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Um estudo sobre funções docentes nas universidades privadas brasileiras e indicadores de qualidade

PID: S2177-62102012000100004 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2012
Authors: Scremin Isaia
Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa que teve como propósito analisar o perfil institucional/docente de professores do ensino superior em universidades privadas brasileiras, a partir dos indicadores de função docente disponibilizados pelo INEP/MEC. O foco do estudo consiste em estabelecer relações com a questão da qualidade da educação superior proposta pela bibliografia existente (Bertolin, 2007; Davok, 2007; Giolo, 2006). A abordagem metodológica utilizada para a realização do estudo foi quanti/qualitativa, considerando que a utilização dessa metodologia em diferentes etapas do estudo indica a possibilidade de desenvolvimento de diferentes estratégias para a análise dos dados, sejam elas assentadas em princípios de análise documental, seja em procedimentos estatísticos. A investigação concluiu que os indicadores de função docente, ao se restringirem apenas ao regime de trabalho, ao grau de formação e ao sexo desconsideram os demais elementos constitutivos da própria definição de funções docentes apresentada pelo INEP. Portanto, os indicadores apresentados na base de dados fornecem uma contribuição que é parcial para a avaliação da qualidade do trabalho do professor. Desse modo, constata-se que esses indicadores, quando interpretados sob a óptica qualitativa, deixam lacunas na compreensão sobre o que é válido em termos de avaliação da educação superior.

Um estudo sobre o trabalho com a linguagem oral e escrita na pré-escola

PID: S2177-62102012000100008 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2012
Authors: Oliveira Carlos
Este texto tem como finalidade apresentar o resultado de uma pesquisa realizada em escolas de Educação Infantil, que teve por objetivo avaliar se a prática pedagógica das professoras contribui para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita no que tange à apropriação da forma culta da língua e à construção de leitores. Procuramos constatar se há intencionalidade por parte das professoras em proporem atividades relacionadas à linguagem oral e escrita, a fim de proporcionar o desenvolvimento das crianças com relação a essa área do conhecimento. A pesquisa tem como aportes teóricos, além de documentos e leis, autores como: Abramovich (1995), Sampaio (2000), Arce e Martins (2007), Faria e Salles Dias (2007) Placco e Silva (2008). Como técnica de coleta de dados foi utilizada a observação sistemática da prática pedagógica de três professoras que atuavam em pré-escolas municipais. Em suma, os resultados indicam que a prática dessas professoras, de modo geral, não atende ao que é preconizado pelos documentos oficiais sobre a Educação Infantil e pela literatura da área. Assim, nossos resultados nos remeteram a outras inquietações e investigações.

“Escrever explicando é mais difícil”: hipóteses de estudantes adultos sobre a produção de textos escritos

PID: S2177-62102012000100009 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2012
Authors: Simões Fonseca
Este artigo discute modos como pessoas jovens e adultas estudantes da Educação Básica se apropriam das práticas de letramento escolares que demandam a produção de determinados gêneros textuais. Apoia-se, do ponto de vista teórico, em investigações que têm reiterado a necessidade de se considerar a dimensão sociocultural das práticas escolares para a compreensão dos processos de ensino e de aprendizagem da leitura e da escrita. Tais investigações mostram, ademais, que estudantes da EJA constroem modos de lidar com a língua que ora se aproximam, ora se distanciam das formas escolares. No âmbito do estudo aqui apresentado, as posições assumidas pelas estudantes participantes da pesquisa, em uma situação de produção de texto, permitiram-nos confrontar seus modos de se comunicar - que ocorrem, de forma privilegiada, por gêneros textuais orais informais produzidos cotidianamente - com os modos de comunicação escrita do contexto escolar - que, frequentemente, operam com situações hipotéticas e são vistos como regidos por princípios e procedimentos diferentes e distantes das práticas orais. O trabalho investigativo mostrou que o conhecimento das práticas de letramento de estudantes e de suas relações com as práticas escolares auxilia o professor a compreender o ensino da leitura e da escrita em sua dimensão sociocultural e a dialogar melhor com os processos de aprender que os educandos vivenciam.

“O que a gente fala passa, mas o que escreve permanece para sempre” práticas de escrita de professores: entre usos e mitos

PID: S2177-62102012000100007 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2012
Authors: Espíndola
Este artigo analisa uma investigação que se propôs discutir as práticas de escrita desenvolvidas por um grupo de professoras alfabetizadoras. Buscamos compreender como as professoras se relacionam com a escrita em sua vida pessoal e em suas atividades profissionais. Tomamos por base teórica os estudos de Bernard Charlot e seus colaboradores acerca da relação com o saber, bem como as discussões produzidas sobre a história da leitura e da escrita. Utilizamos como fonte de coleta de dados entrevistas semiestruturadas com um grupo de 13 professoras alfabetizadoras de três cidades do interior do estado de Mato Grosso do Sul e material escrito produzido por elas. Os sujeitos da pesquisa eram também alunas de um curso de Pedagogia na modalidade à distância oferecido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Os resultados da pesquisa indicam que as professoras fazem uso de uma diversidade de práticas de escrita em seu cotidiano, mas, ao mesmo tempo, mitificam tal prática.

A autonomia do aluno nas concepções clássica e iluminista de educação

PID: S1982-596x2012000100003 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Mendonça Lourenço Filho
Neste artigo, procuramos investigar e discutir a questão da autonomia do educando em dois diferentes momentos históricos: o período clássico e o moderno. O problema do artigo diz respeito à pergunta: Como a questão da autonomia discente foi discutida nos períodos clássico e moderno? Baseamo-nos, sobretudo, nas concepções platônicas acerca da Paidéia e, na concepção educacional pensada por Rousseau e por Kant, no período iluminista, orientada por um novo ideal de formação humana que priorizava o desenvolvimento da razão. Ambas as concepções (clássica e iluminista) apontam para a humanização e para o aperfeiçoamento do homem por meio da educação, destacando, nesse processo, a importância da formação autônoma. O método diz respeito à revisão bibliográfica por se tratar de exame realizado no contexto da filosofia da educação. Como resultados, pudemos perceber que a autonomia constitui-se de base fundamental para a educação clássica e moderna.

A escrita da história e os conteúdos ensinados na disciplina de história no ensino fundamental

PID: S1982-596x2012000100010 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Cainelli
Trabalhar questões relativas ao ensino de História e a História da Educação na educação básica está relacionado historicamente à seleção de conteúdos para ensinar História. Entre os principais fundamentos deste olhar historiográfico para o ensino de História está a importância do pensamento histórico para este processo. Autores como Rusen (1998, 2001) Lee (2001, 2006) e Schmidt (2009) argumentam que para se investigar a aprendizagem histórica é preciso ter como referência teórica e metodológica a ciência da História. Nesta pesquisa que realizamos pretendemos discutir como os conteúdos da História ensinada são determinados e postos em prática em sala de aula. A seleção e definição de conteúdos escolares pressupõem uma determinada concepção de história além das demandas relacionadas aos poderes constituídos, nesse sentido definir o que se ensina na disciplina de História caracteriza-se por disputas em torno da memória, constituição da nação e de seus sujeitos.

A expressão da reforma de António Rodrigues Sampaio no Município de Lisboa ou a Afirmação de um “Governo dos Assuntos Educacionais”

PID: S1982-596x2012000200004 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Silva
Este artigo procura captar a ação educativa do município de Lisboa durante a primeira grande experiência descentralizadora do ensino, enquadrada pela Reforma de António Rodrigues Sampaio (Lei de 2/5/1878). Ao longo da década de 1880, período em que decorre a referida experiência, a Câmara de Lisboa, na assunção de uma vontade local e procurando dar corpo a um projeto republicano de educação popular, protagoniza um interessante movimento de renovação educacional. O Estado, no entanto, tenta a todo o custo refreá-lo. Mas a verdade é que a iniciativa reformadora da Câmara prossegue bem explícita nos seus objetivos e firmada numa série de medidas e realizações. É paradigmática, por exemplo, a aposta na escola graduada (ou central). Trata-se, porém, de uma dinâmica que contrasta com a da generalidade dos outros municípios do país, destituídos de uma elite política forte e de recursos financeiros.

A face oculta da universidade brasileira: percepções de comportamentos ilícitos na educação superior por alunos e professores

PID: S1982-596x2012000200005 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Coleta Gomes
Com o intuito de construir instrumentos de medida, e obter parâmetros de percepção de existência de condutas ilícitas emitidas por professores e alunos universitários, este artigo apresenta os resultados de um estudo realizado com 610 sujeitos, professores, coordenadores e alunos de diversos cursos de graduação. A coleta de dados foi realizada a partir de um instrumento em que se solicitava a porcentagem de emissão destes comportamentos pelos estudantes, e outro relativo às condutas dos professores. Os resultados mostram que os diversos comportamentos são percebidos como tendo altos níveis de frequência de ocorrência no meio universitário, tanto por coordenadores, professores e alunos, com diferenças significativas entre esses três grupos de sujeitos, bem como ao se considerar as diferentes IES participantes deste estudo.

A filosofia como modo de vida em Foucault

PID: S1982-596x2012000100011 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Naldinho Cardoso Jr
O artigo desenvolve a tese de que no cerne da estratégia foucaultiana de enfrentamento à sujeição imposta pelo biopoder - caracterizada pela possibilidade de reabilitação da estética da existência na atualidade -situa-se a prática constante da filosofia. Para tanto, descreve como Foucault entende que a consideração fundamental, similar àquela presente entre os antigos greco-helenístico-romanos, da filosofia como um amálgama constituído por um discurso teórico e seu imprescindível modo de vida respectivo, envolve diretamente a ética com a política e noções relacionadas, como poder, liberdade, autonomia e crítica. Isso posto, o texto define, a partir da conexão de pontos dispersos pela obra de Foucault, qual seria o trabalho específico da filosofia em uma estética da existência, como também descreve o modo de vida respectivo que a filosofia foucaultiana buscava construir, ou seja, a amizade.

A filosofia da educação de Richard Rorty: epistemologia, conversação, redescrições, narrativas e as funções da educação

PID: S1982-596x2012000200007 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Silva
Este trabalho tem por objetivo analisar alguns aspectos da filosofia da educação de Richard Rorty. Nessa abordagem privilegiaremos os antecedentes teóricos dos distintos e complementares processos educacionais de socialização e individualização: a crítica ao paradigma epistemológico, a proposta de um novo paradigma conversacional ou educacional, o método filosófico da redescrição e o uso de narrativas como elemento formativo. Ressaltamos que nossa análise é uma tentativa de determinar os limites e os pontos de intersecção entre os dois processos educacionais, articulados com a possibilidade do uso de narrativas como elemento de formação. As considerações finais indicam que tal proposta neopragmatista é um incentivo em prol da manutenção de hábitos de ação que resultam em uma solidariedade humana criada por meio do aumento de nossa sensibilidade aos pormenores específicos da dor e humilhação que padecem outros seres humanos desconhecidos.

A ideologia da morte

PID: S1982-596x2012000100020 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Silveira
Marcuse aborda o caráter ideológico da morte por meio da análise de alguns de seus aspectos biológicos, históricos, sociais, filosóficos e religiosos. O autor reflete a propósito de como o poder sobre a morte também se torna poder sobre a vida das pessoas. Desse modo, libertar-se do modo de vida repressivo significa assenhorear-se de sua própria morte.

A moralidade do descarte e da seleção de embriões

PID: S1982-596x2012000100012 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Frias
O artigo discute as principais questões morais colocadas (1) pelo descarte de embriões necessário para a pesquisa com células-tronco embrionárias e para a fertilização in vitro e (2) pela seleção de embriões usando diagnóstico genético pré-implantação. Depois de apresentar as principais teorias sobre o status moral do embrião, é defendida a tese de que embriões humanos não têm direito à vida, embora devam ser tratados com respeito. Em seguida, a revisão dos quatro principais argumentos contra a seleção de embriões levou à conclusão de que eles não são suficientes para justificar a proibição dessa tecnologia. Por fim, algumas aplicações muito controversas dessa tecnologia são apresentadas e discute-se brevemente qual princípio moral é mais adequado para decidir qual embrião deve ser implantado.

A mudança de paradigmas da ciência e a relação com a educação escolar

PID: S1982-596x2012000100013 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Silva Júnior
Este artigo tem como objetivo refletir sobre a relação entre o modelo de ciências e a educação escolar. Nesse sentido, algumas questões tornaram-se recorrentes: Existe um diálogo entre modelo de ciências, teoria de aprendizagem e práticas pedagógicas? Como se deu o processo da construção das ciências? Quais as dificuldades, necessidades e possibilidades da educação nesse contexto? Na procura de respostas às referidas inquietações, podem ser consideradas básicas as obras de Morin (2001), O Método 4, e Levi (2007), A inteligência Coletiva. Ao fazer o exercício de refletir sobre a mudança de paradigmas da Ciência e a relação com a educação escolar, foi possível vislumbrar uma “nova escola”.

Contrapunto filosófico educacional en Chile: humanismo laico versus humanismo cristiano

PID: S1982-596x2012000100008 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Escudero
Este artículo persigue poner en contrapunto dos filosofías educacionales de dos personajes de la segunda mitad del siglo XX que representan el pensamiento laico y el pensamiento católico en Chile; ellos son Roberto Munizaga y Ernesto Livacic, quienes recibieron en 1979 y 1993, respectivamente, el Premio Nacional de Educación. A pesar de las diferencias ideológicas, ambos personajes mantienen una postura antagónica respecto de las creencias religiosas, pero en cuanto a sus respectivos análisis sobre el papel que representa el proceso de educación en la vida del hombre muestran notables coincidencias. Los aspectos fundamentales de la filosofia de la educación son abordados desde sus respectivos enfoques.

Currículo por competência: ascensão de um novo paradigma curricular

PID: S1982-596x2012000200003 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Chizzotti
O artigo analisa a ascensão de um novo paradigma normativo do currículo da educação básica em muitos sistemas nacionais de educação, tendo como referência as competências esperadas dos alunos ao fim da escolaridade. Apresenta o ingresso progressivo do conceito de competências promovido por agências e uniões internacionais e pelos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na formulação e gestão das políticas curriculares, indicando a centralidade do currículo escolar como foco nuclear para o enfrentamento dos desafios e exigências do desenvolvimento e da competitividade. Historia o compartilhamento dos debates dos diferentes sistemas de educação em torno da questão curricular e a formulação de um proposta consensual em favor das competências básicas esperadas dos alunos ao fim da escolaridade obrigatória nos respectivos sistemas de educação. A pesquisa apoia-se nos documentos produzidos e nas normas jurídicas promulgadas, que definiram as competências básicas para os países membros da OCDE para a educação obrigatória dos sistemas de educação dos países membros.

Da natureza e da densidade do humano na pedagogia de Rousseau

PID: S1982-596x2012000100004 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Dozol
Georges Gusdorf, na segunda parte de L’ avénement des sciences humanies ao siécle des lumiéres (A ascensão das ciências humanas no século das luzes), afirma que a pedagogia rousseauniana é “compreensiva e global”. A proposta do presente trabalho é entender tal afirmação, ou seja, de que maneira Rousseau, por meio de uma ambígua ideia de natureza humana, vai além das teorias materialistas e sensualistas do seu tempo e edifica um conceito de formação que compreende desde profundas questões metafísicas, instigantes desdobramentos biológicos e psicológicos, até considerações líricas das paisagens do mundo físico. Trata-se aqui de esclarecer a utopia pedagógica que, não ignorando as diversas dimensões do humano, procurou fundir o corpo e o entendimento sem dissolver as recorrências da sensibilidade. As implicações ético-morais daí advindas aparecem como condição para uma outra utopia: aquela, de caráter político e social.

Descartes e a consciência em la Rercherche de la Verite par la lumiere naturelle

PID: S1982-596x2012000100009 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Faye
A comparação das traduções latina e holandesa do original perdido de La Recherche de la Vérité par la lumière naturelle permite concluir a presença de uma ocorrência notável do termo “consciência” nesse diálogo póstumo de Descartes. Essa ocorrência permite responder às interpretações que põem em questão a existência de uma invenção cartesiana da consciência moderna, bem como esclarecer o que aproxima e separa, ao mesmo tempo, Descartes de La Forge e Malebranche no que concerne à significação do termo consciência. Este estudo visa, enfim, reavaliar a importância filosófica desse diálogo de Descartes.

Herbert Marcuse e as “imagens da libertação”

PID: S1982-596x2012000200008 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Fernandes
Na década de 1960, os movimentos artísticos de vanguarda e os movimentos estudantis de protesto buscavam, além de uma mudança de comportamento, uma mudança na consciência política dos indivíduos. No entanto, enquanto no campo do conhecimento já se sabia o que deveria ser feito para a transformação social, no campo dos fatos essa possibilidade se via impedida, por isso as exigências revolucionárias conduziram o movimento para fora das universidades, a fim de que a comunidade pudesse realizar materialmente a crítica que surgia no interior da academia. Para Marcuse, a arte poderia contribuir decisivamente para este processo. Ao alertar para uma nova sensibilidade estética, a arte, como manifestação da autonomia e liberdade humanas e não como mero instrumento político, poderia fornecer as “Imagens da Libertação” que, por sua vez, poderiam conduzir a uma nova consciência e à uma nova humanidade.

História e liberdade: a esperança de Freire e de Spinoza

PID: S1982-596x2012000200009 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Merçon
A noção de esperança ocupa uma posição central na obra de Paulo Freire. Por compreendê-la como motora da mudança, necessidade ontológica e ato político, Freire conclui que é preciso educar a esperança para que não se converta em desesperança infértil ou desespero trágico. Em espírito freireano, meu propósito neste artigo é o de tecer um diálogo entre o pensamento deste grande educador e a filosofia de Spinoza. Este encontro impossível entre esses dois homens que se rebelaram, em pensamento e ato, contra as opressões de seus tempos, transcorrerá por meio da investigação dos seguintes temas: 1) o papel da esperança na noção freireana de história; 2) as relações entre liberdade e necessidade; 3) as funções sociais da esperança e 4) a proposta de ‘educação da esperança’. Duas noções de esperança serão discutidas: a esperança ingênua e a esperança crítica. A provocação spinozana consistirá em sugerir uma postura ética e política que, movida por nossa potência para pensar e agir, prescinde da esperança.

O belo antro e a grande oliveira: recepções da alegoria da caverna na tradição neoplatônica

PID: S1982-596x2012000100007 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Cornelli
Desde a Magna Grécia de Pitágoras, Empédocles e Parmênides, passando pelas relações “perigosas” entre a sabedoria nascente e as tradições órficodionisíacas, em nítida continuidade com a mitologia arcaica e as narrativas teogônicas, dialogando com as práticas médicas asclepíades, a filosofia antiga visita cavernas. A caverna da República, uma das mais poderosas e fecundas alegorias do pensamento ocidental, é simultaneamente herdeira e ponto de fuga da longa trajetória dessa metáfora. Não se pretende aqui, no entanto, compreender a imagem platônica como a consumação de uma velha tradição filosófica que “pensa em cavernas”; procura-se, antes, iluminar essa alegoria com a interpretação oferecida pela filosofia acadêmica posterior. No Antro das Ninfas, Porfírio parte de 11 versos de Homero (Od. XIII, 102-112) para habilmente desenhar uma exegese inspirada na teoria platônica da alma. A lectio porfiriana permite sugerir que a imagem da caverna revela algo mais que uma simples alegoria literária. Ela dá prova da existência de relações dialógicas e circulares entre a filosofia platônica e o imaginário religioso popular do mundo antigo.
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