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Docência em classes multisseriadas na roça: modos de formar-se e compreender as diferenças

PID: S2177-60592020000100505 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Mota Silva
Resumo: Este trabalho objetiva compreender o conhecimento de si como um espaço de formação que evidencia a prática desenvolvida na docência em classes multisseriadas, como um fazer que se reconfigura a partir da dinâmica que se efetiva através das relações que se dão no cotidiano da escola. Trata-se de uma pesquisa de base qualitativa, desenvolvida por meio da abordagem (auto)biográfica como perspectiva metodológica, pela centralidade na análise de narrativas que o sujeito produz. Assim, elegemos as entrevistas narrativas como um dispositivo de investigação. A pesquisa foi desenvolvida com três professores da Educação Básica que vivem e convivem em contextos rurais e também desenvolvem à docência em classes multisseriadas de suas comunidades, no município de Várzea do Poço, interior da Bahia. O estudo permitiu concluir que a formação é fundamentada numa concepção que toma o conhecimento de si como espaço de formação e, também, o coloca como elemento constituinte do processo de formação, autoformação e ecoformação. As narrativas (auto)biográficas revelam como os professores concebem as diferenças a partir de suas próprias experiências e histórias de vida e formação. Falar de si configura-se enquanto um procedimento formativo construído entre e com os professores a partir de cinco princípios da formação que se congregam entre si e transversalizam o fazer docente nas classes multisseriadas.

Educação histórica e a contribuição para a formação de professores: experiências de pesquisa

PID: S2177-60592020000100302 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Germinari Urban
Resumo: O artigo apresenta contribuições de dissertações que discutem a aprendizagem histórica na perspectiva da Educação Histórica produzidas no Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e nos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu em Educação e História da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). As pesquisas em Educação Histórica tomam como objeto de investigação os processos de aprendizagem histórica no âmbito escolar, aproximam-se desse fenômeno por meio do levantamento das ideias históricas (substantivas e de segunda ordem) de estudantes e professores e as analisam com os recursos da teoria e filosofia da História. As pesquisas inventariadas revelam movimentos das investigações fundamentadas nos princípios da Educação Histórica e indicam relação intrínseca com os processos de escolarização.

Educação histórica e sua influência na formação de professores e em documentos curriculares em Portugal

PID: S2177-60592020000100311 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Nascimento Schmidt
Resumo: O campo de pesquisa denominado Educação Histórica chegou ao Brasil em 2003, a partir de um evento que teve como convidada a professora Isabel Barca, da Universidade do Minho. A temática da formação de professores e a influência que esse campo da ciência tem sobre a produção de currículos e materiais a serem utilizados por professores de História durante suas aulas é discussão frequente entre os grupos de pesquisadores que se formaram em diversas partes do mundo, mas com ênfase em Portugal e no Brasil. A partir da formação acadêmica da professora Isabel Barca e de suas pesquisas relacionadas ao ensino da história nas últimas décadas, esta entrevista tem como foco trazer para o presente o percurso percorrido pela pesquisadora e quais seus objetivos futuros.

Elitização da universidade brasileira em perspectiva histórica

PID: S2177-60592020000100210 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Orso
Resumo: O objetivo deste artigo é fazer uma análise da trajetória histórica da universidade brasileira, tendo como fio condutor a elitização do ensino superior. Com esse intuito, analisamos o surgimento tardio da universidade no Brasil, a proposta idealizada pelos que a criaram, as mudanças pelas quais passou, seu breve período de ampliação e popularização e, por fim, os ataques desfechados a ela no atual momento com a finalidade de privatizá-la, reservando-a a uma pequena “elite intelectual”.

Estilos de ensino: ponto de partida da identidade e desenvolvimento do professor profissional

PID: S2177-60592020000100303 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Alfageme-González Díaz-Serrano
Resumo: As teorias dos estilos de ensino-aprendizagem auxiliam os professores a desenvolver seus aspectos pessoais e profissionais focados no cognitivo e no aprendizado. Este artigo analisa o estilo de ensino dos professores de Geografia e História do Ensino Secundário e suas práticas educacionais, diagnosticando e descrevendo o estilo de ensino. O estudo adota uma abordagem mista; isto é, combina um desenho quantitativo descritivo-comparativo com um qualitativo com um caráter fenomenológico. Assim, embora nesse grupo de amostra os escores dos estilos de ensino sejam bastante equilibrados, os estilos formal e funcional predominam levemente. No entanto, parece que as práticas de ensino dos professores têm como referência principal o trabalho no centro educacional e na equipe de ensino, sobre o estilo de ensino predominante no professor, portanto, configuram-se como o principal constituinte no processo de ensino, a identidade profissional dos professores.

Experiências educativo-musicais na formação de um habitus musical

PID: S2177-60592020000100523 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Kaczan Rogério Kaczan
Resumo: Debate-se, neste escrito, a importância de se reafirmar o ensino de música nos espaços educativos, garantindo sua permanência no âmbito da escola regular. Assim, tem-se aqui como objetivo primordial apresentar a relevância da utilização de práticas educativo-musicais criativas para o ensino de música (FONTERRADA, 2015) como elemento potencializador do desenvolvimento humano, cognitivo, crítico, emocional, político e social. Essa maneira de ensinar música, com esteio em práticas criativas nas salas de aulas, traz múltiplas possibilidades de renovar o ensino de música e de se instaurar um habitus musical - uma cultura musical - ampliando o seu alcance ao maior número possível de estudantes. O motor central das discussões é a necessidade de se reinventar o ensino de música ante a hegemonia da Indústria Cultural, propondo práticas diversificadas que incentivem a criação e a fruição, que possam romper com o ensino tradicional de música padronizado e com a lógica do consumo mercadológico que o repertório comercial forma nos ouvintes. É necessário incentivar a criação de experiências diversas consideradas singulares em razão do processo massivo que apenas reproduz modelos prontos e legitimados socialmente. Assim, é urgente investir em práticas criativas diferentes das atuais formas de ensinar música na escola.

Fontes sociais do conhecimento físico: uma investigação com professores graduados em ciências biológicas

PID: S2177-60592020000100515 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Silva Lopes Takahashi
Resumo: Este artigo teve por objetivo ampliar a compreensão sobre a formação e os saberes dos professores de Ciências com relação ao conhecimento físico a partir dos sentidos atribuídos por eles às suas experiências formativas e da identificação das fontes sociais do seu conhecimento. Para isso, foi desenvolvida uma investigação narrativa com quatro professores de Ciências dos anos finais do Ensino Fundamental de escolas públicas de um município mineiro. A interpretação das narrativas aponta que os professores de Ciências participantes da pesquisa tiveram acesso a uma série de fontes sociais para a construção dos conhecimentos físicos utilizados em sua prática docente, sendo apontadas como mais significantes a formação escolar antes da graduação, a formação profissional continuada, as “ferramentas” de ensino e a experiência profissional. Os resultados apontam que há fragilidades na formação profissional inicial docente para o ensino de Física no Ensino Fundamental em Cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas. Entretanto, as outras fontes sociais citadas também possuem fragilidades. Por isso, aponta-se neste estudo a importância da formação continuada para suprir a carência de conhecimentos físicos e o desenvolvimento da reflexão crítica de professores de Ciências para atuarem como atores sociais.

Formação continuada de professoras alfabetizadoras: relações com a alfabetização e letramento

PID: S2177-60592020000100524 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Arruda Grosch
Resumo: A formação continuada é um processo constante, sendo importante que promova a autonomia e a criticidade das professoras alfabetizadoras, além de oportunizar a busca de instrumentos necessários no processo de alfabetização e letramento dos estudantes. Ler e escrever proporcionam aos seres humanos a capacidade de ação segundo suas normas e conceitos e geram as condições necessárias para alcançar níveis mais elevados de aprendizagem. A pesquisa teve como objetivo geral analisar a concepção das professoras alfabetizadoras sobre a alfabetização na perspectiva do letramento. Com abordagem qualitativa, os dados foram coletados por meio de questionário, contendo nove perguntas fechadas, junto a 30 professoras efetivas com experiência em turmas de 1º e/ou 2º ano da rede municipal de educação de Lages, SC. Na segunda etapa da pesquisa empírica, foram selecionadas as professoras, de acordo com os critérios de inclusão, para a realização da entrevista semiestruturada. Após a pesquisa, foi possível verificar, de acordo com a percepção das professoras, que as turmas de 1º e 2º anos necessitam de um enfoque diferenciado, levando em consideração a importância da alfabetização e do letramento para os estudantes. Exaltam, também, a premência de práticas alfabetizadoras que promovam, com os estudantes, possibilidades de avanços no conhecimento e transformação da realidade social em que vivem. Desse modo, torna-se imprescindível que a formação continuada de alfabetizadoras oportunize às professoras aprofundarem questões inerentes a esse processo e que levem em consideração as práticas e exigências educacionais no desenvolvimento dos conteúdos curriculares da Educação Básica.

Formação de professor e história oral: narrativas e algumas (im)possibilidades metodológicas

PID: S2177-60592020000100509 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Prado Gonzales
Resumo: Este trabalho é um exercício do que tem sido chamado, nas investigações do Grupo de “História Oral e Educação Matemática” (GHOEM), de metodologia em trajetória, isto é, o modo como, ao desenvolver um trabalho específico, questões de natureza metodológica surgem e podem/devem ser tematizadas pelo pesquisador como parte de sua pesquisa que, assim, contribui para o arcabouço metodológico de todo o seu grupo. No caso, a pesquisa em questão trata de um estudo das Faculdades de Tecnologia (FATECs) do Estado de São Paulo e se inscreve no projeto do GHOEM chamado “Mapeamento da formação e atuação de professores que ensinam/ensinaram Matemática no Brasil”. Destarte, este artigo apresenta uma breve síntese de alguns trabalhos já desenvolvidos nesse Projeto de Mapeamento, localizando nele, especificamente, a pesquisa sobre a FATEC para, em seguida, tendo como exemplo uma entrevista realizada para esta investigação, problematizar um aspecto metodológico do trabalho com narrativas, apontando algumas de suas possíveis fragilidades e potencialidades.

Formação de professores: desafio da pesquisa como prática pedagógica

PID: S2177-60592020000100504 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Almeida Boff Lopes
Resumo: O objetivo deste artigo foi analisar um processo interativo de formação de professores desenvolvido em uma escola de Educação Básica do Estado do Rio Grande do Sul (RS), permeado pela pesquisa. Constituiu-se um grupo de estudos com professoras da área de Ciências da Natureza, que planejaram e desenvolveram aulas para três turmas do Segundo Ano do Ensino Médio, com foco na proposta de (re)organização curricular denominada Situação de Estudo (SE), que tem como aporte teórico o referencial histórico-cultural, com sua base principal em Vigotski. Investigou-se, neste processo, as possibilidades de articulação dos conteúdos escolares com temáticas consideradas relevantes socialmente. Da análise dos dados emergiram três categorias: Pesquisa como princípio pedagógico; Pesquisa como princípio educativo; e Articulação dos conteúdos escolares com as pesquisas dos estudantes. Os dados produzidos trouxeram indícios de que o processo interativo contribuiu na construção de aprendizagens dos estudantes e das professoras, uma vez que, ao modificarem sua prática pedagógica para melhor orientar os discentes em suas pesquisas, também fizeram investigação, considerando a pesquisa como princípio pedagógico e educativo.

Formação docente e educação profissional: análise a partir de Shulman e Fleck

PID: S2177-60592020000100518 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Vieira Araújo Slongo
Resumo: O artigo relata estudo que teve o objetivo de analisar aspectos da formação docente para a atuação na educação profissional a partir do pensamento de Shulman (1986, 2005), Fleck (2010)e seus intérpretes. Trata-se de pesquisa bibliográfica, orientada pela Análise Textual Discursiva (MORAES; GALLIAZI, 2013). Nas obras de Shulman o foco esteve nas categorias de saberes docentes, particularmente o “conhecimento pedagógico do conteúdo”. Na obra de Fleck foram priorizadas as categorias epistemológicas “estilo de pensamento”, “coletivo de pensamento”, “círculos” e “circulações” de ideias. Essas categorias mostraram-se profícuas para uma análise dos saberes da docência presentes na formação e na prática dos professores da educação profissional. Considerando a aproximação existente entre as categorias teóricas dos dois autores, foi possível analisar que a aquisição do conhecimento pedagógico do conteúdo, pelos docentes da educação profissional, ocorre, de modo geral, no exercício da docência e em processos formativos. Em ambas as situações, houve destaque para a inserção dos docentes em distintos coletivos de pensamento, bem como para a circulação de ideias, em âmbitos intra e intercoletivos. Desse modo, tanto a formação quanto o cotidiano da docência na educação profissional, enquanto um espaço de educação continuada, mostraram-se lócus privilegiados para a aquisição e disseminação dos conhecimentos necessários à docência, particularmente o conhecimento pedagógico do conteúdo.

Formação inicial e continuada de professores(as) de história: impactos na prática docente

PID: S2177-60592020000100307 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Pina Aguiar Lima
Resumo: O texto propõe uma discussão acerca da relação entre formação inicial e continuada e prática docente de professores de História que atuam na Educação Básica. A discussão será conduzida com base na pergunta: “Em que medida a formação, em diferentes níveis, reflete na prática docente dos professores?”. A análise toma por base os resultados obtidos por meio da pesquisa Ensinar História: um estudo sobre as práticas de ensino e a produção de narrativas históricas por professores de História da Educação Básica (Paraná - São Paulo - Bahia - Goiás 1998-2014), coordenada pela professora Marlene Cainelli (UEL), tendo como fundamento as referências conceituais da Educação Histórica. Para este texto fizemos um recorte analisando as práticas dos professores da Bahia. Os dados foram analisados com base na análise de conteúdo e apresentados de forma contextualizada, portanto, dizem respeito ao universo investigado. Cruzando os dados do perfil dos professores com os referentes às escolhas metodológicas, não visualizamos diferenças marcantes que indiquem aprimoramento proporcionado por maior tempo e grau de formação; no tocante às narrativas sobre temas históricos, alguns professores com mestrado concluído ou em curso à época da pesquisa apresentam relatos mais organizados, atualizados e de maior nível de complexidade.

Gestão escolar democrática: desafios e perspectivas

PID: S2177-60592020000103002 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Sarmento Menegat
Resumo: As reflexões ora apresentadas são decorrentes de uma pesquisa teórica de cunho documental, cuja centralidade analítico-discursiva focaliza o direito à educação de qualidade e seus modos de efetivação em diferentes contextos. Neste texto, fazemos um recorte sobre o princípio constitucional da gestão democrática, analisando as decorrências de tal princípio para a gestão escolar. O corpus investigativo está composto por dispositivos legais que abordam o tema, estabelecendo-se um diálogo com as produções de autores, como Libâneo, Oliveira e Toschi, Medeiros e Luce e Lück. Por meio da Técnica de Análise de Conteúdo, definimos quatro eixos temáticos estabelecidos com base na incursão analítica realizada no corpus investigativo, a saber: concepção de gestão democrática, equipe de gestão escolar, instâncias de participação, organização e planejamento da ação gestora. Os principais achados do estudo são sistematizados em dois tópicos: desafios e perspectivas. Quanto aos desafios, destacamos a necessidade da consolidação de uma cultura escolar pautada pelo diálogo, pela participação e pela corresponsabilidade dos que integram uma comunidade educativa. No que se refere às perspectivas, enfatizamos que a gestão democrática pode se constituir numa dimensão mobilizadora das competências dos diversos atores que compõem a comunidade educativa, contribuindo para que haja sinergia entre eles, tendo em vista a consolidação da educação de qualidade.

Igualdade de oportunidades e acesso a conhecimentos relevantes: estudo sobre a equidade nas políticas curriculares

PID: S2177-60592020000100522 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Vasques Silva
Resumo: O presente estudo propôs-se a examinar os tensionamentos existentes entre a igualdade de oportunidades e a democratização do acesso a conhecimentos relevantes, por meio de uma revisão da literatura publicada no Brasil acerca da equidade nas políticas curriculares. A composição teórica do estudo encontra-se na interface entre os estudos curriculares e a sociologia da educação, evidenciando uma intensificação das investigações sobre a equidade. Após o exercício de mapeamento, constatou-se que cinco sentidos de equidade tendem a predominar na literatura brasileira: igualdade de oportunidades, promoção de recursos, processos e resultados, desempenho dos estudantes/eficácia escolar, justiça escolar e acesso ao conhecimento. Os debates em andamento gravitam em torno do debate meritocracia versus conhecimento, ou seja, a equidade no sistema educacional pode ser compreendida como acesso ao conhecimento; para isso se consideram os alunos diferentes no seu ponto de partida e se buscam meios para que alcancem uma efetiva aprendizagem. Mesmo reconhecendo as controvérsias acerca do conceito de equidade, consideramos que este possa contribuir para ampliar os debates acerca da justiça curricular.

Impressões de viagem: olhares sobre a gestão escolar em três instituições de ensino portuguesas

PID: S2177-60592020000100407 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Mandelert Lino Mocarzel
Resumo: A viagem educacional feita à Portugal, no mês de setembro de 2018, para conhecer sete instituições escolares portuguesas consideradas inovadoras resultou no presente ensaio de inspiração etnográfica, no qual abordamos três delas. Foram analisados seus projetos diferenciados, a fim de contribuir para o debate sobre escolas de prestígio e o papel da gestão na produção dos elevados padrões de qualidade do ensino e do desempenho dos alunos ostentados por essas instituições. É apresentada uma breve contextualização da educação lusitana para que sejam compreendidas as possibilidades que as escolas oferecem. A primeira escola fica em Lisboa, é privada, com uma pedagogia que congrega a formação humana-religiosa à autonomia dos estudantes, além da coesão de valores institucionais, omnipresente desde a estrutura física até ao currículo do “mar”. A segunda, situada em Coimbra, apresenta um conjunto de características bastante original: é experimental, católica, bilíngue (português e inglês), com uma gestão compartilhada pelos professores que são proprietários da instituição. A terceira é uma escola técnica pública no Porto, com gestão composta pela parceria público-privada, tendo como maior destaque a gestão de recursos efetuada pelo diretor e a adesão à inovação tecnológica. Como resultados, identificamos que as instituições têm em comum o favorecimento da autonomia dos estudantes, o que torna as aprendizagens mais eficazes.

Jornal Escolar na concepção de Célestin Freinet: diálogos com a legislação educacional catarinense - 1940

PID: S2177-60592020000100514 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Martins Rabelo
Resumo: Este artigo se dedica a realizar um diálogo entre a proposta do educador escolanovista Célestin Freinet sobre a utilização dos Jornais Escolares como práticas pedagógicas e seu uso nas escolas do estado de Santa Catarina, Brasil, em meados de 1940, a partir da análise da legislação estadual que regulamentou as Associações Auxiliares da Escola, em especial o Decreto-lei n. 3.735/1946 de Santa Catarina. A legislação catarinense de 1946 buscou se aproximar da perspectiva escolanovista com a criação das Associações Auxiliares da Escola às quais a Associação do Jornal Escolar pertenceu. Assim, analisamos a legislação estadual e a difusão, a partir da década de 1920, dos trabalhos de Freinet com relação à prática do Jornal Escolar. No estudo, observamos a tentativa dos governos e dos dirigentes educacionais do Estado catarinense de se aproximarem das ideias pedagógicas escolanovistas com a prática dos Jornais Escolares. Todavia, na realização da análise, observamos contradições entre a proposta da legislação e os princípios de Freinet sobre a utilização do Jornal Escolar.

Juventudes, tecnologias e educação: contextos emergentes

PID: S2177-60592020000100510 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Habowski Conte
Resumo: O artigo, de abordagem hermenêutica, teve por objetivo identificar as problemáticas e desafios em torno dos debates sobre juventudes, tecnologias e educação, analisando as teses de doutorado produzidas em universidades públicas brasileiras, disponibilizadas no portal de domínio público da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), no período de 2012 a 2016. Os resultados colocam em questão as fronteiras dos campos das tecnologias educacionais e das juventudes, oferecendo bases para repensar as dimensões sociais das tecnologias nas práticas mobilizadoras do educar, apresentando propostas desafiadoras, críticas e com potencial reconstrutivo de conhecimentos ao dar visibilidade a essas preocupações e tendências atuais.

Memórias dos professores-artistas de dança: experiências de seus primeiros passos e suas ressonâncias

PID: S2177-60592020000100512 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Junqueira Souza Carvalho
Resumo: Ao ingressar no curso de Dança - Licenciatura, o acadêmico já possui uma trajetória com a Dança anterior ao curso e, por vezes, chega no ensino superior já atuando como docente em ambientes não formais de ensino. Este estudo teve como objetivo analisar experiências dos acadêmicos em sua trajetória na Dança e suas ressonâncias enquanto docentes. Os dados foram gerados por meio de um trabalho de uma disciplina do curso de Dança - Licenciatura, de uma universidade localizada no Sul do País, no qual 18 acadêmicos registraram suas memórias sobre suas aulas de dança enquanto estudantes no ensino não formal. Ao escrever e refletir sobre sua própria trajetória na Dança, os acadêmicos conseguem identificar ressonâncias dessas experiências enquanto docentes. Utilizamos como aporte teórico autores que abordam a experiência (LARROSA, 2016), as pedagogias no ensino da dança (STINSON, 1995) e as narrativas utilizadas em percursos de formação (JOSSO, 2007). Os relatos sinalizam que a maioria dos acadêmicos tiveram suas primeiras vivências em dança em espaços não formais ou informais de ensino e que a dança está pouco presente na Educação Básica, até mesmo como forma de nutrição estética. Os acadêmicos indicam dilemas das aulas de dança, como aulas em espaços inadequados, a pouca presença de meninos nas aulas, o preconceito e a utilização da metodologia tradicional, mesmo em diferentes espaços de ensino e estilos de dança. Alguns registros apontam vivências em aulas baseadas nas pedagogias crítica, criativa e feminista, sinalizando uma mudança de pensamento sobre a Dança no seu cotidiano docente.

Na contramão da gestão democrática: políticas educacionais no Brasil a partir de 2016

PID: S2177-60592020000100404 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Morgan Najjar
Resumo: A partir da queda da Ditadura Civil-Militar e da construção de uma nova Constituição brasileira, a gestão democrática tornou-se princípio balizador da educação pública no Brasil. Importantes processos de alargamento da participação popular nas decisões no interior das instituições públicas e nos sistemas de ensino ocorreram, pautados, inclusive, por diversas políticas criadas para tal fim. Entretanto, após o Golpe Jurídico-Parlamentar de 2016, retorna à agenda política a discussão sobre uma suposta ineficiência da educação pública, abrindo espaços para novas formas de gestão escolar que divergem frontalmente do princípio constitucional. Este artigo, por meio de revisão bibliográfica e análise documental, objetiva descortinar e analisar os avanços históricos e os retrocessos nos processos democráticos na gestão dos sistemas e das escolas nos anos pós-Golpe de 2016. Conclui-se que, embora o País tenha conquistado um alargamento real da democracia na educação nas últimas décadas, tais conquistas permanecem instáveis e à mercê das variações político-partidárias.

O Pisa como indicador de aprendizagem de Ciências

PID: S2177-60592020000100501 | Periódico: Roteiro (2177-6059) | Ano: 2020
Autores: Fialho Mendonça
Resumo: O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) é um programa de avaliação comparada da aprendizagem de alunos, criado por países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O objetivo deste artigo foi analisar os resultados do Brasil no conteúdo de Ciências, nos anos de 2006 e de 2015, no Pisa, procurando observar as mudanças ocorridas, em relação a aprendizagem de Ciências e em termos de políticas públicas para essas alterações. A metodologia utilizada foi a revisão de literatura, seguida de análise de documentos oficiais a partir de dados do Pisa e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os resultados indicam que políticas públicas devem ser desenvolvidas para a melhoria do ensino de Ciências, que se encontra em segundo plano, em relação aos conteúdos de Português e Matemática.
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