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Novos nomes, velhas práticas: o que há de diferente no Novo Mais Educação?

PID: S2177-60592021000106002 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Prado Passos Souza
Resumo: A presente reflexão é fruto de estudos conjuntos desenvolvidos por dois grupos de pesquisa, da região Nordeste e Norte, respectivamente, e teve como objetivo analisar o que há de inovação no discurso oficial do Programa Novo Mais Educação (PNME), instituído por meio da Portaria Interministerial nº 1.144, de 10 de outubro de 2016, em substituição ao Programa Mais Educação. A abordagem metodológica adotada é de cunho qualitativo, desenvolvida por meio dos procedimentos da revisão bibliográfica e análise documental. Os trabalhos Cavaliere (2009), Dutra e Moll (2018), Moll (2012), Passos (2020), entre outros, deram suporte teórico à análise. Embora a proposta do “novo” programa seja melhorar a aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática no ensino fundamental com a ampliação da jornada escolar de crianças e adolescentes, mediante a complementação da carga horária com 5 ou 15 horas semanais, no turno e contraturno, as pesquisas já desenvolvidas no Brasil demonstram que a concepção de gestão adotada pelo PNME é de cunho gerencialista e está ancorada nas reformas que se encontram em curso no país desde a década de 1990, instalando nas escolas de educação básica a cultura da avaliação em larga escala cujos resultados assumem o epicentro dos debates.

O desenho como expressão das crianças: a experiência de ser criança e de ser aluno

PID: S2177-60592021000107014 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Becker Junior Voos
Resumo: O presente artigo tem como objetivo compreender como, na relação entre ser criança e ser aluno, a infância expressa as suas vivências na escola. Em função do objetivo delineado, utilizou-se como metodologia a pesquisa etnográfica envolvendo cinquenta e uma crianças de uma turma do primeiro ano do ensino fundamental de uma escola pública do município de Joinville, no Estado de Santa Catarina, em 2018. A aproximação dos pesquisadores com a realidade da escola pesquisada possibilitou conhecer e interpretar o “ponto de vista” das crianças, ficando em evidência que elas distinguem a escola como um lugar com diferentes fazeres, porém, elas desejam ser crianças, num exercício constante de não-submissão.

O empoderamento docente e a aproximação entre a Universidade e a Escola: alguns desafios

PID: S2177-60592021000103008 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Pereira Nogueira Jorge
Resumo: Neste artigo, considerando o atual contexto sócio-político brasileiro, trazemos à tona temas como o empoderamento docente e a aproximação entre a Universidade e a Escola, enquanto desafios enfrentados no decorrer da formação inicial de professores de Matemática. Desse modo, ponderamos que o empoderamento docente evidencia possibilidades de uma possível autonomia em relação ao profissional professor (técnico, reflexivo e intelectual crítico). Quanto a aproximação entre a Universidade e a Escola, traremos as perspectivas de parceria na formação de professores, são elas: dirigida, oficial e colaborativa. Com essa compreensão, procuramos aproximar os contextos de formação à realidade do professor, buscando possibilidades reais de investigação, a partir da visão de unidade entre teoria e prática, pesquisa e formação, universidade e educação básica. Nessa perspectiva, o referencial teórico e metodológico traz, em seu bojo, a colaboração, a reflexão crítica e a produção de conhecimento vinculadas a sua natureza dialógica, o que nos possibilita a construção de um percurso em que tais ações sejam capazes de contribuir para a profissionalização do professor, de modo a viabilizar o aprimoramento de saberes necessários para a busca de caminhos e respostas aos inúmeros desafios e necessidades de sua ação pedagógica, perspectivando um sujeito em estado de consciência crítica e engajado na transformação de sua realidade. A partir dessas discussões, as análises levaram-nos a concluir que é necessário que a universidade propicie a esses profissionais a compreensão de seu verdadeiro papel social, na tentativa de compreender-nos criticamente em relação aos valores e as práticas que atuamos.

O ensino de língua portuguesa: das propostas e parâmetros à Base Nacional Comum Curricular

PID: S2177-60592021000107013 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Pietri
Resumo: Este trabalho tem como objetivo observar as proposições curriculares oficiais para o ensino de língua portuguesa na escolarização básica em função das condições políticas, econômicas e ideológicas em que os documentos foram produzidos. A análise referenciada em perspectiva discursiva de linha francesa evidencia as rupturas com a memória histórica que se estabeleceram no momento da produção Base Nacional Comum Curricular, em sua relação com políticas curriculares propostas no país em períodos anteriores. Nas condições de produção que se configuraram, e do modo como se configuraram, quando da publicação da BNCC, o processo de aprendizagem foi submetido a princípios de reconhecimento de valores e de controle dos comportamentos, em oposição à concepção de sujeitos ativos e/ou cooperativos que caracteriza os projetos formativos nas proposições curriculares para o ensino de língua portuguesa produzidas nas décadas finais do século XX no país.

O federalismo e as políticas de municipalização: um estudo sobre a educação básica em Xaxim (SC)

PID: S2177-60592021000107003 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Trevisol Silva
Resumo: O presente artigo apresenta os resultados de uma pesquisa realizada entre 2017 e 2019 cujo propósito principal foi analisar os desdobramentos das políticas de municipalização da educação básica nos últimos trinta anos (1988-2018). Além das políticas em âmbito nacional e estadual, decidiu-se realizar um estudo numa unidade específica da federação. O estudo foi realizado no município de Xaxim, localizado na região Oeste de Santa Catarina, com população estimada em 28.424 habitantes. A pesquisa foi desenvolvida por meio de uma extensa revisão bibliográfica, análise documental e sistematização e análise de dados primários e secundários do município e da educação municipal disponíveis em diversas bases de dados. O estudo evidenciou que a partir da CF de 1988 o governo federal e o estado de Santa Catarina implementaram, de forma progressiva, uma série de políticas de descentralização de competências aos municípios. Tendo em vista esse conjunto de políticas, o município de Xaxim implementou inúmeras ações de expansão de sua rede municipal de ensino. Em 2018, a rede municipal respondia por 77% das matrículas do Ensino Fundamental e 72% de todas as matrículas da Educação Básica. Em 2018, a rede municipal respondia por 98% das matrículas das Creches; 97%, da Pré-escola; 77%, do Ensino Fundamental; 70%, da Educação Especial Exclusiva, e 62% da Educação de Jovens e Adultos. O município não oferta ensino médio. O estudo demonstrou também que a rede privada responde por apenas 3% do total das matrículas da educação básica.

O princípio educativo em Gramsci: contribuições ao ensino de filosofia

PID: S2177-60592021000107020 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Carreiro Palhano Baptista
Resumo: Esse artigo tem como objetivo apontar a filosofia da práxis como elo fundante entre o princípio pedagógico de Antonio Gramsci e a prática do ensino de filosofia. Nesse processo, situamos o ensino de filosofia no contexto educacional e escolar brasileiro e propomos como via dialógica, vincular a prática de ensino de filosofia à contribuição de uma perspectiva filosófica-educacional fundamentada no pensamento gramsciano, recorrendo às concepções de educação, de escola e ensino presentes nas obras do autor. Destacamos que a filosofia da práxis é o elo fundante entre o princípio pedagógico de Gramsci e a prática do ensino de filosofia; o que pressupõe a correlação dialética e necessária da teoria e da prática, unificando e viabilizando um caminho mais crítico para o processo de formação de uma nova cultura com vistas a concepções do mundo mais críticas e atuantes; o que inclui um projeto político que considere a escola enquanto instrumento ideológico da superestrutura. A investigação, de abordagem qualitativa, se constitui em uma pesquisa de revisão bibliográfica das contribuições da teoria gramsciana para o ensino de filosofia, consideradas enquanto concepção ontológica do sujeito professor, e enquanto conteúdo curricular que compõe a história da filosofia. Ambas abordagens acionam o campo das ideologias, seja enquanto concepção de mundo do docente que atua nessa área, seja enquanto campo conceitual da história da filosofia. Nesse sentido, a filosofia da práxis assume o compromisso de comprometer-se na reelaboração e socialização das verdades já existentes, que até então estão restritas à determinados grupos e a uma formação eminentemente teórica.

O uso de caso de ensino sobre estudante com deficiência na formação inicial de professores

PID: S2177-60592021000105012 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Uliana Mól
Resumo: O presente estudo objetivou analisar as contribuições do uso de casos de ensino no processo de formação inicial de professores de Matemática, Física e Química no que tange à preparação docente para a inclusão escolar de estudante com deficiência. Cabe destacar que o caso de ensino apresentado e analisado neste estudo foi estruturado e utilizado durante a fase de intervenção da pesquisa-ação que culminou em uma tese de doutorado. Na referida pesquisa, participaram do processo de formação/investigação 26 licenciandos em Matemática, Física e Química de duas instituições do Estado de Rondônia, e os dados foram produzidos/coletados por estudos em grupos e relatos escritos. Ficou evidente que os licenciandos, por intermédio do estudo do caso de ensino, tiveram a oportunidade de conhecer como tem acontecido o processo de inclusão/exclusão de alunos com deficiência nas salas de aula da educação básica, as demandas particulares dos estudantes cegos e surdos no processo ensino-aprendizagem e a responsabilidade do professor na promoção de uma educação de qualidade para todo e qualquer estudante. O estudo do caso de ensino também possibilitou e fez emergir muitas discussões, dúvidas, inquietações e reflexões sobre a complexidade da atuação docente na realidade das salas de aula do século XXI, tornando-se, assim, uma metodologia didática rica para a aprendizagem docente.

Os desafios em formar professores da educação infantil utilizando-se de histórias para o ensino de Matemática

PID: S2177-60592021000103007 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Alencar Cunha Jesus
Resumo: A formação de professores tem sido um desafio das últimas décadas aos pesquisadores da área de Educação, em específico quando focamos nossas preocupações com a formação continuada de professores da Educação Infantil para o ensino de Matemática, nossa inquietação tornar-se maior em virtude da escassez de pesquisas na área. Assim, nossa investigação analisa uma formação continuada de professores da Educação Infantil que tiveram como processo formativo, além do estudo específico do uso de Literatura infantil para o ensino de Matemática, o desenvolvimento de criação de histórias para o seu ensino. Nosso objetivo foi identificar o conhecimento de professores de Educação Infantil no processo de criação de uma história para o ensino de um conteúdo matemático. A metodologia utilizada para a realização do processo formativo foi o Design Experiment e o referencial teórico utilizado para a análise foi o Mathematics Teacher’s Specialised Knowledge - MTSK. A coleta de dados deu-se por meio de aplicação de questionário e o desempenho de 5 professoras durante o processo formativo. De modo geral, identificamos que o processo formativo para a criação de histórias promove a reflexão dos docentes sobre os domínios e subdomínios do MTSK, essenciais para que haja um bom desempenho em sala de aula. Consideramos ainda um desafio proporcionar diferentes ações formativas para esse segmento de ensino.

Permanência escolar na EJA: narrativas de estudantes do ensino fundamental no Sertão Alagoano

PID: S2177-60592021000107004 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Freitas Reis Torres
Resumo: Este artigo tem como objetivo analisar as narrativas dos/as jovens estudantes da Educação de Jovens e Adultos, de uma escola pública noturna do sertão alagoano, considerando como são construídos os percursos de permanência escolar. É parte de uma pesquisa que teve como coleta de dados a entrevista semiestruturada, tendo como abordagem metodológica a pesquisa qualitativa, assente nos estudos das juventudes e da permanência escolar, entrelaçadas no campo da EJA. Evidenciou o sonho como fator mais preponderante, sendo perseguido por um esforço individual, e paralelo a discursos que intentam conformar os sujeitos a determinados lugares, que, por sua vez, são recusados, ganhando cada vez mais a persistência na busca por um futuro diferente do presente vivido.

Pesquisa e formação de professores com casos de ensino: fundamentos e potencialidades

PID: S2177-60592021000105002 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Farias Mussi
Resumo: Este escrito apresenta-se como um ensaio teórico sobre casos de ensino na área da Educação, precisamente, sobre a sua adoção na formação de professores. Tem como objetivo dialogar criticamente com estudos e pesquisas acerca das potencialidades formativas e investigativas de casos de ensino. Propõe-se, para tanto, discutir o conceito de casos de ensino, as várias terminologias presentes na abordagem do assunto, sua emergência como instrumento de pesquisa e de formação, os fundamentos teóricos e práticos em torno de sua elaboração, bem como o seu potencial para a compreensão do desenvolvimento docente numa perspectiva crítica reflexiva, especialmente no que concerne ao seu pensamento, suas crenças e teorias pessoais, a construção dos conhecimentos profissionais e ao raciocínio pedagógico por ele utilizado. Por meio da análise teórica acerca da temática, destaca que casos de ensino podem contribuir significativamente para a produção de conhecimentos para a área educacional, e, consequentemente, para a introdução de dispositivos de formação e pesquisa que valorizem a mobilização de conhecimentos profissionais e saberes docentes; o protagonismo e a socialização profissional; um processo singular de escuta sensível do que ocorre por dentro da profissão, o que concorre para a atualidade da temática e sua relevância no contexto atual de formação docente, seja inicial ou continuada. Espera-se, portanto, contribuir para aprofundar e disseminar o debate sobre casos de ensino como instrumento na formação de professores e na produção de conhecimento no campo.

Política indutora de educação integral: análise dos programas implementados em Belterra/PA

PID: S2177-60592021000106008 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Sousa Colares
Resumo: Este estudo aborda as políticas educacionais indutoras de Educação Integral a partir da análise dos programas implementados pela Secretaria Municipal de Educação e Desporto (SEMED) de Belterra/PA. A pesquisa é norteada pela seguinte questão: Quais programas de Educação Integral foram implementados pela SEMED de Belterra/PA, tendo como base a constituição do currículo, da infraestrutura e do financiamento desses programas? A metodologia da pesquisa consistiu na revisão bibliográfica, levantamento e análise documental. Constatou-se que a SEMED não desenvolveu programas locais de Educação Integral, porém, implementou políticas educacionais advindas do governo federal tais como o Programa Mais Educação (PME) em 2012 e a partir do ano de 2016 do Programa Novo Mais Educação (PNME). Identificamos que o atraso no repasse das verbas para a execução do PME e PNME ocasionou paralização, mesmo que temporária, das atividades cujo objetivo principal é melhorar a aprendizagem dos estudantes com baixo desempenho escolar e com vulnerabilidade social, mediante a ampliação do currículo escolar e do tempo de permanência na escola. O estudo conclui que apesar da Educação Integral não estar intrinsecamente ligada a extensão do tempo escolar, evidenciamos que para melhor efetivá-la devemos pensar em uma ampliação do currículo, da infraestrutura (espaços e organização do tempo) e do financiamento.

Política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva: por uma (auto)crítica propositiva

PID: S2177-60592021000108001 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Bezerra
Resumo: Este ensaio aborda a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEE-PEI), divulgada em 2008 pelo governo federal brasileiro, com o objetivo de empreender uma crítica ao modo como esta foi implementada nos últimos anos e, também, de apresentar possibilidades para a reformulação dessa política. O modelo de Atendimento Educacional Especializado extraclasse é rechaçado, defendendo-se uma proposta de educação inclusiva que incorpore previsão legal de serviços e suportes diversificados para atender as especificidades do Público-Alvo da Educação Especial (PAEE). Discute-se a necessidade de reorganização da escola comum, da formação docente especializada e de participação das escolas especiais em um sistema educacional inclusivo.

Políticas públicas na formação continuada para o ensino de geometria

PID: S2177-60592021000103010 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Miné Pereira
Resumo: Este artigo tem por objetivo difundir a formação de Geometria nos anos iniciais do Ensino Fundamental, tendo como referência os Programas Federal como o Pró-Letramento em Matemática, programa de formação continuada dos professores anos/séries iniciais do Ensino Fundamental; o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - PNAIC e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que tem como proposta as reformas curriculares e sua viabilização para um ensino de Matemática de qualidade, visando ao compromisso com o desenvolvimento do ensino e aprendizagem em matemática. Trataremos a formação contínua e os desafios enfrentados pelos professores da Educação Básica em suas práticas diárias no intuito de compreender as dificuldades de aprendizagem dos alunos com os conteúdos e habilidades ligados à Geometria. Os principais aportes teóricos são Lorenzato (1995, 2008), Pavanello (1989, 1993) e Serrazina (1999). Assim, finalizaremos com evidências de que a formação continuada do professor em Geometria necessita contemplar a prática pedagógica, ser realizada nas escolas e não em cursos pontuais de curta duração e fora do contexto escolar.

Problematizando o papel de intérpretes surdos(as) em escolas regulares

PID: S2177-60592021000107018 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Romário Dorziat
Resumo: Resultado de uma pesquisa de tese de doutorado em Educação, este artigo problematiza a forma de incorporação do trabalho de pessoas surdas na função de intérpretes em escolas regulares de João Pessoa - PB. A pesquisa qualitativa ancorou-se no escopo teórico dos Estudos Surdos em articulação com o campo dos Estudos Culturais da Educação e foi desenvolvida com profissionais surdos(as) de sete escolas públicas3. As análises das entrevistas apontaram que as pessoas surdas não possuíam formação na área de tradução-interpretação; seus salários eram inadequados, uma vez que, mesmo alguns(algumas) tendo formação em nível superior, recebiam salário de nível médio; e, principalmente, as condições de uso linguístico desse trabalho eram questionáveis, considerando que a tradução/interpretação deveria ser realizada da língua oral para a língua de sinais e vice-versa (tradução intermodal).

Processos de ressignificação após a BNCC: aspectos da produção curricular em Mato Grosso

PID: S2177-60592021000102011 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Santos
Resumo: Este texto discute a ressignificação curricular após a normatização da Base Nacional Comum Curricular - BNCC (BRASIL, 2018; Resolução CNE/CP nº 2/2017 (BRASIL, 2017a) e Parecer CNE/CP nº 15/2017 (BRASIL, 2017b)), entendida como política educacional regulatória ampla que projeta sentidos, identidades e garantias para a Educação Básica. Objetiva abordar o processo reformista (BALL, 2002, 2010) a partir da realidade de Mato Grosso, de modo a descrever a lógica de cascateamento proposta pelo Ministério da Educação (MEC) nos dois primeiros ciclos de implementação da BNCC. Tendo em vista a negociação global e local, são apresentados sentidos que indicam a fragilidade do conceito de implementação como norteador para a proposição de um “novo currículo” às escolas (MATO GROSSO, 2018). Como aporte teórico, o trabalho em tela pauta-se na compreensão de Política de Ball (2002, 2010), Mainardes (2006, 2018) e na perspectiva discursiva, de Lopes (2011). Como estratégia analítica, o trabalho recorre aos pressupostos da Análise Retórica, conforme proposto por Leach (2002) e Charaudeau e Maingueneau (2008). Os resultados indicam a produção curricular como ação dinâmica e passível de ressignificação em realidades diversas. Nesse sentido, a experiência de produção curricular no contexto mediador das políticas - as secretarias de educação - tendem a tanto reproduzir aspectos mandatários para outros locais, conduzindo práticas discursivas de normatização conforme o Ministério da Educação, como ressignificar a intencionalidade educativa projetada para um âmbito normativo mais restrito, em municípios e escolas.

Produção de currículo em uma escola do campo: uma análise sobre inclusão

PID: S2177-60592021000102009 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Lima Dormevil
Resumo: Este artigo põe em pauta questões relativas às experiências curriculares de uma escola do campo situada em um assentamento do município de Nobres - Mato Grosso. O escopo é analisar proposições curriculares que buscam articular demandas e saberes locais com orientações expressas na Base Nacional Comum Curricular, em tempos de crise na ciência. É dada centralidade aos desafios da inclusão de estudantes do campo em um contexto marcado por políticas curriculares que estabelecem padrões generalizados de saberes, competências, habilidades e de avaliação, em nome da qualidade do ensino. Busca-se amparo teórico nos estudos culturais para analisar dados extraídos de documentos e de narrativas de professores e de alunos do Ensino Médio da escola pesquisada. Argumenta-se a favor de metodologias de produção curricular que respeitem as diferenças como forma de assegurar o sentimento de pertencimento a uma instituição educativa atenta às singularidades do seu próprio espaço.

Que conhecimento matemático para ensinar nos anos iniciais? Desafios para a formação

PID: S2177-60592021000103009 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Gomes
Resumo: São muitos e variados os desafios que hoje se colocam à formação de professores de Matemática. Quando se pensa em professores dos primeiros anos, os desafios são ainda maiores. Por um lado, estes professores são generalistas, não sendo exclusivamente professores de Matemática. Por outro lado, o conhecimento matemático destes professores é frequentemente desvalorizado porquanto se acredita que a Matemática que se ensina nos anos iniciais é simples e consequentemente fácil de ensinar. É uma crença errada pois, apesar de ser elementar, esta Matemática constitui o alicerce de futuras construções matemáticas e contém os rudimentos de muitos conceitos importantes de ramos avançados da disciplina. Assumindo que o conhecimento do professor é fulcral no processo de ensino e aprendizagem, importa determinar que conhecimento(s) matemático é necessário para ensinar. Neste artigo iremos centrar a nossa atenção no conhecimento matemático para ensinar e apresentar alguns resultados de pesquisa que ilustram pontos críticos e dificuldades no conhecimento de (futuros) professores e que apontam pistas para conceptualizar a formação dos professores.

Recursos para a avaliação da aprendizagem no ensino superior: possibilidades digitais

PID: S2177-60592021000107016 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Silva Jung Fossatti
Resumo: O objetivo da pesquisa consiste em refletir sobre as possibilidades de uso do Google Forms para a avaliação da aprendizagem no ensino superior. Trata-se de uma pesquisa exploratória, com aplicação de um questionário a 189 professores. Os resultados apontam para: 1. A possibilidade de elaboração de atividades remotas por meio do recurso em estudo; 2. Variados tipos de questões; 3. Aplicação da avaliação presencialmente ou online; 4. Feedback instantâneo; 5. Análise das respostas através de planilhas ou gráficos; 6. Facilidade em realizar o download ou arquivamento no drive; e 7. Possibilidade de discussão dos resultados com os estudantes através dos relatórios disponíveis. Concluímos que o Google Forms possui diferentes possibilidades para a avaliação no ensino superior, mas salientamos a necessidade de preparo e desenvolvimento por parte dos docentes para trabalhar com essa tecnologia.

Regime de colaboração e formação docente: práticas discursivas na produção política ProBNCC/RN

PID: S2177-60592021000102010 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Oliveira
Resumo: Neste escopo abordamos processos políticos em torno do ProBNCC no estado do Rio Grande do Norte, com destaques para percursos vivenciados pelo regime de colaboração estado/municípios na organização curricular e na formação de professores, necessário à considerada implementação da BNCC. Apresentamos dados de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, desenvolvida com base na leitura de documentos considerados norteadores da produção curricular do estado do Rio Grande do Norte (2017-2019), produzidos pela Secretaria de Estado da Educação (SEEC/RN), bem como de documentos produzidos pelo MEC em torno do ProBNCC. Apontamos fragmentos de conversas com representante da 12ª DIREC, parte dessa Secretaria, bem como, com representantes da SEME/Mossoró/RN. DIREC e SEME, se apresentam como lócus de discussão, planejamento e pretensa implementação da BNCC, possibilitando a proposta de articulação entre estado e municípios no processo político ProBNCC. A investigação visa a interpretar produções políticas de significação produzida nesse âmbito discursivo a partir da perspectiva discursiva com base no ciclo de políticas e na teoria do Discurso de Ernesto Laclau. Compreendemos produção curricular e formação docente como espaços de disputa e negociações, articuladas na ideia do regime de colaboração entre estado e municípios envolvidos nessa produção política. Como resultado, consideramos que, apesar da tendência regulatória e prescritiva, a partir do ProBNCC/RN, secretarias de educação e escolas desenvolvem sistemáticas próprias da produção curricular e de formação docente.

Relações entre currículo e didática: conceptualizações, desafios e conflitos

PID: S2177-60592021000102004 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Díaz-Barriga
Resumo: Neste ensaio, o autor produz uma virada na tese que sustentou em seu livro Didática e currículo: Convergência nos programas de estudos, publicado no século passado, no qual propõe uma complementaridade entre as propostas no campo didático e curricular. Sua abordagem atual é desenvolver uma análise da estrutura epistêmica de ambas as disciplinas e questionar se nela existe uma ideia de uma normatividade sobre o que é desejável que aconteça na sala de aula e na aprendizagem dos alunos. Ele sustenta que, nesse caso, o que se busca é alcançar uma homogeneidade nos processos de aprendizagem, mas ao mesmo tempo mostra como essa estrutura rompe com os aspectos normativos quando o debate sobre o sujeito e sua singularidade aparece em cena. A ruptura epistêmica que ocorre no surgimento e evolução de ambas as disciplinas, embora nos permita sustentar a busca pelo homogêneo, defende ao mesmo tempo que apenas um sujeito pode ser formado, a partir de seus processos singulares. Para isso, propõe uma análise do conflito ideológico no qual ambas as disciplinas surgem, uma no século XVII e outra no século XX, bem como a maneira pela qual esse conflito é ignorado pelos sistemas educacionais que visam mais reconhecer a parte normativa comum do seus projetos, do que reconhecer as características específicas dos sujeitos em formação.
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