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Política pública e educação integral no Brasil: do nacional-desenvolvimentismo ao neodesenvolvimentismo

PID: S2177-60592018000401027 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Santos Gonçalves Paludo
Resumo: Evidenciar as contradições das principais políticas de educação integral na escola pública de Educação Básica e problematizar suas relações com o desenvolvimento do capitalismo no Brasil foram os objetivos centrais neste estudo. Para tanto, realizamos a análise sobre as intencionalidades das políticas de educação integral dos últimos anos, respaldada por pesquisa bibliográfica sobre a história da educação integral nas políticas educacionais brasileiras, em diálogo com autores como Falleiros, Pronko e Oliveira (2010), Shiroma, Moraes e Evangelista (2000), Frigotto (2000) e Cavaliere (2010). Com a intencionalidade de analisar as concepções de educação integral no chamado modelo neodesenvolvimentista, recorremos à primeira versão do Programa Mais Educação que, lançada em 2007, vigorou até 2016. Os estudos efetivados permitem analisar a política de educação integral no Brasil como um instrumento que cumpre papéis distintos em cada período histórico, mas que tem se efetivado na relação com os objetivos apresentados pelas diferentes formas de sociabilidade capitalista, distanciando-se radicalmente dos referenciais históricos, teóricos e práticos que sustentam a educação integral na perspectiva anticapitalista e da emancipação humana.

Políticas curriculares para o Ensino Médio nas escolas do campo no Brasil

PID: S2177-60592018000200755 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Bresolin Bukowski Silva
Resumo: Neste estudo aborda-se uma reflexão de caráter empírico sobre as orientações legais e propostas educacionais para o Ensino Médio do Campo, considerando as políticas públicas que fazem parte do quadro governamental atual. Procurou-se elencar como foco analítico da pesquisa as teorizações sobre a constituição do conhecimento escolar na referida etapa da Educação Básica. Com base nas dimensões atuais que vêm caracterizando o Ensino Médio, em aproximação à Educação do Campo, compomos um diagnóstico sobre os princípios e fundamentos que norteiam o processo pedagógico e conduzem o sistema escolar no âmbito em questão. Para tanto, decidimos descrever, examinar e problematizar as concepções de conhecimento escolar em documentos de caráter nacional, a fim de verificar os sentidos e as tendências que influenciam os rumos do processo de decisão curricular nas escolas. A presente investigação revelou que, mesmo considerando os avanços que promoveram melhorias no Ensino Médio do Campo, as estratégias para a democratização e a qualificação do ensino são limitadas e insuficientes, já que as teorizações dos Estudos Curriculares indicam para uma educação comprometida com o conhecimento escolar e a consequente possibilidade de os estudantes intervirem no mundo de forma qualificada e crítica.

Políticas de formação de professores no Brasil: desdobramentos e interlocução com diretrizes dos organismos internacionais

PID: S2177-60592018000100006 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Corte Sarturi Nunes
Resumo: No texto analisam-se as políticas de formação dos professores no Bra sil em seus desdobramentos e recomendações de organismos internacionais. O artigo é fruto de pesquisa bibliográfica e documental, à luz de marcos teóricos e legais que subsidiam reflexões acerca das prioridades, orientações e programas de governo subjacentes à formação de professores. Entre os principais resultados, destacam-se: as reformas educacionais observam as recomendações dos organis mos internacionais; as políticas educativas atuais reafirmam a centralidade da for mação para o/no exercício da docência; os programas de formação estão relacio nados à natureza das funções docentes; e as instituições formadoras atuam como mecanismos para atender às demandas de processos produtivos e performativos oriundos da lógica global.

Políticas públicas para a educação infantil no Brasil: desafios à consolidação do direito no contexto emergente da nova filantropia

PID: S2177-60592018000100008 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Flores Peroni
Resumo: No texto analisam-se avanços e tensões no campo das políticas públicas educacionais no sentido da efetivação do direito à educação infantil no Brasil. A ava liação da trajetória dessa etapa educacional de 1996 até os dias atuais evidencia a consolidação de um conjunto normativo regulador que não garantiu acesso e quali dade para todos. Argumentamos que a concepção de educação infantil presente nos dispositivos legais ainda não se materializou plenamente em políticas públicas garan tidoras desse direito educacional, estando, de fato, fortemente ameaçada por modelos privatistas caracterizados como uma nova filantropia, constituída de investidores so ciais privados organizados em institutos e fundações que defendem investimentos na primeira infância com argumentos economicistas.

Políticas públicas para formação de tecnólogos no Brasil

PID: S2177-60592018000300177 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Afonso Gonzalez
Resumo: Neste estudo analisaram-se as políticas públicas educacionais voltadas para os Cursos Superiores de Tecnologia (CSTs) desde o início da sua oferta, na década de 1960, identificando, entre outros aspectos, as concepções de educação adotadas nesse período de estudo e os enfrentamentos das instituições públicas de educação profissional a essas políticas. São consideradas as contribuições de Marisa Brandão, Acácia Kuenzer e Neise Deluiz para efetuar uma análise a partir de pesquisa documental que identificou o surgimento dos cursos de graduação de curta duração e traçou a concepção inicial dos CSTs, seguindo com as políticas nacionais criadas a partir da década de 1990 até o segundo Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). Os resultados obtidos revelaram algumas constatações, dentre as quais se destacam: em todo o período compreendido nesta pesquisa o modelo legal proposto para os CSTs promovia uma educação voltada para o mercado de trabalho; a retomada da oferta dos CSTs pelos Governos FHC sinaliza um modelo de política pública que parecia trazer a execução antes do planejamento, o que ocasionou alguns efeitos desastrosos, como baixa aceitação dos profissionais formados e dificuldade para continuidade dos estudos acadêmicos em nível de pós-graduação e para ocupação das suas funções profissionais de trabalho, uma vez que a oferta dos cursos ocorreu antes mesmo da sua completa regulação.

Processos de auto(trans)formação permanente com educadores: possibilidades de reinvenção da pedagogia popular na escola pública

PID: S2177-60592018000300273 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Henz Signor
Resumo: Neste artigo apresentam-se reflexões de uma pesquisa qualitativa, fruto de uma dissertação de mestrado em que se propôs estudar e compreender a auto(trans)formação permanente de professores e estudantes pelo entrelaçamento da práxis educativa escolar com a pedagogia popular. Foram abordados os conceitos de formação permanente (FREIRE, 2011a), formação docente (IMBERNÓN, 2011) e auto(trans)formação permanente (HENZ; FREITAS, 2015a, 2015b). O trabalho traz as contribuições da pedagogia popular de Freire (2011a) como uma possibilidade para a escola pública e uma educação mais significativa para educandos e educadores. A abordagem metodológica escolhida foi embasada nos Círculos Dialógicos Investigativo-formativos (HENZ, 2014, 2015; HENZ; FREITAS, 2015a), que privilegiam espaços de diálogo e auto(trans)formação docente com ênfase e proximidade no cotidiano dos estudantes e da comunidade. A metodologia caracteriza-se como pesquisa- participante (BRANDÃO, 2001), realizada por meio de Círculos Dialógicos Investigativo-formativos com o coletivo de educadoras de uma escola pública de Barra Funda, RS. A análise mostrou que o diálogo tem muito a contribuir para os momentos de auto(trans)formação com as educadoras, coautoras da pesquisa, a partir de temáticas cotidianas e inquietantes que emergiram dos Círculos, abrindo a possibilidade de auto(trans)formação para que os docentes e a própria escola pública construam uma educação mais problematizadora, dialógica e humana.

Qualidade da educação superior e a responsabilidade social

PID: S2177-60592018000100297 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Menegat Marco Sarmento
Resumo: As reflexões ora apresentadas são decorrentes de uma pesquisa teórica em andamento, cuja temática focaliza a educação de qualidade vista sob a perspectiva dos seus fundamentos e modos de efetivação nos contextos educacionais. Faz um recorte sobre a qualidade da Educação Superior, avaliada por meio do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), refletindo sobre a Responsabilidade So cial enquanto uma das 10 dimensões analisadas nesse Sistema. Com base na revisão de literatura, os achados do estudo sinalizam para a Responsabilidade Social como um componente essencial no processo formativo dos acadêmicos, para o cumprimento da tríplice missão universitária do ensino, da pesquisa e da extensão e para a efetivação da própria função social das Instituições de Ensino Superior.

Reflexões sobre educação, alteridade e violência a partir da concepção de constituição subjetiva em Levinas

PID: S2177-60592018000200509 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Carbonara
Resumo: Neste artigo se propõe explorar a concepção levinasiana de constituição da subjetividade na perspectiva de um pensamento contemporâneo em superação às filosofias da consciência da modernidade. Nesse percurso de exploração da subjetividade constituinte, ganha especial atenção o tema da sensibilidade, ao qual Emmanuel Levinas associa o despertar ético da humanidade. Ao longo do texto especula-se uma possível explicação descritiva para a manifestação da violência nas primeiras manifestações da formação do Eu, ainda anterior à sua plena constituição subjetiva. O argumento para tal é de que o Eu que se ocupa do mundo como posse e satisfação não está ainda em condições de perceber a presença de Outrem como alteridade, mas toma-o como ameaça à sua manutenção no mundo. Para derivar uma reflexão educacional sobre alteridade e violência analisa-se, em especial, o potencial do conceito levinasiano de sensibilidade, associado às concepções de acolhimento e Rosto.

Relações entre cultura organizacional e trabalho docente no Instituto Federal do Rio Grande do Norte

PID: S2177-60592018000300241 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Medeiros Torres
Resumo: No presente estudo objetivou-se analisar as relações entre os construtos Cultura Organizacional e Trabalho Docente no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), mediante a proposta de expansão da educação profissional no Brasil. Para tanto, recorreu-se à construção de um modelo teórico apoiado, principalmente, nas discussões de Torres (2004) sobre cultura escolar, cultura organizacional escolar e cultura organizacional de escola e nas discussões de Mancebo (2007) sobre precarização, intensificação, flexibilização, descentralização e avaliação do trabalho docente. Recorreu-se ao método do estudo de caso, que adotou o IFRN como campo de observação. Para o levantamento dos dados foi administrado um inquérito por meio de questionário a 213 professores. Os resultados obtidos sugerem como destaque, entre as variáveis de cultura organizacional, aquela voltada para os valores e normas organizacionais, sendo esta a principal variável a influenciar na realização do trabalho do professor, com ênfase para a sua (in)satisfação com a remuneração recebida, para a precarização das condições de trabalho e a intensificação do trabalho docente.

Revisitando propostas e iniciativas de organização do ensino em ciclos: um debate atual e necessário

PID: S2177-60592018000300131 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Alavarse Arcas Machado
Resumo: Neste artigo recuperam-se e analisam-se propostas e iniciativas de organização do ensino fundamental em ciclos das redes municipais de Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo implantadas na primeira metade dos anos 1990 e que serviram de referência para outras redes de ensino, principalmente após a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). No contexto de políticas de educação que têm preconizado sua qualidade como expressas nos resultados de avaliações externas em larga escala, considera-se necessário recuperar iniciativas que, sem necessariamente recusar a utilização desses resultados, buscaram alterar a organização curricular do ensino fundamental com vistas à ampliação da qualidade na perspectiva de sua democratização.

Semeando entusiasmos: a Reforma Orestes Guimarães em Santa Catarina (1910-1918)

PID: S2177-60592018000200707 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Denardi Teive
Resumo: Neste estudo teve-se como foco compreender a Reforma Orestes Guimarães em Santa Catarina efetivada nos anos 1910 até 1918. Para tanto, privilegiou-se como fonte os artigos do professor paranaense Raul Rodrigues Gomes publicados no jornal curitibano Diário da Tarde, em 1921, sobre a Reforma catarinense, analisando-os em uma interlocução, e por meio da metodologia de entrecruzamento de fontes, com os estudos da pesquisadora Gladys Mary Ghizoni Teive. Profundo admirador de Orestes de Oliveira Guimarães e de seus feitos no que tange à utilização da Pedagogia Moderna, Raul Gomes trouxe à tona, por intermédio de seus escritos, fatos e possibilidades de compreender a Reforma que elevou o Estado de Santa Catarina ao nível de modernização tão almejado e propagado pelos governantes e intelectuais no início do século XX, principalmente referente à criação dos Grupos Escolares e à remodelação das demais instituições escolares.

Sombras de violência: premissas ocultas em epistemologias

PID: S2177-60592018000200527 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Strieder Lago
Resumo: Existe algo desconcertante na trajetória humana, pois mesmo desejando o bem e a felicidade, toleramos e conservamos atitudes de violência. Historicamente a violência gerou graus significativos de dor e sofrimento. Em sua breve história, o ser humano foi e é capaz das mais terríveis atrocidades e deixa expresso, nessa história, um rastro indelével de maldade e sofrimento. O ser humano contemporâneo, no seio da civilização, vive cercado de ambiguidades, paradoxos e desigualdades que expressam e renovam formas de violência. Reencontramo-nos com horrores, angústias e desesperanças de antes e as elasticamos para o amanhã. Diante desses cenários, radicados em violências de múltiplos matizes, o horizonte do trabalho é lançar luzes refletindo sobre a epistemologia em meio às emergências de diferentes emocionalidades e racionalidades. Assim, diante das inflexões da complexidade da condição humana, perguntamos: como violência e epistemologia estão articuladas e como uma dimensão epistemológica pode constituir-se para além de ser expressão violenta e da violência? Acenam-se com diferentes possibilidades de refletir, discutir e lidar com uma das inglórias faces da dimensão humana: a capacidade de exercitar e exercitar-se em violência no âmbito do conhecer. Concluímos que a profanação das epistemologias que fazem pervagar violências, para restaurar um ser humano qualquer, sem essência ou destino a galgar, numa comunidade que vem, vacilante entre a singularidade e o universal, é uma tarefa da formação que vem, ancorada em um conhecer para além da fragmentação e dos mecanismos sistemáticos.

Violencia política, derechos humanos y educación

PID: S2177-60592018000200583 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Sgró
Resumo: O presente trabalho visa refletir sobre a responsabilidade, mas também acerca das condições que os sistemas de ensino têm em relação à cultura política. Trata-se sobretudo da cultura política contemporânea, cuja característica central parece ser a de subestimar os princípios elementares das democracias. Procuraremos justificar a hipótese de que a crítica à educação, especialmente a educação sistemática, deriva de exigir da escola, em todos os níveis, a formação de um cidadão capaz de pensar e agir contra as correntes culturais predominantes na sociedade, seja no campo da formação da autonomia do indivíduo, seja na responsabilidade coletiva da participação social do cidadão. Para delimitar a análise, vamos nos concentrar na complexa relação entre educação, violência política e direitos humanos.

Violência da positividade e educação: da cultura do tédio à promoção da cultura do sentido

PID: S2177-60592018000200411 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Fávero
Resumo: Violência é um dos temas recorrentes, não apenas no campo da educação e da filosofia, mas de diversas áreas de estudo, como saúde, antropologia, sociologia, direito, biologia, psicologia, e a lista poderia ser imensa. A violência é algo presente, cotidiano, que invade nossa vida pessoal e coletiva das mais diversas formas. No presente ensaio, tomo emprestado a ideia de violência da positividade do filósofo Byung-Chul Han (2016) para especular sobre violência e educação analisando a tensão entre cultura do tédio e cultura do sentido. O escopo do artigo é apresentar, a partir dos estudos de La Taille (2009), Bauman (1998) e Han (2016), algumas reflexões sobre a presença da cultura do tédio no cenário educacional e de que forma tal cultura pode se apresentar como violência da positividade (primeira parte do ensaio); na segunda parte apresento a ideia de cultura do sentido como um indicativo educacional promissor para enfrentar a violência da positividade; por fim, na terceira parte apresento alguns indicativos para enfrentar a cultura do tédio e com isso minimizar os efeitos da violência da positividade.

Violência sistêmica e educação

PID: S2177-60592018000200385 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Goergen
Resumo: Com este artigo questiono se a educação, quando atrelada ao sistema econômico neoliberal, se torna ou não corresponsável pela disseminação sistêmica da violência. Assumo a tese de que a educação, enquanto processo de integração dos indivíduos nesse sistema, está atrelada à ideia de preparo dos jovens não só para o mundo violento, mas também à habilitação para o manejo e o exercício da violência como estratégia de sobrevivência e afirmação pessoal. A urgência está em defender a tarefa formativa, humanista da educação, ao mesmo tempo em que necessita preparar as novas gerações para o mundo real, com todos os traços anti-humanistas que lhe são inerentes. De início, faço observações sobre violência com base em alguns autores clássicos; a seguir, comento o tema na perspectiva da relação entre as pessoas e os sistemas econômicos, destacando o domínio da lógica do capital sobre todas as relações sociais e esferas da vida. Concluindo, tento mostrar que esse tema se encontra no centro das preocupações e debates a respeito dos caminhos da educação no contexto da realidade econômica regida pelos princípios político-econômicos do neoliberalismo.

Violência, estética e educação: o caso do jovem Törless

PID: S2177-60592018000200471 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Hermann
Resumo: O artigo discute a possibilidade da estética iluminar a ética na educação, interpretando a violência no processo formativo, a partir do Bildungsroman O Jovem Törless (1906), de Robert Musil. A consideração do sensível (aisthesis) para mobilizar os afetos e as emoções é uma estratégia que articula a complementaridade entre o saber filosófico (ética) e aquele que provém da literatura e das artes em geral (estética). O Jovem Törless aborda a violência no processo educativo, provocando a emoção que vincula o ético no estético e, assim, expõe como se preparam as mentalidades autoritárias. Por fim, o texto conclui que a criação poética de Musil expõe o avesso da educação, uma vez que a ordem da instituição educacional é subvertida pela desordem violenta que, trabalhada no processo interno dos sentimentos, provoca o próprio da estética: “emoção extrema”.

Violência, razão e cultura de paz

PID: S2177-60592018000200605 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2018
Autores: Nodari
Resumo: O objetivo com este artigo foi refletir sobre a violência e a cultura da paz. Na primeira seção, à luz do pensamento de Eric Weil, trata-se de mostrar que o ser humano, como ser livre e racional, tem a responsabilidade de escolher entre a razão e a violência, considerando, no entanto, que tão somente a escolha pela razão estaria de acordo com o rumo de uma vida humana, de fato, livre e feliz. Na segunda seção, iluminados e inspirados pelas mensagens papais para a paz mundial por ocasião do primeiro dia de cada ano, iniciando com o Papa Paulo VI (1968) até nossos dias atuais com o Papa Francisco (2018), apresentam-se algumas proposições com o intento de oferecer possíveis pistas e caminhos de reflexão para o desenvolvimento progressivo de uma cultura de paz e de não violência.

(Con/di)vergências das áreas de conhecimento na pedagogia universitária das licenciaturas

PID: S2177-60592017000100065 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2017
Autores: Scremin Stahl Isaia
Resumo: Com este trabalho objetivou-se investigar as influências das áreas específi cas de conhecimento dos professores de uma Instituição de Ensino Superior (IES) pú blica nos movimentos da docência universitária e discutir potenciais indicadores que caracterizam uma Pedagogia Universitária das licenciaturas nas áreas de Ciências Hu manas (CH) e Linguística, Letras e Artes (LLA). O trabalho foi realizado a partir das narrativas de 13 docentes. A pesquisa é qualitativa, de cunho narrativo (CONNELLY; CLANDININ, 1995; MCEVAN, 1998), e os achados foram submetidos à Análise Textual Discursiva (MORAES; GALIAZZI, 2007). Concluiu-se que as licenciaturas possuem aspectos convergentes e divergentes que evidenciam que pedagogias espe cíficas podem ser configuradas com estratégias formativas próprias para a docência.

A exploração de brinquedos por crianças em experiências lúdicas na educação infantil

PID: S2177-60592017000300613 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2017
Autores: Nicolielo Sommerhalder
Resumo: Neste estudo objetivou-se compreender o modo como o brinquedo foi ex plorado por crianças da educação infantil em momentos de brincadeira livre em sala, e que funções foram atribuídas para esse objeto lúdico. Por meio da abordagem quali tativa, procedeu-se observação participante com 13 diários de campo, com discussão à luz de aporte teórico. Entre os resultados, verificou-se que o brinquedo, tanto o industrializado quanto o objeto transformado em brinquedo, fez-se consideravelmen te presente nas brincadeiras, oportunizando o enriquecimento das experiências pelas crianças. Destacou-se necessária a qualificação da mediação docente no que se refere às manifestações de estereótipos de gênero em brincadeiras, a oferta de outros am bientes para brincar e a atenção pedagógica na disponibilização dos objetos lúdicos, a fim de contribuir para os processos de criação, exploração e enriquecimento das experiências das crianças.

A internacionalização do ensino superior: um desafio para as universidades

PID: S2177-60592017000300477 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2017
Autores: Zanchet Selbach Vighi
Resumo: O interesse em compreender como as universidades vêm se movimentando na implantação do processo da internacionalização provocou a pesquisa em que se buscou compreender as concepções e ações presentes nos movimentos de duas uni versidades do Extremo-Sul do País. Procuramos evidenciar as aproximações e os dis tanciamentos entre elas a partir dos discursos sobre a implementação desse processo. Por meio da análise dos dados oriundos de seis entrevistas com gestores, percebemos que a concepção de internacionalização passa pela perspectiva dos acordos nacionais e internacionais, incluindo a participação de alunos em programas de mobilidade estu dantil com expressivo interesse dos gestores em relação ao significado desse processo mais amplo de internacionalização no contexto do ensino superior. Houve destaque ao estabelecimento de cooperação no contexto “sulino” e ao desenvolvimento regional como resultado da internacionalização. Concluímos que a compreensão dessa complexa temática é frágil no contexto das universidades pesquisadas e que há forte in dício da necessidade de potencializar mais ações no sentido da internacionalização.
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