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Dentro e fora dos espelhos: leituras do simbólico

PID: S1984-71142010000300003 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Belli Moraes
O artigo tem como objetivo refletir sobre o simbólico, sobre o “duplo”, subjacente à linguagem literária, num corpus que tematiza e espelha o real: “Mulher ao Espelho” e “Retrato”, de Cecília Meireles; “Pareça e Desapareça”, de Paulo Leminski; “O Espelho”, de Mário Quintana, “O Búfalo” e “Onde Estivestes de Noite”, de Clarice Lispector e “Sampa”, de Caetano Veloso. Essas produções literárias que se utilizam do tema espelho e tecem reflexões de ordens diversas são analisadas como promotoras de elos sociais que determinam diferentes olhares sobre o real, demonstrando a força do poético.

Do meio impresso ao digital: a poesia de Ana Maria Uribe

PID: S1984-71142010000300006 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Antonio
Este artigo apresenta alguns aspectos do percurso da obra poética de Ana Maria Uribe (1944-2004) nos meios impresso e digital, indicando que o uso do meio digital significou um enriquecimento para a comunicação poética da autora.

Educação para a cidadania intercultural: contribuições na dinâmica da investigação em grupo

PID: S1984-71142010000200006 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Silva Cabrera Rodríguez
O sistema educativo, educadores e pesquisadores vêm acumulando experiências e uma significativa produção gerada pelas inquietações e pela busca de alternativas para o tratamento do fenômeno da multiculturalidade presente no espaço educativo. Somam-se esforços por tentar compreender e experimentar propostas de formação de educadores, de tal forma que possam responder positivamente, e com eficácia, à sua função de educadores em contextos de diversidade cultural, social e econômica. O propósito deste trabalho coloca como campo de pesquisa a produção ancorada no ambiente proporcionado pelo Grupo de Investigación em Educación Intercultural (GREDI) da Universidade de Barcelona. Centrou-se em conhecer o modelo de cidadania intercultural preconizado pelo grupo e em localizar as contribuições nos processos de formação para a cidadania intercultural. O ofício da cidadania exige espaços de vivência democrática e é justamente neste aspecto que a educação aporta possibilidades de viabilização de ações cidadãs. A formação de professores que contempla esse horizonte garante o seu papel e contribui para a transformação social, a partir da formação das gerações futuras no presente.

Formação do leitor: criticidade e autonomia

PID: S1984-71142010000300007 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Cavéquia Maciel Rezende
O que significa, para o educador, formar um leitor crítico e autônomo? Qual é o conceito de criticidade e de autonomia? De que modo(s) é possível mediar processos de leitura, tendo em vista a promoção da autonomia e do pensamento crítico de um leitor de textos veiculados pela mídia? O objetivo deste artigo é, pois, discutir essas questões, buscando, por meio da literatura da área disponível, compreender o modo como o leitor em formação seleciona as leituras advindas da mídia e de que modo ele se posiciona perante elas, considerando o acesso quase ilimitado de textos disponíveis atualmente. Tendo em vista o volume de textos a que a sociedade contemporânea tem acesso nos dias atuais, especialmente aqueles provindos dos meios de comunicação de massa, inclusive do ciberespaço, importa discutir, no âmbito da educação, o modo como o leitor em formação - o aluno de educação básica, mais precisamente - seleciona e recepciona tais textos. Para tanto, o artigo propõe-se a: discutir o papel da mídia no modelo de sociedade atual; compreender o que quer dizer autonomia e criticidade nesse contexto; ponderar se os leitores que a escola tem formado correspondem a esse perfil; refletir acerca de o que significa e por meio de quais propostas didáticas é possível formar esse leitor que se deseja.

Gênero e formação docente: contribuições de um processo de intervenção pedagógica

PID: S1984-71142010000200002 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: França Calsa
O objeto deste artigo é demonstrar algumas representações sociais de gênero apresentadas por professores e professoras de 5ª e 6ª séries de uma escola pública da cidade de Sarandi/PR. Em vista disso, problematizou-se: Quais as representações sociais de professores e professoras a respeito de gênero? Esse conceito pode ser ampliado e/ou reorganizado por meio de uma intervenção pedagógica? Para tanto, realizou-se um processo de intervenção pedagógica com discussões em grupo, com o intuito de repensar o gênero em um contexto sócio-histórico. Tomou-se como fonte de dados as verbalizações dos professores e das professoras durante o processo de intervenção pedagógica. Caracteriza-se esta análise como uma pesquisa-ação participativa, ao considerar a pesquisa um instrumento de “(re)construção” do conhecimento. Os resultados deste artigo apontaram um movimento de opiniões e definições do conceito de gênero apresentado pelos/as professores/as após o processo de intervenção pedagógica. Considera-se que tais resultados revelam a necessidade de maiores discussões sobre o gênero no ambiente escolar.

Interações entre conceitos cotidianos e filosóficos na disciplina de filosofia no ensino médio

PID: S1984-71142010000100006 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Belieri Sforni Galuch
No contexto da discussão sobre as aulas de Filosofia no Ensino Médio, a presente pesquisa teve como objetivo compreender a relação entre o desenvolvimento dos conceitos espontâneos e filosóficos em uma atividade de ensino. O objeto de estudo foram aulas da disciplina de Filosofia, com alunos do 4º ano do Ensino Médio Integrado do Curso Técnico em Informática de um colégio estadual do Paraná. A análise foi realizada com base em pressupostos da Teoria Histórico-Cultural. Os resultados indicam que a apropriação dos conceitos filosóficos oferece aos alunos condições de interação mais complexa com o mundo, já que esses conceitos - instrumentos simbólicos produzidos ao longo da história da filosofia - permitem que eles superem a opinião proveniente da experiência pessoal. Constatamos também que, no desenvolvimento do aluno, há uma relação de resistência e interdependência entre os conceitos espontâneos e os conceitos sistematizados da Filosofia.

Mediadores e mediação: a inclusão em aulas de matemática

PID: S1984-71142010000100002 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Manrique Ferreira
Este artigo apresenta reflexões sobre o uso de uma ferramenta para representação de gráficos por alunos cegos do Ensino Médio. Apresenta um levantamento histórico do desenvolvimento de institutos para alunos cegos no Brasil e explora a interação entre um professor de matemática e um aluno cego para a confecção da ferramenta, no sentido de favorecer o processo de ensino e aprendizagem deste aluno. E conclui que a inclusão ocorre quando um aluno que possua algum tipo de deficiência tem a oportunidade de ser tratado como todos os outros alunos da sala, bem como partilhar e participar de situações-problema que envolvam a manipulação de ferramentas que o deixem nas mesmas condições de seus colegas para aprender.

O ensino de geografia no Brasil: as prescrições oficiais em tempos neoliberais

PID: S1984-71142010000100003 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Rocha
A partir da segunda metade da década de noventa do século passado, uma nova política de estado, destinada a promover a reforma da educação brasileira, foi sendo implementada. Fazendo parte desta política maior, e recebendo especial destaque, novas determinações oficiais foram impostas para o currículo prescrito para a educação básica, incluindo-se aquelas destinadas ao ensino de Geografia para este nível educacional. As análises por mim realizadas, resultantes de um estudo de caráter qualitativo realizado por intermédio dos aportes metodológicos das pesquisas bibliográfica e documental, levaram-me a concluir que o currículo prescrito pelo governo brasileiro para o ensino de Geografia, presente nos chamados Parâmetros Curriculares Nacionais, resulta da necessidade de fazer com que a escola e essa disciplina venham a atender às novas demandas postas pelo capitalismo. Busco demonstrar que neste momento em que as ideias neoliberais promovem uma colonização da educação e do currículo, as geografias escolares de fundamentação positivista ou dialética que se fazem presentes nas salas de aula tornaram-se entrave para o cumprimento do novo papel que se espera da escola. Para lhes contrapor, uma nova geografia escolar de fundamentação fenomenológica e construtivista foi selecionada pelo estado para ser veiculada no interior das escolas.

O pensamento complexo e a educação escolar na era planetária

PID: S1984-71142010000200011 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Martinazzo
Este artigo aborda a denominada civilização planetária, cuja origem remonta ao início dos tempos modernos e evolui à medida que se desenvolvem os sistemas de comunicação e se integram os continentes pelos intercâmbios mercadológicos acarretando, como consequência, uma profunda miscigenação cultural em todo o planeta Terra. Um dos maiores desafios da educação escolar atual consiste, sem dúvida, em educar numa e para uma era com características planetárias visando ao despertar de uma sociedade-mundo. A consciência da existência de uma civilização planetária e a aptidão para conviver numa Terra-Pátria comum, no entanto, dependem fundamentalmente de uma reforma paradigmática da estrutura do pensamento. Essa nova matriz cognitiva apoia-se em princípios transdisciplinares da teoria da complexidade para compreender a realidade dos fenômenos bioculturais com características planetárias. As noções de era planetária, de sociedade-mundo, de Terra-Pátria, de cidadania terrestre e de homem planetário constituem o horizonte de sentido da teoria da complexidade. Enfim, aprender a viver na e para uma era planetária exige que civilizemos o pensamento e vivamos uma pragmática da complexidade.

O “outro” na sala de aula: o cinema no ensino da história e cultura afrobrasileira na educação escolar

PID: S1984-71142010000100010 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Felipe Teruya
A aprovação da Lei 10.639/2003 outorga obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana na Educação Básica, demandando um repensar das ações pedagógicas no espaço escolar e no currículo. Essa lei combate as sub-representações e os estereótipos vividos pela população negra ao longo da história brasileira. Sua efetivação na sala de aula exige formar um novo perfil de docentes e discentes que, a fim de que no processo de reflexão sobre o “eu” e o “outro”, se apropriem de conhecimentos necessários para questionar a pedagogia excludente que ainda existe nas escolas. O presente trabalho tem por objetivo problematizar a possibilidade dos professores e das professoras trabalharem com o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana na educação escolar. Para verificar como a representação do “outro”, nesse caso o negro, se manifesta nas escolas, realizamos uma pesquisa-ação participativa oferecendo um curso de extensão destinado aos docentes da rede estadual de educação do Município de Maringá (PR) e região. Verificamos que as reflexões realizadas no decorre do curso levaram os docentes a problematizar os conceitos de raça, etnia, igualdade, diferença, cultura e conhecimento. As análises dos dados obtidos indicam que as discussões contribuíram para ampliar o conhecimento dos docentes sobre sua prática pedagógica como formadores de posicionamentos sociais. Os professores e as professoras tiveram a oportunidade de repensar as suas subjetividades, as posturas pessoais e os preconceitos historicamente assumidos. Concluímos que o curso possibilitou experimentar uma reflexão coletiva: para enfrentar aspectos conflitivos e tensões que se apresentam relacionadas às questões étnico-raciais em sala de aula, evidenciamos a necessidade de uma formação docente que permita aos professores e às professoras desconstruir concepções e visões estereotipadas dos africanos e negros brasileiros, construídas ao longo da história.

Percepção e uso da informática por um grupo de professores da área de letras

PID: S1984-71142010000300011 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Garcia Leffa
Este artigo objetivou analisar as percepções e as realidades de um grupo de professores da área de Letras quanto ao uso da informática no processo educativo. O trabalho fundamenta-se na concepção histórico-cultural da relação indivíduo-conhecimento, destacando o uso dos recursos da informática como instrumentos de mediação no processo de ensino-aprendizagem e nas perspectivas atuais acerca da informática na educação. A coleta de dados foi realizada mediante um questionário semiestuturado. A análise dos dados evidencia que, embora os sujeitos apontem para a importância do uso da informática em sala de aula, os recursos dessa tecnologia ainda não se fazem presentes como instrumentos de mediação no processo de ensino-aprendizagem da(s) língua(s). Entre os aspectos que podem contribuir para a mudança dessa realidade, ressalta-se o investimento em ações voltadas à capacitação de professores no uso educacional da informática.

Pessoas com altas habilidades/superdotação adultas: lembranças do processo de escolarização

PID: S1984-71142010000200013 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Delpretto
Em consonância com as culturas, juntamente com os padrões de vida impulsionados pelo momento atual, a sociedade vive um período de mudanças rápidas. Dentre as transformações, a escola vislumbra a inserção e a melhoria das ferramentas pedagógicas, sendo que alguns destes recursos podem contribuir para que um determinado grupo tenha suas necessidades educacionais específicas reconhecidas, os sujeitos com altas habilidades/superdotação. Assim, esta pesquisa teve por objetivo investigar como as pessoas com altas habilidades/superdotação reportam a influência escolar, caracterizando-se como qualitativa e descritiva, utilizando a metodologia de estudo de caso. Os resultados indicaram que as consonâncias entre os impactos do período da escolarização e as vivências atuais dos sujeitos fi zeram que estes buscassem oportunidades de acordo com as necessidades de aprendizagem, ou que negassem a existência destas necessidades, dentre outros aspectos.

Polícia e escola: aparando arestas

PID: S1984-71142010000200007 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Santana Gomes
A Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília realizou pesquisa sobre a segurança escolar em quatro escolas públicas do Distrito Federal, em parceria com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), incluindo a participação do policial. Será que o policial favorece a segurança e a proteção de todos na escola ou contribui para o aumento da violência? Como diretores, professores, alunos, membros do Conselho de Segurança Escolar (CSE) avaliam a atuação do policial na escola? A pesquisa qualitativa e quantitativa teve entrevistas com quatro diretores, oito membros do CSE e sete policiais, grupos focais com ao todo 73 alunos, questionários aplicados a 99 professores e 615 alunos, em quatro escolas da rede pública incluídas entre as mais violentas. Os participantes, inclusive os policiais, foram unânimes ao afirmar que a presença do agente na escola é importante para combater a violência, principalmente quando há relacionamento de amizade e confiança entre os policiais, a direção da escola, os alunos e os seus respectivos pais. Observou-se que o policial, em vários casos, se assimilou ao ambiente educativo, participando das atividades escolares e executando também funções pedagógicas voltadas à segurança escolar.

Por uma ética do cuidado e do sensível: construindo relações na pós-modernidade

PID: S1984-71142010000200004 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Trezzi Berkenbrock-Rosito
O individualismo é, entre outros, um elemento que dificulta a vida em sociedade no mundo pós-moderno. Existem maneiras de atenuar o desconforto causado pelas marcas da pós-modernidade. Alguns autores, como Leonardo Boff e Danis Bois, mostram que, através do cuidado e da sensibilidade, é possível diminuir a intensidade dos sinais distintivos do comportamento humano no mundo de hoje. João Batista de La Salle e Paulo Freire mostram que, na escola, é possível construir relações éticas e estéticas que colaborem com o desenvolvimento saudável da pessoa.

Provocações no campo da história: Nietzsche e Foucault pensadores do presente

PID: S1984-71142010000200003 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Henning Lockmann
O que é a história? Colocando-se a pensar sobre a escrita da história e os discursos que a constituem, impulsionamo-nos para a escrita desse texto. Gostaríamos de indagar o leitor acerca do seu entendimento sobre esse campo de saber e, sendo assim, provocar nosso próprio pensamento a elaborar outras possibilidades de criar a História da Educação. A partir de Friedrich Nietzsche e Michel Foucault, apresentamos os rastros de uma História do Presente como possibilidade de criação para fazermos da história um campo de saber que resista ao retorno das origens, mas que se volta aos acidentes, aos percalços, aos desvios, às recorrências e às dispersões. Uma história que não tem a pretensão de buscar uma origem fundadora, nem mesmo desvendar a verdade que repousa em sua essência original. Pretendemos ainda evidenciar que a constituição da história é produzida por relações de poder que se atravessam, relações de força que são responsáveis pelos sentidos que atribuímos às normas, às regras, rompendo com o entendimento de que tais questões têm um significado originário. Com isso, nosso texto tem como intencionalidade maior provocar o pensamento do historiador e anunciar as possibilidades de utilizar o conceito de história do presente em Nietzsche e Foucault como uma ferramenta produtiva para o campo de saber da História. Quem sabe com essa história provocativa possamos responder como nos tornamos aquilo que somos como sujeitos de saber e sujeitos de poder na atualidade, provocando nosso pensamento a pensar a história diferente do que se pensa e se tornar diferente do que se é.

Prática docente: objeto legítimo da pesquisa acadêmica?

PID: S1984-71142010000100011 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Pachane
O presente trabalho tem por finalidade refletir sobre a pesquisa da prática docente como legítimo objeto de investigações científicas realizadas por professores universitários. Não retrata resultados de um trabalho exaustivo de pesquisa, mas busca apresentar algumas questões introdutórias acerca da temática proposta. No decorrer do texto, buscarei, de maneira sintética, situar as funções esperadas da Educação Superior, conseqüentemente, dos professores universitários e, a seguir, discutir um pouco a legitimidade da pesquisa sobre a docência na produção científica dos docentes. Nossas análises pautam-se por dados levantados em um evento específico na área de educação, o XIII ENDIPE e em diversos periódicos das diferentes áreas do saber disponíveis na base de dados do Scielo.

Quand la littérature parle de l’interaction et de l’action…

PID: S1984-71142010000300004 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Cicurel
Ao considerar como um falante é capaz de interagir com outro, durante uma conversa, como ele pode simultaneamente decodificar a mensagem verbal e apreender o complexo conjunto de índices e sinais emitidos, pode-se justamente perguntar sobre a gênese e o desenvolvimento dessa competência. Como podemos realizar tais ações complexas, que instâncias somos confrontados para aprender a expressar e a ler as intenções e as emoções? Nós nos propomos aqui a analisar a capacidade humana de realizar uma “leitura do outro” a partir da seguinte hipótese: uma parte importante da comunicação oral não é verbalizada, e é por meio da literatura que podemos ter acesso a elementos que fazem parte integrante dessa troca, mas que não são expressos no processo oral. Propomo-nos a abordar a interação oral através das formas de textos escritos dialogados que imitam ou reproduzem as formas de interlocução oral. O texto, através de mimese, finge a produção de palavras pronunciadas pelos personagens, define as formas pelas quais uma pessoa se dirige a outra. Essas “conversações escritas” (cenários, diálogos de romances, diálogos filosóficos, piadas, diálogos didáticos de métodos, etc.) utilizamos no desenvolvimento de uma ficção que dá a ilusão da oralidade. Nossa intenção é mostrar que as formas literárias escritas podem se tornar um suporte privilegiado para uma melhor compreensão da oralidade. Na verdade, não é fácil trabalhar com o que faz a especificidade da comunicação oral - as estratégias de conversação, os discursos indiretos da fala, as insinuações, a expressão de sentimentos, as intenções - com base numa oralidade dita autêntica, porque onde encontraremos falantes dispostos a “se abandonar” e libertar suas emoções diante de um gravador? “Formas escritas do oral” constituem, portanto, dados valiosos para descobrir o que está em torno (de) e concomitante numa troca verbal. E é em grande parte graças à literatura que podemos descobrir o registro emocional e suas manifestações. Assim, é por “forma escrita” que o leitor pode acessar as intenções dos personagens, seus modos de fazer as coisas. As palavras expressas, os comentários nos permitem determinar a troca não somente dentro de um contexto social, numa tipologia das interações, mas também em uma lógica psicoemocional dos comportamentos.

Retratos da leitura no Brasil

PID: S1984-71142010000300005 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Correa
Estaremos neste artigo investigando o perfil dos leitores brasileiros, com base na análise dos dados revelados pela pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” (2008), promovida pela CBL; SNEL e Abrelivros, a qual teve como foco principal conhecer e mensurar a conduta do leitor no que concerne, principalmente, aos livros, e fazer um levantamento de como as pessoas percebem a leitura, fazendo em certos momentos um comparativo com a edição 2000/2001. A história Ocidental da leitura mostra que a leitura na antiguidade era acessível a poucos. Em nosso país este fato se repete, visto que os livros brasileiros eram editados em Portugal e há apenas dois séculos os mesmos são editados no Brasil. O distanciamento do leitor do livro se perpetua desde a antiguidade até os nossos dias. Apesar dos esforços implementados pelas políticas públicas de incremento à leitura, ainda estamos longe do percentual desejável de leitores, se comparado aos países desenvolvidos. Observamos dados, como a faixa etária dos leitores, em que lêem mais, porque lêem gêneros literários preferidos, como é o acesso às bibliotecas, o perfil do leitor brasileiro quanto a sua situação socioeconômica e a sua escolaridade. Constata-se também que nosso país apresenta índices oscilantes de leitores por regiões. A pesquisa também revela que o brasileiro associa a leitura à fonte de conhecimento, não a vê como objeto estético e aponta percentuais de leitores de livros digitais (e-books).

Sob a névoa da leitura

PID: S1984-71142010000300002 | Journal: Contrapontos (1984-7114) | Year: 2010
Authors: Lima
Esse artigo trata da necessidade de explicar ao leitor contemporâneo o valor da leitura de obras clássicas e da importância delas para a formação do sujeito leitor e em particular do estudante de Letras.
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