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NOVOS RISCOS E CAPTURAS AOS DIREITOS HUMANOS E INTERESSES DAS CRIANÇAS: O CASO DO BRASIL COMO ALERTA ÀS DEMOCRACIAS

PID: S0102-46982024000100501 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: LINS
RESUMO: Neste ensaio, é apresentado um mapeamento cartográfico (de processos, eventos, fluxos e afetos como linhas de força em um território), considerando o fortalecimento do espectro político das direitas radicais e consequentes retrocessos e subversões adultocêntricas nos significados de “melhor interesse” das crianças, centralmente. São discutidos alguns acontecimentos noticiados pelas mídias tradicionais/sociais, casos de violência entre crianças devido à disputa eleitoral para a Presidência da República, violência física de adultos contra crianças também por motivos políticos, além de outros casos que evidenciam uma política autoritária de subjetivação em ascensão e mudanças na dinâmica cultural. Os acontecimentos e as análises tecidas, a partir dos atravessamentos do militarismo sobre as subjetividades infantis, convergem no sentido de nos alertar para que as crianças passem a nos guiar nestas iminentes tarefas civilizatórias e epistemológicas. É possível que sigamos por esses caminhos, por meio de teorias relacionais e também por meio de nossos afetos como pesquisadores/as.

NÃO É NINGUÉM, É O PROFESSOR! SOBRE A FIGURA DOCENTE E O SEU OFÍCIO

PID: S0102-46982024000100216 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: FANIZZI CARVALHO
RESUMO: O presente artigo visa examinar de que modo os esforços empreendidos no sentido de substituir a pessoalidade da ação docente pela tecnicidade impessoal de sua atividade afetam o professor e o ofício docente. O discurso de tecnicização da educação, discurso estruturado em torno de uma pretendida completude, centralidade e autonomia da dimensão técnica e metodológica do educar, concebe a educação como uma atividade que prescinde da presença de um alguém, de um sujeito a quem se faz possível o usufruto de um lugar de ação e enunciação. O que resta ao ofício docente diante dos esforços que visam reduzi-lo a uma atividade guiada pela lógica da produção fabril, marcada pela repetição automatizada de processos que independem da unicidade e pessoalidade daquele que a realiza? Estaria essa condição relacionada a queixas, adoecimentos, sentimentos de desvalorização e impotência frequentemente enunciados pelos professores? O exame desses questionamentos será feito à luz de uma fenomenologia das atividades humanas, tal como a concebe Hannah Arendt, e de escritos que buscam compreender a educação a partir dos aportes da psicanálise.

O CONCEITO DE CURRÍCULO PÓS-CRÍTICO NA EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA ANÁLISE GEOFILOSÓFICA

PID: S0102-46982024000100249 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: VIEIRA BONETTO BORGES
RESUMO: O presente estudo visa problematizar o conceito de pós-criticidade nos usos curriculares no campo da Educação Física escolar. Para tanto, utilizamos as teorizações advindas tanto do campo filosófico quanto do educacional, bem como seus efeitos nas discussões epistemológicas do componente supracitado. Como método de trabalho, tomamos como inspiração o conceito de geofilosofia a partir dos filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari (Deleuze; Guattari, 2010). Em um primeiro momento, a partir de sua territorialização no campo curricular e reterritorialização na Educação Física, destacamos as condições de imanência e as potencialidades do conceito em pauta para, em seguida, desterritorializá-lo, apontando os riscos que acompanham pensamentos classificatórios. Como reflexão final, lançamos a proposta de uma radicalização do processo diferencial na produção curricular, posicionando todas as criações propositivas minoritárias no âmbito da Educação Física como importantes para uma sociedade mais justa e menos violenta, sendo necessária a continuidade dos trabalhos que evitem reducionismos e sectarismos.

O ENSINO DE QUÍMICA NA INCLUSÃO DE SURDOS: A CONCEPÇÃO DA APRENDIZAGEM CONSTRUÍDA COLETIVAMENTE

PID: S0102-46982024000100262 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: GOMES LOCATELLI
RESUMO: A escola contemporânea dialoga com a pluralidade e a diversidade. Nesse cenário, alunos surdos são incluídos em salas regulares e precisam ter acesso aos componentes curriculares em sua primeira língua, a Libras. É perceptível que para esses alunos a aprendizagem de algumas disciplinas, como a química, se apresenta como um desafio. Assim, este trabalho busca identificar quais são essas dificuldades e como transformá-las. Este estudo emergiu de uma pesquisa que contemplou outras fases de investigação, porém, aqui, será compartilhado um recorte das entrevistas realizadas com professores de química e com três estudantes surdos do 3.° ano do ensino médio de uma escola inclusiva da rede particular de ensino da região metropolitana de São Paulo. Como resultados, a investigação viabilizou a identificação do papel do intérprete de Libras e de sua parceria com o professor nesse processo, a percepção de que a inclusão é um movimento que requer empenho de todos os envolvidos para a ressignificação do processo e, ainda, a necessidade de estratégias visuais adequadas aos alunos surdos para a compreensão da química.

O ESVAZIAMENTO DAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS NA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR

PID: S0102-46982024000100260 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: MOREIRA SILVA SOUZA ECHEVERRÍA
RESUMO: O presente artigo analisa o esvaziamento das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (DCN) na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Trata-se de uma pesquisa documental de abordagem crítica inserida nos debates curriculares ancorados nos fundamentos teórico-metodológicos da Pedagogia Histórico-Crítica. Objetiva-se analisar e refletir sobre as diretrizes para a educação de grupos pouco reconhecidos e considerados nas políticas educacionais curriculares brasileiras, no sentido de fomentar o debate em torno dos processos de formação dos sujeitos que se pretende formar. As categorias de análise foram: 1) modalidades da educação (Escolar Indígena; Escolar Quilombola; do Campo; Especial; de Jovens e Adultos; Profissional e Tecnológica); e 2) eixos temáticos contemporâneos (Educação Ambiental; Educação em Direitos Humanos; Educação para jovens e adultos em situação de privação de liberdade nos estabelecimentos penais; Educação das Relações Étnico-Raciais e o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana; Atendimento escolar de crianças, adolescentes e jovens em situação de itinerância). Os resultados apontam que há um silenciamento e um retrocesso na BNCC, no que tange a algumas modalidades e eixos temáticos que já tinham seus direitos assegurados na DCN. Em contrapartida, na BNCC, mesmo apresentando os princípios de igualdade e universalidade, os sujeitos são homogeneizados, sem considerar as diferenças e subjetividades que existem ou podem existir. Posiciona-se aqui em defesa de uma educação que, considerando efetivamente a diversidade e as profundas desigualdades da sociedade brasileira, advogue por uma formação omnilateral dos sujeitos na perspectiva da transformação social.

O PENSAMENTO DECOLONIAL NOS ESTUDOS DA INFÂNCIA: EPISTEMOLOGIAS CRÍTICAS E PÓS-CRÍTICAS

PID: S0102-46982024000100269 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: SOARES GEBARA MARTINS
RESUMO: No presente artigo, discutimos como o pensamento decolonial aparece na base de dados dos estudos da infância no campo da educação, base essa composta por dissertações, teses, trabalhos completos apresentados nos Grupos de Trabalho (GTs) em Reuniões Nacionais da ANPEd e artigos científicos publicados em revistas qualis A1. O estudo é caracterizado como metapesquisa, ou seja, uma pesquisa sobre as pesquisas de um campo e/ou área - no caso deste artigo, os estudos da infância no campo da educação, tendo como objetivo indicar abordagens, enfoques, perspectivas e modelos analíticos. O debate sobre a descolonização das pesquisas é seguido pela apresentação de 11 autores (0,48% da produção) que tematizam o pensamento decolonial num total de 2.246 trabalhos catalogados. Como resultado, indicamos a pouca presença do pensamento decolonial nos estudos da infância no campo da educação, emergindo três campos temáticos para novas pesquisas na interface com as epistemologias críticas e pós-críticas: 1) pensamento decolonial crítico, infâncias e desigualdades; 2) pensamento decolonial, multiculturalismo, infâncias e diversidades; e 3) pensamento pós-colonial, paradigmas pós-críticos e infâncias contemporâneas.

O QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES FIZERAM DAQUILO QUE A PANDEMIA FEZ COM ELES E ELAS?

PID: S0102-46982024000100252 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: SILVA FERNANDES CARRANO
RESUMO: Este artigo, que aborda como crianças e adolescentes viveram a pandemia de covid-19 como experiência geracional, objetiva compreender como agiram diante da reconfiguração da ordem das interações sociais decorrente do isolamento social como medida para conter o avanço da doença, buscando conhecer as interpretações de crianças e adolescentes a partir de suas posições geracionais. As discussões têm como base dados de pesquisas com crianças e adolescentes de 8 a 14 anos, residentes em 33 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte e em 27 Regiões Administrativas do Distrito Federal. Ambas as pesquisas adotaram perspectiva metodológica mista, com métodos qualitativos e quantitativos, com adoção de questionários, como instrumentos de coleta de dados censitários, ampliados com questões e observações abertas. Como síntese indicam-se as preocupações com a dimensão da solidariedade inter e intrageracional. Observa-se ainda que crianças e adolescentes rompem com dicotomias, especialmente aquelas que separam adultos e crianças e expressam sua crítica ao contexto e às ações políticas e individuais dele decorrentes.

O TRABALHO DE PROJETO NAS PRÁTICAS EDUCATIVAS DE PROFESSORES EM INÍCIO DE CARREIRA

PID: S0102-46982024000100221 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: TEMPERA TINOCA
RESUMO: O início de carreira de um professor é um período desafiante para o desenvolvimento das suas práticas educativas. Apesar de valorizarem métodos ativos de ensino, tais como a Metodologia de Trabalho de Projeto, a pressão sentida nesta fase leva a que os professores em início de carreira experienciem dificuldades de natureza diversa na sua implementação. Este estudo visa conhecer a forma como os professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico, em início de carreira, integram a Metodologia de Trabalho de Projeto nas suas práticas educativas. Os dados foram recolhidos através de entrevistas semiestruturadas e da análise documental ao espólio de oito professores. Os resultados demonstram que os professores valorizam e procuram contemplar o Trabalho de Projeto nas suas práticas educativas. As dificuldades sentidas poderiam ser atenuadas através de uma abordagem metodológica mais consistente na formação inicial de professores e de uma análise das prioridades educativas nas escolas onde lecionam, que sobrecarrega os professores iniciantes com demasiadas tarefas paralelas ao serviço docente.

OS SABERES DOCENTES NA ÁREA DE ENSINO DE CIÊNCIAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

PID: S0102-46982024000100259 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: OLIVEIRA MOZZER
RESUMO: Neste trabalho realizamos uma revisão sistemática da literatura com os intuitos de compreender como os saberes docentes têm sido investigados na área de Ensino de Ciências no Brasil e de discutir as principais contribuições e limitações dessas investigações. Realizamos nossas buscas no Banco de Teses e Dissertações da CAPES e no Portal de Periódicos da CAPES, a partir de um recorte temático, mas não temporal. Com base nos critérios de inclusão e exclusão definidos, obtivemos um total de 64 trabalhos (teses, dissertações e artigos). Por meio desses trabalhos, identificamos e caracterizamos cinco eixos de investigação: saberes mobilizados por professores de Ciências; saberes docentes e a identidade profissional; processos de construção e desenvolvimento dos saberes docentes; contribuições de cursos e programas de formação na constituição dos saberes docentes; outros focos. Observamos que prevalecem as pesquisas que buscam apenas identificar os saberes docentes sob uma perspectiva individual de análise ao priorizarem, principalmente, métodos de categorização e análise de conteúdo. Limitações como essa apontam para a necessidade de que um esforço seja realizado no sentido de ampliar o escopo das investigações sobre a temática de forma a incluir e considerar, sob uma perspectiva etnográfica, a análise desses saberes docentes como fenômeno social, que se constrói na interação do professor com seus alunos, com seus pares e demais membros da comunidade educacional.

PANDEMIA, MATERNIDADE E CIÊNCIA: EXPERIÊNCIAS E REFLEXÕES DE CIENTISTAS MÃES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

PID: S0102-46982024000100275 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: WALCZAK SILVA
RESUMO: O contexto pandêmico, transformou a realidade social e as relações interpessoais, principalmente por meio das medidas de isolamento e distanciamento social, necessárias para a contenção do vírus. Com o trabalho remoto e a intensificação do convívio familiar, acentuaram-se as desigualdades de gênero relacionadas à divisão sexual do trabalho, que sobrecarrega as mulheres diante da desigual responsabilização pelos cuidados com a vida privada. O presente artigo, de natureza qualitativa exploratória, objetiva, a partir do uso de questionários, investigar de que forma a pandemia impactou a carreira das cientistas mães docentes da Universidade Federal do Pampa, analisando como essas pesquisadoras conciliam o ensino remoto e as demais demandas da carreira científica com a maternidade. Percebemos, por meio da pesquisa, que a pandemia impactou não somente a carreira, mas também a saúde mental e física das participantes, na medida que as sobrecarregou para além das demandas profissionais, como também com as demandas do âmbito privado, como o cuidado doméstico e das(os) filhas(os), assumidas majoritariamente por elas.

PERCEPÇÕES DE DOCENTES DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA ACERCA DA REORGANIZAÇÃO CURRICULAR DO NOVO ENSINO MÉDIO

PID: S0102-46982024000100283 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: SANTOS REPOLÊS
RESUMO: Este estudo teve como objetivo compreender as percepções de docentes da educação profissional e tecnológica da Fundação Osorio acerca da atual organização curricular proposta pelo Novo Ensino Médio. Para tanto, foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo. Os dados foram coletados por meio de survey qualitativo, pela aplicação de questionário on-line com 35 docentes da educação profissional e tecnológica da Fundação Osorio, utilizando a ferramenta Google Formulários. Os dados foram analisados mediante Análise de Conteúdo. Os resultados indicam que os desdobramentos da Reforma do Ensino Médio recaem, principalmente, sobre docentes do ensino propedêutico, enquanto professores das disciplinas técnicas relataram poucas implicações sobre o trabalho didático-pedagógico e sobre o processo de ensino-aprendizagem. Além disso, muitos docentes acreditam que o Novo Ensino Médio poderá impactar de forma negativa a qualidade dos cursos técnicos e o perfil dos profissionais a serem formados, tendo em vista a desvalorização de algumas disciplinas nos currículos em detrimento de outras, além da falta de preparação e adesão efetiva dos professores e dos alunos à reforma. A interdisciplinaridade foi citada como principal benefício da reforma, porém, ao mesmo tempo, a realização de atividades e avaliações integradas foi ressaltada como principal dificuldade, haja vista o agrupamento das disciplinas em grandes áreas. Esta pesquisa permite avançar na discussão ainda incipiente sobre a importância da avaliação de currículos escolares, sobretudo após o Novo Ensino Médio, já que a reforma é recente e poucos estudos avaliaram seus desdobramentos.

PERMANÊNCIA DISCENTE EM CURSOS DE PEDAGOGIA A DISTÂNCIA: UM ESTUDO A PARTIR DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL

PID: S0102-46982024000100210 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: SOSO KAMPFF MACHADO
RESUMO: A Educação a Distância (EaD) cresce de forma acelerada no Brasil e hoje compreende mais de um terço de todas as matrículas em cursos de graduação (BRASIL, 2022a). Porém, os altos índices de evasão pressionam as Instituições de Ensino Superior (IES) a definirem estratégias para promover a permanência de seus discentes até a diplomação. Neste sentido, a presente pesquisa foi estruturada a partir da necessidade de se olhar para as instituições e avaliar de que modo estão comprometidas com a permanência discente na modalidade. Esta investigação objetiva identificar e analisar de que forma as IES, vinculadas ao sistema da Universidade Aberta do Brasil (UAB), promovem a permanência discente em cursos de Pedagogia a distância. Para isso, foram realizadas oito entrevistas semiestruturadas com coordenadores de seis IES distintas, além da análise de documentos institucionais. A compreensão dos depoimentos dos gestores e a análise documental enfatizaram que as instituições possuem diferentes níveis de comprometimento com a consolidação da modalidade a distância, o que reflete diretamente sua atuação para mitigar a evasão dos estudantes. A partir da identificação de fragilidades nos cursos, bem como de boas práticas referidas na literatura, foram apresentadas diretrizes que almejam promover a permanência dos discentes nos contextos investigados.

PLANTAR, TRADUZIR, MINERAR: ANÍSIO TEIXEIRA (1935-1947)

PID: S0102-46982024000100250 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: TOLEDO VIDAL
RESUMO: Tomamos Anísio Teixeira como um hub, a partir do qual almejamos desenhar a configuração de redes, enlaçando sujeitos e instituições. Elegemos o período entre 1935 e 1947, esmiuçando o trabalho editorial que realizou para Companhia Editora Nacional (CEN), a partir da documentação do acervo da editora, depositado no Centro de Memória e Pesquisa Histórica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); bem como os documentos sobre a breve passagem de Anísio pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entre 15 de julho de 1946 e 15 de fevereiro de 1947, existentes no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC-FGV) e no Unesco Archives. O texto está estruturado em duas partes: na primeira parte, ressaltamos a atuação de Anísio junto à CEN; na segunda, o foco se desloca para sua trajetória na Unesco. Em ambas, é a trama móvel das redes que conduz a escrita, guiada por uma argumentação alicerçada na história transnacional da educação. É importante realçar que ao endereçarmos a reflexão para a perspectiva transnacional, não estamos descurando do espaço nacional, nem colocando o Brasil na posição periférica com respeito a um suposto centro difusor de saber. Ao contrário, pretendemos reconfigurar o território a partir das experiências dos sujeitos, das trocas estabelecidas, problematizando o confinamento das fronteiras físicas na organização do campo educacional, em uma época marcada pela disseminação de governos autoritários, guerra e esforço de reconstrução em escala mundial.

PLATAFORMIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM E O PROTAGONISMO DE HUMANOS E NÃO HUMANOS NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

PID: S0102-46982024000100229 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: SILVA COUTO
RESUMO: As políticas e práticas educacionais de intervenção no contexto pandêmico e pós-pandêmico passam a privilegiar o processo educacional com foco nas plataformas digitais e na personalização da aprendizagem em redes. O objetivo do artigo é apresentar o protagonismo de humanos e não humanos nas práticas pedagógicas a partir dos olhares de docentes e profissionais técnico-pedagógicos da Rede Estadual de Ensino da Paraíba. Utilizamos o método da pesquisa quantitativa e qualitativa de caráter exploratório, descritivo e analítico. Os dados apresentados foram coletados com a utilização da ferramenta Google Forms, por meio de um questionário multitemático. O universo da pesquisa abrangeu 19.473 professores efetivos e prestadores de serviço no período de 9 a 21 de dezembro de 2021. Concluímos que, para além dos debates, teorias e métodos da Educação a Distância e da Educação On-line, é necessário reinventar processos de ensino-aprendizagem por meio das plataformas (não humanos) alterando significativamente as maneiras de pesquisar, ensinar, produzir e difundir conhecimentos. As práticas pedagógicas instituídas pelas plataformas digitais são atividades com as quais os agentes humanos e não humanos atuam em conjunto, enredados, interagindo e formando alianças e vínculos, a partir de determinadas atividades instituídas e organizadas. Ainda que subutilizadas em suas potencialidades educativas, o uso das plataformas digitais trouxe a percepção de que não é possível pensar em uma educação que exclua a internet e as tecnologias digitais.

POVOS INDÍGENAS NA FORMAÇÃO DE EDUCADORES DO CAMPO: PRESENÇAS E AUSÊNCIAS NOS PROJETOS PEDAGÓGICOS

PID: S0102-46982024000100231 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: NOGUEIRA ANDRADE
RESUMO: As licenciaturas em Educação do Campo são pautadas no princípio do respeito às diversidades e pluralidades dos povos do campo, entre eles, os indígenas. No processo formativo de educadores do campo, busca-se contemplar as reivindicações históricas dos povos indígenas, principalmente a demanda pelo direito à educação escolar e universitária. A partir desse contexto, essa pesquisa teve por objetivo conhecer o processo de inclusão dos saberes, das histórias e das culturas dos povos indígenas nos cursos de Educação do Campo, estruturados pelas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) brasileiras. A pesquisa, de abordagem qualitativa e de caráter exploratório descritivo, adotou a análise documental dos projetos pedagógicos de sete cursos de Educação do Campo com habilitação em Ciências Humanas e Sociais, ofertados por cinco universidades e dois institutos federais: UFPA, UFCG, UFMS, UFF, UFFS, IFPA e IFRN. Os principais resultados indicam que os cursos buscam formar educadores que atendam demandas dos povos indígenas em suas especificidades; além de promover algumas ações voltadas à valorização das histórias e das culturas indígenas.

PROJETO PRINCIPAL DE EDUCAÇÃO PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE: REPERCUSSÕES NA EDUCAÇÃO LATINOAMERICANA

PID: S0102-46982024000100266 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: CRUZ MARTINELI
RESUMO: Este artigo é resultado de um estudo que investigou as repercussões das ideias produzidas a partir do Projeto Principal de Educação para a América Latina e o Caribe, nas políticas educacionais e curriculares para a educação básica brasileira, chilena e uruguaia. O percurso metodológico delineou-se como pesquisa documental, com análise de discurso, considerando os contextos de influência e produção de texto das declarações, pareceres e relatórios referentes ao Projeto. Os resultados da pesquisa indicaram que: 1) esse projeto orientou os rumos das reformas educacionais ocorridas em países da América Latina, como o Brasil, o Chile e o Uruguai; 2) as discussões e debates para as transformações da educação básica latino-americana, no contexto do projeto, fundamentaram-se em uma concepção de educação e desenvolvimento ancorada em uma perspectiva humanista e educativa do trabalho; e, por fim, 3) a década de 1980 foi a fase de fundação e desenvolvimento das primeiras ações do projeto, com vistas à expansão quantitativa da educação básica, especialmente quanto ao número de matrículas, enquanto que, na década de 1990, foram intensificadas as ações do projeto, com vistas, principalmente, à qualidade da educação, por meio de transformações na gestão e no currículo. Concluiu-se que o Projeto Principal de Educação teve suas ideias repercutidas nos três países pesquisados, à medida que os mesmos incorporaram, e ainda incorporam, os princípios e objetivos do projeto em suas respectivas políticas educacionais e curriculares, engendrando uma espécie de consenso entre as políticas educacionais e curriculares promovidas na América Latina.

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E EVASÃO DISCENTE: UMA ANÁLISE NO CURSO TÉCNICO

PID: S0102-46982024000100204 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: NUNES SILVANO
RESUMO: A Educação Profissional e Tecnológica brasileira, nos últimos anos, principalmente de 2000 a 2016, vem passando por transformações oriundas de políticas públicas elaboradas visando a sua expansão e reestruturação. Frente a essas transformações, as escolas profissionalizantes são desafiadas a repensarem e ressignificarem a forma como mantêm um elo com a sociedade. Vários aspectos precisam ser observados e questionados no sentido de contribuir para a permanência e o sucesso dos discentes nas escolas profissionais. A evasão discente é um dos problemas enfrentados no ensino profissional, influenciada por diversos fatores que pesam na decisão do aluno em permanecer ou não no curso. Dentre esses elementos, destacam-se as práticas pedagógicas e sua relação com a aprendizagem e a motivação dos alunos, proporcionando um maior envolvimento com a instituição de ensino. Este trabalho teve como objetivo refletir sobre as práticas pedagógicas e a evasão discente no Curso Técnico de Eletromecânica do IFCE Campus Pecém. A referida pesquisa foi classificada, metodologicamente, como aplicada, com uma abordagem qualitativa, com características exploratórias e desenvolvida por meio de levantamento bibliográfico, estudos de casos e relatos de experiência. Os resultados obtidos possibilitaram uma melhor compreensão da ocorrência da evasão no referido curso, elencando as suas possíveis motivações. Foi verificada a grande importância das práticas pedagógicas para a permanência dos discentes no curso, pois que elas contribuem de forma significativa para o processo de ensino e aprendizagem.

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INOVADORAS: CRITÉRIOS ATRIBUÍDOS POR PROFESSORES(AS) FORMADORES(AS) QUE ATUAM EM CURSOS DE PEDAGOGIA

PID: S0102-46982024000100243 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: FIORESE TREVISOL
RESUMO: Este artigo analisa os critérios que os(as) professores(as) formadores(as), atuantes em Cursos de Pedagogia, atribuem às práticas pedagógicas inovadoras. Como base empírica deste texto foram utilizados dados de uma pesquisa descritiva, de cunho exploratório e de natureza qualitativa, que teve como lócus seis Instituições de Ensino Superior Comunitárias do Estado de Santa Catarina, vinculadas à Associação Catarinense das Fundações Educacionais - Acafe, que oferecem o curso de Pedagogia na modalidade presencial. A amostra foi composta por professores(as) formadores(as) que atuam como titulares nos cursos de Pedagogia dessas instituições, e que aceitaram participar da pesquisa. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário on-line, e na análise foi aplicada a técnica de análise de conteúdo. Evidenciou-se que os critérios que atribuem sentido à prática pedagógica inovadora são subjetivos, assumem caráter polissêmico e variam de acordo com o conhecimento, a interpretação e a vivência dos pesquisados. Alguns elementos centrais foram articulados à prática dessa natureza: protagonismo dos estudantes; ruptura com o tradicional; novo; tecnologia; pesquisa; e metodologias ativas. A análise desses critérios, à luz do referencial teórico utilizado, possibilitou compreender que nem tudo que foi explicitado como inovação pedagógica constitui, de fato, uma prática pedagógica inovadora. Constatou-se a necessidade e a importância de se promover a reflexão sobre o que é e como se constitui uma prática pedagógica inovadora, visando uma concepção mais assertiva sobre o conceito, que possa fundamentar a prática nos cursos de formação docente e a consolidação do perfil do(a) professor(a) inovador(a).

PÚBLICO-PRIVADO NO FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL: QUEM GANHA E QUEM PERDE NO MERCADO DA BENEMERÊNCIA?

PID: S0102-46982024000100254 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: NUNES RODRIGUES
RESUMO: Este artigo objetiva analisar o jogo de disputas e negociações pelo fundo público entre as parcerias público-privadas no financiamento da educação especial. As discussões derivam da revisão bibliográfica e documental de escritos alinhados ao objetivo eleito e estão sustentadas nos pressupostos teóricos do materialismo histórico-dialético (MARX, 1985). Na análise das fontes consultadas, verificou-se que, no contexto de desoneração do Estado, em relação às políticas sociais, as parcerias público-privadas ganham a disputa no mercado da benemerência, em detrimento ao público-alvo da educação especial, e buscam os recursos do fundo público e a participação nos direcionamentos das políticas educacionais. Evidenciou-se, ainda, que a parceria entre o Estado e o setor privado contribuiu para precarizar o ensino público, alimentar tensões entre os direitos conquistados e os direitos efetivados e descumprir as metas do PNE 2014-2024 e dos pactos firmados entre o Brasil e os organismos internacionais, como a Declaração de Salamanca (1994). Por outro lado, os achados revelaram algumas saídas para combater o apartheid social e educacional, que tem sido disseminado pela classe empresária na saga da disputa pelo fundo público: desenvolver a capacidade de organização, de acesso à informação e de comunicação interna para garantir os investimentos públicos; superar a gestão centralizada nos espaços escolares e fortalecer o controle social por meio da participação social e popular.

QUALIDADE DA OFERTA EDUCACIONAL E DESIGUALDADES DE APRENDIZADO NO ENSINO FUNDAMENTAL BRASILEIRO

PID: S0102-46982024000100261 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: XAVIER ALVES PETRUS
RESUMO: Nas últimas décadas, a preocupação com a qualidade educacional foi mais evidenciada, na agenda pública brasileira, do que as ações centradas no combate às desigualdades, em função do amplo uso do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - Ideb. Contudo, estudos apontam que a qualidade não tem sido acompanhada de equidade, ferindo princípios constitucionais. Nessa esteira, investigamos a relação entre indicadores de oferta educacional e medidas de qualidade e equidade de aprendizado no ensino fundamental. Utilizando dados das escolas públicas brasileiras, provenientes do Censo Escolar e do Saeb, dados demográficos e de investimentos, provenientes do IBGE e do Siope, observamos que os indicadores da oferta educacional se associam mais à qualidade do que à equidade e que municípios maiores, em termos populacionais, tendem a apresentar qualidade com menos equidade. É possível observar um padrão Norte/Sul do país. Situações de mais equidade são vistas em estados do Norte e do Nordeste. Do lado oposto, situações de mais qualidade são encontradas em estados do Sul e do Sudeste. Situações de mais qualidade com equidade são raras nos municípios brasileiros, mas foram encontradas em maior proporção, no Ceará. Conclui-se que políticas específicas e mais objetivas são necessárias para a garantia de uma educação de qualidade com equidade. Esta garantia é um direito de todos e recebe ainda mais relevância no cenário pós-pandemia de covid-19, em que as lacunas de aprendizagens e o acirramento das desigualdades educacionais têm se revelado cada vez mais profundas.
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