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Avaliação da educação superior no Brasil e a expansão da educação superior em enfermagem

PID: S1517-97022011000400011 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Galleguillos Catani
Este trabalho tem como objetivo discutir a expansão da educação superior em enfermagem e o papel do sistema de avaliação na perspectiva da Comissão Assessora de Avaliação da Área de Enfermagem do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais "Anísio Teixeira" (INEP). Realizou-se o resgate da evolução do número de cursos e vagas da educação superior, e, especificamente para a enfermagem, a partir de dados do INEP e por meio de entrevistas, obteve-se o essencial do pensamento dos membros da Comissão no que se refere à expansão da educação superior em enfermagem e à atual política de avaliação. Entre 1994 e 2003, os aumentos foram da ordem de 118% no número das instituições de ensino superior, 195% nos cursos de graduação e 207% nos cursos de graduação em enfermagem no país. Entre 1991 e 2004, o número de vagas nos cursos de graduação em enfermagem passou de 7.460 para 70.400, com distribuição desigual nas diferentes regiões brasileiras; tal aumento ocorreu prioritariamente em instituições privadas, vinculando-se a interesses de mercado e sem o processo de avaliação e regulação plenamente implantado. Parte dos membros da Comissão considera necessária a abertura de novos cursos, pois o número de enfermeiros ainda é insuficiente. Eles expressam, porém, preocupação referente à proliferação desordenada de cursos e às condições concretas de formação e atuação do enfermeiro.

Avaliação oficial: o que dizem os professores sobre o impacto na prática docente

PID: S1517-97022011000300007 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Carvalho Macedo
Este artigo tem por objetivo discutir, a partir de indícios observados no discurso de professores alfabetizadores, o impacto que o Proalfa (Programa de Avaliação da Alfabetização do Estado de Minas Gerais) pode causar na prática docente. Foram utilizados como instrumentos de investigação a pesquisa documental, e, como instrumento central, realizamos dois encontros com um grupo focal formado por sete professoras alfabetizadoras. Como aporte teórico-metodológico, utilizaram-se conceitos como os de reforma e mudança, propostos por Popkewitz, táticas e estratégias, postulado por Certeau, além dos conceitos de polifonia e vozes, discurso de autoridade e internamente persuasivos, da teoria da enunciação de Bakhtin. Os resultados indicam que, diante das estratégias de governo, os professores lançam mão de táticas de consumo daquilo que é imposto às escolas como algo a ser seguido. As táticas variam de acordo com a legitimação conferida aos objetivos dessa política, ou seja, para que as professoras ajam de forma a corroborar o Proalfa, primeiro, elas têm que estar convencidas de que dará certo. Nos aspectos em que esse convencimento não se concretiza, elas colocam em prática as táticas de resistência, principalmente através de discursos marcados por elementos explicativos daquilo que não está sendo alcançado, bem como de suas possíveis causas.

De crianças a alunos: transformações sociais na passagem da educação infantil para o ensino fundamental

PID: S1517-97022011000100010 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Motta
Este texto discute alguns achados de uma pesquisa de doutorado em Educação conduzida no município de Três Rios, Rio de Janeiro, numa turma de uma escola pública municipal, cujo objeto foi a passagem das crianças da educação infantil para o ensino fundamental e a ação da cultura escolar sobre as culturas infantis transformando os agentes sociais de crianças em alunos. Os fundamentos teórico-metodológicos foram tecidos em diálogos com os conceitos elaborados especialmente por Bakhtin, Vigotski, Foucault, Certeau e Sacristán. Os conceitos operaram em três planos: de um lado, tivemos a concepção de linguagem de Bakhtin, principal categoria de análise dos dados do campo, e Vigotski, fornecendo subsídios para um pensamento dialético em torno das culturas infantil e escolar tomadas como textos. Em outro plano, consideramos Foucault e Certeau na análise das estratégias de poder e das táticas de resistência encontradas nas práticas observadas e suas influências na subjetivação dos sujeitos. Por fim, a sociologia da infância e o conceito de cultura escolar explicitaram os elementos do campo, colocando-os num contexto. Para abordar as transições e as rupturas entre a educação infantil e o ensino fundamental, contribuíram Moss e Corsaro e Molinari.

Educação infantil e ensino fundamental: desafios e desencontros na implantação de uma nova política

PID: S1517-97022011000100007 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Correa
Neste artigo, apresentamos uma análise do processo de ampliação do ensino fundamental e seus reflexos sobre a educação infantil com base em resultados de pesquisa realizada entre 2008 e 2010, cujo objetivo foi estudar esse processo em um sistema municipal de ensino do interior do Estado de São Paulo. A pesquisa, de abordagem qualitativa, desenvolveu-se em duas escolas de ensino fundamental e em uma escola de educação infantil. Os resultados revelam, de um modo geral, como nossas atuais políticas públicas têm priorizado os investimentos no ensino fundamental, sem aumentar de modo significativo o seu montante, ao mesmo tempo em que, na implantação de novas medidas, desconsideram a realidade da escola e não a preparam para as mudanças. Além dos resultados dessa pesquisa, para a produção deste artigo também analisamos dados advindos do acompanhamento de um estágio curricular na disciplina de Educação Infantil que compõe um curso de Pedagogia em universidade pública paulista. Assim, tomando como base os resultados da pesquisa e da análise dos estágios, neste trabalho discutimos, de modo mais específico, como a ampliação do ensino fundamental no município, da forma como vem se realizando, tem se refletido negativamente sobre a organização pedagógica da educação infantil. Constatamos, por exemplo, que atividades mecânicas como cópia de letras e números vêm ocorrendo de maneira cada vez mais intensa, sob o argumento de que uma preparação para o ensino fundamental durante a pré-escola seria, agora, ainda mais necessária.

Experiência e observação: de Rousseau ao Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil

PID: S1517-97022011000400007 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Batista
O artigo tem o objetivo de resgatar os conceitos de experiência e observação presentes em Emílio, de Jean-Jacques Rousseau, discutindo-os na perspectiva de uma educação para a emancipação, conforme formulada pelos autores da teoria crítica, especialmente Walter Benjamin e Theodor W. Adorno. Considerando a utilização e a valorização desses conceitos na teoria e na prática educativas, analisou-se a abordagem dada a eles no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, com o objetivo de ressaltar a criticidade presente na defesa da experiência das crianças e de sua observação no cotidiano escolar. Conclui-se, a partir das reflexões sobre os textos de Rousseau e dos autores da teoria crítica, que, no referido documento, diante da polissemia da experiência formativa, ressaltam-se o recorte curricular, a instrumentalização da ação do professor, as experiências e aprendizagens ditas essenciais, a experiência que o professor propicia às crianças e o esquadrinhamento das subjetividades por meio da observação e do registro sistemático. Se Rousseau solicita-nos observar a criança, bem como proporcionar e valorizar experiências significativas, é porque, de alguma forma, valendo-se de um recurso teórico-metodológico, dirige-se a educadores e educandos concretos que, passados quase três séculos, ainda se emaranham entre conceitos e representações sociais de infância sem se darem conta da experiência que legitima a construção desses mesmos conceitos e representações.

Formação continuada de professores e resultados dos alunos no SARESP: propostas e realizações

PID: S1517-97022011000400009 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Bauer
O presente trabalho apresenta resultados obtidos por meio da pesquisa realizada entre 2005 e 2006, intitulada Uso dos resultados do SARESP: o papel da avaliação nas políticas de formação docente, cujo propósito foi analisar possibilidades e limites da utilização dos resultados obtidos pelos alunos no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP) para a formulação e o direcionamento de políticas de formação de professores. As preocupações recaíram sobre os programas de formação em língua portuguesa para o ensino fundamental. Foram visitadas quatro das treza diretorias regionais de ensino da capital do Estado de São Paulo a fim de conhecer o trabalho de formação docente realizado e analisar em que medida ele se relacionava aos dados obtidos no SARESP. O estudo qualitativo teve como principal estratégia a enquete exploratória, com uso de roteiros de entrevista e de observação semiestruturados. O referencial teórico sintetizou contribuições de Dennis Palumbo (1998) e de Marcus Figueiredo e Argelina Figueiredo (1986) para a compreensão do conceito e das etapas da política pública, assim como de Elba Barreto e Regina Pinto (2001), Blaine Worthen, James Sanders e Jody Fitzpatrick (2004) e Almerindo Afonso (1998) a respeito da discussão da avaliação de programas, entre outros. Concluiu-se que, apesar de a documentação dos programas de formação e o SARESP declararem que há relação entre os resultados da avaliação e os programas propostos, a concretização desse propósito depende do engajamento dos profissionais presentes nas diretorias de ensino. As ações formais da Secretaria da Educação para induzir esse uso de resultados não se mostraram suficientes para assegurar o pretenso vínculo entre avaliação e formação docente.

Implicaciones de la acción educativa en espacios específicos de proyección profesional en España

PID: S1517-97022011000300009 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Blanco Encomienda Latorre Medina
En los últimos años, ha aumentado considerablemente el número de publicaciones que ilustran actuaciones educativas en espacios excepcionales de proyección profesional, como aquellas que necesitan los menores enfermos y/u hospitalizados, no sólo desde el punto de vista físico o médico, sino también desde el psicológico y educativo. Concretamente, como parte del abordaje integral de las situaciones de atención a necesidades educativas especiales en los hospitales, surgen las aulas hospitalarias; entornos de enseñanza-aprendizaje que, dadas sus características peculiares de espacio y ubicación, demandan una intervención psicopedagógica eficaz, diferente de la ordinaria. El presente trabajo pretende ser una contribución en esta dirección, centrando su atención, primero, en descifrar el sentido de la Psicopedagogía en el contexto hospitalario. A este respecto, la literatura deja constancia de que la intervención psicopedagógica en las aulas hospitalarias cobra sentido e importancia al tener, como objetivo último, ayudar a reforzar y apoyar psicológica y educativamente los procesos de enfermedad y hospitalización infantil, con el fin de conseguir la mayor normalización en la vida del paciente y su familia. A continuación, el artículo profundiza en el estudio de una formación adecuada para el profesional de la Psicopedagogía Hospitalaria, identificando cuatro clusters de competencias: competencias pedagógico-didácticas, competencias político-institucionales, competencias interactivas y competencias específicas. Por último, recoge las principales implicaciones educativas del trabajo en este contexto, perfilando propuestas para la acción.

Infância e crianças de 6 anos: desafios das transições na educação infantil e no ensino fundamental

PID: S1517-97022011000100005 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Kramer Nunes Corsino
A inserção das crianças de 6 anos no ensino fundamental tem provocado indagações tanto para a educação infantil quanto para o ensino fundamental, especialmente no que tange às políticas e práticas pedagógicas e sua adequação à faixa etária das crianças. O objetivo deste texto é analisar e discutir questões que atravessam essas etapas a partir de pesquisa desenvolvida em creches, escolas de educação infantil e escolas de ensino fundamental. Pesquisar as práticas com crianças na educação infantil permitiu problematizar o trabalho com as crianças de 6 anos no ensino fundamental. Mais do que conceber as duas etapas de modo dicotômico, trata-se - na ótica deste texto - de pensar, para além, transições e desafios na organização dos sistemas de ensino e em termos de políticas e gestão pública, de propostas curriculares e de formação de professores e de todos os profissionais envolvidos neste trabalho. Com este objetivo, o primeiro item analisa as políticas da educação básica no contexto da expansão da obrigatoriedade e os desafios para trabalhar com as crianças de 6 anos. O segundo apresenta e problematiza a pesquisa no que diz respeito às práticas de leitura e escrita observadas. O terceiro sugere prioridades para o trabalho com a leitura e a escrita na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, a formação e as transições.

Interrogações sobre políticas de formação e ensino de arte nos currículos dos cursos de pedagogia

PID: S1517-97022011000300004 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Gondim Fernandes
O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa desenvolvida no programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba. A investigação objetivou analisar as contradições sociais, políticas e ideológicas presentes nos documentos institucionais sobre as políticas de formação de professores e o ensino de arte nos currículos dos cursos de Pedagogia, utilizando para tal os princípios teóricos e metodológicos da análise crítica do discurso. Foram analisadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Pedagogia de 2006, os projetos político-pedagógicos desses cursos nas universidades públicas da Paraíba (Universidade Federal da Paraíba - Campus João Pessoa, Universidade Federal de Campina Grande - Campus Campina Grande, Universidade Estadual da Paraíba - Campus Campina Grande) e as ementas das disciplinas relacionadas ao ensino de arte desses projetos. Apesar de as mudanças curriculares serem recentes, encontraram-se concepções e modelos descontextualizados, conservadores e equivocados no que diz respeito à formação docente e ao sentido da arte, demonstrando que existe ainda um longo caminho a ser seguido na construção de propostas curriculares que estejam comprometidas com a atividade criadora do ser humano. Portanto, investir no ensino de arte e na formação do professor-pedagogo contribuiria tanto para o enriquecimento de sua formação humana, por meio da produção artística, como para a potencialização da capacidade criadora dos estudantes, conforme proclamado pelos defensores de um ensino de arte que aponte para a multiplicidade do ser humano.

Jogo e letramento: crianças de 6 anos no ensino fundamental

PID: S1517-97022011000100012 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Kishimoto Pinazza Morgado Toyofuki
Discute-se uma prática curricular em que se alia o jogo ao processo de letramento no primeiro ano do ensino fundamental de nove anos da Escola de Aplicação da USP. A análise do currículo assentado no lúdico como atividade importante para o letramento pode representar a possibilidade de integração de crianças de 6 anos e a superação dos desalinhos curriculares no âmbito da política pública de ampliação do ensino fundamental. A investigação, de caráter qualitativo, pautou-se em dados do acompanhamento das cinco turmas de primeiro ano do ensino fundamental de nove anos do período de 2006 a 2010, com análise do plano de ensino, registros de desempenho das crianças, entrevistas com pais, depoimentos orais de crianças, registros da professora e relatórios da brinquedoteca. Os dados indicam que o currículo implementado, em seus aspectos estruturais e pedagógicos, atende as necessidades das crianças, ajusta-se às concepções de atividade, mediações e uso de jogos imaginários com apoio de signos e artefatos. Constatou-se que as mediações são mais adequadas quando há dois docentes para desenvolver atividades relacionadas à pedagogia de jogos destinados ao letramento. No plano das políticas públicas, a implementação dessa prática exigirá atenção para os aspectos estruturais e pedagógicos.

Moral no mundo adulto: a visão dos jovens sobre os adultos de hoje

PID: S1517-97022011000400005 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Imanishi Passarelli Taille
A pergunta central desta pesquisa é: como os adolescentes da atualidade julgam os adultos no que se refere essencialmente a critérios morais? Responder a essa indagação possui relevância para a formação ética e moral dos alunos devido a duas razões principais: a primeira refere-se ao desenvolvimento moral do adolescente; a segunda, à aparente deserção do espaço público por parte dos jovens em favor do espaço privado. Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho foi verificar como os jovens julgam moralmente os adultos e se, de fato, eles operam uma clara cisão entre as esferas privada e pública. Foram realizadas separadamente duas pesquisas: no estudo 1 (E1), utilizou-se um questionário fechado de 24 questões e duas questões abertas; no estudo 2 (E2), além da aplicação de um questionário com 14 perguntas, foi realizado um debate em grupo acerca delas. É importante ressaltar que, neste artigo, são analisadas tanto questões presentes nos dois estudos, quanto algumas presentes apenas no E1. Os resultados obtidos mostram certa desconfiança dos jovens em relação à moralidade dos adultos. A maioria não os considera pessoas éticas e, de forma geral, critica sua condução da esfera pública. Além disso, os jovens questionam as virtudes dos adultos e consideram o egoísmo como o maior defeito deles, associando-o a uma preocupação exclusiva com a esfera privada. Dividem-se quanto à sabedoria, à responsabilidade e à confiança atribuída aos adultos de hoje. Os dados apontam, ainda, que a imagem do adulto apresentada é relativizada a partir da distinção entre os adultos da esfera pública e aqueles da esfera privada.

O elogio de si e a desmedida antropologização das ciências humanas

PID: S1517-97022011000300012 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Pereira Ratto
Este trabalho faz a crítica filosófica a um certo modo de antropologização nas ciências humanas. O humano não é um dado natural de determinação biológica no campo das ciências. Diferente disso, o específico do conhecimento no campo das humanidades é o resultado de um processo de antropologização que fez do homem sujeito com consciência epistemológica. Por isso, o homem, figura de proa da modernidade, é esse duplo empírico-transcendental que, dobrado sobre si mesmo, produz um regime próprio de saber. Conhecimento de si, portanto, passou a ser a grande matriz dos saberes das humanidades na proporção equivalente em que a metafísica se transfigurou em metafísica da subjetividade e a linguagem ganhou prestígio ontológico. Ao lado disso, ergueu-se boa parte dos projetos de crítica à ciência clássica, dando lugar de destaque à linguagem como fabricante de realidade. Chegou-se a falar de um giro linguístico, argumento primeiro de crítica às metanarrativas e apologia dos regimes fragmentários e relativistas de verdade. Ainda assim, assumir que a verdade é um efeito discursivo e que a realidade por si mesma é resultado de uma produção não é o bastante. Importa também colocar em exame este regime que fez da linguagem a expressão do conhecimento e da consciência do mundo. O homem tornou-se a medida do conhecimento.

O ensino fundamental de nove anos e o direito à educação

PID: S1517-97022011000100003 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Arelaro Jacomini Klein
Neste artigo são analisadas as consequências das Leis Federais nº. 11.114/05, que instituiu o início da obrigatoriedade do ensino fundamental aos 6 anos de idade, e a de nº 11. 274/06, que ampliou a duração do ensino fundamental para nove anos, mantido o início aos 6 anos. As análises ora apresentadas são baseadas em documentos e dados empíricos da pesquisa Avaliando políticas educacionais: um estudo sobre a implantação do ensino fundamental de nove anos no Estado de São Paulo, de caráter qualitativo, realizada em redes de ensino municipal e estadual, que envolveu diferentes segmentos: profissionais da educação, pais e crianças de 6 anos matriculadas no primeiro ano do ensino fundamental. As entrevistas e os questionários permitiram o levantamento de opiniões dos sujeitos sobre diversos aspectos da implantação do ensino fundamental de nove anos e a comparação com as intenções anunciadas nos documentos oficiais à luz de três princípios educacionais: direito à educação, gestão democrática e qualidade de ensino. Constatou-se a permanência de práticas que desconsideram tanto os preceitos legais quanto a importância da participação dos envolvidos no processo educativo para a realização de uma educação de qualidade. Da mesma forma, o currículo do primeiro ano reflete somente uma adaptação simplista do antigo currículo da primeira série, com pequenas adequações metodológicas que não incorporam o lúdico como específico da infância. Ficou evidente a insuficiência de recursos materiais e financeiros, a não orientação aos professores, bem como a não discussão do futuro da pré-escola na nova organização escolar.

O inavaliável em uma sociedade de desconfiança

PID: S1517-97022011000300014 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Haroche
Vivemos presentemente em sociedades de controle contínuo que induzem e reforçam a falta de confiança e, além disso, uma desconfiança difusa e crescente que nos leva a falar de sociedade de desconfiança. Nestas sociedades exige-se tanto dos organismos como dos indivíduos que prestem conta, com precisão, não tanto daquilo que fizeram, mas do que fazem no momento presente, assim como o que pretendem fazer: procura-se assim suprimir a perda de tempo, a falta de rentabilidade e, mais ainda, o imprevisível, inavaliável por definição. Em face do ininteligível provocado e intensificado pela mudança permanente, ligada entre outras coisas à aceleração das tecnologias, a sociedade foi levada a desenvolver ferramentas de avaliação; indiferente ao indivíduo em sua singularidade, a avaliação tende a individualizá-lo e controlá-lo incessantemente e, ao mesmo tempo, a diferenciá-lo e homogeneizá-lo cada vez mais. Atualmente, os bens e as pessoas são cada vez mais avaliados e, portanto, inevitavelmente comparados, engendrando e reforçando formas de concorrência e rivalidade permanentes e exacerbadas.

O ingresso de crianças de 6 anos no ensino fundamental: uma pesquisa em Rondônia

PID: S1517-97022011000100006 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Pansini Marin
Estudos indicam que, embora as políticas educacionais implantadas no Brasil desde a década de 1990 tenham em comum o discurso de enfrentamento da exclusão em defesa de uma escola para todos, há um hiato entre a intenção e a realidade. Essa constatação aponta para a importância de pesquisas que se dediquem a conhecer os bastidores dessas políticas de maneira a identificar como são analisadas por aqueles que as vivem, que as materializam em suas práticas educativas. Nessa direção, o presente texto apresenta resultados de uma pesquisa realizada em oito escolas da rede estadual de um município de Rondônia com o objetivo de investigar em que condições ocorreu a implantação do ensino fundamental de nove anos. A partir de uma abordagem qualitativa, os dados foram produzidos com base em análise de documentos, entrevistas individuais e coletivas e registro fotográfico. Os resultados indicam que a implantação da referida política nas escolas investigadas ocorreu de forma intempestiva, sem nenhuma preparação prévia que garantisse alterações dos aspectos estruturais das escolas, adaptações curriculares e/ou discussões/formação com as equipes pedagógicas, professores e comunidades. Revelam ainda que a falta de clareza a respeito das propostas pedagógicas a serem implementadas com as crianças de 6 anos pode antecipar o fracasso enfrentado por um grande contingente de crianças em seu processo de alfabetização.

O portefólio na formação e avaliação profissional de professores

PID: S1517-97022011000300006 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Silva Rebelo Mendes Candeias
A área da avaliação e formação de professores está em constante renovação, incapaz de abarcar todos os conteúdos relevantes de um modo completo, deixando (in)satisfeitos avaliados e avaliadores (ou seja, os docentes). Sendo uma área bastante complexa, o método de avaliação por portefólios tem assumido uma importância vital nos últimos anos, tido como uma ferramenta que possibilita a avaliação de vários domínios. Para além disso, permite o acompanhamento da evolução do desenvolvimento pessoal e profissional enquanto medida qualitativa de avaliação, mas também é utilizado para discriminar professores excelentes de professores "satisfatórios" no processo de progressão na carreira. Os portefólios são ainda utilizados como base para as entrevistas de emprego e como meio de apresentação do indivíduo em novos contextos de trabalho. Neste sentido, procurámos estudar a validade e a utilidade desta ferramenta de avaliação de professores na área da formação profissional, comprovando a sua aplicabilidade e as respectivas vantagens/desvantagens. Através da revisão bibliográfica de vários estudos desenvolvidos até o momento, salienta-se a importância do portefólio como instrumento de avaliação de docentes em início de carreira (visando a sua evolução) e sua complementaridade com outros métodos. Assim, atingimos um modelo de avaliação mais completo, individualizado, eficaz no desenvolvimento e avaliação de competências, acessível a toda a comunidade escolar e não circunscrito a um determinado período ou momento, mas valorizando a vida profissional dos docentes.

Os alfabetizados-desviantes ou sobre a educação dos 6 anos

PID: S1517-97022011000100009 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Dornelles
Neste texto, busca-se fazer emergir a análise realizada numa classe de primeiro ano de 6 anos do ensino fundamental de nove anos de uma escola pública de periferia de Porto Alegre (RS). Ele indica como as crianças deste primeiro ano tramam seu processo de alfabetização e escapam do estigma da tristeza e do fracasso. Estudam-se os documentos (MEC- Lei nº. 11.274, de 2006 /EFNA) que ordenam e administram a vida de crianças e professores, através de programas empresariais e governamentais, e se tornam o olho - Argos Panopticon. Optando-se por uma metodologia-bricolagem e baseando-se nos estudos pós-estruturalistas, trama-se a análise dos documentos legais com observações participantes. Mostra-se um acontecimento especial que marcou a alfabetização desta turma ou sobre como, a partir de Flávia, a menina que ajuda a pensar o título deste artigo, de 6 anos, guria, preta, gorda e que, portanto, fugia de todos os parâmetros da naturalização dos sujeitos-meninas ou daqueles que têm tudo para dar certo na vida, encontra um modo de se alfabetizar e com ela o seu grupo. Trata-se da alegria na sua potência de agir de uma alfabetizanda-desviante ao se constituir como leitora de histórias para seu grupo, e como esta vitalidade de criação transforma o aprendizado de crianças e professores. Encerra-se o artigo com o desejo de que se faça emergir a alegria spinoziana da descoberta da alfabetização, mesmo que desviante, no processo de meninas e meninos alfabetizandos com 6 anos. Convida-se ao desvio!

Os conflitos de licenciandos e o desenvolvimento profissional docente

PID: S1517-97022011000400008 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Massabni
Aprender a ensinar requer o desenvolvimento de atitudes, valores e conhecimentos próprios da docência por parte dos futuros professores, constituindo-se em um processo complexo a ser desencadeado pelas licenciaturas. Este estudo parte da premissa de que o licenciando vivencia conflitos ao longo de tal processo, os quais são possivelmente agravados pelas mudanças que a profissão docente tem sofrido, mudanças estas que, para alguns, configuram uma crise. Estudos anteriores, apoiados na teoria de Jean Piaget, indicam que a forma de perceber e resolver conflitos por professores em exercício é diferente entre os sujeitos, e que nem sempre o modo de lidar com as situações profissionais está relacionado ao tempo de carreira, mas sim a níveis de construção da docência. Assim, buscou-se saber se existem conflitos entre os professores em formação e se a forma de resolvê-los relaciona-se à aquisição da profissionalidade. Para tanto, licenciandos responderam a questionário e entrevista a partir de histórias hipotéticas envolvendo situações potencialmente geradoras de conflitos relativos a questões como autoridade docente, autonomia profissional e escolhas pedagógicas, entre outras. A compreensão da forma como os licenciandos interpretavam e enfrentavam - ou não - tais conflitos ofereceu indícios de níveis de construção da profissionalidade pelos sujeitos, mesmo que ainda não formados. Reconhecer a existência desses níveis abre caminhos para repensar a formação de professores nas licenciaturas, a fim de que se propiciem condições para que o licenciando desenvolva-se a um patamar superior de profissionalidade ainda durante a formação inicial.

Reflexões sobre homofobia e educação em escolas do interior paulista

PID: S1517-97022011000400004 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Teixeira-Filho Rondini Bessa
Trata-se de um estudo do tipo survey realizado em 2009 junto a 2.282 estudantes de ambos os sexos cursando as três séries do ensino médio em três cidades do interior do Oeste Paulista (Assis, Presidente Prudente e Ourinhos). O instrumento de coleta de dados foi um questionário autoaplicável e anônimo com 131 questões. Neste artigo, reflete-se sobre o quanto as participantes da pesquisa reproduzem e reforçam, no espaço escolar, os discursos hegemônicos de controle das sexualidades pautados na tentativa de fazer prevalecer a heterossexualidade como a única forma de inteligibilidade sexual, em detrimento de outras formas de manifestação da sexualidade. Discute-se como a homofobia e os dispositivos de controle social das sexualidades (re)produzem preconceitos e estereotipias, resultantes em vulnerabilidades que os adolescentes não-heterossexuais apresentam, tais como: vitimização homofóbica, isolamentos sociais e afetivos, e ideações e entativas de suicídio. O estudo mostra que o invariante foram as discriminações, as violências homofóbicas e as injúrias que são perpetradas nos valores e discursos dos adolescentes em situação escolar e familiar, demonstrando a institucionalização da homofobia como prática regulatória da construção social e psicológica de gêneros e identidades sexuais. Destaca-se quão importante é, para a escola, apropriar-se de meios de desconstrução das normativas heterocentradas, visando preservar os direitos e a cidadania de pessoas que não se identificam aos modelos vigentes da heterossexualidade.

Teorias da socialização: um estudo sobre as relações entre indivíduo e sociedade

PID: S1517-97022011000400003 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2011
Authors: Setton
O artigo propõe uma reflexão na qual a interdependência entre as instâncias de socialização e os indivíduos faça-se presente. Com base em algumas formulações sobre a sociologia dos processos socializadores, empreende-se uma análise a fim de apreender a complexa dinâmica educativa da atualidade. Existe e é possível concretizar empiricamente a articulação de interdependência entre as matrizes de cultura? Como compreender o imbricado e conflituoso processo de construção das disposições de habitus? Identificando uma nova estruturação no campo da socialização, busca-se uma perspectiva relacional entre as agências a fim de apreender a especificidade do processo de construção das disposições de habitus do indivíduo contemporâneo. A partir dos conceitos de fato social total, de Marcel Mauss, e de hibridismo, do antropólogo latino-americano Nestor García-Canclini, formula-se a hipótese de que a cultura da modernidade imprime uma nova prática socializadora distinta das demais verificadas historicamente. Assim sendo, a discussão pretende contribuir para os estudos relativos aos processos socializadores nos âmbitos institucional e individual, bem como auxiliar no difícil procedimento de investigar a construção das disposições de habitus com base na observação cuidadosa dos mecanismos e das estratégias formadoras. Amplia a leitura sobre o alcance e o limite de cada uma das matrizes de cultura e, simultaneamente, permite perscrutar sobre o movimento de ascensão de novas agências socializadoras.
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