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John Dewey e a educação como “reconstrução da experiência”: um possível diálogo com a educação contemporânea

PID: S1984-64442009000300011 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Carlesso
Este texto é resultado da pesquisa cujo objetivo principal foi o de conhecer o conceito de experiência presente na obra de John Dewey, na expressão “educação como construção e reconstrução de experiência”. Através da pesquisa bibliográfica em algumas obras sobre educação de John Dewey, delinearam-se elementos caracterizadores da experiência. A investigação ocupou-se, também, em entender e refletir, por meio da literatura atual, o que caracteriza a cultura escolar hoje e quais são as concepções que alimentam a valorização da cultura experiencial do aluno no ambiente da escola. Com o intuito de abranger os discursos educacionais atuais de valorização da experiência proferidos dentro do próprio ambiente da escola, também foram trazidas para a reflexão, mediante entrevistas semi- estruturadas, os discursos de seis professoras atuantes na educação de crianças de uma escola pública. Tais entrevistas, analisadas através da técnica de análise de conteúdo e de análise textual, receberam uma leitura voltada para a compreensão daquilo que sustenta o conceito de experiência. Ao comparar a concepção deweyana de educação e o que hoje se apresenta na escola como elemento caracterizador da experiência, nossa pesquisa conclui que ainda estamos assentados em uma educação basicamente tradicional que, embora se diga fomentadora de experiências no espaço da escola, reduz esta compreensão ao “ir lá e fazer”. E, quando se afirma como conhecedora das experiências do aluno, não as concebe como possibilitadoras de novas construções, no sentido do processo de construção do conhecimento. Esta impossibilidade de confluir o conceito deweyano de experiência com o que é proferido nos discursos educacionais atuais se deve, especialmente, à falta de fundamentação daquilo que se professa nos tempos de hoje.

Literatura, intercultura e formação docente: um entre- lugar a ser visitado

PID: S1984-64442009000300008 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Barcelos
Neste ensaio trago para reflexão algumas questões referentes à literatura como um território de formação docente. A literatura não apenas como técnica, mas um território de produção de conhecimento (BARCELOS, 2001). A leitura como um entre- lugar (BHABHA, 2003) de trocas interculturais. Como se estabelecem as relações entre a literatura e a educação em geral e, em particular, com a formação docente? Como a literatura pode contribuir para a construção do conhecimento em educação em geral e, em particular, para a formação docente levando em conta a produção do ser professor? É para designar esse papel da leitura que nos referimos a ela como algo semelhante ao que Bhabha denomina de um entre- lugar de acontecimento(s). No caso do profissional da educação, seria um entre- lugar de formação docente. Defendemos nesse texto que essa trama que se cria entorno do leitor/texto/escritor/sociedade é um entre- lugar de formação docente. Um entre- lugar, talvez, por muitos e muitas ainda por ser visitado. Por outro lado, para aqueles que já visitam ou visitaram há que lembrar o que ensina o poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz, para quem os livros são como cidades feitas de letras, e assim como mudam as cidades a cada visita, mudam, também, os livros a cada leitura.

Não é fita, é fato: ensões entre instrumento e objeto- um estudo sobre a utilização do cinema na educação

PID: S1984-64442009000200003 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Cipolini Moraes
Este trabalho aborda a relação entre a escola e os recursos audiovisuais utilizados por ela, destacando-se entre estes o cinema. A premissa é a de que mesmo as escolas estando cada vez mais equipadas, a inserção do cinema no cotidiano escolar, efetivamente, não se realiza. Com o avanço tecnológico e o aperfeiçoamento dos equipamentos audiovisuais, hoje, a grande maioria da população tem acesso às grandes produções cinematográficas através de fitas de videocassete e DVD. Tal crescimento parece ser ignorado pela educação escolar, e as administrações públicas divulgam largamente o fato de equiparem as escolas para a reprodução de filmes, mas sem uma preocupação paralela de formação e capacitação dos professores para tal empreendimento. Este trabalho também tece reflexões sobre a importância histórica da linguagem do cinema e de seu caráter de conhecimento historicamente acumulado a ser transmitido pela escola aos que a ela chegam. As hipóteses deste projeto - de que a linguagem do cinema, além de ser um instrumento pedagógico (recurso didático), também é um objeto de conhecimento que possibilita a percepção da realidade mais ampla, e de que os cursos de formação de professores não os preparam para uma adequada utilização deste recurso e para a apropriação desta linguagem - foram, durante a trajetória teórica e empírica, confirmadas, o que comprova que a escola ainda faz uma utilização fragmentada, inadequada e incipiente das novas linguagens, tecnologias e saberes; obtendo, conseqüentemente, resultados muito aquém dos que poderia atingir através de uma apropriação efetiva dessas linguagens, tecnologias e saberes.

O fazer-se professor de língua portuguesa: constituição de identidades

PID: S1984-64442009000100014 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Luz Westphalen
Esta pesquisa nasceu da vontade de conhecer um pouco mais sobre o ser e o fazer-se professor de língua portuguesa, em especial, dos egressos do curso de Letras da Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó). O projeto visou analisar o discurso do professor de língua portuguesa acerca de suas concepções teóricas e da relação disso com sua prática, observando como o educador tem constituído sua identidade e como tem se apropriado das mudanças didáticas e pedagógicas que norteiam o ensino da língua portuguesa. Foram sujeitos dessa pesquisa os egressos que se formaram em diferentes organizações curriculares, com diferentes habilitações e, por conseguinte, diferentes concepções teóricas e práticas, no curso de Letras da Unochapecó. Desse grupo de egressos foram selecionados 10 sujeitos para participarem de entrevistas semi- estruturadas, que serviram como instrumento de registro de experiências relativas à formação e as práticas docentes. Em seu dizer, os sujeitos marcam a importância do curso de graduação para a sua formação como professor de língua e enfatizam que o modo como optaram e se constituíram em sua profissão é influenciado pela instituição família e pelos conhecimentos teóricos e práticos estudados. No discurso, o professor marca sua plena identificação aos saberes advindos de sua formação e hoje os vê como fundamentais para sua constituição como professor de língua portuguesa.

O “espírito do comentário”: a idéia de educação e de cultura como demarcadores étnicos

PID: S1984-64442009000100009 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Bahia
Este trabalho investiga a memória dos ativistas de esquerda da comunidade judaica, sua participação na Associação Scholem Aleichem (ASA) e no Instituto Cultural Israelita Brasileiro² (ICIB), respectivamente localizados nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, e sua relação com os demais membros da comunidade no período de 1920 a 1960. Instituições de esquerda, fundadas por imigrantes judeus, fundamentais para instituir redes de sociabilidade judaica, tiveram forte papel político na sociedade nacional. Enfatizaremos a análise dos modos de construção da identidade judaica, reconstituindo a trajetória dos ativistas de esquerda entrevistados e seu cotidiano nas referidas associações, sobretudo no que tal trajetória oferece de material para a reflexão sobre as diferenciações internas na comunidade de origem e os modos de construção de sua identidade étnica nas idéias que possuem sobre “educação e cultura progressista” e sobretudo a importância da argumentação e do chamado “espírito do comentário”.

Palabras desoídas, palabras silenciadas, palabras traducidas: voces y silencios de niños bolivianos en escuelas de Buenos Aires

PID: S1984-64442009000100004 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Novaro
En este trabajo se presentan algunas reflexiones en torno a la forma en que transcurre la escolarización de niños provenientes de Bolivia en escuelas de Buenos Aires-Argentina. A propósito de múltiples situaciones registradas en una institución educativa de nivel primario, se avanza en torno a las siguientes cuestiones: las tensiones identitarias étnicas y nacionales que atraviesan a estos niños en contextos de aprendizaje, los cuestionamientos que realizan al discurso educativo humanista al contrastarlo con sus condiciones reales de vida, los sentidos de sus silencios y silenciamientos. Abordamos las representaciones de los docentes sobre las formas de habla y los saberes en contextos educativos interculturales, para detenernos en los múltiples sentidos de las palabras, silencios y saberes que despliegan estos niños y los adultos en situaciones cotidianas de interacción y de aprendizaje formal. Hacemos referencia a ciertos mandatos y presupuestos del paradigma educativo hegemónico vinculados a los estilos comunicativos que se imponen como comunes y su relación con aquellos asociados a diversos grupos que concurren a las escuelas de Buenos Aires. El trabajo avanza a partir del análisis de material documental y de los registros etnográficos realizados en una escuela de la zona sur de la Ciudad de Buenos Aires durante los años 2005, 2006 y 2007.

Percepções sobre fumo passivo: um olhar sobre o ensino de ciências e seu comprometimento na construção da cidadania para a saúde e qualidade de vida

PID: S1984-64442009000200012 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Rocha Salla Figueira Machado Palma Sassi Salla Prá
Este estudo analisou as percepções acerca do Fumo Passivo entre estudantes de Ensino Fundamental de uma escola pública de Santa Maria (RS) com o objetivo de mensurar os conhecimentos sobre este tipo de poluição e sobre suas implicações na saúde e qualidade de vida da população. A amostra constou de 298 alunos das 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries com idades variando entre 10 e 15 anos. O instrumento utilizado para coleta de dados foi o questionário semiestruturado. A metodologia utilizada para o tratamento dos dados foi a Análise de Conteúdo. Os resultados demonstraram que a maioria dos estudantes (78,18%) associa o termo “Fumo Passivo” aos binômios saúde/doença e vida/ morte; 57,71% dos estudantes associam o termo ao cigarro e fumaça; porém, os dados apreendidos apontam que as percepções acerca do tema são desencontradas e mal definidas, fato este que requer maiores investigações. O entendimento da nocividade do Fumo Passivo para o sistema biológico requer da Educação em Ciências alternativas no ensino que abarquem os efeitos tóxicos do mesmo sobre as células e tecidos. Dada a relevância do Fumo Passivo enquanto agente causador de doenças, é importante que se conheçam as percepções prévias com o intuito de contribuir na implementação de políticas socioeducativas, as quais coíbam esse tipo de poluição ambiental. É nesse sentido que a Educação em Ciências pode contribuir para que os alunos construam uma cidadania voltada para a saúde e para a qualidade de vida.

Políticas públicas e educação para indígenas e sobre indígenas

PID: S1984-64442009000100007 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Tassinari Gobbi
No Brasil, o sistema de ensino passou por uma ampla reformulação decorrente da promulgação da Constituição Federal, em 1988, e da conseqüente aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996. A legislação brasileira reconhece os saberes indígenas e prevê sua inclusão nos currículos do ensino público e privado, como forma de valorizar a diversidade cultural. Em relação às escolas indígenas, estabelece que devem utilizar as línguas maternas e os processos nativos de aprendizagem e propõe a formulação de currículos diferenciados. Este artigo traz um balanço das conseqüências e desafios das mudanças ocorridas na legislação brasileira no que se refere ao tratamento dos conhecimentos indígenas nas escolas indígenas e não-indígenas, evidenciando os principais descompassos entre o que postula a legislação e o que vem sendo colocado em prática.

Reaprendendo a ser chinês: o “processo civilizador” de um país em transformação

PID: S1984-64442009000100008 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Pinheiro-Machado
Neste artigo, discutem-se as transformações recentes da sociedade chinesa acarretadas pela abertura econômica da era pós-Mao. Argumenta-se, a la Nobert Elias, que a China vive o seu “processo civilizador” no momento em que novos valores e práticas são introduzidos a partir da sua inserção nos fluxos da globalização e em uma economia de mercado capitalista. Inúmeras esferas da vida social são afetadas, trazendo profundas conseqüências na subjetividade dos indivíduos, o que vai provocar uma ressignificação das concepções culturais acerca do corpo e do comportamento, bem como um processo de fiscalização interna e externa sobre os mesmos. A análise está baseada em trabalho de campo realizado na China, Província de Guangdong, entre 2006-2007.

Reconstruindo o ensino de Ciências nas séries iniciais por meio da Educação Continuada dos professores

PID: S1984-64442009000200009 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Fagundes Lima
Este artigo apresenta o relato de uma investigação, cujo objetivo foi conhecer o enfoque dado ao ensino de Ciências nas séries iniciais do Ensino Fundamental, bem como compreender as contribuições da participação de professores em grupos de estudo para a transformação da prática docente em aulas de Ciências. Acredita-se que o papel dos professores é o de proporcionar aos seus alunos oportunidades para construção/reconstrução de conhecimentos. Para tanto, há necessidade de o professor manter-se em constante formação. O estudo foi realizado com as professoras de séries iniciais (de 1ª a 4ª) de uma escola do interior do estado do Rio Grande do Sul (RS) no período de 2006/ 2007. A metodologia utilizada nesta pesquisa tem caráter qualitativo, sendo a coleta de dados efetuada em ambiente natural, a escola. Pela análise textual discursiva (MORAES; GALIAZZI, 2007) sobre os dados coletados, concluiu-se que grupos de estudo podem contribuir para a transformação e o desenvolvimento do fazer pedagógico dos professores, em especial no que se refere às aulas de Ciências, refletindo também na aprendizagem do aluno, ou seja, na construção de seu conhecimento. Observou-se o crescimento do grupo no decorrer dos encontros, não só pela preocupação das professoras em mudar suas aulas, mas também, na tomada das decisões necessárias para que tal se efetivasse.

Relações étnico-raciais e de gênero na escola e no espaço acadêmico: experiências de jovens negras da Universidade de Brasília

PID: S1984-64442009000100006 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Weller Ferreira Meira
O presente artigo apresenta experiências vividas por quatro universitárias que ingressaram pelo sistema de cotas nos cursos de Engenharia Elétrica, Medicina, Pedagogia e Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB). A escolha de tais cursos se deve à possibilidade de refletir sobre como distintos contextos, com diferentes reguladores situacionais, podem trabalhar na organização das representações de gênero e étnico-raciais das alunas e provocar estratégias diferenciadas no que diz respeito ao enfrentamento do preconceito e da discriminação, tendo em vista o processo relacional de construção de identidades. Nosso interesse não é propiciar uma generalização, mas obter insights sobre as representações raciais e de gênero por meio de um diálogo que procure perceber significados atribuídos pelos sujeitos às situações de interação na vida escolar e acadêmica e problematizar os mecanismos que operam na constituição dessas significações.

Representações dos professores sobre indisciplina escolar

PID: S1984-64442009000200006 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Garcia
Neste artigo analisamos um conjunto de representações dos professores sobre indisciplina escolar, bem como suas implicações para as práticas pedagógicas particularmente relacionadas ao enfrentamento da indisciplina em sala de aula. Inicialmente exploramos três representações dos professores em relação à gênese da indisciplina. A primeira representação considerada atribui destaque ao aluno como sujeito singular na produção da indisciplina e sobre o qual vai estar centrada a intervenção pedagógica. A segunda representação atribui a gênese da indisciplina ao contexto próprio das relações entre os sujeitos em sala de aula. A terceira representação sugere que a indisciplina seria algo socialmente construído nas escolas, e estaria intrinsecamente relacionada à natureza e função social da escola, bem como imbricada em sua cultura institucional. Essa terceira representação se distancia das anteriores e fornece um entendimento da indisciplina como mensagem cultural. Na segunda parte do artigo analisamos um conjunto de implicações das representações dos professores em relação a suas práticas pedagógicas. Ao final do texto, apresentamos considerações que destacam algumas questões que nos parecem centrais no estudo das representações dos professores sobre a indisciplina escolar em relação aos papéis que estes supostamente deveriam exercer em cenários de indisciplina.

Representações sobre relações raciais na sala de aula: o negro no cotidiano escolar

PID: S1984-64442009000200007 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Coelho Costa
Este trabalho apresenta alguns resultados preliminares de uma pesquisa a qual investiga as representações sobre raça, cor, diferença, preconceito e discriminação racial dos agentes escolares (professores, técnicos e alunos) no cotidiano das aulas de História, Português e Artes das turmas de 5ª e 6ª série de uma escola de Belém (Pará), de modo a entender o lugar que o negro assume na prática pedagógica escolar, tendo em vista a obrigatoriedade do trato com a questão racial a partir do imperativo da Lei n. 10.639/2003. Por meio do aporte teórico-metodológico em Pierre Bourdieu e Roger Chartier, analisaram-se as representações colhidas por intermédio de observações não- participantes realizadas nas turmas de 5ª e 6ª séries de uma escola da rede privada de ensino. Constatou-se o quase total desconhecimento dos professores com relação à Lei n. 10.639/2003 e a questão étnico-racial no Brasil, o que traz como resultado a reprodução de representações que ratificam preconceitos e discriminações raciais e que, por sua vez, serão internalizadas e também reproduzidas pelos alunos. Nossa reflexão prima, então, pela formação de professores para a compreensão do problema e sua subversão.

Significado e sentido da atividade de brincadeira para professoras de educação infantil

PID: S1984-64442009000200004 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Iza Mello
Nesse artigo discutimos a importância da professora de Educação Infantil ter clareza do significado e do sentido de trabalhar as atividades de brincadeira com as crianças de zero a seis anos. Este trabalho é parte de uma tese de doutorado, em que um dos objetivos foi revelar os significados e sentidos das atividades de brincadeiras atribuídos por professoras de Educação Infantil. Parte da metodologia utilizada na pesquisa envolveu entrevista com cinco professoras de Educação Infantil que participaram de um curso de extensão sobre o tema e, ainda, filmagens de suas rotinas e atividades com as crianças. Os resultados indicaram que os significados e sentidos atribuídos por essas professoras em propor atividades de brincadeiras para as crianças relacionam-se à compreensão dessa atividade como geradora das aprendizagens para essa faixa etária e, por isso, elas precisam ser desenvolvida de forma prazerosa. As modificações no trabalho pedagógico com as crianças são atribuídas aos cursos realizados, uma vez que os professores trocam experiências, discutem problemas, sugerem soluções e ampliam as possibilidades do seu trabalho com as crianças, o que pode significar a melhoria da qualidade na Educação Infantil. Daí a importância das políticas públicas investirem em ações de formação continuada de professoras de Educação Infantil em parceria com a universidade, de modo que as professoras desse nível de ensino possam ampliar suas concepções sobre o brincar e sentir-se seguras em propor e incentivar as brincadeiras entre as crianças.

Yoga, imaginário e teorias espiritualistas da educação: um estudo de caso

PID: S1984-64442009000300006 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Gelain Ormezzano
O artigo trata de uma pesquisa qualitativa, com base nas teorias espiritualistas e do imaginário, tendo como objetivo investigar o significado da prática do yoga com seis educadoras da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de uma cidade do noroeste do Rio Grande do Sul. Para a coleta de informações foi realizada uma oficina de educação estética composta de sete encontros e centrada na prática de koshas; após, aplicou-se a entrevista iconográfica grupal respondida através de desenhos e, para sua interpretação, a Leitura Transtextual Singular de Imagens (LTSI) desenvolvida por Ormezzano (2001). Os achados revelaram que o yoga despertou nos participantes a necessidade de ressignificação pessoal e maior familiaridade com a dimensão espiritual. A filosofia de vida do yoga com as educadoras pôde ser entendida como diretriz ousada, porém pertinente à efetivação de um processo que desenvolva essas profissionais em suas múltiplas dimensões, para que, assim, vivam de forma mais harmônica e equilibrada e tenham maior bem-estar.

Ética e educação: reflexões acerca da docência

PID: S1984-64442009000300010 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Fensterseifer
O presente texto tematiza os vínculos entre o campo da ética e da educação, em especial no que tange ao exercício da docência. O faz dentro de um posicionamento que reconhece a necessidade de um referencial ético-moral para configurar o mundo humano, considerando, porém, o caráter histórico deste referencial. A posição implica a necessidade de tomarmos decisões diante das novas configurações que se apresentam na contemporaneidade, levando o campo educacional a assumir destacada relevância, desde que permita o exercício da crítica nos limites do caráter republicano da escola.

“Ser professor nos dias de hoje... Formar professores num mundo em mudança”

PID: S1984-64442009000200002 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Leite
Como o título indicia, o texto põe em evidência papéis que têm sido atribuídos e que são devidos aos professores para, em função deles e do reconhecimento da ampliação da complexidade que atravessa a educação escolar, perspectivar aspectos a ter em conta na formação de professores. São, pois, objectivos do texto: equacionar saberes e competências necessários no exercício do trabalho docente; perspectivar componentes e procedimentos de formação de professores. Tendo por referência estes objectivos, o texto, partindo dos papéis que têm sido atribuídos à escola e aos professores nestas últimas quatro décadas em Portugal, constrói uma reflexão sobre o que significa, hoje, ser professor/a bem como sobre aspectos a contemplar na formação de professores.

“Vestida de prenda”: sobre as significações da pedagogia tradicionalista das pilchas

PID: S1984-64442009000100010 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2009
Autores: Brum
Apresentam-se, neste texto, algumas reflexões sobre o gauchismo no Rio Grande do Sul, analisando os significados que o ser tradicionalista adquire nas falas de alguns jovens que participam do Movimento Tradicionalista Gaúcho em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Desejam-se destacar algumas dimensões pedagógicas e educacionais no universo tradicionalista, abordando o “prendado” e os estereótipos de feminilidade contidos no vestido de prenda. Estas percepções afloraram de um conjunto de trabalhos de campo, baseados na observação participante, em diferentes espaços educacionais, em que se tenta efetuar uma descrição densa das “teias de significados” (GEERTZ, 1989, p. 17) do ser tradicionalista na atualidade.
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