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Universitários flexíveis: a gestão dos talentos no capitalismo contemporâneo

PID: S1984-64442010000200005 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2010
Autores: Silva
O presente artigo examina algumas estratégias de constituição dos sujeitos universitários na contemporaneidade, procurando compreender os modos pelos quais seus talentos são produzidos e administrados nas tramas do novo capitalismo. Parte-se de uma pesquisa que analisou o Caderno Vestibular/ZH, suplemento publicado pelo jornal Zero Hora (RS), endereçado aos estudantes em processo preparatório para ingresso na universidade. Tal pesquisa aproxima-se teoricamente dos estudos do filósofo Michel Foucault, em especial daqueles centrados no conceito de governamentalidade. No limite, indica-se que o suplemento colocado em análise é produtivo em táticas e em estratégias que tendem a constituir um sujeito universitário produtivo economicamente, capaz de gerir sua vida pessoal e profissional em uma lógica empresarial.

A educação impossível

PID: S1984-64442009000300004 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Valle
Por que interessaria à educação um conceito tão ambíguo como o é o de imaginário, que muitas vezes mal se distingue de seu misterioso correlato - a imaginação? Na obra de Cornelius Castoriadis, o imaginário ganha a acepção de poder radical de criação da sociedade, realizada por um coletivo sempre anônimo; quanto à imaginação, o termo é reservado para o poder igualmente radical, que designa a atividade de auto constituição do sujeito. Eis, pois, a boa razão que a obra do filósofo nos oferece para adotar tais conceitos: a exigência de pensar a educação sob o signo da criação humana. Nisso consiste, afinal, a tarefa impossível da educação: contribuir para a ressurgência do projeto de autonomia individual e coletiva, isso é, para o renascimento da vontade de liberdade. Nesses tempos de perda de sentido, se, de fato, pretendemos ainda lutar pela transformação da sociedade, por instituições verdadeiramente democráticas, não podemos deixar de lado a luta por uma educação orientada para a autonomia.

A formação inicial de professores e a didática na perspectiva inter/ multicultural

PID: S1984-64442009000100011 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Lima
O artigo começa por apresentar a concepção de formação de professores na qual se pauta e, dentro dela, discutir o lugar e a função da formação inicial/ básica, aí inserida a discussão sobre o papel da Didática. Em seguida, procura justificar a defesa da perspectiva inter/ multicultural e os principais domínios nela envolvidos. A principal justificativa para assumir a Didática na perspectiva inter/ multicultural está pautada na constatação de que a escola pública brasileira não incorporou efetivamente as demandas das classes populares como consequência da suposta democratização do ensino. É defendida a lógica da aprendizagem, baseada na idéia de que todos os alunos podem e devem aprender e na conseqüente necessidade de incorporação, pela escola, das contribuições das diferentes tradições culturais trazidas pelos alunos, abrindo espaço para a revisão crítica da cultura escolar, de seus rituais, normas, valores, concepções. Finalmente, são tecidas reflexões buscando reiterar alguns aspectos considerados fundamentais ao conjunto das discussões empreendidas, entre os quais o de que aderir à perspectiva inter/ multicultural da Didática não exclui a discussão das bases teóricas do pensamento pedagógico, nem a preocupação com aspectos do como-fazer envolvidos no processo de ensino, tendo em vista a aprendizagem dos/as alunos/as. É defendida a idéia de que, além da formação, é preciso lutar por melhores condições de carreira e de trabalho docentes.

Ações afirmativas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e o seu significado simbólico

PID: S1984-64442009000100005 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Oliven
Este artigo analisa como as desigualdades de renda, educacionais e raciais, no Brasil, se traduzem em privação de oportunidades para grande parte da população, reforçando o ciclo de exclusão em nossa sociedade. Apresenta o debate sobre as políticas de ação afirmativa, principalmente o referente a cotas nas universidades, a partir de quatro manifestos públicos. Discute o significado simbólico da implementação dessas políticas tomando o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) como exemplo.

Brincar e aprender: um novo olhar para o lúdico no primeiro ano do ensino fundamental

PID: S1984-64442009000200005 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Pereira Bonfin
Este artigo tem por objetivo apresentar algumas reflexões sobre o papel da ludicidade para a aprendizagem e o desenvolvimento da criança, em especial, da criança de seis anos que, segundo a nova legislação, passa a cursar o primeiro ano do Ensino Fundamental. Possibilitar a vivência das atividades lúdicas nas práticas educativas neste nível de ensino é possibilitar à criança o desenvolvimento integral, respeitando as especificidades do mundo infantil. Contrariamente a algumas visões tradicionais de ensino, o brincar e o aprender não são aspectos opostos no processo ensino-aprendizagem, sendo possível, através deste encontro, um diálogo com as várias dimensões humanas - cognição, afetividade e motricidade. Para que a atuação dos profissionais dessa fase se dê de maneira significativa e prazerosa, é preciso que o conceito de ludicidade seja compreendido, até para que possa efetivamente ser vivenciado.

Colcha de retalhos: história de vida e imaginário na formação

PID: S1984-64442009000300005 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Berkenbrock-Rosito
Este texto apresenta a atividade Colcha de Retalhos para falar de vida, formação e autoformação, e o lugar e a importância da educação estética e bioética na formação dos professores, através das histórias tecidas em retalhos, como possibilidade de o professor teorizar a partir da pesquisa de sua própria prática e a emergência da autoria. Tem-se aqui como referencial teórico Josso (2002), Freire (1992; 1997), Hillman (1995; 1997) e Ferreira-Santos (2004). O estudo aponta para a pedagogia imaginal como uma aquisição de saber pela experiência imaginativa para pensar a formação estética no campo das imagens e o lugar das metáforas nas autobiografias como fruição do imaginário.

Desafios e obstáculos da pesquisa em educação para a transformação das práticas pedagógicas

PID: S1984-64442009000300014 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Araújo-Oliveira
As reformas educativas atualmente empreendidas por numerosos países marcam uma ruptura importante com modelos anteriores de ensino e indicam a necessidade de uma transformação das práticas docentes. O presente artigo propõe uma reflexão em torno das contribuições e dos limites das pesquisas científicas no campo das ciências da educação e em particular aquelas que se referem às práticas pedagógicas para a construção de um Referencial de Formação Profissional que possa servir tanto à formação docente (inicial e continuada) quanto à transformação das próprias práticas. Após colocar em evidência a necessária tranformação das práticas pedagógicas que reclamam as reformas atuais, o artigo assinala alguns obstáculos e desafios aos quais as pesquisas em educação têm sido confrontadas atualmente e propõe algumas pistas teórico metodólogicas potencialmente favoráveis a uma melhor articulação entre pesquisa e prática. Se o artigo não dá respostas definitivas às perguntas que ele levanta ao longo da discussão, ele permite levantar certas pistas possibilitando alimentar as reflexões de pesquisadores e formadores de diferentes países onde a análise das práticas representa um desafio essencial para a concretização dessas reformas educacionais.

Didática e práticas pedagógicas no ensino superior: a visão dos alunos de um curso de graduação em ciências biológicas

PID: S1984-64442009000200010 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Dornfeld Escolano
O objetivo deste trabalho foi identificar aspectos da didática e da prática pedagógica de professores do ensino superior sob a visão dos alunos de um curso de graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas. Foi aplicado um questionário que enfocou os aspectos de estratégias de ensino, comportamentos e atitudes do professor. Foram respondidos 69 questionários, sendo que as respostas indicaram que a maioria das aulas é expositiva, porém que os alunos têm preferência por aulas com discussão e debates. Os alunos enfatizaram a importância do domínio de conteúdo, considerando-o o componente mais importante para o bom professor, bem como a utilização de diferentes estratégias de ensino e a relação professor-aluno. Observou-se que os apontamentos dos alunos corroboram a bibliografia disponível sobre o processo de ensino-aprendizagem e didática, especialmente quando se pensa a didática como algo superior ao saber ensinar. Constatou-se também que as práticas pedagógicas aplicadas poderiam ser alteradas para melhorar a aprendizagem e a motivação dos alunos em freqüentarem as aulas. Enfim, o estudo teve grande importância no levantamento das principais questões que ocorrem no cotidiano da sala de aula e das características que o professor deveria possuir para se tornar um bom professor.

Diversidade cultural e políticas públicas educacionais

PID: S1984-64442009000100012 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Kadlubitski Junqueira
O objetivo do presente artigo é verificar como as políticas públicas estão contemplando a “diversidade”. Compreende-se que a implantação de políticas públicas educacionais pode viabilizar um processo de ressignifição da diversidade cultural presente na sociedade brasileira. Este trabalho resulta de uma pesquisa bibliográfica sobre o conceito de diversidade cultural, a contextualização e a sua evolução histórica. Discute o panorama atual das políticas públicas educacionais no Brasil sobre a questão da diversidade cultural. Analisa como a diversidade cultural se tornou sinônimo de diálogo e de valores compartilhados, em oposição à homogeneização e imposição cultural. Identifica numa educação de respeito às diferenças uma das possibilidades mais promissoras no contexto de uma sociedade multicultural e de necessários instrumentos de inclusão e democratização.

Dois grupos de pesquisa... falas convergentes... imaginários que se aproximam

PID: S1984-64442009000300003 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Oliveira Peres
Nosso projeto, ao organizar o texto a quatro mãos, materializou um desejo, através da escrita, de explicitar duas trajetórias que se encontram no território do simbólico e nos caminhos do imaginário, mostrando inscrições teóricas de dois grupos de estudos, pesquisas e formação o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Imaginário Social (Gepeis) e o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Imaginário, Educação e Memória (Gepiem), no espaço da educação. Mostramos, inicialmente, a constituição dos grupos inscritos em espaços institucionais distintos. O lugar do imaginário nos dois grupos e nossas aproximações e referências são analisados num segundo momento do texto. Na perspectiva de não finalizarmos essa escrita, mas de abrir outras, elegemos um terceiro momento, no qual mostramos contribuições e conversas em um processo “para não concluir”, através das múltiplas aprendizagens realizadas e que ainda projetamos realizar por meio de ações criativas e criadoras movimentadas nos imaginários grupais.

Ensinar a nação pela região: o exemplo da Terceira República Francesa

PID: S1984-64442009000100002 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Thiesse
A Terceira República francesa (1870-1940) realizou uma obra escolar de grande amplitude. A escolarização das crianças de 6 a 12 anos tornou-se obrigatória, e ensino nas escolas públicas era gratuito e laico. O Estado investiu na construção de escolas em todo o país e em uma formação de bom nível dos professores das escolas primárias. Freqüentemente apresentado na historiografia francesa como um momento de centralismo - e até de “jacobinismo” - intenso a Terceira República precenciou o desenvolvimento de um forte movimento regionalista. Raramente hostil à unidade nacional, o regionalismo foi muitas vezes apresentado como o mais autêntico nacionalismo. Na escola primária, o amor pela “pequena pátria” foi utilizado para desenvolver o amor à grande pátria. Numerosos manuais escolares regionalistas foram publicados. Eles forneceram aos professores primários e aos escolares uma educação intelectual, mas também estética e afetiva sobre as “pequenas pátrias”.

Entre o ecoísmo- narcisismo e a figura da linguagem docente

PID: S1984-64442009000300012 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Luiz Trevisan
Este trabalho consiste numa reflexão hermenêutica sobre a imagem docente perante o mundo racionalista, tendo como ponto de partida dois estudos críticos de Theodor W. Adorno: Tabus que pairam sobre a profissão de ensinar e A filosofia e os professores. Nesse contexto, os fenômenos que se reificaram, prevalentemente analisados, além de contemplarem uma explanação do esquema sujeito-objeto, são enfocados pelo viés da figura da linguagem docente e da linguagem como experiência e revelação de mundo. Nesse sentido, buscamos investigar o modo de como a figura da linguagem de Eco e Narciso pode auxiliar na compreensão pedagógica docente. Assim, consideramos que a razão sistêmica decorrente do iluminismo retorna ao mito, ao valorizar o mundo técnico- científico e a coisificação da pessoa; a ação instrumental em detrimento da ação comunicativa docente. Essa outra racionalidade, que aqui buscamos tematizar, aciona a premissa de que a comunicação efetiva na relação pedagógica deve transcender a metamorfoses de linguagens patológicas tais como as de Narciso e Eco, bem como à superação das mesmas nas tessituras hermenêuticas. Desse modo, pela via da compreensão na relação pedagógica, envolve mais do que metalinguagem mítica, mas uma abertura à ação comunicativa. Se tudo é linguagem, mesmo os tabus, quando cristalizados nesse mundo, dissolvem-se juntamente com a aporia da relação sujeito-objeto. Por fim, nessa intencionalidade, situamos a razão comunicativa de Jürgen Habermas como um outro horizonte à relação pedagógica em dias contemporâneos.

Entre senhas e telas: as reconfigurações do trabalho docente

PID: S1984-64442009000200011 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Cecílio Sousa
No contexto da reestruturação produtiva e da cultura digital, analisam-se aqui os efeitos das transformações tecnológicas e culturais no ensino superior. Mediante a mudança cultural e os novos conteúdos e relações sociais que delineiam o trabalho docente, com base em um estudo de caso, avaliam-se os desafios postos à profissionalidade de professores e sua formação para atuar em uma sociedade em rede. Trata-se de compreender como eles entendem o seu trabalho, as mudanças que nele ocorrem e como este reconfigura sua subjetividade. Os resultados variam da percepção das novas exigências e ritmos de trabalho trazidos pelas tecnologias digitais e sua visão como recursos de atualização até a preferência pela educação tradicional. Persistem o reconhecimento do papel social do educador e a reafirmação de valores que independem da ação das tecnologias digitais. Apesar da consciência de que algo não vai bem na profissão, a percepção da historicidade do processo educativo mostra-se frágil. Falta aos sujeitos suficiente clareza das condições que contribuem para fortalecer o isolamento e a expansão da mentalidade individualista reforçados pela sobre implicação em um trabalho que tende a níveis de precarização cada vez maiores. As tecnologias da informação e da comunicação têm uma ação ambivalente no trabalho docente. Tanto podem contribuir para a mudança, quanto podem manter antigas práticas, com a aparência de inovação. Resta aos professores, diante tal quadro, buscar o seu desenvolvimento profissional, de modo que nele encontrem bases para uma ação que lhes propicie engajamento, realização profissional e autonomia diante as transformações contemporâneas.

Entrelugares: antropologia e educação no Brasil

PID: S1984-64442009000100003 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Gusmão
O aparato teórico e metodológico da antropologia no fazer de outros campos e áreas de saber, além de implementar o diálogo interdisciplinar, é uma tarefa que expõe a situação curricular em que a antropologia é inserida em diferentes cursos e áreas de conhecimento. Neste texto se busca resgatar alguns debates no âmbito das reuniões bianuais da Associação Brasileira de Antropologia - ABA - com a finalidade de mapear, especificamente, a realidade do atual diálogo entre antropologia e educação, bem como apreender possíveis avanços e limites na dimensão da existência de uma Antropologia da Educação no Brasil e dos objetos, dos métodos e dos temas que contempla. No espaço/tempo restrito a cinco reuniões da ABA, entre 2000 e 2008 e a partir do debate em torno da antropologia e educação e dos conteúdos apresentados, configura-se uma visão possível de antropologia no movimento de busca pelo espaço exclusivo da ABA e pelo diálogo com e entre os antropólogos. O que se apresenta dos fóruns e GTs de 2000 a 2008 pelos múltiplos temas e abordagens, pelos projetos, pelas pesquisas e pelas experiências de ensino diz de um debate ainda em aberto em termos de uma antropologia da educação. No entanto, são ainda pequenos os esforços para se pensar criticamente as relações entre antropologia e educação, em razão das formas de apropriação da antropologia pelos outros campos e em razão de um humanismo que embota a visão e gera uma banalização do fazer antropológico, de seus conceitos centrais e de seus respectivos suportes teóricos.

Experiências educativas em química com jovens e adultos: incursões em ciência, trabalho e ideologia e suas implicações curriculares

PID: S1984-64442009000200008 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Silva Rosa Flores Costa
O cenário contemporâneo de desemprego massivo e de intensificação da precarização do trabalho têm levado para o interior dos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) o imaginário de que a escolarização média é fundamental para a qualificação profissional e a conquista de (melhores) empregos. O objetivo deste trabalho é problematizar o currículo da disciplina de Química diante do interesse destes jovens e adultos em se qualificarem para o mundo do trabalho. Para isso utilizamos as contribuições da teoria social marxiana de Gramsci como instrumentos teórico-metodológicos a fim de investigarmos os aspectos hegemônicos nos quais o currículo está imerso. Tomando o currículo como espaço de disputa pela hegemonia social. Concluímos que é promissor explorar a abordagem histórica do conhecimento químico como elemento mediador de práticas educativas contra- hegemônicas.

Favorecer-se outro. Corpo e filosofia em contato improvisação

PID: S1984-64442009000300009 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Farina Albernaz
Este texto ensaia com uma pergunta combustível: como levar para uma escrita científica sobre processos de formação o pensamento surgido no contato entre corpos em dança? Dito de outro modo, como produzir um conhecimento rigoroso com os efeitos de sensações irrompidas entre corpos dançando Contact Improvisation? Como escrever sobre um processo coletivo de formação de professores com experiências estéticas e conceituais que investiga suas próprias formas de expressão? E de maneira mais ampla, como produzir um conhecimento em educação que se experimenta corporal e coletivamente? Seguramente, percebe-se o risco e a ousadia da empreitada. Mas parece que é hora de praticar academicamente esta relação que os campos do saber na atualidade dão por sentada: que corpo e mente, sensível e inteligível, sujeito e objeto, dão- se um pelo outro e ao mesmo tempo. Pretende-se aqui praticar essas relações nas próprias formas de saber que se configuram neste ensaio. Pretende-se acolher a dimensão filosófica que ativa esta dança e a dimensão sensorial que vive nas filosofias da diferença.

Filmes na sala de aula: recurso didático, abordagem pedagógica ou recreação?

PID: S1984-64442009000300013 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Christofoletti
O cinema é amplamente usado em sala de aula e em situações de ensino e aprendizagem. Docentes dos mais diferentes níveis de ensino recorrem à exibição de filmes de ficção e não- ficção, seja para ilustrar os conteúdos curriculares, seja para reforçar conhecimentos que se pretende fixar. Entretanto, pouco se sabe sobre o uso do cinema por parte dos professores, já que não existe uma pedagogia específica para esse recurso nem tampouco se conhecem regras que ajudem a orientar a utilização dessa tecnologia. Nos anos iniciais da educação escolar, o cinema pode até ser recreativo, mas e no ensino superior, mais orientado para a formação profissional e mais ampla dos sujeitos, de que forma vídeos e filmes funcionam como suportes pedagógicos? Perseguindo esse aspecto, esta pesquisa questionou 55 docentes de 11 cursos de uma instituição de ensino superior, abordando dimensões como as da rotina do uso do cinema em sala de aula, a natureza desse recurso pedagógico e a capacitação docente para essa utilização. As respostas colhidas em questionários permitem refletir sobre a relação entre cinema, tecnologia e educação.

Formação de infâncias ledoras-escrevedoras: desafios da Escola do Campo

PID: S1984-64442009000100013 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Gehrke
Este trabalho insere-se no contexto e no debate da Educação do Campo no Brasil desde os movimentos sociais e apresenta uma atividade de pesquisa realizada pelo Curso de Pedagogia da Terra, parceria entre a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul - UERGS e o Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária - ITERRA, junto às Escolas do Campo sobre as práticas de leitura e escrita desenvolvidas nas mesmas e com elas e sobre elas, estabelece um conjunto de análises sobre a função social da leitura e escrita na perspectiva da formação de sujeitos ledores-escrevedores no contexto do campo. Traz como referência teórica básica: Caldart, Freire, Kaufman e Rodrigues, Kleiman e Soares. Apresenta ainda, nesta perspectiva, a prática de ler, escrever e trocar cartas da Escola Municipal Irmão Cirilo do Assentamento Missões de Francisco Beltrão, Paraná, a qual considerou-se relevante e transgressora no sentido da formação humana pretendida, fechando com os desafios que pedagogos têm e precisam assumir no trato com a leitura e a escrita na Escola do Campo.

Imaginario grupal y formaciones grupales en torno al saber

PID: S1984-64442009000300002 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Souto
Imaginario grupal será el concepto central en este artículo. Para captar sus sentidos se hará un recorrido por los significados atribuidos al término en los diccionarios y en la literatura especializada, en especial la psicoanalítica. El imaginario en el campo pedagógico será pensado como el despliegue de escenas de lo grupal, de “otras escenas” que más allá de los aspectos manifiestos y visibles de un encuentro grupal se repliegan y despliegan en la vida y el devenir de un grupo. Pensar al grupo como escenas permite sobrepasar el sentido representativo icónico de la imagen para adentrarse en el de la imaginación y desde allí aventurarse en ese registro de lo imaginario como creador y revelador de sentidos. Lo imaginario grupal será pensado como aquello que desde la grupalidad puede escenificarse en tanto guión grupal, expresión de significados más o menos concientes o inconcientes, vinculados a la fantasía, a aquello que late, se despliega o repliega en los movimientos del acontecer grupal, haciéndose presente de diversas maneras. Esas escenas son, por un lado, reveladoras de sentidos concientes e inconcientes y a la vez creadoras de nuevos sentidos. Plantearemos el lugar del imaginario en algunas formaciones grupales que hemos conceptualizado en el campo pedagógico y desarrollaremos en este artículo, un tipo de formación propia de los grupos de enseñanza y de formación: las formaciones en torno al saber.

Imaginário e literatura infantil

PID: S1984-64442009000300007 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Chaves
O texto apresenta uma retrospectiva histórica da literatura no Brasil com destaques para o imaginário evocado a partir dos textos literários produzidos desde o século XV até hoje, o qual pode ser, em linhas gerais, assim descrito: a) no século XVI, a imagem paradisíaca/a fascinação do novo; b) no século XVII, o jogo das aparências; c) no século XVIII, a idéia da independência; e (d) no século XIX, a radiografia da alma humana. Em seguida, este artigo destaca os escritores de maior expressão na Literatura Infantil no país, chegando à discussão sobre as experiências desenvolvidas, em escolas brasileiras, com livros de Literatura Infantil. Em síntese, mostra que o texto literário deve ser visto como um encontro entre o leitor e os personagens, que possibilita interpretações e desdobramentos de idéias e sentimentos. Reforça, ainda, a Literatura Infantil como ponte que liga as letras ao sentido, à análise, à interpretação, à realidade, ao sonho, à imaginação.
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