O trabalho apresenta um levantamento da produção e publicações sobre estudos epistemológicos da política educacional, organizados a partir dos sete eixos temáticos da ReLePe. O objetivo do trabalho foi expandir a Biblioteca Temática da ReLePe e resultou na catalogação de 180 textos. O eixo 1 (Problemas e limitações no desenvolvimento da pesquisa sobre política educacional) e o eixo 2 (Debates, enfoques e perspectivas epistemológicas da política educacional) concentram o maior número de trabalhos. O trabalho destaca que as publicações organizadas pela ReLePe e os trabalhos apresentados no evento Jornadas de Estudios Epistemológicos en Política Educativa têm contribuído para uma expansão do número de publicações sobre essa temática.
O objetivo deste artigo é contextualizar as políticas de expansão de vagas na Educação Superior empreendidas pelos últimos governos do Estado brasileiro no processo de Reforma da Educação Superior em um recorte temporal referente às duas últimas décadas do século passado e que continuam em pleno processo de implementação. Com esse propósito, será problematizado: quais foram os impactos dessas políticas para a Educação Superior? Quando e como historicamente se situam esses projetos nesse processo? O percurso metodológico utilizado propôs-se a analisar, à luz de teóricos dessa temática, se os números publicados pelo INEP no Censo da Educação Superior refletem o discurso de democratização do acesso a esse nível de ensino. Levou-se em consideração o atual momento da Educação Superior brasileira, a recente conjuntura político-econômica de economia mundializada, a redefinição do papel do Estado-Nação e sua relação com a sociedade civil, suas diferentes frentes de atuação e focos de interesse.
No presente artigo, apresentamos a postura falibilista, entendida como um meio termo entre o dogmatismo e o ceticismo, como sendo um posicionamento mais viável diante da pluralidade e da complexidade das sociedades contemporâneas. Na perspectiva educacional atual, a adoção da mentalidade falibilista se apresenta como um posicionamento mais adequado, pois possibilita posicionamentos mais tolerantes frente à diversidade de ideias e um permanente questionamento dos conhecimentos historicamente produzidos. Diante de um cenário de incertezas e permanentes mudanças, é necessário assumir posturas mais flexíveis, admitir a mutabilidade constante do conhecimento e promover um diálogo democrático que visa dar crédito à pluralidade de vozes em contextos complexos. Educar, nesse sentido, é permitir a expressão e o diálogo dos diferentes grupos sociais, possibilitando superar a crise educacional que caracteriza as sociedades contemporâneas.
Este artigo constitui-se de uma reflexão epistemológica em políticas educacionais na perspectiva de contribuir com o debate da Red Latinoamerica de Estudios Epistemológicos en Política Educativa (ReLePe). Trata-se de resgatar o caminhar histórico da posição Positivista como fundamento epistemológico clássico da institucionalização das políticas educacionais no que se refere à implementação da ação educativa, com foco especial ao conjunto de regras, de normas e de valores que regem o fazer da escola. Argumenta-se que esses fundamentos constituem-se a partir de dois movimentos interligados: construção histórica dos fundamentos epistemológicos da ciência e do Estado Moderno que, com o novo modo de produção, o capitalismo, dá origem ao segundo: movimento burguês de distinção de classe com base no estilo de vida. Assim, a partir da “Razão Moderna”, delineou-se o que se pode considerar como um “modelo de civilidade”, passando a se constituir o fundamento epistemológico e a meta de realização da institucionalização das políticas educacionais e a atividade escolar na contemporaneidade.
O trabalho analisa as implicações da parceria entre a Prefeitura Municipal de Campo Grande e o Instituto Ayrton Senna, para a gestão do sistema de ensino e de escolas no período de 2001 a 2004, no âmbito da implantação do Programa Escola Campeã. Pontua-se que a Secretaria Municipal de Educação assumiu tal programa como projeto principal de gestão do sistema e de escolas. Trabalhou-se com pesquisa bibliográfica e documental. Não obstante o Programa Escola Campeã ter como objetivo melhorar o desempenho do Ensino Fundamental por meio de incentivos à autonomia da escola, melhor aplicação dos recursos financeiros e equidade social, na unidade escolar em questão houve alteração na forma de gestão, mas não o suficiente para mudar os indicadores educacionais. Observou-se que, de forma geral, programas dessa natureza têm como objetivo principal materializar a gestão gerencial em substituição à gestão democrática do ensino instituída pela legislação educacional em vigor.
A expressão performatividade e suas flexões têm nomeado noções diversas na pesquisa em Educação. Partindo das significações propostas por Stephen Ball, na discussão das políticas educacionais da contemporaneidade, mas também interessadas nas teorizações de Jacques Derrida e Judith Butler, que se valem desses mesmos termos para pensar os processos sociais de significação e identificação, seguimos traços da disseminação da palavra performatividade e suas correlatas, chegando a inscrições em textos da Antropologia, das Artes, da Ciência Política, da Linguística, Filosofia e da Física. Investigamos também o campo acadêmico-educacional, recorrendo a periódicos da área publicados nos últimos cinco anos, para discutir os sentidos atribuídos nesse contexto aos termos em foco. Neste artigo, apresentamos a síntese desse estudo, destacando afirmações, apagamentos e efeitos de verdade que se podem construir com tais enunciações nos textos da pesquisa sobre Educação, com destaque para a abordagem das políticas educacionais da atualidade.
Este artigo tem como objetivo apresentar uma análise sobre a produção da Pós-Graduação brasileira na área de políticas educacionais. Para tanto, foram coletadas informações de 1.305 teses e dissertações no Banco de Teses da CAPES produzidas no período 2000-2010. A partir do levantamento e tendo como referência pesquisas similares, observou-se que o tema “Estado, suas ações e políticas” ainda é o eixo mais pesquisado, mantendo tendências anteriores. Verificou-se que a produção da Pós-Graduação em Educação concentra-se na região sudeste, seguida da região sul, do centro-oeste, do nordeste e do norte. Por fim, foram identificadas duas tendências na área: poucos programas e orientadores concentram elevado número de trabalhos e várias linhas de pesquisa dividem o restante da produção, não sendo identificadas como referências para a área.
Com este artigo objetivamos explicitar, através do materialismo históricodialético, o papel das políticas educacionais como estratégia para a construção da vontade coletiva, conceito desenvolvido por Gramsci (2011), que traduz a organização social dos grupos subalternos na luta pela produção de uma contra-hegemonia. Na primeira seção, argumentamos sobre a necessidade de as pesquisas em política educacional tomarem posicionamentos mais evidentes quanto às concepções epistemológicas adotadas, evitando, assim, um olhar neutro e desvinculado da prática social. Em seguida, apresentamos o debate sobre a ontopositividade e ontonegatividade da política e as possíveis implicações para a melhor compreensão do seu papel. Evidenciamos, ainda, o caminho teórico-prático percorrido por Gramsci ao desenvolver o conceito de vontade coletiva nacional-popular. Finalmente, destacamos as políticas educacionais como estratégias para a produção da hegemonia e da contra-hegemonia.
Este texto analisa os processos constitutivos das políticas educacionais municipais, enfatizando as contribuições da pesquisa-ação colaborativa nesses processos como postura que alimenta o compromisso político, o pensamento crítico e as relações cooperativas para a constituição de comunidades de aprendizagem. Este artigo articula as reflexões oriundas de uma postura meta-analítica do próprio processo investigativo com a constituição das políticas educacionais em tela, tendo como protagonistas os profissionais da educação que atuam na Secretaria de Educação. Os achados, decorrentes da análise do conteúdo de documentos, dos registros de observações, de encontros formativos no Diário de Campo e das entrevistas, sinalizam que os impactos derivados da pesquisa-ação não são imediatos, mas expectáveis com o decorrer do tempo - típico de grupos que partilham e constroem cumplicidades científicas, epistemológicas e pedagógicas.
Este artigo visa reverter o pensamento muito convencional (e geralmente crítico) que enfatiza a proeminência neoliberal na política e na formulação de políticas. Dois principais processos de formulação de políticas são observados: (1) um processo sistemático e racional ou (2) uma versão cumulativa (gradual/incremental). Este último é percebido como um modelo mais realista e representativo por fazer uso de perspectivas específicas relacionadas à natureza e ao papel do Estado no atual mundo globalizado. Com base nos livros Theories of the State (Dunleavy e O’ Leary, 1987) e Theories of the Democratic State (Dryzek e Dunleavy, 2009), quatro teorias principais são identificadas: a pluralista/neopluralista, a marxista, a elitista e a nova direita/mercado liberal. Três perspectivas de globalização são analisadas: a neoliberal, a radical e a transformacionalista. A transformacionalista oferece insights sobre o impacto variado da globalização no processo de formulação de políticas e seus resultados. O ensaio termina com um apelo para futuras pesquisas reconhecerem a natureza complexa da formulação de políticas, utilizando, dessa forma, uma análise mais diversificada.
Este estudo investiga fragmentos de memórias sobre as práticas pedagógicas da professora Maria Gersy Höher Thiesen, primeira professora do pioneiro jardim da infância "GetúlioVargas", implantado em 1942, na região de Lomba Grande, espaço rural de Novo Hamburgo/RS. A pesquisa, de natureza qualitativa, utiliza a metodologia da História Oral, valendo-se de entrevistas semi-estruturadas sob o referencial teórico da História Cultural. A análise enfatiza as práticas de escolarização, focalizando como foram seus primeiros tempos de professora e a dimensão das memórias das práticas pedagógicas desenvolvidas no jardim de infância. Destaca-se no conjunto de análise que mesmo à margem da cidade, em Novo Hamburgo/RS, na década de 1940, em Lomba Grande havia um jardim de infância e que as práticas estabelecidas por esta professora não se diferenciavam muito das metodologias usuais deste período. Constatou-se ainda a influência que a corrente pedagógica desta época impregnada pelo nacionalismo e o sentido vocacional como característica de sua prática docente.
Neste texto, trata-se da nova condição dos professores dos anos iniciais da educação básica no que se refere à aplicação da Lei no. 11.769/2008, que trata da obrigatoriedade do ensino de música. Para amparar a discussão, é feita uma revisão das grandes transformações ocorridas no mundo, em especial a do século XIX e aquela que vivemos, desde o século XX até os dias atuais. Essas mudanças seguem padrões das chamadas Modernidade e Pós-modernidade e afetam profundamente a maneira de conceber a educação e, especificamente, a educação musical. Dessa discussão, emerge nova postura diante da música, destacando-se seu papel no mundo de hoje, que se afasta da concepção exclusiva dessa arte como lazer e diversão e a vê como responsável pelo desenvolvimento humano e fomentadora da autonomia e liberdade. Sugerem-se, também, maneiras possíveis de tornar a música presente em sala de aula, tanto em jogos e brincadeiras cantadas, quanto como auxiliar de outras disciplinas curriculares. O artigo termina com um convite aos professores, para que acolham a música em suas vidas e decidam compartilhá-la com seus alunos.
O artigo tem por base a análise da questão agrária brasileira, a partir da qual são expostas e analisadas diferentes e mesmo opostas perspectivas de apreender a chamada Educação do Campo. Considerando ainda as políticas do Estado e as teses defendidas tanto pelos integrantes do Movimento de Educação do Campo quanto pela academia, demonstra-se a existência de pelo menos três concepções de Educação do Campo, concluindo pela expansão e hegemonização da perspectiva ditada pelo capital, via Estado. Esta hegemonia realiza-se em sintonia com o predomínio da forma capitalista de produção e ainda pela apropriação e deturpação das propostas outras do Movimento pela Educação do Campo que apontam para além da ordem social atual.
O presente ensaio busca percorrer os caminhos do processo de ensino e aprendizagem da Pedagogia da Alternância tendo como referência a Educação do Campo na perspectiva da luta por uma educação no, do e com os sujeitos do campo, compreendendo este campo como espaço de vivências e relações específicas para a ação educativa. Apresenta a Pedagogia da Alternância na especificidade do Movimento CEFFA e como possibilidade para uma educação contextualizada e emergente do povo camponês, vinculada a movimentos sociais desde sua origem na França nos anos 30 e, em 1968 no Brasil, em comunhão com articulações educacionais e sociais populares. Busca aproximações conceituais da práxis da Pedagogia da Alternância a fim de perceber as singularidades das aprendizagens fortalecidas no movimento alternado potencializado por uma organização pedagógica embasada no diálogo problematizador de Paulo Freire, como também, na partilha e na horizontalidade de saberes
O novo milênio expressa múltiplas experiências de resistências na América Latina, oriundas da ação política de movimentos sociais indígenas, camponeses e afrodescendentes, que primam por consolidar projetos políticos de caráter emancipatório. No âmbito destes projetos, a educação emerge como uma categoria fundamental, compreendida como espaço de que se derivam outras linguagens que ressignificam o político, o social e o cultural na correlação de forças entre sociedade civil e Estado. O presente escrito objetiva aprofundar esta reflexão com a experiência da Educação do Campo como projeto histórico-político protagonizado pelos movimentos sociais camponeses no Brasil. Para tanto, serão destacadas as dimensões epistêmico-políticas da Educação do Campo e sua articulação com uma leitura histórico- crítica da realidade do campo no Brasil, fundamental na gênese de uma outra episteme e de uma nova cultura política entre os sujeitos do campo. Igualmente, serão demostrados os pontos de inflexão da Educação do Campo no contexto da luta política latino-americana.
Este texto apresenta uma reflexão acerca da formação do educador, mediada pelo uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC´s), com enfoque nas discussões realizadas nas reuniões anuais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED). Para tal, buscou-se evidenciar como as TIC´s são contempladas nos Grupos de Trabalho Formação de Educadores (GT8), Currículo (GT12) e Educação, Comunicação e Tecnologia (GT 16), entre a 32ª e 35ª reuniões (2009 a 2012). A partir de um recorte desses trabalhos, constata-se que a disseminação do uso das TIC´s encontra maior concentração no GT16, que focaliza a importância da formação docente para a apropriação das TIC´s no processo de aprender e ensinar. Entende-se que a vivência de experiências de aprendizagem com o uso das TIC´s, no processo de formação do educador, é uma condição necessária para que este desenvolva competências e habilidades que permitam construir práticas pedagógicas em congruência com estas tecnologias.
Este texto é um relato reflexivo sobre as ações e conceitos presentes no projeto de Extensão "Serelepe: uma pitada de música infantil". Ele é pautado na prática de oito anos de experiência na Rádio UFMG Educativa FM 104,5 e no curso de Graduação em Teatro da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais - EBA/UFMG. Dentre os vários temas presentes nas práticas do Serelepe, abordaremos de modo geral os seguintes itens: o Serelepe, sua concepção e seus fazeres - programa de rádio, espetáculo, oficina e disciplina, a bolsa de extensão e tangenciaremos, de forma sucinta, uma reflexão no conceito de "ação formativa" presente nessas práticas.
O artigo apresenta resultados parciais de uma análise crítica de canções coletadas em uma escola infantil estadual, localizada na região metropolitana de Lima. A partir da consideração das canções como discursos, revela a função das mesmas na educação infantil. Também apresenta análises de dados sobre as canções religiosas e das canções como formas de regulação da conduta de crianças, coletadas no trabalho de campo. A análise evidencia o uso instrumental das canções na prática educativa cotidiana, chegando a constituir-se como ferramentas de controle simbólico ao constituir uma forma mascarada de exercer poder sobre as crianças.
Como alicerce para a aproximação da escola como um mundo de possibilidades encontradas na realidade, a música é um dos instrumentos de eficácia pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem contemporâneos. Com base nesse pressuposto, o presente artigo busca analisar as possibilidades de utilização de músicas em sala de aula e seu potencial para o desenvolvimento de habilidades e competências nas Ciências Humanas. Para tal, sugere-se um conjunto de atividades para serem aplicadas nas aulas de Geografia e História a partir da contextualização de letras de músicas relacionadas a temas das humanidades, buscando assim a criação de situações diferenciadas de aprendizagem e construção do conhecimento.
Este estudo trata de uma investigação realizada com professores de uma escola da rede pública, localizada no campo, município de Água Boa, Mato Grosso, com a intenção de buscar novas alternativas para a prática de ensino na escola, por meio da realização colaborativa de projetos e pesquisa como alternativa pedagógica. De abordagem qualitativa, a investigação desenvolveu-se por meio do estudo de referenciais que discutem a pesquisa na formação e prática docente, Educação no/do Campo e da realização de projetos de ensino e pesquisas com e pelos professores. O trabalho possibilitou estreitar as relações entre a escola e a comunidade, articular os conhecimentos teóricos estudados na escola e a vida dos alunos do campo, apontando a necessidade da formação teórico-metodológica com envolvimento coletivo dos docentes e políticas públicas que favoreçam o surgimento de condições para novas práticas de ensino na escola no/do campo pelo viés da pesquisa.