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Devir-música da escrita: experimentações de linguagem para uma leitura sensível em corpo-educação

PID: S2317-09722014000200093 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Veiga Andrade
No tablado do artigo, um o quê se apresenta: texto experiência. Um porquê se mostra: experimentações de linguagem junto à educação. Um para quê se propõe: tecer uma escrita próxima ao corpo sensível. Um como se dá: escrever usando letras de música. Um efeito se quer: produção de sensações e devires junto à leitura em corpo-educação.

Encontros entre literatura e cinema e pensamentos: artes da existência na produção curricular

PID: S2317-09722014000200119 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Pereira Gomes
Este trabalho discute as relações diferenciais disparadas pelos diversos encontros entre imagens e pensamentos na produção do currículo escolar. O objetivo é pensar nos devires que emergem no encontro da criança e do professor com o "outro" de seu pensamento. Busca cartografar a potência desestabilizadora das imagens que ilustram livros de literatura infantil e/ou de imagens cinematográficas, na tentativa de tecer linhas de fuga dos modelos recognitivos para o aprender, o ensinar e o constituir-se, provocando processos de produção de conhecimentos e de vida mais sensíveis nas escolas. Para tanto, mobiliza o encontro das crianças com as imagens da história "O Pequeno Príncipe" e o encontro dos professores com o filme "O balão vermelho". Como intercessores teóricos, as autoras tomam as contribuições de Corazza (2008) ao problematizar o devir-docência; de Deleuze (2006) ao debater sobre o pensamento não dogmático; de Foucault (2006) ao explicitar a ética e estética da existência; e de Rolnik (2007) ao falar de dar língua aos afetos. Em relação aos encontros produzidos entre imagens e pensamentos, não interessa a promoção de um modelo de ensino ou de aprendizagem, ou um modo de ser e estar criança e/ou professor e professora nas escolas. Importou entender o que, nesses encontros, tem-se produzido de novo. E em que sentido a relação entre imagens e pensamentos tem afetado o movimento do pensamento na produção do currículo escolar.

Escuta inumana: murmúrios de uma vida irrepresentável pelo grito arquivista...

PID: S2317-09722014000100011 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Dias
Sons penetrantes e alaridos constantes são emitidos com força por fotografias e mapeamentos genéticos que estão entranhados num movimento contemporâneo - do qual participam ciências e artes - que quer afirmar: arquivar é não desaparecer! Mas, como diz Gilles Deleuze, “quando o poder toma assim a vida como objeto ou objetivo, a resistência ao poder passa a invocar a vida, e volta-a contra o poder” (Deleuze, 2005a, p.124). Aceitar o convite deste filósofo e exercitar uma escuta inumana, capaz de dar a ouvir que os gritos deixam escapar algo impossível, intolerável e precário: o testemunho do desaparecimento. Geram uma decepção que dá a ver algo de irrepresentável nas imagens, palavras e sons. Para José Gil, o vazio, a diferença, o irrepresentável, abriria tensões, permitiria não um preenchimento, mas uma circulação infinita de forças: “em que possível se reúne ao infinito” (2005, p.32). Pensamentos que quero expandir em conexões com A Biblioteca dos Enganos, de Walmor Corrêa, e Arquivo para uma obra acontecimento, de Suely Rolnik, para pensar como estas obras se inventam desde dentro do grito arquivista. Não recusam, nem denunciam os arquivos. Também não aderem a eles. Promovem um esvaziamento vital da política arquivista, transformando-a em objeto de experimentação. Criam superfícies murmurantes, subtraindo a orça de morte e memória dos arquivos e extraindo uma vida que faz parte da própria força arquivista. Uma vida que se efetua como a capacidade de resistir da própria força. Ouvimos um mar...

Letramentos e alfabetizações na cibercultura: crianças e jovens em rede, desafios para educação

PID: S2317-09722014000100004 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Weber Santos Cruz
O artigo discute potenciais das tecnologias digitais e suas apropriações socioculturais por crianças e jovens na contemporaneidade. Discute características do perfil cognitivo do leitor imersivo, noções de letramento e alfabetização digital a partir de revisão de literatura e de um caso empírico vivenciado pelas autoras. Por fim, apresenta os potenciais das tecnologias digitais, mais especificamente o uso de ambientes virtuais de aprendizagem (avas), para a instituição de práticas curriculares e formativas. Os ambientes virtuais de aprendizagem permitem a convergência de linguagens e mídias, o que pode potencializar práticas de letramentos e alfabetização em situações formais de aprendizagem e formação, uma vez que crianças e jovens já se apropriam direta ou indiretamente de tais potenciais.

Meninas em jogos de meninos: um estudo de caso na literatura infantil brasileira

PID: S2317-09722014000100003 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Freitas Silveira
A partir de estudos sobre literatura infantil e estudos de gênero, este entendido como marca identitária construída social e culturalmente, o objetivo do artigo é analisar, em livros infantis, o potencial de subversão das representações de gênero em relação a um esporte tradicionalmente definidor da masculinidade: o futebol, e de uma brincadeira correlata: o jogo de bolitas. Tal contestação se concretiza em tramas com protagonistas meninas jogadoras de futebol ou de bolita, cujo conflito narrativo se constrói na luta por espaços femininos em tais práticas. Analisam-se as obras Nariz em pé, Joana Banana e Menina não entra, observando-se que elas apresentam passagens marcadas por um viés formativo que foge a padrões estéticos. Por fim, verifica-se a forma de filiação das obras analisadas ao que Colomer (2003) aponta como tendência da literatura infantil mais recente: a aproximação das características atribuídas aos dois sexos.

Música e imagem: construindo relações de sentido

PID: S2317-09722014000100007 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Nassif Schroeder
A música é uma forma de linguagem altamente abstrata e possibilita diversos modos de audição, que vão desde uma relação mais sensorial (ouvir predominantemente com o corpo: vontade de dançar, de bater os pés, de se movimentar etc.), passam por apreensões de caráter mais referencial (ouvir estabelecendo relações com referências extrassonoras: lembrar eventos passados, pessoas, situações etc.), podendo chegar ainda a uma escuta mais propriamente estética (ouvir considerando as relações internas à materialidade sonoro-musical: relacionar obras a estilos, épocas, formas específicas etc.). Discute-se aqui a possibilidade de que o ouvinte não-músico amplie seus modos de apropriação significativa da música, dando especial ênfase à sua dimensão estética. Com esse intuito, apresenta como recurso metodológico uma aproximação entre a linguagem musical e a imagem (pictórica, gráfica, fotográfica e videográfica), num esforço de oferecer uma alternativa mais “concreta” ao abstracionismo musical, fazendo com que sejam criadas referências que possibilitem atingir uma escuta de natureza mais estética do que apenas sensorial ou referencial. A linguagem imagética é utilizada não apenas por ser absolutamente dominante na sociedade contemporânea, mas sobretudo por guardar profundas relações de sentido com a música, que vão desde possíveis associações de caráter até relações mais propriamente estruturais, tais como o ritmo, a energia (variações de intensidades), os modos de organização dos eventos, entre outros.

Nos interstícios da identidade nacional e cultural: posicionamentos das professoras na fronteira Brasil-Uruguai

PID: S2317-09722014000200029 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Couto Vieira
Motivados pela constante marcação identitária nacional e cultural na fronteira entre Brasil e Uruguai, problematizamos os discursos das professoras que atuavam no Projeto de Escolas Bilíngues de Fronteira entre Jaguarão/Brasil e Rio Branco/Uruguai. O que significam as identidades brasileira e uruguaia em um contexto fronteiriço? Trabalhamos com a dispersão dos discursos e investigamos tópicos: identidade cultural, nacional, ambivalente. Nesse espaço fronteiriço, as professoras são confrontadas e se movem entre pertencimentos simbólicos e culturais. A posição que elas ocupam nos discursos produz efeito, retroalimenta-se, forma as identidades ao mesmo tempo em que é formada por elas. Identificamos que esses discursos reforçam a diferença cultural. A diferença nacional e cultural é um problema, como no caso da língua, que se resume em identidade. Nesse espaço há uma luta discursiva entre as identidades, mas que resvala na pura ambivalência fronteiriça.

O cinema como linguagem potencializadora dos processos de aprender-ensinar

PID: S2317-09722014000200077 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Carvalho Silva
Objetiva-se, a partir de problematizações decorrentes de processo de pesquisa com alunos de escolas públicas de ensino fundamental, utilizando o cinema, relacionar o tempo vivido, afetivo e percebido no cotidiano escolar com os conceitos de imagem-movimento e imagem-tempo em sua composição como clichês e como possíveis "cristais do tempo". Tomam-se, como intercessores teóricos privilegiados, Henri Bergson (2006) e Gilles Deleuze (1985, 1990). Utiliza-se, como estratégia metodológica, a pesquisa-intervenção em redes de conversações com os alunos, tendo como disparadora das redes de diálogos a linguagem cinematográfica. Aponta-se que, por meio dos usos de imagens-cinema, alunos ampliam os processos de invenções para outros novos modos de aprender, pois as narrativas cinematográficas possibilitam desconstruir e deslocar os conhecimentos clichês petrificados nos cotidianos escolares, assim como, movimentam o pensamento em busca de abertura para outros modos e outras composições de estar escola.

O que dizem as crianças: rascunhos, rasuras, traçados intensivos de imagens curriculares

PID: S2317-09722014000200107 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Holzmeister Delboni
O artigo apresenta, a partir dos movimentos de produção curriculares desenvolvidos nos parques da cidade de Vitória, a possibilidade de inscrições singulares de si. Linguagens, expressões, intensidades, sonoridades, deslocamentos pelas superfícies de aderências, afetos, emoção, afecções que rascunham, na imanência dos encontros, imagens singulares de um currículo com a educação infantil. Ao trazer algumas problematizações que afirmam a vida no mais alto grau de potência, esses movimentos apostam na possibilidade de o conhecimento se constituir como o mais potente dos afetos: pulsante, vibrante, intenso. Assim, afirma que a produção curricular imanente se constitui como um acontecimento de ações, afetos, sensações e enunciações que vão se configurando em meio ao traçado rizomático de mapas intensivos e extensivos que deixam ver outro modo de problematizar o currículo, a docência e o trabalho com a linguagem na educação infantil.

Por um ensino literário complexo

PID: S2317-09722014000100008 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Pinto
O texto propõe uma discussão sobre o ensino da literatura no âmbito das discussões que envolvem as questões paradigmáticas, quer dizer, nossa argumentação leva em consideração como a filiação a determinado paradigma influencia o modo como vemos o potencial do texto literário e, consequentemente, como ele deve ser ensinado, sobretudo, na escola básica.

Uma discussão sobre a produção de sentidos na leitura: entre Bakhtin e Vygostsky

PID: S2317-09722014000100005 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Santos
Este artigo, interessado em discutir o processo de produção de sentidos em atividades de leitura, apresenta preceitos teóricos de Bakhtin e Vygotsky, estudiosos que, embora não tenham se voltado especificamente à questão da leitura, oferecem embasamento para analisá-la enquanto processo histórica e ideologicamente situado. Para atingir esse objetivo, com base nesses estudiosos, a linguagem é enfocada como um evento social, caracterizada pela historicidade dos sujeitos e pelo contexto imediato e conjuntural, pela contradição e pelo dialogismo. Abordamos também a importância do papel do outro como elemento central na constituição dos sujeitos e de sentidos, seja nas interações sociais em que acontecem os enunciados e se estabelecem relações de zona de desenvolvimento proximal (zpd) ou no dialogismo e no caráter responsivo dos enunciados. Finalmente, apresentamos a leitura como um momento em que o sujeito-leitor resgata os sentidos já produzidos em outras situações e em que novos sentidos podem ser produzidos.

Vozes que emergem em sala de aula: a importância do dialogismo nas dinâmicas de produção de texto

PID: S2317-09722014000100006 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2014
Autores: Moretto
O presente artigo é resultado de uma pesquisa de mestrado desenvolvida junto ao programa de pós-graduação stricto sensu em Educação da Universidade São Francisco e da disciplina Produção Escrita em Língua Materna, da Universidade Estadual de Campinas. Nele, discutimos a importância de se abrir um espaço para a interação verbal em sala de aula. Pautamo-nos em autores que enfatizam o caráter constitutivo da linguagem e daqueles que levam em conta a produção a partir de seu caráter dialógico. Visamos analisar uma das produções realizadas por alunos do 6º ano do Ensino Fundamental que tinha como primórdio a produção de livros a serem expostos na Feira Cultural da escola e, em seguida, depositados na biblioteca da escola para empréstimo aos demais alunos.

(Auto)Biografias e práticas culturais de leitura: gritos, resistências e escutas das escolas rurais

PID: S2317-09722013000200006 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2013
Autores: Souza Ribeiro
O texto discute questões concernentes às pesquisas (auto)biográficas no campo educacional brasileiro e suas interfaces com as práticas de formação de leitores na escola, ao tomar narrativas biográficas de professoras atuantes em territórios rurais, a partir de cenas recortadas de leitura, na perspectiva da reinvenção dos tempos da leitura no cotidiano escolar de classes multisseriadas. Escolas rurais do território da Chapada Diamantina compõem o cenário no qual as docentes parecem transgredir o trato usual dado à literatura, como um dos dispositivos de superação de silenciamentos em contraposição a currículos tradicionais na abordagem dos textos literários. Tomamos entrevistas narrativas como fonte, para que pudéssemos apreender movimentos que forjam tais práticas, especialmente no contexto da educação rural/multisseriação, como forma de enfrentamento, através de gritos, resistências e escutas, das diversas ruralidades que configuram os territórios rurais do Brasil/Bahia. As narrativas possibilitam entrever aberturas nas condições institucionais adversas do trabalho do professor indicando possíveis desafios que enfrentam as docentes e os alunos na reconceitualização do trabalho com a literatura e com as práticas culturais de leitura.

A escrita nas aulas de matemática: diversidade de registros e suas potencialidades

PID: S2317-09722013000200004 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2013
Autores: Nacarato
Resumo No presente artigo apresento resultados de pesquisas que vêm sendo desenvolvidas sob minha orientação e que têm como foco as questões relativas à escrita nas aulas de matemática da escola básica. Parto das discussões sobre as atuais necessidades de inserir novas perspectivas metodológicas em sala de aula, com ênfase nas práticas de letramento, aqui consideradas como práticas sociais pautadas em gêneros escritos. Discuto também a importância da escrita para a formação do pensamento matemático. Finalizando o texto, apresento alguns gêneros textuais utilizados por professores que ensinam matemática e destaco as potencialidades de cada gênero

A remidiação de sininho: explorando os fundamentos da transmídia em um sistema narrativo secular

PID: S2317-09722013000200002 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2013
Autores: Meyers Krabbenhoft McKnight
Resumo A trajetória de 100 anos da travessa personagem Sininho, desde a peça “Peter Pan”, de J. M. Barrie, de 1904, até a atual franchise Disney Fadas, é uma metanarrativa de adaptação e remidiação através da qual a mídia e a “infância” podem ser vistas como forças que se inter-relacionam. Com foco na mídia e nas narrativas infantis contemporâneas, este artigo analisa as encarnações de uma franchise da mídia, em intervalos de 50 anos. O procedimento close de leitura nos ofereceu novas formas de perceber a relação reflexiva entre as construções sociais da infância, a evolução da narrativa na literatura infantil e o desenvolvimento da mídia para o público infantil, desde o período eduardiano. Usando a Sininho como exemplo de um fenômeno, descobrimos que, à medida que evoluem a narrativa e a mídia infantis, de forma a aumentar o potencial da agência da infância, as formulações comerciais estrategicamente moldam essa agência, através da estruturação do acesso e da participação.

A sala de aula em cena: imagem e narrativasThe classroom scene: image and narratives

PID: S2317-09722013000200007 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2013
Autores: Guimarães
O artigo aborda os modos como podemos ler cenas de sala de aula, através das imagens que estudantes em formação inicial para a docência produzem das suas próprias práticas pedagógicas, no decorrer do estágio supervisionado no ensino de ciências. O texto pretende pensar modos de leitura que não submetam a imagem à narrativa, ou vice-versa. Nessa direção, indaga-se sobre o que se potencializa ver na sala de aula em cena, quando, na leitura da imagem, tiramos do foco seu caráter de registro, de ilustração de uma prática pedagógica. O artigo articula-se a uma pesquisa sobre imagem, ambiente e educação, com inspiração no campo dos estudos culturais. O ensaio é tecido argumentativamente a partir de uma única imagem, produzida por professores de ciências e de biologia em formação inicial.

Antes dos portugueses o Brasil tinha descoberto a felicidade

PID: S2317-09722013000200015 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2013
Autores: Noa
Apresento, com uma tessitura brincante de palavras, o (im)provável diálogo entre o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade (1928) e os achados da pesquisa de doutoramento (2001-2006), na Aldeia Pirakuá, Bela Vista/ms. A definição metodológica buscou trilhas não colonizadoras, no exercício de, sabendo-me impregnada pela colonização, ser capaz de, dialeticamente, lutar, antropofagicamente, para ser menos tirana em minhas estadas na aldeia. As crianças foram reconhecidas como protagonistas de suas vidas, capazes de aprender e de ensinar, sem rótulos teóricos colonialistas. Passados sete anos, arrisco afirmar que fragmentos da magia brasileira gritada no Manifesto se fazem presentes no cotidiano dessa aldeia “[...] que tinha descoberto a felicidade” antes das invasões e das colonizações. Apresento algumas experiências vividas de mãos dadas com as crianças e com os adultos que ali vivem. Convido para atravessar o rio e chegar do lado de lá, onde estão as crianças em suas “humanas aventuras”.

Currículos, culturas e cotidianos escolares: afirmando a complexidade e a diferença nas redes de conhecimentos dos sujeitos praticantes

PID: S2317-09722013000100006 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2013
Autores: Ferraço
Resumo Este texto tem como interesse problematizar os currículos realizados nos cotidianos de escolas públicas municipais de Vitória/es, envolvendo as teorias práticas de educadores e estudantes inventadas a partir das relações que estabelecem entre currículo e cultura, objetivando, com esses sujeitos praticantes, afirmar a complexidade e a diferença como potências para a ampliação de seus conhecimentos. O destaque dado às relações entre currículo e cultura resulta da nossa condição de pesquisadores com os cotidianos: foi- -nos possível perceber que, mesmo quando engajados em projetos que visam a combater a discriminação, educadores e estudantes continuam produzindo outras tantas formas de exclusão, ao mesmo tempo em que, no anonimato do cotidiano, inventam táticas de sobrevivência inspiradas em micro resistências que fundam micro liberdades. Assim, compreender as redes tecidas entre cultura e currículo requer problematizar as teorias práticas inventadas durante os próprios movimentos de tessitura das redes. Compreendendo que somente a partir da problematização dos diferentes contextos da educação municipal é possível entender a potência da dimensão de complexidade das escolas, elegemos como questões desafiadoras: a) a associação de currículo à proposta curricular e à pedagogia de projetos culturais; b) a ênfase nas ideias de cultura local, identidade cultural, originalidade, tradição e diversidade cultural; c) a associação linear de cultura a folclore, hábitos...; d) a ênfase no currículo turístico, pautado no calendário das datas comemorativas; e) a proposição de ações educativas envolvendo temas como violência, religião, sexualidade, família..., fortalecendo uma visão redentora de cultura; f) a invenção anônima de táticas estratégias que subvertem as tentativas de padronização das noções de currículo e cultura dos textos prescritivos, caracterizando as dimensões de política, complexidade e de permanente indeterminação dos cotidianos escolares.

Definições de infância na Amazônia ocidental indígena: a perspectiva local e o etnocentrismoDefinitions of infancy in indigenous occidental Amazonia: the local perspective and ethnocentrism.

PID: S2317-09722013000200016 | Periódico: Leitura: Teoria e Prática (2317-0972) | Ano: 2013
Autores: Machado
Meu objetivo, neste texto, é examinar algumas representações de um grupo de professores indígenas que estão conduzindo investigações de cunho sociolinguísticos em suas aldeias, de modo a terem subsídios para implementar políticas linguísticas capazes de assegurar a continuidade de suas línguas tradicionais. O foco de análise recairá, dentre outras questões, sobre algumas visões conflitantes entre os modos como esses professores e suas formadoras não-indígenas definem a categoria “infância”, categoria essa contemplada em um dos instrumentos de pesquisa por eles utilizados. Além de argumentar que a não consideração dessas diferenças de perspectivas pode constituir obstáculo importante em processos de formação de professores-pesquisadores indígenas, pretendo chamar a atenção para o fato de que, por um lado, a categoria local precisa ser sempre lida com parcimônia e, por outro, que o conceito de etnocentrismo nem sempre é suficiente para explicar todos os complexos problemas de que se investem as relações interculturais
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