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O Filebo de Platão e as doutrinas não escritas

PID: S1982-596x2011000100007 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Perine
Na controvérsia da relação entre os diálogos platônicos e as doutrinas não escritas, o Filebo ocupa um lugar privilegiado. O artigo quer mostrar que a recusa de dar uma definição do Bem e alguns aspectos da doutrina dos quatro gêneros são indícios que podem ser remetidos ao ensinamento oral de Platão.

O MEMORÁVEL ERRO DE DESCARTES SEGUNDO LEIBNIZ: A QUESTÃO DA FORÇA VIVA

PID: S1982-596x2011000300267 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Medeiros
RESUMO Em seus escritos de maturidade, Leibniz elabora uma série de objeções à noção cartesiana de extensão como a essência dos corpos. Em particular, esta noção é considerada incompatível com o próprio princípio cartesiano de conservação do movimento e mesmo a adição da noção de massa à extensão não é suficiente para dar conta das ações mecânicas. Para tanto, é necessário conceber a força ou ação motriz como uma realidade dinâmica e distinta, e acrescentar à teoria do movimento o princípio metafísico da equivalência entre a causa plena e o efeito inteiro. O erro de Descartes foi avaliar a força pela quantidade de movimento. Pois embora a estimativa da quantidade de movimento por mv (uma composição da quantidade de extensão m com a medida do movimento v) reflita a concepção cartesiana de corpo, ela, no entanto, não é conservada. O que é conservado é a força, estimada a partir da quantidade do efeito que ela é capaz de produzir, como altura a que um corpo pode elevar-se. Disso se segue que mv² é a quantidade que mede a força e, portanto, o que é conservado no movimento. O erro de Descartes tem implicações que vão além da mecânica e repercutem na própria metafísica, tornando inválido, num caso típico, a resposta cartesiana para a relação corpo e alma.

O SENTIDO DA COGITATIO EM A BUSCA DA VERDADE DE DESCARTES

PID: S1982-596x2011000300293 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Soares
RESUMO Uma vez que o descobrimento da verdade em Descartes deve ser situado no campo mais amplo da cogitatio, tentamos organizar o tema do conhecimento em A busca da verdade, através do modo como o próprio pensamento se apresenta, a começar pela transição dos falsos pensamentos para os atos de pensamento e, depois, para a cogitatio enquanto tal. Essa perspectiva elucida a relação que há entre pensamento e conhecimento, bem como o sentido que a estrutura, a saber, a restituição do pensamento à sua condição originária. Isso permite entender melhor a disposição das personagens e dos argumentos do próprio diálogo. É possível, assim, explicar por que Poliandro, a menos estudada das personagens, se torna o juiz da disputa entre as outras duas, como também explicitar o pano de fundo do texto, em que a própria noção de Filosofia é ameaçada por uma equivocidade tal que permite mesmo que ela seja tomada pelo seu oposto.

O imaginário trágico de Ricardo Reis: uma educação para a indiferença

PID: S1982-596x2011000200012 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Almeida
O artigo discute o imaginário trágico presente na obra de Ricardo Reis a partir de três dimensões: sua inserção na filosofia estóica e epicurista, seu paganismo e a educação para a indiferença. Ancora-se no Imaginário de Gilbert Durand, no trágico de Clément Rosset e utiliza a fenomenologia compreensiva como metodologia. O objetivo é compreender como a recorrência de imagens ligadas à brevidade da vida, à morte e ao destino configuram seu imaginário trágico.

O problema da causa finalis em Ockham

PID: S1982-596x2011000200007 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Culleton
Neste artigo pretendemos demonstrar que a nova compreensão de causa finalis, formulada por Ockham, inaugura uma nova postura teórica na qual se funda a crítica à teleologia da filosofia clássica e escolástica, rumo a uma mudança de paradigma. Isso vai significar, em termos heideggerianos, num novo princípio epocal, pelo qual Ockham será chamado de Inceptor da via moderna. Não acreditamos que seja Ockham único e exclusivo responsável por esta mudança, mas sim que as suas novas formulações minam seriamente uma das principais bases da tradição filosófica, qual seja a teleologia.

Paradoxos, o infinito e a intuição geométrica

PID: S1982-596x2011000200016 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors:
Analisam-se neste artigo alguns resultados matemáticos que já foram assinalados como contrários à intuição e se realiza uma pesquisa das possíveis causas desse caráter contraintuitivo. Nesse sentido, são estudados o Paradoxo de Galileu, a demonstração de Cantor de que o segmento tem a mesma quantidade de pontos que o quadrado e o Paradoxo de Tarski- Banach. Primeiro é discutido o papel que o conceito de infinito e princípios como “o todo é maior que a parte” têm nesses paradoxos. Em segundo lugar, é estudada a influência que as intuições geométricas têm em alguns paradoxos e a relação delas com a concepção de geometria do Erlanger Programm de Felix Klein.

Por una nueva interpretación de la teoría de las ideas

PID: S1982-596x2011000100010 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Fernández
El término phytourgo tiene importancia en el contexto de la naturaliza y la participación de las Ideas (Rep. X 597d). Se aplica tanto al arte de imitar como a la producción de objetos por un artesano, además aparece en el contexto de generación de los seres vivos pero en ningún caso en la creación de las Ideas.

Reflexões teórico-metológicas sobre o ser e fazer-se professora no Piauí no século XX: a história de vida de Nevinha Santos

PID: S1982-596x2011000100011 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Souza Inácio Filho
Neste artigo, empreendo um diálogo com autores, procurando mostrar as reflexões teórico-metodológicas abordadas na minha tese de doutorado, intitulada, Ser e fazer-se professora no Piauí no século XX: a história de vida de Nevinha Santos, realizada no programa de pós-gradução em Educação, no curso de Doutorado em Educação, da Universidade Federal de Uberlândia. Considero as teorias como instrumento de análise da história de vida da professora Nevinha Santos, seu fazer-se professora, suas experiências e das demais de sua época. Dessa maneira, mostro os autores, os principais conceitos, por que foram escolhidos e como os percebo. Inicialmente, faço uma revisita nos estudos históricos, concentrando atenção na história nova, referencial teórico de análise escolhido; em seguida, examino as percepções sobre história de vida, história oral, memória e experiência.

Sociedade pós-literária e os desafios da educação moral

PID: S1982-596x2011000100014 | Journal: Educação e Filosofia (1982-596x) | Year: 2011
Authors: Santos
O objetivo desta comunicação é encetar uma discussão sobre as implicações educacionais da tese de Peter Sloterdijk, apresentada na primeira parte do livro Regras para o parque humano, de que o projeto humanista de formação do homo humanus mediante a cultura literária - que tinha em vista, principalmente, o refreamento das tendências “desinibidoras” (enthemmenden) do ser humano, responsáveis pelos diversos tipos de barbárie - desmantelou-se, de modo que é possível caracterizar a hodierna sociedade de massas, lastreada em mídias contemporâneas, tais como a radiodifusão, televisão e internet, como pós-humanista (post-humanistich) ou pós-literária (post-literarisch). Cabe, portanto, questionar, a partir das asserções de Sloterdijk,1 que papel a escola ainda poderia ter - enquanto instituição de educação formal, tradicionalmente humanista - especialmente no que diz respeito à formação moral, numa sociedade pós-humanista, onde a violência se faz presente, inclusive, no interior da própria escola.

"Pensamento do fora", conhecimento e pensamento em educação: conversações com Michel Foucault

PID: S1517-97022011000300011 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Ribeiro
O presente trabalho visa problematizar a suposta constituição virtuosa entre educação e conhecimento oriunda de certa herança cultural da modernidade ocidental. A problemática ancora-se na indagação difusa, porém insistente, a ecoar no campo educacional: "o que é o ato do pensar, em educação, na contemporaneidade?". A tomada das condições atuais do pensamento como um problema de pesquisa educacional coloca em questão a histórica articulação entre conhecimento e pensamento reflexivo, obrigando ao confronto de certos amálgamas pedagógicos caros ao campo educacional moderno. Tal enfrentamento se realiza na companhia dos pensadores Michel Foucault e Friedrich Nietzsche, dada a relevância estratégica de suas produções, particularmente acerca da linguagem, da produção da verdade e de suas implicações nos modos de conhecer e pensar. Busca-se operacionalizar uma crítica da linguagem em direção a uma crítica do pensamento em educação, na chave de uma problematização ético-política. Nesse trabalho, tal plataforma analítica configura-se a partir das discussões de Michel Foucault - tanto em relação à questão do pensamento do fora, tal como elaborada por Maurice Blanchot, como em relação ao pensamento da diferença, tal como formulado por Gilles Deleuze. Sugerimos que a exploração desse debate possa atuar como um exercício de exterioridade ou de pensamento diferencial no jogo com o conhecimento e com o pensamento reflexivo presentes no campo educacional - seja no âmbito dos fazeres pedagógicos cotidianos da escola, seja no campo da produção da pesquisa educacional.

A contribuição da educação infantil de qualidade e seus impactos no início do ensino fundamental

PID: S1517-97022011000100002 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Campos Bhering Espósito Gimene Abuchaim Valle Unbehaum
Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa cujos objetivos foram avaliar a qualidade da educação infantil (EI) em seis capitais brasileiras (estudo da qualidade), para, a seguir, identificar diferenças no desempenho escolar de crianças no início do ensino fundamental (EF) associadas à frequência de uma pré-escola de qualidade (estudo de impacto). O estudo de impacto utilizou os resultados do estudo da qualidade obtidos por meio da aplicação de escalas de avaliação da qualidade a uma amostra de pré-escolas de três capitais brasileiras, resultados estes que indicam um nível de qualidade comprometido na maioria das instituições avaliadas. A amostra do estudo de impacto foi constituída por 762 alunos de escolas públicas com notas na Provinha Brasil, dos quais 605 haviam frequentado uma pré-escola avaliada no estudo da qualidade e 157 crianças que não frequentaram a EI. Os dados foram analisados utilizando a análise multinível/hierárquica com classificação cruzada, que permite levar em conta, simultaneamente, o efeito de diversas variáveis explicativas (características dos alunos e de suas famílias; das escolas de EI e das escolas de EF) sobre os resultados da variável resposta (as notas dos alunos do segundo ano na Provinha Brasil). O estudo de impacto revela que a frequência à pré-escola de boa qualidade influi positivamente no desempenho dos alunos na Provinha Brasil. As análises indicam, também, que a idade da criança é um fator importante nos resultados apresentados nessa prova, assim como a escolaridade da mãe, a renda familiar e o Ideb da escola de EF.

A escrita como modo de vida: conexões e desdobramentos educacionais

PID: S1517-97022011000300013 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Aquino
Tomando por base as principais reflexões de Michel Foucault sobre o ato de escrever, o presente ensaio discorre sobre a correlação intrínseca entre os modos de escrita e de vida nas escolas, apontando para uma agonística em operação diuturna nas práticas escriturais levadas a cabo nesse quadrante. Isso significa que, no interior dos procedimentos de escrita, embatem-se forças superlativas, tanto no sentido da investida unificadora dos modos de subjetivação aí implicados, quanto na direção de uma transfiguração radical desses mesmos modos, tendo em vista a sua multiplicação. Adensando a discussão teórica, tematiza-se a escrita de si, tal como formulada por Foucault, como um esforço escultural desmedido em favor de uma dispersão, uma rarefação e, então, uma elisão subjetivas. Em seguida, interpelam-se analiticamente três argumentos recorrentes acerca da escrita escolar: sua categorização segundo gêneros, sua função examinatória e sua subordinação à leitura. Por meio de tal exame crítico, visa-se desestabilizar as bases de justificação de um tipo de apropriação representacional e cientificista dos fazeres escriturais escolares, bem como fabular cenários divergentes de seu mainstream. Por fim, intenta-se perspectivar a escrita como circunstância propícia à estilização existencial daquele que escreve, tendo em mente, com Foucault, o imprescindível esforço de resistência e de autocriação ética diante dos jogos subjetivadores típicos das práticas escolares. Trata-se do inextricável movimento de diferença e de variação que uma escrita não cativa das convenções pedagógicas da época faculta e, ao mesmo tempo, exige de todo aquele que por ela envereda.

A passagem da educação infantil para o ensino fundamental: tensões contemporâneas

PID: S1517-97022011000100008 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Neves Gouvêa Castanheira
No contexto da ampliação do ensino fundamental para nove anos, o artigo relata como foi vivida, por um grupo de crianças, a transição de uma escola de educação infantil para uma de ensino fundamental em Belo Horizonte. O processo de construção e análise dos dados da pesquisa baseou-se na abordagem interpretativa da sociologia da infância e na etnografia interacional. Verificou-se que as práticas educativas que assumiram centralidade na educação infantil e no ensino fundamental se estruturavam em torno da brincadeira e do letramento, mas situadas diferencialmente nos dois segmentos. Na escola de educação infantil, a centralidade do brincar esteve presente na organização das rotinas institucionais. No entanto, tendo em vista sua condição de sujeitos inseridos em uma cultura grafocêntrica, as crianças voltaram-se para a apropriação da língua escrita, engajando-se individual e coletivamente em diversos eventos de letramento. Ao inserir-se no ensino fundamental, as crianças depararam-se com um hiato entre as experiências desenvolvidas na educação infantil e as práticas educativas da nova escola: o brincar foi situado em segundo plano. Argumentamos que a falta de diálogo presente na organização do sistema educacional brasileiro em relação aos dois primeiros níveis da educação básica se refletiu no processo de desencontros vivenciados pelas crianças pesquisadas. Nesse sentido, a investigação, ao ter como foco o registro da experiência infantil, evidenciou a necessidade de uma maior integração entre o brincar e o letramento nas práticas pedagógicas da educação infantil e do ensino fundamental, ambas dimensões centrais da cultura infantil contemporânea.

A prática esportiva como ferramenta educacional: trabalhando valores e a resiliência

PID: S1517-97022011000400010 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Sanches Rubio
A sociedade brasileira vislumbra, na atualidade, o desafio de organizar e realizar megaeventos esportivos de grande impacto social. Nesse contexto, a atividade esportiva pode ser considerada uma ferramenta eficaz de intervenção psicossocial, especialmente com crianças e jovens. A presente pesquisa teve por objetivo investigar situações e vivências de atletas de alto rendimento relacionadas ao aprendizado decorrente da inserção nesse contexto e aos valores ali preconizados. Foram realizadas entrevistas por meio do método de história de vida com quatro atletas de duas equipes de atletismo do interior do Estado de São Paulo. Os dados foram categorizados e o conteúdo foi analisado qualitativamente. Os resultados apontaram para diversas contribuições decorrentes da inserção no contexto esportivo, algumas atreladas às transformações externas, como a melhora da condição estética, financeira ou de inclusão social, e outras relacionadas aos aspectos internos e subjetivos, como o reforço e o desenvolvimento de valores de cooperação, amizade, solidariedade e a capacidade de compartilhar e de superar adversidades (resiliência). Conclui-se que a atividade esportiva, quando bem conduzida (por profissionais bem capacitados), pode beneficiar tanto o desenvolvimento global do praticante, quanto os demais ambientes nos quais ele está inserido, como a família e o grupo de iguais, ampliando as contribuições para a sociedade de modo geral.

A recontextualização e o nível de exigência conceitual do conhecimento escolar

PID: S1517-97022011000400006 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Galian
O estudo empírico descrito neste artigo focalizou as transformações que ocorrem no discurso pedagógico em relação ao nível conceitual do conhecimento e visou ampliar a compreensão do processo de constituição do conhecimento escolar. Foi conduzido em uma escola da rede pública estadual, no município de Valinhos, Estado de São Paulo, e as fontes de pesquisa foram os Parâmetros Curriculares Nacionais de Ciências Naturais, um livro didático e as aulas de uma professora da 8ª série do ensino fundamental. Adotaram-se os procedimentos de análise documental e observação de aulas, e a principal referência teórico-metodológica foi a teoria de Basil Bernstein. A metodologia mista de investigação adotada nesta pesquisa mostrou-se interessante por permitir que uma abordagem quantitativa demarcasse um espaço de reflexão sobre os aspectos qualitativos envolvidos na análise do processo de recontextualização. Os resultados flagraram o processo de recontextualização e revelaram que, ao longo desse processo, ocorreu um empobrecimento do nível de exigência conceitual. Isso se deu - dentro dos limites desta investigação - por meio de perdas no que se refere à intradisciplinaridade, à complexidade das competências científicas e à complexidade dos conteúdos científicos mobilizados no processo de ensino/aprendizagem. Identificados os pontos nos quais ficou mais evidente a tendência às perdas no nível de exigência conceitual do conhecimento escolar, ressaltam-se elementos que podem trazer alguma contribuição para os processos de produção e implantação de políticas educacionais, bem como de produção de materiais didáticos e de formação dos professores.

A teoria de Norbert Elias: uma análise do ser professor

PID: S1517-97022011000400002 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Hunger Rossi Souza Neto
No presente artigo, conforme o entendimento de que modelos teóricos subsidiam a compreensão de fenômenos investigativos, objetivou-se elucidar os conceitos da teoria sociológica de Norbert Elias, considerando-se que esta é uma excelente fonte de análise para se compreender o universo do ser professor, apesar de o autor não abordar diretamente questões relacionadas ao campo da educação. A partir do conceito de configuração, é possível dizer que a constituição do ser professor resulta das diferentes configurações nas quais ele está imerso, pois, de acordo com Elias, as pessoas (professores, pais, gestores, ministros, alunos etc.) modelam suas ideias a partir de todas as suas experiências e, essencialmente, das experiências vividas no interior do próprio grupo. É observável que as configurações, formadas por grupos interdependentes de pessoas, e não por indivíduos singulares, apresentam-se cada vez mais ampliadas nos contextos escolares, com funções especializadas e específicas (professores, alunos, diretores, coordenadores, supervisores, secretários etc.), em grupos que se tornam cada vez mais funcionalmente dependentes. As cadeias de interdependência estão mais diferenciadas e, consequentemente, mais opacas e dificilmente controláveis por parte de quaisquer grupos ou indivíduos. Portanto, uma melhor compreensão será possível quando se estudar empiricamente as configurações que estão em jogo na educação brasileira. Daí se justifica a análise das configurações e das teias de interdependência em que os professores estão envolvidos. Enfim, a aplicação dos modelos de competição abordados por Elias possibilita evidenciar as problemáticas sociológicas do ser professor, tornando-as mais evidentes e facilitando o entendimento do jogo para reorganizá-lo em termos de equilíbrio na teia social.

Ampliação do ensino fundamental: a que demandas atende? A que regras obedece? A que racionalidades corresponde?

PID: S1517-97022011000100004 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Marcello Bujes
O objetivo deste texto é analisar, a partir de um conjunto de materiais oficiais e sob a luz de um referencial foucaultiano, como o ensino fundamental de 9 anos (e a nova organização curricular a ele implicada) torna-se efeito emblemático de um processo de “mudança de ênfases” (Saraiva, Veiga-Neto, 2009) acerca dos tipos de racionalidade que orientam as práticas sociais voltadas para a criança pequena. Para tanto, num primeiro momento, mostra-se de que maneiras outras “mudanças de ênfases” foram operadas em outros contextos nacionais. Ou seja, a partir dos trabalhos de Hultqvist (1998) e Baker (1998), descreve- se como se deram, na Suécia e nos Estados Unidos (respectivamente), profundas modificações no cuidado e atendimento à criança pré-escolar, bem como na proposta e mesmo na forma de organização da escola infantil. Em seguida, e tomando tais autores como base, a discussão analítica empreendida se dá a partir de três tópicos fundamentais: inicialmente, descrevemos a captura da infância em nome de algo que se denomina e se apresenta sob a égide da qualidade; em seguida (e daí decorrente), voltamos nosso olhar para a relação entre Estado e o conceito de criança-projeto (relação da qual parte uma fórmula criança-ideal - sociedade-ideal) e, por fim, tratamos do conceito de criança-capaz, na qualidade de objeto discursivo que emerge, a um só tempo, do espaço deixado pela lógica de resgate (Baker, 1998) e das tensões mutuamente constitutivas entre educação infantil e ensino fundamental.

Análise de atitudes de professoras do ensino fundamental no que se refere à educação inclusiva

PID: S1517-97022011000300008 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Crochík Pedrossian Anache Meneses Lima
Este artigo, que tem como referência a teoria crítica, relata o resultado de uma pesquisa sobre atitudes em relação à educação inclusiva, realizada com doze professoras do 5º ano do ensino fundamental; dentre elas, seis tinham experiência de ter em sala de aula alunos com deficiência, e seis não tinham. A análise qualitativa dos dados decorrentes do levantamento realizado em seis escolas da rede municipal de Campo Grande (MS) demonstrou que, de modo geral, as professoras foram favoráveis à educação inclusiva. Contudo, ficou evidente a expressão de atitudes preconceituosas veladas ou explícitas no âmbito escolar. A formação para experiência com quem é "diferente" ainda encontra barreiras por conta do preconceito e da discriminação presentes nesta sociedade que tem como lógica uma "inclusão marginal". Em suas manifestações, apontaram dificuldades de trabalhar com alunos com deficiência intelectual severa; assinalaram que a responsabilidade de trabalhar sob a predominância da educação centrada no desempenho, com foco na inserção das pessoas no mercado de trabalho, gerava um "sentimento de impotência". Diante das contradições existentes, a educação inclusiva não deixa de evidenciar a presença das injustiças que ainda se apresentam no processo educativo. Apesar disso, foram indicados vários elementos favoráveis a essa forma de educação, que não é dissociada de movimentos sociais mais amplos.

Aprendendo a ser professor(a) no século XIX: algumas influências de Pestalozzi, Froebel e Herbart

PID: S1517-97022011000300002 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Durães
No final do século XVIII e, sobretudo, ao longo do século XIX, com as teorias de Pestalozzi, Froebel e Herbart, foram modificadas radicalmente as concepções de professor(a), ensino e método. Essas mudanças propiciaram o que hoje em dia se entende por escola moderna. Dos reflexos das teorias propostas por esses três pedagogos, este estudo tem por objetivo apresentar, especificamente, algumas mudanças e sugestões relativas à formação de professores e professoras para a escola primária a partir dos centros de formação e/ou escolas normais. Entre as qualidades requeridas para eles e elas encontravam-se as características de cuidado, afetividade e carinho para com os meninos e meninas. Com a influência das ciências da educação (sobretudo da Pedagogia e da Psicologia), as escolas normais disseminaram novas concepções sobre a infância e passaram a propagar modelos pelos quais a prática do professor(a) deveria ser regida: racionalidade científica mesclada com atributos femininos. Em consequência, o espaço da sala de aula passou a ser, cada vez mais, evocado como ideal para as mulheres. Em suma, a discussão aqui realizada se centra na análise iniciada por Pestalozzi sobre o conceito de mulher como mãe-educadora e o fato de que Froebel foi o primeiro a incorporá-la como profissional da educação.

Aspiração por reconhecimento e educação do amor-próprio em Jean-Jacques Rousseau

PID: S1517-97022011000300003 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Dalbosco
O artigo procura mostrar a existência de uma filosofia social no Segundo discurso de Rousseau, tomando a aspiração humana por reconhecimento como seu núcleo constitutivo. A investigação sobre a origem da desigualdade conduz o genebrino à interrogação acerca do próprio homem, descobrindo a liberdade e a perfectibilidade como forças (faculdades) originárias de sua sociabilidade. Pela liberdade o homem chega à consciência de sua espiritualidade, ou seja, torna-se apto a ir além do mecanicismo causal imposto pela natureza, construindo o universo linguístico, simbólico e cultural. Pela perfectibilidade, o homem adquire a capacidade de tornar-se cada vez melhor e apto não só para lutar pela sua sobrevivência imediata, como também para aspirar ser reconhecido pelos demais. Em síntese, liberdade e perfectibilidade abrem-lhe as portas para a sociabilidade e permitem-lhe ingressar no universo cultural. Contudo, simultâneo ao processo de tornar-se um ser livre e capaz de se aperfeiçoar, o homem desenvolve a capacidade de sair fora de si mesmo, sentindo a necessidade da comparação permanente com os demais. Isso marca, do ponto de vista da constituição humana, a passagem do amor de si para o amor-próprio: enquanto o primeiro é representativo do estado natural e está baseado na piedade, o segundo caracteriza o homem civil e está marcado pela propensão do homem de querer ocupar uma posição superior em relação aos demais. Se tal propensão se tornar incontrolável, ela pode conduzir à destruição da sociabilidade. Daí a necessidade de sua regulação jurídica e política, acompanhada, previamente, por um processo de formação pedagógica e moral. Isso justifica então a necessidade de educação permanente do amor-próprio.
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