PID: S2238-00942015000300294 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2015
Autores: Soares
O artigo apresenta resultados de um estudo realizado no âmbito de um projeto de doutoramento que pretendeu conhecer e compreender aspectos da construção da identidade profissional dos professores do Colégio Pedro II, entre 1925 e 1945, período marcado pelas Reformas Rocha Vaz, Francisco Campos e Gustavo Capanema. Esses aspectos, identificados a partir de pesquisa documental, foram analisados com base nos conceitos de 'Identidade para si' e 'Identidade para o outro', formulados por Dubar (1997), articulados ao de 'Programa Institucional', de Dubet (2002). Identificamos aspectos marcantes da construção de suas trajetórias e argumentamos que os professores do colégio fecharam-se em si mesmos, na tentativa de incorporar privilégios que não se estenderam às demais instituições de ensino secundário.
PID: S2238-00942015000100301 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2015
Autores: Setubal Rebouças
O objetivo deste artigo é desenvolver uma pesquisa bibliográfica, explicitando os principais fatos históricos que permeiam o surgimento e desenvolvimento das histórias em quadrinhos (HQ), no Brasil e no mundo, propondo um cruzamento dessas informações com períodos específicos da história da educação brasileira, a fim de compreender como se deu o relacionamento entre ambos. Os resultados da análise revelam que, apesar de ter acompanhado o mundo, em seu nascimento, o desenvolvimento das HQ no Brasil se deu tardiamente em relação à Europa, no que se refere à chegada dos quadrinhos ao ambiente acadêmico e escolar, com iniciativas mais significativas, principalmente relacionadas às políticas públicas, apenas nos anos 1990 e 2000.
PID: S2238-00942015000200023 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2015
Autores: Peres Borges
Este artigo analisa as interconexões entre a história, a literatura e os modos de ensino e aprendizagem a partir da obra da poeta Cora Coralina (1889-1985). A escritora goiana, em inúmeros poemas e contos, faz referência aos espaços educacionais que frequentou, aos materiais pedagógicos utilizados na escola, a práticas escolares, aos professores e professoras, como aprendeu a ler e a escrever e a influência, em sua vida, dessas memórias. Com essa chave interpretativa, é possível observar alguns aspectos do modo como se ensinava no interior do Brasil nos séculos XIX e XX. Em termos mais específicos, pretende-se, assim, contribuir com a História da Educação e da Escolarização no período em questão, bem como com os estudos que articulam a história e a literatura.
PID: S2238-00942015000200247 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2015
Autores: Accioly
O projeto de escrever sobre arte e religião está centrado em Carlos Oswald (1882-1971), artista que se perpetuou por sua singularidade e posição histórica no contexto das artes, da educação, da religião. Esse artista e sua obra - focalizando-se neste texto a realizada no campo da arte sacra - compõem o tema do presente estudo da arte e da religião. Incluem-se, no trabalho ora apresentado, os laços tecidos entre a atuação do artista e a Igreja Católica, nas primeiras décadas do século XX. A partir da história de vida de Carlos Oswald, da qual se destacaram os anos de formação, buscou-se compreender o significado de seu trabalho artístico na constituição de uma orientação católica sobre as relações entre a arte sacra, cultura e educação brasileiras.
PID: S2238-00942015000300173 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2015
Autores: Patroclo Lopes Cravo
Este artigo aborda os discursos memorialistas acerca dos professores que atuaram no Colégio de Pedro II durante o século XIX. O colégio foi criado em 1837 como parte do projeto do império de constituir uma nacionalidade, em meio à ocorrência da revoltas nas províncias brasileiras. Como corpus documental deste texto foi selecionada a Revista da Semana. A escolha dessa fonte histórica está relacionada ao fato de alguns de seus principais colaboradores terem sido alunos e professores dessa instituição de ensino. Durante as análises foi possível identificar a existência de uma memória monumentalizada sobre esse grupo de docentes, caracterizados como notáveis homens de saber.
PID: S2238-00942015000200111 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2015
Autores: Conceição
Este artigo aborda a produção discursiva de médicos a respeito dos perigos da prática da masturbação e da homossexualidade pelos pensionistas de colégios, com o objetivo de compreender aspectos da realidade dos internatos na vida social brasileira. Foram utilizadas como fonte principal teses produzidas por médicos formados nas Faculdades de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro no período de 1845 a 1927. Uma característica do discurso médico-higiênico foi a afirmação de que a vida nos internatos exacerbava ou proliferava as práticas da masturbação e da homossexualidade entre os colegiais. Nessa campanha, os facultativos apresentavam orientações higiênicas aos diretores e professores dos internatos, com o intuito de evitar a entrada e a propagação dos 'vícios execráveis' entre os pensionistas.
PID: S2238-00942014000200012 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Panizzolo
Os missionários e educadores norte-americanos, fundadores de igrejas e de escolas metodistas no Brasil, entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX, apresentavam como missão a implantação da civilização, dos hábitos e dos costumes protestantes no país escolhido como campo para semeadura da Palavra de Deus. Além da fundação dos colégios, o projeto civilizatório metodista previa alcançar a alma das crianças, por meio da criação de uma revista voltada a elas, a Revista Bem-te-vi. Este trabalho tem por objetivo compreender a construção e a difusão da imagem de criança impressa nas páginas da Revista. Os resultados alcançados evidenciam os planos metodistas para estabelecer uma infância civilizada e as práticas empreendidas nessa direção.
PID: S2238-00942014000100010 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Silva
Analisar a relação entre o florescimento do mercado editorial e o significativo investimento na publicação de livros didáticos, particularmente dos manuais didáticos de História do Brasil, é o objetivo deste trabalho. Através de fontes variadas, tais como livros didáticos, catálogos e almanaques de editoras, anúncios em periódicos, dentre outras, este estudo busca compreender mudanças e permanências na produção de livros didáticos de história no bojo da ampliação da cultura letrada no Rio de Janeiro, desde meados do século XIX às décadas iniciais do século XX. Procura indicar as ações de alguns dos sujeitos envolvidos nesse processo - autores, livreiros, editores, professores - no sentido de compreender os significados da vulgarização do conhecimento histórico por meio dos manuais do ensino.
PID: S2238-00942014000100005 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Monteiro Gati
A partir de pesquisas sobre o processo de inserção da mulher no magistério, no final do século XIX, este artigo discutirá a importância da criação da Escola Normal para Senhoras da Sociedade Propagadora da Instrução Pública em 1872, surgida no seio da sociedade civil, não tutelada pelo Estado e que objetivava inserir a mulher no mundo do trabalho por meio de uma atividade para a qual, acreditava-se, ela estava naturalmente ‘destinada’. O estudo é de natureza bibliográfica e documental, a partir de estatutos, regimentos, regulamentos e memória da Sociedade Propagadora, relatórios dos inspetores de instrução e periódicos da época. É importante ressaltar a crença nos poderes da instrução e da educação para a implantação de uma desejada sociedade moderna, fundada na urbanização e industrialização.
PID: S2238-00942014000100007 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Oliveira
O desenvolvimento dos estudos filológicos provocou, entre as nações europeias, a reivindicação da primazia no tempo. Assim, a velha correspondência ‘uma língua, uma nação’ passou a assegurar o seu valor não mais no passado, mas no futuro, adquirindo um novo sentido, pois os Estados europeus vão fazer da aprendizagem e do uso de uma língua oficial uma obrigação para todos os cidadãos. Este artigo busca contribuir para uma reflexão acerca do lento processo de constituição das línguas vernáculas como línguas nacionais, investigando o modo como a generalização dos sistemas nacionais de educação promoveu a escolarização de suas línguas administrativas e literárias, proporcionando-lhes os elementos necessários para sua configuração como disciplinas escolares.
PID: S2238-00942014000200005 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Bertucci Silva
Em Curitiba (estado do Paraná), no final da década de 1910, entre as instituições que se dedicavam à educação para o trabalho, destacou-se, pela singularidade, o Asilo São Luiz. Fundado em 1º de janeiro de 1919 pelas Irmãs de São José para amparar órfãos da gripe espanhola, em poucas semanas, o Asilo passou a abrigar também outros menores, e a preocupação com a inserção social dos asilados motivou a organização, além do ensino primário, de cursos profissionalizantes de marcenaria, sapataria e alfaiataria. Partindo de pressupostos da história social da cultura, o texto procura resgatar aspectos das histórias desses educandos e, assim, vislumbrar a sociedade curitibana das primeiras décadas do século XX.
PID: S2238-00942014000300008 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Pasche
Este estudo pretende compor uma série de investimentos acerca da constituição e organização do campo da História da Educação. Propõe-se a analisar uma experiência particular de escrita cuja autoria é de Thomas Ransom Giles (1937-2009) - norte-americano de nascimento, radicado no Brasil. O livro História da Educação foi publicado pela Editora Pedagógica e Universitária, em 1987. Interessa pensar os recursos arrolados, a operação metodológica, os modelos narrativos com que dialoga e legitima, bem como as representações acerca do Continente Americano (Brasil e EUA) que faz circular em sua obra. É cogente ressaltar o interesse em conjeturar as diferentes experiências envolvidas com a produção desse saber, e em observar os ecos produzidos pela circulação das obras desse autor.
PID: S2238-00942014000300002 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Renk
Este artigo aborda os rituais de formação cívica da infância nas escolas étnicas alemãs e eslavas de instrução primária do Paraná. O recorte temporal são as primeiras décadas do século XX, quando as políticas educacionais foram pautadas pela formação do sentimento de pertencimento à nação. As fontes de pesquisa permitem conhecer o processo de manutenção da identidade étnica e da cultura de origem, por meio de festas e rituais e da resistência à nacionalização. Nas escolas étnicas até 1917, eram intensas as celebrações de datas do calendário cívico da pátria de origem do grupo étnico. O Estado brasileiro implementou várias medidas para formar o sentimento de pertencimento à nação, como as comemorações, os desfiles cívicos e o ensino dos cantos patrióticos, e as escolas foram obrigadas a celebrar.
PID: S2238-00942014000200010 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Campos Gouvea Guimarães
O artigo analisa a recepção da obra de Alfred Binet e a introdução dos testes de inteligência no Brasil, nas primeiras décadas do século XX. São focalizados autores que, no diálogo com a obra do psicólogo francês, produziram críticas à interpretação das medidas da inteligência no sistema educacional, ou enfrentaram resistências para o uso dos testes nas escolas. Destacam-se três autores: Manoel Bomfim, diretor do Pedagogium/RJ, responsável pela introdução da obra de Binet no Brasil; Maria Lacerda de Moura, líder anarquista e professora da Escola Normal de Barbacena; e Helena Antipoff, psicóloga russa que propôs o conceito de ‘inteligência civilizada’ para descrever o efeito da cultura nos resultados dos testes realizados com crianças de escolas mineiras nos anos de 1930.
PID: S2238-00942014000100002 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Thomas
Ritos de passagem socializam os membros mais jovens de uma dada sociedade. Os tupinambás não são exceção. No século XVI, os portugueses se impressionam com modelos de socialização entre os tupinambás, em particular, a couvade, que pouco compreendem e logo assimilam à barbárie. No entanto, são eles que permitem tecer elos sociais, integrar idades e instaurar uma diferença de gêneros. Distante de uma visão ideológica veiculada pelos portugueses que apresentam essas comunidades sem regras educativas, a sociedade tupinambá, ao contrário, é estruturada e preocupada com a educação de suas crianças.
PID: S2238-00942014000300001 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Chiozzini
Este artigo analisa a proposta curricular dos Ginásios Vocacionais do estado de São Paulo, projeto experimental desenvolvido entre 1961 e 1970. Consideramos a proposição de que os parâmetros legais e teóricos que orientaram o currículo dessas escolas passaram por mudanças significativas ao longo de seus nove anos de existência, tanto devido à construção e à ampliação da experiência quanto às diferenças internas existentes na equipe do Serviço do Ensino Vocacional (SEV), órgão que administrava as escolas. Tais diferenças também estão associadas à conjuntura histórica da década de 1960 e revelam a singularidade da proposta educacional dos Ginásios Vocacionais em relação às mudanças curriculares ocorridas nesse período.
PID: S2238-00942014000300010 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Menezes
Com os olhos voltados para a esfera do ensino de História da Educação, especialmente no período entre 1950 e 1990, buscase, com esta proposta, problematizar os regimes de produção, circulação, os usos e a apropriação do livro História da Educação e da Pedagogia de Lorenzo Luzuriaga no Brasil. Nascido na Espanha, Luzuriaga vive na Argentina os últimos vinte anos de sua vida, tendo se dedicado, de modo intenso, após a fixação na América do Sul, a escrever livros de História da Educação. Procura-se, com este texto, explorar os regimes de referência que amparam a elaboração do título supracitado e, complementarmente, o que os condicionantes de produção e circulação dessa obra na Argentina e no Brasil evidenciam a respeito da mirada sobre a escrita da História da Educação desses países.
PID: S2238-00942014000200008 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Lesko McCall Warde
O presente artigo examina as representações de garotas e gênero que operam no seio de ideias populares de ‘cérebros cor-de-rosa’ e ‘cérebros azuis’. À medida que as pesquisas sobre o cérebro se deslocam para a educação e para a formação docente, quais são as implicações no campo educacional? Notamos que as descobertas da neurociência confirmam imagens familiares das meninas. Escritores que se utilizam das provas trazidas pelas pesquisas sobre a mente estão prontos para chamar os cérebros de geneticamente determinados e, com a mesma rapidez, propõem salas de aulas segregadas por sexo. Interpretando a neurociência de maneira crítica, procuram-se destacar os contextos sociais e as implicações políticas dessas imagens das mulheres jovens como tendo cérebros geneticamente programados.
PID: S2238-00942014000200004 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Xavier
O artigo analisa as contribuições políticas e intelectuais dos professores portugueses Rui Grácio e Rogério Fernandes. A primeira seção aborda as ideias e ações sobre qualificação de professores; a seguinte explora as concepções a respeito do lugar da história da educação na historiografia portuguesa; a última seção identifica as fontes e os temas sugeridos para a configuração de uma história da educação luso-brasileira. Ao final, analisa em que medida eles contribuíram para o fortalecimento da profissão docente e para a configuração de um campo de estudos sobre a história da educação luso-brasileira, conformando um projeto pedagógico e historiográfico em articulação com o engajamento político no processo de construção da escola democrática em Portugal.
PID: S2238-00942014000300004 |
Periódico: Revista Brasileira de História da Educação (2238-0094) |
Ano: 2014
Autores: Moraes Costa
O artigo analisa as políticas educacionais destinadas à ‘formação de professores’ no Pará, durante a Primeira República, por meio da concepção político-educacional que orientou a reforma da Escola Normal no Primeiro Governo de Lauro Sodré (1891-1897); e a partir do modelo de ‘bom professor’ presente na revista pedagógica A Escola (1900-1904). Nesse contexto, a ‘formação de professores’ fora uma instância estratégica com vistas a legitimar o novo regime a partir da organização de um arranjo institucional: a reforma da Escola Normal e as prescrições pedagógicas da revista A Escola. Assim, o mestre-escola era o ‘sacerdote’ da causa republicana com a ‘missão’ de garantir a legitimidade das instituições e a formação cívica e política dos futuros cidadãos.