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Uma experiência de uso do método de casos em formação continuada de professores

PID: S2177-60592021000105009 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Esteves
Resumo: O uso do método de casos na formação continuada de professores é especialmente relevante na medida em que lhes pode permitir evocar e narrar situações reais de trabalho, partilhar a sua narrativa com os restantes colegas em formação e com os formadores, refletir coletivamente sobre cada caso e sobre o conjunto de casos em análise. Visa-se com este artigo descrever uma experiência de formação continuada de professores (dois por cada escola ou agrupamento de escolas) investidos da missão de passarem a constituir a secção de formação e monitorização de um dado centro de formação inter-escolas. Dentro da estratégia de formação que foi delineada, o uso do método de casos teve lugar na fase inicial do projeto que deveria concluir-se pela produção, pelos participantes, de planos de formação docente, devidamente contextualizados, a integrar no projeto educativo de cada escola. O projeto desenvolvido inspirou-se nos modelos de formação personalista e orientado para a pesquisa, tal como Zeichner (1983) os define e radicou no conhecimento científico acumulado acerca do uso do método dos casos na formação de professores. Para além do valor produtivo que o uso do método de casos teve, será posto em evidência o seu valor formativo para a constituição e a dinâmica de um grupo de formandos que não se conheciam à partida e entre os importava que se desenvolvesse a confiança, a colaboração, a capacidade de formação interpares e a reflexividade.

Uma rede passa pelo currículo: difração e modos de existência na política curricular

PID: S2177-60592021000102006 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2021
Autores: Ranniery Medeiros
Resumo: Este artigo emerge das intenções mais gerais de um projeto de pesquisa-intervenção realizado em parceria com a rede pública municipal de Niterói no mesmo momento em que o município experimenta responder as demandas legais da BNCC. A partir de rodas de conversas com professores de um curso de extensão com a finalidade de contribuir com a construção do referencial curricular da cidade, buscamos configurar uma reflexão teórica sobre política de currículo, modos de existência e difração. Situados como herdeiros da tradição que criticou a distinção entre implementação e formulação, desenvolvemos o argumento de que, ao invés de um currículo passar por uma rede, uma rede invariavelmente passa pelo currículo. Isto é, uma dinâmica topológica contínua ganha vida, envolvendo a variação espaço-temporal. Ancorados em estudos feministas e queers da ciência e da tecnologia e por intersecções da filosofia de Gilles Deleuze, indicamos que um diferimento constitutivo da política exibe uma difração do tempo e do espaço e, no mesmo passo, constitui emaranhados ontológicos nos quais modos de existência tornam-se possíveis, envolvendo subjetividade e alteridade. Defendemos, portanto, a urgência de estranhar a teleologia do discurso educacional que, ao planificar o espaço e quantificar o tempo, converte essa inalienável difração da política em expurgo da diferença. Longe da redenção, trata-se de reativar a importância vital da política curricular como participante ativa do devir do mundo sem o qual não haverá democracia possível.

Mobile collaborative learning e o ensino de Ciências em diferentes contextos educacionais

PID: S2177-60592020000100508 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Nascimento Castro Filho
Resumo: O estudo mostra como as tecnologias móveis auxiliaram as aulas de Ciências, articulando conteúdo curricular e situações reais vividas na comunidade. Optou-se por uma abordagem qualitativa com o emprego da pesquisa-ação, envolvendo o trabalho colaborativo de uma professora interessada em contribuir com a resolução de preocupações relacionadas ao uso dessas tecnologias no contexto escolar. As entrevistas, o diário de campo e as observações das aulas foram analisadas e codificadas. Os resultados indicam que os elementos que subsidiam a Mobile Collaborative Learning, a partir da prática docente apoiada por dispositivos móveis, reconhecem a importância docente como mediador, envolvendo os alunos nas discussões sobre os temas estudados em diferentes contextos de aprendizagem. Para que essas tecnologias se integrem às atividades escolares é preciso tornar o currículo mais flexível, tanto ao planejamento quanto à execução, assim repensar políticas públicas que incentivem o uso desses dispositivos na escola, especialmente aqueles de uso próprio dos estudantes.

A aula de História: a experiência e a biografia docente na produção do conhecimento escolar de História

PID: S2177-60592020000100309 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Crema
Resumo: A discussão encaminhada vai ao encontro das condições e possibilidades de criação/construção das aulas de história desenvolvidas por professoras e professores da rede pública de ensino de União da Vitória, PR, tendo como perspectiva de mediação a experiência profissional docente, a cultura escolar, o currículo e a diversidade de metodologias de ensino-aprendizagem. Discutir o processo criativo dos conteúdos e metodologias do ensino escolar de História apresenta-se fundamentalmente importante e necessário, pois se desenvolvem dentro de relações e alcance mais pragmáticos e em resposta a questões mais próximas e urgentes às escolas. Em contraste às continuadas sucessões, sobreposições curriculares, à falta de uma formação continuada eficaz e à distância formativa da universidade, desenvolvem-se, por parte de nossos professores, estratégias didático-metodológicas autorais no ensino escolar de História. Precisamos olhar para as condições e práticas de ensino de História que se desenvolvem nas salas de aulas de nossas escolas, buscando nesse processo uma aproximação entre os níveis escolares e de formação docente. Por meio de pesquisas da biografia profissional docente e da análise das práticas didático-metodológicas, percebemos em reflexo que elas se desenvolvem próximas à experiência profissional e à cultura escolar e, sobretudo, compartilham de um espectro metodológico diverso e próximo do que convencionamos chamar de produção estética da aula. Nesse sentido a pesquisa aplicada dentro das escolas ultrapassa a idealização e formalização do currículo e busca construir um desenho didático mais próximo da realidade do ensino.

A aula-oficina na caminhada de aprender a ser professor de História

PID: S2177-60592020000100305 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Gago
Resumo: Ser professor de História implica o engajamento de várias áreas do saber e exige a operacionalização de operações complexas adequadas ao contexto educativo em que se inscreve. A formação de professores tem de ser capaz de desafiar e preparar os futuros professores de História para lidarem em progressão com essas operações. A aula-oficina é um caminho proposto pela educação histórica que parece se adequar ao desenvolvimento de literacia e consciência histórica. Os dados de investigação em Educação Histórica têm demonstrado que quando os aprendentes são desafiados a resolver tarefas com base em fontes, analisadas com questões de graus distintos de complexidade, promove-se o desenvolvimento do pensamento e o conhecimento histórico. Assim, propõe-se a partilha de dados de um estudo qualitativo em linha com a Grounded Theory (Teoria fundamentada), realizado por meio de uma amostragem de conveniência entre 20 alunos do mestrado em ensino da História do terceiro ciclo do ensino básico e do ensino secundário de uma universidade do Norte de Portugal, em várias fases de formação e de recolha de dados, numa lógica longitudinal e em linha com os princípios da aula-oficina - das ideias prévias à metacognição. As ideias foram recolhidas por meio de questionário de resposta aberta acerca dos seguintes construtos: consciência histórica, identidade e profissionalismo docente. As ideias partilhadas pelos alunos, futuros professores de História, sugerem que as tarefas-desafios propostas acompanhadas pelo debate das soluções encontradas e da reflexão continuada acerca do processo promoveram a consciência do seu papel e propósito de professor de História numa lógica de crescente complexidade em termos de identidade pessoal-histórica e de profissional-docente.

A contrarreforma do Ensino Médio e as perdas de direitos sociais no Brasil

PID: S2177-60592020000100208 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Duarte Reis Correa Sales
Resumo: O artigo busca identificar, descrever e analisar os processos e os efeitos da contrarreforma do Ensino Médio, regulamentada pela Lei n. 13.415/17, e a consequente perda de direitos sociais, especialmente para a juventude brasileira. O Ensino Médio no Brasil, última etapa da educação básica, tem sofrido frequentes reformas nas últimas duas décadas, propostas pelos governos nacionais ou por iniciativa dos próprios estados federativos. A partir da apreciação da Lei n. 13.415/17, privilegia-se, em um primeiro momento, a análise sobre os efeitos da contrarreforma para os sujeitos da escola (jovens estudantes e corpo docente). Em seguida, examina-se a proposta de organização curricular e a Base Nacional Curricular Comum para o Ensino Médio. Argumenta-se que a proposta de flexibilização reduz a educação básica à preparação para o mercado de trabalho, restringe e abrevia a oferta, amplia as desigualdades educacionais e oferece base legal para a privatização do ensino público. Conclui-se que a contrarreforma se configura como golpe à educação brasileira, pois não considerou o quadro geral do Ensino Médio atual (as condições de trabalho das(os) docentes e a infraestrutura existente hoje nas escolas), os avanços e orientações contidos no Plano Nacional de Educação (2014-2024), as experiências e os saberes dos sujeitos da escola e as pesquisas já desenvolvidas na área. O uso do conceito de contrarreforma potencializa a análise dos processos regressivos aos avanços dos direitos sociais diante dessa iniciativa.

A educação e o avanço da nova (ou extrema?) direita no Brasil: entrevista com Gaudêncio Frigotto

PID: S2177-60592020000101013 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Hermida Lira
Resumo: A presente entrevista com o Professor Gaudêncio Frigotto tem como tema central os acontecimentos sociais, políticos e educacionais mais relevantes dos últimos tempos: o colapso da democracia liberal, o golpe jurídico-midiático-parlamentar, o avanço da extrema-direita e o processo de desconstrução de históricas conquistas sociais e políticas - focando, em particular, nas políticas educacionais. Gaudêncio Frigotto é Professor titular de Economia Política e Educação na Universidade Federal Fluminense (aposentado). Atualmente é Professor do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado de Rio de Janeiro (UERJ). O Professor Frigotto sempre conseguiu conciliar vida acadêmica e militância social, tornando-se, com o passar do tempo, um dos nomes mais representativos da defesa da educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada. No ano de 2015 foi agraciado com o prêmio Luta pela Terra - 30 anos do MST pelo Movimento dos Trabalhadores sem Terra.

A educação nas letras do Eduardo Mallea e seu método kierkergaardiano

PID: S2177-60592020000100517 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Aveiro
Resumo: O presente artigo é parte do projeto de pesquisa: “Aspectos acadêmicos e pedagógicos nos emadeiramentos discursivos de Eduardo Mallea”, localizado no Departamento de Humanidades da Universidad Nacional del Sur. O mesmo da conta de como as questões que fazem o problema educacional aparecem na obra literária do autor argentino, nascido na cidade de Bahía Blanca, localizada na costa atlântica da província de Buenos Aires. Nesta ocasião, colocamos seus pensamentos em sintonia com as contribuições derivadas dos escritos filosóficos do dinamarquês Sören Kierkegaard, como um pensador da diferença e, portanto, um crítico agudo dos conceitos que a modernidade arrasta. Assuntos que compõem significativamente as letras do bonaerense e nos permitem uma virada linguística para a filosofia da educação.

A educação sabotada e outros paradoxos da esquerda no Uruguai: para uma mudança de governo?

PID: S2177-60592020000100204 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Marrero
Resumo: A educação pública, laica e gratuita tem sido um dos pilares sobre os quais o Uruguai foi construído desde o final do século XIX. No entanto, os dados do censo de 1963 mostraram uma realidade ignorada: a educação pública não atingiu toda a população e apenas metade da população adulta havia concluído o ensino fundamental. O bacharelado e a universidade alcançaram apenas a elite. Desde então, a cobertura foi ampliada, mas paradoxalmente, em um ritmo muito mais lento que o resto dos países da América Latina. Nesse contexto, esperava-se que os governos de esquerda dessem um novo impulso ao educação. De fato, o orçamento educacional aumentou de 2,8% para mais de 5%, o salário de ensino dobrou em termos reais, as instalações do prédio melhoraram e o número de alunos por turma caiu. No entanto, os resultados não melhoram: apenas um terço dos jovens conclui o ensino médio. A partir de um breve relato histórico, serão examinados dois universos simbólicos que estruturaram os discursos de esquerda e direita na última década no Uruguai, em particular as referências para a educação Argumentaremos que a resposta ao problema educativo é dada pela confluência paradoxal entre os efeitos práticos de um discurso da esquerda, que busca impor sua visão desvalorizada da educação, com consequências conservadoras, e um discurso autoritário da direita, e ainda vitimista, que diz que deseja restaurar - juntamente com aspectos da ordem simbólica tradicional que a esquerda conseguiu reverter - a importância da educação pública em todos os níveis.

A gestão da rede estadual de ensino da Paraíba por organizações sociais: tensões e desafios

PID: S2177-60592020000100402 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Araújo Lima Junior
Resumo: As mudanças na gestão pública, decorrentes em grande parte das transformações no padrão tecnológico, informacional, organizacional e gerencial acontecidas no mundo do trabalho, resultaram em novos métodos de administração dos sistemas educacionais em todo o mundo com base na chamada Nova Gestão Pública. Reformas educativas foram implementadas, com maior ou menor intensidade, em diferentes países, tendo como alvo a formação de sujeitos com novas habilidades e competências almejadas pelo mercado globalizado. No Brasil, a formulação, em 2004, de um marco legal das parcerias público-privadas foi decisiva para o surgimento de modelos de quase mercado, com repercussão nos sistemas educacionais. Para além da aceitação de padrões mercadológicos, as reformas educativas impulsionaram a transferência da gestão educacional para o setor privado, seja por meio de instituições “pedagógicas” vinculadas a empresas privadas, seja por meio de Organizações Sociais (OS) constituídas com fins de gerenciamento dos bens públicos. No Estado da Paraíba, Nordeste do Brasil, todas as escolas da rede estadual tiveram sua gestão administrativa entregue a duas OS. Como se deu o processo de transferência da gestão administrativa dessas escolas e quais as implicações dessa mudança na gestão delas, particularmente na parte pedagógica? Este artigo, de caráter qualitativo, desenvolvido com base em pesquisa bibliográfica e documental, objetiva analisar a passagem da gestão das escolas estaduais para as Organizações Sociais. Intenta, ainda, perceber as mudanças nos processos de gestão pedagógica a partir das novas exigências constantes no contrato de gestão firmado com as OS e seus possíveis desdobramentos na organização escolar da rede estadual da Paraíba.

A gestão profissional e a natureza de uma universidade católica

PID: S2177-60592020000100408 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Dantas Oliveira
Resumo: Nos últimos anos, a mercantilização da Educação Superior brasileira e as estratégias de mercado das instituições lucrativas têm solapado as Instituições de Ensino Superior (IES). O impacto da operacionalização dos serviços educacionais disponibilizados à sociedade tem apresentado aspectos que reverberam na gestão profissional, sobretudo nas universidades católicas. Diante disso, os imperativos mercadológicos têm afetado, sobremaneira, a missão e os valores das IES católicas. Nesse sentido, essa comunicação reflete aspectos constitutivos da gestão profissional e o impacto deles na identidade da universidade católica. Para realizar este estudo, utilizou-se o método qualitativo, de caráter exploratório, escrito sob a perspectiva de um ensaio teórico, no qual se realiza uma discussão conceitual sobre o modelo de gestão profissional que atende ao mercado atual de Educação Superior. Utilizaram-se, ainda, documentos de uma universidade católica, bem como de sua mantenedora, para fazer interface com as concepções de gestões vigentes no cenário atual das IES. Discutiram-se as concepções que permeiam a gestão, a missão e os valores institucionais perante as demandas do atual mercado educacional superior. Observou-se que, na discussão dos autores, critica-se a forma de gerir sob a perspectiva do mercado neoliberal e que seu principal impacto na Educação Superior pode desqualificar a identidade da universidade católica. Conclui-se que é importante preservar a identidade desse tipo de universidade, uma vez que se leva em conta a comunidade de estudiosos que se dedica à investigação, ao ensino e às várias formas de serviço à comunidade como promoção dos saberes e missão cultural.

A obrigatoriedade de matrícula para a Educação Infantil: possíveis retrocessos

PID: S2177-60592020000100502 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Lira Drewinski
Resumo: O artigo discute a obrigatoriedade escolar para crianças de 4 e 5 anos instaurada pela Lei n. 12.796 a partir de resultados de pesquisa que objetivou acompanhar e problematizar a implementação da Lei em um município de médio porte. Teoricamente, os estudos apoiaram-se em autores que discutem a Educação Infantil como Vieira (2011), Rosemberg (2015) e Campos (2010), dentre outros. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e quantitativa, com coleta de dados por meio de entrevistas e análise de estatísticas educacionais. Os resultados da investigação apontam que o cumprimento da legislação vem sendo feito por meio da adoção e implementação de estratégias que podem comprometer o direito das crianças à Educação Infantil de qualidade.

A pedagogia crítica e emancipatória/libertadora de inspiração freireana

PID: S2177-60592020000100525 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Akkari Mesquida
Resumo As ondas de refugiados migrados de diversas partes do mundo para a Europa, mas também para os Estados Unidos e para o Brasil, neste caso originários da Venezuela, em particular, e a forma como são tratados nos países que os “acolhem” nos motivaram a pensar no pensamento filosófico, político, social e pedagógico de Paulo Freire, a partir dos conceitos mais importantes. Este artigo objetiva desenvolver uma análise interpretativa, fundada na hermenêutica, em especial de Ricoeur (1989), da contribuição de Paulo Freire para os fundamentos teóricos e práticos da pedagogia crítica. Em primeiro lugar, analisamos o que, para nós, seriam os conceitos centrais da pedagogia freireana: opressão, conscientização, palavras geradoras, círculo de cultura, diálogo, práxis e emancipação. Em segundo lugar, destacamos a centralidade do “político” na pedagogia crítica de inspiração freireana, tanto em termos das políticas educacionais quanto no que diz respeito aos processos de aprendizagem. Em terceiro lugar, versamos as possibilidades de utilização da abordagem pedagógica de Freire na educação dos refugiados e dos estudantes que se encontram em situação de urgência e de conflitos. A pesquisa mostrou que a contribuição do pensamento de Freire para uma educação libertadora e amorosa e para a construção de uma sociedade colaborativa e acolhedora é inegável.

Aprendizagem histórica e formação de professores dos anos iniciais na Universidade do Minho (Portugal): a articulação entre a prática e a investigação em educação histórica

PID: S2177-60592020000100304 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Solé
Resumo: Este texto tem como objetivo apresentar a investigação em Educação Histórica desenvolvida no Instituto de Educação da Universidade do Minho (Portugal) no âmbito dos vários mestrados profissionalizantes de formação de professores, em especial dos professores dos anos iniciais (seis aos 12 anos). Apresenta-se uma breve contextualização do modelo de formação de professores desenvolvido na nossa instituição, principalmente desde 2008, com a implementação do modelo de Bolonha. Destaca-se a relevância atribuída à articulação entre prática pedagógica e investigação, as implicações da investigação no contexto educativo, bem como no desenvolvimento profissional dos futuros professores, alicerçada no paradigma construtivista, operacionalizado no modelo de aula-oficina, que fomenta o papel do professor-investigador social e os alunos como agentes da construção do conhecimento histórico. Exemplica-se esse modelo a partir de alguns estudos empíricos implementados pelos nossos formandos com crianças e jovens, que se focam em conceitos de segunda ordem (mudança, narrativa, evidência e significância) relacionados com o pensamento histórico e a consciência histórica, e outros estudos que integram ainda a educação patrimonial, na linha de investigação em cognição histórica, que se tem desenvolvido na Universidade do Minho (Portugal).

As lógicas da construção da hegemonia desenvolvidas pelos governos petista e kirchnerista

PID: S2177-60592020000100205 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Balsa
Resumo: Este artigo analisa comparativamente as linhas centrais das estratégias políticas realizadas no Brasil e na Argentina pelo PT e pelo kirchnerismo entre 2003 e 2015/16. Em particular, é dada especial atenção à lógica que eles desenvolveram na tentativa de contestar a hegemonia do neoliberalismo. Essa análise foi realizada com base na distinção entre duas lógicas na construção da hegemonia formulada por Ernesto Laclau, embora incorporando algumas reformulações próprias. Dessa forma, esses processos políticos foram interpretados de acordo com a importância da lógica “administrativista” ou “agonal” nas maneiras pelas quais cada força procurava construir hegemonia.

As parcerias público-privadas: reflexões sobre o conceito de hegemonia no contexto das políticas educacionais municipais

PID: S2177-60592020000100520 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Sakata Lima
Resumo: O presente texto objetiva refletir sobre a categoria hegemonia em Antônio Gramsci (1891-1937) no que concerne às parcerias público-privadas estabelecidas entre a esfera administrativa educacional municipal e as Fundações privadas e Associações sem fins lucrativos (Fasfil). Para tanto, analisa, a partir de uma perspectiva histórica, a emergência das parcerias público-privadas na esfera administrativa municipal, principalmente a partir de 1990. Ainda, com base nos dados disponíveis no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES (2018), indica as pesquisas que discorrem sobre as parcerias público-privadas no contexto municipal e, por fim, problematiza a atuação da classe subalterna no fomento de outra hegemonia.

As políticas neoliberais e o pragmatismo gerencial na educação pública paranaense

PID: S2177-60592020000100209 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Mendes Horn Rezende
Resumo: Trata-se de um estudo documental, com o objetivo de analisar as políticas neoliberais que vêm sendo implantadas pelo governo do Paraná. Para tal, parte-se de três problemas fundamentais: (i) as políticas neoliberais ganharam força no Paraná a partir de 2010, com o Governo Beto Richa, provocando um completo rompimento do espírito republicano e democrático; (ii) ocorreu no Paraná, em sintonia com o impeachment de 2016, uma total desresponsabilização do Estado para com a coisa (res)pública e uma ampliação da perda de direitos; (iii) está em curso uma nova concepção de gestão educacional - gerencialismo e pragmatismo protagonizados por institutos e fundações. Analisam-se os desdobramentos das políticas educacionais no Paraná com a implantação do modelo de gestão educacional orientado pelo Guia de Tutoria Pedagógica, da Fundação Itaú Social (2014), e 15 roteiros de tutoria elaborados e lançados pelo Departamento de Acompanhamento Pedagógico da Secretaria de Estado de Educação do Paraná. Entre outros aspectos, o estudo conclui que as atuais políticas educacionais no estado destroem significativamente a autonomia pedagógica das escolas e não melhoram as condições de trabalho docente na rede pública paranaense.

Biografia da educadora Josete Sales: reflexos da formação de professoras no Ceará

PID: S2177-60592020000100519 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Fialho Sousa Nascimento
Resumo: O estudo trata da educação formal e formação de professoras no Ceará a partir da biografia de uma educadora. Objetiva compreender a formação educativa e as contribuições tecidas pela professora Josete de Oliveira Castelo Branco Sales na constituição do Centro de Educação da Universidade Estadual do Ceará. Para alcançar esse escopo, desenvolveu-se um estudo do tipo biográfico por meio da metodologia da História Oral, que viabilizou a realização de entrevistas livres para a coleta de narrativas orais - gravadas, transcritas, textualizadas e validadas. Constatou-se que Josete Sales obteve uma formação educacional diferenciada, possibilitada por ter condições financeiras que lhe proporcionaram prosseguimento nos estudos e pelo apoio familiar - da mãe, desde o ensino das primeiras letras, e do marido, que assumiu o revezamento no cuidado da casa e dos filhos -, rompendo padrões patriarcais e machistas. Sua educação formal perpassou por grupo escolar, telensino, escola normal e universidade; a educadora destacou-se como docente da referida Universidade cearense, em que coordenou a elaboração do projeto político-pedagógico do Curso de Pedagogia e foi idealizadora do Centro de Educação, fortalecendo a formação de professores cearenses. Sua biografia permitiu ampliar a compreensão acerca da História da Educação Feminina no Ceará e a constituição do Centro de Educação na Universidade Estadual do Ceará.

Da família na escola à escola no lar: notas sobre uma polêmica em curso

PID: S2177-60592020000100207 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Carvalho
Resumo: Com base em pesquisa bibliográfica e documental, o texto examina contextos, conceitos e discursos envolvidos no debate dos projetos “escola sem partido” e “educação domiciliar”, que confundem as funções educativas da família e da escola e atentam contra o sentido da educação pública e a profissionalidade docente. Para explicitar esses argumentos, no marco das relações família-escola e da emergência de recentes tendências neoconservadoras e neoliberais, este artigo atualiza a movimentação dos projetos no legislativo federal, analisa os textos das últimas versões e revisa literatura acadêmica recente. Constatou-se que, enquanto o primeiro projeto é uma tentativa de controle do currículo escolar e da atuação docente por um grupo de famílias, o segundo pretende legitimar a evasão das crianças do espaço público da escola para receberem toda a educação em casa, ignorando a profissionalidade docente. Esse último ponto é ilustrado pelo debate entre internautas quando do lançamento do mais recente projeto de educação domiciliar.

Diretores da rede municipal de Fortaleza: achados sobre gestão escolar

PID: S2177-60592020000100521 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Sousa Vidal
Resumo: Este artigo analisa aspectos relacionados à gestão escolar tendo como referência entendimentos sobre a gestão democrática e participativa e algumas questões presentes nos questionários contextuais do Diretor e do Professor do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2017, tendo como recorte a rede municipal de Fortaleza, capital do Ceará. São dados de 244 diretores e 3.351 professores, sendo 1.805 do 5º ano e 1.546 do 9º ano, que foram descompactados em planilha do Microsoft Excel e trabalhados com o uso de soma de variáveis, com estatísticas descritivas e, em alguns casos, com análise de correlação. Os resultados mostram que mais de 3/4 das escolas possuem Conselho Escolar composto por todos os segmentos da comunidade; cerca de 2/5 dos diretores afirmam haver interferências externas na gestão; e 4/5 estão frequentemente discutindo com os professores medidas para melhorar o ensino e a aprendizagem. Os professores possuem uma visão positiva sobre a gestão escolar na dimensão pedagógica, administrativa e nas relações interpessoais, no entanto, quando analisadas respostas de diretores e professores a uma mesma questão, os resultados são discrepantes, apontando para a necessidade de investigar tais contradições.
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