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O ENSINO DE HISTÓRIA NO CONTEXTO DA DITADURA CIVIL-MILITAR: NARRATIVAS DOS PROFESSORES EM VITÓRIA DA CONQUISTA-BAHIA (1964-1985)

PID: S2178-26792022000100308 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Silva Pina
RESUMO: O presente artigo resulta de uma pesquisa de mestrado que buscou investigar o ensino de História na rede pública de Vitória da Conquista, Bahia, no período da Ditadura Civil-militar no Brasil, e teve como principal fonte as memórias de professores. O objetivo é compreender como se deu o ensino de História na educação básica, na rede pública de Vitória da Conquista - BA, durante o período ditatorial no Brasil, com base nas memórias de professores. A referida pesquisa se insere no âmbito da História da Educação e do ensino de História, e nas reflexões sobre currículo. As narrativas dos professores foram analisadas visando compreender as relações estabelecidas entre a disciplina ensinada e o contexto de repressão, além de considerar o modo como a memória desse período foi reconstruída pelos professores entrevistados e os significados que atribuíram a essas lembranças. No percurso metodológico lançamos mão da História Oral, como ferramenta de coleta de dados, além da análise documental, como possibilidades para a discussão em torno do currículo da época, da formação docente e da história do ensino de História. A análise das narrativas demonstrou a presença de contradições nas posturas de alguns professores. Ao mesmo tempo que teciam críticas ao livro didático, ao Regime imposto, aos conteúdos doutrinários da história oficial,” por outro lado, reforçavam a necessidade de valores cultivados naquele período, como condutas comportamentais e cívicas.

O PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO PRIMÁRIA NO MUNICÍPIO DE MANDAGUARI-PR (1940 - 1980)

PID: S2178-26792022000100310 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Machado Huss
RESUMO: A escolarização primária é tema deste artigo que tem como objetivo a reconstituição histórica dos processos de institucionalização e expansão das escolas de ensino primário nas áreas urbana e rural do município de Mandaguari-PR, tomando como recorte temporal as décadas de 1940 e 1980. O artigo está inserido na linha de pesquisa História e Historiografia da Educação sendo organizado a partir de fontes documentais e iconográficas caracterizadas pelas leis e decretos que autorizaram o funcionamento das instituições escolares. O artigo indaga como ocorreu o processo de institucionalização e expansão das escolas de ensino primário no município de Mandaguari-PR. A educação urbana pode ser dimensionada em dois períodos: da escola Isolada Lovat (1937) ao Grupo Escolar Mandaguari (1946), da criação do Ginásio Estadual de Mandaguari ao Complexo Escolar Professora Hilda de Oliveira (1973 a 1988). A educação rural (1950 a 1980) compreendia cerca de 38 escolas isoladas, localizadas na zona rural do município e que eram, normalmente, construídas em madeira, contavam com estruturas precárias, poucos recursos e apenas um professor responsável pela escola. A reconstituição da escolarização primária, nas áreas urbana e rural, permitiu a compreensão do processo de colonização norte-paranaense e sua relação com a história do município de Mandaguari, revelando o movimento da história dos homens e da educação naquele período histórico.

O REFORMISMO CAPITALISTA E OS CONTRASSENSOS ENTRE O MOVIMENTO ESCOLA NOVA E A EDUCAÇÃO SOCIALISTA

PID: S2178-26792022000100118 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Silva Gomes
RESUMO: A educação em face da vida em sociedade modificada pela industrialização do século XX e as implicações decorrentes da ordem social capitalista, nos ideais de trabalho e formação humana, induziram reformas no sistema educacional que perduram, ainda, no século XXI, assentadas, por um lado, na tradição do Movimento Escola Nova e, por outro, na tradição socialista. E, nesse campo de força, as reformas continuam situadas, impondo obstáculos à emancipação humana, à transformação social e à soberania popular. Nessa perspectiva, este artigo examina essa problemática tomando como base duas obras fundamentais: Introdução ao Estudo da Escola Nova, de Lourenço Filho, do século XX e Educação para Além do Capital, de István Mészáros, do século XXI. A primeira referência postula uma revisão crítica do sistema de ensino, por meio de influência de determinações do industrialismo da época; e a segunda, se caracteriza por postular uma ruptura com o tipo de educação forjada dentro da ordem social capitalista e suas determinações reprodutivas. Questiona-se a lógica da dependência, da hierarquização e da verticalização das relações de trabalho do mundo industrial transposta ao campo da educação por meio de arranjos centrados nos acordos da V Conferência Mundial da Escola Nova de 1929. Essa lógica resultou na negação dos modos elementares da vida cotidiana brasileira e, além disso, numa educação adaptada aos ditames do mercantilismo, de uma ética utilitarista e ao estado de coisificação do homem, fragilizado pela subordinação estatal frente ao sistema de produção capitalista e a tirania do autoritarismo político.

O TRABALHO DE PROJETO NA PRÁTICA DE ENSINO DE FUTUROS PROFESSORES DO ENSINO BÁSICO EM PORTUGAL

PID: S2178-26792022000100107 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Correia Tempera da Fonseca Tinoca
RESUMO: A prática de ensino supervisionada do futuro professor é um período determinante para o desenvolvimento das suas práticas educativas e competências profissionais. Apesar de valorizarem a sua natureza ativa e interdisciplinar, muitos professores têm demonstrado dificuldades em implementar o Trabalho de Projeto nas suas práticas. Este estudo visa conhecer a forma como os futuros professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico, em Portugal, integram o Trabalho de Projeto nos seus estágios de prática pedagógica. Os dados foram recolhidos através de entrevistas em grupo focal a dois grupos de estudantes de instituições diferentes, mas com modelos de formação semelhantes. Os resultados demonstram que os futuros professores valorizam e procuram contemplar o Trabalho de Projeto nas suas práticas educativas, atravessando algumas dificuldades na implementação desta metodologia, que poderiam ser atenuadas através de uma maior concertação entre a instituição formadora e as escolas de estágio, de modo a minimizar o hiato existente entre os modelos pedagógicos abordados na formação e as realidades educativas encontradas.

OS SABERES PROFISSIONAIS DOS PEDAGOGOS E AS TECNOLOGIAS DIGITAIS NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

PID: S2178-26792022000100112 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Vasconcelos Ferrete Santos
RESUMO: Este artigo tem por objetivo problematizar a construção dos saberes profissionais sobre as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no curso de Pedagogia da Universidade Federal de Sergipe. A partir de Tardif (2019) e compreendendo que o digital está inserido em todos os espaços da sociedade e, consequentemente na educação, investigar o itinerário formativo sobre TDIC dos docentes, discentes e dos egressos do curso torna-se essencial. Com isso, por meio de uma pesquisa qualitativa com viés exploratório, chega-se à consideração de que a apropriação das TDIC, intrínsecas à formação profissional do Pedagogo (universitária), não podem desprezar os saberes vivenciais ou experienciais, tendo em vista que a construção e mobilização dos saberes ocorrem no diálogo entre o Conhecimento Universitário, os Saberes Profissionais e os Saberes Docentes. Também foi possível perceber a emergente necessidade de políticas públicas para a integração das TDIC nos espaços formativos, para que os docentes e discentes possam diversificar as estratégias de ensino e aprendizagem.

PERFIL DOS ESTUDANTES PÚBLICO-ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRA ANTES DA LEI DE RESERVA DE VAGAS

PID: S2178-26792022000100101 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Rocha Lacerda Lizzi
RESUMO O objetivo principal da presente pesquisa é mapear e analisar aspectos relativos aos estudantes público-alvo da Educação Especial (PAEE), sobretudo traçando um perfil destes no ano de 2015. Os estudantes PAEE na Educação Superior brasileira representavam, em 2015, 0,47% em comparação as matrículas no geral nos cursos de graduação (INEP, 2015). A pesquisa foi quantitativa, com método descritivo e exploratório. A lei de reserva de vagas alterada em 2016 (Lei nº 13.409) para contemplar as pessoas com deficiência passa a ter um papel fundamental na democratização do ingresso desses estudantes na Educação Superior. Por meio da análise dos dados, foi possível descrever o PAEE na Educação Superior brasileira, entender quantos e quem são, sobretudo no tocante a raça/cor e idade. Com os dados obtidos na análise realizada, foi possível identificar gargalos e propor a construção de políticas públicas mais efetivas e direcionadas a esse público, por vezes alijado da educação.

PRESCRIÇÕES COLONIZADORAS E SOBREVOOS POSSÍVEIS SOBRE O CURRÍCULO DE HISTÓRIA

PID: S2178-26792022000100110 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Silva Lucini
RESUMO: O presente artigo objetiva apresentar reflexões no âmbito do Ensino de História em diálogo com cenários vivenciados no exercício da docência, na disciplina de História, em uma escola pública do estado de São Paulo, no contexto da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2, na modalidade do ensino remoto. Para tanto, nos ancoramos em relatos coletados durante as aulas ministradas e estudos bibliográficos, no campo dos estudos de currículo e do ensino de História. Esta prática docente possibilitou problematizações entre o conteúdo ofertado em consonância com as diretrizes oficiais e seus desdobramentos entre os estudantes. Diante da relação entre o currículo oficial e os estudantes surgiu a questão central deste trabalho: discutir o lugar do Outro e da Diferença no currículo paulista durante a pandemia. Ao final, tais implicações nos direcionam a pensar que uma educação problematizadora produz alterações tanto na práxis docente, quanto no perfil dos estudantes, refletindo em uma sociedade democrática.

SISTEMA DE AVALIAÇÃO DE PERIÓDICOS NO BRASIL: IMPACTOS DA EVOLUÇÃO DOS CRITÉRIOS DO QUALIS-PERIÓDICOS DA ÁREA DE EDUCAÇÃO

PID: S2178-26792022000100100 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Sene Bizelli
RESUMO: O artigo analisa a produção do Qualis-Periódicos da área de Educação, no período de 2010 a 2018 - triênio 2010 a 2012; quadriênio 2013 a 2016 e avaliação de meio termo sobre os anos 2017 e 2018. O instrumento serve para avaliar a produção de docentes do Sistema de Pós-graduação no Brasil, embora seja frequentemente utilizado para outros fins. É possível determinar dois tipos de mudança nos critérios de avaliação: uma incremental, entre o triênio e o quadriênio; outra de ruptura, quando em 2019, na avaliação de meio termo, introduz-se um novo fator para medir impacto ou citação. As análises da pesquisa estão fixadas sobre fontes documentais: os próprios Qualis e os documentos orientadores e avaliativos da Área da Educação. Os dados demonstram um aumento considerável na estratificação dos periódicos ocasionada pela objetivação dos critérios, nos primeiros períodos, e uma ruptura no último; uma diminuição drástica do universo de avaliação com a introdução do princípio de área mãe; e uma incerteza quanto à avaliação que virá em 2021.

SISTEMA DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL DE ALAGOAS - SAVEAL: PARA OU CONTRA A DEMOCRATIZAÇÃO DA/NA EDUCAÇÃO BÁSICA?

PID: S2178-26792022000100109 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Lima Luce
RESUMO: A partir de pesquisa sobre o Sistema de Avaliação Educacional de Alagoas - Saveal, de 2001 até o ano de 2021, neste artigo focamos sua implementação no governo de José Renan Calheiros Filho (2015-2021). Tomamos como pressuposto que a avaliação externa e em larga escala é relevante quando fornece informações à gestão dos sistemas e instituições escolares, auxiliando dirigentes políticos e profissionais do magistério na tomada de decisões para o desenvolvimento educacional e a mitigação dos problemas identificados. A descrição e análise do Saveal, neste estudo, considera-o como movimento de política pública integrado à gestão educacional (BROOKE e CUNHA, 2011; SOUSA e OLIVEIRA, 2010) e suas implicações para a democratização da educação básica alagoana (MEDEIROS e LUCE, 2006; DIAS SOBRINHO, 2010). A análise do Saveal está situada na conjuntura histórica e sociopolítica e na sua materialização/implementação pela aplicação de testes de rendimento aos alunos. Contudo, neste estudo observamos, mormente, o modelo de gestão político-educacional utilizado no estado de Alagoas, mais particularmente no âmbito da Secretaria de Estado da Educação. Em metodologia qualitativa, de análise bibliográfica e documental, investigamos processos e resultados das avaliações externas em larga escala no estado de Alagoas. Notamos crescente meritocracia e privatização na gestão político-educacional, em detrimento da democratização da/na educação pública.

UMA ANÁLISE DOS CURRÍCULOS PORTUGUÊS E BRASILEIRO SOB O OLHAR DA EDUCAÇÃO HISTÓRICA

PID: S2178-26792022000100303 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2022
Autores: Thomson Gago Cainelli
RESUMO: Este artigo tem como objetivo analisar dois documentos curriculares ligados ao ensino de História, as Aprendizagens Essenciais (AE) aprovadas em 2018 em Portugal e as Habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) aprovadas em 2017, no Brasil. Realizaremos uma análise qualitativa, utilizando a estratégia metodológica da análise documental. Em um primeiro momento, faremos uma breve contextualização de ambos documentos, verificando em quais contextos históricos eles foram aprovados e como são explicitadas as concepções de aprendizagem histórica em ambas propostas. Nossa análise insere-se no campo da Educação histórica, que em Portugal e no Brasil tem se constituído como uma proposta de ensino de história que articula teoria e prática na perspectiva da epistemologia da história e que tem se colocado como um campo de estudo para um ensino de história comprometido com o pluralismo democrático. Nesse sentido, a análise terá como foco a identificação de elementos-chave do campo da Educação histórica nesses documentos curriculares, como a abordagem de conceitos meta-históricos, de conceitos substantivos e a questão dos temas controversos. Também estabelecemos um recorte de análise nos currículos do 9º ano em ambos países sobre as abordagens dos pressupostos da aprendizagem histórica apresentada pelos documentos curriculares.

A BRINQUEDOTECA EM ESPAÇO DE ACOLHIMENTO HOSPITALAR: REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA FREIREANA

PID: S2178-26792021000400024 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Santos
Resumo: Este artigo objetiva analisar o trabalho pedagógico desenvolvido na brinquedoteca de um Espaço de Acolhimento vinculado a um hospital, que atende crianças vítimas de escalpelamento, no estado do Pará, no período de 2018-2019, com o foco na ludicidade. As questões orientadoras do estudo são: Por que brincar no ambiente hospitalar? Em que contribui o brincar na formação das crianças no ambiente hospitalar? Trata-se de ação pedagógica desenvolvida por um núcleo de educação popular universitário, cuja referência é Paulo Freire. Para compreender a atuação pedagógica na brinquedoteca, realizaram-se pesquisa bibliográfica, observação in loco, análise das práticas desenvolvidas e conversas informais com os profissionais e usuários do espaço. Conclui-se que o brincar, como atividade lúdica, possibilita subverter e aflorar sentimentos presentes na vida das crianças e viabiliza a superação da dor e das angústias e medos gerados pela doença e internação prolongada de crianças em tratamento de saúde.

A EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA EM TEMPOS DE “ESCOLA SEM PARTIDO”

PID: S2178-26792021000200451 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2021
Autores: Immianovsky Marchi Carvalho
Resumo: Este texto aborda autores que tratam das relações entre educação, sociedade e democracia, além de normas constitucionais e infraconstitucionais da legislação brasileira, com o objetivo de desenvolver a ideia de uma educação democrática e, assim, problematizá-la frente à organização Escola sem Partido (EsP). Busca-se demonstrar que a educação democrática é um princípio inegociável em uma democracia. No entanto, com o golpe de Estado de 2016 e a intensificação das ações da organização EsP, princípios basilares como os relacionados à educação democrática foram colocados em dúvida e, por isso, necessitam ser constantemente defendidos e reafirmados.

A EPISTEMOLOGIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA COMPARADA: APLICAÇÕES E TENDÊNCIAS

PID: S2178-26792021000200239 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2021
Autores: Lamar Roach Zoboli
Resumo: O conhecimento comparativo é levado em consideração na Educação Física ao planejar, implementar, monitorar e avaliar políticas, currículos, currículos, aulas e pesquisas. A Epistemologia da Educação Física Comparada trata da validade desses conhecimentos. O objetivo deste artigo é discutir como as diversas perspectivas epistemológicas se manifestam na produção do conhecimento comparativo para a Educação Física. São expostas as perspectivas epistemológicas a respeito dos pressupostos ontológicos e gnoseológicos que sugere e suas aplicações no trabalho comparativo. Conclui-se que na Educação Física Comparada há confluência, complementação e triangulação entre as perspectivas epistemológicas, bem como os métodos e técnicas que promovem, não apenas tendências inevitáveis, mas também louváveis. O trabalho sistematiza experiências de trabalho de ensino e pesquisa dos autores em questões epistemológicas relacionadas à educação física.

A ESCOLA NA BERLINDA: PESQUISA DOCUMENTAL E NARRATIVAS JUVENIS EM FOCO

PID: S2178-26792021000300397 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2021
Autores: Costa Silva
Resumo: Este estudo propõe discutir o lugar que a escola ocupa na vida dos jovens matriculados nas turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Trata-se de um estudo de caso realizado numa escola da rede municipal de Cabedelo, Paraíba. O Diário de Classe e a ficha-individual referentes aos anos de 2017 e 2018 bem como entrevista semi-estruturada, realizada com os alunos dos Ciclos III e IV da EJA, respaldam o trabalho empírico. Alguns resultados indicam que eles vão para as turmas da EJA, ou a isso são “obrigados”, frente à retenção e evasão escolar promovidas pela Escola. Os dados do Ciclo III, Turmas A e B, ano 2017 e a Turma “Única”, ano 2018, referidos ao desempenho escolar, a partir dos saberes de Português, Matemática, Geografia, Ciências, História, Inglês e Artes, apontam que, dos 112 alunos, a média é de 34 alunos aprovados. E os do Ciclo IV, contemplando os mesmos saberes, mostram uma média de 46,14 de aprovados, de 79 alunos matriculados nos anos 2017 e 2018. Conciliar escola e trabalho, experimentar turmas heterogêneas e apresentar baixo rendimento escolar são variáveis concretas que apontam para a complexidade dessas histórias escolares assimétricas, reativadas por trajetórias descontínuas na Educação Básica. As fontes documentais e as narrativas dos jovens mostram que o problema histórico da retenção e da evasão escolar é também o fracasso da escola, ao contribuir, especificamente, para os processos de exclusão e de desigualdades sociais.

A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO SUPERIOR: UM ESTUDO DAS LEGISLAÇÕES NACIONAIS

PID: S2178-26792021000100324 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2021
Autores: Fávero Pagliarin
Resumo: O objetivo do presente texto é analisar legislações nacionais que sugerem a responsabilidade das instituições de educação superior federais em planejar e desenvolver ações de formação continuada aos seus docentes. Trata-se de uma pesquisa qualitativa quanto à abordagem do problema, exploratória quanto ao objetivo e documental quanto aos procedimentos. A discussão está ancorada em Alvarado-Prada, Freitas e Freitas (2010), Behrens (2007), Pachane (2006), Pimenta e Anastasiou (2003), Soares e Cunha (2010), dentre outros. O artigo é composto por duas partes. A primeira apresenta os principais aspectos das referidas leis e a segunda analisa os pontos que podem repercutir em promoção de formação continuada para docentes do magistério superior. A análise da legislação nacional indicou tímida discussão sobre a docência e seus saberes nos cursos de mestrado e doutorado; enfoque dos cursos stricto sensu na pesquisa; escassas estratégias que garantam implementação de política de desenvolvimento de pessoal para professores de magistério superior, embora o desenvolvimento profissional desses professores seja bastante considerado em políticas externas de avaliação da educação superior. Em síntese, não há política nacional de formação continuada para docentes universitários, porém, há legislação que obriga as instituições federais de educação superior a ofertar política de desenvolvimento de pessoal em nível de capacitações - não de formação continuada - para técnicos-administrativos e docentes.

A INSERÇÃO DA TERMINOLOGIA “DIREITO À APRENDIZAGEM” NO ARCABOUÇO LEGAL DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

PID: S2178-26792021000300152 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2021
Autores: Militão
Resumo: Tem-se como pressuposto que as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e o anexo denominado Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação) aportam-se em abordagem de viés economicista em consonância com o projeto ultraliberal em curso. Argumenta-se que o Parecer CNE/CP nº 22/2019 e respectiva Resolução CNE/CP n. 02/2019 e Parecer CNE/CP nº 14/2020 e Resolução CNE/CP nº 1/2020 recuperam um projeto de formação de professores ancorado na racionalidade técnica vencido política e institucionalmente no início dos anos 2000. Almeja-se desvelar em quais princípios se apoia e quais elementos caracterizam o projeto de formação docente inscrito nas ‘novas’ diretrizes. Recorre a pesquisa documental, detendo-se particularmente na análise da inserção da terminologia “direito à aprendizagem” nas novas diretrizes com vistas a desnudar as implicações para a formação inicial de professores. Almeja-se, portanto, traçar o percurso que propiciou a incorporação do termo “direito de aprendizagem” nos normativos atinentes a formação de professores. Adota o conceito de aprenderismo e tem Biesta (2012, 2013, 2017) como autor de referência para analisar o discurso legal. A substituição no texto normativo da linguagem da educação pela linguagem da aprendizagem é materializada na BNC-FI e na BNC-FC com a listagem das competências e habilidades, obliterando o lugar do conhecimento no projeto de formação de professores e, por conseguinte, na formação de estudantes na educação básica, indicando a influência de uma matriz calcada na racionalidade técnica nos processos formativos em detrimento de uma fundamentação assentada na racionalidade crítica.

A MATRÍCULA COMO DIREITO DO ESTUDANTE NA PANDEMIA DA COVID-19

PID: S2178-26792021000100488 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2021
Autores: Souza Ferreira
Resumo: Este texto aborda o direto à matrícula escolar com a escolaridade nos tempos de pandemia do novo coronavírus. Parte do princípio de que a matrícula escolar é lastreada pelo direito à educação, conforme se preconiza na Constituição da República Federativa do Brasil (1988), simbolizando a validação da identidade estudantil. Para tanto, referencia-se nas normativas e leis que regem o ordenamento jurídico brasileiro para cotejar informações de domínio público e apresentam-se o ensino emergencial e mapeamento da situação de oferta da educação no país, expondo estratégias para validar o ano letivo, como também alternativas para terminalidade de estudos. Desse modo, se configurou como uma pesquisa qualitativa, exploratória e documental que reúne conjunto de dados relevantes para contexto e problematizacão do percurso do estudante. Constata-se que a pandemia atingiu o direito a matrícula, em maior escala nos estabelecimentos públicos de ensino e que foi protelada, por circunstâncias impostas pela COVID-19, a tomada de decisão para validar esse direito.

A NARRAÇÃO DA EXPERIÊNCIA VIVIDA FACE AO “PROBLEMA DIFÍCIL” DA EXPERIÊNCIA: ENTRE MEMÓRIA PASSIVA E HISTORICIDADE

PID: S2178-26792021000100038 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2021
Autores: Breton
Resumo: Zahavi, num artigo intitulado “Intencionalidade e Fenomenalidade: um Olhar Fenomenológico sobre o ‘Problema Difícil’”, publicado em 2015, questiona as relações dialéticas existentes entre consciência, memória e experiência. O difícil problema da consciência pode ser resumido da seguinte forma: embora seja relativamente simples apreender o conteúdo da experiência, os efeitos experienciais vividos parecem, por outro lado, estar fora do alcance do campo atencional e, consequentemente, do trabalho narrativo fundado nas palavras. Uma vez que a experiência é dada para ser vivida de uma forma “apresentacional”, ela é primeiramente vivida e retida passivamente antes de ser apreendida de uma forma reflexiva e compreensível como objeto de pensamento. Esta diferenciação entre “conteúdo da experiência” e “efeitos experienciais experimentados” constitui, segundo o termo proposto por Zahavi, uma “lacuna explicativa”. Ao pensar nas condições para superar esta lacuna no quadro de uma epistemologia da narrativa, este trabalho examina os processos e as temporalidades da transição da experiência para a linguagem, do ponto de vista fenomenológico e biográfico. Questionar as modalidades pelas quais as práticas narrativas participam da expressão em palavras dos conteúdos da experiência (o teórico), mas também dos efeitos experimentados no contato com esses conteúdos (o experiencial), é examinar as possibilidades de expressão das dimensões formativas da experiência, situando-as na interface entre memória, corpo e fala.

A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS NO CURRÍCULO DE MATEMÁTICA DO ESTADO DE SÃO PAULO E NO CADERNO DO ALUNO

PID: S2178-26792021000200428 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2021
Autores: Rossetto Filho
Resumo: Neste artigo é realizada uma análise sobre o tratamento dado à resolução de problemas no Currículo de Matemática do Estado de São Paulo e no material Caderno do Aluno, para o Ensino Médio. Para isso, numa abordagem qualitativa de pesquisa, foi utilizada a metodologia de Análise Documental. Para a análise do Caderno do Aluno também consideramos o documento Matriz de Avaliação Processual que especifica os conteúdos, as competências e habilidades que devem ser desenvolvidas ao longo dos bimestres, dando destaque para as que deverão orientar a elaboração das provas de Avaliação de Aprendizagem. Os resultados obtidos mostram que embora o Currículo enfatize a importância do desenvolvimento da capacidade de resolver problemas e dê destaque a problematização como uma boa estratégia de ensino para o desenvolvimento de determinadas competências pessoais, o material Caderno do Aluno apresenta poucos problemas e, consequentemente, oferece poucas oportunidades que de fato possibilitem o desenvolvimento da capacidade de inquirir e de perguntar.

A VIRALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO ONLINE: A APRENDIZAGEM PARA ALÉM DA PANDEMIA DO NOVO CORONAVIRUS

PID: S2178-26792021000300334 | Periódico: Revista Práxis Educacional (2178-2679) | Ano: 2021
Autores: Amaral Rossini Santos
Resumo: Com a propagação do novo Coronavírus, no Brasil, as instituições de ensino suspenderam as aulas presenciais. Nesse contexto, educadores, gestores e famílias inteiras tiveram de buscar novos modos de aprender e ensinar. Estratégias de ensino remoto ganharam força, pautadas na transmissão de conteúdos curriculares e na distribuição em massa. Diante desse quadro, apresentamos, neste artigo reflexões acerca da Educação online, como possibilidade de criação do conhecimento, de forma mais participativa, dialógica e interativa, com vistas à formação de cidadãos autores e autônomos, na e para além da pandemia. Complementarmente, sugerimos uma atividade de produção de vídeos e histórias em quadrinho, a partir de processos participativos, viabilizados pela Educação online. Nessa perspectiva, a produção do conhecimento se concretizou na parceria ‘docentediscente’ , e o protagonismo do processo de aprendizagem ocorreu nas relações estabelecidas entre esses atores, e, principalmente, com o objeto do conhecimento.
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