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Fazendo filosofia na sala de aula como uma comunidade de atividade: uma abordagem cultural-histórica

PID: S1984-59872014000200283 | Journal: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Year: 2014
Authors: Santi
Resumo Uma das vias mais tradicionais para ensinar filosofia no ensino médio é uma “abordagem histórica”, que adota uma visão historicista da filosofia e usa a prática de ensino baseada em lições centradas no professor e em estudo de textos pelos estudantes. É só recentemente que um debate sobre as diferentes aproximações para ensinar filosofia se desenvolve, considerando a disciplina como uma atividade prática e dialógica a ser levada para a sala de aula. O que poderia significar “fazer filosofia” na sala de aula em uma perspectiva instrucional? Quais são as premissas e exigências que permitem a transformação da filosofia de uma disciplina em uma atividade comunitária? Neste artigo um modelo de ensino baseado na teoria cultural-histórica é proposto e discutido. O modelo é composto por três níveis de especificação da atividade, do mais baixo ao mais alto, que correspondem a três planos de análises diferentes da prática filosófica em contextos institucionais. Cada nível é composto por sete dimensões fundamentais que esclarecem as significações, as limitações, e as ferramentas implicadas e desenvolvidas no filosofar enquanto atividade sociocultural. Finalmente, se e como a Filosofia para Crianças deveria ser considerada com uma atividade que responde ao modelo, discutindo-se seus fins educacionais.

Literatura, educação e alteridade a escritura como experiência de formação

PID: S1984-59872014000100155 | Journal: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Year: 2014
Authors: Silva
Resumo: O presente artigo toma como objeto de investigação a relação entre literatura e educação. Nossa posição hiante de professor-pesquisador é aquela que nos autoriza a recolher testemunhos de experiência docente, bem como extrair elementos interrogantes de ambas as margens, arriscando pensar a respeito da potência deste encontro entre “experiência estética da literatura” e “discurso pedagógico”. Alguns estudos tem nos apontado que a relação intrigante entre literatura e educação convida os protagonistas e espectadores da cena escolar cotidiana a inaugurarem outros modos de existência, produzindo assim um reposicionamento do lugar de narratividade e de enunciação dos discursos que os constituem. Em companhia de autores como Giorgio Agambem, Walter Benjamin, Clarice Lispector e Roland Barthes, desafiamo-nos a percorrer alguns temas como linguagem, infância e alteridade, dedicando-nos a pensar a elaboração simbólica da experiência existencial através da literatura. Em nossa pesquisa, assumimos, por excelência, um compromisso com o lugar da formação, entendendo esta última como um contínuo e ininterrupto trabalho sobre si mesmo, efeito de certo modo de tomar a linguagem como criação, escritura poética. Nossa hipótese é de que a presença da literatura no cenário escolar produz um deslocamento do lugar e da função docente, inscrevendo modificações importantes, alterando os contornos que formam a suposta postura pedagógica investida de saber-poder. Inclinamo-nos a pensar que quando nos entregamos às práticas de escrita, leitura e narração de histórias algo (nos) acontece e este “algo” traz contribuições importantes para refazer os contornos do campo pedagógico instituído.

Lyotard e a criança filósofa

PID: S1984-59872014000200233 | Journal: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Year: 2014
Authors: Fry
Resumo A descrição do filósofo que faz Jean-François Lyotard usa uma metáfora que compara o filósofo às crianças. Este artigo retraça o uso da metáfora da criança em relação à filosofia através do trabalho de Lyotard. Em geral, o problema histórico com a filosofia para Lyotard é que ela foi compreendida como envolvendo maturidade, maestria, e adultez. Enquanto o estereótipo do filósofo sábio pode sugerir um perito maduro que sabe tudo, Lyotard rejeita essa visão. Para Lyotard o filósofo é a criança que procura respostas, mas não pode dominá-las. A sabedoria do filósofo é semelhante à sabedoria de Sócrates, que é sábio porque conhece as limitações do seu conhecimento e não presume ser um mestre. Além disso, o filósofo é aquele que escuta o que ainda não foi articulado e diz algo novo. A linguagem filosófica não faz só relatar ou observar, ela cria expressões do que é novo afinando-se a algo latente no mundo (WP, p. 95). Portanto, as respostas não serão dominadas, compreensivas, ou assentadas de vez. No trabalho tardio de Lyotard, o modo ou método da filosofia é mais próximo do juízo porque os problemas que ele examina são abertos a discussões futuras. A ligação de Lyotard entre a filosofia e a infância ajuda a evitar um entendimento da filosofia baseado na racionalidade tecnológica para a qual o domínio é o objetivo. Compreender o mundo exclusivamente pelas categorias de meios levando a fins, leva a assumir respostas definitivas, domínio, e expertise. Quando muitos entendimentos da filosofia frisam o saber prático obtido conclusivamente ou busca domínio, Lyotard vê essas forças como inimigas do pensamento filosófico, que requer mais abertura à infância. Consequentemente, a filosofia é plenamente política por prover uma pequena voz contra a forte e impressionante pressão a favor do prático, do eficiente, e do discurso do capitalismo.

O (en)canto e o silêncio das sereias: sobre o (não)lugar da criança na (ciber)cultura

PID: S1984-59872014000100129 | Journal: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Year: 2014
Authors: Pereira
Resumo: Este texto, de caráter ensaístico, tem por objetivo colocar em debate as relações entre infância e cultura contemporânea, mais especificamente, sobre o lugar social que as crianças ocupam na cibercultura, lugar esse vem se mostrando um tanto paradoxal: por vezes se atribui às crianças uma quase inata expertise; por outras, as supomos frágeis e desprotegidas. Trata-se de um esforço de aproximação e de delimitação de um objeto de estudo em permanente devir cujas transformações psíquicas, sociais e culturais envolvidas afetam também os modos de pesquisar e de produzir conhecimento. Isto exige, pois, uma construção teórica e metodológica em constante e vertiginoso processo que, mais do que poder contar com o conhecimento historicamente acumulado, parece manter-se mergulhada na intersecção de nossas incertezas. O caminho proposto para a formulação das indagações que aqui queremos compartilhar com o leitor passa inicialmente por um levantamento da produção discursiva sobre a relação das crianças com a internet que circula no cotidiano e nas pesquisas de caráter acadêmico e oficial. Num segundo momento buscamos a produção discursiva do mercado para observar como a produção de sites dirigidos para crianças dialoga com prerrogativas do saber dito especializado. Por fim, apresentamos uma perspectiva filosófica de análise desses discursos amparada metaforicamente na narrativa homérica e na releitura que Franz Kafka faz da passagem de Ulisses pela ilha das sereias. Com esse caminho buscamos analisar tendências que emergem na produção de conhecimento sobre infância e cibercultura e, junto disto, pensar sobre os desafios éticos e metodológicos que a temática em tela impõe para os pesquisadores da infância.

O enquadramento aporético na filosofia para crianças e adolecentes ou como fazer avançar o pensamento de crianças e adolecentes pondo à prova sua compreensão

PID: S1984-59872014000100056 | Journal: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Year: 2014
Authors: Hess
Resumo: Desenvolver o pensamento crítico dos jovens, na perspectiva de fazer deles adultos capazes de pensar de maneira autônoma, eis a ideia forte que perseguem muitos atores do mundo da educação e do ensino. Resta colocar em prática os meios de atingir essa finalidade. A prática da PPEA é nesse sentido um meio privilegiado para conseguir. Por entre os métodos que põem em cena uma comunidade de investigação ocupada em filosofar, o enquadramento aporético privilegia a emergência das oposições, das divergências de ponto de vista, dos limites do raciocínio, e outras contradições da reflexão dos jovens implicados na discussão filosófica. Ele cultiva a aporia, supondo que o encontro com a alteridade torna patente o aprofundamento do pensamento, encorajando-o a se sair da dificuldade em que acaba forçosamente se encontrando. Trata-se aqui, em um primeiro tempo, de apresentar os fundamentos teóricos do enquadramento aporético que são o platonismo e o seu diálogo socrático, a lógica da inferência e seu caminho operatório de identificações conceituais que repousam na oposição, o socioconstrutivismo e o seu conflito sócio-cognitivo, e a teoria dos atos de fala e seus valores ilocutórios e perlocutórios. Em um segundo tempo, trata-se de expor a praticabilidade do enquadramento aporético em PPEA, evocando o estado de espírito, mas também as ferramentas de animação, que o animador deve adotar para lidar com a aporia como se fosse uma alavanca que facilita a autonomia de pensamento dos jovens que beneficiam de tal enquadramento.

Ontologia fenomenológica e educação da infância uma leitura de Merleau-Ponty

PID: S1984-59872014000200357 | Journal: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Year: 2014
Authors: Quintiliano
Resumo: O presente artigo explora a filosofia de Merleau-Ponty, particularmente a ontologia do sensível e da percepção em busca de novos caminhos para a educação. Apresentando uma problemática geral sobre a questão da infância, o texto procura alternativas para pensar um processo educacional que seja mais adequado à natureza, tanto da infância quanto da própria educação no sentido que ela adquire para os filósofos. Partindo da dicotomia tradicional do ocidente, entre corpo e espírito, matéria e forma, existência e essência, e considerando as teorias contemporâneas e a fenomenologia, não unicamente a de Merleau-Ponty, o texto percorre diversas veredas teóricas, propícias a uma compreensão mais aguçada da relação entre nossa presença ao mundo e as nossas capacidades intelectuais. Como mostra a ontologia merleau-pontiana, não há separação que possa servir de base a teorias pedagógicas que busquem atingir a autonomia do pensamento e a capacidade de compreensão do outro. Assim, as questões levantadas são de ordem ética ao mesmo tempo que ontológica. As crianças, pela vivencia na escola, adquirem mais que conhecimentos objetivos sobre o mundo. Elas aprendem também a viver juntas, e a maneira como compreendemos o mundo influencia a maneira como elas vão compreender suas relações sociais, pessoais, profissionais. Uma teoria que abranja de forma mais completa a existência e a essência, por suposto, poderia nos ajudar a encontrar apoios mais sólidos para as nossas práticas educacionais.

Reformulando e praticando a inclusão comunitária. A relevância da FPC de Lipman

PID: S1984-59872014000200401 | Journal: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Year: 2014
Authors: Tibaldeo
Resumo Gostaria de realizar uma pesquisa filosófica sobre as esferas públicas interculturais dos dias atuais. A tese que pretendo defender é que a obtenção de esferas públicas inclusivas (especialmente em relação a nossa experiência europeia e ocidental, a realização da democracia) depende amplamente da disposição e da capacidade de uma pessoa em fomentar a “apreciação das diversidades” primeiramente, aprimorando políticas e formas de cooperação entre os recursos emocionais e motivacionais dos cidadãos e, em seguida, aprimorando suas competências cognitivas. Mais especificamente, minha proposta é compreender esse esforço do ponto de vista da responsabilidade pós-weberiana, que é de uma ética e política que superam as divisões tradicionais entre teoria e prática, cognição e emoção, “Verantwortung” (responsabilidade) e “Gesinnung” (convicção), e, portanto, tem sucesso no aprimoramento da consciência e das atitudes dos cidadãos, como segundo as palavras de Habermas, “co-legisladores democráticos”. O estudo de caso de “Philosophy for Children/Community” (P4C) de Matthew Lipman tem sucesso precisamente no destaque destes resultados.

Vivendo e aprendendo: a Narrativa na investigação ética com crianças

PID: S1984-59872014000200305 | Journal: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Year: 2014
Authors: Robinson
Resumo Muitos educadores terão familiaridade com o poder das histórias para estimular uma rica e significativa pesquisa filosófica sobre os problemas éticos com as crianças. Nesse artigo, eu apresento uma visão da natureza da narrativa e da ética - e as relações entre as duas - que tenta explicar por que isso acontece. Não é um acidente se as matérias de ética são esclarecidas para as crianças e os adultos, do mesmo modo, nas histórias, nem na explicação desse acordo entre os temas, nem uma questão de convenção. A narrativa, eu argumento, está no coração da vida e do aprendizado ético. Nós vivemos e aprendemos em virtude das histórias que contamos e que nos são contadas. Isso é possível não somente porque essas histórias nos apresentam vividamente um conteúdo ético, mas também porque o engajamento exitoso e a alegria dessas narrativas requerem o exercício de capacidades que também nos ajudam a ter boas vidas. A narrativa é central, em dois aspectos, para aprender como viver uma boa vida e vivendo isso: é ao mesmo tempo fonte e método do conhecimento ético e de sua compreensão. Felizmente para os educadores, a narrativa é uma fonte rica e abundante e um método que pode ser facilmente apreendido e então praticado e improvisado. Para aqueles que acham essa observação persuasiva, eu concluo com algumas sugestões sobre como praticar o Inquérito Ético Narrativo de maneiras que reconhecem, atualizam e maximizam o poder da narrativa, enquanto faz com que ele se torne frutuoso na vida e na aprendizagem ética cotidianas. Eu proponho o ‘Investigação Ético Narrativa’ como uma pedagogia que visa desenvolver três virtudes: vigilância ética, competência narrativa e crítica, inquérito autoconsciente. Eu me dei conta que a classe de filosofia é uma crisol ideal para a combinação desses três elementos. Contudo, em outro trabalho eu argumentei que o Inquérito Ético Narrativo não se restringe às aulas de filosofia, ou a qualquer aula que seja. É igualmente em casa e nos contextos da comunidade, doméstico, religioso, profissional ou político que as pessoas usam histórias para representar as experiências ética, para explorar problemas éticos e compartilhar o que aprenderam. Eu não estou defendendo algo radicalmente novo nesse artigo, mas observando algo que existe espontaneamente nesses lugares em que os seres humanos procuram ordem, compreendem e comunicam experiências éticas; e aprendem a melhor forma de obter uma boa vida. Aqui eu só estou propondo que esse fenômeno - do esclarecimento ético pela narrativa - seja reconhecido mais amplamente, e divulgado para os educadores.

“A vida continua, mesmo que haja uma tumba”: filosofia com crianças e adolescentes nos sites de memória virtual

PID: S1984-59872014000200421 | Journal: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Year: 2014
Authors: Kizel
Resumo Por toda a Internet, muitos sites operam lidando com a memória pessoal e coletiva. Os site relevantes para a memória coletiva lidam com isso estruturando a memória de grupos sociais (nações, estados, grupos étnicos, grupos religiosos, etc.) e eles contém parte da “religião civil”. Os sites que lidam com a memória pessoal rememoram pessoas que morreram e cujas os membros da família ou os amigos ou outros membros de suas comunidades têm um interesse em preservar sua memória. O artigo oferece uma análise do discurso filosófico extenso que toma lugar durante o período de dois anos em que três grupos de jovens pessoas (crianças e adolescentes) que tiveram uma experiência de perda em suas famílias ou comunidades e que parceiros na escritura de textos em sites memoriais ou que estabeleceram sites como uma parte da integração da perda. Esse artículo busca oferecer uma análise narrativa do discurso filosófico e contribuir para uma expansão das discussões sobre a conexão entre Filosofia com Crianças e seus métodos (como a Comunidade de Inquérito) e a rede social em que vidas inteiras, envolvendo dimensões filosóficas, são conduzidas.

A construção de argumentos em aulas de ciências: o papel dos dados, evidências e variáveis no estabelecimento de justificativas

PID: S1516-73132014000200009 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Sasseron Carvalho
Nosso foco, neste trabalho, recai sobre ações em aulas de ciências que contribuem para a construção de argumentos, sobretudo o trabalho com dados, evidências e variáveis para a construção de justificativas. Nosso referencial teórico principal é o padrão de argumento de Toulmin (TAP-1958/2006). Analisamos a transcrição da gravação de duas aulas de ciências ocorridas em um 4º ano do Ensino Fundamental. A análise inicial permitiu evidenciar os argumentos construídos coletivamente nestas aulas. A partir deste dado, pudemos identificar de que maneira cada elemento do TAP era construído, considerando, ao mesmo tempo, o trabalho desenvolvido pela professora. Chama a atenção que a construção do argumento ocorre em uma ordem não intuitiva: a professora não parte da construção de uma alegação, mas a alegação constitui-se como decorrência da análise de diversas situações; fornecendo-nos evidências de que o processo por ela utilizado é um processo de investigação sobre dados empíricos.

A estrutura composicional dos textos de estudantes sobre ciclos de materiais: evidências de uso e apropriação da linguagem científica

PID: S1516-73132014000400801 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Silva Aguiar Junior
Neste trabalho, apresentamos uma análise das respostas de estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental a uma questão de pós-teste aplicado depois de concluída uma sequência de ensino sobre reações químicas. O foco da análise consiste em identificar os modos de uso e apropriação da linguagem científica pelos estudantes. Utilizamos elementos da gramática funcional de Halliday e Martin para examinarmos a estrutura composicional dos textos. Tal análise foi feita considerando o processo de formação e evolução de conceitos a partir do referencial sociocultural de Vigotsky, destacando-se evidências de apropriação dos conceitos de transformação, elementos e substâncias químicas. Os resultados indicam uma variedade de estilos composicionais, prevalecendo a explicação narrativa mais próxima da linguagem cotidiana. Concluímos que o processo de apropriação é longo e que o pensamento dos estudantes, apesar de ter traços de coerência e objetividade, difere do pensamento conceitual.

A problemática dos organismos geneticamente modificados e a formação científica do cidadão comum: um estudo com alunos de escolas portuguesas

PID: S1516-73132014000200002 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Dourado Matos
A sociedade atual depara-se com assuntos mediáticos e controversos, de raiz científica, de que é exemplo a problemática sobre os organismos geneticamente modificados (OGM). Estes organismos são, para uns, uma mais-valia e, para outros, algo perigoso, o que tem motivado um debate a nível científico, político e económico, do qual os cidadãos não se devem abster. Para tal, estes indivíduos devem ser pessoas informadas, responsáveis e ativas, aspetos para os quais contribui a formação em ciências. A investigação realizada centrou-se na problemática dos OGMs e envolveu a aplicação de um questionário a 175 alunos de escolas portuguesas sobre as suas concepções e opiniões em relação aos OGM. Este estudo demonstrou que a maioria dos alunos tem ideias vagas, nem sempre cientificamente corretas, sobre o tema, e que não rejeita os OGMs, apesar de não ter muitas certezas em relação à utilização dos mesmos.

A problemática dos organismos geneticamente modificados e a formação científica do cidadão comum: um estudo com manuais escolares de Ciências Naturais do 9º ano adotados em Portugal

PID: S1516-73132014000400833 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Dourado Matos
Uma das aplicações da biotecnologia são os organismos geneticamente modificados (OGM), os quais têm uma utilização cada vez maior, apresentando vantagens, mas, também, sendo referidos como organismos potencialmente perigosos. Correspondendo a esses factos, os manuais de ciências dedicam algumas das suas páginas à biotecnologia, sendo os OGMs um dos aspetos focados. Nesse sentido e considerando a importância que o manual escolar tem na educação em ciências, procedemos a um estudo que envolveu a análise dos manuais escolares de ciências naturais do 9º ano adotados em Portugal, na parte respeitante aos OGMs. Neste estudo verificou-se que os manuais nem sempre apresentam a informação correta e necessária, de forma adequada, e que nem sempre lhe dão o devido destaque. Dado que a nossa investigação revela a existência de falhas ao nível dos manuais, as conclusões obtidas podem contribuir para uma melhoria dos mesmos e, consequentemente, da qualidade da educação em ciências.

A vida de alunos pescadores da comunidade de Baiacu (Bahia) e sua relação com a escola: dois mundos distintos?

PID: S1516-73132014000100010 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Bejarano Brunet Bandeira Bortoliero
A pesquisa analisa o conhecimento da biologia de crustáceos de jovens de uma comunidade pesqueira de Baiacu, Bahia, construído através de seu cotidiano na lida com a pesca. Esses jovens também são alunos de uma escola pública. As atividades pesqueiras em Baiacu envolvem a captura de crustáceos de várias espécies. Já na escola, além da dificuldade de acesso, o ensino é desinteressante para aqueles que vivem da pesca. Os dados foram obtidos através de observação direta e atividades na própria escola, conversas informais e visitas à comunidade. Verificou-se que não há formas estáveis de diálogos entre os saberes tradicionais e escolares. De maneira que os saberes tradicionais, apesar de culturalmente relevantes, não são levados em conta quando se desenvolve o ensino na escola. Os prejuízos são evidentes para os dois mundos. Ao final, indicamos alguns caminhos que possam levar ao início de trocas entre esses dois campos de conhecimento.

Afirmaciones epistemológicas con "alta carga teórica" que pueden tener incidencia en la didáctica de las ciencias: un estudio comparativo

PID: S1516-73132014000200011 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Amador-Rodríguez Adúriz-Bravo
Asumiendo la naturaleza de la ciencia (NOS) como un conjunto de contenidos metateóricos con valor para la educación científica, entendemos que en este campo se priorizan modelos provenientes la epistemología, con el objeto de que la ciudadanía genere respuestas a las cuestiones de qué es la ciencia, cómo se transforma a lo largo del tiempo y cómo se relaciona con su contexto social y cultural. El propósito de este documento es recoger y comparar algunas de las que llamamos "afirmaciones con alta carga teórica" en relación con la epistemología presentadas en documentos especializados que son fuente de consulta para algunos integrantes de la comunidad de didáctica de las ciencias ocupados de la NOS.

Algunas reflexiones sobre la distancia entre "hablar química" y "comprender química"

PID: S1516-73132014000400002 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Raquel Galagovsky Bekerman Di Giacomo Alí
Una clase de química puede ser considerada como un espacio de comunicación entre el docente experto y los estudiantes novatos, donde los lenguajes utilizados son la interfase explícita y observable del intercambio comunicativo. En el presente trabajo se muestra con dos ejemplos cómo la diversidad de lenguajes químicos en lugar de favorecer la comprensión de los estudiantes, puede actuar como fuente de obstáculos que dificultan la comunicación en el aula. Así mismo, se analizará con otros dos ejemplos cómo el discurso con el que se enseña la disciplina también es potencial generador de errores en los estudiantes, cuando ellos construyen sus modelos mentales idiosincrásicos a partir de un discurso recortado y simplificado, desde las mejores intenciones de realizar buenas transposiciones didácticas. Se plantea que un enfoque de análisis de la situación de aula como un encuentro comunicativo entre experto y novato conduce a una necesaria diferenciación entre "hablar química" y "comprender química".

Análise de vizinhança de mapas conceituais a partir do uso de múltiplos conceitos obrigatórios

PID: S1516-73132014000100008 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Correia Cicuto Dazzani
Os mapas conceituais (MCs) são úteis para representar o conhecimento e promover a aprendizagem significativa. O objetivo desse trabalho foi utilizar a análise de vizinhança (AViz) para avaliar a aprendizagem dos alunos. Oxigênio, hemácias, células e nutrientes foram conceitos obrigatórios (COs) que deveriam ser utilizados durante a elaboração de um MC para responder à seguinte pergunta: “como os nutrientes e o oxigênio chegam à célula?”. Os resultados revelaram que proposições relacionando COs podem ser indicadores de uma adequada compreensão conceitual sobre o tema. Dos 36 MCs considerados, mais de 70% apresentaram 2 ou 3 proposições CO-CO. A AViz é uma maneira simples para identificar proposições com erros ou falta de clareza semântica, permitindo que os professores avaliem o nível de entendimento conceitual dos alunos durante o processo de aprendizagem.

Avaliação de objetos de aprendizagem sobre o sistema digestório com base nos princípios da Teoria Cognitiva de Aprendizagem Multimídia

PID: S1516-73132014000400015 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Almeida Chaves Coutinho Araújo Júnior
Esta pesquisa se propõe a avaliar objetos de aprendizagem (OAs) digitais relacionados à temática "sistema digestório" a partir de alguns princípios da Teoria Cognitiva de Aprendizagem Multimídia (TCAM). Para a análise, selecionaram-se OAs de fácil acesso, livres de custos ao usuário final, apresentados em língua portuguesa e adequados a alunos do Ensino Médio. Observou-se que a maioria dos modelos instrucionais não levou em consideração os princípios dessa teoria na sua construção e produção. Os resultados obtidos neste estudo indicam que, em relação ao conteúdo "sistema digestório", existe a necessidade de que o planejamento e a construção de OAs sejam orientados por princípios que visem tornar o uso dos recursos multimídia mais eficientes, do ponto de vista cognitivo.

Coherencia curricular y oportunidades para aprender Ciencias

PID: S1516-73132014000400012 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Ruiz Zúñiga Meneses Arévalo Montenegro Maggio
Se determinó la coherencia curricular entre oportunidades de aprendizaje y habilidades científicas ofrecidas por un texto escolar chileno y por las actividades de aula en 5º grado asociadas al contenido "Fuerza". Se realizó un análisis discursivo de la unidad didáctica del texto y de las actividades con el fin de construir matrices de contenido para tópicos y habilidades; la medición de coherencia curricular se realizó a través del índice de Porter para la coherencia. Los resultados muestran que el texto escolar promueve más observación (24.2%) y menos ordenamiento de la información (0.95%). En las clases, predominó repetición de contenidos de manera oral y escrita (66.8%) y menos análisis de hipótesis (1.6%). El índice de Porter entre el texto y el aula fue 0.360, entre el texto y el marco curricular fue 0.267. Se concluye que el texto y las clases ofrecen leves oportunidades para el desarrollo de las habilidades científicas.

Como trabalham os cientistas? Potencialidades de uma atividade de escrita para a discussão acerca da natureza da ciência nas aulas de ciências.

PID: S1516-73132014000100002 | Journal: Ciência & Educação (1516-7313) | Year: 2014
Authors: Faria Freire Galvão Reis Figueiredo
Vários estudos em educação têm salientado a natureza da ciência como sendo uma componente importante da educação em ciência. Neste trabalho, é apresentada uma atividade de escrita e discussão de histórias imaginadas sobre cientistas, e são discutidas as suas potencialidades para a exploração das ideias dos alunos sobre a atividade científica. Os dados foram recolhidos através de entrevistas com professores e alunos. Foi também efetuada a análise de documentos escritos e a observação das sessões de discussão. Os resultados revelaram a presença, nos alunos, de ideias inadequadas acerca do que é a atividade científica. Revelaram, também, dificuldades por parte dos professores na gestão da discussão e no confronto dessas ideias, que dificultam a compreensão acerca da natureza do conhecimento científico. É sugerido que esta atividade possa ser enriquecida pela sua integração num contexto real, que facilite o estabelecimento de conexões com o trabalho de cientistas reais.
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