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Até quando? Bullying na escola que prega a inclusão social

PID: S1984-64442010000300007 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Tognetta Vinha
Não há quem não conheça casos de constrangimentos a que escolares são submetidos continuamente por seus colegas. Infelizmente o fenômeno bullying, termo inglês que significa intimidação, encontra-se mais disseminado do que se supõe. Numa investigação com 400 alunos de escolas públicas e particulares brasileiras, é comprovada a ocorrência de atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetitivos, entre tais alunos. O estudo foi motivado pelas angustias e preocupações de escolas que sozinhas não têm conseguido resolver problemas de violência que se manifestam no seu interior. Quando entrevistadas com finalidades diagnósticas da situação que vivem, crianças e adolescentes apontam para o bullying como um problema sério que as atinge. No entanto, os dados mais significativos encontrados por essa investigação dizem respeito a uma questão que, propositalmente, fora inserida no questionário sobre bullying (baseado nos experimentos de Dan Olweus): crianças e adolescentes são menosprezados, humilhados ou zombados pelos próprios professores. Tal afirmação nos permite concluir que há ainda na escola uma lacuna quanto às formas pelas quais educadores de diferentes níveis escolares intervêm nos conflitos cotidianos, assim como pensam a formação moral de seus alunos.

Brincadeiras de crianças Mbyá-Guarani no urbano: reflexões acerca da antropologia e da psicologia da educação

PID: S1984-64442010000100009 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Jesus
O presente texto é composto por resultados parciais de uma pesquisa de campo etnográfica, realizada junto a um grupo Mbyá-Guarani no urbano de Santa Maria, Rio Grande do Sul, e apresenta reflexões acerca de algumas brincadeiras desenvolvidas pelas crianças Guarani em seu território, um acampamento indígena, e também no centro da cidade, onde acompanham a venda de artesanato. Assim, objetiva-se, por meio desse trabalho, estabelecer relações entre o ato de brincar e a constituição dos modos de ser indígena, bem como compreender as práticas de educação não escolar presentes nessas brincadeiras. Nesse sentido, busca-se evidenciar vínculos entre a Psicologia do Desenvolvimento e a Antropologia Social, enquanto disciplinas que procuram compreender e explicar os processos de ensino e aprendizagem dos grupos sociais. Para tanto, faz-se necessário salientar que não se pretende, nesse texto, discutir sobre a interdependência epistêmica que a educação tem com outras áreas do conhecimento (GOERGEN, 2005), como, no caso aqui, a Psicologia e a Antropologia. A intenção é descrever, sob a ótica destas disciplinas, algumas brincadeiras que foram vivenciadas em observação participante e analisadas através de uma abordagem interpretativa da cultura, nos termos de Geertz (1989).

Costurando histórias: histórias de vida e suas contribuições na educação

PID: S1984-64442010000200010 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Espindola Vasconcellos
Construímos este artigo analisando alguns aspectos do filme Colcha de Retalhos (1995), que é uma produção cinematográfica, que foi proposta para que assistíssemos e, posteriormente, refletíssemos em uma de nossas aulas do Seminário temático da Linha de Pesquisa 1: Memória, Formação e Histórias de vida , disciplina ofertada pelo Programa de Pós-graduação do curso de Mestrado em Educação da Universidade Federal de Santa Maria. O filme enfoca as histórias de vida de um grupo de mulheres, tendo a colcha de retalhos como mediadora de suas relações sociais, bem como um suporte de comunicação para seus sentimentos e emoções, a partir das várias histórias, símbolos, figuras e desenhos que são apresentados nos bordados nesta “colcha de memórias”. Procuramos também fazer uma relação do filme com a metodologia História de Vida, e como esta se mostra rica nas pesquisas no campo educacional, proporcionando processo de autoformação aos sujeitos sociais envolvidos, à medida que o esforço pessoal de explicitação de uma dada trajetória de vida obriga a uma grande implicação e contribui para uma tomada de consciência individual e coletiva.

Discriminação e preconceito como fatores de violência e atitudes docentes como fator de promoção de resiliência na escola

PID: S1984-64442010000300006 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Scriptori Borges Junior
A relação entre preconceito social, violência e promoção humana tem sido tema de discurso acadêmico, político e popular, mas ainda assim apresenta-se distante de apontar uma ou mais soluções para este problema que parece ser crescente, deixando vítimas ao longo do caminho. Com este artigo buscamos refletir sobre fatores que interferem na construção do sujeito, especificamente a promoção de resiliência no sujeito, dentro de um recorte étnico-racial afrodescendente. Para tanto, procuramos estabelecer as possíveis relações entre fatores de resiliência e ação docente, dentro de um sistema educacional que, em larga escala, reproduz o preconceito racial, já tão estigmatizado pela sociedade brasileira. Utilizamos como metodologia a pesquisa qualitativa exploratória, de tipo ex post facto, com estudo de caso, por meio de entrevista aberta, com base no Método Clínico Crítico de Piaget. Realizamos pesquisa bibliográfica para confirmar a existência de preconceito racial no sistema público de ensino e fundamentar teoricamente alguns conceitos nesse sentido. Observamos que a literatura, no Brasil, sobre resiliência na Educação ainda é escassa e não encontramos nenhum trabalho relacionado especificamente à resiliência em alunos afrodescendentes. A análise dos dados permitiu-nos inferir que quando um sujeito é enormemente prejudicado pelas circunstâncias do meio pode transcender a tais prejuízos, desde que receba acolhimento e ajuda efetiva de outro(s) ser(es) humano(s), inclusive de seus professores. Nesse sentido, esses fatores podem ser usados como ferramenta docente.

Educação: entre a subjetivação e a singularidade

PID: S1984-64442010000200003 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Gallo
Este artigo retoma a problematização do conceito de ideologia para pensar a dimensão ideológica da educação. Inicia por um percurso pelo tema da ideologia no contexto do pensamento marxista, passando por Marx, Gramsci e Althusser. Em um outro referencial, busca o aporte de uma descrição fenomenológica com Sartre, explorando as relações do conceito de má-fé com a ideologia. Parte, então, para um outro registro distinto da filosofia da consciência, explorando a noção de produção de subjetividades, especialmente com Guattari, mas também com o apoio de Deleuze e de Foucault. Neste contexto, a ideologia é tratada como processo de subjetivação, de construção social e maquínica de subjetividades. As possibilidades de resistência e de criação, como linhas de fuga, são exploradas ao final, em torno da ideia de singularidade, lançando o desafio de se pensar e produzir processos de singularização nas instituições escolares.

Encuentros y convivencia escolar

PID: S1984-64442010000300002 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Gijón Casares Puig Rovira
El artículo aborda el malestar escolar - fracaso, indisciplina, violencia, conflictos, etc.-, pero no lo hace indagando en las causas que lo provocan, sino en los medios pedagógicos que pueden transformar sus peores consecuencias. Para conseguirlo, se presenta la idea de reconocimiento como un camino para mejorar las relaciones interpersonales y el clima escolar. Tras caracterizar las modalidades de reconocimiento - afectiva, comunicativa y cooperativa -, el trabajo se centra en la relación afectiva y lo hace a partir del estudio de los encuentros interpersonales. Basándose en una aproximación de índole etnográfica, se realiza una presentación de las distintas modalidades de encuentro que detectamos en las aulas escolares: encuentros de ayuda a la construcción de conocimiento, de manifestación de afecto y cuidado, y de formulación de correcciones y recriminaciones. A partir de estos hallazgos se hacen algunas consideraciones sobre cómo debería ser la relación educativa para conseguir una mejora papable del clima escolar.

Escola: os conflitos sociomorais e a construção da personalidade moral

PID: S1984-64442010000300003 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Dani
Este artigo apresenta reflexões sobre os conflitos sociomorais e as violências presentes no ambiente escolar. As informações para este texto foram coletadas durante o desenvolvimento do projeto de pesquisa intitulado “Personalidades morais em construção: os conflitos sociomorais e os sentimentos”. A pesquisa teve como objetivo investigar como as professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental trabalhavam com as situações de conflitos sociomorais e com os sentimentos daqueles que neles estavam envolvidos, para, assim, compreender as repercussões na construção da personalidade moral autônoma dos alunos (PUIG, 1998). Foi previsto na metodologia do projeto, um estudo de caso (LÜDKE; ANDRÉ, 1986), a realização de entrevistas semi-estruturadas com docentes e a observação das turmas de alunos dessas professoras. Foram entrevistadas 14 professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental de escolas públicas de quatro cidades do estado do Rio Grande do Sul. Seis atuavam na cidade de Santa Maria, uma em Faxinal do Soturno, quatro em Nova Palma e três em Roque Gonzales. A pesquisa empírica revelou um universo de dados que apontaram para a existência de conflitos e violências tanto na relação aluno-aluno quanto na relação professora-aluno. Os conflitos e violências observados (em sua maioria) foram decorrentes de um sentimento de abstenção por parte das professoras entrevistadas. Somado ao despreparo na formação, ao desconhecimento de como mediar conflitos e a não compreensão de algumas situações de conflitos como violências, as práticas autoritárias das professoras também se destacaram como um elemento que desfavoreceu a construção da personalidade moral autônoma e a relação EU-TU (BUBER, 1977).

Gestão compartilhada da educação: o discurso e as práticas cotidianas no sistema de ensino do Recife

PID: S1984-64442010000100013 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Andrade
O presente artigo analisa a questão do compartilhamento das decisões no âmbito da gestão da educação pública, problematizando a relação entre o discurso da gestão democrática e as práticas sociais dos conselheiros escolares e dos gestores do Sistema Municipal de Ensino do Recife. Os dados, coletados através de entrevistas e administração de questionários, foram tratados na perspectiva da análise de discurso. O objetivo é cotejar determinadas concepções e caracterizações da gestão compartilhada, presentes na literatura do campo educacional, e nas entrevistas dos sujeitos da pesquisa, com as nuances que envolvem o processo de proposição de políticas educacionais para o município do Recife. Conclui-se que as ações dos sujeitos que poderiam contribuir para a materialização dos princípios democráticos na gestão da educação municipal são desarticuladas ou silenciadas por um conjunto de fatores, entre os quais se destaca a desarticulação entre as instâncias de participação. Isso prova que a dificuldade de participação que freqüentemente é apontada como limitação estritamente da escola, trata-se de um problema que envolve, sobretudo, os órgãos de maior poder decisório do sistema de ensino. Esse é um elemento que depõe contra o discurso da descentralização no âmbito da gestão educacional, como também explicita o reducionismo do compartilhamento das decisões em nível de gerências administrativas do município.

Gestão escolar: a prática pedagógica administrativa na política de educação inclusiva

PID: S1984-64442010000200007 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Tezani
Este trabalho apresenta os resultados de uma tese de doutorado que teve como tema a análise dos saberes que envolvem a prática pedagógica e administrativa cotidiana de gestores escolares que atuaram com a proposta de construção de um sistema municipal de educação inclusiva, enquanto política educacional. Seu objetivo foi acompanhar a trajetória da gestão escolar diante da proposta de educação inclusiva em três escolas do ensino fundamental de uma cidade de porte médio do interior do Estado de São Paulo. Realizou-se a coleta de dados na escola mais antiga, uma de idade intermediária e outra recém-inaugurada. As etapas do trabalho foram: 1) revisão de literatura sobre: a) pesquisa qualitativa do tipo etnográfico aplicada à educação; b) princípios de autonomia, planejamento, descentralização; c) formação do gestor escolar e d) relação entre gestão escolar e a escola inclusiva; 2) coleta de dados nas escolas; 3) descrição e categorização dos dados e 4) análise e interpretação dos resultados. Para o desenvolvimento da metodologia, foram utilizadas observações dos participantes, entrevistas semiestruturadas, análise dos documentos oficiais das escolas (internos e externos). Concluiu-se que há inexistência de projeto político-pedagógico construído coletivamente; dificuldade no desenvolvimento de ações coordenadas e adaptadas às realidades; problemas de relacionamento interpessoal; fosso entre a proposta política, o discurso e a prática pedagógica cotidiana. A gestão escolar é uma das responsáveis pela construção da escola inclusiva, mas, na realidade estudada, estava direcionada para questões administrativas em detrimento das pedagógicas.

Grafite e pichação

PID: S1984-64442010000300008 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Zan Batista Campos Raggi Almeida
Este trabalho teve como objetivo fazer um levantamento teórico e uma reflexão acerca dos fenômenos da grafitagem e da pichação em relação às juventudes. Em busca de um estudo teórico mais aprofundado, foi possível encontrar diferentes linhas de pensamento indicando a existência do grafite e da pichação, para alguns, como forma de comunicação dos jovens, para outros como forma de protesto de grupos oprimidos e ainda como uma maneira de estabelecer um status, uma marca em relação a um grupo e a construção de um sentimento de pertença. A discussão trouxe à tona o fato das diferentes juventudes que vivem por todos os cantos e encantos desse país estabelecerem uma relação de força com as cidades. Levando em conta a premissa de que onde há relações de poder há resistências, quais formas de participação juvenil existentes em nossa sociedade? Para isso, o texto ainda propõe a construção de um caminho onde o tripé participação social, cuidado de si e cuidado do outro, conjugado aos verbos inventar, resistir e criar, podem fazer toda a diferença no processo de produzir uma vida singular, ética e que pode ser apreciada e vivida como uma obra de arte.

Importância da escola para pais, mães, alunos, professores, funcionários e dirigentes

PID: S1984-64442010000200004 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Strieder Zimmermann
A escola participa cada vez mais cedo da vida das crianças e, ao fazê-lo, trabalha na perspectiva de dar ênfase ao desenvolvimento dos conhecimentos científicos, mas também na formação de valores. Nessa participação, não ficam alheios pais, funcionários, professores e dirigentes educacionais. Ouvir as vozes desses atores, em relatos sobre a importância da escola, teve como desafio desnudar um pouco mais essa complexa instituição que, criticada e questionada, continua atratora de crianças, adolescentes e jovens. Os pesquisados falam da escola como suporte de vida, local de convivência social, reconhecem-na como a segunda família, a segunda casa. Também se referem a ela como fonte de esperança para futuros melhores, acreditam que o indivíduo natural pode transformar-se em pessoa cultural. A posição dos pesquisados permite afirmar um alargamento no sentido da escola. Começam a perceber a importância da construção de conhecimentos, porque profundamente imbricados com o plano existencial da vida de cada um.

La identidad de la educación infantil

PID: S1984-64442010000100002 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Hoyuelos
Este artículo supone una reflexión sobre las características que dan identidad propia a la Educación Infantil. Analiza las circunstancias sociales, culturales, económicas y políticas de la Educación Infantil, fundamentalmente, en el Estado Español; y reflexiona sobre los riesgos que, a nivel internacional, evitan desvelar y practicar las propiedades genuinas y originales de la Educación Infantil de los 0 a los 6 años de edad.

Meninos versus meninas: representações de gênero em desenhos animados e seriados televisivos sob olhares infantis

PID: S1984-64442010000300012 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Esperança Dias
Este artigo apresenta reflexões suscitadas por uma experiência investigativa acerca do consumo televisivo na infância. O referido estudo buscou conhecer as interações que as crianças estabelecem com as produções televisivas, identificando as aprendizagens construídas pelos telespectadores infantis ao se apropriarem de suas mensagens e conteúdos. Participaram da pesquisa 24 crianças, estudantes de uma escola da rede pública de ensino do município de Rio Grande. Sob a orientação dos pressupostos da abordagem qualitativa, foram realizadas observações, entrevista coletiva e organizadas situações de reflexão, debate e produção na sala de aula, focalizando o desenho animado Três Espiãs Demais e o seriado Power Rangers Força Animal, o que permitiu conhecer as interpretações do grupo a respeito dos seus enredos e personagens. Ao longo deste texto, em específico, problematiza-se o gênero como categoria de análise, evidenciando que as produções televisivas direcionadas às crianças constroem representações marcadas por oposições e dualismos, ensinando modos de ser menina e menino pautados em significados culturais hegemônicos.

Modernidade, pós-modernidade e os reflexos na educação

PID: S1984-64442010000300011 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Roratto
Este trabalho discute conceitos de modernidade e de pós-modernidade, com base em pensadores como Habermas, Chaui, Bauman, Oliveira, Boff, entre outros, para entender como eles repercutem na sociedade contemporânea, particularmente no que se refere às mudanças de valores sociais e, em particular, como essas transformações interferem na educação. Essa nova realidade provoca rupturas nos processos escolares, fazendo com que as estratégias familiares e institucionais sejam determinantes na inserção do educando no processo global. Mesmo na pós-modernidade, que nega que haja qualquer coisa de universal, como afirma Daniel, pode-se encontrar aspectos positivos de referência para o sistema educacional, como o respeito pela diversidade, o valor igual de todos os seres humanos, a tolerância e o respeito pela liberdade alheia, pela criatividade, pela emoção, como também pela intuição. A educação não pode abrir mão de seu papel de, compreendendo os novos tempos, adequar-se às necessidades do ensino, para com o uso de uma ética humanizatória, tornar as relações menos competitivas e mais humanas, os cidadãos mais preparados para o mundo do trabalho, com competências e habilidades para criar e encontrar caminhos de realização.

Movimentos na construção do direito à educação infantil: histórico e atualidade

PID: S1984-64442010000100003 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Flores
Este artigo teve como objetivo investigar movimentos havidos no campo das políticas públicas de Educação Infantil, sistematizando as marcas da construção desse direito no plano de seu ordenamento legal recentemente instituído e analisando tais ações desde uma perspectiva crítico-reflexiva. Para tanto, este procedeu um resgate tendo histórico de fatos e legislações considerados em seus respectivos contextos sociohistóricos, abordando a constituição da criança como sujeito de direitos; a trajetória da história recente de conquista do direito à Educação Infantil; e algumas perspectivas atuais para a efetivação de uma educação infantil de qualidade social. Este trabalho evidenciou que a conquista de vários direitos foi obtida a partir de importante mobilização dos movimentos sociais nesse processo, especialmente do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (MIEIB) e que, nos próximos anos, devido às novas legislações da área, haverá necessidade de continuidade da mobilização popular, fato que historicamente tem sido uma marca nas lutas em defesa da Educação Infantil.

Novos regimes de ver, ouvir e sentir afetam a vida escolar

PID: S1984-64442010000300005 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Guimarães
Este artigo parte da ideia de que todos nós estamos envolvidos com o poder e, por conseguinte, com a violência. Seu objetivo é pensar sobre a forma como a violência afeta todos os membros da comunidade escolar e como estes são capturados por opiniões/representações que acabam bloqueando as “vias de passagem” aos atos violentos. Manifesta ideias que caminham em uma perspectiva diferente das propostas educativas neoliberais. Nesse sentido, desafia alunos e professores a construírem as suas diferenças em espaços criativos nos quais não seja mais necessário “mapear”, “dominar”, “vigiar” e “treinar” condutas.

Não basta ser mulher... não basta gostar de crianças...“Cuidado/educação” como princípio indissociável na Educação Infantil

PID: S1984-64442010000100006 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Sayão
O presente artigo é parte da tese de doutorado em cujo foco estava o trabalho docente de professores na Educação Infantil. Na tese, era objetivo compreender como os homens se constituem como docentes na educação das crianças de zero a seis anos - profissão caracterizada como “tipicamente feminina”. Assinalando a opção por uma perspectiva socioantropológica e a partir dessa perspectiva, é explicada e conceituada a categoria central do estudo - relações de gênero, entendendo as mesmas como uma construção social pelas quais é possível compreender como hierarquia, diferença e poder se moldam, conformam, instalam e atuam nas identidades e nos espaços institucionais. O texto aqui apresentado destaca o conceito de cuidado/educação considerado como princípio indissociável na Educação Infantil, partindo do pressuposto de que o corpo está no cerne do debate acerca dos cuidados na infância menor. A partir dos dados empíricos encontrados, tornou-se necessário problematizar o debate empreendido na área da Educação Infantil acerca das concepções e das práticas que o binômio cuidado/educação das crianças pequenas vem assumindo, tomando o trabalho realizado por professores homens no interior das creches e centros de Educação Infantil no município de Florianópolis/Santa Catarina. A preocupação central aqui destacada denota como o cuidado era concebido quando professores atuavam em creches, pensando nos significados da educação das crianças pequenas, e deslindando conceitos e discursos sobre o “cuidado”. Para compreendê-lo, foi necessário investigar em que medida “cuidado”, como prática sociocultural e, no caso desse estudo, desenvolvida por homens e mulheres em creches, possibilitava avançar em relação às ambigüidades presentes nas expressões cuidado-e-educação, cuidado-educação ou cuidado/educação, grafias que vêm sendo usadas por diversos autores e autoras com significados semelhantes.

O sonhar emancipatório e a educação

PID: S1984-64442010000100010 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Lopes
O presente trabalho tem como principal objetivo problematizar o conceito de emancipação, especialmente sua apropriação pelo campo educacional. O referido conceito foi muito incorporado a discursos revolucionários - principalmente a partir do movimento iluminista no Século XVIII - para indicar a busca por uma vida mais livre, mais esclarecida e também mais feliz, trazendo, nesta perspectiva, orientações teleológicas que nutriram muitos sonhos político-ideológicoteológicos a promulgarem a possibilidade de se alcançar - pelas mais diferentes formas de lutas - instâncias de salvação coletiva e, ou bem-aventurança individual. A educação, quando significada como emancipatória, tendeu a fomentar propostas e práticas que muitas vezes se encontravam atreladas ao cultivo de ideais de progresso, desalienação ou empreendedorismo. Porém, acredita-se haver outras significações para o conceito de educação emancipatória, principalmente quando se aborda a emancipação não pela perspectiva do progresso ou da evolução, mas por uma orientação que se apóia em políticas de invenção, promotoras de crises, rupturas e movimentos que possam fazer nascer maneiras de pensar-agir não mapeadas e passíveis de criação de novas sensibilidades.

Os bebês interrogam o currículo: as múltiplas linguagens na creche

PID: S1984-64442010000100007 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Richter Barbosa
O cotidiano das escolas de Educação Infantil evidencia que as propostas curriculares, na especificidade da creche, se concretizam através de três modalidades. Essas modalidades apontam para pedagogias adultocêntricas e “escolarizadas” nas quais os bebês e as crianças pequenas não são reconhecidos como seres linguageiros, ativos e interativos em suas primeiras aprendizagens de convivência no e com o mundo. O poder delas de aprender a apropriar-se de significados através da inserção gradual em um conjunto de relações e processos constituem um sistema de sentido. A função docente, como co-produtora de currículo, efetiva-se na construção de um espaço educacional que favoreça, através da interlocução com as crianças e as famílias, experiências nas diferentes linguagens e nas práticas sociais e culturais de cada comunidade. Os bebês, em seu humano poder de interagir, interrogam esses modelos curriculares ao afirmarem, nas suas ações cotidianas, a interseção do lúdico com o cognitivo nas diferentes linguagens: a conciliação entre imaginação e raciocínio, entre corpo e pensamento, movimento e mundo, em seus processos corporais de aprender a operar linguagens e narrativas.

Perspectivas para o currículo da Educação de Jovens e Adultos: dinâmicas entre os conhecimentos do cotidiano e da ciência

PID: S1984-64442010000100014 | Journal: Educação UFSM (1984-6444) | Year: 2010
Authors: Abreu Vóvio
Este artigo tem por objetivo apresentar alguns dos desafios na organização de currículos da escolarização de pessoas jovens e adultas, de modo a se cumprir as metas educacionais postuladas para essa modalidade de ensino e efetivar o direito à educação para todos os cidadãos. Interessa investigar, por meio de análise documental, como um conjunto de princípios norteadores que emergiram do campo da educação popular e que indicam um certo acúmulo de conhecimentos para a produção de currículos na área pode ser observado, tomando como referência empírica as bases de um currículo voltado à educação de jovens e adultos (EJA). Igualmente, pretende-se verificar como se apresentam, no documento, as relações entre conhecimentos do cotidiano e os conhecimentos científicos. Os resultados obtidos por esta análise mostram que há uma apropriação das principais categorias do campo da EJA para pensar o novo currículo, mas é possível perceber que a relação entre conhecimentos cotidianos e científicos precisa ainda ser trabalhada de forma mais rigorosa, considerando a função social da escola.
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