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O fenômeno de Deus a partir da idea infinitatis em Husserl, Sartre, Lévinas e Marion

PID: S1982-596x2012000200006 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Starzynski
O termo “virada teológica da fenomenologia francesa” foi introduzido por D. Janicaud para estigmatizar certa tendência da teologização da fenomenologia. Se retiramos dessa expressão a significação negativa, uma questão mais séria se põe, já não de desqualificar tal ou qual autor, mas aquela de um lugar ou de uma maneira de acontecer essa “virada” na via fenomenológica do pensamento. Pode-se indicar tal momento em que se produz o evento da ocorrência ou de uma revelação de Deus? Pondo à parte a solução metafísica das provas da existência de um ente privilegiado, apresento a hipótese que será o fio condutor deste trabalho: o pensamento filosófico sobre Deus, sua eventual revelação, pode racionalizar-se essencialmente no domínio da filosofia do infinito, e mais precisamente, inspirando-se do pensamento cartesiano, em que a ideia do infinito aparece à subjetividade. Servindo-me deste motivo, gostaria de examinar as variantes de suas interpretações fenomenológicas, seguindo os exemplos-chave de Husserl, Sartre, Lévinas, para enfim pôr em questão a fenomenologia da doação de J.-L. Marion.

O livro didático de história: escolhas, usos e percepções de professores e alunos no cotidiano escolar

PID: S1982-596x2012000200010 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Silva
O livro didático faz parte da cultura material da maioria das escolas públicas brasileiras por meio do Programa Nacional do Livro Didático. Sendo assim, um dos objetivos pesquisados foi identificar e analisar o processo de escolha dos livros didáticos no Estado do Ceará, relacionando-o com os usos que se faz deste instrumento no cotidiano. Tivemos como espaço de pesquisa quatro escolas públicas; em cada escola, uma turma de 6º ano. Como parte do procedimento metodológico, realizamos entrevistas, questionários e observação direta durante as aulas de História do ano de 2008. Finalizamos com uma “roda de conversa”. Utilizamos como categoria de análise o conceito de “apropriação”, de Chartier, as categorias de “estratégias e táticas”, de Certeau, o conceito de “cultura escolar” cunhado por Julia. Percebemos que, em geral, apenas o texto principal de cada capítulo é trabalhado. Então, apesar das transformações teóricas e gráficas na produção do livro didático, este é subutilizado.

Perspectiva epistemológica da realidade: “independência - coexistência” nas formas de conhecimento

PID: S1982-596x2012000100015 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Martins
A discussão epistemológica que atravessa o campo de educação em relação ao conhecimento quotidiano, científico e escolar merece ser retomada na actualidade. O autor analisa a relação da “continuidade - descontinuidade” dos conhecimentos quotidiano e científico, sendo o conhecimento escolar o resultado da transposição didáctica do conhecimento científico em contexto de aprendizagem em sala de aula. Num primeiro ponto aborda-se as opções epistemológicas do conhecimento quotidiano e científico em três perspectivas diferentes. O segundo ponto parte da diversidade das formas de conhecimento, insistindo na (des) construção do conhecimento escolar, orientada à integração didáctica das várias formas de conhecer. A visão do mundo, desde dos seus paradigmas científicos, actua como marco referencial da conceptualização escolar e da evolução do conhecimento. Pretende-se clarificar o estado da arte da epistemologia das formas de conhecimento.

Por que ainda é importante pensar como um nômade em nosso tempo?

PID: S1982-596x2012000200011 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Cardoso Júnior
O presente artigo desenvolve o argumento de que existe um modo nômade de pensar em consonância com proposições formuladas a este respeito por Deleuze e Guattari. Procuraremos desenvolver tal argumento por meio da determinação de quatro eixos de reflexão, a saber, epistemológico, político, histórico e ontológico. Em conjunto, esses quatro eixos a serem caracterizados perfazem o que denominamos de pensamento nômade. Tal reflexão especifica-se no sentido de observar um processo de constituição de subjetividades dominante e regrados por uma “axiomática capitalista” em nosso tempo. Tal processo é entendido como um dispositivo nômade envolvendo, como subproduto, o que se denomina de narcisismo da diferença. Ora, se os modos de subjetivação dominantes regrados pela sociedade capitalista, em nosso tempo, são nômades, de que ainda valeria continuar pensando como um nômade, como queriam Deleuze e Guattari?

Problemas de aprendizagem na alfabetização: contribuições da pesquisa-ação escolar

PID: S1982-596x2012000100016 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Davis Miranda
Essa pesquisa tem por objetivo o processo e os resultados de uma pesquisa-ação desenvolvida em uma instituição escolar junto a alunos na fase de alfabetização e seus respectivos professores. Foi feito, de início, um diagnóstico sobre as dificuldades apresentadas pelos alunos para que, com base nele, fossem propostas ações pedagógicas diversificadas, capazes de superá-las. Foram então realizadas observações participantes e desenvolvidas atividades com os alunos indicados pelas professoras como problemas de aprendizagem: 21 crianças (16 meninos e 5 meninas) de 1ª e 2ª séries, todas repetentes, com faixa etária variável entre 8 e 12 anos de idade. As atividades permitiram analisar os conhecimentos disponíveis, bem como inferir as estruturas cognitivas já construídas pelos aprendizes, identificando possíveis problemas de interação com o meio social e com o próprio objeto de conhecimento. Com isso, foi possível agrupar os alunos em três níveis distintos de conhecimento, cada um deles envolvendo determinadas competências e concepções sobre a língua escrita. Esses níveis serviram de suporte para a construção de novos conhecimentos linguísticos. A intervenção aconteceu em duas salas de aula das quais faziam parte outros alunos que não aqueles diretamente envolvidos no projeto. O referencial piagetiano orientou a pesquisa.

Rousseau e o seu discurso: variações entre o eu e as justificações

PID: S1982-596x2012000100005 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Martins
A vontade de afirmação expressa por Rousseau na sua vida e na sua obra reflecte-se de um modo muito evidente e sustentado em quatro ideias expostas no conjunto das quatro cartas escritas a Malesherbes. Cada uma das cartas descreve essas ideias, nomeadamente: a explicação da verdadeira natureza do seu gosto pela solidão, explicação dos seus gostos aparentemente contraditórios, explicação da felicidade sentida nos retiros e, por último, a explicação por que razão os seus colegas o acusavam de fugir às suas obrigações sociais. O discurso de Jean-Jacques Rousseau é personalista, oscilando entre aquilo que é constitutivo do seu eu, do seu carácter, e as justificações dessa mesma constituição de carácter.

Ser, história, técnica e extermínio na obra de Heidegger

PID: S1982-596x2012000200012 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Faye
Com a publicação do curso de 1933 - 1934 que conclama a “exterminação total” do inimigo interior, o ano de 2001 marca uma inflexão na recepção da obra de Heidegger e exige o exame crítico do uso de termos-chave de sua doutrina, tais como o ser, concebido por ele como “termo codificado” (Deckname), a história, a técnica e o extermínio ou aniquilamento (Vernichtung). Trata-se igualmente de recolocar numa perspectiva crítica o projeto mesmo da “obra completa” (Gesamtausgabe).

Sobre a cisão entre sujeito e objeto, segundo Theodor W. Adorno: questões para a educação do corpo

PID: S1982-596x2012000200013 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Bassani Vaz
Tomando a obra do filósofo alemão T. W. Adorno como referência principal de pesquisa, o presente trabalho se dedica a uma reflexão epistemológica e pedagógica sobre o tema do corpo e algumas de suas expressões, em especial, no que se refere a um dos motivos originais da constituição da civilização ocidental e do conhecimento sobre esse mesmo processo, a cisão entre sujeito e objeto. Ao considerar as consequências daquela cisão para outra, a entre corpo e espírito (Geist), os resultados dessa investigação apontam para os processos de reificação da espontaneidade corporal e de esquecimento da natureza no sujeito, considerando suas implicações no contexto da expressão mimética. A forma ambígua como tais processos se materializam no esporte e na educação do corpo por meio dele, revelam também indicações para pensar o ensino das práticas corporais como rememoração da natureza no sujeito

Sobre o processo de formação do cidadão

PID: S1982-596x2012000100006 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Reis
Desde a aurora da modernidade, tornar-se cidadão, longe de ser algo natural ou espontâneo, exige esforço, na medida em que exige a cada um ultrapassar sua própria suficiência e independência. Em vista disto, Rousseau chega a afirmar a necessidade de transformar a natureza humana a fim de dotar cada indivíduo - que é um todo perfeito e solitário - da capacidade de coletivizar-se, de integrar-se a um corpo coletivo como parte inseparável. A dificuldade do projeto, ou do processo de formação do cidadão, reside em que tal exigência não se impõe espontaneamente aos indivíduos, embora seja condição necessária para o estabelecimento de uma relação harmônica entre cada um e o corpo coletivo. Discutir a tensão existente entre indivíduo e cidadão, investigando o esforço empreendido pelo legislador e por cada homem será o objeto deste artigo.

Uma pedagogia da solidão em Nietzsche

PID: S1982-596x2012000100014 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2012
Authors: Britto
O artigo pretende investigar de que forma a relação entre o cosmopolitismo, tal como foi elaborado como tarefa ética por Kant e os herdeiros da Aufklärung, e a ideia de cultura e educação (Bildung) foi redimensionada e modificada nos textos de Nietzsche, segundo um modelo que colocava em questão a própria necessidade da gregariedade para uma nova forma de Pedagogia.

A educação básica na proposta da Confederação Nacional da Indústria (CNI) nos anos 2000

PID: S1517-97022012000100003 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2012
Authors: Melo
O presente artigo, fruto de uma tese de doutorado, tem como propósito apresentar e discutir criticamente a proposta de educação básica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio da descrição e da análise de alguns documentos da entidade expostos publicamente ao longo dos anos 2000. O projeto de educação básica dos empresários brasileiros contempla a necessidade dessa classe de competir no mercado globalizado e em crise, vinculando o aumento do nível de escolaridade ao aumento da produtividade e da inovação necessárias para sua consecução. As bases de tal projeto educativo são a retomada da teoria do capital humano, a empregabilidade e o empreendedorismo. Em termos de projeto social, os empresários remetem-se a um pacto social, ou seja, pretendem generalizar uma concepção de mundo em que não caberia o conflito entre capital e trabalho, mas sim a adaptação dos trabalhadores à sociedade de classes. Nessa concepção, a ênfase recai sobre um projeto educativo que visa à responsabilização dos indivíduos por suas próprias carreiras; assim, a inserção ou exclusão social não é vista como resultante da estrutura macrossocial, mas do esforço individual empreendido, ou seja, da capacidade de o trabalhador ser organicamente produtivo para o capital.

A sala de aula foi o meu mundo: a carreira do magistério em São Paulo (1920-1950)

PID: S1517-97022012000200002 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2012
Authors: Alcântara
Nas primeiras décadas do século XX, dá-se a implantação, a expansão e a estruturação do sistema público de ensino paulista republicano. A criação de uma rede de escolas impulsiona a organização da carreira docente pela necessidade de formação de professores capazes de tornar tal expansão mais eficiente. Nesse período, foi estabelecido um conjunto de leis que normatizavam o exercício da profissão, fazendo dos professores funcionários do Estado. Ao lado da organização do sistema educativo, portanto, foi-se organizando também a profissão docente. Objetiva-se, aqui, problematizar a carreira e o trabalho docente em São Paulo a partir da experiência e da trajetória da professora paulista Botyra Camorim, tomando seu itinerário como representativo, pois a identidade de uma classe, de uma profissão, não pode ser considerada evidente independentemente das trajetórias dos membros que a compõem. Nesse movimento, acompanhar os fios de tal itinerário particular, inserido em meadas de relações, permitiu perceber a multiplicidade das experiências docentes, a pluralidade dos contextos de referência e as tensões que configuram limites e possibilidades ao fazer cotidiano. O confronto de fontes primárias - autobiografias, romances e contos escritos por Botyra Camorim - com a legislação, textos de educadores e pesquisas evidenciou que não se deve perseguir apenas a uniformidade e a homogeneização dos professores, pois os significados atribuídos ao trabalho docente e os modos de vivenciá-lo ou executá-lo não são perenes, mas estão intimamente relacionados com as condições espaço-temporais de exercício da profissão.

Agroecologia, consumo sustentável e aprendizado coletivo no Brasil

PID: S1517-97022012000200013 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2012
Authors: Santos Chalub-Martins
O que acontece quando consumidores e produtores agroecológicos adotam uma prática econômica alternativa ao consumo convencional? O presente artigo analisa e qualifica as comunidades aprendentes existentes no âmbito desse tipo de prática econômica. O estudo de caso do grupo de consumo coletivo de produtos agroecológicos Trocas Verdes, situado em Campinas (SP), no contexto da agricultura familiar no Brasil, mostrou que as trocas econômicas são também trocas de saberes. Além disso, tais trocas constituem uma práxis em educação ambiental. As três dimensões da sustentabilidade - econômica, social e ambiental - são as categorias de análise utilizadas para determinar o potencial pedagógico existente na articulação de uma prática de consumo coletivo. A partir da metodologia da pesquisa participante, observou-se que, na venda direta de produtos agroecológicos a grupos de consumidores organizados de forma autônoma ou que funcionam em regime de autogestão, essa prática econômica também caracteriza um processo de educação ambiental crítica, pois possibilita que se apreenda coletivamente a realidade socioeconômica dos atores envolvidos. As dinâmicas socioeconômicas são objeto de aprendizado dos consumidores e pesquisadores atuantes nas compras e, assim, conclui-se que esse tipo de prática promove um aprendizado coletivo. O presente estudo confirma que um importante fator para a existência de comunidades aprendentes é a autogestão da organização social.

As universidades federais mineiras estão-se tornando mais desiguais? Análise da produção de pesquisa científica e conhecimento (2000-2008)

PID: S1517-97022012000400008 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2012
Authors: Chiarini Vieira
As instituições de ensino superior são importantes para a capacitação profissional, bem como para a geração de conhecimento científico, o que é fundamental para o avanço na fronteira de conhecimento. A liderança da UFMG e da UFV encontra respaldo em indicadores históricos que são apresentados no decorrer deste trabalho, tais como a participação de programas de mestrado e/ou doutorado, a participação de doutores permanentes, a proporção de pesquisadores registrados no Diretório do CNPq e a proporção de grupos de pesquisa registrados no Diretório do CNPq. Por essa razão, justificou-se a separação das instituições de ensino superior federais de Minas Gerais em dois grupos para efeitos de análise: um grupo classificado como relativamente mais expressivo na produção de conhecimento científico (constituído pela UFMG e pela UFV) e outro classificado como relativamente menos expressivo na produção de conhecimento científico (constituído pelas demais instituições de ensino superior federais de Minas Gerais, ou seja, CEFET/MG, UFJF, UFLA, UFOP, UFSJ, UFTM, UFU, UFVJM, UNIFAL e UNIFEI). A partir da concepção hipotética desses dois grupos, foi possível verificar a trajetória de estreitamento/afastamento entre os agentes que os compõem no que se refere a alguns indicadores básicos de produção de conhecimento: a) grupos de pesquisa por universidade; b) pesquisadores por universidade; e c) publicações por universidade. Utilizou-se o índice de desigualdade T de Theil para o período 2000-2008.

Avaliação da alfabetização: Provinha Brasil

PID: S1517-97022012000300005 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2012
Authors: Gontijo
Este texto é parte dos resultados de uma pesquisa documental mais ampla, cuja finalidade foi analisar os programas voltados para a alfabetização infantil implementados pelo Ministério da Educação a partir do ano de 2003. Busca compreender as origens do Programa de Avaliação da Alfabetização e as mudanças que ocorreram durante seu desenvolvimento; além disso, fundamentado no exame da Matriz de Referência para Avaliação da Alfabetização e do Letramento Inicial e dos documentos que compõem o kit da Provinha Brasil, visa a entender as concepções de alfabetização, de letramento inicial, de língua/linguagem e de leitura que sustentam o modelo de avaliação adotado pelo Ministério da Educação. Conclui que o programa tem origem nas definições de organismos mundiais para a década da alfabetização (2003-2012). O modelo autônomo de alfabetização ancora o Programa de Avaliação e, por isso, a ênfase é depositada no aprendizado das unidades abstratas da língua. A leitura, dimensão ligada ao letramento inicial, é compreendida como processo de decodificação e de identificação de ideias expressas de forma explícita em pequenos textos. Considerando os aspectos analisados, o artigo avalia que a concepção de língua/linguagem como estrutura sustenta a elaboração da Matriz de Referência e a construção dos itens da prova. Questiona, finalmente, de que modo a Provinha Brasil, pensada como instrumento pedagógico, poderá contribuir para a formação de leitores e escritores.

Bater não educa ninguém! Práticas educativas parentais coercitivas e suas repercussões no contexto escolar

PID: S1517-97022012000400013 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2012
Authors: Patias Siqueira Dias
O objetivo deste artigo é refletir sobre os efeitos das práticas educativas coercitivas para o desenvolvimento da criança e do adolescente, buscando compreender sua influência no comportamento e na aprendizagem em ambiente escolar. A partir da análise assistemática de estudos sobre o tema, foi possível compreender que as estratégias coercitivas que se utilizam da força física para educar estão associadas a resultados negativos no desenvolvimento humano da criança e do adolescente, como comportamentos agressivos e baixa autoestima, constituindo-se em risco ao desenvolvimento saudável. Contudo, tais práticas são compartilhadas socialmente e consideradas naturais pelas famílias, não havendo, muitas vezes, o conhecimento de outras formas de educar. Sendo a escola um importante ambiente de interação das crianças, ela tem sido chamada a engajar-se nessa temática. Assim, discutem-se formas de instrumentalizar os profissionais da educação para a identificação dos casos de uso de estratégias coercitivas e violência física na educação dos filhos, como também ações preventivas junto aos estudantes e à comunidade. Para que o propósito seja alcançado, órgãos responsáveis pela defesa dos direitos da criança e psicólogo escolar poderão atuar juntamente com a escola, auxiliando-a nesse processo. O psicólogo pode trabalhar com os pais no sentido de apresentar formas de educar que não passem pela perspectiva da violência, prevenindo, assim, danos ao desenvolvimento e comportamentos que dificultam a aprendizagem. Fomentar reflexões sobre essa problemática fará com que os valores da educação sem violência tomem espaço nas famílias, contribuindo para que as crianças tornem-se adultos saudáveis no futuro.

Categorias metacognitivas como subsídio à prática pedagógica

PID: S1517-97022012000100012 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2012
Authors: Portilho Dreher
O objetivo deste artigo é apresentar as categorias metacognitivas presentes na maneira de cada criança planejar, supervisionar e avaliar suas tarefas escolares, bem como relacioná-las à prática pedagógica. O trabalho reflete uma preocupação empírica com a metacognição, e os dados dela derivados são analisados à luz, principalmente, dos trabalhos de John Flavell (1981, 1999), Juan Mayor, Aurora Suengas e Javier Marques (1995) e Evelise Portilho (2003, 2009). A pesquisa de abordagem qualitativa consistiu na análise das respostas de 396 crianças da 1ª série do ensino fundamental de uma rede municipal de ensino do Estado do Paraná. O instrumento utilizado foi uma entrevista semiestruturada com as crianças, contendo dez perguntas metacognitivas referentes à estratégia de controle. Os resultados indicaram que as crianças em processo de alfabetização geralmente utilizam estratégias metacognitivas e planejam suas tarefas, ou seja, fixam as metas e os meios, ora de forma parcial (fragmentando a tarefa realizada), ora de forma automatizada (ordenando a tarefa). Elas também se supervisionam, detectam os erros e/ou desvios cometidos, por meio de referencial externo (na fala, ação, correção ou ordem do outro), e justificam, ou não, suas ações. Elas avaliam seus resultados e focam as facilidades e dificuldades na identificação de palavras ou letras. A aprendizagem das estratégias metacognitivas solicita que o professor não apenas disponha de tarefas adequadas, mas, principalmente, adote atitudes estratégicas em relação a seu trabalho para que os alunos aprendam com elas, pois eles não chegam às escolas preparados para aprender exatamente da mesma maneira.

Concepções de conhecimento escolar: potencialidades do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência

PID: S1517-97022012000300010 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2012
Authors: Fetzner Souza
Considerando-se as possibilidades abertas por meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), o presente artigo discute as concepções de conhecimento escolar e os desafios de um projeto de transformação da escola básica em uma instituição que assuma perspectivas interculturais em relação ao conhecimento escolar. Nesse sentido, compreende-se que ainda é um desafio, para muitas escolas de ensino fundamental, reconhecer e trabalhar com conhecimentos que sejam significativos para a população que as frequenta. Apoiado pela CAPES, no âmbito do PIBID, este trabalho apresenta os resultados iniciais de um estudo sobre as concepções de conhecimento escolar que permeiam os saberes da docência de professores de escolas públicas e de bolsistas de iniciação à docência envolvidos no projeto. O desenvolvimento da pesquisa deu-se mediante o estudo da interculturalidade e de seus desafios contemporâneos, o acompanhamento do trabalho desenvolvido nas escolas e a aplicação de questionários a estudantes bolsistas de iniciação à docência da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), que desenvolvem um projeto por meio do referido programa. Observamos, até o presente momento, que a concepção de conhecimento escolar tem oscilado entre perspectivas conservadoras e perspectivas emancipatórias, sendo estas últimas entendidas como aquelas que, compartilhando do conceito de bem viver, procuram integrar-se às necessidades das comunidades e compartilhar de princípios que envolvem a relacionalidade, a correspondência e a complementariedade, tal como salienta Catherine Walsh.

Concepções de validade em pesquisas qualitativas

PID: S1517-97022012000100015 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2012
Authors: Ollaik Ziller
Este ensaio tem como objetivo expor as distintas concepções existentes sobre validade e as várias formas de aferi-la, discutindo tais questões no âmbito da pesquisa qualitativa. Como metodologia, utilizou-se a análise comparativa. Foi possível perceber que as concepções de validade podem ser agrupadas em três grandes blocos: concepções relacionadas à fase de formulação da pesquisa (validade prévia), concepções relacionadas à fase de desenvolvimento da pesquisa (validade interna) e concepções relacionadas à fase de resultados da pesquisa (validade externa). Pôde-se notar, em cada uma das fases, a presença tanto de autores com visão conceitual quantitativa, quanto de autores de perspectiva qualitativa, embora os enfoques sejam diferenciados. As concepções de validade próximas às origens positivistas preocupam-se mais com a validade na formulação e nos resultados, enquanto as concepções de validade mais interpretativistas dão maior ênfase ao desenvolvimento da pesquisa, sem desconsiderar, porém, preocupações com a formulação e com os resultados. Conclui-se que um pesquisador qualitativo pode e deve preocupar-se com a validade nas três fases da pesquisa: formulação, desenvolvimento e resultados. A validade em pesquisas qualitativas parece, assim, ser mais ampla e pormenorizada, embora menos mensurável quantitativamente.

Contribuições da racionalidade argumentativa para a abordagem da ética na escola

PID: S1517-97022012000100008 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2012
Authors: Oliveira
Este artigo discute o trabalho com a ética na escola (ensinos fundamental e médio) a partir de uma crítica ao modelo de racionalidade demonstrativa, predominante desde o advento da modernidade. Como alternativa, apresenta outro modelo, a racionalidade argumentativa, discutida com base nas abordagens feitas por Chaïm Perelman, Lucie Olbrechts-Tyteca e Michel Meyer. Os dois primeiros autores formularam uma teoria da argumentação cujo objetivo é subsidiar os raciocínios próprios das ciências humanas e sociais, áreas do conhecimento nas quais procedimentos típicos da racionalidade demonstrativa, como a dedução e o cálculo, não se aplicam. Já Meyer salienta a natureza problematizadora da racionalidade argumentativa, situando a retórica como meio de negociar as distâncias existentes entre os indivíduos a propósito de determinadas questões. Esse quadro teórico é complementado pela filosofia do pluralismo, apontada por Perelman como contraponto às visões de mundo alicerçadas sobre concepções unitárias da verdade, denominadas monismos. Nos marcos desses referenciais, a concepção ética universalista de Immanuel Kant e o relativismo proposto pela ética da estética defendida por Michel Maffesoli são discutidos. Em um segundo tópico, a ética na educação escolar é problematizada tendo em vista a seguinte questão: como formar o caráter do aluno sem recair em algum tipo de doutrinação? Na medida em que ética e moral dizem respeito a essa questão, discutimos como os dois termos vêm sendo compreendidos e propomos tomá-los como instâncias intercambiáveis. As conclusões que apresentamos com base nessas discussões não objetivam solucionar os problemas inerentes aos hábitos e às atitudes dos discentes, mas colocam-se como contribuições para a reflexão dos docentes acerca de suas práticas pedagógicas.
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