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Efeito da velocidade do estímulo no desempenho de uma tarefa de antecipação-coincidência em destros e canhotos

PID: S1981-46902011000300012 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Rodrigues Lima Vasconcelos Barreiros Botelho
Destros e canhotos diferem quando comparados em algumas tarefas motoras, parecendo os canhotos usufruir de alguma vantagem em tarefas visuo-motoras. Neste estudo foi analisado, em cada grupo de preferência manual, o efeito da velocidade do estímulo, do sexo e da mão de execução no desempenho de uma tarefa simples de antecipação-coincidência. Participaram 12 destros e 12 canhotos de ambos os sexos, estudantes universitários de Desporto. Empregou-se o “Bassin Anticipation Timer” para avaliar a capacidade de antecipação-coincidência em três velocidades: 268 cm/s, 402,3 cm/s e 536,4 cm/s (6, 9 e 12 mph, respectivamente). Os sujeitos executaram a tarefa tanto com a mão preferida como com a mão não preferida. Principais resultados: 1) apenas os destros foram afetados pela variável velocidade do estímulo, apresentando antecipação das respostas e maior variabilidade na velocidade 268 cm/s, enquanto nas velocidades 402,3 cm/s e 536,4 cm/s as respostas foram enviesadas no sentido do atraso da resposta e com variabilidade menos acentuada na velocidade mais alta; 2) o sexo teve um efeito significativo apenas nos canhotos, sendo o sexo masculino mais preciso e menos enviesado nas suas respostas do que o sexo feminino; 3) a assimetria manual manifestou-se apenas nos canhotos na velocidade de 268 cm/s e no Erro Variável. Concluímos que cada grupo de preferência manual parece comportar-se de forma diferenciada em tarefas perceptivas de Antecipação-Coincidência onde a velocidade do estímulo é manipulada.

Efeito do uso do traje de neoprene sobre variáveis técnicas, fisiológicas e perceptivas de nadadores

PID: S1981-46902011000200002 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Santos Bento Rodacki
Ao contrário do que ocorre em provas de piscina, competições em águas abertas estão sujeitas as condições ambientais, sendo uma delas as baixas temperaturas. Em determinadas circunstâncias é permitido o uso de roupas especiais para evitar hipotermia. O objetivo do estudo foi verificar os efeitos do uso da roupa de neoprene em um grupo composto por triatletas e nadadores, comparado ao uso de vestimentas convencionais (sunga) sobre variáveis cinemáticas e psicofisiológicas do nado. Participaram 20 homens (12 triatletas e oito nadadores) de idade 22,0 ± 6,6 anos com desempenhos que correspondem a 75 ± 7,7% do melhor tempo brasileiro na prova de 400 m. Os atletas realizaram duas repetições máximas e duas submáximas de 400 m em nado “crawl”, com e sem o uso da roupa de neoprene. Foram comparadas a velocidade média (VM), comprimento de braçada (CB), frequência de braçada (FB), índice de nado (IN), percepção subjetiva de esforço (PSE), frequência cardíaca (FC), e concentração de lactato sanguíneo (LAC). Um conjunto de ANOVAs com medidas repetidas do tipo “two-way” foi aplicado. Quando diferenças foram encontradas o teste de Tukey foi empregado. Com o traje de neoprene, em máxima intensidade, o tempo para nadar a distância foi 6,4% menor, com manutenção da FB e aumento da CB, as variáveis psicofisiológicas não diferiram estatisticamente. Em esforço submáximo, o uso do traje de neoprene resultou em menor FB, maior CB, maior IN e em menores valores de FC, LAC e PSE (p < 0,05). O uso do traje proporcionou melhoria do desempenho nos aspectos biomecânicos, fisiológicos e perceptivos e que o aumento da VM em esforço máximo não depende exclusivamente de alterações na FB e CB. Possivelmente, incrementos nos parâmetros associados ao nado pode ter melhorado a eficiência mecânica do movimento, a qual pode ter provido uma economia de movimento que resultou em melhor desempenho.

Efeitos agudos de diferentes intensidades de exercício sobre a ingestão alimentar pós-exercício

PID: S1981-46902011000200001 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Lins Neves Tenório Cruz Santana Prado
O objetivo do presente estudo foi verificar os efeitos agudos de diferentes intensidades de exercício aeróbio (40 e 80% do VO<sub>2pico</sub>) sobre a ingestão alimentar pós-exercício. Participaram do estudo 18 adultos jovens, eutróficos (22,20 ± 1,72 kg/m²) e fisicamente ativos. Todos os sujeitos foram submetidos aleatoriamente a três condições experimentais: controle (sem exercício); EBI, exercício de baixa intensidade (40% do VO<sub>2pico</sub>) e EAI, exercício de alta intensidade (80% do VO<sub>2pico</sub>). As sessões de exercício foram isocalóricas (350 kcal). Após 120 minutos de recuperação passiva, os voluntários tinham livre acesso a um “buffet” variado de alimentos, a ingestão alimentar foi determinada através da pesagem dos alimentos ingeridos. Os dados alimentares obtidos foram então tabulados e analisados por meio do “software” Nutwin 6.0 (UNIFESP, 2002), para estimativa do consumo energético total (kcal) e ingestão dos macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos) em gramas. Os resultados não demonstram nenhuma diferença na ingestão alimentar entre as condições experimentais analisadas. Dessa forma, podemos concluir que a ingestão alimentar pós-exercício não se mostrou dependente da intensidade do esforço em curto prazo em indivíduos adultos jovens fisicamente ativos.

Efeitos dos intervalos de tempo de apresentação de conhecimento de resultados (CR) na aquisição de habilidades motoras

PID: S1981-46902011000400012 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Vieira Ugrinowitsch Lage Benda
O aspecto temporal do Conhecimento de Resultados (CR) é composto por três intervalos: pré-CR, pós-CR e o intervalo intertentativas. Um problema sobre este tópico é que a manipulação de um intervalo implica na alteração dos outros, o que sugere uma análise conjunta desses intervalos. O presente estudo investigou os efeitos dos intervalos de tempo de apresentação de CR na aquisição de habilidades motoras. Foi utilizada uma tarefa de posicionamento manual, que consistia em transportar três bolas de tênis entre seis recipientes em ordem e tempo alvo pré-estipulados. O instrumento continha uma plataforma com seis recipientes e uma central de controle ligada ao microcomputador. O estudo teve a fase de aquisição, com 30 tentativas com a sequência (4-2/5-3/6-1) e tempo alvo (3000 ms) definidos pelo experimentador. Dez minutos após o término da fase de aquisição foi aplicado o teste de transferência imediata e, após 24 horas, o teste de transferência atrasada. Ambos os testes tiveram de 15 tentativas de prática, de uma nova sequência de movimento (6-1/5-3/4-2) e tempo alvo (4000 ms), sem fornecimento de CR. Noventa universitários foram divididos em nove grupos (n = 10): três grupos com quatro segundos, três grupos com oito segundos e três grupos com 16 segundos de intervalo intertentativas, todos com intervalos pré e pós-CR distintos. Os resultados mostraram que menores intervalos intertentativas tiveram melhor desempenho nos testes. Isto sugere que o tempo para processamento de informação não deve ser longo, o que aumentaria a demanda de atenção e a exigência de memória.

Estrutura de prática e validade ecológica no processo adaptativo de aprendizagem motora

PID: S1981-46902011000100005 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Massigli Nunes Freudenheim Corrêa
O objetivo desse estudo foi investigar o efeito da estrutura de prática no processo adaptativo de aprendizagem motora em função da validade ecológica da situação experimental. Participaram do estudo 104 crianças distribuídas em oito grupos experimentais (dois níveis de validade ecológica x quatro estruturas de prática). A tarefa consistiu em rebater uma bola de tênis de mesa lançada por um equipamento ou pelo experimentador, com o objetivo de acertar um alvo localizado no lado oposto da mesa. O estudo envolveu duas fases: estabilização e adaptação. O desempenho foi analisado por meio da soma dos pontos obtidos em blocos de 10 tentativas. Os resultados mostraram que os efeitos das práticas constante, aleatória, constante-aleatória e aleatória-constante no processo adaptativo de aprendizagem motora foram similares em ambos os níveis de validade ecológica; a prática constante foi a estrutura menos efetiva no processo adaptativo de aprendizagem motora em ambas as situações experimentais.

Estudos em modalidades esportivas de combate: estado da arte

PID: S1981-46902011000500008 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Franchini Del Vecchio
O objetivo do presente texto foi apresentar o estado da arte dos estudos sobre as modalidades esportivas de combate (MEC). Inicialmente, é destacada a relevância destas modalidades, tanto do ponto de vista histórico, quanto em relação à sua representatividade em competições internacionais, como os Jogos Olímpicos. Também são apresentadas as áreas mais comuns de atuação do profissional de Esporte nas MEC, bem como as iniciativas de organização de eventos, publicações, grupos de estudos e instituições científicas direcionadas às MEC. Posteriormente, estudos com possibilidade de aplicação em diferentes áreas de intervenção - preparação física, técnica e tática, gestão e organização - por parte do profissional do Esporte foram destacados. Finalmente, perspectivas de novos estudos e aspectos relacionados à preparação profissional são evidenciados.

Exercício de força ativa a via AKT/mTor pelo receptor de angiotensina II tipo I no músculo cardíaco de ratos

PID: S1981-46902011000300003 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Soares Melo Amadeu Magalhães Fernandes Carmo Mendes Barretti Brum Oliveira
O receptor de angiotensina II tipo I (AT1) tem uma importante participação no desenvolvimento da hipertrofia cardíaca. Em um trabalho publicado anteriormente, por nosso grupo, demonstramos que o bloqueio do receptor AT1 durante o treinamento de força inibiu a hipertrofia cardíaca em ratos. Por isso, o objetivo deste trabalho foi estudar a participação do receptor AT1 na ativação de vias de sinalização intracelular relacionadas com o aumento da síntese de proteína em ratos submetidos a uma sessão de exercício de força. Para isso, realizamos um experimento com seis grupos de animais (n = 6; cada): controle (Con), exercitado e sacrificado cinco minutos após o exercício (Exe 5), exercitado e sacrificado 30 minutos após o exercício (Exe 30), controle tratado com losartan (Con Los), tratado com losartan, exercitado e sacrificado cinco minutos após o exercício (Exe 5 Los), tratado com losartan, exercitado e sacrificado 30 minutos após o exercício (Exe 30 Los). Os resultados mostram que no grupo Exe 5 e Exe 30 ocorreu um aumento de 63% (P < 0,05) e 62% (P < 0,05), respectivamente, na fosforilação da proteína AKT comparado com o grupo controle. Enquanto a fosforilação da mTor foi aumentada 65% (P < 0,05) somente no grupo Exe 30 comparado com o grupo controle, sendo estes efeitos bloqueados pelo uso do losartan nos grupos Exe 5 Los e Exe 30 Los. Portanto, esses resultados, juntamente com nossos resultados prévios, demonstram que o receptor AT1 tem participação na ativação da AKT e mTOR após uma sessão de exercício de força.

Feedback after good versus poor trials enhances motor learning in children

PID: S1981-46902011000400011 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Saemi Wulf Varzaneh Zarghami
O presente estudo investigou se a aprendizagem motora de crianças pode ser beneficiada pelo “feedback” (conhecimento de resultados -CR) fornecido após tentativas relativamente boas de prática, ao invés de após tentativas ruins. A tarefa requeriu que os participantes arremessassem saquinhos de feijão em um alvo circular fixo, posicionado no chão, a uma distância de 3 m. Vinte e oito crianças do ensino fundamental (idade média: 10,6 anos) participaram deste experimento. A fase de prática consistiu de 10 blocos de seis tentativas. Após cada bloco de tentativas, um grupo (KR “good”) recebeu CR relacionado aos três arremessos mais precisos, enquanto ao outro grupo (KR “poor”) foi fornecido CR relacionado aos três arremessos menos precisos. Os participantes não foram informados sobre as tentativas nas quais o “feedback” seria fornecido. Imediatamente após a fase de prática, os participantes preencheram o questionário de motivação intrínseca. Um dia após a fase de prática, foi conduzido um teste de retenção composto por 10 tentativas, sem CR. Os resultados demonstraram que a aprendizagem foi melhorada através do fornecimento de CR após as boas tentativas de prática. Ainda, os resultados do questionário revelaram que a motivação intrínseca dos aprendizes foi aumentada pelo “feedback” positivo. Os presentes achados adicionam evidências de que os efeitos motivacionais do “feedback” possuem um impacto direto sobre a aprendizagem.

Filosofia e neurociência: entre certezas e dúvidas

PID: S1981-46902011000400016 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Zimmermann Torriani-Pasin
Quando tentamos pensar o movimento humano, esse corpo vivo em relação com o mundo, por meio de conceitos restritos a uma única área, constata-se a complexidade deste fenômeno, que se mostra a cada novo movimento da ciência. Considerando esta complexidade, retomamos neste ensaio a possibilidade de diálogo entre Filosofia e Ciência, aqui ocupadas com os estudos sobre corpo e movimento humano. Recorremos, então, ao estranhamento entre Neurociência e Filosofia, em especial a Fenomenologia de Merleau-Ponty, por meio de exemplos clínicos e reflexões, não no sentido de buscar um sistema de explicações, forçar uma aproximação ou apontar elementos para fins de hierarquização, mas com o intuito de extrair deste movimento os elementos que nos ajudem a pensar nossas certezas e dúvidas acerca do movimento humano. A Filosofia nos auxilia, inicialmente, a indagar sobre os pressupostos e consequências das pesquisas, recolocando questões e restaurando o lugar da dúvida. A Ciência, por sua vez, abre campos, aguça curiosidades, e mesmo sem admiti-lo, deixa-se questionar. A separação entre as diferentes formas de pensar a realidade e produzir conhecimentos não precisa necessariamente ser combatida, às custas do enfraquecimento de ambas, mas é possível extrair consequências interessantes de um movimento de aproximação entre as duas áreas.

Gestão de práticas esportivas escolares no ensino fundamental no município de Santos

PID: S1981-46902011000200006 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Luguetti Bastos Böhme
A presente pesquisa teve por objetivo analisar as condições das práticas esportivas escolares (PEEs) no ensino fundamental no município de Santos - SP sob o ponto de vista dos gestores escolares, com relação à: a) percentual de atendimento no âmbito público; b) descrição dos recursos materiais e financeiros; c) caracterização dos recursos humanos; d) características do programa desenvolvido. Para isso, foram aplicados questionários junto aos gestores das escolas privadas (n = 12), municipais (n = 35) e estaduais (n = 12). Verificou-se que poucas crianças e jovens são atendidas nos programas no âmbito público. As instalações das escolas privadas e municipais são melhores que as da rede estadual; destaca-se que o município utiliza os espaços cedidos pela Secretaria Municipal de Esportes e pela Comunidade. De acordo com os gestores, o professor/treinador das PEEs não ministra Educação Física Escolar na mesma escola. Os gestores das escolas privadas e do município relataram que as PEEs não têm ligação com o Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola, o que aponta uma descrença dos gestores quanto à possibilidade educacional das PEEs. No âmbito público, pode-se pensar em estratégias para a democratização dessas práticas, com programas intersetoriais - que articulem diferentes secretarias e a participação da comunidade, de tal forma que os orçamentos possam ser otimizados e as PEEs valorizadas no contexto em que estão inseridas. Pretende-se que esse conhecimento subsidie futuras discussões sobre programas de iniciação esportiva no contexto escolar.

Gestão do Esporte: definindo a área

PID: S1981-46902011000500010 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Rocha Bastos
A gestão do esporte constitui-se em uma área de investigação acadêmica, com formação específica a partir da década de 60. Em termos de atuação e intervenção profissional, as organizações públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, de prática ou administração esportiva se configuram como campos de atuação para o gestor do esporte. Este artigo foi desenvolvido no sentido de contextualizar a área em três eixos. Inicialmente, o atual estágio acadêmico da gestão esportiva é discutido a partir do desenvolvimento de cursos de pós-graduação, das associações profissionais e das revistas científicas da área. Em seguida, gestão do esporte e termos relacionados são definidos. Por fim, as subáreas e as principais linhas de pesquisa da área são apresentadas, com exemplos de estudos sob a ótica das teorias que as sustentam. Em cada um desses tópicos considera-se a área em termos internacionais e seu desenvolvimento no país, de forma a fornecer subsídios para a definição de escopos de ensino, pesquisa e prática profissional.

Grupos de pesquisa em cursos de Educação Física com pós-graduação “stricto sensu” no Brasil: análise temporal de 2000 a 2008

PID: S1981-46902011000400006 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Del Duca Garcia Silva Nascimento
O objetivo da pesquisa foi descrever a evolução dos grupos de pesquisa em cursos de Educação Física com programas de pós-graduação “stricto sensu” no Brasil e sua produção intelectual no período de 2000 a 2008. Trata-se de um estudo descritivo, incluindo análise secundária de dados conduzida em 2010 com informações do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Analisou-se grupos de pesquisa; razões de pesquisadores e de estudantes por grupos de pesquisa; produção de artigos nacionais, artigos internacionais, livros e capítulos de livros, conforme macrorregiões geográficas; anos de coleta; número de cursos em Educação Física, pesquisadores e estudantes. As razões, frequências absolutas e relativas foram utilizadas na análise estatística descritiva dos dados. Os primeiros grupos de pesquisa em Educação Física no Brasil foram criados na década de 80, e em 2008 totalizaram 387. Observou-se diminuição da representatividade de grupos criados em instituições com programas “stricto sensu” (até 2000: 75,6%; de 2005-2008: 43,9%). No ano 2000, havia 453 pesquisadores e 479 estudantes de cursos de Educação Física. Identificou-se aumento nos anos 2002, 2004, 2006 e 2008, em comparação ao ano anterior (pesquisadores: aumento de 89%, 71%, 34% e 27%; estudantes: 83%, 76%, 42% e 41%, respectivamente). Também foi observada evolução na publicação de artigos em periódicos de circulação nacional; crescimento gradativo naqueles de circulação internacional e tendência de estagnação na publicação de livros e capítulos de livros. O crescimento do número de grupos de pesquisa e da produção intelectual reforçam o desenvolvimento e consolidação da Educação Física enquanto área acadêmica.

Influência da pedalada com os joelhos tangenciando o quadro da bicicleta sobre a ativação dos músculos do membro inferior

PID: S1981-46902011000100004 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Bini Carpes Diefenthaeler
A mudança da posição do corpo sobre a bicicleta tem sido relacionada a alterações na ativação dos músculos do membro inferior. Desta forma, o objetivo do presente estudo foi comparar a ativação dos músculos “Tibialis Anterior”, “Gastrocnemius Medialis”, “Biceps Femoris”, “Rectus Femoris”, “Vastus Lateralis”, “Adductor Longus” e “Gluteus Maximus” nas seguintes situações: 1) posição de referência (posição preferida); 2) posição de adução (joelhos tangenciando o quadro da bicicleta); 3) posição de abdução (joelhos afastados do quadro da bicicleta). Seis atletas com experiência competitiva em ciclismo foram avaliados por meio da eletromiografia de superfície (EMG). Todos pedalaram em suas próprias bicicletas montadas em um ciclosimulador, com carga de trabalho normalizada pelo VO2 de forma que a taxa de troca respiratória se mantivesse entre 0,8 e 1,0. A ativação muscular foi analisada por meio da comparação da média do envelope RMS e do período de ativação para cada um dos músculos, nas três posições avaliadas. Não foram observadas diferenças significativas para a média do envelope RMS e para o período de ativação dos músculos nas três posições avaliadas, à exceção do “Adductor Longus”. Observou-se maior ativação (36 ± 6%) deste músculo na posição de adução comparado a posição de abdução (25 ± 11%) para um valor de significância de p = 0,02, sem diferenças em relação a posição de referência (27 ± 7%). Estes resultados sugerem que não ocorrem alterações substanciais na ativação dos principais músculos do membro inferior quando a posição dos joelhos no plano frontal é alterada e a carga de trabalho é mantida, à exceção do aumento da participação do “Adductor Longus”.

Interações sociais e proficiência motora em escolares do ensino fundamental

PID: S1981-46902011000400009 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Miyabayashi Pimentel
Este estudo discute características de crianças que ingressam no ensino fundamental. Mais especificamente, o objetivo do estudo foi analisar a proficiência motora dessas crianças em relação com o nível socioeconômico e as interações sociais. O trabalho foi realizado com 30 crianças, as quais foram analisadas a partir do cruzamento de dados provenientes de teste de proficiência motora, questionário socioeconômico, observação direta e sociograma. Os resultados apontam que existe significância entre índices maiores de renda e sociabilidade com proficiência motora. Entretanto, o estudo também aponta para os desvios em relação à tendência encontrada, refletindo sobre a necessidade em se analisar os fatores macroscópicos do desenvolvimento sem recorrer a determinismos.

Metanálise dos efeitos agudos do alongamento na realização de corridas curtas de alta intensidade

PID: S1981-46902011000400003 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Ribeiro Del Vecchio
Informações das pesquisas explorando efeitos do alongamento no desempenho em corridas curtas de alta intensidade (CCAI) são controversas. Com isso, esta metanálise objetivou examinar os desfechos decorrentes da execução de diferentes protocolos de alongamentos, prévios à execução de CCAI. A pesquisa foi realizada em diversas bases de dados, usando combinações dos seguintes termos de referência: “sprint” e “stretching”. Selecionaram-se estudos com pessoas do sexo masculino e idade superior a 16 anos, sem restrição de modalidade, nível de aptidão física e procedimentos de avaliação utilizados. Após diferentes depurações, localizaram-se 11 investigações como apropriadas para análises, das quais resultaram 62 situações para serem estudadas. Como variáveis dependentes, consideraram-se o Tamanho de Efeito (TE) e o Delta Percentual (Δ%), e, como fatores, delineamento adotado, tipo de alongamento, protocolo de avaliação, número de séries, modalidade esportiva, nível de aptidão e prática pregressa de alongamento. Os resultados sugerem que: a) alongamento dinâmico (AD) promove rendimento significativamente superior quando comparado ao alongamento estático (AE) (p < 0,001) ou misto (AM) (p < 0,002); b) há diferença no TE e no Δ% entre corridas com mudança de direção e corridas lineares (até 20 m, p = 0,003, e acima de 20 m, p < 0,009); c) realização de vários testes proporciona melhores resultados que aplicação de teste único após aquecer e alongar (p = 0,001); e d) executar série única de alongamento é menos prejudicial que duas (p = 0,016) e três séries (p < 0,001). Sendo assim, é possível a obtenção de pequena vantagem incorporando o AD em relação ao AE, AM ou ausência de estímulos para a execução de CCAI.

Modelo de equilíbrio dinâmico: breve revisão da sua origem, implicações e novas perspectivas

PID: S1981-46902011000300016 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Pires Lima-Silva Kokubun Kiss
O Modelo de Equilíbrio Dinâmico (MED) assume a existência de uma intensidade máxima de exercício na qual seja possível observar um estado de equilíbrio fisiológico, o qual assegura o prolongamento do exercício. Até esta intensidade limite o exercício seria limitado pelos estoques de glicogênio muscular, mas acima desta, o acúmulo de metabólitos causaria a falha dos sistemas corporais e o término do exercício seria coincidente com o alcance de valores máximos em variáveis fisiológicas. Entretanto, o MED não se ajusta inteiramente aos resultados experimentais, pois estudos falharam em demonstrar um completo equilíbrio fisiológico em cargas iguais ou inferiores a esta intensidade limite. Adicionalmente, evidências mostram que nesta mesma faixa de intensidade, o término do exercício ocorre sem haver completa depleção nos estoques de glicogênio muscular. Inicialmente, o desalinhamento entre teoria e dados experimentais poderia ser devido, ao menos em parte, a um aspecto metodológico comum entre estudos anteriores: a ausência do término do exercício identificado na incapacidade da manutenção de uma potência mecânica requerida. A ausência do ponto de exaustão como critério do término do exercício pode ter gerado um artefato temporal nas medidas realizadas, não garantindo que cada medida temporal representasse a mesma fase de ajuste fisiológico ao exercício. Contudo estudos recentes do nosso grupo sugerem outra perspectiva para interpretação dos dados experimentais; a existência de equilíbrio fisiológico regulado pelos sistemas nervoso central e periférico, numa ampla faixa de intensidade de exercício.

Motivos da prática de dança de salão nas aulas de educação física escolar

PID: S1981-46902011000100003 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Shibukawa Guimarães Machado Soares
O estudo de corte transversal analisou os motivos da prática da dança de salão nas aulas de Educação Física escolar de escolas particulares, relacionando-os com o gênero, seu tempo de prática e participação em eventos de dança de salão. Obteve-se uma amostra de 279 alunos com idade de 15,5 ± 1,0 anos, matriculados nas aulas de dança de salão como Educação Física escolar. Aplicou-se o questionário de motivação para as atividades desportivas - QMAD, adaptado de SERPA e FRIAS (1990) e SERPA (1991). Analisou- se os dados através da estatística descritiva e inferencial, com nível de significância de 95%. Foram encontradas associações significativas entre os motivos e gêneros (r = 0,285; - 0,172); tempo de prática (r = 0,174) e frequência em eventos (r = 0,122; - 0,156). A dança de salão oferece em sua prática uma ferramenta de inúmeras possibilidades, onde cada um de seus praticantes procura preencher as suas próprias necessidades. De acordo com os resultados levantados percebe-se que os alunos estão motivados com a prática de dança de salão na escola havendo diferenças entre o gênero, o tempo de prática e a frequência nos eventos. Diante disto sugere-se a criação de propostas metodológicas condizentes com os principais motivos dos alunos nas aulas de dança de salão dentro do ambiente da Educação Física escolar.

Nutrição aplicada à atividade motora

PID: S1981-46902011000500006 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Lancha Junior
A Nutrição aplicada a atividade motora se divide em quatro áreas do movimento humano, a saber: esporte, educação física, dança, recreação/lazer. Essa definição conceitual diferencia a população alvo da intervenção nutricional. O organismo humano sempre apresentou o movimento como parte de sua atividade cotidiana e selecionou evolutivamente os organismos mais econômicos. Em contrapartida por conta de demandas, sociais, financeiras dentre outras a vida moderna impôs o sedentarismo como padrão de comportamento motor que aliado ao padrão genético de economia resultaram nas doenças modernas como obesidade, diabetes, etc. Assim a sociedade institucionalizou o movimento humano criando manifestações distintas descritas acima e suas necessidades específicas passaram a ser de interesse acadêmico/cientifico. Nutricionalmente os estudos se concentram no balanço energético, na necessidade de carboidratos, proteínas, lipídios assim como dos micronutrientes e outros compostos biologicamente ativos. Estes estudos definem estas substancias sob critérios de essencialidade ou efeito ergogênico superior a capacidade fisiológica. O primeiro determina mudanças nas necessidades nutricionais e o segundo substâncias consideradas ilícitas. No presente momento grande parte da comunidade cientifica dedicada à nutrição aplicada à atividade motora, dirige sua vocação na tentativa de descobrir as necessidades específicas provocadas pela pratica regular da atividade motora permitindo seu exercício regular para que a mesma propicie os benefícios na manutenção da saúde de forma plena nas quatro áreas descritas acima.

O esporte e o ensino médio: a visão dos professores de educação física da rede pública

PID: S1981-46902011000100008 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Santos Nista-Piccolo
O presente trabalho investigou a visão que o professor de Educação Física, que atua no Ensino Médio, tem sobre a aplicação do esporte em suas aulas na escola. Buscamos identificar qual a concepção atribuída ao esporte e à competição, bem como verificar qual o sentido da prática esportiva nesse contexto. Numa pesquisa do tipo qualitativa foram coletadas informações a partir de uma ficha diagnóstica das escolas, além de uma entrevista semiestruturada com esses profissionais. Uma pergunta geradora norteava a investigação: Como você vê a relação Esporte/Educação Física? As respostas obtidas foram interpretadas por meio da técnica de análise de conteúdo, BARDIN (2004). O estudo consta de duas etapas, na primeira está uma revisão bibliográfica sobre as questões que permeiam a prática esportiva na Educação Física escolar no Ensino Médio e, na segunda, o desenvolvimento metodológico dessa pesquisa. Os resultados apresentados apontam o esporte relacionado aos seguintes temas: esporte e educação, que declara uma falta de compromisso por parte dos docentes; esporte e saúde, que se configura com equívocos conceituais; esporte e competição, que demonstra uma ênfase na prática seletiva; esporte como um aspecto cultural, visto como fundamental na contribuição à cultura da sociedade; esporte na perspectiva das modalidades tradicionais, definido como únicas perspectivas de prática pedagógica, esporte e inclusão, que revela a predominância das atividades exclusivas aos mais hábeis.

O papel do folclore na motivação para atividades físicas de idosas

PID: S1981-46902011000100007 | Journal: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte (1981-4690) | Year: 2011
Authors: Cardoso Assumpção
Existem muitos relatos sobre os benefícios biológicos da atividade física em idosos. Porém, o número de praticantes ainda não é satisfatório. Esse ponto controverso foi usado no presente artigo. Pesquisou-se sobre o uso do folclore local como um mecanismo educacional e motivacional útil no aumento da prática de atividades físicas para idosas. Foram entrevistadas idosas do Clube da Amizade em Caetité - BA, que foram motivadas e estimuladas pela dança. Este artigo também usou as reflexões de Paulo Freire, que admite o uso da cultura e contexto de vida pessoal como o mais importante meio de motivação e de educação. Os resultados provaram que é positivo o uso deste citado processo motivacional em estimular idosas nas suas aulas de educação física. Elas relataram que se sentem muito motivadas durante as aulas de dança enquanto podem escutar músicas que as fazem lembrar de seu passado, cultura e valores morais.
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