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A Escola Nova na historiografia da educação na Argentina: um possível mapeamento para um campo de estudos

PID: S2238-00942025000100209 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Frechtel
Resumo Este trabalho de pesquisa tem como objetivo fazer uma contribuição historiográfica ao campo de estudos sobre a Escola Nova. Embora a análise se baseie na bibliografia sobre o caso argentino, considera-se que ela pode ser útil para pensar os processos de renovação pedagógica e sua abordagem pela historiografia em outros países. Para cumprir esse objetivo, foi realizado um exaustivo trabalho de pesquisa bibliográfica a fim de identificar as principais contribuições sobre o tema da Escola Nova no campo da História da Educação na Argentina. Em conclusão, pode-se observar como, com a renovação historiográfica das últimas décadas, a partir da perspectiva de uma história cultural e intelectual renovada, surgem novas possibilidades de investigação, neste caso, sobre os processos de renovação pedagógica conhecidos como Escola Nova.

A revista Infância Excepcional (1933-1979): mudanças e permanências no discurso sobre a Educação Especial

PID: S2238-00942025000100206 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Barbosa Borges
Resumo Este artigo analisa os discursos produzidos pela Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais sobre o financiamento do ensino especial, os estudantes ‘excepcionais’ e as suas famílias. Tais discursos foram publicados entre os anos de 1933 e 1979 por meio da revista Infância Excepcional: Estudo, Educação e Assistência ao Excepcional. Para tanto, foi realizada análise qualitativa das doze revistas da coleção, bem como dos outros documentos primários, como cartas e cadernos de anotação de Helena Antipoff. A análise foi desenvolvida a partir da categorização dos documentos e de sua contextualização ao período pesquisado, com uma abordagem teórico-metodológica do relativismo histórico que considera a influência do ambiente histórico e social na seleção e interpretação dos fatos.

As preceptoras na educação oitocentista: a passagem de Ina von Binzer pelo Brasil (1881-1883)

PID: S2238-00942025000100207 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Nawroski Encarnação
Resumo O artigo objetiva compreender a educação brasileira oitocentista nas trinta e sete cartas escritas pela preceptora da educação Ina von Binzer durante sua estada no Brasil, entre os anos 1881 e 1883. Atentos à metodologia da história cultural, destacamos, com base em Chartier (1994), que o historiador tem por tarefa oferecer um conhecimento apropriado, controlado sobre personagens, mentalidades e preços, sempre vigilante com seu objeto, uma vez que sua pesquisa poderá possibilitar respostas às inquisições futuras. As cartas de Ina von Binzer nos permitem concluir que, no período em questão, houve pouco investimento na construção e expansão de escolas públicas aos brasileiros. Em vez disso, houve a propagação de uma instrução particular especifica para meninos e outra para meninas, além de um não reconhecimento do direito à educação para pessoas não brancas. Assim, emerge a dualidade educacional que marca a história da educação brasileira.

Clientelismo na instrução pública de Minas Gerais na segunda metade do século XIX

PID: S2238-00942025000100203 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Nogueira
Resumo Inscrito no âmbito da História da Educação, neste artigo, discute-se o modo como a instrução pública se fez presente no contexto das redes clientelares ou de patronagem política do vice-presidente da província, Manuel Teixeira de Sousa, em Ouro Preto. Em diálogo com a História Política, e ancorado nos aportes da História Social das Elites, analisam-se as cartas enviadas ao político, no ano de 1860 e 1861, disponíveis no acervo da Casa do Pilar, em Ouro Preto. Os dados evidenciam que decisões do campo da instrução pública e da educação também sustentaram moralmente práticas clientelares que ligavam grupos políticos, amigos e correligionários que buscavam obter privilégios, considerações, benefícios pessoais para si ou para outrem.

Colhendo frutos, consolidando o modelo: a primavera dos Aprendizados Agrícolas

PID: S2238-00942025000100204 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Nery
Resumo Os Aprendizados Agrícolas foram criados a partir do Decreto nº 8.319, de 1910, com o objetivo de formação elementar agrícola. Tais instituições tiveram até o ano de 1934 a concorrência de um outro modelo de ensino agrícola elementar, os Patronatos Agrícolas. Neste artigo, utilizando-me de leis, decretos, regulamentos e relatórios ministeriais, apresento uma reflexão sobre a reforma do ensino agrícola ocorrida em 1934, a qual criou um órgão específico dentro do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio (MAIC) para gerenciar o ensino agrícola, a Diretoria de Ensino Agrícola (DEA). Esta reforma demonstrou uma mudança no pensamento dos que confeccionavam as leis, havendo uma retomada do modelo de Aprendizados, consolidando-o.

Educação popular e resistência na ditadura militar no Brasil: redes e práticas clandestinas

PID: S2238-00942025000100211 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Paulo
Resumo Este artigo investiga a persistência da Educação Popular (EP) no Brasil durante o regime militar, evidenciando como educadores e movimentos sociais mantiveram práticas educativas mesmo sob repressão. O objetivo é compreender como essas práticas se mantiveram ativas e se transformaram em ferramentas de resistência política e social, perpetuando as ideias de Paulo Freire e outros educadores. A pesquisa, baseada especialmente em análise bibliográfica e documental, explora a atuação clandestina na EP. Além disso, os resultados destacam a importância da solidariedade internacional e a emergência de uma nova categoria: ‘Educação Popular como Rede de Resistência e Transformação Social’, que evidencia a interconexão entre sujeitos e instituições como uma rede de resistência e transformação social.

Instruindo-se para e pelo divertimento: as corridas de cavalos em Curitiba (1873-1897)

PID: S2238-00942025000100202 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Gomes Marchi Júnior
Resumo O presente artigo tem por objetivo analisar as experiências instrutivas formuladas por meio das corridas de cavalos em Curitiba entre os anos de 1873 (momento que um hipódromo é construído) e 1897 (ano em que um novo prado de corridas passa a ser arquitetado). O intuito em específico é investigar os discursos que se apresentaram ao redor dessa dinâmica - sobretudo aqueles relacionados aos posicionamentos que apresentaram indicações da necessidade de adoção de certos comportamentos. Como fontes, foram utilizados jornais publicados na cidade no período em tela. Em termos de conclusão, foi possível considerar que as corridas de cavalos apresentavam instruções de dupla ordem: a prescrição e aquisição de determinadas atitudes e a exigência e fiscalização do aprendizado desses gestos.

Instrução pública primária para negros e pobres no noroeste de Minas Gerais no início do século XX: as condições das escolas dos sertões

PID: S2238-00942025000100208 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Rezende
Resumo O artigo problematiza a distribuição territorial e as condições das escolas públicas primárias do noroeste de Minas Gerais, nas décadas iniciais da República brasileira. Utilizamos o recorte teórico metodológico proposto por Veiga (2022), que aborda a divisão sociorracial da educação por meio da oferta escolar desigual. Verificamos, por parte do poder público, o privilégio concedido ao Grupo Escolar, localizado na porção urbana, apontada nas fontes documentais como um ponto isolado e excepcionalmente civilizado. Por outro lado, evidenciado pelo fechamento de escolas, não envio de mobiliário e material didático, falta de professores e raridade de visitas de autoridades pedagógicas, verificamos o descuido com a instrução pública das crianças pobres e negras moradoras da vasta região então caracterizada como um sertão selvagem, caracterização construída, inclusive, a partir de um critério racial.

Makarenko e a formação profissional dos educandos na Colônia Gorki: perspectiva versus fetichismo ético do trabalho

PID: S2238-00942025000100200 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Lara Freitas
Resumo O objetivo deste artigo é evidenciar como os conceitos de perspectiva e de dimensão pedagógica da economia apresentaram-se como diferenciais da concepção de educação integral de Anton S. Makarenko (1888-1939) na década de 1920 na Rússia, especificamente na Colônia Gorki. Através de uma revisão bibliográfica que situa o autor em seu tempo histórico, buscamos apresentar aqui novas interpretações sobre o tema. O pedagogo ucraniano é conhecido no meio acadêmico, principalmente, pelo desenvolvimento de uma educação pelo e para o coletivo. Porém, ainda se faz necessário analisar melhor as estratégias pedagógicas que deram suporte para essa construção coletiva, como os conceitos de perspectiva e dimensão pedagógica da economia, desenvolvidos pelo autor soviético.

O ensino de língua inglesa nos livros didáticos da década de 1970

PID: S2238-00942025000100210 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Bocca Corrêa
Resumo O objetivo deste artigo é analisar o ensino da disciplina de língua inglesa, por meio de livros didáticos da década de 1970, utilizados no Colégio Estadual do Paraná, quanto aos saberes veiculados e suas finalidades. Trata-se de um período de relevância política e ideológica em nosso país, em que foi promulgada a Lei nº 5.692/71, e marcado por estreitas articulações internacionais do Brasil com os Estados Unidos da América. A análise com viés da História Cultural, fundamentada em Chartier (1998, 2002) e Choppin (2002, 2004) para embasar a questão dos livros didáticos, mostrou que os livros adotados seguiam o sistema de instrução programada e o método audiovisual, tratando-se da instauração do ensino tecnocrático.

Os clubes negros como espaços educadores: uma contribuição à História da Educação

PID: S2238-00942025000100201 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Ribeiro
Resumo O artigo analisa a experiência histórica dos chamados clubes negros como espaços educadores. A partir do estudo da trajetória de uma escola isolada, mista, multisseriada e subvencionada pelo Estado de Minas Gerais, que funcionou entre os anos de 1935 e 1937, criada no interior do Clube 28 de Setembro, na cidade de Pouso Alegre, identifica-se a organização das suas estratégias de escolarização formal, as práticas escolares e a conformação de uma cultura escolar. Discute-se, ainda, os sentidos que a sua comunidade deu aos projetos de ampliação da ideia hegemônica de escola e da escolarização do social e aos processos de definição e extensão dos direitos de cidadania através do acesso à escolarização formal, estruturados pelo Estado. Recorrendo ao diálogo com o arcabouço teórico da história da educação da população negra e com um variado conjunto de fontes, como documentos do poder executivo e legislativo (leis, pareceres, atas), relatórios de inspeção escolar, imprensa e os registros produzidos pelo próprio Clube 28 de Setembro (atas, estatuto e regimento interno), foi possível reconhecer quais formas de contestação racial deram sentido e configuração à forma e cultura escolares dos projetos político-educativos elaborados no âmbito do associativismo negro, na primeira metade do século XX.

“O começo, o meio e o começo”: trajetórias do Dicionário de autoras(es) de cartilhas e livros de leitura no Brasil (século XIX)

PID: S2238-00942025000100205 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2025
Autores: Valdez Panizzolo Dias Rocha
Resumo Este artigo propõe debater aspectos de uma pesquisa interinstitucional, que resultou na produção do Dicionário de autoras(es) de cartilhas e livros de leitura no Brasil (século XIX), publicado em 2023 pela Editora Cegraf UFG. Objetivamos problematizar o uso da biografia na História da Educação, debatendo os caminhos metodológicos percorridos na constituição dos verbetes biográficos registrados nessa obra. Ao socializar os percursos para o desenvolvimento do Dicionário, apresentamos dados que explicitam os resultados e as lacunas da pesquisa, pretendendo garantir a divulgação das trajetórias de um projeto extenso, com as dificuldades próprias de uma produção que envolveu oitenta pesquisadoras(es) de várias regiões do Brasil e de Portugal.

A cultura material escolar nas instituições públicas de ensino primário do Maranhão (1843-1870)

PID: S2238-00942024000100214 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2024
Autores: Castellanos Farias
Resumo Neste artigo, analisa-se a cultura material nos estabelecimentos de ensino primário maranhenses (1843-1870), as respectivas condições e as ações dos agentes da instrução pública. Verifica-se a relação de mão dupla entre instrumentos e objetos utilizados, livros escolares e o mobiliário disponível, com a configuração de ditos estabelecimentos segundo as práticas pedagógicas. Sustenta-se a pesquisa bibliográfica e documental nos pressupostos teórico-metodológicos da história cultural, examinando-se os discursos (via representações) sobre os posicionamentos políticos/ideológicos e as práticas escolares diferenciadas. Conclui-se que, mesmo com limitações orçamentárias e intermitências da gestão, iniciativas foram desenvolvidas visando-se ao desenvolvimento da instrução no Maranhão Império.

A democracia na educação vista pelas lentes da ditadura: o confronto inesperado de Olav Storstein com a propaganda fascista italiana (1935)

PID: S2238-00942024000100237 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2024
Autores: Partouche
Resumo Na década de 1930, o famoso diretor de cinema ítalo-norueguês Ivo Caprino frequentou a Stabekk High School, onde Olav Storstein foi um de seus professores. Antes de seu aluno se tornar internacionalmente famoso, Olav Storstein descreveu em seu livro Fremtiden sitter på skolebenken um episódio em que ambos eram protagonistas. O professor socialista e o jovem estudante de origem italiana oferecem uma oportunidade de mostrar dois modelos educacionais opostos: a educação democrática e o autoritarismo fascista. Por meio de um processo de análise indutiva que parte do texto citado e percorre os arquivos e a literatura de referência, este artigo destacará o contraste entre esses dois modelos, usando o episódio biográfico para fins ilustrativos, o que nos permite fazer uma análise histórica da educação a partir de uma perspectiva comparativa, mas também situar o episódio em um contexto mais amplo e relacioná-lo a aspectos significativos do período. Nessa história, os interesses da propaganda fascista no exterior e na Itália, os modelos educacionais fascistas e socialistas, as atividades da Sociedade Dante Alighieri e as vidas particulares e profissionais dos dois protagonistas estão entrelaçados.

A edição brasileira do Methodo Zaba e seus usos escolares na Bahia (1870-1871)

PID: S2238-00942024000100207 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2024
Autores: Lima
Resumo Neste artigo, investigo a materialidade da edição brasileira do Methodo Zaba (1870), de autoria do polonês Napoleão Félix Zaba (1803-1885), buscando desvelar relações com práticas escolares observáveis nos registros produzidos, em 1871, por dois professores do ensino público baiano: José Lourenço Ferreira Cajaty e João Theodoro Araponga. Para tanto, por meio de pesquisa bibliográfica e documental e entendendo o impresso como objeto cultural complexo (Chartier, 1991, 1998) e produto da indústria escolar (Meda, 2015), no texto, apresento as caraterísticas formais e o conteúdo do material didático e, depois, exploro a materialidade do método à luz do fazer docente e da cultura escolar, reconhecendo possíveis usos e apropriações nos relatos de Cajaty e Araponga, com o intuito de demonstrar que conhecimentos e métodos de ensino são reelaborados e reinventados por meio das experiências e práticas pedagógicas (Schueler, 2005), bem como se revelam nas interações dos indivíduos com o mundo em sua forma material (Vidal, 2006).

A formação em Serviço Social em Portugal: uma análise da constituição do campo

PID: S2238-00942024000100235 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2024
Autores: Casquilho-Martins Sousa
Resumo A formação em Serviço Social constituiu-se no caminho de afirmação do seu saber e produção de conhecimento no domínio das ciências sociais. Este artigo tem como objetivo realizar o sumário cronológico sobre a formação em Serviço Social no contexto português. Assim, o recurso à análise documental sobre história do serviço social português, bem como a análise da legislação que tem regulado e contribuído para o funcionamento do ensino na área, foi basilar para esta pesquisa, complementada com dados atuais referentes ao funcionamento de cursos de serviço social. Os resultados assinalam progressos na formação científica com o aumento da oferta educativa e de produção de teses de doutoramento, reforçando a continuidade e consolidação da expansão do Serviço Social como área das ciências sociais.

A implantação da educação pública no Ceará: conhecimento estatístico e política liberal (1845-1887)

PID: S2238-00942024000100220 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2024
Autores: Oliveira
Resumo O artigo analisa como foi implantado o sistema de ensino público no Ceará a partir de uma política liberal. Esta política se embasou nos princípios da economia política fisiocrata, do saber ilustrado e racionalista, o qual construiu a organização do sistema escolar. A construção elaborada de um arcabouço jurídico e administrativo do sistema escolar ganhou complexidade ao longo do período analisado e normatizou as práticas educacionais. Para compreender como foi implantado esse sistema educacional e acompanhar o debate público dele resultante, analisamos diferentes regulamentos de ensino, leis provinciais, fontes hemerográficas e dados estatísticos. Com base nessa documentação, percebemos que o instrumento das estatísticas educacionais foi fundamental para esses sujeitos históricos diagnosticarem o baixo índice de escolarização, a insignificante oferta do ensino primário e o alto analfabetismo como uma barreira para o desenvolvimento das forças produtivas na província.

A invenção das habilitações básicas: a ‘solução’ para o ensino profissionalizante de 2º grau (Brasil, 1975)

PID: S2238-00942024000100216 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2024
Autores: Souza Ciavatta
Resumo A Lei nº 5.692/1971 instituiu mudanças no ensino de 1º e 2º graus, sendo as principais destas a profissionalização e a terminalidade deste último com fins de formar mão de obra para suprir as demandas do mercado de trabalho. A partir do materialismo histórico-dialético, são analisadas as Habilitações Básicas (HB), criadas, em 1975, como solução para as dificuldades de implantação dessa Lei. Utiliza-se como fontes a legislação editada à época: as Portarias nº 45/72 e 76/75 e aquelas que criaram as 10 HB. Percebeu-se que estas foram concebidas com vistas a implantar a lei e não davam, aos egressos, boas oportunidades para se inserir no mercado, visto que estes ocupariam funções subalternas de auxiliares dos técnicos de nível médio se não completassem seus estudos em uma escola técnica.

A sociologia sai da escola: a Reforma Capanema de 1942 e as disputas dos católicos em torno da disciplina no Brasil

PID: S2238-00942024000100401 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2024
Autores: Lopes
Resumo O artigo analisa, de uma perspectiva histórica, o contexto intelectual e político em que se operou, a partir da Reforma Capanema de 1942, a exclusão da sociologia como disciplina obrigatória do currículo das escolas secundárias. Partindo das interpretações que se cristalizaram em torno desse episódio-chave para a história das ciências sociais no Brasil, busca complexificar as leituras correntes à luz do exame das fontes primárias disponíveis, em especial daqueles presentes no Arquivo Gustavo Capanema. Conforme argumenta, a saída da sociologia das escolas esteve intimamente ligada às disputas em torno de sua cientificidade travadas pelos católicos, fração importante da base de apoio do Estado Novo. Como é possível depreender dos pareceres de intelectuais católicos contrários à permanência da sociologia como disciplina escolar, a crítica apontava para as visões secularistas e anticlericais que aquela ciência poderia veicular. Nesse sentido, razões políticas e ideológicas, e não apenas pragmáticas e operacionais, estiveram na raiz de sua exclusão da grade curricular.

Antigos livros didáticos de ciências sociais para a escola elementar: a coleção de Ariosto Espinheira

PID: S2238-00942024000100402 | Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) | Ano: 2024
Autores: Fernandes
Resumo O texto intenciona contribuir para os estudos da história dos livros didáticos, realizando a análise de uma coleção elaborada a partir de um programa curricular de Ciências Sociais, implantada no Rio de Janeiro na década de 1930, em uma conjuntura de debates para reformulação dos princípios da educação nacional. A coleção era de autoria de Ariosto Espinheira, baseada no Programa de ciências sociais de 1934, proposto pelo Departamento de Educação do Distrito Federal, dirigido por Anísio Teixeira, e publicado pelo Instituto de Pesquisas Educacionais, sob direção de Carlos Delgado de Carvalho. Ao seguir as orientações do programa oficial, decorrente dos intensos debates pedagógicos que incluíam as contribuições de autores norte-americanos, como as de John Dewey, a análise da coleção possibilita avaliar como ocorreu a aproximação das ideias educacionais defendidas naquele contexto, apresentando textos e atividades que instigavam professores e estudantes a transformarem suas práticas didáticas e a se aproximarem da realidade de sua comunidade. Ao mesmo tempo, o texto procura dar atenção às características dessa coleção didática e às especificidades históricas de sua produção editorial.
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