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Construção e validação de um instrumento de avaliação do perfil desenvolvimental de crianças com perturbação do espectro do autismo

PID: S1413-65382013000200004 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Reis Pereira Almeida
Nos últimos anos a investigação tem dado particular relevância às alterações do Processamento Sensorial nas crianças com perturbações do espectro do autismo (PEA) e a literatura refere que entre 42% a 88% das crianças com PEA apresentam este tipo de disfunção. Nesta linha foi definido um projeto de investigação centrado na construção de uma escala que avalie a tradicional tríade que caracteriza as crianças com PEA (Interação, Comunicação e Comportamento e interesses repetitivos e estereotipados), enriquecida pela inclusão de um novo domínio: o Processamento Sensorial. Com a construção e validação desta escala pretendemos que pais e profissionais utilizem colaborativamente um instrumento de avaliação da intervenção que lhes permita monitorizar o processo de apoio e adequar as suas práticas. Neste artigo descrevemos os procedimentos e os resultados das sucessivas fases de construção do instrumento, desde as análises iniciais mais qualitativas até aos estudos centrados na análise quantitativa dos itens.

Contribuições para a fisioterapia a partir dos pontos de vista das crianças

PID: S1413-65382013000200006 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Santos Ferreira
Este relato de pesquisa teve como objetivo ouvir o que as crianças dizem sobre a fisioterapia. A pesquisa contou com a participação de sete crianças com doenças crônicas que faziam fisioterapia por tempo indeterminado, em um hospital e em um centro de fisioterapia. Essas crianças foram entrevistadas a partir de questionamentos relativos à doença, ao tratamento e sobre brincar durante a fisioterapia. Propôs-se pesquisar com as crianças e não sobre elas, tendo em vista que a infância é uma categoria social e que as doenças crônicas sugerem mais atenção quanto à qualidade de vida infantil. Este estudo demonstra a possibilidade de uma aproximação efetiva com a educação, por meio da Sociologia da Infância, e da Saúde no âmbito de humanizar a relação entre fisioterapeuta e criança. Com os resultados, foi possível identificar que essas crianças relacionam a doença ao problema e à melhora, traduzindo a trajetória que a doença impõe em suas vidas. A doença é a geradora da hospitalização e do motivo de realizarem a fisioterapia, que é considerada o tratamento que atua no seu problema e objetiva sua melhora. As crianças deixam claro que querem brincar mais, sendo, assim, o planejar do brincar terapêutico nas clínicas e hospitais necessário. Conclui-se, portanto, que é indispensável incluir a terapia lúdica, para que brincar na fisioterapia seja prazeroso, estimulante, na tentativa de objetivar o brincar terapêutico. Esse é o desafio. Por esse viés, pode-se dizer que reabilitar, também, requer conhecimento pedagógico.

Cronobiologia e inclusão educacional de pessoas cegas: do biológico a social

PID: S1413-65382013000400004 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Squarcini Esteves
Estudos sobre inclusão educacional têm apontado alguns caminhos para garantir a inserção da pessoa com deficiência no espaço regular de ensino. Entretanto, pouco se tem falado a respeito das implicações do ritmo circadiano na inclusão da pessoa totalmente cega nesse espaço. Assim, o presente artigo teve como objetivo descrever como o ritmo circadiano pode influenciar na inclusão educacional do aluno com deficiência visual. A partir da revisão literária foram apresentadas as ideias fundamentais a respeito da cronobiologia, ciência que estuda a capacidade dos seres vivos em expressar de forma recorrente e periódica o seu comportamento e a sua fisiologia. Uma de suas expressões tem uma duração próxima há 24 horas, conhecido como ritmo circadiano. Esse ritmo é regido pelo relógio biológico que é controlado pela luz. Entretanto, na ausência da luz, caso de pessoas totalmente cegas, quem passa a reger os ritmos circadianos é apenas o relógio biológico. Nessa condição, conhecida como livrecurso, as pessoas totalmente cegas podem apresentar uma queda no desempenho acadêmico de tempos em tempos por causa da sonolência excessiva durante as horas de estudo, além de distúrbio no humor, no alerta e na atenção. Neste contexto, se faz necessário a divulgação desse conhecimento para que sejam reconhecidas as condições de déficit de atenção, irritabilidade, isolamento social e/ou sonolência excessiva durante o dia, oriundas do livre-curso a fim de respeitar a individualidade dos alunos totalmente cegos e garantir o acesso à inclusão educacional em sua completude.

Deficiência intelectual na perspectiva histórico-cultural: contribuições ao estudo do desenvolvimento adulto

PID: S1413-65382013000200003 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Dias Oliveira
Conceitos e práticas atuais relacionados à condição de deficiência intelectual ainda são influenciados por compreensões normativas de desenvolvimento que, por vezes, restringem a pessoa com esse diagnóstico à categoria de eterna criança. O conjunto de ferramentas conceituais apresentado pela perspectiva histórico-cultural permite discussão crítica da deficiência intelectual sob um prisma complexo e dinâmico, no qual as capacidades são valorizadas, observando-se contínuo desenvolvimento da pessoa na relação com seu meio. No entrelaçamento das condições ambientais, histórico-culturais e subjetivas há ressignificação de si, da própria condição de deficiência e do mundo. Em meio a esse conjunto de fatores, a menoridade perene dá lugar à possibilidade de autonomia e visão crítica de si. Buscamos neste trabalho oferecer argumentos que possam gerar reflexões críticas sobre a condição a que se tem denominado deficiência intelectual. Discorremos sobre a construção histórico-social do fenômeno em questão; discutimos a relação entre os modelos médico e social vigentes na atualidade e a influência na construção de conceitos e crenças sobre a pessoa com deficiência; apresentamos a perspectiva histórico-cultural como alternativa à compreensão cristalizada de deficiência intelectual e, por fim, ressaltamos possibilidades de desenvolvimento adulto compatíveis com as condições contextuais dos indivíduos na atualidade.

Desempenho de crianças com e sem necessidades especiais em provas assistidas e psicométricas

PID: S1413-65382013000300009 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Queiroz Enumo Primi
Provas cognitivas assistidas, que incluem auxílio do examinador, analisam o processo de resolução de problemas e o potencial de aprendizagem, complementando a avaliação psicométrica tradicional. São úteis especialmente para casos de necessidades educativas especiais (NEE). Este estudo analisou relações entre o desempenho de crianças, com e sem necessidades de educação especial (NEE), em três provas assistidas e duas psicométricas, entre o perfil de desempenho nas provas assistidas e variáveis de status (gênero, escolaridade e NEE). Foram analisados 256 resultados de provas assistidas e 228 psicométricas, obtidos em seis pesquisas, com 228 crianças (125 meninas), com 5-12 anos (M = 8 anos e 6 meses), cursando da Educação Infantil ao Ensino Fundamental (três em classe especial) e apresentando: dificuldade de aprendizagem (63), deficiência visual (6), nascidas prematuras e com baixo peso (38), prematuras e com muito baixo peso (30) e sem NEE (91); nas provas psicométricas, as classificações no Columbia-EMC (69 aplicações) concentraram-se em Média-Inferior (40,5%) e Média (33,3%) e no Raven-MPC (159 aplicações), nas faixas Intelectualmente na Média (45,2%) e Definidamente Acima da Média (23,9%). Quanto às provas assistidas (256 aplicações) - Jogos de Perguntas de Busca com Figuras Geométricas (154 aplicações) e com Figuras Diversas (34 aplicações) e Children’s Analogical Thinking Modifiability Test (68 aplicações) predominou o perfil Ganhador (55,8%), seguido do perfil Ganhador Dependente da Assistência (16,8%), Não Mantenedor (14%) e Alto Escore (13,3%). Não houve associações significativas entre o desempenho nas provas assistidas e psicométricas, confirmando-se a proposição de complementaridade dessas metodologias avaliativas, especialmente para crianças com problemas no desenvolvimento.

Desempenho motor de aluno com paralisia cerebral discinética frente à adaptação das propriedades físicas de recurso pedagógico

PID: S1413-65382013000200009 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Gonçalves Braccialli Carvalho
O objetivo deste estudo foi o de analisar as propriedades físicas modificadas de um recurso pedagógico para facilitação do manuseio de uma criança com paralisia cerebral do tipo discinética. O participante do estudo foi uma criança com paralisia cerebral do tipo discinética com idade de seis anos e matriculada na rede regular de ensino da educação infantil. O recurso pedagógico escolhido foi um jogo de encaixe, em que as propriedades físicas de peso, tamanho e textura foram modificadas. A análise foi feita em relação à qualidade do movimento do membro superior para as variáveis: índice de retidão, deslocamento escalar (s), velocidade média (Vm) e tempo (t). Os resultados evidenciaram que a combinação entre tamanho grande e peso pesado não se mostrou satisfatória, desde a ação de preensão do recurso pedagógico, até o ato de encaixe. Também houve inconsistência nas respostas obtidas nas ações de crianças com paralisia cerebral. Há uma variação nos resultados, sem que ocorra um padrão a ser estabelecido. Desta forma, o presente estudo contribuiu para a compreensão das respostas motoras de uma criança com paralisia cerebral do tipo discinética quando submetida à atividade de encaixe com recursos pedagógicos em que as propriedades físicas foram modificadas.

Educação escolar hospitalar: o que mostram as pesquisas?

PID: S1413-65382013000300010 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Saldanha Simões
O objetivo do estudo foi conhecer a evolução e as principais abordagens sobre a educação escolar hospitalar, retratadas em artigos científicos postados on-line, nos últimos quinze anos (1996 a 2010). A metodologia, do tipo estado da arte, encontrou 82 artigos nas bases de dados eletrônicos (Scielo e Google Acadêmico), interpretados pela Análise de Conteúdo. Os resultados foram organizados em cinco categorias: Concepções e significados (25,61%); Relação educação e saúde (15,85%); Práticas pedagógicas e configuração didático-curricular (23,17%); Aspectos históricos, organizacionais e legais (13,42%) e Formação de professores (21,95%), mostrando a necessidade de maior número de investigações sobre a formação de professores, as vivências dos alunos em tratamento de saúde na escola regular, o processo de reinserção escolar e as práticas pedagógicas com enfoque na didática e no currículo. Apontaram ainda a urgente ampliação de políticas públicas que concorram para uma melhor legitimidade da escolarização de crianças em tratamento de saúde. Os achados contribuíram para a compreensão de como esse tipo de educação vem sendo desenvolvido nas diversas regiões do país, por meio das vozes de professores, alunos, pais e pesquisadores de hospitais e universidades.

Efeitos da comunicação alternativa na interação professor-aluno com paralisia cerebral não-falante

PID: S1413-65382013000100003 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Silva Silva Pontes Oliveira Deliberato
A fala tem sido vista como modalidade comunicativa socialmente exigida para a construção de relações em diferentes contextos e culturas. Entretanto, essa nem sempre é o recurso mais disponível principalmente para aqueles que apresentam alterações no seu desenvolvimento. Nesse sentido, os recursos e estratégias de Comunicação Alternativa são utilizados como ferramentas úteis para que o aluno com deficiência não-falante possa alcançar maior participação social nos diversos ambientes. Por isso, a presente pesquisa analisou a interação professor-aluno com paralisia cerebral antes e após o uso de estratégias e recursos de comunicação alternativa em sala de aula comum. Realizou-se estudo de caráter quanti-qualitativo, do tipo estudo de caso com pesquisa-intervenção. Foram realizadas quatro etapas principais: 1) filmagens antes da introdução desses recursos em sala de aula; 2) capacitação dos professores na escola e; 3) assessoria técnica ao professor para o uso da comunicação alternativa e; 4) filmagens dos episódios interativos com o uso dessas tecnologias. As interações foram transcritas e agrupadas em elos. Nessa pesquisa, um elo compreendeu o comportamento do iniciador dirigido ao interlocutor e a resposta sequencial deste ao iniciador. Verificou-se que as interações estabelecidas apresentavam no máximo quatro elos, com maior frequência para episódios de 1º e 2º elos. Após a intervenção, observou-se cenário diferenciado com a presença de interações de até 6º elo, com freqüência maior para episódios de 1º, 2º e 3º elos. Além disso, a professora manifestou tendência para utilizar os símbolos apenas como ferramenta de avaliação e ensino de conceitos, percepção essa que se transformou a medida que essa se apropriava das tecnologias de comunicação alternativa.

Ensino de fatos aritméticos para escolares com deficiência intelectual

PID: S1413-65382013000100006 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Cechin Costa Dorneles
Este estudo identificou os procedimentos de contagem usados por crianças com deficiência intelectual e verificou os efeitos de um programa de intervenção direcionado ao ensino de fatos aritméticos. Participaram três crianças, entre oito e 12 anos, de uma escola da rede municipal de ensino de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, que atende fundamentalmente às classes socioeconômicas baixas. A partir da revisão de literatura sobre os processos cognitivos envolvidos na resolução de problemas aditivos e as implicações para o seu ensino, avaliou-se a eficácia de um modelo de intervenção pedagógica como um recurso para o avanço no uso dos procedimentos de contagem. Foi aplicado um programa em 10 encontros, realizados uma vez por semana, com duração de aproximadamente cinquenta minutos cada. A proposta caracterizou-se pelo ensino direto, explícito e sistemático, através de sequências de instrução, partindo dos procedimentos de contagem usados pelos estudantes, que foram avaliados em dois momentos (pré-teste e pós-teste). Verificou-se que houve um avanço nos procedimentos de contagem utilizados pelas crianças após a intervenção, revelando que o programa foi eficaz. Mesmo intervenções de curta duração, como é o caso desta, podem trazer benefícios importantes para as crianças com deficiência intelectual, benefícios estes que serão a base de seus conhecimentos posteriores.

Estudo de caso sobre a inclusão de alunos com deficiência no ensino superior

PID: S1413-65382013000200011 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Duarte Rafael Filgueiras Neves Ferreira
O objetivo do presente estudo foi levantar o número de alunos auto-declarados com deficiência em processo de inclusão no ensino superior nas instituições públicas e privadas de Juiz de Fora. Tal temática merece destaque vista as políticas implementadas pelo Governo Federal de acesso ao Ensino Superior, como o ProUni, o REUNI e o FIES a fim de ampliar o nível de escolarização da população. Assim, foram pesquisadas 11 Instituições de Ensino Superior de Juiz de Fora, sendo dez privadas e uma pública. Para tanto, foram entrevistados os coordenadores de cursos que contavam, no período da coleta de dados, com alunos auto-declarados com deficiência, regularmente matriculados e frequentando o curso. As entrevistas foram submetidas à análise de conteúdo. Foi possível perceber que existem, atualmente, 45 alunos com deficiência matriculados e frequentes em cursos de ensino superior da cidade. A rede privada representa 82,2% desse total e a rede pública federal, 17,8%. Portanto, é de grande relevância a concretização de estudos que visem ampliar as informações sobre a inclusão de pessoas com deficiência na rede de ensino brasileira. Isso possibilitará o entendimento do processo de dificuldades, luta e superação desses estudantes até a chegada ao Ensino Superior. Esta questão tem sido importante para dar assistência aos profissionais envolvidos na ação pelo direito das pessoas com deficiência e o acesso dos mesmos, em especial, no meio educacional.

Facilitadores e barreiras percebidos por pessoas com cegueira congênita para a prática de atividade física

PID: S1413-65382013000300006 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Morgado Campana Morgado Fortes Tavares
A prática de atividade física é um importante elemento para um estilo de vida saudável. Entretanto, entre pessoas com deficiência visual, esta prática pode ser reduzida, o que torna este grupo suscetível ao desenvolvimento de patologias associadas à inatividade física. Este estudo teve por objetivo investigar facilitadores e barreiras percebidas por pessoas com cegueira congênita para a prática de atividade física. Foram realizados dois grupos focais com onze sujeitos adultos com cegueira congênita, sendo seis mulheres e cinco homens, com idade média de 34 anos (+ 7 anos). A análise de conteúdo foi utilizada para interpretar os dados. Duas grandes categorias foram apresentadas nos resultados, classificadas como “principais facilitadores para a prática de atividade física” e “principais barreiras para a prática de atividade física”. Os facilitadores (família, professores de Educação Física especializados, instituição especializada, materiais adaptados, e reconhecimento dos benefícios) e as barreiras (família, professores de Educação Física despreparados, limitada infraestrutura em centros de atividade física, sentimentos de exclusão em aulas de Educação Física, dificuldade na habilidade espacial e na coordenação motora) apontados pelos participantes mostraram-se complexos e multifacetados, de ordem social, ambiental e pessoal. Considerando os benefícios da atividade física, é fundamental que os profissionais da área adaptem estratégias de inclusão adequadas à participação de pessoas que não enxergam, possibilitando-lhes explorar diferentes possibilidades de movimento na sua relação com o mundo, as quais poderiam atuar positivamente em seu desenvolvimento biológico, psicológico e social.

Formação de professores para a educação especial: uma discussão sobre os modelos brasileiro e italiano

PID: S1413-65382013000300002 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Greguol Gobbi Carraro
Com os recentes avanços legislativos no sentido da massificação da inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares, emergem discussões sobre as mudanças requeridas na formação de docentes para o atendimento desta nova demanda. O objetivo deste estudo foi discutir os modelos brasileiro e italiano de formação de professores para atuar na educação especial. Para tanto, foi realizada uma pesquisa documental, analisando textos legais de ambos os países que versassem sobre o tema. A Itália foi o primeiro país na Europa a promover o fim das escolas especiais e a inclusão de todos os alunos com deficiência nas escolas regulares. Ainda neste país, nota-se que as diretrizes governamentais são claras com relação à capacitação de professores para atuar com alunos com necessidades educacionais especiais. Por outro lado no Brasil, embora tenham ocorrido grandes avanços no que se refere à legislação que sustenta a formação docente, ainda existe uma carência de parâmetros mais específicos sobre os conteúdos mínimos necessários para que os professores tenham maiores subsídios para promover a inclusão com qualidade.

Formação e criatividade: elementos implicados na construção de uma escola inclusiva

PID: S1413-65382013000200007 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Vieira Martins
Esta pesquisa buscou compreender como um processo de formação pode contribuir para a expressão criativa de profissionais da educação, visando à efetivação da educação inclusiva. Respaldou-se na Teoria da Subjetividade, elaborada por González Rey, no conceito de criatividade, desenvolvido por Mitjáns Martínez, dialogando com autores que discutem a formação e a educação inclusiva. Para isso, realizamos uma pesquisa-ação, através de um curso de formação desenvolvido com três supervisoras que trabalham em uma escola pública, localizada no interior do Estado do Rio Grande do Norte e duas professoras que atuam no atendimento educacional especializado, na mesma instituição. Os instrumentos utilizados foram a observação, a entrevista, o complemento de frases e a redação. A análise revelou que nem todas as participantes elaboraram estratégias criativas em decorrência da participação no curso, embora duas delas tenham desenvolvido alternativas criativas bastante significativas. Identificamos aspectos do curso que contribuíram para impulsionar a expressão criativa das participantes, tais como: a possibilidade de participação na elaboração da proposta de formação; o fato de o curso ser realizado em seu lócus de trabalho; a abertura ao diálogo sobre esse contexto de atuação; o incentivo ao desenvolvimento da condição de sujeito; o uso das atividades e da comunicação para incentivar o desenvolvimento de elementos subjetivos favorecedores da criatividade; relevância atribuída à necessidade de mudanças nas crenças, nas representações e nas concepções sobre a educação inclusiva. Assim, entendemos que um processo de formação poderá contribuir para a expressão criativa se considerar e intervir na dimensão pessoal dos participantes, impulsionando o desenvolvimento de elementos subjetivos que a favoreçam, bem como a assunção da condição de sujeito.

Inclusão de crianças com necessidades educativas especiais na educação infantil

PID: S1413-65382013000400002 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Brandão Ferreira
Este artigo discute a importância da inclusão nas instituições de educação pré-escolar. Todas as crianças têm direito à educação em classes do ensino regular, em escolas abertas à comunidade, onde se ofereça um ambiente educativo de qualidade e se vá ao encontro das necessidades pedagógicas e terapêuticas de cada criança. Numa filosofia de educação pré-escolar inclusiva, todos os intervenientes no processo educativo, crianças, educadores, terapeutas e órgãos de gestão trabalham de forma cooperativa na tarefa de ensinar e aprender, proporcionando experiências significativas para todas as crianças. Este artigo destaca alguns fatores que consideramos fundamentais para uma plena inclusão de crianças com Necessidades Educativas Especiais na Educação pré-escolar.

Inclusão escolar do aluno com deficiência física: visão dos professores acerca da colaboração do fisioterapeuta

PID: S1413-65382013000100007 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Melo Pereira
O paradigma da inclusão escolar aponta para a necessidade de uma reestruturação organizacional das instituições de ensino regular. Para tanto, faz-se necessário uma rede de apoio e cooperação entre os setores da educação, saúde e assistência social. Nesse sentido, o presente trabalho busca investigar o que os professores do ensino comum pensam a respeito da colaboração do fisioterapeuta nesse processo. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa utilizando-se de um estudo exploratório, cujos dados foram coletados a partir de um questionário aplicado a 22 professores de três escolas selecionadas de forma aleatória e analisados com base em categorias. Todos os professores reconhecem a importância da participação dos profissionais de saúde colaborando para a inclusão escolar dos alunos com deficiência, e, se tratando do fisioterapeuta, todos, com exceção de um dos professores, afirmam que o mesmo pode ajudar na inclusão dos alunos com deficiência física. O atendimento fisioterapêutico contribui para a inclusão escolar na medida em que são realizadas orientações e trocas de informações entre os professores e os fisioterapeutas. Entretanto, essa colaboração seria mais efetiva se houvesse um espaço permanente de debate, reflexão e troca de experiência entre profissionais, trabalhando juntos na escola.

Manifestações e prevalência de bullyng entre alunos com altas habilidades/ superdotação

PID: S1413-65382013000300005 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Dalosto Alencar
Este estudo teve como objetivo investigar o envolvimento de alunos com altas habilidades/ superdotação com a prática de bullying, tendo como base os papéis assumidos por eles na condição de vítima, agressor e/ou testemunha. Participaram da pesquisa 118 alunos oriundos de escolas públicas (107) e escolas particulares (11) que frequentavam um programa para estudantes com altas habilidades/ superdotação, oferecido pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Para a coleta de dados, foi utilizado um questionário sobre bullying. Os resultados indicaram que os alunos com altas habilidades/ superdotação vivenciaram, nas escolas onde cursavam o ensino regular, situações de bullying, nas suas diferentes formas de manifestação, tendo sido constatado o envolvimento desses alunos com bullying tanto na condição de vítimas como de agressores e testemunhas. Dentre os comportamentos mais citados pelos participantes, na condição de vítima, encontram-se os de “zoar”/humilhar, fofocar/ fazer intrigas, atirar objetivos e excluir das brincadeiras. Na condição de agressor, excluir das brincadeiras, apelidar, atirar objetos, “zoar”/humilhar e desprezar foram os mais apontados. A maioria desses comportamentos se manifestava de forma velada, o que dificulta a identificação dessas ações, exigindo um olhar mais atento do adulto. Espera-se que o presente estudo contribua para a compreensão mais ampla do fenômeno do bullying entre os superdotados, bem como possa servir de inspiração e orientação para que sejam adotadas medidas para o enfrentamento dessa realidade, tão danosa aos alunos envolvidos.

Mapeamento de alunos surdos matriculados na rede de ensino pública de um município de médio porte do Estado de São Paulo: dissonâncias

PID: S1413-65382013000300008 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Resende Lacerda
A educação de surdos se coloca como um campo de estudos em destaque, principalmente porque a construção da escola inclusiva para um grupo de pessoas que possui uma língua diferenciada e própria não parece ser uma tarefa simples. Considerando que o governo brasileiro tem se mobilizado para incluir a todos, sem distinção, entende-se que estudar a surdez no contexto educacional brasileiro significa, inescapavelmente, estudar a proposta de educação inclusiva e, nesse sentido, indagar sobre os desafios e perspectivas advindos dessa proposta. O presente estudo se desenvolveu por meio da abordagem quantitativa e tem como objetivo mapear e quantificar os alunos surdos inseridos no Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA) das escolas estaduais e municipais de um município de médio porte do interior do Estado de São Paulo, segundo registros da Secretaria Municipal de Educação e da Diretoria de Ensino Estadual que abrangem o referido município, contrastando com o levantamento dos mesmos dados apresentados pelos Microdados do Censo Escolar da Educação Básica, disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), referentes a 2010. Defende-se que para uma adequada política de atendimento aos alunos surdos é relevante conhecer onde eles estão matriculados e quantos são. A atenção a esses dados - no nível municipal, estadual e federal - nem sempre tem sido considerada. Duas etapas compuseram a realização deste estudo: a pesquisa documental e a análise dos dados. Fontes diferentes que deveriam contemplar as mesmas informações apontam dados discrepantes. A inclusão de surdos no ensino regular é um desafio constante e permanente. Portanto, esta pesquisa pretende somar- se às discussões no campo da Educação Especial, especialmente aos estudos relacionados à educação de surdos, pois entende- se que a oferta de uma educação com qualidade para esses alunos também perpassada por questões como aquelas relativas às matrículas. Acredita-se que os dados levantados nesta pesquisa trarão indicativos de como tem sido encaminhada esta questão, oferecendo oportunidade para revisão e orientação relativa ao reconhecimento e registro de alunos, como os alunos surdos nas redes públicas de ensino, colaborando para um melhor planejamento das ações relativas à inclusão deste segmento.

Maus-tratos em crianças e adolescentes com deficiência e/ou perturbações do desenvolvimento

PID: S1413-65382013000100002 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Cruz Albuquerque
A presente investigação tem como principal objetivo analisar as características da associação entre deficiência e/ou perturbações do desenvolvimento e maus-tratos na população infanto-juvenil portuguesa, e destacar as respectivas implicações no domínio da educação especial. A amostra é constituída por 198 crianças e adolescentes com deficiência e/ou perturbações do desenvolvimento, que foram vítimas de maus-tratos. A informação foi recolhida através de um questionário, elaborado para este fim, e respondido por psicólogos e assistentes sociais. Em termos dos resultados obtidos, verificou-se que o maltrato misto (associação entre duas ou mais formas de maltrato) foi o mais comum, seguindo-se a negligência. Os agentes de maltrato mais frequentes foram os progenitores. A detecção dos maus-tratos foi efetuada, em regra, na etapa pré-escolar, sendo as suas principais fontes as instituições/serviços que já acompanhavam a família. Foi também detectada uma elevada percentagem de problemas de saúde física e mental, de dependências e de dificuldades de inserção social nos pais destas crianças/adolescentes. A quase generalidade das crianças e famílias beneficiou de alguma intervenção após a sinalização dos maus-tratos. No que respeita a conclusões, e uma vez que os maus-tratos tendem a ocorrer cedo e em famílias com múltiplos fatores de risco, apontam-se estratégias de intervenção familiar e sublinha-se a importância que os programas de intervenção precoce podem revestir. Também se indica o papel que os professores podem desempenhar na detecção dos maus-tratos e realça-se a relevância e a composição dos programas direcionados para o ensino de estratégias de proteção e autodefesa.

Metas e estratégias de socialização que mães de crianças surdas valorizam para seus filhos

PID: S1413-65382013000400006 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Freitas Mmagalhães
Estudos sobre desenvolvimento infantil destacam não apenas o papel do ambiente físico e social da criança, como também das cognições parentais, compartilhadas em determinado contexto e momento histórico. Pesquisas no Brasil apontam a prevalência de modelos de criação distintos, em virtude do contexto cultural, são eles: interdependente, independente e autônomorelacional. Sendo assim, objetivou-se conhecer as metas de socialização e expectativas de mães de crianças surdas sobre o futuro dos seus filhos. Foram entrevistadas 13 mães de crianças surdas matriculadas em uma unidade especializada na educação de surdos, no município de Belém, a partir da aplicação de um roteiro semiestruturado, composto por questões, validadas no Brasil, sobre metas e estratégias de socialização. O grupo entrevistado caracterizou-se por: mães residentes em contexto urbano, em sua maioria de baixa renda, com pouca escolaridade, na fixa etária entre 31 e 40 anos. Foram relatadas 20 metas de socialização, concentradas nas seguintes categorias, expectativas sociais, bom comportamento e autoaperfeiçoamento, em ordem decrescente, indicando uma tendência à dimensão sociocêntrica. O modelo de criação predominante foi o interdependente. Em relação às estratégias de socialização, foram descritas 37, entre elas a categoria centrada em si obteve maior escore, com destaque para o aspecto cognitivo. Compreende-se que embora o modelo de criação seja interdependente, as estratégias concentraram-se na figura da mãe. Uma análise possível é a barreira linguística decorrente da surdez que impede que a criança e o contexto sejam considerados pelas mães como mediadores de qualidades para seus filhos.

O brincar de uma criança autista sob a ótica da perspectiva histórico-cultural

PID: S1413-65382013000100008 | Journal: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Year: 2013
Authors: Bagarollo Ribeiro Panhoca
Perspectivas tradicionais acreditam que dentre as características do autismo infantil está a incapacidade ou grande dificuldade destas crianças desenvolverem atividades de brincar. No entanto, assumindo a perspectiva histórico-cultural de desenvolvimento humano - que compreende os sujeitos enquanto seres sociais, constituídos culturalmente, na e pela linguagem - esta afirmação deixa de ser sustentável, uma vez que brincar é uma atividade constituída socialmente. Considerando isto, este estudo tem como objetivo analisar as peculiaridades do brincar de uma criança com autismo infantil, imersa em ricas experiências com outras crianças, com brinquedos e com brincadeiras. A coleta de dados ocorreu a partir de gravações em vídeo de sessões de terapia fonoaudiológica com um grupo de quatro crianças autistas. O enfoque será para as brincadeiras de uma delas, S1 de quatro anos. As gravações foram transcritas e as análises dos dados regidas pela perspectiva da análise microgenética. Os dados mostram que é possível para a criança autista, quando vivenciando interações sociais favoráveis, desenvolver o brincar, os processos imaginativos e as sequencias de ações observadas no grupo social e no uso cultural dos brinquedos. Conclui-se que é fundamental a intervenção do terapeuta durante o processo de interação, atribuindo significações às ações da criança, proporcionando a ela a possibilidade de constituir-se como um ser cultural e de interagir com o outro e, dessa forma, construir as bases para as internalizações que daí decorrerão. Observa-se também que as experiências vivenciadas fora da instituição possibilitam oportunidades de brincar e desenvolver-se durante as brincadeiras, mesmo que de forma mais lenta e específica.
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