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Formação pedagógica nas representações sociais de licenciandos

PID: S2177-62102014000300301 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Gomes Machado
Este artigo analisa as representações sociais de formação pedagógica de futuros professores. O estudo foi desenvolvido com estudantes de cursos de licenciatura da UFPE, em Recife (PE). Realizamos dois grupos focais, um com estudantes das áreas de ciências humanas e outro com estudantes de exatas e saúde. As discussões dos grupos foram interpretadas através da análise de conteúdo. Os resultados revelaram representações sociais de formação pedagógica centradas em questões didáticas e metodológicas. Contudo, os futuros professores têm noção do contexto das lutas políticas pela busca da valorização profissional que têm pela frente e demonstram reconhecer seus futuros alunos como sujeitos, atores do processo de ensino-aprendizagem. Sinalizamos para a necessidade de se construir canais mais efetivos de comunicação entre os cursos de maneira a articular o específico e o pedagógico, tão defendidos e, ao mesmo tempo, tão distantes no processo formativo.

Formação universitária, expectativas e condições de inserção profissional

PID: S2177-62102014000200004 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Bernardim
Este artigo trata da relação entre educação e trabalho a partir de investigação empírica com estudantes universitários. Os dados foram obtidos mediante a aplicação de um questionário a alunos de diversos cursos de uma universidade pública do interior do Estado do Paraná. Os resultados apresentam a caracterização desse público quanto à situação de emprego durante o percurso que vai do ingresso na universidade à formatura, bem como as perspectivas de futuro quanto ao trabalho e à educação; mostram, ainda, as percepções dos estudantes quanto ao mercado de trabalho e suas relações com a educação escolar. A utilização de referencial teórico da área e o cotejamento dos dados empíricos obtidos com outros estudos similares e indicadores estatísticos oficiais permitem perceber que, apesar da pressão social para que os jovens continuem os estudos em nível universitário, isso por si só não assegura a inserção profissional e sequer garante melhores condições de trabalho e renda.

Impacto do Programa de Formação Contínua em Matemática para professores de 1º ciclo do ensino básico no seu conhecimento didático

PID: S2177-62102014000100008 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Alves Fernandes Silva
Em Portugal, o Programa de Formação Contínua de Matemática para professores do 1º ciclo (do 1º ao 4º ano de escolaridade) tem por meta principal promover o conhecimento didático dos professores, tendo em vista o sucesso escolar dos alunos em matemática. No presente estudo, inquiriram-se 197 professores generalistas do 1º ciclo do ensino básico, que participaram no programa durante o ano letivo de 2007/2008, sobre as suas percepções acerca de várias dimensões do ensino e da aprendizagem da matemática e da sua participação no programa. Em termos de resultados, salientam-se, do antes para o depois da formação, algumas mudanças que vão no sentido das recomendações atuais para o ensino da matemática, que parecem requerer um maior tempo de formação tendo em vista o aprofundamento do conhecimento didático.

Ler "vendo" vozes: a polifonia no discurso

PID: S2177-62102014000300249 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Azevedo Mouriño Mosquera
Pensar a leitura implica necessariamente pensar a construção/produção do sentido via interlocução leitor/texto; pressupõe, de igual forma, pensar que o sentido não se constrói somente a partir do que está explicitamente dito no texto, mas também (e, muitas vezes, principalmente) pelo que está pressuposto, pelo que está sugerido implicitamente no texto. E pensar assim nos faz refletir não apenas sobre a leitura como objeto de aprendizagem na Educação Básica, mas também (e até prioritariamente) como habilidade a ser constantemente desenvolvida por todo e qualquer sujeito conhecedor, mais especificamente, por aquele que tem por profissão ensinar a ler: o professor. Dito isso, a proposta deste artigo é apresentar e exemplificar, por meio da análise de um fragmento do documento introdutório dos PCN, a concepção polifônica do sentido expressa pela Teoria da Argumentação na Língua, que vem sendo desenvolvida pelos semanticistas franceses Oswald Ducrot e Marion Carel. Acreditamos que a polifonia pode contribuir substancialmente para qualificar a leitura em qualquer nível de instrução ou de formação continuada.

Ludicidade no 1º ano do ensino fundamental: percepção e prática das professoras

PID: S2177-62102014000300258 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Gonçalves Ribeiro
O presente estudo tem por finalidade ressaltar a importância do lúdico no 1º ano do Ensino Fundamental, bem como investigar a percepção e as práticas das professoras em relação à ludicidade na referida etapa de ensino. Estes aspectos tornam-se relevantes por tratar-se do período de transição entre Educação Infantil e Ensino Fundamental e esse contexto exerce diversas mudanças na vida escolar dos alunos, resultando em grandes desafios para todos que fazem parte desse processo. A abordagem teórica baseia-se em autores como Borba, Kishimoto, Maluf, Moyles, entre outros, os quais comprovam que as atividades lúdicas colaboram para o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional das crianças. A pesquisa, de natureza qualitativa, foi realizada em uma escola municipal de Naviraí (MS), em uma sala de 1º ano do Ensino Fundamental, com os cinco professores que atuavam na turma e seis crianças escolhidas aleatoriamente, sendo que os instrumentos utilizados foram observações e entrevistas gravadas. Durante as observações, constatou-se que três docentes não incorporam a ludicidade em sua prática e utilizam metodologias pouco atrativas para as crianças. Quanto à percepção dos professores, três apontaram dificuldades especialmente relativas aos recursos oferecidos pela escola. Outros destacaram a agitação dos alunos, e apenas dois docentes veem a ludicidade como um fator essencial para o desenvolvimento das crianças. Ao responder sobre as disciplinas de que mais gostam e por que mais gostam, três crianças citaram Educação Física e as outras mencionaram Informática, Artes e Inglês, respectivamente, sempre com a justificativa de que brincam, jogam, recortam, desenham e fazem cartazes.

Neurociências e os processos educativos: um saber necessário na formação de professores

PID: S2177-62102014000100003 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Oliveira
A educação ganha importância inusitada, neste momento, quando se comprova que as estratégias pedagógicas utilizadas no processo ensino-aprendizagem são eficientes na reorganização do sistema nervoso em desenvolvimento, produzindo novos comportamentos. É neste contexto que se desenvolveu esta pesquisa com o objetivo de elucidar as contribuições diretas e indiretas da neurociência para a formação de professores. É um estudo bibliográfico realizado a partir de aportes teóricos de autores do campo da neurociência e da formação de professores, tais como: Bartoszeck (2007), Rose (2006), Hardiman e Denckla (2009), Scorza et al. (2005), Rato e Caldas (2010), Goswami (2006), Noronha (2008), dentre outros. A metodologia empregada foi o diálogo hermenêutico nos moldes propostos por Gadamer (1997), como abordagem compreensiva de saberes relacionais. Num primeiro momento, foram elencados autores cujos escritos se relacionam com a neurociência. Em um segundo momento, reunira-se autores que trataram da formação docente e, em um terceiro momento, realizou-se a confluência entre tais escritos com o propósito de associar os conhecimentos neurocientíficos de modo a direcioná-los como subsídios a serem empregados na área de formação de professores. A partir deste estudo, podemos apresentar algumas conclusões: a aprendizagem é decorrência da neuroplasticidade; o cérebro humano não finaliza seu desenvolvimento, mas reestrutura-se, reorganiza-se constantemente. Ideias novas sobre a cognição e o desenvolvimento podem dar novas direções para a educação.

O Banco Mundial e as políticas públicas para o ensino superior no Brasil

PID: S2177-62102014000300331 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Waismann Corsetti
O estudo das alterações no sistema de ensino superior a partir da influência dos organismos internacionais foca a análise no Estado brasileiro no período de 1995 a 2010. O objetivo é verificar as mudanças ocorridas neste sistema de ensino nas variáveis docentes, concluintes e na remuneração dos docentes e dos trabalhadores com escolaridade superior. A pesquisa situa-se no campo da Economia da Educação e pretende analisar o movimento de articulação do ensino superior diante da ordem econômica neoliberal, na perspectiva do debate crítico. Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo e quantitativo e de base documental. Observou-se que os docentes, ainda que mais preparados e com uma carga maior de alunos, ganham 24% menos, no período estudado; também se verificou que uma maior quantidade de concluintes resulta em mais trabalhadores com ensino superior empregados no mercado formal de trabalho, e esta maior qualificação disponível para o mercado não resulta em maiores salários; ao contrário, este é reduzido em 27% no período estudado. Percebeu-se, através dos indicadores utilizados, que as orientações formuladas pelo Banco Mundial foram aplicadas no campo da educação superior, o que teve como consequência uma expansão do setor que foi adequada às formulações dessa agência multinacional.

Os efeitos da ambivalência contemporânea no movimento social brasileiro: um estudo a partir das representações dos sem-terra em livros escolares

PID: S2177-62102014000300228 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Mutz
O artigo apresenta uma amostra da investigação realizada durante pesquisa de mestrado, quando se procurava mapear os modos como múltiplos artefatos culturais ensinam "verdades" acerca dos sujeitos envolvidos com o Movimento Sem-Terra. Problematiza, em especial, os diferentes atributos relacionados à identidade dos sem-terra postos em circulação na escola pública por meio de um livro didático de História distribuído pelo Estado. Entre as ferramentas teórico-metodológicas utilizadas destacam-se as noções de representação, currículo e identidade, consideradas segundo o que por elas se entende na vertente pós-estruturalista dos Estudos Culturais em Educação. Os resultados obtidos apontam para o modo ambivalente como os sujeitos sem-terra foram representados na publicação escolar. O que permite discutir, ao final do artigo, a pertinência do movimento social em nossos dias e a complexidade da luta que os sem-terra ainda hoje se empenham em realizar.

Os outros como condição de aprendizagem: desafio para uma abordagem sociodinâmica da Educação Comparada

PID: S2177-62102014000300220 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Ferreira
Em Educação Comparada, os outros têm de ser fundamentais. Querendo assumir uma abordagem sociodinâmica, defendemos que ela deve submeter-se à premissa da aprendizagem compreensiva, o que significa o propósito declarado de alcançar novo conhecimento sobre realidades sociais complexas. Uma aprendizagem compreensiva não se compadece com qualquer tipo de autoritarismo, antes exige uma atitude de empenho intelectual na verificação da legitimidade do conhecimento produzido e na colocação de novas questões ou na utilização de outros métodos ou outras técnicas de investigação. A aprendizagem compreensiva é integradora e articuladora de conhecimentos, desenha-se processualmente, procurando sentido em informações variadas. Os outros aqui não são só os que se inscrevem na realidade em estudo, evidentemente incontornáveis. Eles também são os pares e outras pessoas, de diversa filiação disciplinar, cultural e ideológica que ponderam a problemática e se constituem como interlocutores mais ou menos ativos e mais ou menos influentes quer na produção, quer na regulação ou na verificação da consistência da aprendizagem.

Políticas públicas para a educação a distância: democratização do ensino superior?

PID: S2177-62102014000200002 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Silva
O presente artigo visa discutir as políticas públicas referentes à modalidade de educação a distância, no que se refere às relações do processo econômico e político. Partindo da constatação de que toda política pública é fruto de uma visão do real, do mundo, pretende-se neste estudo balizar as relações de capitalização do ensino num modelo neoliberal. Constatamos que o modelo de implementação da modalidade de EaD sustentado pelo discurso de “democratização” da educação superior na realidade revela o subjacente processo de mercantilização e privatização da educação no Brasil nos últimos governos: FHC e Lula. No presente trabalho assumiremos a teoria marxista como referencial teórico que norteará nosso estudo.

Produção coletiva de textos na educação infantil: uma leitura dos saberes docentes

PID: S2177-62102014000200009 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Girão Brandão
Com base nas proposições de Tardif, o presente artigo analisa os saberes revelados por duas professoras em relação ao trabalho de escrita coletiva de textos com crianças de 5 a 6 anos. As professoras foram chamadas a assistir três atividades de escrita coletiva conduzidas por elas mesmas e que haviam sido registradas em vídeo. Tais momentos de “autoconfrontação” contaram com a participação das pesquisadoras, que estimulavam a reflexão e a discussão sobre as práticas observadas. Os encontros foram videogravados e a análise dos dados mostrou que as docentes explicitaram saberes relativos às estratégias de interação com o grupo, à coautoria dos textos, ao processo de textualização, à revisão textual, à ativação dos conhecimentos prévios das crianças sobre o conteúdo e gênero textual, entre outros. As trocas discursivas entre as professoras e a reflexão sobre a prática mostraram-se importantes ferramentas no processo de (re)construção e validação dos saberes docentes.

Projeto Kidsmart e a prática dos profissionais da educação infantil da Rede Municipal de Ensino de Curitiba

PID: S2177-62102014000100005 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Sá Galeb
O artigo trata da implantação do Projeto Kidsmart nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) da Rede Municipal de Ensino de Curitiba. A pesquisa se inscreve numa abordagem qualitativa por meio de estudo exploratório, que buscou analisar a formação continuada e atuação do profissional da Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Curitiba em relação ao desenvolvimento do Projeto Kidsmart nas turmas de Pré e as implicações que isso tem gerado no processo de ensino-aprendizagem das crianças. Os aportes teóricos baseiam-se nos autores Purificação e Brito (2006), Daniel (2003), Kensky (2007), Lemos e Cunha (2003), Lévy (1999), Morin (2000) e Oliveira-Formosinho (2002). Os primeiros resultados apontam que os profissionais e as crianças da Educação Infantil têm tido acesso ao computador, mas que esse acesso muitas vezes apresenta falhas de propósito, método e significação. Por outro lado, o Projeto Kidsmart vem proporcionando uma mudança em termos de espaço, tempo e concepções. Cabe a cada profissional da Educação Infantil refletir sobre a importância da apropriação e integração das Tecnologias de Informação e de Comunicação e suas linguagens aos processos educativos escolares contemporâneos visando a uma aprendizagem significativa. Há necessidade de se construir sentido sobre o uso dos recursos tecnológicos e suas aplicações na Educação Infantil para se garantir a qualidade no processo de ensino-aprendizagem.

Relações periféricas na escola: incumbências e sucumbências do Programa Bolsa Família

PID: S2177-62102014000200006 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Schefer
O trabalho discute as relações periféricas dentro de uma escola pública gaúcha: ocorrências circunstanciais e singulares definidas pela pobreza, de fato, e de interferências efetivas para melhorias nas condições de vida da população. Trata-se de resultados preliminares de uma investigação de inspiração etnográfica realizada em uma escola situada na região metropolitana de Porto Alegre (RS), onde 75% das crianças são oriundas de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família. A partir de anotações do diário de campo, observações e entrevistas abertas, buscou-se compreender em que medida o Programa Bolsa Família, que tem como objetivo inibir o trabalho infantil e manter as crianças por mais tempo na escola, está contribuindo para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem naquele lugar. A base teórica que sustentou as análises foi extraída da obra de Zygmunt Bauman sobre as mais diversas condições líquidas contemporâneas. Como será demonstrado, naquele contexto, o Programa Bolsa Família tem sido alvo, ora de críticas por parte da equipe pedagógica da escola, em vista do caráter assistencialista que opera, ora utilizado como motivo para abonar faltas das crianças, sob o argumento de que a escola não pode se indispor com as famílias. Em ambos os casos, as gentes do lugar estão sendo prejudicadas, primeiramente, porque a redistribuição de renda tem sido mais um modo de desqualificar as suas existências discursivamente. Segundo, porque, quando as crianças têm suas faltas ignoradas, o comprometimento da família com o processo de ensino está, automaticamente, sendo dispensado. Além disso, distorcem-se os resultados das avaliações de larga escala, como a “Prova Brasil”, que cruza informações socioeconômicas e pedagógicas, pois as notas baixas passam a refletir a ineficácia de um programa que nem foi introduzido de fato no contexto escolar.

Rui Barbosa e a educação: as Lições de Coisas e o ensino da cultura moral e cívica

PID: S2177-62102014000300320 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Machado Melo Mormul
Este artigo discute as ideias educacionais de Rui Barbosa (1849-1923), com ênfase no debate realizado pelo autor sobre as Lições de Coisas e o ensino da cultura moral e cívica no Parecer-Projeto Reforma do Ensino Primário e Várias Instituições Complementares da Instrução Pública, publicado em 1883, escrito como uma análise do Decreto nº 7.247, de 19 de abril de 1878, de autoria do Ministro Carlos Leôncio de Carvalho. Nesta discussão, busca-se a compreensão da posição de Rui Barbosa com relação ao uso, nas escolas primárias da capital do Império, das Lições de Coisas como método a ser utilizado pelos professores, bem como ao ensino de cultura moral e cívica, visto como disciplina importante à formação das crianças para a vida em sociedade. Para o autor, o ensino da moral era importante no programa escolar, pois proporcionaria a formação humana e social dos indivíduos, e as Lições de Coisas deveriam ser o método a ser adotado no ensino de todas as disciplinas escolares.

Tesouro de meninas e Tesouro de meninos: leitura de civilidade na América Portuguesa

PID: S2177-62102014000300312 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2014
Autores: Sena
Este trabalho tem como objetivo dar visibilidade aos livros Tesouro de meninas e Tesouro de meninos, que circularam na América Portuguesa a partir do período joanino. Tesouro de meninas é versão portuguesa do original, de autoria de Pauline de Montmorin, conhecida como Madame Leprince Beaumont, que escreveu e publicou esta obra de caráter pedagógico, em 1757. Esta foi traduzida pelo padre português Joaquim Ignácio de Frias, em 1774. O Tesouro de meninos, por sua vez, foi escrito pelo francês Pierre Blanchard e traduzido pelo português Matheus José da Costa. Embora não haja o registro da sua primeira edição, supõe-se que seja do século XVIII. Essas narrativas ficcionais chegaram ao Brasil graças às listas de pedidos de envio de livros ao Rio de Janeiro dirigidas à Real Mesa Censória, em Portugal. Os títulos de Tesouro de meninas e Tesouro de meninos fornecem indícios de um gênero até agora pouco estudado: livros de civilidade. Tais obras introduziram as pessoas letradas na América Portuguesa aos códigos de sociabilidade, conforme foram se expandindo as redes de sociabilidade no período joanino.

A Educação Especial nos cursos de Pedagogia

PID: S2177-62102013000300009 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2013
Autores: Deimling
O objetivo deste ensaio teórico consiste em discutir qual foi, qual é e qual poderia ser o espaço reservado à Educação Especial nos cursos de formação de professores, em particular nos cursos de Pedagogia. Para tanto, foi realizado um estudo bibliográfico de caráter qualitativo, tendo como referencial teórico autores cujos estudos focam o curso de Pedagogia e a temática Formação de Professores, especialmente no contexto da inclusão escolar, tendo como foco principal o Estado de São Paulo. Da mesma forma, foram utilizadas para discussão algumas das políticas e diretrizes públicas que têm fundamentado a formação de professores. Ao longo da discussão, foi ressaltado o espaço reservado à Educação Especial na formação docente antes e depois da promulgação da Resolução CNE/CP N° 1/2006 e, ao final, discutida a importância dos conhecimentos sobre Educação Especial nos cursos de formação de professores, apresentando o espaço que esses conhecimentos poderiam ter no momento de sua formação inicial. O ensaio conclui que, apesar do avanço das discussões dessa área do conhecimento, a Educação Especial pode, ainda, conquistar mais espaço no currículo desses cursos, não necessariamente por meio de um aumento do número de disciplinas específicas, mas por meio de conteúdos ou tópicos relacionados ao assunto em outras disciplinas da matriz curricular.

A atenção nas malhas dos ininterruptos gozos proporcionados pela indústria cultural

PID: S2177-62102013000100003 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2013
Autores: Rodrigues Farias Castro
Ao considerar que a expansão do uso das novas tecnologias no processo educativo ocorre num contexto histórico e social norteado cada vez mais pelo e para o modo de produção de mercadorias, este artigo aborda como a utilização desses aparatos no processo de ensino e aprendizagem vem atuando sobre a capacidade das pessoas de direcionarem e conservarem sua atenção para o que estudam. Ao basear-se na Teoria Crítica da Sociedade, levanta-se a hipótese de que a ligação cada vez mais intensa das pessoas a esses aparatos vem redundando, entre outras coisas, no enfraquecimento da capacidade de direcionar e governar a própria atenção durante um determinado tempo. Nesse sentido, o artigo retoma as explicações de Marx sobre o conceito de mercadoria, relacionando o que ele denominou de Fetichismo com a ideia do Soberano, discutida por La Boétie; aborda como o modo de produção de mercadorias no capitalismo subordina progressivamente a cultura e os espaços de produção autônoma do espírito à lógica da troca, configurando o que Adorno e Horkheimer chamaram de indústria cultural. Partindo da compreensão de que os produtos da indústria cultural exploram a percepção proporcionando vivências sadomasoquistas, obtidas ao custo da imobilização do exercício da representação e do pensamento, o artigo finaliza com apontamentos sobre como essas experiências vêm prejudicando a capacidade das pessoas de dedicarem e dirigirem a sua própria atenção e concentração.

A bioética na educação escolar: uma discussão importante

PID: S2177-62102013000100002 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2013
Autores: Oliveira
Este artigo busca situar inicialmente como a Bioética vem sendo compreendida hoje em dia em termos epistemológicos e sociais, destacando que sua presença na educação básica brasileira é ainda embrionária. Em seguida, analisa algumas proposições presentes em documentos amplamente reconhecidos na esfera da discussão Bioética, procurando mostrar que, a partir deles, várias discussões podem ser conduzidas. Por fim, considerando as rápidas transformações tecnológicas e científicas no âmbito das biociências e a emergência de questões polêmicas, como a eutanásia e os direitos sexuais e reprodutivos, defende a inserção da discussão sobre Bioética na educação escolar, sobretudo no ensino médio. Tal inserção é pensada em termos interdisciplinares, de modo a envolver os professores das diferentes disciplinas e possibilitar a abordagem de temáticas atuais que não devem ser ignoradas nos processos de formação intelectual e moral dos estudantes. O referencial teórico-metodológico que dá suporte ao estudo é a abordagem da ética feita por Chaïm Perelman com base em uma perspectiva pluralista, que põe em relevo a importância dos processos argumentativos no confronto entre visões conflitantes.

A literatura africana como pedagogia libertadora na prática do ensino de história

PID: S2177-62102013000200007 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2013
Autores: Costa
Este artigo busca analisar as potencialidades do estudo da História na Educação Básica, via literatura, em especial a de matriz africana de língua portuguesa, por meio de poemas de Jofre Rocha sobre lutas de libertação de Angola, que possam efetivar possibilidades de leituras e reflexões sobre a África e o Brasil, na implementação da Lei 10.639/2003. Para concretizar essa proposição, utilizam-se como aportes teóricos as concepções de História Cultural e de Literatura Empenhada - que, segundo Antônio Cândido, é uma abordagem da literatura que parte de posições éticas e políticas - e, também o referencial freireano de leitura de mundo e de pedagogia libertadora. O método adotado foi o da análise comparativa dos poemas, buscando interconectar os elementos que formulam a narrativa poética com as lutas de libertação de Angola. Argumenta-se que esses elementos também podem ser pontos de despertamento de uma curiosidade - que não é ingênua - sobre o continente africano e nossa ligação com o mesmo. O texto finaliza com a discussão sobre o quanto é possível identificar e vislumbrar que a literatura descortina uma gama de alternativas, juntamente com a História, para outra leitura do mundo e como a literatura poética de resistência poderá proporcionar também o trabalho com outros documentos, como, por exemplo, os ditos oficiais.

A relevância da educação popular para o serviço social

PID: S2177-62102013000200006 | Periódico: Educação UNISINOS (2177-6210) | Ano: 2013
Autores: Machado
O artigo tem como objetivo principal retomar o debate acerca da educação popular enquanto temática e estratégia de ação relevante para o trabalho e a formação profissional do(a) assistente social. Constata-se que ao mesmo tempo em que parece ter sido submersa no debate teórico-profissional ante o refluxo dos movimentos sociais, está presente no trabalho de campo desses profissionais, sobretudo porque esse paradigma educativo visa contribuir com o processo de conscientização e mobilização dos sujeitos sociais. De modo geral, o texto apresenta reflexões teóricas que emergiram a partir de pesquisas bibliográficas acerca das produções que abordam a relação entre educação popular e serviço social, que estão em andamento desde 2011 no Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Popular, Serviço Social e Movimentos Sociais (GEPEDUPSS) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Considera-se que, na medida em que compete ao serviço social orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais na defesa de seus direitos, a educação popular é uma importante aliada, tanto no debate político-ideológico como no técnico-operativo que se opõe à hegemonia dominante.
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