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Emergência de um modelo de educação como prática de resistência à discriminação e à opressão da diversidade cultural

PID: S1984-64442024000100251 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Iop de Oliveira Orço
RESUMO O presente artigo objetiva refletir acerca das concepções pedagógicas que nortearam a educação brasileira durante séculos. Para tanto, são analisadas as teorias tradicionais hegemônicas de base eurocêntrica, tais como: a Teoria Tradicional Católica, a Teoria Tradicional Leiga, a Escola Nova e a Educação Tecnicista. Elaborado por meio de pesquisa bibliográfica exploratória, este estudo é construído a partir de uma perspectiva crítica com base nas seguintes categorias teóricas: Estado Monista, Concepções Hegemônicas de Educação, Estado Pluralista, Perspectiva Decolonial, Interculturalidade, Diversidade Cultural e Educação Decolonial. Constatou-se que as práticas pedagógicas pautadas em valores eurocêntricos historicamente não reconheciam a diversidade e as diferenças culturais presentes no espaço escolar e na sociedade em geral. Assim, negros, indígenas, mulheres, entre outros segmentos sociais, têm sido discriminados e colocados à margem das decisões e dos espaços democráticos. Portanto, esta produção teórico-científica defende e propõe a adoção de um modelo educacional baseado na Perspectiva Decolonial com vistas a enfrentar essa situação em que as injustiças e desigualdades sociais se manifestam na pobreza, racismo, sexismo e outras formas de opressão e violência. Além disso, argumenta-se que a educação é a ferramenta mais adequada para enfrentar as ameaças que vêm sendo levantadas nos últimos anos em relação ao respeito e aceitação da diversidade e das diferenças culturais que permeiam a sociedade brasileira.

Enegrecendo a fala das mulheres: as contribuições de Lélia González para o português brasileiro

PID: S1984-64442024000100241 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Nawroski Chrzan
RESUMO O artigo trata da participação de Lélia González na formação da língua portuguesa falada no Brasil, por meio da sua trajetória de vida. Nesta perspectiva, a autora levanta alguns conceitos como amefricanidade, feminismo negro e pretoguês, os quais serão investigados sob uma pesquisa bibliográfica que objetiva analisar as contribuições de Lélia para o feminismo negro e consequentemente a influência da língua de senzala na língua oficial. Com expressões populares, gírias e sarcasmos, Lélia Gonzáles nos mostra como o "dialeto da senzala” materializado na “mãe preta” influenciou a fala dos brasileiros. Por mais de três séculos, as mulheres negras nas Américas enfrentaram o trabalho pesado, a exploração sexual, a falta de apoio e os estereótipos criados em torno da sua identidade que as deixou na marginalidade. Destarte, Lélia González recupera sua ancestralidade e mostra por meio da sua trajetória de vida o quanto o povo brasileiro carrega da “mãe preta” na língua portuguesa falada no Brasil.

Enem, performatividade e desmemoriamento regional/local na história escolar.

PID: S1984-64442024000100244 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Brito Guimarães
RESUMO Este artigo procura refletir criticamente sobre a formação básica de jovens que cursam o Ensino Médio em uma escola pública de uma grande periferia do município de Ananindeua,na região metropolitana da capital do Estado do Pará, a partir do processo de desmemoriamento de importantes marcos históricos do passado nacional nas aulas de História, com foco na Data Magna estadual da “Adesão do Pará à Independência”. Abordagens históricas voltadas para o passado regional e local são cada vez mais raras nas salas de aula, o que nos fez pensar que a educação pública está muito mais inclinada para a “performatividade” dos resultados nos exames oficiais, do que para a formação humana e crítica ligada à cidadania. A partir da análise de dados empíricos oriundos de uma pesquisa sócioescolar feita em 2018 - com dados oficiais, currículos prescrito e efetivos, livros didáticos e entrevistas - percebemos que essa performatização se fez mais presente a partir da institucionalização do ENEM, ligado ao processo de globalização na área da Educação, cuja meta foi a de proporcionar a preparação doalunado para uma escolarização ligada à onicompetência, ao imediatismo e à inserção no mercado de trabalho, sem oportunizar reflexões críticas sobre a realidade política e social,vinculadas à formação para a cidadania,éticaepara a vivência em sociedade.

Ensino Médio no Brasil: avanços e desafios no contexto do Plano Nacional de Educação

PID: S1984-64442024000100208 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Costa Geraldi
RESUMO O presente artigo tem como objetivo analisar aspectos relacionados aos avanços e desafios no Ensino Médio no Brasil. Os dados foram obtidos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua e no Censo Escolar, com destaque às Taxas de Atendimento Escolar e Frequência Líquida, no período 2001/2019. Completaram a parte empírica documentos oficiais, mormente as metas e estratégias do Plano Nacional de Educação (2014-2024). O eixo condutor da análise foi a universalização do Ensino Médio com qualidade social em duas de suas dimensões: acesso dos jovens de 15 a 17 anos e percurso formativo exitoso. Os dados revelam uma presença menor de jovens de 15 a 17 anos fora da escola e, ao mesmo tempo, uma presença maior desses jovens no Ensino Médio, o que sugere o destaque à universalização dado pelos Planos Nacionais de Educação. Entretanto, aproximadamente 1,03 milhão de jovens, que deveriam estar frequentando o Ensino Médio, sequer estavam na escola em 2019. Ao mesmo tempo, cerca de 1,7 milhão estava retido no Ensino Fundamental. Esse fato sugere a urgência e a relevância de continuidade de políticas públicas regulares que promovam a igualdade de oportunidades de acesso e do provimento de condições de permanência exitosa de todos na Educação Básica. Menos urgente e relevante é a reforma do Ensino Médio, com o possível agravante de retirar a centralidade de sua universalização com qualidade social.

Ensino do saneamento básico utilizando indicadores sociais e ambientais em escolas municipais de Canoas/RS

PID: S1984-64442024000100238 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Maria Dal-Farra
RESUMO Entre as grandes inquietações que dizem respeito à vida nos espaços urbanos está o saneamento básico e as repercussões da precariedade desses serviços na qualidade de vida da população e na preservação ambiental. Diante dessa premissa, este estudo envolveu a aplicação de práticas educativas voltadas ao conhecimento de indicadores sociais e ambientais vinculados à qualidade de vida da população. O principal objetivo foi analisar as percepções de estudantes do nono ano do Ensino Fundamental, de quatro escolas do município de Canoas/Rio Grande do Sul (RS), em relação às condições de seus bairros no que tange atemas como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), esgotamento sanitário, abastecimento de água e resíduos sólidos. Foi aplicado um conjunto de atividades envolvendo exposição dialogada, debates e questionários. Os dados foram examinados com a Análise de Conteúdo e com Estatística Descritiva e Inferencial. Os resultados indicaram a proficuidade da construção e a aplicação de práticas educativas voltadas aos indicadores analisados, contribuindo para que os estudantes se tornem mais capazes de participar nos debates públicos relacionados à essa temática.

Entrelaçando fios de saberes socioambientais e indígenas na formação inicial de professores da Amazônia

PID: S1984-64442024000100234 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Diniz Barba
RESUMO Este artigo resulta de uma dissertação de mestrado, cujo objetivo foi investigar de que forma os saberes indígenas tradicionais podem contribuir na construção de saberes socioambientais junto aos estudantes dos cursos de Licenciatura em Biologia e em Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia - Campus Guajará-Mirim. Como base teórica para discutir a racionalidade e o saber ambiental, foram adotados estudos de Leff(2006, 2009, 2012), Gonçalves (2006, 2020) e Carvalho (2012) e, no que concerne ao universo dos saberes indígenas tradicionais e suas relações com o meio ambiente, autores como Munduruku (2009), Baniwa (2006), Krenak (2020) entre outros. A metodologia usada foi a pesquisa-ação, na perspectiva de Thiollent (2011). Buscou-se promover aproximações de saberes, verificando-se de que forma a troca de vivências e experiências entre dois mundos (indígena e não indígena) pode colaborar para o desenvolvimento de uma educação ambiental crítica e efetiva, participativa e mobilizadora. Para tanto, foram realizadas diversas atividades, tais como oficina de trançados de cestarias Wari’ e rodas de conversas com lideranças indígenas e educadores ambientais. Os resultados revelaram que essas aproximações podem contribuir significativamente para a construção de saberes socioambientais e para a superação de paradigmas socioambientais, potencializando reflexões, estimulando a formação de sujeitos mais ecológicos e conscientes, capacitando futuros educadores ambientais desde a formação inicial.

Fatores associados à evasão, conclusão, mobilidade e retenção na Universidade Federal da Fronteira Sul

PID: S1984-64442024000100233 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Nierotka Carrasqueira
RESUMO Este trabalho objetiva investigar fatores relacionados com a trajetória de uma coorte de estudantes de uma Instituição de Ensino Superior pública brasileira. Foi investigada a associação entre características socioeconômicas dos estudantes, aspectos pré-universitários e aspectos institucionais com a conclusão, evasão, mobilidade acadêmica e retenção em um estudo de caso na Universidade Federal da Fronteira Sul, que possui mais de 90% dos universitários oriundos de escola pública. Observou-se a situação de matrícula no segundo semestre de 2019 de 1.882 estudantes que ingressaram na Instituição em 2013 por meio do Exame Nacional do Ensino Médio. Desse grupo, 11,2% ainda permaneciam na Instituição (retenção); 27,4% haviam concluído; 54,6% evadiram e 6,9% haviam transferido para outro curso na mesma ou em outra Instituição (mobilidade). Foram realizadas análises descritivas bivariadas a partir de dados secundários obtidos na própria Instituição. Os resultados encontrados indicam que as características da instituição, dos cursos e as características pré-universitárias dos estudantes, como o tipo de escola frequentada no Ensino Médio, fazem diferença na trajetória dos estudantes. Da mesma forma, observou-se que homens, não-brancos e estudantes mais velhos evadem mais. Por outro lado, estudantes que recebem apoio social e que moram na zona rural concluem mais.

Fazer ciência de forma diferente para um desenvolvimento humano e social saudável? Relato e análise de uma experiência

PID: S1984-64442024000100402 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Janner-Raimondi Arborio Hubert
RESUMO À medida que entramos no Antropoceno, precisamos considerar, juntamente com Stengers (2020) e Latour (2021), as relações entre os seres humanos e o mundo da vida, para que possamos trabalhar juntos para encontrar modus vivendique sejam viáveis para todos no longo prazo e, ao mesmo tempo, pensar em novas formas de fazer ciência para ajudar a promover a democracia na área da saúde. Isso implica mudanças epistemológicas, metodológicas, éticas e políticas que reconheçam diferentesformas de verdade, entre o conhecimento médico nosográfico, por um lado, e, por outro, as aprendizagens singularesdas pessoas que vivem com uma doença/incapacidade crônica, suas famílias e os cuidadores que as apoiam diariamente. Acreditamos que ouvir suas vozes ajudará a aprimorar os serviços de saúde médico-sociais e preventivos. O Colóquio(2023), organizado para restituição de nossa pesquisa sobre os desafios ligados à participação dos atores mais diretamente envolvidos nas questões de cuidados (pacientes, familiares e cuidadores), inaugurou uma nova maneira de fazer ciência, graças às "leituras dramatizadas" feitas por duas atrizes de trechos de textos dessa pesquisa. A análise das seleções e dos serviços oferecidos neste artigo tem o objetivo de explorar com mais profundidade a refiguração das narrativas biográficas com vistas a fornecer subsídios para a investigaçãointervenção sobre formaçãono campo da saúde ou naformaçãoinicial e contínuade pessoas interessadas nessas questões.

Formação Pedagógica e Desenvolvimento Profissional Docente: uma experiência com professores do ensino superior, a partir da pesquisa sobre a própria prática

PID: S1984-64442024000100269 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Xavier Cunha Roveri Silva Sancinetti
RESUMO Este artigo apresenta uma experiência de formação pedagógica docente orientada pela pesquisa da própria prática, um processo formativo-metodológico que se estabelece pelo trabalho com narrativas de construção/desconstrução das próprias experiências docentes, sob uma autoanálise reflexiva. Caracteriza-se como instrumento formativo que vem sendo utilizado por pesquisadores do campo da formação de professores em razão de sua importância para o desenvolvimento profissional docente. A partir de uma base teórica que integra estudiosos do campo pedagógico, especialmente relacionada à docência do ensino superior, e da contribuição qualitativa de depoimentos de professores participantes da formação, o artigo situa tal experiência de formação pedagógica como um processo formativo coletivo que busca fomentar a construção de um espaço de aprendizagem da docência, permanente e intencional. Esse processo formativo busca a transformação da prática pedagógica docente, de modo a impactar o ensino desenvolvido com os estudantes, a partir da possibilidade de (re)interpretação e (re)análise das decisões pedagógicas, além de valorizar a afirmação da profissionalidade docente. Essa afirmação é possível porque os depoimentos evidenciam que os professores vão constituindo sua profissionalidade ao longo do processo formativo, alicerçados na confiança que o espaço formativo lhes proporciona.

Formação continuada de docentes não licenciados que atuam na Educação Profissional e Tecnológica: o que revelam as pesquisas no período de 2016 a 2021

PID: S1984-64442024000100219 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Tunes Barreiro
RESUMO Este artigo é resultado de uma pesquisa do tipo Estado do Conhecimento, a qual se propõe uma síntese analítica de pesquisas publicadas entre os anos de 2016 e 2021, tendo como foco de investigação a formação de professores não licenciados que atuam na Educação Profissional e Tecnológica, especificamente no que tange a sua formação continuada. Foram inventariadas as produções acadêmicas na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações e no Portal de Periódicos da CAPES, utilizando os descritores “Educação Profissional e Tecnológica” e “Formação de Professores” ou “Formação Docente”. Dezesseis trabalhos compuseram o corpus de análise, com vistas a construir resposta para questão: como a formação continuada de docentes, que atuam na formação profissional da Educação Profissional e Tecnológica, vem sendo discutida nas produções acadêmicas entre os anos de 2016 e 2021? Os resultados apontam que, embora a formação de professores da Educação Profissional e Tecnológica tenha conquistado espaço nas pesquisas dos últimos anos, o tema ainda carece de maiores estudos que discutam a formação continuada e que apontem proposições para a concretização deste tipo de formação no contexto de atuação docente, buscando sua consolidação na rotina das instituições de ensino técnico e profissional.

Formação docente numa perspectiva decolonial: caminhos propositivos, a partir dos multiletramentos críticos

PID: S1984-64442024000100308 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Rios Goes Souza Silva Andrade
RESUMO Discutir a formação docente, numa perspectiva decolonial, representa o rompimento com o paradigma eurocêntrico, apontando caminhos outros para promover processos formativos que considerem as diferentes culturas, raças e saberes construídos ao longo da história humana. Os processos formativos, por sua vez, precisam considerar as demandas da educação na contemporaneidade, bem como seus atores sociais. É nesse sentido que o estudo proposto busca investigar como os multiletramentos críticos podem fornecer proposições para uma formação docente decolonial, apresentando reflexões sobre a importância de se pensar esse processo a partir de olhares voltados para a decolonialidade. Para isso, através de uma abordagem qualitativa e sob as bases da epistemologia da práxis, realizou-se um estudo bibliográfico para se tecer compreensões sobre uma formação docente decolonial, bem como para identificar como os multiletramentos críticos podem apresentar possibilidades para o desenvolvimento de um pensamento decolonial, na docência. Foram realizados estudos e diálogos com autores que discutem sobre formação docente, decolonialidade, multiletramentos críticos, tais como: Nóvoa (2010), Quijano (2009), Rigal (2000), Flecha e Tortajada, (2000), Freire (1996), Street (2014), Walsh (2009), Ghedin (2012) e Silva (2018). Diante da reflexão construída neste estudo, apresentamos proposições para a formação numa perspectiva decolonial, a partir dos multiletramentos críticos: 1. Ampliar os espaços onde os letramentos são construídos, para além da escola; 2. Repensar o currículo numa perspectiva decolonial; 3. Conceber processos formativos para que os professores se tornem atores sociais autônomos; 4. Desenvolver uma pedagogia intercultural; 5. Favorecer que o professor se autorize na elaboração das teorias e práticas.

Formação em Educação: desafios ético políticos metodológicos

PID: S1984-64442024000100299 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Barros Coelho
RESUMO O artigo coloca em questão processos de formação de educadores e educadoras. Indaga uma direção conceitual-metodológica que produz práticas educacionais universalizantes e naturalizadoras, que formam-conformam profissionais, dissociando práticas pedagógicas de práticas políticas que as engendram. Dissocia a ideia de formação em educação como competência pedagógica, capacitação, conscientização - que se associa a especialismos, a discursos normalizadores, a modelagem de formas de agir e produzir educação. Propõe outras direções de análise que consideram o saber-fazer e a complexidade de relações efetivadas na escola, que intensificam a dimensão processual de formação no âmbito educacional Persegue processos que tomem a indissociabilidade técnico-política como direção. Busca, assim, subsídios para romper com práticas educacionais homogeneizadoras, controladoras e totalizadoras, propondo processos formulados a partir de um ethos que afirme autonomia e construção coletiva, que se abra à história, aos devires, ao imprevisível, que constituam, aliançados com os movimentos na escola, práticas pedagógicas ético-políticas de expansão e multiplicidade do viver.

Gestão de políticas universitárias inclusivas para migrantes e refugiados: Um estudo sobre o projeto Scholas

PID: S1984-64442024000100222 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Fossatti Wurth
RESUMO A pesquisa objetiva analisar como se dá a gestão dos processos de inclusão de migrantes nas universidades do Projeto Scholas. O Problema é: como se dá, no âmbito de Políticas de Gestão, a Inclusão de migrantes nas universidades do Projeto Scholas? A metodologia é de abordagem qualitativa. Caracteriza-se por ser um Estudo de Caso Múltiplo ao considerar o estudo de universidades ao redor do mundo, que participam do Projeto Scholas com migrantes. A coleta de dados comporta: revisão bibliográfica, análise documental, com busca nas plataformas como Scielo e Capes, e questionário enviado às universidades envolvidas na pesquisa. A análise dos dados considera a Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011). O Campo Empírico atende as universidades do Projeto Scholas que trabalham com refugiados. Os resultados confirmam que os migrantes carecem de atendimento às suas principais necessidades, por inclusão no contexto universitário, cultura da acolhida através do ensino do idioma e inclusão digital para o mundo do trabalho. As ações realizadas são recentes, não apresentando um atendimento global para as demandas destes atendidos. A gestão carece de planejamento específico. Propomos quatro eixos de políticas inclusivas: Política universitária inclusiva; A cultura da acolhida; Inclusão digital para o mundo do trabalho; A inclusão na vida universitária, além dos programas extensionistas. As considerações finais sugerem a criação de políticas com eixos universais para a inclusão e o exercício da cidadania dos migrantes e refugiados.

Gramsci, cultura, folclore e educação

PID: S1984-64442024000100286 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Martins Bergamini
RESUMO Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa cujo problema foi saber se o destaque que Gramsci conferiu à cultura o afastou do materialismo histórico-dialético. Metodologicamente, empregou-se a pesquisa bibliográfica, pela qual foram analisados textos de Gramsci da juventude e da maturidade carcerária, e de comentaristas. Na primeira parte, diz-se que Gramsci formulou o conceito de cultura a partir da síntese entre dois paradigmas rivais a ele contemporâneos: o francês e o alemão, construindo o conceito de cultura nacional-popular. Na segunda, demonstra-se que a dimensão cultural da vida social é dialeticamente articulada à educação, à política e à estrutura econômica. Na última parte, é afirmado que Gramsci superou a clássica distinção entre cultura erudita e popular, e deu nova interpretação ao folclore. Na conclusão está que Gramsci colaborou para atualizar o marxismo ao século XX, pois sustentou as formulações que produziu na categoria de totalidade e interpretou a cultura como uma das dimensões da disputa pela hegemonia, politizando-a e articulando-a à educação.

Gênero e Educação Infantil: uma revisão sistemática das produções brasileiras

PID: S1984-64442024000100212 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Vasconcelos Gabriel Cardoso
RESUMO Esta pesquisa corresponde a uma revisão sistemática de artigos científicos cujo objetivo é de analisar as publicações brasileiras que abordam a relação entre as questões de gênero e a Educação Infantil. A partir dos descritores ‘gênero’ e ‘Educação Infantil’, fez-se uma busca nas bases de dados Periódico Capes, Scielo, PubMed e PsycINFO. Essa revisão seguiu as recomendações metodológicas do Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (PRISMA) e delimitou 2020 como o ano final de busca. Inicialmente, foram identificadas 454 publicações, das quais 59 foram selecionadas para compor o corpus final da pesquisa. A análise possibilitou constatar que o tema é abordado, principalmente, pelas áreas de Educação e Psicologia e que houve um crescimento contínuo do número de publicações, por ano, a partir de 2011. Os temas mais abordados pelas publicações foram relacionados à forma como as questões de gênero perpassam concepções e práticas docentes e como estão presentes em artefatos culturais, brinquedos e brincadeiras. Os resultados são discutidos em termos de como as questões de gênero perpassam tanto as relações sociais entre criança-criança e criança-adulto quanto institucionais.

Habitar a profissão docente na roça

PID: S1984-64442024000100223 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Mota
RESUMO Com este estudo buscou-se entender como professores/as que atuam em escolas da roça constituem a presentificação do ser-na-roça para significar sua existência, bem como, produzem experiências de ser-docente numa perspectiva de afirmar uma vida autêntica que é manifestado no ente que habita espaços rurais. O estudo utiliza como método a Pesquisa Narrativa associada à abordagem qualitativa por possibilitar pensar a respeito da construção de uma concepção de ruralidade da presença que institui o ser-na-roça a partir dos estudos de Heidegger (1991, 2012, 2015) e das poesias de Manoel de Barros (2009, 2015, 2018). Este estudo ancora-se nas bases da fenomenologia e da hermenêutica por buscar compreender o ser em seu contexto de vida e os sentidos atribuídos à sua condição de existir em contextos rurais. A pesquisa foi desenvolvida nas escolas rurais do município de Várzea do Poço, BA, Brasil, tendo como dispositivos as entrevistas narrativas e etnografias da roça constituídas por registros realizados ao longo da pesquisa com narrativas sobre a experiência.Esta pesquisa contou com três professores/as colaboradores/as, sendo estes/as professores/as do Ensino Fundamental de escolas rurais e moradores/as das comunidades rurais. Concluiu-se que as experiências do ser-docente vão sendo produzidas conforme os modos que cada professor/a mobiliza e traduz os sentidos dos acontecimentos que os/as envolvem nesse processo de habitar a roça, possibilitando condições para trans-ver o rural habitado e a profissão docente na roça.

Histórias Entrelaçadas de Mulheres Cerradinas

PID: S1984-64442024000100602 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Simoni Marinho Rezende
Neste texto, são apresentadas as trajetórias entrelaçadas de Santa Dica, Maria José Alves Dias, Maria Lourdes Sousa Santos e Dona Procópia, mulheres afrodiasporizadas sustentadoras das memórias de luta do cerrado goiano. A proposta da pesquisa é perceber os modos de organização dessas mulheres para lidar com as questões coletivas relacionadas às consequências para a população afrodiaspórica, dos processos de racialização e colorização impostos aos africanos e seus descendentes, ao longo do tempo. O argumento é que suas ações coletivas conformam um tipo de feminismo que emerge nos entrelugares das instâncias de poder (público e privado), disputadas entre homens e mulheres brancas. Para tanto, discute-se o tensionamento das políticas de controle na relação corpo-território-linguagem-conhecimento-espiritualidade. É possível constatar as organizações de mulheres cerradinas nas irmandades, nas congadas, nas pastorais, nos quilombos, nos movimentos sociais, na educação escolar, na literatura, na comunicação social, nos conselhos. Essas ações coletivas possibilitaram a elas a restauração e a “manutenção de uma coesão que foi perdida ou desarrumada durante o processo de escravização” e que está perdurando com as colonialidades. O objetivo principal desta proposta é contribuir para visibilizar o protagonismo do povo negro e indígena, sobretudo as mulheres, nas áreas social, econômica e política, pertinente à História do Brasil, em conformidade com as leis 10.639/2003 e 11.645/2008, com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana, orientadores da BNCC.

Imitação melódica, rítmica e afetivo-musical: a aprendizagem musical de bebês através da imitação e sistema de neurônios-espelho

PID: S1984-64442024000100213 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Fritzen Wolffenbüttel
RESUMO Estudos apontam que a imitação integra a aprendizagem musical das crianças (DELALANDE, 2019;GORDON, 2015; SWANWICK, 2014). A descoberta dos neurônios-espelhocomprova que a imitação é uma ação que integra a aprendizagem do ser humano e, portanto, deve ser investigada. A imitação também é uma ação inata do bebê (MELTZOFF; MOORE, 1995). O objetivo deste trabalho foi de investigar como ocorre a aprendizagem musical de bebês através da imitação e sistema de neurônios-espelho com base em pesquisas científicas. Foi utilizada a pesquisa bibliográfica como método (LIMA; MIOTO, 2007) e a análise dos dados se deu a partir da análise do conteúdo (BARDIN, 2009). Este trabalho é justificado pela contribuição do entendimento de como os bebês aprendem música. Como resultados, foi verificado que bebês se desenvolvem musicalmente através de três tipos de imitação que se relacionam entre si: melódica, afetivo-musical e rítmica. A partir deste estudo, concluímos que a imitação ocorre de forma viso-motora auditiva e que durante uma interação musical, o bebê observa e relaciona movimentos e suas sonoridades e transforma percepções sensoriais (visão, tato e audição) em representações motoras (canto, entonação, movimentos, gestos e ritmos).

Infâncias e juventudes algoritmizadas no contexto da pandemia de coronavírus

PID: S1984-64442024000100277 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Acosta Gallo
RESUMO Este artigo busca analisaras infâncias e juventudes na contemporaneidade a partir da noção de governamentalidade democrática e do que aqui chamamos de infâncias e juventudes algoritmizadas- estas, a princípio, identificadas na Constituição Federal de 1988 e, posteriormente, enclausuradas em suas casas ao longo do período pandêmico. Parte-se das análises de Michel Foucault sobre governo das populações como efeito e maquinaria do biopoder capaz de produzir comportamentos e subjetividades. Considerando isso, analisa-se como as legislações brasileiras consolidaram a noção de infância e juventude como “etapa em desenvolvimento da cidadania recém-conquistada” desde a Constituição Federal de 1988. Problematiza-se a subjetivação produzida durante a pandemia do novo coronavírus, com seus consequentes distanciamentos sociais e a necessidade de promover a educação e a socialização em tela, além dos possíveis desdobramentos causados pela situação. Esta análise derivadas provocações vivenciadas durante o período pandêmico e de como as infâncias e juventudes, apartadas dos relacionamentos interpessoais presenciais, se desdobraram em infâncias e juventudes outras. Assim, conclui-se que as infâncias e juventudes alfabetizadas, escolarizadas e socializadas em tela são infâncias e juventudesalgoritmizadas.

Interesse epistemológico e formação escolar

PID: S1984-64442024000100236 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2024
Autores: Corbiniano
RESUMO O domínio propriamente epistemológico pode fazer sentido na formação escolar à medida que se possa considerá-lo, porventura, como uma oportunidade de aprimoramento da atividade humana de conhecer no plano do pensamento objetivo. Cabe ao ensino escolar contemporâneo o cultivo,a seu modo, dos valores de conhecimento próprios da racionalidade moderna. O aspecto propriamente epistemológico do conhecimento remete a um corpusde experiências do espírito racional, isto é, pode-se dizer de uma história de erros e superações internas ao próprio ato de conhecer, seu objetivo final éfundar a instância dopensamentoinstituinte, críticoe aberto. Nesse tempo histórico marcado por revoluções científicas é preciso buscar as condições de possiblidades para conhecimentos rigorosos, e mais que nunca manter o cultivo dos interesses humanos autênticos na formação. Este artigo é fruto de pesquisa da área de Educação em interlocução com referenciais da Filosofia, tendo como objetivo refletir acerca de alguns princípios do conhecimento objetivo, suas possibilidades, problemas, e sua relação com o conhecimento na escola. De umlado é preciso manter certo afastamento do caráter imediato e instrumental do conhecimento instituído, de outro lado, cabe manter proximidade com os valores de conhecimento que as ciências teoréticas podem proporcionar, ambos os lados são faces indispensáveis à reflexão acerca da formação escolar nesse início de século.
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