PID: S2238-00942020000100209 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Salles Batista Neto
Resumo: Constituiu objetivo da pesquisa em identificar e caracterizar abordagens em livros didáticos de História do Brasil em relação à presença brasileira na região platina, na segunda metade do século XIX. Foi selecionado um total de 13 livros didáticos de diferentes temporalidades, compreendendo o período de 1886 a 1999. A seleção dos livros observou critérios como possuir inúmeras edições, ter sido adotado por escolas das redes de ensino da educação básica e o lugar socioinstitucional dos autores. A análise das fontes se fez por meio da técnica da análise de conteúdo. Caracterizamos três conjuntos de autores com concepções diversas. Apesar disso, foram observadas permanências nas narrativas dos livros analisados, como a do Império brasileiro como garantidor da independência do Uruguai.
PID: S2238-00942020000100218 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Antón Velasco
Resumo: Em 1930, as colônias escolares pretendiam melhorar as condições das crianças desfavorecidas e transmitir comportamentos e valores de gênero. As investigações que tentam revelar tal realidade não são muito abundantes, sendo sua função projetar uma nova perspectiva da educação a partir de 1930. Neste sentido este trabalho analisa as memórias das colônias escolarespublicadas entre 1930 e 1932no Ajuntamento de Barcelona. Tomando a iconografia como fonte de referência, verificamos como os instantâneos ilustram as diferenças entre crianças, em relação à representação física no espaço, às atividades realizadas ao longo da experiência e ao vestuário das crianças. Esses aspectos nos levam a afirmar que, ao mesmo tempo em que as colônias escolares melhoravam a saúde dos colonos, fortaleciam certos aprendizados e comportamentos sexistas e reforçavam o ideal das mulheres como protagonistas supremas de lar e dos homens como representantes do espaço público.
PID: S2238-00942020000100205 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Badanelli
Resumo: Os historiadores da educação estão se voltando cada vez mais para o estudo das instituições escolares, sendo os livros escolares, fontes históricas relevantes nessa questão ao se constituírem como dispositivos textuais e iconográficos. Assim, a comunidade de pesquisadores se utiliza tanto dos conteúdos dos livros como das imagens, como fonte para conhecer o passado históricos dos processos educativos. Tendo isso em questão, neste trabalho busca-se propor uma metodologia de análise que leve em conta os modos de interrelação entre a expressão, formas de representação e o conteúdo dos textos escolares editados na Espanha entre a metade do século XX e início do século XXI, destinados a transmitir conteúdos, valores, ideologias e crenças.
PID: S2238-00942020000100203 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Cigales Oliveira
Resumo: O artigo apresenta uma metodologia de análise de manuais escolares sob uma perspectiva relacional, a partir da sociologia de Pierre Bourdieu. Primeiramente, discutimos as diferentes nomenclaturas sobre o manual escolar, abordando o desenvolvimento do campo de pesquisa denominado manualística, para então destacarmos três elementos metodológicos: a) os manuais escolares respondem a exigências externas, pois são produtos pedagógicos projetados por diferentes agentes do campo educacional que possuem distintas representações do mundo social; b) possuem uma lógica interna, pois fazem parte da cultura escolar para onde são direcionados, recepcionados e ressignificados; e, c) exigem para sua análise uma pluralidade de métodos, sendo a análise de conteúdo e documental insuficientes para a compreensão sociológica desse objeto.
PID: S2238-00942020000100122 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Costa Costa
Resumo: Este artigo analisa a atuação do Movimento Estudantil (ME) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) ao final da década de 1970, início do processo de redemocratização do Brasil, sob a ótica de Pierre Bourdieu. Foram utilizados como fontes os depoimentos orais de estudantes do curso de graduação em enfermagem que participaram do ME/UFAL naquele período e a produção bibliográfica sobre a história do ME no Brasil e em Alagoas. Para análise dos dados utilizou-se o método histórico, triangulando uma discussão entre as fontes orais e escritas e com o referencial teórico adotado. Com isso, denotou-se que o ME organizado pela UFAL, pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), teve relevante atuação na reconstrução do ME dentro e fora do campo da educação, bem como no cenário nacional.
PID: S2238-00942020000100102 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Rodrigues Machado Vieira
Resumo: Este artigo procura retomar os congressos sobre educação de surdos ocorridos no final do século XIX, principalmente a seção dos surdos do Congresso de Paris, em 1900, compreendendo-os num conjunto mais amplo onde se situa também o Congresso de Milão (1880). Desta maneira, tomamos o Congrès International pour l’Étude des Questions d´Éducation et d´Assistance des Sourds-Muets - section des sourds-muets como ‘documento-monumento’ que nos permite problematizar as verdades produzidas em torno dessa história e debruçamo-nos sobre as deliberações dos surdos, considerando-as em sua atualidade e seu potencial questionador do que tem sido afirmado sobre a educação de surdos ontem e hoje. Trata-se de uma pesquisa documental que visa a dialogar sobre essas verdades no desejo de desinstalarmo-nos e revermos posicionamentos.
PID: S2238-00942020000100204 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Artieda
Resumo: Neste artigo exponho uma metodologia de análise de leituras acerca de indígenas nos livros escolares da Argentina (1885-1940). Argumento sobre a importância de reconstituir o contexto sócio histórico da produção, além de descrever os procedimentos metodológicos e explicar o caráter multidisciplinar desta investigação. Apresento as contribuições da história e da antropologia e aprofundo na antropologia visual. Estudos sobre a fotografia etnográfica do final do século XIX e princípios do século XX, facilitam os significados interpretativos dos retratos sobre indígenas reproduzidos nos livros escolares. O recurso à antropologia visual foi um dos caminhos mais produtivos para compreender esses livros como peças de um universo social maior no qual fazem sentido.
PID: S2238-00942020000100100 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Damasceno Pantoja
Resumo: Este artigo trata da educação no Pará na Primeira República e visa ao estudo da inspeção escolar no início do século XX. Para tanto, desenvolvemos uma pesquisa histórica a partir de fontes disponíveis no arquivo público e na biblioteca paraense, assim como um levantamento bibliográfico, consultando obras contemporâneas, de modo a construir uma revisão da literatura produzida sobre o assunto. As graves preocupações dos governadores com a consolidação do novo sistema de instrução tiveram papel primordial na inspeção, dada a importância e o poder consignados nas atribuições definidas pelo Regulamento Geral do Ensino.
PID: S2238-00942020000100207 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Paula de Faria Filho
Resumo: Partindo da Carta aos Senhores Eleitores da Província de Minas Gerais de 1828, de Bernardo Vasconcelos, apresentamos nossa compreensão sobre o pensamento ilustrado no Brasil, da Inconfidência Mineira (1789) ao Primeiro Reinado (1822-1840), e suas implicações com a educação. Nessa fonte documental, analisada sob o referencial teórico da história dos conceitos e de seus usos, de Reinhart Koselleck, percebemos as influências do iluminismo europeu no repertório de nossa elite política. Consideramos, parcialmente, que o projeto inconfidente manteve sua continuidade no discurso e nas ações de Vasconcelos demonstrando que a escola pensada no Império também significou uma centralização conservadora.
PID: S2238-00942020000100214 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Weizenmann
Resumo: Durante o Estado Novo (1937-1945), a política de nacionalização tornou-se uma das principais estratégias governamentais para a promoção de uma cultura cívico-patriótica no Brasil, direcionada, sobretudo, às regiões marcadas pela presença de grupos étnicos europeus e seus descendentes, a exemplo dos teuto-brasileiros no Rio Grande do Sul. Assim, o artigo analisa elementos que correspondem aos ímpetos nacionalizadores em uma escola do município de Lajeado/RS, entre 1939 e 1943, valendo-se de fontes documentais como atas, correspondências oficiais e preleções redigidas para horas cívicas, que permitem compreender, no âmbito escolar, traços do imaginário social, relacionados à nacionalidade brasileira.
PID: S2238-00942020000100110 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Lobato Ferreira
Resumo: Neste artigo enfocamos as diretrizes e ações educativas da Indústria e Comércio de Minérios S. A. (Icomi), a empresa mineradora que por mais de quatro décadas extraiu e vendeu o manganês de Serra do Navio, no centro do atual Estado do Amapá, no extremo-norte do Brasil. A principal fonte de pesquisa foi a revista mensal da empresa denominada Icomi-Notícias, que durou de 1964 a 1967. Ao relacionar os textos (artigos) e o contexto (abertura de novas frentes de exploração dos recursos naturais amazônicos), foi possível compreender que a educação era pensada e realizada nas company towns da Icomi como uma estratégia de formação de um novo tipo de homem e de sociedade local. A centralidade do trabalho e a especialização profissional eram percebidas como pilares de um novo modo de vida a ser forjado. Para atingir esse objetivo a Icomi construiu duas escolas, dois centros de treinamento, promoveu cursos profissionalizantes, concedeu bolsas de estudos, entre outras ações. Ela também estimulava, por meio de textos publicados na sua revista, o engajamento dos trabalhadores nessa démarche.
PID: S2238-00942020000100210 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Leal
Resumo: Na perspectiva da história social da educação, tomando as trajetórias de intelectuais e educadores negros como percurso metodológico, discuto os temas da educação e do trabalho presentes na obra do intelectual e educador afro-baiano Manuel Querino (1851-1923). Os seus livros As artes na Bahia e artistas bahianos, publicados em 1909, e outros acervos documentais são utilizados como fontes deste estudo, a partir dos quais apresento e relaciono, de forma diacrônica, as suas reflexões sobre os des-caminhos de escolarização adotados pelos poderes públicos para as classes populares, nos contextos das duas últimas décadas da monarquia escravista e do pós-abolição, que resultaram na exclusão de talentos negros e mestiços dos meios escolares e produtivos, cujos reflexos alcançam o tempo presente.
PID: S2238-00942020000100114 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Melo
Resumo: Este artigo tem por objetivo discutir a experiência do Tivoli - as ações dos proprietários e a repercussão de suas iniciativas, com ênfase no que tange aos posicionamentos relativos aos comportamentos públicos, interpretados a partir de uma dupla dimensão: educação para e pelo entretenimento. Trata-se de um dos pioneiros parques de diversão do Rio de Janeiro. Inaugurado em 1846, ocupou um espaço notável na cidade, uma expressão do conjunto de mudanças que marcou a sociedade fluminense em meados do século XIX. Como fontes, optou-se pelo uso de jornais. O intuito da investigação é lançar um olhar distinto para o cotidiano citadino, reconhecendo a relevância das vivências de diversão. Sugere-se que são significativas as instâncias de educação, interessantes temas de pesquisa histórica.
PID: S2238-00942020000100105 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Conceição
Resumo: Neste artigo investigaremos os projetos do personagem François Guizot para o tema da instrução pública primária como ministro da instrução pública francesa. Analisaremos nesse fim a lei de 28 de junho de 1833 - primeira grande lei exclusivamente relacionada ao ensino primário francês - e a promulgação de uma série de medidas legislativasvisando assegurar a aplicação desta que ficaria conhecida como lei Guizot. Nossa tese principal será a de que a constituição da nova legislação fazia parte de um projeto políticode construção do Estado monárquico centralizador e instrutor francês. Estado este que, no ato mesmo de se forjar, percebia o espaço escolar primário enquanto estratégico no objetivo de colocar em prática as ideias forjadas por François Guizot para o gouvernement des esprits.
PID: S2238-00942020000100103 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Bergamaschi Antunes Medeiros
Resumo: O texto apresenta um panorama histórico sobre os processos de escolarização kaingang no Rio Grande do Sul, Brasil, de meados do século XIX ao limiar do século XXI, a fim de compreender como esse povo se relacionou com as iniciativas escolares propostas por missionários (jesuítas e capuchinhos) e pelo Estado (tanto do governo local, quanto central), destacando como atuaram (e seguem atuando) na relação com a instituição escolar; assenta-se em fontes bibliográficas, documentos oficiais do Estado e publicações de intelectuais indígenas. À luz da Nova História Indígena, conclui-se que os kaingang foram agentes ativos em seu processo de escolarização e atuaram de diferentes formas frente à escola: negando-a, interessando-se por ela e negociando possibilidades.
PID: S2238-00942020000100108 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Canavese
Resumo: Dentro da recepção das propostas do filósofo francês Michel Foucault na história recente da Argentina, um conjunto de leituras e intervenções é produzido em espaços ligados à educação e à pedagogia. Na Argentina da década de 1990, as elaborações do filósofo constituem uma referência significativa na agenda educacional: operam em relação à problemática do poder, da autoridade e do controle em sala de aula, na análise das experiências educacionais e em relação ao pensamento pedagógico em geral. Neste artigo reconstruímos e analisamos algumas leituras e apropriações da ‘caixa de ferramentas’ foucaultiana relacionadas à área educacional e destinadas a pensar sobre a reforma cristalizada com a sanção da Lei Federal de Educação em 1993.
PID: S2238-00942020000100215 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Silva
Resumo: Este artigo apresenta um recorte de um estudo sobre livros escolares de leitura em circulação no Brasil nas primeiras décadas do período republicano. De modo específico, examinou-se o livro Historias da nossa terra, escrito por Julia Lopes de Almeida e publicado originalmente em 1907. O estudo orientou-se pela seguinte questão: de que modo Historias da nossa terra e inseriu na morfologia dos livros escolares de leitura, cuja materialidade e conteúdo veicularam um padrão cívico e patriótico referido à nação brasileira republicana? A fundamentação teórica ancorou-se em estudos da história da educação e da história cultural. O livro se alinhou aos livros escolares do período e contribuiu para a construção da nação brasileira por meio do impresso.
PID: S2238-00942020000100216 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Ascolani
Resumo: No período de 1910 a 1930, a educação nacionalista foi essencial no currículo das escolas primárias na Argentina. O Conselho Nacional de Educação, um órgão dependente do governo federal, estabeleceu os regulamentos para adaptar os imigrantes à cultura nacional e neutralizar a influência das teorias coletivistas e internacionalistas nas novas gerações. A ‘história da pátria’, com seus símbolos, cerimônias e práticas diárias da escola, foi um veículo fundamental, dando um papel central aos episódios de independência política, alcançados em 1816. Este artigo analisa as continuidades e mudanças do patriotismo escolar, em sua relação com a renovação pedagógica e com a oposição sustentada da imprensa anarquista, contra o militarismo e a doutrinação da infância.
PID: S2238-00942020000100217 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Costa Soares
Resumo: O artigo propõe um estudo sobre como os inspetores de ensino, agentes do Estado, especialistas em ensino de história e historiadores pretenderam se apropriar das comemorações do centenário da independência brasileira para afirmar uma determinada visão deste fato histórico na escola primária. Por meio da análise documental da revista A Escola Primária, o tema foi tratado sob duas perspectivas. A primeira são as disputas historiográficas. A segunda é a dimensão pedagógica a partir do processo de transposição didática. Os resultados da pesquisa indicam os investimentos de especialistas na narrativa histórica escolar sobre a independência brasileira praticada no ensino primário, à medida que era importante via de consolidação da identidade nacional.
PID: S2238-00942020000100101 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2020
Autores: Silva Vaz
Resumo: O presente artigo se propõe a investigar o ensino de desenho nos cursos oferecidos pelo Departamento de Artes (DEARTES) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a saber os cursos de desenho industrial e as licenciaturas em educação artística, habilitação artes plásticas e desenho. O recorte da pesquisa investiga os currículos vigentes entre os anos de 1981 a 1987, nos quais as disciplinas de desenho eram ministradas tanto pelo DEARTES como pelo Departamento de Desenho (DDES), que mantinham configurações diferentes sobre a concepção de desenho. A organização do trabalho está dividida em três partes: 1) Interlocuções entre os Departamentos de Artes e Desenho; 2) Currículo de Desenho Industrial, Comunicação Visual e das habilitações de Desenho e Artes Plásticas; 3) Prescrições do ensino de desenho e plástica. Para realizar a análise proposta, o referencial teórico utilizado se vale do conceito de figuração de Elias, campo de Bourdieu e as contribuições sobre a história das disciplinas de Chervel e Goodson. As fontes utilizadas são documentos oficiais, programas de disciplinas e atas. O que permitiu analisar as prescrições sobre o desenho que compunham o currículo dos cursos citados.