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Prometeu acorrentado: uma proposta esquiliana de formação para o homem clássico

PID: S2177-62102011000200003 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2011
Authors: Souza Melo
O artigo tem por objetivo propor uma reflexão sobre como se deu o processo educativo do cidadão grego no período clássico, ampliando o conhecimento histórico-educativo e, a partir disso, promovendo uma análise, para a Educação, na contemporaneidade. A reflexão está orientada, inicialmente, pela discussão da tragédia grega, entendida como uma arte da cidade, utilizada pelos setores dominantes da cidade- Estado como um instrumento de grande força didática para formar e educar o homem-cidadão. Evidencia-se o papel fundamental do poeta trágico nesse processo educativo, pela habilidade técnica em desenvolver sua arte, utilizando-se do seu caráter didático e se analisa a força educativa da obra de Ésquilo, um dos poetas trágicos do período Clássico, cuja obra serviu como instrumento formativo. Em especial, mostra-se como o conflito social daquele contexto foi ilustrado na peça Prometeu acorrentado, e o modo com que o poeta representou suas personagens de maneira a tornar o mito de Prometeu pano de fundo para dar visibilidade ao processo de formação de um novo homem, que exigia uma sociedade democrática.

Práticas de escolarização: história e memória do ensino rural na região nordeste do Rio Grande do Sul (1910-1940)

PID: S2177-62102011000300005 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2011
Authors: Grazziotin
O presente trabalho discute práticas diferenciadas da educação rural em duas regiões no nordeste do Rio Grande do Sul: a Região Colonial Italiana (RCI) e a Região dos Campos de Cima da Serra (RCCS), ambas localizadas no nordeste do Estado, mas que, no mesmo período, apresentaram diferenças marcantes em suas práticas de ensino. Com o objetivo de reconstruir um fragmento da História da Educação Rural no Rio Grande do Sul entre as décadas de 1910 a 1940, a pesquisa utiliza a História Oral como metodologia e de dois acervos de memória, onde os depoimentos de diferentes sujeitos, alunos e professores da zona rural, narram estratégias adotadas no meio rural para dar conta dos processos de escolarização. Quando se comparam as duas regiões, na RCCS as práticas observadas, durante a pesquisa, dizem respeito, em grande medida, à forma de escolarização que se denominou “Aulas com professores em casa”. No caso da RCI, mesmo sendo o ensino público precário e deficiente, é através da implantação das chamadas escolas comunitárias que a escolarização acontece.

Quando o educador quer saber o que é aprendizagem: um olhar sobre a tarefa da escola

PID: S2177-62102011000300004 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2011
Authors: Tognetta Oliveira Kikuchi
O artigo apresenta resultados de um estudo empírico, de caráter descritivo, que teve como objetivo investigar o julgamento de alunos sobre o significado de “aprendizagem” e as condições necessárias para que se possa aprender no ambiente escolar. Tem como apoio teórico obras de autores que se debruçaram sobre o fenômeno da aprendizagem - especialmente Jean Piaget e aqueles que o seguiram no tema da “construção” do conhecimento. A partir dos resultados obtidos em pontuais investigações realizadas com alunos da rede pública e particular de ensino da região metropolitana de Campinas, discute-se as seguintes questões: do que depende a aprendizagem? Quando o aluno aprende? Quando o aluno não aprende? Como resultado das discussões teóricas e das interlocuções junto à realidade escolar, foi possível reconhecer a contribuição significativamente positiva que a criação de um ambiente cooperativo pode trazer para o processo de aprendizagem. Tais discussões ainda puderam ressaltar a importância de que o educador seja capaz de ouvir a voz do estudante para que o processo de ensino-aprendizagem lhes seja significativo.

Quem está olhando as crianças na escola?

PID: S2177-62102011000300003 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2011
Authors: Bergmann
O artigo apresenta resultados de uma pesquisa que teve como foco o tema da vigilância como forma de controle de sujeitos sociais. Com base em material empírico composto por trechos transcritos de entrevistas informais realizadas com pais, professoras e diretoras de escolas da rede particular de ensino de educação infantil de Porto Alegre (RS), o estudo analisou as diferentes opiniões de atores sociais envolvidos na discussão desse procedimento: o controle sobre a individualidade de cada um. O suporte teórico da pesquisa encontra-se principalmente nos estudos de Zygmunt Bauman e Manuel Castells, assim como nas contribuições de Jurandir Freire Costa sobre ética e valores. Seu objetivo geral consistiu em compreender o avanço das mudanças tecnológicas no atual cenário de múltiplos desordenamentos em nossa sociedade neste início de século, o qual abre espaço para que se recorra à utilização desse tipo de sensor nas escolas, particularmente naquelas direcionadas ao público infantil. O estudo mostrou que o referido procedimento é fonte de grandes controvérsias.

Reprodução social e resistência política na escola capitalista: um retorno às teorias reprodutivistas

PID: S2177-62102011000200006 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2011
Authors: Vares
O presente artigo tem por escopo discutir o conceito de reprodução social e cultural via escolarização, analisando suas reais potencialidades e contribuições para a construção de um discurso de resistência em educação. Almeja-se, a partir de um método comparativo, verificar a existência de conexões entre os paradigmas da reprodução e da resistência. Para isso, são apresentadas as principais características de ambos os conjuntos teóricos, algumas vezes confrontando-os, com o intuito de encontrar elementos teóricos comuns.

Singularidade na atividade de trabalho e na relação com o saber: desafios para a educação do trabalhador

PID: S2177-62102011000200012 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2011
Authors: Souza
O trabalho teve como objetivo analisar e compreender a singularidade do trabalhador em atividade de trabalho. A coleta de dados foi realizada em uma indústria do segmento automotivo, junto a trabalhadores que ocupam o cargo de montador de produção. O referencial teórico foi sustentado por dois pilares: por Yves Schwartz e Bernard Charlot. A partir do aporte teórico, juntamente com os dados coletados, foi possível compreender que o trabalho representa um objeto duplo para os trabalhadores. Por um lado, há o objetivo de atender às necessidades de independência financeira e de estar inserido socialmente. Por outro, o trabalho atendeu estes trabalhadores como objeto de desejo. Nas situações de trabalho, foi possível identificá-los investindo emocionalmente, se movimentando, se mobilizando para atender além do que havia sido prescrito pela empresa. Pode-se inferir que tal mobilização tenha ocorrido a partir da relação que constituíram com seus familiares, e com a sociedade, como também pela noção de classe: ser metalúrgico. Ao se colocar uma lupa na singularidade do trabalhador, emerge um grande desafio que é considerar as consequências para a formação do trabalhador da singularidade presente na sua atividade de trabalho e na sua relação com o saber.

Tempos e infâncias entrelaçados no cotidiano escolar

PID: S2177-62102011000300002 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2011
Authors: Oliveira Marques
O artigo discute o olhar sobre o tempo de crianças de uma escola de educação infantil em tempo integral. Do ponto de vista teórico, apoia-se em reflexões sobre o tempo apresentadas por Bergson, Kohan, Prigogine e Stengers; sobre as infâncias, por Kohan e Larrosa; sobre o tempo escolar, por Barbosa e Sanches; e sobre a discussão de Gallo e Lins a respeito de outras possibilidades de experenciar os tempos na escola. A parte empírica da pesquisa foi realizada mediante um diálogo com as crianças, tendo por base a história do livro Armando e o tempo, de Mônica Guttmann, a partir da qual fizeram um desenho. Os indícios nos/dos desenhos foram discutidos, tendo como referência o Paradigma Indiciário de Carlo Ginzburg, na intenção de decifrá-los e compreendê-los através das pistas, observando seus significados. Ao decifrar tais pistas, o estudo mostrou que os dois tempos - cronológico e aiónico - estavam presentes em seus cotidianos: o tempo cronológico representado pelo relógio, e o aiónico pela imaginação. Essa constatação possibilita que se pense nas/com as escolas outras infâncias e outros tempos, para além da cronologia, que abranjam a dimensão da experiência do tempo Aión, que expressa a intensidade do tempo da vida humana.

Um pensador do Brasil na primeira república: uma análise das interfaces entre Estado, raça e educação em Oliveira Vianna

PID: S2177-62102011000200004 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2011
Authors: Costa
O objetivo deste ensaio é argumentar em torno da importância que, nos dias de hoje, é atribuída à “redescoberta” do nacional no pensamento social contemporâneo. Esse processo de atribuição de importância ao nacional tem ocorrido em esfera mundial e tem afetado a produção local. Na esteira desse processo de busca de “auto entendimento” é possível identificar como “alvo” autores relevantes em sua época, marginalizados a posteriori e hoje centrais para entender o processo de construção do nacional e do papel da educação nessa configuração. Na esfera local, um dos principais intelectuais é Oliveira Vianna. A orientação central do artigo é compreender a natureza de alguns dos elementos constituintes da compreensão do nacional e da educação nesse autor, que, por vezes, é associado ao pensamento autoritário brasileiro. A partir de categorias analíticas por ele introduzidas, “clã” e “insolidarismo”, argumenta-se em torno da contemporaneidade de sua crítica ao Estado e o papel derivado daí relativo à educação.

Um “novo humanismo” na educação: significados e implicações

PID: S2177-62102011000200005 | Journal: Educação UNISINOS (2177-6210) | Year: 2011
Authors: Rodrigues
O artigo desenvolve uma reflexão sobre as características e referenciais do “novo humanismo” anunciado como imperativo para o modelo de educação a desenvolver-se no século XXI. Discute o sentido, as apropriações e ressignificações do humanismo no bojo de influentes publicações internacionais na área da Educação, vinculadas especialmente à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Conclui que o apelo ao “novo humanismo” vincula-se a dois elementos convergentes, à necessidade de reelaboração dos sistemas educativos e à construção de um “novo homem”, tomados como estratégias de enfrentamento às ameaças de “desequilíbrio do corpo social” e adaptação a um destino histórico decretado como inexorável.

A CONCEPÇÃO CARTESIANA DE SUJEITO: A ALMA E O ANIMAL RACIONAL

PID: S1982-596x2011000300135 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Forlin
RESUMO A concepção cartesiana de subjetividade é frequentemente mal compreendida. Passados quatros séculos, e depois de milhares de estudos feitos sobre a filosofia de Descartes, ainda se faz uma imagem significativamente distorcida do sujeito cartesiano. Segundo meu ponto de vista, a concepção cartesiana de sujeito é alvo de quatro grandes equívocos de interpretação: o primeiro é que Descartes seria o inventor da distinção real entre a natureza do espírito e da matéria. O segundo é que ele teria feito isso orientando-se por uma intenção primordialmente espiritualista, de ranço teológico e mesmo cristão, de quem pretendia mostrar que a mente ou consciência - sendo de natureza puramente imaterial, feita à imagem e semelhança de Deus - consistia numa realidade mais nobre e elevada que a realidade corpórea. O terceiro é de que a vontade, ou livre arbítrio, seria mesmo a faculdade essencial da alma. Por fim, o quarto é de que a concepção cartesiana de alma ou espírito consiste fundamentalmente na concepção cartesiana de homem ou animal racional . Ora, pretendo mostrar, ao longo de minha exposição sobre a concepção cartesiana de subjetividade, que essas quatro crenças ou opiniões são falsas e, em alguns aspectos, até mesmo contrárias às intenções de Descartes, de modo que são incompatíveis com a concepção cartesiana de sujeito.

A FILOSOFIA PRIMEIRA DE DESCARTES SEGUNDO MICHEL HENRY

PID: S1982-596x2011000300081 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Starzynski
RESUMO O pensamento de Michel Henry impõe-se como único na corrente das interpretações fenomenológicas de Descartes. De fato, parece que nenhum dos fenomenólogos forneceu uma leitura tão completa dos textos de Descartes, indo muito além da tradição clássica dos fenomenólogos cuja análise cartesiana resume-se muitas vezes a um comentário bastante sumário e técnico das duas primeiras Meditações. Além disso, Henry, de uma maneira compatível com a tradição husserliana, busca apreender primeiro o pensamento próprio a Descartes, e depois tenta construir uma egologia fenomenológica que corresponde e ao mesmo tempo modifica aquela do autor das Meditationes. Vale observar que o reconhecimento de Descartes como autoridade fenomenológica tem seus limites e, de maneira próxima a Husserl, o autor de Essência da manifestação esboça um cenário segundo o qual o pai da modernidade afasta-se pouco a pouco da sua descoberta original. Em nosso trabalho, vamos tentar reconstruir a especificidade do cartesianismo henryano, nos concentrando na interpretação positiva da dúvida, do cogito; em seguida, colocaremos a questão das vias cartesianas pelas quais se poderia avançar as aquisições iniciais.

A PROVA DA EXISTÊNCIA DA MULTIPLICIDADE DE CORPOS NA SEXTA MEDITAÇÃO

PID: S1982-596x2011000300181 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Battisti
RESUMO Este artigo analisa a prova da existência dos corpos apresentada por Descartes na Sexta Meditação e defende a tese de que - se bem sucedida em outros aspectos nele não examinados - ela necessariamente prova a existência de uma multiplicidade de entidades materiais. Este texto nos convoca, portanto, a interpretar literalmente a conclusão da prova, quando ela afirma que “coisas corporais existem” (no plural). O argumento central pode ser assim sintetizado: 1) se há ideias sensíveis distintas é porque a mente se submete a coações distintas, em razão dos modos distintos pelos quais o poder causal é exercido; 2) embora tais modos distintos de exercício causal não requeiram múltiplas causas, a natureza formal da causa o exige: a individuação de cada ideia-efeito requer a individuação de cada entidade-causa.

A apropriação de Aristóteles por John Dewey

PID: S1982-596x2011000100003 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Araújo Cunha
Este artigo analisa as relações entre as filosofias de John Dewey e Aristóteles, tomando como objeto de estudo o livro Logic: the theory of inquiry. Nesse livro, publicado em 1938, Dewey conclui suas reflexões sobre a teoria lógica apresentadas principalmente em Como pensamos, obra que mostra a relevância desse tema para a educação. A primeira parte do artigo é composta por um breve histórico da lógica, desde Aristóteles até o início do século XX; as duas partes seguintes apresentam o argumento do autor acerca da lógica aristotélica; a quarta parte expõe a teoria proposta por Dewey e as duas últimas seções analisam como Dewey vê Aristóteles, considerando a via interpretativa oriunda da escolástica e o movimento contemporâneo de revisão das ideias aristotélicas. No intuito de oferecer contribuições para futuros estudos, o trabalho também discute a apropriação de Aristóteles por Dewey e sugere algumas hipóteses sobre esse tema.

A educatio latina na obra de clementia de Sêneca

PID: S1982-596x2011000100005 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Coelho Pereira
O presente texto tem como preocupação discutir a concepção de clemência que Sêneca desenvolve no Tratado sobre a clemência. A obra foi destinada a Nero com a finalidade de orientá-lo a utilizar essa virtude em seu exercício de poder. Por meio da prudência política que dela derivaria, o Imperador seria capaz de harmonizar suas ações com a sociedade romana. As reflexões realizadas ao longo do trabalho levam à compreensão de que a clemência, em Sêneca, seria um modelo de sabedoria a ser aplicado pelo príncipe em suas ações políticas. Assumindo esse princípio fundamental de um bom governo e tornando-o um exemplo moral e ético, ele disseminaria essa prática por todos, selando a lealdade do povo para com seu governante. Ao mesmo tempo, de maneira velada, Sêneca procurava desviar Nero de uma tendência tirânica, cujos indícios já estariam se manifestando.

A educação escolar na produção discursiva da Revista Veja

PID: S1982-596x2011000100004 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Guimarães
O presente trabalho analisa o modo como o jornalismo constrói e põe em circulação toda uma discursividade sobre a importância e o papel da escola no atual contexto. Analisamos, de modo particular, a produção da Revista Veja, um das publicações mais representativas da imprensa escrita brasileira em termos de circulação, tiragem e influência na agenda de debate público nacional. Adotamos a análise do discurso como proposta teórica e metodológica para a leitura e interpretação dos textos. Com base nessa perspectiva, buscamos, na materialidade textual, apreender os modos de funcionamento, os consensos produzidos, as repetições e também a emergência da multiplicidade de sentidos que o jornalístico produz sobre o papel, as perspectivas e os desafios da educação escolar em nosso país.

A epistemologia charroniana de Descartes

PID: S1982-596x2011000100006 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Nunes Sobrinho
Na sua obra magistral De La Sagesse, Pierre Charron sistematiza uma epistemologia cética, que configura o pano de fundo e o alvo central do ceticismo moderno: o critério de evidência. A epistemologia charroniana desenvolve os conceitos basilares que serão empregados nas Regras para a direção do espírito e incorporados no Discurso do método como elementos cruciais para o formulação do cogito cartesiano. O escopo deste trabalho é explicitar a conexão das concepções capitais que compõem as Regras para a direção do Espírito com a epistemologia cética sitematizada no De La Sagesse e realçar os vínculos que permitem a inferência de que o critério cartesiano de evidência é, fundamentalmente, um conceito charroniano.

A estrutura da lógica segundo Tomás de Aquino

PID: S1982-596x2011000200004 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Ferreira
Neste artigo fazemos uma apresentação em pormenor do prólogo do comentário de Tomás de Aquino aos Segundos Analíticos de Aristóteles, a Expositio libri Posteriorum. Neste prólogo, isto é, uma introdução à exposição de tipo literal que Tomás empreenderá em seguida, o autor situa a obra Segundos Analíticos na estrutura da lógica. Ao fazer isso, ele apresenta, de um modo que em nenhuma outra obra ele expressou com igual clareza, sua própria concepção da lógica em geral, o modo como esta disciplina se caracteriza ora como arte ora como ciência e como ela se relaciona aos processos do espírito humano, do intelecto e da razão e como essa estrutura corresponde ao conjunto das obras lógicas de Aristóteles.

A experiência da dança no Projeto Aplysia: uma descrição baseada em diferentes olhares

PID: S1982-596x2011000100013 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Figueiredo
Neste artigo apresentarei algumas reflexões obtidas na intersecção entre as experiências de cinco adolescentes dançarinas do Projeto Aplysia e as minhas vivências no papel de pesquisadora, professora e coordenadora. Com o suporte teórico de alguns autores, principalmente de Merleau-Ponty, o corpo foi concebido como algo constituído de maneira processual em sua relação com o mundo e o outrem. Partiu-se da ideia de que percebemos o corpo do outro imbricado ao nosso ao expormo-nos ao seu olhar, levandonos a reconstruir o nosso próprio olhar sobre o nosso ser. A dança aparece como uma possibilidade de recriação das experiências vividas no corpo, através do contato com o outro, o que reconstitui o olhar sobre si.

A inter-relação estrutural entre alguns livros da metafísica

PID: S1982-596x2011000200006 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Rodrigues
O objetivo deste artigo é apresentar uma interpretação dos livros G, ZHQ e L da Metafísica de Aristóteles, mostrando que eles podem ser lidos formando um todo argumentativo conectado. Os demais livros da Metafísica serão aqui desconsiderados, pois não se adéquam à interpretação proposta. O texto começa mostrando que é plausível concentrar-se em alguns livros dessa obra de Aristóteles e deixar outros de lado. Para fazê-lo, recorre-se a alguns scholars de Aristóteles, começando por C. A. Brandis. Em seguida, o artigo desenvolve uma interpretação do livro G, afirmando que o modelo de ciência aí apresentado requer uma análise do conceito de substância. Dado que há diferentes tipos de substâncias, distinguidos nos capítulos 1 e 6 do livro L, o artigo dedica-se a esse livro e mantém que essa distinção é necessária a fim de se dar uma resposta apropriada à questão da substância. Os livros ZHQ, por sua vez, fornecem uma análise detalhada de um dos conceitos de substância distinguidos em L. Essa leitura dos cinco livros mencionados mostra, assim, que eles podem ser lidos como formando uma unidade.

A neurociência afetiva como orientação filosófica: por uma ressignificação neurofilosófica do papel das emoções na estruturação do comportamento

PID: S1982-596x2011000100009 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Almada
Minha intenção, neste artigo, é a de discutir a significação das emoções na estruturação dos raciocínios morais e nos processos de decision-making. Para tanto, proponho estabelecer um delineamento filosófico-científico da contemporânea discussão acerca das relações de interação e integração entre processos perceptivo/cognitivos e processos afetivos/emocionais. Visando a realizar essa tarefa, tomo por orientação geral a proposta da Neurociência Afetiva de Jaak Panksepp, que propõe, a partir de um modelo neurofilosófico, situar o papel das emoções básicas no comportamento. A partir do apoio no background conceitual da Neurociência Afetiva, pretendo estabelecer as possíveis relações entre estados mentais, estados neurais e comportamento, com o fim de delinear e propor uma solução para as dificuldades conceituais, filosóficas e científicas que inerem à relação entre habilidades neurobiológicas e experiências subjetivas. Por fim, proponho apresentar, no âmbito das ciências cognitivas, a vantagem do emergentismo em relação às teorias da identidade e às teorias reducionistas.
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