epistemologia da prática e a formação fundamentada na epistemologia da práxis. Resultados dessa análise indicam o esvaziamento da formação teórica, da valorização dos conteúdos específicos, em detrimento de uma formação prática, que não leva em consideração a relevância da função social da educação e a finalidade da História para a formação do cidadão crítico.