Apresentam-se resultados de pesquisa, que tiveram como um dos objetivos compreender os limites e possibilidades das ações de formação continuada desenvolvidas, por uma Secretaria de Educação em um município do interior de São Paulo, para implantação da política do Ensino Fundamental de nove anos. Mediante a perspectiva do estudo de caso, foram utilizados questionários e entrevistas com professores, coordenadores e gestor da Secretaria de Educação. Constatou-se uma perspectiva “clássica” de formação, de nível informativo e prescritivo, em que o objetivo principal parece ser a atualização dos professores. Esta visão condiciona a prática de cursos isolados e pontuais que não favorece a formação de professores que estão em exercício profissional nem a implantação de uma política oficial, como o Ensino Fundamental de nove anos.
Este trabalho analisa os conceitos de autoridade e autoritarismo através de narrativas autobiográficas de professoras de escolas de educação básica do município de Santa Maria RS, e das representações sociais. Fez-se uso de uma pesquisa de cunho bibliográfico, utilizando-se da teoria das Representações Sociais e também da História Oral. O artigo divide-se em cinco partes. A primeira delas, aborda a História Oral como possibilidade de contar uma história do mundo contemporâneo. Na segunda, discute-se a Teoria das Representações Sociais como uma decodificação da vida cotidiana. Maffesoli (1998), na terceira parte, questiona-se o que seria melhor representar ou apresentar na construção da realidade. A quarta parte, reflete sobre as falas docentes e a bibliografia estudada. A última parte traz as falas dos professores sobre os conceitos de autoridade e autoritarismo docente.
Authors: Passeggi Rocha Furlanetto De Conti Chaves Gomes Gabriel
Este trabalho focaliza narrativas de crianças de 04 a 10 anos de idade, e investiga como elas dão sentido às experiências vividas na escola. A reflexão resulta de um projeto de pesquisa interinstitucional, realizado em escolas de Natal, São Paulo, Recife, Niterói e Boa Vista. Para a recolha das fontes, optou-se por rodas de conversas com grupos de cinco crianças que dialogavam com um pequeno alienígena, em cujo planeta não tinha escolas. Das análises, emergem consensos e tensões entre modos de ser criança e modos de ser aluno, que afetam suas relações com o brincar e o aprender; o fazer ou não fazer amigos; ser ou não ser criança. Ao narrar, elas ressignificam suas experiências e contribuem para a compreensão das escolas da infância como lugar no qual a criança se constitui (ou não) como sujeito de direito.
Este texto analisa a presença do uso de filme na escolarização de jovens e adultos. Apresenta resultados de uma pesquisa que buscou conhecer os modos de apropriação de filmes pelas educadoras da EJA na escola. Para compreensão dessa questão, analisou-se o conteúdo da fala das docentes e observaram-se algumas práticas de ensino, nas quais o filme fora utilizado. Da análise dos dados coletados, concluiu-se que as educadoras têm se apropriado e empregado o filme como ilustração dos conteúdos curriculares e dos assuntos estudados, o que caracteriza o uso do filme como recurso adicional e secundário das atividades de ensino.
Este trabalho objetiva compreender como os licenciandos, participantes do PIBID, analisam o programa e o impacto do mesmo em seu processo formativo e nos cursos de licenciaturas. Para tanto, fez-se uso de um questionário quali-quantitavo, que foi respondido pelos 88 licenciandos do programa. Os dados apresentam a contribuição do PIBID na construção de conhecimentos pedagógicos que os permitem identificar-se como professores de um coletivo que é a escola; a concepção de que a escola é um campo de atividade externo ao seu processo formativo, como limitação do programa; e a fragilidade na relação teoria - prática, desenvolvida nos currículos dos cursos de licenciaturas. Conclui-se que o PIBID se instaura para proporcionar aos licenciandos a antecipação de sua relação com as situações de trabalho, consideradas tão formativas quanto aquelas ações desenvolvidas no interior dos cursos de licenciaturas.
Neste texto, propõe-se uma reflexão sobre o desafio da escola em trabalhar a questão do conhecimento sob a forma de disciplina e a necessidade da religação dos saberes. Dentre as múltiplas tarefas que, historicamente, sempre foram atribuições da educação escolar, destaca-se o compromisso com a transmissão e a produção de conhecimentos. Quando se refere à escola como uma agência privilegiada que lida com a questão do conhecimento, depara-se com inúmeras implicações decorrentes dessa afirmação. Procura-se interpretar essas implicações à luz das contribuições dos princípios da teoria da complexidade, por se entender que essa matriz paradigmática se constitui num dos referenciais privilegiados para compreender o processo de produção de um conhecimento pertinente, ou seja, de um conhecimento que, ao mesmo tempo em que distingue, busca promover a religação dos saberes.
A psicologia escolar dedica-se a integrar ações que facilitem a aprendizagem e o desenvolvimento da comunidade escolar. O psicólogo tem a função de rever constantemente as concepções e práticas profissionais de modo que elas possam dar conta da complexidade dessa realidade, ampliando a concepção da queixa escolar para que se identifiquem os demais fatores associados a estas queixas. Este trabalho apresenta um relato de intervenções realizadas durante um estágio em psicologia escolar, em uma escola pública do interior do RS. Percebeu-se a necessidade inicial de conscientização em relação ao papel do psicólogo, e maior aceitação de um trabalho não exclusivamente clínico. Discutem-se as práticas do psicólogo e do estagiário de Psicologia nesse contexto, no que diz respeito à educação e à saúde em sentido amplo.
Este trabajo analiza algunas cuestiones teóricas vinculadas a la instrumentalización de los derechos lingüísticos en contextos educativos. En particular, discute las relaciones entre las pedagogías culturalmente sensibles a la diversidad y la instrumentación escolar de derechos lingüísticos de niños y comunidades. Se estudian las tendencias de instrumentación política ligadas a los conceptos de tolerancia, promoción y herencia
Os cursos de pós-graduação lato sensu, dentre eles o de psicopedagogia, têm apresentado uma crescente demanda nos últimos anos. Pouco se sabe sobre quem são os profissionais que procuram esses cursos. Realizamos um estudo com 251 alunos ingressantes no curso de psicopedagogia, durante os anos de 2005 a 2012, pretendendo conhecer o perfil destes alunos e também os seus objetivos. Utilizamos um questionário de sondagem sobre a formação inicial do aluno, a sua atuação, experiência e futuras intenções. Os resultados indicaram que a maioria dos alunos são pedagogos que atuam como professores e objetivam alcançar melhorias na prática profissional. Concluimos que estes profissionais estão em busca de metodologias alternativas de trabalho que possam se reverter em melhorias educacionais.
Este texto procura discutir a docência como performance parateatral. Para tanto, parte-se da contribuição dos Estudos da Performance e das discussões contemporâneas da Educação, introduzindo conceitos como cotidiano, performatividade, prática docente. Problematiza-se a natureza e a função do ato docente em sua teatralidade. As figuras do clown, do bufão e do dândi são convocadas para servirem de apoio por intermédio do qual a performance e a teatralidade do ato docente encontram termo.
Propomos pensar a arte da performance e a educação como analisadores de práticas cotidianas. Utilizamos um processo performático intitulado Cariogamia e o risco do aborto, em duas intervenções urbanas: Campinas (SP) e São Paulo (SP) em 2012 e 2013. Tais performances atuaram em uma função-educador com potências mobilizadoras do cotidiano enquanto modos de vida pré-estabelecidos. A educação e a performance possuem aproximações ao se configurarem como práticas de experimentações vinculadas ao tempo presente e ao inesperado que produzem variações em signos pré-definidos pela cultura. Os processos de subjetivações trazem a urgência de abrirem-se, nesse plano de risco, ao novo e à invenção.
No quadro das políticas de governo destinadas a formação de professores, este artigo tem como objetivo compreender as relações entre ao Estágio Curricular e o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), ambos realizados na Escola. A reflexão é fruto do processo de observação e etnografia no campo, e entrevistas com os trabalhadores da educação que atuam nas unidades escolares onde se desenvolvem estágio e PIBID. As conclusões de pesquisa apontam para uma tênue relação, por vezes conflituosa, entre o componente curricular e o programa de governo, uma vez que ambos possuem similitudes, apresentam propósitos diferenciados, separados por objetivos, legislação e financiamentos distintos. Percebe-se uma sobreposição destas duas atividades que se realizam no interior da Escola.
A formação continuada de professores constitui-se em um processo complexo e de dimensões que ultrapassam a elaboração e execução de normativas legais. Este estudo apresenta nossa compreensão sobre a atividade docente de estudo, pautada nos estudos de Isaia (2006), na formação e atuação de professores da Educação Básica e sua contribuição para os processos de aprendizagem da docência (ISAIA, 2004 e 2006; BOLZAN, 2004, 2006, 2008, 2009, 2010). Nosso objetivo é identificar e compreender onde e como a atividade docente de estudo, acontece na formação e atuação de professores da Educação Básica, e de que forma ela contribui para a aprendizagem da docência. A partir das narrativas, identificamos que os elementos da atividade docente de estudo não se articulam, em sua completude, nos diferentes momentos da prática pedagógica.
Este artigo apresenta resultados de um estudo exploratório sobre a base de dados do Programa de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), com vistas a verificar a aderência - e a natureza desta aderência - a este programa em cursos de licenciaturas das Instituições de Ensino Superior (IES) no Distrito Federal (DF).Objetivamente, pretende-se discutir a aderência das IES do DF ao Pibid a partir do cruzamento de informações da base de dados do programa e da educação superior. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como um estudo de caso. Discute-se, a partir dos resultados apresentados, que as instituições participantes do programa no DF possuem perfis heterogêneos tanto no que diz respeito aos cursos quanto ao aproveitamento da cota de bolsas e aderência ao programa.
Este artigo discute a ética na educação escolar hoje. Parte das visões de pensadores como Kant e Stuart Mill sobre o agir ético e as problematiza, com base no modelo argumentativo proposto por Chaïm Perelman, o qual critica as concepções que defendem o caráter unitário da verdade (monismos). Tal crítica o aproxima dos discursos questionadores do modelo tradicional de educação, que desconsidera o aluno como sujeito do diálogo. A ética é, então, pensada a partir de uma postura pedagógica que, ao invés de prescrever o que é “certo” ou “justo”, privilegia a problematização do pensar e do agir. Esta se dá por meio do confronto entre argumentos, que debatem valores e formas de conduta, contribuindo, assim, para evitar a ocorrência de posturas dogmáticas e discriminatórias no ambiente escolar.
Defende-se, neste artigo, que o ser humano volte a ser capaz de desenvolver um sentimento de pertencimento à Natureza e que a educação ambiental não seja apenas um conjunto de atividades informativas relativas à “utilização racional dos recursos da Natureza”. O presente estudo objetivou, por meio de técnicas qualitativas (desenhos e dinâmicas de grupo), identificar representações e afetos relacionados à Natureza entre nove estudantes da 1ª e 2ª séries do Ensino Fundamental, no município de Curitiba/PR. Foi evidenciada uma visão naturalista da Natureza e a ligação biofílica e topofílica das crianças com o bosque da escola. Notam-se, porém, conflitos relativos à questão do pertencimento do homem e de seus produtos à Natureza. Tais tipos de atividades, na escola, mostram-se importantes para o desenvolvimento de relações saudáveis com o meio ambiente.
O artigo aborda a resiliência acadêmica, com ênfase na construção da comunicação matemática, em resultado dos processos de interação social entre alunos e professores. Trata-se de uma dinâmica educativa que resultou numa crescente valorização e reconhecimento dos conhecimentos matemáticos dos alunos, enquadrando-se no papel primordial de novas estratégias e formas de aprendizagem. Neste enquadramento, os investigadores, partindo dos relacionamentos interpessoais, da empatia, das competências sociais e do senso de pertença a um grupo na interface com a resiliência social e a emocional, destacam a importância das experiências positivas ao gerarem sentimentos de autoeficácia, de autoestima e de sucesso acadêmico, contribuindo para ajudar alunos e professores a lidarem com as mudanças e com as adaptações a novas situações de aprendizagem.
A emergência de um tempo que é performativo, embora interaja com as dimensões humanas irrestritas ao aspecto formal do processo de formação (Bildung), também revela uma racionalidade instrumental que trata do passado como meio para legitimar o agir técnico do presente. O ensaio repensa, de um ponto de vista filosófico, o tempo próprio da formação docente levando em consideração a performance como pressuposto inevitável à ação linguístico-expressiva no mundo. Cada vez mais, o tempo surge como um fator importante à performance, uma vez que o trabalho docente exige atitudes de criação e de reconhecimento de valores receptivos à alteridade. É necessário pensar o tempo como inseparável de sua linguagem, na medida em que fornece novas possibilidades de abertura crítica e renovação do trabalho educativo, conferindo novos sentidos ao agir performativo.
Este texto tem por objetivo refletir e socializar práticas educativas e experiências de formação em serviço realizadas em municípios dos estados do Paraná e São Paulo, como desdobramento de pesquisas, projetos e cursos de extensão. A presente elaboração contempla estudos sobre a organização do ensino, e pauta-se na Teoria Histórico- Cultural, que ampara as intervenções pedagógicas para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. A Teoria Histórico-Cultural é apresentada como referencial teórico para uma proposta de atuar em uma perspectiva de humanização e emancipação. Assim, para que os procedimentos didáticos sejam ricos de significado, a comunicação, a afetividade e a escolha de recursos e procedimentos devem figurar como características essenciais no processo de ensino.
Considerando a importância da concepção e da prática de educação integral na história da educação brasileira, torna-se essencial entendê-la em sua plenitude para compreender suas proposições e de que maneira elas contribuem para a mudança social, brm como para uma formação completa das novas gerações. Por isso, este texto objetiva compreender as aproximações possíveis entre a concepção de educação integral e a perspectiva histórico-crítica, desenvolvida pelo educador Dermeval Saviani, correlacionando ambas com a jornada escolar ampliada. Foi utilizada a metodologia de pesquisa bibliográfica para a análise de uma teoria que é produto de reflexões e discussões com autores que se aproximam por terem o mesmo ideal de educação integral. Espera-se contribuir para as discussões sobre a implementação da política educacional de educação integral em tempo integral, balizadas pela perspectiva histórico-crítica.