☰ Menu
Educ@

Indexed Search

Filter by title, abstract, author, journal and year

Total: 41435 | Page 1712 of 2072
0 selected results

Hannah Arendt: pensar a crise da educação no mundo contemporâneo

PID: S1517-97022010000300012 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: César Duarte
Dividido em três etapas complementares, o presente artigo discute a reflexão de Hannah Arendt sobre a crise da educação no mundo contemporâneo. Na primeira parte se estabelecem algumas conexões teóricas gerais entre as teses de Arendt a respeito da crise da educação e sua reflexão filosófico-política sobre a crise política da modernidade. Na segunda parte do texto, discute-se a hipótese arendtiana de que a crise da educação também está relacionada à introdução de abordagens educacionais de caráter psicopedagógico, as quais, em vez contribuir para educar os jovens para a responsabilidade pelo mundo e para a ação política, os mantêm numa condição infantilizada que se estende até a idade adulta, trazendo, em consequência, novos problemas políticos. Finalmente, na terceira parte do texto, propõe-se a hipótese de que uma das principais contribuições do pensamento arendtiano para pensar a crise contemporânea da educação se encontra em sua interessante discussão do binômio “crítica” e “crise”, o qual põe em questão o binômio tradicional “crise/reforma”. Arendt, assim como Foucault e Deleuze, nos ensina que crítica e crise são fenômenos modernos indissociáveis e nos convida a enxergar a crise como momento privilegiado para o exercício da atividade da crítica. Para Arendt, a crise na educação deve ser entendida como oportunidade crucial para reflexões críticas a respeito do próprio processo educativo.

Interação, afeto e construção de sentidos entre crianças na brinquedoteca

PID: S1517-97022010000100012 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Oliveira Gebara
Contextos em que as crianças interagem sem uma intervenção mais intensa dos adultos, como nos momentos de atividades livres em uma brinquedoteca, revelam-se significativos para problematizar e discutir aspectos referentes ao desenvolvimento infantil. De que maneira ocorrem as interações entre as crianças nesse espaço? Que pistas elas fornecem para uma compreensão dos fatores envolvidos no percurso de construção do “eu” entre essas crianças? Qual o papel do outro/criança nesse processo? Essas são algumas questões que o presente estudo busca discutir, tomando como base as contribuições de Vigotski sobre o desenvolvimento da consciência, as de Wallon relativas ao papel do outro na consciência do eu, e as de Elias, referentes à relação entre o sentido que o sujeito constrói sobre sua vida e os sentidos que os outros atribuem a ele. A análise dos dados relativos a observações de interações entre crianças e de crianças com adultos em uma brinquedoteca e, em especial, de duas crianças, um menino com síndrome de Down que vive com sua família e uma menina que mora em um orfanato, indica que, na relação estabelecida com o outro, mais do que um sentido único, o que se destaca é uma multiplicidade de sentidos a respeito do eu e do outro, acompanhada de ressonâncias afetivas que podem ser variadas e até contraditórias.

La individuación y el trabajo de los indivíduos

PID: S1517-97022010000400007 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Araujo Martuccelli
Este artículo parte por reconocer la creciente importancia del individuo para la comprensión de las sociedades en el momento actual al mismo tiempo que subrayar ciertos impasses cuando la estrategia privilegiada para ello es la socialización o la subjetivación. En este contexto, y una vez formuladas una serie de críticas a estas vías, el artículo presenta y desarrolla las maneras en que es posible desde la individuación dar cuenta por un lado, a escala del individuo, de las principales pruebas de un tipo de sociedad y, por el otro, analizar concretamente las maneras como en este marco los individuos son capaces de construirse como sujetos.

Mapas conceituais e avaliação formativa: tecendo aproximações

PID: S1517-97022010000300010 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Souza Boruchovitch
Tendo a avaliação formativa como pano de fundo e a aprendizagem significativa como horizonte possível, o texto intenta evidenciar o mapa conceitual como ferramenta particularmente relevante às intenções formativas, porque favorável à regulação do ensino e à autorregulação da aprendizagem e pertinente enquanto estratégia de ensino/aprendizagem. Revisitar o referencial teórico relativo à temática favoreceu: (a) contemplar a utilidade do mapa conceitual - empreendido enquanto estratégia de ensino e/ou avaliação - sob diferentes perspectivas: a daquele que ensina/avalia e a daquele que aprende/é avaliado; (b) aquilatar o quanto se valer dos mapas conceituais é criar alternativas para a organização do conhecimento, pela promoção de experiências educativas que incitem não somente a reflexão, a busca de compreensão e o processamento profundo da informação, mas também o desenvolvimento da autorregulação, da meta cognição e do aprender a aprender; (c) repensar a importância dos meios utilizados para avaliar a aprendizagem, que não podem ser quaisquer meios, mas aqueles que favoreçam uma percepção clara das aprendizagens edificadas e daquelas ainda em curso, orientando e viabilizando ações de superação; e, (d) conferir novo sentido à tarefa de ensinar a aprender, compreendida como auxílio permanente na elaboração do saber, pelo desvelamento das razões que subjazem às dificuldades a serem superadas.

Momentos do parque em uma rotina de educação infantil: corpo, consumo, barbárie

PID: S1517-97022010000300002 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Richter Vaz
O trabalho resulta de uma pesquisa de abordagem etnográfica realizada em uma creche da Rede Pública de Ensino de Florianópolis (SC). Os dados foram analisados considerando-se o “tempo didático” - recomendado pela legislação -, estruturado por uma rotina constituída por diferentes momentos: entrada, higiene, alimentação, sono, parque, atividade orientada, saída. Inspirado por tópicas da Teoria Crítica da Sociedade, o texto aborda os momentos de parque, declarados como “ocasiões privilegiadas de educação”, tanto nos discursos das professoras, quanto nas ações que distinguem esses momentos dos demais, estabelecendo uma certa contraposição entre “tempo de trabalho” e “tempo livre”. Nessa relação, além de configurarem-se como períodos de renovação das energias para as demais atividades, esses momentos acabam por escusar um acompanhamento mais atento por parte dos professores: o olhar adulto “precisará” apenas afastar as crianças de locais inconvenientes ou evitar feridas “expostas”, conformando um conjunto de práticas sociossanitárias centradas nas necessidades vitais e que contribuem na eliminação de desvios e diferenças, na garantia de pseudogratificações. A ausência de uma aproximação mais atenta também colocará as crianças entregues a uma ambígua “espontaneidade”, sujeitas à violência que acaba por produzir cicatrizes que se colocam, principalmente, sobre o corpo, fomentando uma educação que, ao invés de se contrapor à barbárie, a privilegia. Os resultados revelam ainda a presença de produtos para o consumo do lazer que informam, de antemão, a sequência de operações a reproduzir, exigindo gestos e ações automatizadas que preceituam a aridez da imaginação.

Natalidade e amor mundi: sobre a relação entre educação e política em Hannah Arendt

PID: S1517-97022010000300011 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Correia
Pretende-se examinar, no presente artigo, as articulações entre o ensaio “A crise na educação”, de Hannah Arendt, e temas centrais de seu pensamento político, como a natalidade, a condição de estrangeiro no mundo, o amor ao mundo (amor mundi), a ação política e a crise na era moderna. O objetivo central consiste em explicitar o quanto esse ensaio de ocasião se integra harmonicamente no âmbito do pensamento político da autora, por um lado, e ressaltar o vigor clássico de sua análise, por outro. Para ela, a essência da educação é a natalidade, ou seja, o fato de que constantemente chegam ao mundo novos indivíduos como estrangeiros, a quem deve ser feito o convite para que se sintam em casa. Esses estrangeiros em um mundo em constante mudança são capazes de iniciar novos eventos, sem os quais a conservação do próprio mundo estaria em questão. A educação dos jovens tem de lidar com o paradoxo de familiarizar os novos com o mundo velho que os precede, sem ao mesmo tempo acomodá-los inteiramente a ponto de a novidade de sua aparição ser sufocada, o que poria em risco a conservação mesma do mundo, demandante de permanente zelo e renovação. Não obstante a dificuldade da mediação, Arendt julga que a educação deve ser, antes de tudo, orientada pela responsabilidade pelo mundo, que se traduz tanto na sua apresentação aos novos quanto na conservação da novidade nestes.

Notas sobre o problema da explicação e da experiência no ensino da Filosofia

PID: S1517-97022010000200007 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Gelamo
Apesar do esforço dos defensores do ensino da Filosofia para que essa disciplina volte a fazer parte do Ensino Médio, observamos, atualmente, seu abandono nos cursos universitários. Notamos que hoje, na sociedade normalizada e no espaço educacional, não é mais valorizado o desenvolvimento integral do pensamento, mas a transmissão de uma série de conteúdos que, supostamente, dão condições para a integração do estudante no quadro do progresso tecnológico e proporcionam sua entrada no mercado de trabalho. Circunscrevendo-se nesse contexto, neste texto pretende-se investigar o espaço em que o ensino da Filosofia se desenvolve na atualidade. Delineando os contornos de um problema que emerge nos espaços institucionais universitários onde o ensino da Filosofia ainda persiste, procurou-se evidenciar em que bases a Filosofia é ensinada. Procurou-se, ainda, compreender quais consequências os modos de compreender o ensino da Filosofia trazem para o aprendizado do filosofar. Uma consideração a que se pode chegar, a partir deste estudo, é a de que o ensino da Filosofia além de não privilegiar, e muitas vezes negar a experiência de pensamento que o aluno pode fazer e ter com o texto filosófico, contribui para o empobrecimento dessa mesma experiência do e com o filosofar.

O ensino e a aprendizagem da leitura nos primeiros anos da escolaridade em Timor-Leste

PID: S1517-97022010000200005 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Bassarewan Silvestre
Timor-Leste é um novo país do terceiro milênio. Enquanto nação com uma sociedade de tradição oral, e, em sua maioria, ágrafa, enfrenta muitos desafios nesta era de globalização. Tendo em consideração a importância da leitura para a vida do ser humano, o ensino e a aprendizagem da leitura das crianças timorenses devem ser trabalhados desde os primeiros anos de escolaridade, levando em conta a realidade linguística e sociocultural do país. Com um estudo de caso na Escola Pública n° 1 Nularan, em Díli, Timor-Leste, sobre o ensino e a aprendizagem da leitura, nos primeiros três anos de escolaridade, pôde-se verificar que tanto as orientações do programa curricular como os livros de referência aplicados pela escola no trabalho com os alunos não promovem o desenvolvimento da leitura reflexiva nem estimulam situações em que a criança possa expor suas ideias ou comunicar-se tendo o texto para uma discussão coletiva. Dessa forma, sugere-se o acompanhamento e a avaliação constantes do processo de ensino e aprendizagem da leitura nas escolas primárias e do investimento tanto na formação dos recursos humanos quanto na melhoria de materiais didáticos e na infraestrutura das escolas. É de notar que não basta constar na Constituição e nas leis; o importante é a ação das entidades competentes na concretização do ensino de qualidade ao timorense como sujeito ativo nas invenções e nos saberes para que tenha acesso a uma vida melhor para si e para a comunidade da qual faz parte.

O professor de filosofia: limites e possibilidades, dinâmica e problematização do ensino-aprendizagem

PID: S1517-97022010000100009 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Pimentel Monteiro
A temática do presente texto versa sobre limites e possibilidades do professor de filosofia na relação ensino-aprendizagem desenvolvida nas salas de aula. Localizando os elementos fundamentais ao processo pedagógico - tais como o ensino, o papel do professor, a experiência filosófica e o sentido pedagógico de reaprender o aprendido -, o contexto pedagógico é pensado nos seus agentes e no objetivo a ser alcançado: o conhecimento que permite a integração de saberes. Recorrendo à contribuição do pensamento de Hannah Arendt no que corresponde ao esclarecimento de uma das várias questões da crise da educação, que segundo a autora é a quebra da autoridade do professor, faz-se o resgate do papel fundamental do docente no jogo ensino-aprendizagem. Tal resgate torna-se possível quando a prática docente é repensada nos termos próprios de sua fundamentação e perspectiva mais abrangente: a formação humana. Ao longo do texto, as propostas pedagógicas de pensadores da educação para o ensino de filosofia em turmas de ensino médio contribuem para a compreensão das perspectivas lançadas na abordagem do tema. Elementos como aprendizagem, conteúdo, ensino, processo educativo são retomados de modo que favoreçam a apreensão do sentido verdadeiramente filosófico da disciplina filosofia. Imprescindível para tal acontecimento é a experiência, que não se caracteriza empiricamente, mas no modo pela qual busca contribuir para o desenvolvimento do modo de conceber e desenvolver a docência de filosofia, da mesma forma que tem por intenção permitir o florescimento de novas formas de aprendizagem como proporcionadora de uma verdadeira experiência filosófica.

O sentido da educação democrática: revisitando o conceito de experiência educativa em John Dewey

PID: S1517-97022010000200012 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Branco
A compreensão da atualidade da proposta pedagógica de John Dewey requer uma análise cuidadosa do conceito de experiência educativa desenvolvido por esse autor. Efetivamente, a sua filosofia educativa está alicerçada numa teoria da experiência na medida em que se assenta numa conexão entre a experiência pessoal e a aprendizagem, tendo em vista o alargamento progressivo da primeira. Neste artigo, e com recurso a algumas das principais obras pedagógicas do autor, procedemos à caracterização do conceito de experiência educativa, começando por distingui-lo do conceito de experiência pura e simples. As dimensões fundamentais de qualquer experiência são a continuidade e a interação, distinguindo-se a experiência educativa pela qualidade dessas dimensões no sentido de proporcionar o desenvolvimento do sujeito, isto é, o crescimento e ampliação da sua experiência anterior. A partir da elucidação desse conceito, procuraremos de seguida compreender o impacto que essa concepção possui na organização de um ensino indireto, baseado numa busca cooperativa, e nas concepções de currículo e do papel do professor e do aluno. É ainda tendo em conta a centralidade do conceito de experiência educativa que elucidaremos o nexo profundo existente entre educação progressiva e educação democrática, cuja chave é a realidade social da inteligência potenciada em ambientes democráticos, além do nexo entre educação e democracia.

Operando com conceitos: com e para além de Bourdieu

PID: S1517-97022010000100003 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Brandão
O objetivo principal do artigo é destacar a importância de operar com conceitos, aceitando os desafios postos pela realidade empírica. Para isso, foi tomado como referência o material empírico produzido pelas pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisas em Sociologia da Educação - SOCED/PUC-Rio. Bourdieu, em várias ocasiões, questionou a leitura meramente teórica de seus conceitos. “Pôr em jogo as coisas teóricas” foi a recomendação do autor em várias ocasiões. Neste texto, buscamos exemplificar os desdobramentos da experiência de operar com os conceitos desse pesquisador, focalizando dois aspectos principais: as condições de transformação do habitus; e os contornos empíricos do capital cultural entre elites escolares estudadas em instituições de prestígio do Rio de Janeiro. No caso do estudo do capital cultural, ficou evidente a proposta dele de trabalhar “com e contra os autores”. Em que pese o valor da obra desse autor da Sociologia da Educação, o delineamento empírico do capital cultural, em sua vasta obra, é credor da realidade francesa nas décadas em que desenvolveu suas pesquisas. Para operar com o conceito de capital cultural de forma adequada aos desafios empíricos que enfrentamos, recorremos a autores que tematizaram as transformações no campo cultural para além da perspectiva das fronteiras entre a alta cultura e cultura popular analisadas por Bourdieu.

Oralidade, alfabetização e leitura: enfrentando diferenças e complexidades na escola pública

PID: S1517-97022010000300003 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Belintane
Apresenta-se o relato de uma pesquisa, na área de ensino da leitura e da escrita, realizada em duas séries de primeiros anos do ensino fundamental, em uma escola pública da cidade de São Paulo. A partir de diagnósticos baseados na cultura oral de alunos que apresentavam dificuldades de aprendizagem de leitura mesmo após três ou quatro anos de escolarização, procurou-se criar, ministrar e monitorar um programa de ensino baseado na transição entre cultura oral e cultura escrita. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, cuja preocupação é lidar com a heterogeneidade da sala de aula em seu processo e em sua complexidade. O viés teórico é multidisciplinar, incluindo áreas de pesquisas sujeitas às influências da linguística, da psicanálise e da educação e, ainda, dos estudos de pesquisadores da área que se convencionou chamar "equação oralidade-escrita" (Havelock,1995). Os resultados trazem dados, relatos de intervenções e reflexões que podem subsidiar programas de ensino para a faixa etária estudada e questiona ainda o foco excessivo que as metodologias construtivistas põem sobre o ato de escrever ou sobre a própria escrita. Propõe uma nova perspectiva de enlaçamento entre a cultura oral dos alunos e letramento escolar, assumindo uma ambiência de oralidade, alfabetização e leitura que inclui o suporte eletrônico e uma organização mais coletiva do trabalho escolar nas séries iniciais, sobretudo na articulação ("dobradiça") entre o ensino infantil e o fundamental.

Participação escolar: representações dos alunos do 3º ciclo de Aveiro (Portugal)

PID: S1517-97022010000300007 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Pedro Pereira
Este artigo propõe uma reflexão sobre a relação intrínseca entre democracia e educação, particularmente na vertente relacionada com a participação dos discentes nas decisões da escola. Neste sentido e, no quadro do regime de autonomia das escolas portuguesas, importa identificar os espaços formais e informais que são proporcionados aos jovens na tomada de decisões da vida organizativa da escola para compreendermos o papel desta na promoção e capacitação dos jovens para o exercício de uma cidadania ativa. O modo de vida democrático constrói-se através de oportunidades de aprendizagem acerca do mesmo, nomeadamente pela vivência de experiências participativas no contexto escolar. Em 2009, realizámos um estudo, no âmbito da dissertação de uma dissertação de mestrado em Ciências da Educação da Universidade de Aveiro, Portugal, em duas escolas públicas do ensino básico, do Concelho de Aveiro, abrangendo uma população composta por 240 alunos do 8º e 9º ano de escolaridade e 14 delegados de turma. Os resultados mostram que os alunos possuem uma débil participação formal e informal, apesar de o Decreto-lei n. 115-A/98 prever a possibilidade de cada escola, no âmbito da sua autonomia, poder promover e criar espaços de efetiva participação dos alunos. A análise dos instrumentos de autonomia das escolas estudadas revela que a participação dos alunos é assumida, ainda, como um ideal e não já como um efetivo projeto de concretização. Concluímos, pois, que as escolas ainda mantêm uma centralização das decisões nos professores, verificando-se, por parte dos alunos, uma participação formal, passiva e ritualizada.

Pedagogias queer e libertária para educação em cultura visual

PID: S1517-97022010000300006 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Rodrigues
Cada vez mais, a escola distancia suas prioridades da formação integral do indivíduo e concentra seus esforços numa preparação econômica dos jovens. Novos modos de ensinar ou a retomada de pedagogias esquecidas podem relembrar os significados primordiais da educação. Na perspectiva de novas maneiras de pensar a educação, encontra-se a pedagogia queer, maneira de educar inspirada na teoria homônima, que analisa e vive a sexualidade e/ou o gênero fluído, não binário. A pedagogia queer não ignora a diversidade das manifestações sexuais, fugindo da maneira binária de entender o gênero e a cultura; é uma educação que traz as diferenças para dentro do cotidiano da sala de aula. Por sua vez, a pedagogia libertária encontra inspiração teórica nos pensamentos e práticas anarquistas de diversos autores, sendo a vertente socialista libertária a mais citada pelos educadores. Os princípios norteadores da pedagogia anarquista são: liberdade, autonomia, criatividade e solidariedade - ademais, a educação integral, que propõe um aprendizado que abarque todos os aspectos do ser humano (intelectual, social, emotivo e motor) e em que os interesses e a individualidade dos estudantes sejam valorizados. Nessa pedagogia, a liberdade é sinônimo de harmonia social. No âmbito da educação em cultura visual, conceito que amplifica o conteúdo geralmente abordado na arte/educação com manifestações culturais contemporâneas e do cotidiano, as novas formas de ensinar possibilitam ao estudante uma maneira menos predeterminada de entender o mundo e a si mesmo.

Política pública educacional e sua dimensão internacional: abordagens teóricas

PID: S1517-97022010000400004 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Amaral
A dimensão internacional das políticas públicas de educação tem sido bastante discutida nos últimos anos. Este artigo argumenta que as atividades dos agentes internacionais no domínio das políticas da educação não podem ser compreendidas inteira e exclusivamente a partir da perspectiva nacional e, por isso, devem ser estudadas em um nível distinto de análise. Questionando como melhor conceituar teoricamente esse campo de estudo, o artigo apresenta três abordagens teóricas: neoinstitucionalismo/ isomorfia, externalização e teoria do regime internacional. O foco dessa contribuição está centrado na análise da política internacional da educação a partir do último conceito indicado.

Rir das solenidades da origem: ou o inesperado da pesquisa em educação

PID: S1517-97022010000200009 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Favacho
Este artigo relata questões teórico-metodológicas de uma pesquisa de doutorado que aplicou a abordagem foucaultiana às Cartas Jesuíticas do século XVI. Essa pesquisa recupera noções importantes da obra de Michel Foucault como, por exemplo, genealogia, poder, saber, proveniência e emergência não como uma simples revisão de literatura, mas como uma forma de problematização do objeto que se almejou pesquisar. Com isso, fizemos de Foucault o mesmo que ele diz ter feito de Nietzsche: uma caixa de ferramentas para ajudar a pensar um problema que o próprio filósofo não havia pensado. Dessa maneira, este artigo procura mostrar como o autor da tese pensou uma história da educação do tipo genealógica, a partir da seguinte interrogação: com qual pedagogia se educava o aprendiz no Ocidente antes da "descoberta" do Brasil e como tal pedagogia pôde ser aplicada, negada e atualizada na colônia brasileira, no confronto entre jesuítas, europeus e índios? Explicita-se a noção de recolhimento do filho do outro - procedimento utilizado pelos jesuítas para recrutar e educar os filhos dos gentios da América portuguesa no século XVI. Metodologicamente, mostram-se as regularidades discursivas/enunciativas das cartas jesuíticas (principalmente os relatos do Padre Manuel da Nóbrega), o que significou tomá-las como algo que cruza, um domínio de estruturas e de unidades possíveis e que faz com que apareçam como conteúdos concretos no tempo e no espaço. Ou seja, verificou-se como, em tais cartas, se impunha nas práticas educativas do século XVI certo procedimento acerca do ato de ensinar.

Texto e dialogismo no estudo da memória coletiva

PID: S1517-97022010000400010 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Wertsch
As ideias bakhtinianas sobre texto e dialogismo oferecem ferramentas importantes para trazer ordem ao caótico e fragmentado campo dos estudos da memória coletiva. Embora a definição de memória coletiva neste momento ainda esteja por ser resolvida, é possível obter alguma compreensão do espectro de opções, situando-se as discussões em termos do contraste entre versões fortes e distribuídas da memória coletiva. Tendo por base a noção de mediação semiótica e as afirmações a ela relacionadas sobre uma versão distribuída da memória coletiva, invoca-se a noção bakhtiniana de texto dialogicamente organizado. O fato de que o 'sistema da linguagem' concebido por Bakhtin inclui as orientações dialógicas do diálogo coletivo, generalizado assim como os elementos gramaticais padrão, significa que ele introduz um elemento essencial de dinamismo na memória coletiva.

Transversalidades no estudo sobre jovens no Brasil: educação, ação coletiva e cultura

PID: S1517-97022010000400008 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Sposito
O artigo examina as possibilidades de análise das ações coletivas de jovens, particularmente aquelas que derivam de práticas culturais, no interior de uma perspectiva que procura resgatar orientações do pensamento sociológico brasileiro que recusa uma segmentação estanque dos campos de estudo. A partir de balanço realizado da produção discente na Pós-Graduação nas Ciências Sociais, Educação e Serviço Social, é possível delinear novos desafios para a pesquisa sobre jovens e suas práticas coletivas. Um conjunto de estudos realizados a partir de meados dos anos 1990 oferece um quadro importante das manifestações derivadas dos denominados grupos de estilos e culturas juvenis, sobretudo no campo da música. Darks, punks, rappers foram os principais estilos investigados e, em menor escala, a cultura funk. A compreensão adensada das presenças diversificadas dos jovens nos espaços públicos em seus coletivos remete a uma necessária trans-versalidade que demanda não desconsiderar na análise outras dimensões da experiência juvenil. As transformações decorrentes da intensa expansão dos sistemas de ensino nas últimas décadas no Brasil, as novas configurações do mundo do trabalho e as significativas formas de apropriação do espaço urbano que articula novas formas de sociabilidade são aspectos importantes a serem considerados nas análises das denominadas culturas juvenis e suas formas de ação coletiva.

Um caminho para atender às diferenças na escola

PID: S1517-97022010000100011 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Monteiro Smole
Em 1999, o Conselho de Educação Judaica do Rio de Janeiro implantou o Programa de Inovação Educativa (PIE) nas Escolas Israelitas do Rio de Janeiro para atender às novas tendências da educação brasileira. O presente trabalho tem como objetivo analisar as modificações ocorridas no ambiente escolar a partir da implantação e implementação do PIE em uma escola judaica do Rio de Janeiro. Esse programa apresenta como ideia central trabalhar os conceitos de aprendizagem ativa e de inteligências múltiplas na concepção de Piaget, Dewey e Gardner. Para analisarmos o PIE, utilizamos uma abordagem de natureza qualitativa com os participantes da pesquisa por meio de entrevistas semiestruturadas e observação das salas de aula do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Baseando-se no referencial teórico, foi feita a análise dos dados. Os resultados desse estudo indicaram que, a partir do programa, os profissionais envolvidos ficaram mais motivados a buscar informações e a renovar os seus conhecimentos para atenderem às diferenças entre os alunos, utilizando estratégias diversificadas, o que possibilita um trabalho mais dinâmico que facilita o desenvolvimento da autonomia nos estudantes. Como dificuldades relatadas para o desenvolvimento do PIE, foram citadas a grade de horários que precisa ser revista e o fato de as professoras terem que cumprir um currículo extenso. A escola ainda está em processo de adaptação a esse programa inovador, por isso é muito importante que os profissionais envolvidos constantemente reavaliem o desenvolvimento do programa, buscando modificações ou alternativas à medida que encontram dificuldades.

Venezuela e ALBA: regionalismo contra-hegemônico e ensino superior para todos

PID: S1517-97022010000200013 | Journal: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Year: 2010
Authors: Muhr
Partindo de um quadro teórico neo-gramsciano crítico à globalização, este artigo aplica a nova teoria do regionalismo (NTR) e a teoria do regionalismo regulatório (TRR) à sua análise e teorização dos tratados de comércio da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA-TCP) como regionalismo contra-hegemônico na América Latina e Caribe (ALC). A ALBA está centrada na ideia de um Socialismo do Século XXI, que, como (inicialmente) também a Revolução Bolivariana da Venezuela, substitui a 'vantagem competitiva' pela 'vantagem cooperativa'. Em seu caráter de conjunto de processos multidimensionais e transnacionais a ALBA-TCP opera dentro de/transversalmente a um número de setores e escalas, ao mesmo passo que as transformações estruturais são movidas pela interação de agentes do Estado e agentes não estatais. A política de Educação Superior para Todos (ESPT) do governo venezuelano rejeita a agenda neoliberal globalizada de mercadorização, privatização e elitismo e reinvindica educação pública gratuita em todos os níveis como um direito humano fundamental. A ESPT está sendo regionalizado em um espaço educacional emergente da ALBA e assume um papel-chave nos processos de democracia direta e participatória, dos quais a construção popular (bottom-up) da contra-hegemonia e a redefinição política e econômica da ALC dependem. Antes de produzir sujeitos empreendedores conformes ao capitalismo global, a ESPT procura formar subjetividades ao longo de valores morais de solidariedade e cooperação. Isso será ilustrado com referência a um estudo etnográfico de caso da Universidade Bolivariana da Venezuela (UBV).
Reportar erro A