Resumo Neste texto, ancorando-se em discussão bibliográfica, estudo de legislação e de documentos de governo, analisa-se a proposta de ampliação do tempo de permanência do aluno na escola, que visa ao desenvolvimento de uma educação pautada na cidadania. Nele se discutem as orientações da política governamental que tem norteado a política educacional a partir de 1990, com foco nas propostas encaminhadas em ambos os governos de Luís Inácio Lula da Silva, chegando até o encaminhamento do Programa Mais Educação. O estudo justifica-se pela necessidade de compreensão do significado assumido pelas políticas educacionais na proposição de ampliação do tempo de permanência na escola. Constata-se, neste estudo, que a ampliação do tempo de permanência do aluno na escola ocorre com o objetivo de superar a exclusão social, a vulnerabilidade de crianças, adolescentes e jovens que vivem em regiões pobres e frequentam escolas com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Ressalta-se que, ao mesmo tempo em que a proposta é importante por vislumbrar a inclusão social, guarda, também, viés questionável, podendo se constituir em uma proposta esvaziada da real intenção de proporcionar uma escola pública de qualidade.
Resumo Este artigo tem como objetivo analisar os planos de ação elaborados por escolas públicas da região metropolitana de Campinas, entre 2010 e 2011, como parte do desenvolvimento de uma metodologia de planejamento estratégico implantada pelo Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE-escola). Contextualiza-se, de forma breve, a conjuntura educacional brasileira posterior aos anos 1990, que culmina com a proposição de um novo modelo de gestão denominado gerencial. A discussão proposta analisa aspectos de trinta planos de ação validados pelo Ministério da Educação quanto às prioridades estabelecidas, com vistas à melhoria da qualidade de ensino.
Resumo Os cursos superiores de tecnologia, no Brasil, desde a última década do século XX, vêm apresentando uma enorme expansão em relação ao número de cursos e vagas oferecidos. Contudo, os altos índices de evasão escolar apresentados nestes cursos motivaram a realização de pesquisa com o intuito de desvendar os fatores que conduzem os alunos à evasão. A pesquisa faz uma análise histórica sobre a condução da educação profissional no Brasil mediante revisão bibliográfica e documental sobre o tema. Dessa forma, busca-se demonstrar, neste texto, que a condução das políticas públicas para a educação profissional exacerba a dualidade da escola. Porém, essa dualidade gera contradições entre as questões objetivas e aquelas subjetivas construídas pela ideologia disseminada pelas políticas públicas e ações governamentais em relação à educação profissional. Essas contradições acabam desnudando a inferioridade social da educação profissional e desestimulam a permanência dos alunos nos cursos. A igualdade jurídica imposta pela legislação entre os níveis de educação procura mediar a emergência dessas contradições. Contudo, apesar da igualdade jurídica, a igualdade social não é alcançada na implementação das políticas públicas, o que se traduz em elevado índice de evasão escolar.
Resumo: O artigo em pauta refere-se à catalogação, conhecimento e estudos a respeito dos Clubes Sociais Negros - ou Afro Clubes - que surgiram a partir da segunda metade do século XIX, em várias regiões do Brasil, onde houvesse a presença de ex-escravizados e seus descendentes. Será dada ênfase à participação da mulher negra nos clubes devido à importância dessas mulheres na história do país. Estudos sobre os Clubes Sociais Negros visam reconstruir a história dos negros com novos objetos, nova abordagem e novos problemas de pesquisa. Os estudos e pesquisas mostram que os Clubes Sociais Negros existem tanto nas zonas urbanas quanto no interior das unidades federativas do Brasil. As fontes de consulta são pautadas principalmente nos depoimentos orais, oriundos dos testemunhos de quem participou ativamente do processo e nas pesquisas científicas publicadas. Fotografias estão sendo consideradas excelentes fontes de informações, além dos registros contábeis, atas de reuniões, dentre outros. Os estudos investigativos apontam a relevância dessas organizações não somente como mais uma modalidade de sobrevivência cultural, mas também como resposta à sociedade racista e discriminadora, como lugares de lazer e diversão, socialização, manutenção das tradições e afirmação de identidades.
Resumo Com base na teoria do discurso de Ernesto Laclau, discutimos as demandas em disputa na produção dos textos curriculares na política educacional do Pará (2007/2010) quando da única experiência do Partido dos Trabalhadores à frente deste estado. Analisando os documentos produzidos pelo governo, destacamos as ambivalências discursivas que se apresentam nos textos construídos naquele período. Considerando a influência de comunidades epistêmicas na produção dos textos, identificamos discursos favoráveis à flexibilidade, cultura comum e defesa do caráter prescritivo das políticas curriculares. O inimigo comum dos discursos construídos nessa experiência eram as “orientações neoliberais” e sua flexibilização voltada para o mercado. Concluímos compreendendo que as ambivalências não podem ser vistas como falhas ou limites, mas deslizamentos de sentidos característicos de textos políticos. Propomos, então, pensar nos entrelaçamentos que são constitutivos das políticas curriculares e seu caráter contingente e provisório questionando análises estadocêntricas.
Resumo O pensamento dogmático atravessa a história da tradição e toma ramificações profundas em diversas perspectivas do conhecimento. Essa imagem-pensamento determinou, sem dúvida, a forma de ver, pensar e se conduzir da pessoa e tende a reforçar um pensamento da moralidade, do julgamento, da reta razão, da verdade e da boa conduta. É possível afirmar que a educação e a aprendizagem efetivamente se valeram desse pensamento por meio de suas práticas pedagógicas. Problematizar essa imagem dogmática é o objetivo deste ensaio. O estudo é bibliográfico e toma como referência principal o pensamento filosófico de Gilles Deleuze. Entende-se que é possível enfrentar esse pensamento na educação por via da criação de um pensamento-problema que seja percorrido por entrelinhas de uma aprendizagem-acontecimento como forma de fissurar a “fôrma”, o “modelo”, o “padrão”, para promover uma transmutação nos modos de pensar e aprender a educação.
Resumo: Este artigo tem por objetivo revelar o modo de transmissão oral e o aporte de saberes educativos contidos nas culturas tradicionais afro-brasileiras. Essas culturas são herdeiras de um saber africano e sua forma de transmissão geracional por meio da oralidade preserva princípios e valores relevantes ao estabelecimento de uma ética universal. O encontro com essas culturas, realizado de modo a reconhecer a sua relevância histórica, possibilita a superação de crises sociais, tais como as desencadeadas pelo preconceito e pela discriminação raciais. A proposta da Lei Federal 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas, permite repensar as práticas culturais afro-brasileiras para além de suas aparências, desvendando o valor educativo contido nelas.
Resumo Neste artigo pretendemos apresentar algumas reflexões relacionadas à reforma da Universidade de Coimbra no contexto da educação no Império Português do século XVI, no reinado de D. João III. Neste sentido, a proposta de análise da história da educação lusitana extrapola as ações desempenhadas, por exemplo, no reino, e procura expor como a reforma daquela instituição esteve em profunda consonância com os objetivos da Coroa para a propagação da cultura religiosa portuguesa do século XVI para todo o império luso, inclusive para o Brasil. Com o auxílio de cartas e alvarás destinados à Universidade portuguesa, apresentamos a reorganização pedagógica da dita instituição fundamentada em quatro pilares: ensino, exames e graus, organização das faculdades e contratação docente. O artigo procura evidenciar que tal reforma foi uma tentativa do monarca português de modernizar a instituição.
Resumo Quando desenvolvíamos nossa pesquisa sobre violência doméstica contra a criança e o adolescente, financiada pelo CNPq em 2010 e 2011 , a contribuição do professor Elias Boaventura foi inestimável. Suas reflexões sobre violência afastam-se do senso comum e, tampouco, seguem um caminho teórico corrente nas produções acadêmicas mais recentes sobre o tema. Desse modo, acompanhar seu pensamento e sua concepção do problema tornou-se um desafio teórico e emocional. O Prof. Boaventura produziu dois textos: o primeiro intitula-se Violência - uma visão complexa, (2011a) , e o segundo, Educação para novos tempos, este, sim, publicado (2011b). Este texto refere-se a eles.
Resumo: O desinteresse pela história dos(as) afrodescendentes no sistema educacional brasileiro é notável, pela visível tentativa de apagamento da Lei nº 10.639/03, com o surgimento da Lei nº 11.645/08, e pela indiferença no âmbito das licenciaturas e nas formações continuadas em formar profissionais (re)conhecedores do legado africano no processo civilizatório da humanidade, ao não incutir neles o conhecimento da afrodescendência e da filosofia e cultura de base africana. O texto objetiva revelar as práticas pedagógicas na disciplina História dos Afrodescendentes no Brasil no curso de Pedagogia da UFC para a aplicação da Lei nº 10.639. Para tanto, é importante apontar o visível desinteresse histórico do governo brasileiro em formar professores no que se refere ao conhecimento da história dos(as) africanos(as) e dos(as) afrodescendentes brasileiros(as). A metodologia se assentará em visibilizar a ausência de formação de professores nas reformas educacionais brasileiras, apresentar a disciplina História dos Afrodescendentes no Brasil e como foi ministrada e a percepção dos estudantes sobre ela. A abordagem teórica é a da afrodescendência e da avaliação educacional. Os resultados apontam a perplexidade dos(as) estudantes perante a história dos(as) pretos(as) brasileiros(as). Conclui que a prática pedagógica envolveu tanto uma reflexão intrínseca como extrínseca aos(às) graduandos(as), acerca deles mesmos, a eles e de seu papel social.
Resumo: Este artigo tem como objetivo estabelecer o diálogo entre a Política de Formação Inicial e Continuada de Professores(as) e a relação com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola, a partir da educação diferenciada do território quilombola de Conceição das Crioulas/PE. Apresentam-se alguns desafios para formar profissionais da educação, atendendo aos princípios da educação estabelecidos por aquelas diretrizes. As abordagens feitas neste texto foram identificadas em uma pesquisa realizada no território quilombola de Conceição das Crioulas, entre 2011/2012, com o objetivo de identificar em que aspectos a proposta de educação desenvolvida naquele território pode caracterizar-se como uma educação diferenciada. Além disso, objetiva perceber como a história de luta e a organização quilombola pode/deve/está inserida no contexto escolar, principalmente, no fomento da formação de professores(as) no território quilombola de Conceição das Crioulas.
Resumo O presente artigo tem como perspectiva percorrer os caminhos da formação do pensamento ockhamista levando em consideração o movimento que a cultura literária árabe proporcionou na Idade Média. Nesta via, entendemos que as disparidades que aparecem neste artigo adentram, não apenas na construção do conhecimento e estrutura eclesiástica, como também em uma proposta para o surgimento do protestantismo. É Guilherme de Ockham, um dos principais doadores para Reforma Protestante que, doando a parcimônia, contribui de forma significativa para o papel dos futuros reformadores. Não poderíamos conceber a Reforma Protestante sem entender os passos deste franciscano.
Resumo: Este artigo procura sintetizar o trajeto de lutas, perseguições e resistências que marcam a trajetória das comunidades quilombolas pelo reconhecimento de seus direitos fundamentais, principalmente na área da educação. Presentes em quase todos os estados brasileiros, as comunidades quilombolas foram perseguidas e destruídas antes da Abolição, esquecidas depois desta, e somente obtendo o direito ao reconhecimento com a promulgação da Constituição Federal de 1988. Denominadas quilombos, terras de pretos, comunidades rurais negras, comunidades quilombolas, comunidades remanescentes de quilombos, mocambos, dentre outros, estas comunidades têm em comum a descendência africana, laços de parentesco, tradições ancestrais e a manutenção de práticas coletivas. Ainda estão sujeitas a violências, como a invasão de suas terras e o racismo institucional que determina a dificuldade de acesso a bens, serviços e direitos básicos. A conquista da Escola Chules e das Diretrizes Curriculares da Educação Quilombola representam marcos históricos.
Resumo As pedagogias ativistas têm sido duramente criticadas em muitos meios acadêmicos. O objetivo deste artigo é analisar as razões desta crítica. Elas têm se concentrado em torno do fato de que a base epistemológica das pedagogias construtivistas, incluindo a atual pedagogia das competências e habilidades, tem servido para adequar psicologicamente os futuros trabalhadores aos padrões de produção pautados pela competência individual; que a educação tem estado mais para a promoção da adaptação do sujeito às instabilidades do sistema capitalista do que para uma formação crítica; e que o enfoque subjetivista na educação pode tornar-se uma armadilha, pois a ênfase no individualismo subjetivista pode, não só ampliar a crise na formação do indivíduo, como acentuar o conformismo unificado, além de enfraquecer mais ainda a força da coletividade. O artigo está fundamentado na teoria crítica, sobretudo nas leituras de Educação e emancipação (1995), de Adorno, e Dialética do esclarecimento (1985), de Adorno e Horkheimer.
Resumo Trata-se de uma pesquisa de natureza teórica que busca a relação existente entre as apropriações do lúdico pela sociedade de consumo atual e a determinação de estereótipos no imaginário social. A constante veiculação de condutas estereotipadas pelos meios de comunicação de massa é uma das sutis estratégias utilizadas para mistificar a realidade, visando manter o modelo social atual. O lúdico, compreendido como atividade que permite a expansão da sensorialidade, a ampliação de capacidades perceptivas e recurso da aprendizagem vinculada à formação do sujeito, hoje participa da legitimação e manutenção da estrutura social hegemônica pelas formas sutis de manipulação. Em vista do exposto, a educação torna-se importante vetor de formação crítica, mediando uma parcela da constituição da concepção de mundo dos sujeitos. Compreender o lúdico inserido no processo educacional, e as direções a que esse entendimento remete, torna-se relevante, pois nessa forma de expressão humana reside um significativo processo de intervenção pedagógica como fortalecimento da interioridade do sujeito. As análises realizadas nesta pesquisa partem das formulações de Max Horkheimer e Theodor Adorno, mais especificamente as categorias de razão instrumental, indústria cultural e semiformação.
Resumo Este artigo faz parte do projeto de extensão “A implantação do Plano de Desenvolvimento da Escola na rede pública paulista: implicações e contradições para a prática da gestão educacional”. O Plano de Desenvolvimento da Escola é um programa financiado pelo Ministério da Educação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A partir de 2010, este programa foi direcionado para as escolas públicas estaduais e municipais que não atingiram as metas definidas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. A pesquisa é realizada em quatro escolas públicas estaduais de uma cidade do interior paulista desde abril de 2011, nas quais está sendo implementado o Plano de Desenvolvimento da Escola. O objetivo deste estudo é analisar as concepções de avaliação da aprendizagem dos professores dessas escolas, identificar os instrumentos de avaliação utilizados e em que momentos estes instrumentos são utilizados. A pesquisa está sendo desenvolvida em uma abordagem qualitativa. O estudo utiliza a pesquisa bibliográfica e a coleta de dados por meio de questionários respondidos pelos docentes. Consideramos a importância de os professores acompanharem todo o processo de ensino e aprendizagem e não somente os resultados. Entretanto, as políticas públicas estimulam os resultados finais; deste modo, os dados apontam para professores que realizam a verificação, e não a avaliação, visto que não há tomada de decisão. Seria fundamental aliar quantidade à qualidade na busca de uma avaliação que tenha a função de diagnóstico, de valorização do aluno e de sua efetiva aprendizagem
Resumo O objetivo desse estudo é refletir sobre as possibilidades de constituição de uma aluna com deficiência intelectual que frequenta a escola regular, a partir da imagem que seus educadores e pares têm sobre ela. A aluna, Maria, com 5 anos de idade, apresenta deficiência intelectual e está na educação infantil. Os dados referem-se a observações de situações em sala de aula, encontros realizados com professoras e entrevistas com os colegas da sala. Os resultados revelam o desconhecimento dos educadores em relação ao seu papel e função na aprendizagem do aluno deficiente. Os colegas de Maria reproduzem em suas falas e ações as posturas adotadas pela professora e pela monitora. Ideias assistencialistas são reiteradas em suas falas e esse modo de ver, conceber e significar reflete-se no processo de constituição da aluna. Este estudo chama atenção para dois aspectos: a necessidade de mudanças de concepções sobre o desenvolvimento e de redimensionamento das práticas pedagógicas.
Resumo Como se sabe, diferentes políticas educacionais, tanto no âmbito nacional como internacional, firmam o direito de acesso à escola para todos os alunos, inclusive aqueles com necessidades educacionais especiais. Entretanto, todas elas são enfáticas no debate de que o sucesso deste processo depende das condições de formação e atuação docente. Assim, este estudo analisou os desafios e perspectivas de licenciandos do curso de Ciências Biológicas no âmbito do Programa Institucional de Iniciação à Docência (Pibid) da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG). Participaram da pesquisa quatro acadêmicos cursando quarto e sexto semestres do referido curso, com um tempo médio de vinculação ao Pibid de 11 meses. Como recurso para coleta de informações, foi constituído um grupo focal para discussões que visavam caracterizar os desafios e perspectivas da formação ante atemática da educação inclusiva. As informações analisadas qualitativamente foram organizadas em eixos de análise, evidenciando que a vinculação dos licenciandos ao Pibid/ Unifal-MG possibilita a compreensão histórica e social da realidade educacional, no entanto, a indefinição de ações, modelos e práticas pedagógicas que contemplem alunos com necessidades educacionais especiais ainda é um dos desafios latentes. As considerações finais do estudo apontam que a vivência no programa vem impulsionando os licenciandos a uma formação com perspectiva crítica e reflexiva. No entanto, são lançados ainda desafios teóricos e práticos quanto à compreensão efetiva das questões políticas, teóricas e práticas que configuram uma escola efetivamente inclusiva.
Resumo O presente artigo objetiva apresentar o modelo de gestão presente no processo de criação e implantação do programa São Paulo Faz Escola, mostrando suas relações com o modelo de gestão fortalecido no Brasil a partir de 1995. O programa consiste em uma nova proposta curricular didático-pedagógica elaborada e implantada em 2008 pela Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE-SP) para a rede estadual de ensino. Ele abarca os conteúdos curriculares e as expectativas de aprendizagem para o ciclo II do ensino fundamental e para o ensino médio, disseminando sua concepção educacional para todas as escolas da rede. A partir de uma análise bibliográfica e documental foi possível notar que essa política curricular demonstra intenso planejamento, definição e avaliação das ações curriculares; todavia, deixa sua execução sob a responsabilidade das escolas da rede, mais especificamente do professor. Assim, o que se percebe é que essa política educacional segue uma linha similar à dos processos de gestão descentralizada e tutelada aprofundados a partir de meados dos anos 1990, período de reestruturação do Estado e do estabelecimento de um novo pacto social.
Resumo: O presente artigo consiste na narrativa da particularidade histórica da comunidade quilombola Ivaporunduva, localizada na região do Vale do Ribeira, entre os estados de São Paulo e Paraná, no Brasil. É a partir dos enunciados das gerações que vivem nessa comunidade que buscamos compreender de que modo elas significam sua história e a história de seu povo. A metodologia adotada, de cunho etnográfico, foi a de acompanhar o cotidiano da comunidade, compreendendo seu processo educativo a partir da educação difusa, bem como da análise dos enunciados dos pequenos quilombolas de Ivaporunduva, suas crianças, estabelecendo relações entre seus enunciados e o processo educativo desenvolvido por seus membros adultos. No Quilombo de Ivaporunduva, a história cultural está fundamentada na tradição oral, que ocorre nas interações intra e entre famílias e com as comunidades quilombolas irmãs. Para os quilombolas de Ivaporunduva, mas não somente para eles, a territorialidade representa o locus de reprodução da vida em seus aspectos material e imaterial. A terra é como uma mãe que acolhe, dá o sustento e propicia a reprodução da vida. Apresentam a terra como sujeito histórico, social e político, refutando seu assujeitamento.