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O cuidado com bebês com deficiências em creches: narrativas de professoras sobre situações de atenção pessoal e de mediação em descobertas e investigações

PID: S2318-19822025000100213 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2025
Authors: Falco
Resumo Este artigo emergiu em continuidade a uma pesquisa de doutorado com a temática da construção de contextos mais inclusivos na educação infantil, com o recorte da educação de crianças com deficiências. Parte-se de estudos que sustentam as pedagogias participativas, bem como da perspectiva inclusiva, na composição do quadro teórico, para tecer uma articulação à ética do cuidado no exercício da docência. Mediante as narrativas de educadoras, este é um breve estudo exploratório de inspiração praxeológica, com o intuito de engendrar reflexões sobre o cuidado e a participação de bebês com deficiências em creches. Como fontes para a produção de dados, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas e a apreciação de diários de bordo. As categorias de análise foram organizadas em dois eixos que constituem a ação pedagógica: as situações de atenção pessoal; e a mediação em descobertas e investigações dos bebês. A análise reitera discussões inerentes ao cotidiano da creche, mas também impele a ética que vigora na sensibilidade do laço social e nas políticas de cuidado.

O espaço para o aprendizado na infância de 0 a 3 anos: a experiência de instituições de Educação Infantil na Itália

PID: S2318-19822025000100010 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2025
Authors: Buccolo
Resumo O espaço é um dos fatores determinantes no processo de aprendizado na faixa etária de 0 a 3 anos. A tradição pedagógica italiana tem como referência pedagogos que investigaram 0 conceito de espaço e sua importância como fator educacional. Um espaço bem estruturado influencia positivamente o desenvolvimento físico, psíquico e relacional das crianças, promovendo um crescimento positivo. Um ambiente educacional acolhedor para crianças de 0 a 3 anos permite experiências sensoriais, motoras, aprendizado, criação, comunicação, pensamento e escuta (Buccolo, 2019). A pesquisa apresentada enfoca a evolução do conceito de espaço na pedagogia da infância de 0 a 3 anos, destacando a necessidade de construir um novo contexto que apoie o processo educacional. O debate atual sobre pedagogia considera fundamental a organização do espaço em ambientes educacionais para crianças, valorizando o contexto como complementar à didática. Emerge da experiência de formação de educadores um método de aprendizado contínuo baseado em observação, reflexão e prática. Essa abordagem busca uma construção colaborativa e inclusiva de espaços educacionais que valoriza a diversidade, garantindo um ambiente educacional colaborativo e acessível para todos. É necessário, continuar investindo na formação de educadores, visando a um planejamento mais consciente e crítico do espaço, para que a “experiência de formação-intervenção” se configure como uma oportunidade de crescimento humano e social.

Pesquisa com bebês: caminhos metodológicos de um estudo sobre a docência da educação física na educação infantil

PID: S2318-19822025000100173 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2025
Authors: Schulz Wenetz
Resumo O presente estudo tem o objetivo principal de analisar os desafios e as possibilidades da docência da educação física voltada para os bebês na educação infantil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de base etnográfica, que focaliza as mediações pedagógicas da educação física em uma turma do Grupo I/II (turma mista), composta por 22 crianças, de seis meses a dois anos de idade, de um Centro Municipal de Educação Infantil, localizado em Vitória, ES. A pesquisa foi realizada em um período de quatro meses, distribuídos em 15 semanas, contabilizando 18 inserções no campo. Na produção dos dados, foi mobilizada a observação participante, com registros em diário de campo, registros fotográficos e entrevista semiestruturada com o professor de educação física, que atuou com a referida turma. A intenção expressa com a realização desta pesquisa foi identificar os pressupostos de natureza didático-pedagógica, provenientes da prática, para refletir sobre as mediações que buscam um cuidar presente nos detalhes, superando a perspectiva maturacional, que incide sobre os bebês, e os enxergar como sujeitos ativos em seus próprios processos de desenvolvimento.

Política de integração das TDR em currículos de cursos de formação inicial de professores: apontamentos do contexto do texto de uma universidade pública de Mato Grosso

PID: S2318-19822025000200237 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2025
Authors: Rubio Oliveira
Resumo A presença das Tecnologias Digitais em Rede (TDR) nos espaços educacionais se dá por meio de Políticas Públicas de Inclusão Digital ou de professores e alunos, mas sua integração ao currículo, ainda hoje, permanece sendo um desafio. Neste sentido, desenvolvemos o presente artigo com intuito de compreender a política de integração das TDR em currículos de cursos de formação inicial de professores em uma universidade pública do estado de Mato Grosso. Para tal, realizamos estudo documental, em que analisamos 14 Projetos Pedagógicos de Cursos (PPCs) de formação inicial de professores da referida universidade. A pesquisa foi desenvolvida por meio de estudo documental e orientada pela compreensão de TDR como prática social (Buzato, 2006), de currículo como prática cultural (Lopes; Macedo, 2011) e de política de currículo como ocorrendo em movimentos cíclicos, configurada por diferentes contextos (Ball; Bowe, 1992; Ball, 1994). A análise do contexto do texto da política de integração das TDR em currículos de cursos de formação inicial de professores nos possibilitou compreender que há avanços em relação à integração das TDR nas propostas formativas destinadas a esses futuros docentes, mas ainda existem cursos que nem sequer mencionam as TDR em seus currículos.

Práticas educativas de prevenção ao suicídio por meio de redes de políticas públicas

PID: S2318-19822025000200257 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2025
Authors: Silva Silva
Resumo Este artigo faz parte de uma pesquisa de mestrado em educação, concluída, desenvolvida junto a uma universidade pública localizada em Mato Grosso do Sul. Parte-se do seguinte problema: quais são as ações educativas escolares e não escolares planejadas pela rede de articulação intersetorial Educação-SUS-Suas para a prevenção do suicídio em âmbito municipal? A pesquisa está em fase de aplicação, porém, neste artigo, apresenta-se diálogos científicos a respeito da relação entre diferentes áreas que atuam junto aos serviços públicos municipais a fim de assegurar práticas articuladas de prevenção do suicídio. Diante do problema, objetivou-se tomar notas que garantam uma leitura crítica das ações proativas realizadas pela parceria em rede, Educação-Saúde-Assistência Social, que fomentam práticas de autocuidado, educação emocional e/ou alternativas de prevenção do suicídio na fase da adolescência. Fez-se uma pesquisa bibliográfica de cunho exploratório com um enquadramento epistemológico nas teorias pós-críticas para a coleta de dados que abordam ações de prevenção de atos relacionados à morte autoprovocada. Conclui-se que as ações acontecem em mês alusivo ao enfrentamento do suicídio, setembro, mas acenam a relevância para a continuidade ao longo do período letivo escolar e também com os públicos atendidos pelas redes de saúde e de assistência social.

Risco não é sinônimo de perigo: a ética do cuidado de bebês em contexto da docência

PID: S2318-19822025000100047 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2025
Authors: Paula Alessi Garanhani
Resumo O presente texto, de cunho ensaístico, tem como objetivo propor reflexões sobre as experiências de movimento do corpo dos bebês em situações que envolvem riscos e os desafios éticos que compartilham os docentes em tal situação. Para essa escrita, utilizamos, como referencial teórico, os estudos sobre brincadeiras arriscadas, de Sandseter (2007) e Kleppe (2018); estudos sobre a criança e suas infâncias, de Sarmento (2004); e a ética do cuidado, a qual foi construída a partir da discussão do ato responsável de Bakthin (2010; 2011), entrelaçada ao conceito de gestão de risco de Christensen e Mikkelsen (2008) e Sandseter (2007). Em nossas análises, identificamos e interpretamos a diferença entre risco controlado e perigo. Argumentamos como os bebês vivenciam experiências arriscadas, ao mostrar o que os diferencia de outros grupos geracionais. Assim, concluímos que, para uma ética do cuidado sobre o tema abordado, exige-se do adulto uma gestão dos riscos compartilhada com as crianças e, principalmente, um conjunto de ações conscientes e planejadas, por parte dos docentes, enquanto um ato responsável do cuidado com o outro.

Saberes, infâncias e educação indígenas: contribuições para uma práticapedagógica viva com crianças bem pequenas

PID: S2318-19822025000100235 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2025
Authors: Viana Dutra Franco
Resumo Este artigo pretende refletir sobre as contribuições dos saberes e educação indígenas para a educação de crianças bem pequenas em contextos de creche. Os fundamentos das considerações apresentadas se ancoram na tecitura oriunda de estudos teóricos e da experiência de uma professora durante o desenvolvimento de um projeto pedagógico com ênfase nas culturas indígenas, em uma creche pública soteropolitana. Ao longo desse percurso, a professora identificou elementos recorrentes nos processos educacionais de crianças indígenas. Com base nessa constatação e no aprofundamento de suas pesquisas, sistematizou quatro princípios que orientaram sua prática pedagógica junto às crianças: liberdade e confiança; in-corporar a vida; espiral de saberes; e ser natureza. Esses princípios, fundamentados nos saberes e educação indígenas, mostraram-se alinhados às necessidades educativas de crianças bem pequenas, inspirando práticas significativas de cuidado e educação. Além disso, este trabalho evidenciou que a ação pedagógica permeada pelos saberes indígenas tem o potencial de enriquecer os processos educacionais em contextos de creche ao propiciar também o alargamento dos padrões de referências estéticas e culturais das crianças. Dessa forma, tende a contribuir com o rompimento de esteriótipos acerca dos povos indígenas e valorização da diversidade.

Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação: entre a mobilização sindical e a agenda neoliberal

PID: S2318-19822025000200279 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2025
Authors: Carvalho Gouveia
Resumo Este artigo analisa a trajetória da carreira dos servidores públicos técnico-administrativos em educação (TAEs) das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), destacando a tensão entre a luta sindical e a ascensão do neoliberalismo na administração pública brasileira. A partir de uma pesquisa documental e bibliográfica, investiga-se a construção do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE), considerando alguns inputs e apresentando alguns outputs. A luta sindical foi essencial para a conquista do PCCTAE, garantindo avanços na valorização dos servidores públicos. A influência do neoliberalismo impôs alguns desafios, resultando em um modelo de carreira que incorpora elementos da lógica neoliberal, tais como avaliação de desempenho, capacitação, mérito e qualificação. Embora o PCCTAE represente um grande avanço para os TAEs, a mobilização sindical continua sendo fundamental para enfrentar as pressões de políticas neoliberais e garantir a manutenção e o aprimoramento dos direitos da categoria.

Trajetórias e memórias: narrativa de uma mulher negra quilombola perpassada por uma cantiga de roda

PID: S2318-19822025000100275 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2025
Authors: Backes Magalhães
Resumo O artigo é um recorte baseado em reflexões feitas no Programa de doutorado em Processos e Manifestações Culturais – Universidade Feevale, e trata da narrativa de uma mulher negra: Trajetórias e memórias de Xixica, moradora do Quilombo Paredão Baixo, em Taquara, RS. A História Oral e a etnografia constituem o percurso metodológico, o que possibilitou compreender como a construção da narrativa foi sendo tecida por diferentes aspectos da vida desta mulher, trazendo à memória uma cantiga de roda, cantada por sua mãe, ao lembrar a perda de um filho. Nessa perspectiva, o texto aborda, também, algumas discussões sobre cantiga de roda a partir de seus elementos, que vão desde sua estruturação (roda, instrumentação, palavras, canto, o lúdico) até questões que dizem respeito ao contexto sócio-histórico e cultural. A cantiga de roda que surgiu em meio à narrativa de Xixica perpassou a memória, o que lhe permitiu fazer um percurso que traz a sua trajetória, a de sua família e a da comunidade quilombola. Possibilitou, ainda, ver como realidades do ontem se encontram imbricadas nessa narrativa, que, entre várias formas de como Xixica falou de si e de seu entorno sociocultural, abrem espaço para reflexões/transformações que podem auxiliar não apenas a cantar, tocar um instrumento musical e expressar o corpo através da dança, mas também que as memórias desses gestos musicais sejam igualmente convergidas para ações que proporcionem a busca por condições de vida mais dignas.

Escrevivências de uma professora negra: saberes ancestrais no município de João Neiva

PID: S2318-19822024000300049 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Mota Ramos
Resumo O objetivo deste artigo é apresentar as escrevivências de uma mulher negra, professora aposentada, com base nos saberes ancestrais, especialmente acerca do Congo, que é uma expressão cultural secular do Estado do Espírito Santo (ES). Para alcançar o objetivo proposto, foi usada a metodologia da pesquisa documental e bibliográfica e a pesquisa narrativa, a partir das conversas realizadas com moradoras antigas do município de João Neiva, ES. Nesse sentido, foi possível conhecer as histórias da população negra que habita o município e que está invisibilizada nos livros oficiais. Com as narrativas produzidas, fortalecemos o sentimento de pertencimento, de saber de onde viemos e o reconhecimento de uma sabedoria ancestral que tem nos movido até aqui. Desse modo, reescrevemos as nossas histórias e valorizamos as memórias do povo negro. Assim, reafirmamos a importância de cumprir as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 com a realização de uma educação antirracista, com foco no tema da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e Indígena nos cotidianos escolares.

A escrevivência de professoras negras: Educação Infantil e relações étnico-raciais

PID: S2318-19822024000300181 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Lisboa Tavares Sousa
Resumo O presente artigo traz à tona, por meio da ferramenta metodológica da escrevivência (Machado; Soares, 2017), os relatos de experiência de duas professoras negras das classes populares que atuam em espaços públicos de Educação Infantil. São espaços situados em municípios distintos, tais como Niterói e Nilópolis, que, embora com cenários diferenciados, apresentam-nos desafios cotidianos, sobretudo no que diz respeito às práticas racistas na escola. A partir disso, o objetivo é ampliar as discussões sobre as microações afirmativas (Jesus, 2004) que emergem nesses espaços, diante da prática pedagógica de mulheres negras, professoras e pesquisadoras comprometidas com uma pedagogia engajada (hooks, 2017), como um movimento de ativismo político nos espaços escolares. Atuamos, respectivamente, como professora e orientadora pedagógica, tendo como similaridade formas de atuar críticas aos padrões racistas existentes na sociedade. Nosso trabalho consiste em gerar resistências nos espaços escolares e contornar o absenteísmo ainda presente nos fazeres docentes. Buscamos criar oportunidades no cotidiano escolar e implementar diferentes estratégias para nos contrapor às práticas racistas, em busca de uma educação que favoreça uma identidade positiva para as crianças negras, propondo outros modos de ser e estar no mundo para crianças negras e não negras. Como apontamentos finais, trazemos a necessidade de continuarmos o debate antirracista nas escolas referenciadas, ampliando as microações afirmativas nos seus cotidianos.

A construção das identidades étnico-raciais das crianças na educação infantil

PID: S2318-19822024000100123 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Batista Macêdo Onofre
Resumo O presente artigo tem como objetivo principal refletir sobre a importância do reconhecimento e da afirmação de um currículo centrado nas e para as relações étnico-raciais na educação infantil. Essa é uma pesquisa-ação, pois se construiu um relato de experiência do componente curricular Estagio IV, do curso de Licenciatura em Pedagogia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), campus I. 0 referido estágio aconteceu em uma turma do Maternal II, de uma instituição de educação infantil pública. Os resultados indicaram a importância da implementação de um currículo étnico-racial, através de experiências, discussões em rodas de conversa e atividades didáticas permanentes, em que as crianças vão se reconhecendo nas relações com os pares e adultos, desconstruindo preconceitos e aprendendo atitudes e comportamentos antirracistas. Concluímos que é preciso romper com as estruturas e atitudes racistas nas instituições de educação infantil, que se expressam através do currículo oficial, no qual predomina a cultura eurocêntrica. Ademais, realizar uma educação igualitária, em que o acolhimento da criança, em sua integralidade, faça parte das práticas curriculares, exige uma postura comprometida com a ética e a justiça social.

A dinâmica relacional no “afrocentramento” do currículo: por uma política da diferença

PID: S2318-19822024000100057 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Ribeiro Corrêa Silvestre
Resumo O objetivo deste texto é discutir a dinâmica relacional que envolve o afrocentramento, abrindo a abordagem à diferença. São apresentados pressupostos teóricos nos campos do currículo e das relações étnico-raciais. Currículo é tratado como política cultural. Já relações étnico-raciais, como conjunto ativo de respostas em relação a questões em debate que guiam as demandas em disputa. O caso da cultura afro-ameríndio-maranhense - no contexto da amefricanidade - e seus rastros autobiográficos são mobilizados de modo a ilustrar e a compor o quadro argumentativo em defesa da diferença como abertura, fluxo de sentidos. Sem a pretensão de esgotamento, este trabalho salienta que o caráter de afrocentramento vem se constituindo como tática diante dos históricos ataques eurocêntricos. No entanto, há risco - quando predomina o apagamento do caráter aberto dos processos de identificação e singularidades - de que não se possa dar conta do que a experiência afro-maranhense e a autobiografia apontam como exemplos da dimensão relacional e da impossibilidade de sutura. A diferença remete à imprevisibilidade e ao acontecimento, inevitáveis ao novo, diante de sedimentações.

A educação das relações étnico-raciais e a sociologia escolar: perspectivas de uma pesquisa ação na periferia de Belo Horizonte

PID: S2318-19822024000300005 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Diniz Antunes
Resumo O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa de mestrado que se debruça sobre a temática da educação das relações étnico-raciais e o ensino de Sociologia na Educação Básica. Buscamos ressaltar o potencial da Sociologia escolar no que se refere à abordagem de conceitos e teorias que dialogam diretamente com a temática da educação das relações étnico-raciais, alinhada à uma educação problematizadora e ao cumprimento da Lei n. 10.639/03. Estabelecemos um diálogo com Nilma Gomes (2017), que reconhece a Lei n. 10.639/03 como uma conquista importante, mas que traz a necessidade de uma ponderação no que diz respeito à sua efetivação; Petronilha Silva (2007), que chama atenção para um descomprometimento com uma visão plural de sociedade, a partir de uma leitura sobre políticas curriculares; e bell hooks (2013), que tece importantes contribuições sobre a humanização do espaço escolar. A metodologia da pesquisa constituiu-se numa pesquisa-ação crítico colaborativa, realizada em uma escola pública periférica na cidade de Belo Horizonte. Os resultados apontam para a potencialidade da Sociologia escolar no trato da educação das relações étnico-raciais enquanto disciplina que conta com amplas possibilidades de elaboração de propostas pedagógicas, a partir de estratégias que deem espaço para a mobilização dos saberes construídos pela população negra.

Artevivências: (re)inventando o currículo escolar a partir de mulheres negras

PID: S2318-19822024000200161 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Alves Vieira Rodrigues
Resumo Este artigo propõe a artevivência como um processo no qual mulheres negras usariam suas capacidades artísticas para contar, transmitir, refletir, revelar suas próprias percepções da realidade, a partir de sua condição de múltiplas exclusões como mulheres-negras, entendendo que o processo histórico escravista e patriarcal ainda se encontra reproduzido pelas dinâmicas sociais brasileiras. Partindo do conceito de escrevivência e das possibilidades visuais e estéticas de experiências vividas por um núcleo de Arte e Cultura, gestado em uma instituição federal de ensino da cidade do Rio de Janeiro, este artigo registra algumas das subversões curriculares propostas e das possibilidades de falar e produzir arte pelo descolonizar dos conceitos de raça e gênero no ensino de arte. Com isso, o objetivo deste artigo está em apresentar artevivências a partir de uma experiência escolar pautada pela decolonialidade e pela produção artística de mulheres negras, seus resultados e significados na visão de uma estudante negra do Ensino Médio.

As relações étnico-raciais no currículo de Ciências e Educação Física: apontamentos teóricos

PID: S2318-19822024000200005 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Leal Ferreira Brito
Resumo O presente artigo apresenta um recorte teórico de conhecimentos produzidos no âmbito de duas pesquisas de doutorado, em andamento, que têm como campo de estudo as relações étnico-raciais em dois componentes curriculares da escolarização básica - Educação Física e Ciências. Nele, reforçamos a importância de saber qual uso é feito da história da África e das relações étnico-raciais no currículo, conforme a Lei 10.639/03, para organizar o trabalho das disciplinas de Educação Física e Ciências, inclusive da escola, nos anos finais do Ensino Fundamental, e, em contrapartida, contribuir com as práticas pedagógicas no processo de desconstrução de preconceitos raciais e relações étnico-raciais socialmente vigentes na escola e sociedade brasileira. Neste texto, procuramos mostrar possibilidades para a inserção da temática étnico-racial em sala de aula, tendo como parâmetro o reconhecimento e a valorização da educação intercultural crítica e suas potencialidades (Walsh, 2007, 2009) no currículo escolar, como um desafio para a escola e os professores. Enfim, defendemos o ponto de vista segundo o qual os conteúdos acerca das relações étnico-raciais, quando valorizados nas disciplinas Educação Física e Ciências, podem possibilitar aos professores a apropriação de saberes que lhes permitam trabalhar com uma educação antirracista e atuar como profissionais comprometidos a enfrentar os desafios colocados pelo racismo no cotidiano escolar.

Autoetnografia negra feminista: epistemologias e subjetividades para um currículo antirracista

PID: S2318-19822024000300121 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Euclides Silva
Resumo Dialogar sobre as relações étnico-raciais ainda não é um debate que possamos situar como encerrado, haja vista a continuidade de práticas racistas e discriminatórias presentes na sociedade. Inúmeros são os casos de racismos individuais e institucionais que acometem grande parte da população brasileira. É fato que temos avançado, desde a intensiva atuação dos movimentos negros, bem como do ativismo e agência de negros e negras a favor de uma sociedade livre do racismo, da discriminação e do preconceito racial. Sem pretender desconsiderar as ações já emergentes no campo da luta contra o racismo na esfera da educação formal, este artigo busca trazer contribuições e reflexões no âmbito do potencial das autoetnografias negras como um caminho epistemológico, teórico e metodológico em prol de um currículo escolar enegrecido e enegrecedor. Assim, o presente texto visa trazer apontamentos sobre como podemos utilizar as autoetnografias negras como referencial na e para uma educação antirracista, colocando ao centro vozes discentes e docentes na construção de outros caminhos possíveis, que lhes caibam, conheçam e reconheçam.

Carolina vai às escolas: produzindo currículo antirracista no interior da Bahia

PID: S2318-19822024000100035 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Santos Moreira Gomes
Resumo Este artigo objetiva apresentar uma análise de atividades produzidas por um grupo de pesquisa formado por professoras/es pesquisadoras/es, estudantes licenciados e bacharéis, em sua maioria mulheres negras imbuídas/os na des/re/construção dos currículos eurocentrados. Trata-se de ações construídas mediante teares de teorias e práticas curriculares insurgentes e decoloniais, irrigadas pelas epistemologias feministas negras. O campo empírico foi produzido por meio de rodas de conversa em escolas estaduais de ensino médio, situadas em três municípios baianos, que tiveram como disparador o Projeto Carolina Vai às Escolas. O Projeto visou a a presentar os dilemas da realidade brasileira perante duas obras de Carolina Maria de Jesus: Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (2019) e Diário de Bitita (2014). As cartas produzidas pelas/pelos estudantes das turmas que tiveram envolvidas/os no projeto trazem a complexidades dos dilemas postos por Carolina, que, assim como a autora, têm suas vidas atravessadas pelo racismo, machismo e dificuldades financeiras. Com Carolina, elas/eles são afetados com a força vital que a movimentou em direção ao seu sonho de escrever, mensagem que reverberou nos estudantes a possibilidade de imaginar a melhoria das suas vidas por meio da educação.

Carta a várias mãos para uma educação antirracista: a você, colega de universidade

PID: S2318-19822024000200249 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Silva Coelho Heidemann
Resumo Esta carta apresenta reflexões sobre educação antirracista no ensino superior, a partir da narrativa do encontro de três pesquisadoras, duas autodeclaradas negras e uma branca, com trajetórias no campo da saúde e das ciências humanas. A narrativa é conduzida na primeira pessoa do plural, expressando a síntese das discussões empreendidas sobre esta temática vivenciada nas diferentes trajetórias de vida, dialogando com o feminismo negro interseccional, o transfeminismo e os estudos descoloniais. Problematiza-se o racismo vivenciado no âmbito universitário, a invisibilização das intelectualidades negras, assim como as opressões associadas à população negra além da violência racial, mas condicionadas a esta. Em consonância com o debate racial, aborda-se brevemente a transfobia, o capacitismo e o ouvintismo que cerceiam as pluralidades na expressão da negritude. Conclui-se a importância da educação antirracista como propulsora de novos projetos de sociedade e como recurso de (re)existência nas universidades brasileiras.

Cartas para inspirar, desafiar e convocar à luta: afrocentricidade na plataforma virtual Geledés

PID: S2318-19822024000100011 | Journal: Série-Estudos (2318-1982) | Year: 2024
Authors: Silva Silva Bonin
Resumo Pensar práticas pedagógicas em uma perspectiva afrocentrada é contestar séculos de experiências culturais que respaldam os saberes localizados ao norte global e que naturalizam a imagem do homem branco europeu como produtor e responsável pelo conhecimento socialmente validado. Desde uma perspectiva afrocêntrica, a contestação ao racismo, à discriminação e ao eurocentrismo é elemento fundante, assim como a valorização das culturas e dos saberes constituídos em experiências diaspóricas. Nesse sentido, o prefixo “afro”, em “afrocentricidade”, não remete a penas ao continente africano, em si, mas também ao fluxo de negros e negras ao redor do mundo, o que foi denominado de diáspora negra. Inserida no contexto das lutas antirracistas, no Brasil, a plataforma digital Geledés é o ponto de partida para a construção do presente estudo e é tomada como espaço afrocentrado onde se entretecem diferentes pontos de vista, por meio de imagens, textos, documentos, manifestações, criações, posicionamentos. Fundado em 30 de abril de 1988, o Geledés atua em diferentes dimensões, com o propósito central de empoderamento e reforço de narrativas negras. No recorte proposto neste artigo, foram selecionadas 10 cartas publicadas entre os anos de 2020 e 2023, e o objetivo principal é discutir de que modo se insere uma perspectiva afrocentrada em um universo amplo de produção de sentidos e de afetividades constituído nas cartas. A metodologia, de viés qualitativo, envolveu a análise discursiva das cartas selecionadas, considerando, de modo especial, a ancestralidade e o centramento na experiência da diáspora, a valorização da agência e das perspectivas negras, a contestação ao eurocentrismo e a denúncia e a luta contra o racismo.
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