O presente trabalho analisa a prática de castigos corporais nas escolas primárias da Corte, investigando-a como forma de disciplinar, constituir e consolidar uma determinada cultura escolar, aqui entendida como um conjunto de normas, posturas e condutas impostas aos jovens, como forma de se obter uma disciplinarização do corpo e do espírito. A Palmatória, foi um objeto que assim como o livro, o quadro, a pena, marcou sua presença na escola e no imaginário da sociedade sobre a escola. Ao ponto de serem retratadas na literatura da época. Analiso fontes que demonstram os rumos da discussão acerca dos castigos corporais, os limites da autoridade do professor e a intervenção da sociedade nesse debate.
O presente texto propõe-se a apresentar os modos pelos quais a noção de público é produtiva para compreender as tecnologias de poder produzidas nas interfaces entre a educação e a comunicação no capitalismo contemporâneo. Tal conceito, produzido a partir de Gabriel Tarde, potencializa o entendimento de que os múltiplos materiais midiáticos que circulam em nosso tempo produzem uma sofisticação das tecnologias de poder. Examina-se, enfim, a gestão das mentes dos sujeitos universitários como uma tecnologia de poder característica do neoliberalismo contemporâneo, tal gerenciamento não apenas encaminha modos flexíveis de relacionar-se com o conhecimento, como também posiciona os sujeitos analisados em uma intensa rede de conexões permanentes.
Como pensar as formas pelas quais se estabelecem as relações de amizade na contemporaneidade? Como contribuir para avançar o pensamento sobre a temática, dada a importância da amizade como espaço político e social? Com o objetivo de debater tais questões, foram organizados doze encontros com 122 alunos de 7ª e 8ª séries de uma escola de ensino público da região sul. A pesquisa toma como base teórica a hermenêutica de Michel Foucault, bem como seus estudos sobre ética e estética. Os resultados da pesquisa destacam a força do discurso familiar e a contribuição das dinâmicas de gênero no laço de amizade jovem. A Internet provou ser de suma importância, trazendo ao nosso estudo dados consistentes para investigar como se configuram as relações de amizade na atualidade.
Este texto tenta evocar os elementos éticos do ato de cuidar a partir de uma visão antropológica inspiradora, bem como de uma visão renovada do ser humano, tal como é representada em suas experiências pessoal e profissional. Apresentamos uma pesquisa do tipo biográfico e de inspiração fenomenológica, cuja prática permite a harmonização pedagógica entre o soma e a psique. Assim, é nosso desejo responder à seguinte questão: é possível respeitar as necessidades ontológicas e espirituais do ser humano em práticas nas quais o corpo é reverenciado à altura do mistério de sua existência encarnada?
Este artigo tenta discutir os múltiplos contextos vividos pelos estudantes de uma escola pública da periferia de Vitória - Espírito Santo. A realização da pesquisa se deu por meio de conversas e de instrumentos a partir dos quais os estudantes puderam soltar suas redes de sentidos sobre os diferentes contextos da vida e da escola. As questões levantadas pelos estudantes nos dão pistas para pensarmos a escola pública em sua dimensão curricular e política, associando vida e conhecimento. Outras questões nos movem nesta pesquisa e nos indagam sobre as formas como a escola lida com a diversidade de expectativas, principalmente esta: qual a potência da escola na vida de nossos estudantes?
Trabalhando no contexto do arco-íris sociocultural da sala de aula. Neste trabalho começa-se por discutir algumas questões epistemológicas e metodológicas que, sobretudo em contextos multiculturais, é necessário ter em consideração em processos educativos que pretendem ser significantes para os diferentes alunos. Defende-se que, em contextos de diversidade sócio-cultural, e se se pretende que as aprendizagens sejam relevantes para os alunos, o professor, para além de ser um tradutor de saberes produzidos por outros, terá de se assumir também como investigador, como produtor de conhecimento, que diversifica o processo de ensino-aprendizagem através de dispositivos de diferenciação pedagógica. Neste texto aprofundam-se e cruzam-se contributos anteriores decorrentes de trabalhos elaborados sobretudo em colaboração com Stephen R. Stoer.
A pesquisa objetivou analisar o significado sociocultural dos brinquedos artesanais vendidos em feiras livres. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo descritiva, de campo. Os Sujeitos participantes foram vendedores de brinquedos artesanais das feiras livres das cidades de Campina Grande e João Pessoa, principais no Estado da Paraíba. Utilizou-se da entrevista semiestruturada e da observação direta com registro em diário de campo. Concluiu-se que os brinquedos artesanais apresentam importantes significados para os feirantes vendedores desses objetos, principalmente no que se refere ao período de infância vivida, ao significado intergeracional somado à história cultural do brinquedo e à realidade educacional dos Sujeitos.
A intensidade das mudanças sociais em curso colocou em xeque o legado da modernidade. As verdades elaboradas pela ciência moderna têm sofrido fortes abalos. Até mesmo o modo de produzir conhecimentos é questionado nos tempos atuais. Dentre as alternativas emergentes, encontra-se a bricolagem. Os bricoleurs apelam para uma variedade de métodos, instrumentos e referenciais teóricos que lhes possibilitem acessar e tecer as interpretações de diferentes origens. Impulsionados pelos Estudos Culturais, denunciam as relações de poder que influenciam os discursos científicos postos em circulação. O presente artigo discute os pressupostos e procedimentos metodológicos e oferece um exemplo de uma pesquisa educacional inspirada na bricolagem.
A emergência de novas formas de trabalho, associada ao aumento da expectativa de vida da população, conecta-se com a perspectiva de alteração na formação educacional. Dentre outras características, a educação deixa de centrar-se nas fases precoces da vida para ser algo necessário ao longo da vida. Nessa transformação, o entendimento entre os atores sociais é condição necessária para a maior eficiência alocativa dos meios de produção. Da mesma forma, apresenta-se a possibilidade de compartilhamento dos novos ganhos de produtividade com patamar de civilidade superior ao do século 20. Formas de produção e de organização do trabalho sustentáveis requerem uma base recorrente de educação e formação profissional.
Este artigo tem por objetivo principal analisar o papel que a dinâmica demográfica poderá exercer sobre a educação da população brasileira nas próximas décadas, com enfoque nas suas tendências e nas oportunidades que dela decorrem. Para atingir este objetivo, comenta-se brevemente alguns aspectos da transição demográfica e aquilo que alguns estudiosos denominam janela de oportunidades. Em seguida, discute-se a evolução da estrutura etária brasileira, a partir da razão de dependência e suas perspectivas, enfatizando o processo de envelhecimento populacional. Posteriormente, aborda-se a evolução das matrículas e do sistema de educação no Brasil, para então discutir algumas perspectivas de desenvolvimento, tendo em vista a escolaridade.
O presente artigo tem o objetivo de argumentar que, em momento de reforma educacional, é necessário levar-se em conta os resultados de pesquisas sobre desenvolvimento cognitivo e aprendizagem dos alunos. Esta discussão é importante devido ao fato de que a estrutura e organização da escola pública atual não reflete o que nós sabemos dos processos de como a criança aprende. Os profissionais e responsáveis por implementar e organizar a escola pública não levam em consideração tais pesquisas priorizando, assim, o aspecto pedagógico em detrimento do aspecto cognitivo do sujeito. Esta separação é prejudicial à qualidade da educação pretendida. E escola está separada da vida.
Apresenta-se neste artigo o resultado de uma pesquisa sobre disposições para a ação de professores das primeiras séries do ensino fundamental que compõem suas práticas pedagógicas e se constituem em valores em estado prático. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas com dez professoras da rede pública estadual de São Paulo, e analisados a partir dos conceitos de espaço social e campo social formulados por Pierre Bourdieu. Foi possível evidenciar que as práticas de disciplinarização e moralização dos alunos, centrais na atuação docente nesse âmbito do ensino, relacionam-se com aprendizagens referidas à origem e pertença social dos professores, e também às condições objetivas em que atuam.
Este artigo propõe a discussão sobre o uso da violência como um modo de representação de si no social, utilizado pelos jovens da atualidade. Partindo de algumas produções culturais, busca problematizar as condições sociais com as quais os jovens se encontram no laço social atual. Parte-se da noção de que a urgência em encontrar modos de se fazer representar no social, típica da adolescência, somada ao empobrecimento das condições de construção da experiência e do esvaziamento do espaço público como espaço legítimo de representação do sujeito, acabou por incrementar a dimensão das escritas violentas na adolescência e juventude de nosso tempo.
PID: S0102-46982012000100019 |
Journal: Educação em Revista (0102-4698) |
Year: 2012
Authors: Rodrigues Farias
Este artigo discute como a virtualização do real, promovida pela atual indústria cultural, vem conduzindo ao enfraquecimento da capacidade das pessoas de prestarem atenção na leitura de textos. O trabalho argumenta que a paixão pelo real produz, como um de seus resíduos, a dificuldade das pessoas em se deterem perante algo, ao mesmo tempo em que torna a desatenção um índice da angústia do particular, que não encontra formas de expressão. A primeira parte aborda as reflexões adornianas sobre o pseudorrealismo; a segunda retoma as explicações freudianas sobre o sistema perceptivoconsciente e a abordagem de Zuin acerca delas; a terceira parte discute as análises de Zizek sobre o efeito espetacular do Real; e a quarta parte, além da abordagem de Türcke sobre o processo da leitura, reflete os ecos da universalização da irrealidade sobre a desatenção na leitura de textos.
PID: S0102-46982012000200009 |
Journal: Educação em Revista (0102-4698) |
Year: 2012
Authors: Schneider Ferreira Neto Alvarenga
A pesquisa busca compreender os debates sobre a escolarização e sua obrigatoriedade na Província do Espírito Santo, entre os anos de 1870 e 1880. Estuda as disputas em relação à implantação de uma forma escolar que se colocava como lugar privilegiado para a formação das futuras gerações, obrigadas a frequentar esse novo espaço de socialização. Os debates indicam que, entre os anos de 1870 e 1880, a escola primária era percebida como o local em que se produziria o homem industrioso, capaz de movimentar a economia e com capacidade inventiva, virtuoso e patriótico para defender a Nação de inimigos internos e externos. Nesse sentido, a confiança no poder da educação também é uma confiança no poder da ciência, no caso, da ciência pedagógica e de seus métodos renovadores da didática de ensino. As disputas permitem perceber representações que faziam parte de um movimento político que reivindicava a obrigatoriedade e a gratuidade do ensino como obrigação do Estado, que busca na escolarização meios para controlar a formação dos professores, com a criação de instituições voltadas para a habilitação para a docência e o investimento em escolas para a infância, com vistas a uma formação modelar do futuro cidadão do Império.
Este artigo buscou investigar as contribuições da escrita de diários para estudantes de um curso de Pedagogia que já haviam cursado as disciplinas de estágio supervisionado para a docência, em que uma das atividades se referia à elaboração de diários de campo. Os dados foram coletados por meio de questionários com perguntas abertas. A análise dos dados evidenciou que os alunos registravam os acontecimentos no diário logo após o estágio e realizavam uma descrição detalhada deles. Para a maioria dos estudantes a escrita dos diários possibilitou a reflexão sobre a prática observada e sobre a sua própria prática, configurou-se como um apoio à memória e possibilitou o distanciamento das experiências vividas, permitindo a análise mais densa destas. Além disso, evidenciou-se a importância de o formador oferecer feedbacks, orais ou escritos, e de a reflexão sobre os acontecimentos ser pautada no referencial teórico.
PID: S0102-46982012000100005 |
Journal: Educação em Revista (0102-4698) |
Year: 2012
Authors: Fonseca
A interiorização em análise neste texto refere-se a uma região e sua cidade expoente, Ribeirão Preto, que, entre o final do século XIX e o início do XX, se recriou devido à cafeicultura, à ferrovia, ao trabalho assalariado, à imigração e ao aumento demográfico, motivador de sua urbanização. Devido a esses processos, a cidade experimentou diversos problemas sociais, entre os quais o abandono de crianças. Para resolver o abandono de crianças, assim como prover os cuidados médicos e higiênicos com a infância e lidar com a delinquência infanto-juvenil, os modelos institucionais adotados na cidade imitaram ou incorporam elementos das práticas assistenciais vigentes no início da Primeira República, sobretudo daquelas estabelecidas na capital paulista. Assim, o propósito deste artigo é demonstrar que o Asilo Anália Franco, o Instituto de Proteção e Assistência à Infância e o Patronato "Diogo Feijó" são exemplos do processo de interiorização da assistência à infância em Ribeirão Preto.
PID: S0102-46982012000300011 |
Journal: Educação em Revista (0102-4698) |
Year: 2012
Authors: Rocha
A lei Rivadávia é uma lei educacional emblemática. A historiografia educacional brasileira costuma tratá-la ou como excrescência de curta duração, pois somente prevaleceu até 1915, ou ainda como legítima expressão de um Estado republicano liberal tout court, sem necessidade de novas indagações, já que a natureza do Estado está dada. No entanto, ela é culminância de um processo histórico que tem o seu início de formulação na penúltima década do Império. Ali começa a se cogitar do "livre ensino" que, entre nós, assumiu o caráter de livre oferta de ensino. Pode-se dizer que a lei Rivadávia é a última expressão de uma "visão de mundo" que veio se estruturando naquelas duas décadas finais do Império. Ora, a prevalência de tal entendimento na República é justamente o registro de um entrave na constituição do moderno direito à educação, pois este requer um Estado propositor e garantidor. Assim, a lei Rivadávia é a expressão, entre as regulamentações de ensino, de um paradoxo: ela exacerba um liberalismo do "livre ensino" que justamente dificulta o surgimento histórico do direito social à educação em sentido moderno.
PID: S0102-46982012000100008 |
Journal: Educação em Revista (0102-4698) |
Year: 2012
Authors: Sawaya
O artigo traz dados de uma investigação cujo objetivo foi contribuir para a compreensão das formas por meio das quais a Psicologia vem sendo apropriada pelos projetos de formação de professores em serviço. Mediante o exame do projeto de formação do município de São Paulo, o "Programa Ler e Escrever, Prioridade na escola. Projeto Toda Força ao 1º Ano", analisam-se as concepções psicológicas em suas formas de conceber as crianças, a aprendizagem e o projeto de sua iniciação na cultura escrita. A partir das reconceitualizações sobre a aprendizagem, em que esta é considerada uma decorrência da natureza construtiva da mente infantil, é pertinente perguntar em que medida essas ideias rompem com aquelas anteriores, pertencentes ao assim chamado "ensino tradicional". Para responder a essas perguntas, recorreu-se a algumas das contribuições da história da leitura.
PID: S0102-46982012000400011 |
Journal: Educação em Revista (0102-4698) |
Year: 2012
Authors: Castro
Neste artigo apresentamos resultados obtidos com parte das atividades de pesquisa desenvolvidas em estágio pós-doutoral sobre a pós-graduação stricto sensu e a pesquisa educacional no Brasil. Para tanto, foi possível reunir uma vasta quantidade de estudos publicados, sobretudo no formato de artigo, em periódicos considerados de relevância para a área da educação. Nesses artigos, a opção foi pinçarmos alguns aspectos que julgamos capazes de proporcionar uma leitura sobre a pós-graduação em educação no Brasil, à luz dos estudos realizados na área. Em considerações finais, destacamos, entre outros identificados nos estudos selecionados, aspectos que lembram aos integrantes das comissões que normatizam e avaliam o trabalho e a produção acadêmico-científico nos programas de pós-graduação em educação no Brasil de que ela é parte integrante de um projeto educacional geral do país e que, portanto, possui papel sócio-educativo de formação do pesquisador, do professor do ensino superior e de produção de conhecimento capaz de propor novas perspectivas para a nossa universidade e para os problemas educacionais brasileiros.