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Três tardes (Ou contar histórias é enfrentar genocídios!)

PID: S1809-43092024000100608 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2024
Autores: Süssekind
Resumo Este artigo examina o movimento dos estudos dos cotidianos, apontando inspirações teóricas e apostas políticas, teóricas e metodológicas. Argumenta que os estudos dos cotidianos em educação alimentam e se nutrem em outros deslocamentos na academia na contemporaneidade, como a decolonialidade, os estudos feministas e pós-estruturais. Conclui que os relatos e os estudos dos cotidianos são armas contra o genocídio.

Um modelo da inter-relação entre ética em pesquisa e integridade em pesquisa

PID: S1809-43092024000100205 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2024
Autores: Muthanna Chaaban Qadhi
Resumo Objetivo: O objetivo deste artigo é explorar a inter-relação entre ética em pesquisa e integridade em pesquisa, com foco nas principais formas de má conduta em pesquisa, incluindo plágio, fabricação e falsificação. Também detalha os principais fatores para sua ocorrência e as possíveis formas de mitigar seu uso entre os pesquisadores acadêmicos. Métodos: O método empregou um exame detalhado dos principais dilemas éticos, conforme delineados na literatura, bem como dos fatores que levam a essas violações éticas e das estratégias para mitigá-las. Além disso, as experiências de ensino do autor principal são refletidas no desenvolvimento do modelo. Resultados: Os resultados deste artigo estão representados em um modelo que ilustra a inter-relação entre ética em pesquisa e integridade em pesquisa. Além disso, um aspecto significativo do artigo é a identificação de novas formas de má conduta de pesquisa relativas ao uso de citações ou referências irrelevantes ou forçadas. Conclusão: Na conclusão, o artigo destaca os efeitos positivos substanciais que a adesão à ética e integridade em pesquisa tem sobre o bem-estar acadêmico dos pesquisadores acadêmicos.

Um olhar sobre a relação professor-aluno Mapuche na educação intercultural em La Araucanía, Chile

PID: S1809-43092024000100101 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2024
Autores: Arias-Ortega Castro Zuccone
Resumo O artigo apresenta resultados de pesquisas que aprofundam o significado da relação professor-aluno mapuche nos processos de ensino e aprendizagem da língua e cultura mapuche na sala de aula, em três escolas localizadas em comunidades indígenas de La Araucanía, Chile. A metodologia é qualitativa a partir de uma abordagem etnográfica escolar, para revelar o que está implícito e não documentado nas relações pedagógicas, durante o desenvolvimento da situação de aprendizagem. Os resultados mostram que na relação professor-aluno mapuche predomina uma interação hegemônica e violenta, prevalecendo uma relação de poder que afeta negativamente o desenvolvimento da identidade sociocultural dos alunos mapuches. Discutimos os problemas de uma relação professor-aluno Mapuche caracterizada por uma comunicação unilateral com poucas competências emocionais, o que limita o aprendizado da língua e da cultura indígena.

Um retrato das matrículas de estudantes da Educação Especial e da educação de surdos, surdocegos e deficiência auditiva: da Educação Básica à Educação Superior

PID: S1809-43092024000100115 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2024
Autores: Rocha Lacerda Prieto
Resumo A Educação Especial no Brasil tem sido uma modalidade de educação escolar desde 1996. Em 2021, a educação bilíngue de surdos passou a ser, também, uma modalidade, ambas devidamente regulamentadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei no 9.394/1996. Assim sendo, objetiva-se, neste artigo, apresentar um panorama em série histórica, de 2016 a 2020, dos estudantes com matrícula na Educação Especial, destacando as dos estudantes surdos, surdocegos e com deficiência auditiva na Educação Básica e na Educação Superior. Para alcançar o objetivo aqui delineado, vale-se de sinopses estatísticas da Educação Básica e da Educação Superior, considerando aspectos quanti-qualitativos, em uma pesquisa descritiva, com base em Creswell (2010) e Gil (2008). Os resultados apontam para uma Educação Especial bastante consolidada, com percentuais de matrículas crescendo ano a ano. O segmento representado pelas pessoas surdas, surdocegas e com deficiência auditiva têm matrículas com crescimento mais tímido em termos relativos se comparadas às dos demais públicos da Educação Especial.

Uma análise sobre como se configuram rigor metodológico e confiabilidade na pesquisa qualitativa em teses e dissertações em áreas biomédicas e não-biomédicas no período 2008-2018

PID: S1809-43092024000100109 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2024
Autores: Barros Vasconcelos
Resumo Este estudo investigou como a preocupação com o rigor científico vem se configurando na pesquisa qualitativa no contexto da pós-graduação brasileira em uma amostra de dissertações e teses. Foi obtido um corpus inicial de 425 teses e dissertações para o período 2008-2018, no diretório da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). Uma amostra de 244 documentos desse corpus foi validada a partir de duas análises independentes, com foco nas seções “Resumo”, “Metodologia”, “Considerações finais e/ou Conclusões” e “Limitações do estudo” (quando havia). Os resultados indicam que no relato da pesquisa em 41% (n=99) dos documentos há uma apresentação de preocupações e/ou critérios sobre rigor, embora nem sempre detalhados. Entretanto, discussões de vieses ou de estratégias objetivando a confiabilidade e/ou validade dos resultados não foram identificadas como características predominantes nesses documentos.

Uma proposta de política pública para evasão nos cursos de Licenciatura de Ciência da Natureza e Matemática

PID: S1809-43092024000100137 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2024
Autores: Nunes Antonelli-Ponti Pimentel Silva
Resumo A evasão no Ensino Superior é um fenômeno preocupante. Os cursos de Licenciatura de Ciências da Natureza e Matemática apresentam indicadores alarmantes. Assim sendo, neste trabalho, teve-se como objetivo apresentar uma proposta de política pública que contribui para a diminuição da evasão nos referidos cursos. A fundamentação teórica está baseada em três eixos estruturantes: literatura sobre evasão, Teoria da Mudança (TDM) e Diagrama de Ishikawa. Em termos metodológicos, parte-se do Design Science Research (DSR), e o artefato final é um diagrama estruturado e flexível para subsidiar a gestão pública. Foram utilizadas ferramentas para a delineação do problema e para a estruturação da proposta. A partir das ferramentas metodológicas, elaborou-se um desenho para a redução da evasão no Ensino Superior. O artefato foi criado e pensado para ser empregado por gestores que possam utilizá-lo como modelo de ideia para a sua aplicação, conforme sua realidade local.

Universidades públicas portuguesas enquanto atores de cooperação para o desenvolvimento: mapeamento da avaliação de projetos de Educação em Ciência com Timor-Leste e São Tomé e Príncipe

PID: S1809-43092024000100152 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2024
Autores: Caçador Lopes Galupa Santos
Resumo Neste artigo, identifica-se e problematiza-se o contributo que as universidades públicas portuguesas (UPP) têm dado no domínio da capacitação e na área da avaliação de projetos de educação em ciência em âmbito de cooperação para o desenvolvimento, concretamente em Timor-Leste e em São Tomé e Príncipe. Metodologicamente, esta investigação assume-se como qualitativa e quantitativa. Numa primeira fase, realizou-se a análise de conteúdo dos diferentes planos estratégicos das UPP; numa segunda, procedeu-se à análise da produção científica dessas universidades com análise dos respetivos repositórios institucionais. Recorreu-se a uma lista de palavras-chave: avaliação, cooperação, projetos de educação em ciência ou projetos de educação, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe, definida de forma estratégica para melhor se compreender qual(ais) o(s) eixo(s) teórico(s) que se apresenta(m), ou não, como área(s) de foco. Com isto, perceberam-se as fragilidades e os pontos fortes que servem de suporte para investigações e acordos de cooperação futuros. Conclui-se de um modo geral que as UPP têm contribuído pouco para o desenvolvimento de investigações na interseção dos eixos teóricos como a avaliação, a cooperação e os projetos de educação em ciência, ainda que a cooperação, no geral, apresenta-se mais expressiva no contexto santomense que no timorense.

Validação de escala para mensuração da perspectiva de gênero na Educação Superior

PID: S1809-43092024000100135 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2024
Autores: Gavilanes Ullauri Reinoso Aguirre Iñiguez Benavides
Resumo Abordar o campo educativo universitário é exigente, em virtude da carga epistemológica e axiológica que o desenvolvimento de cada função substantiva implica. Somando-se a isso um olhar da perspectiva de gênero, a mensuração torna-se complexa. O objetivo do estudo é construir e validar um instrumento de medição psicométrica (questionário) que forneça uma escala de medição em referência à perspectiva de gênero nas funções substantivas, bem como nos princípios organizacionais da Universidade Católica de Cuenca-Equador. A escala baseia-se na construção teórica das dimensões de avaliação da gestão, do ensino, da investigação e da ligação com a sociedade, bem como da acessibilidade, da acessibilidade, da adaptabilidade e da aceitabilidade, esta última considerada como princípios organizacionais, que constituem oito dimensões definidas em uma escala com 58 itens de resposta fechada na escala Likert. Foi utilizada análise fatorial confirmatória, que após sua aplicação e ajuste indicou que o instrumento é válido e confiável para os objetivos propostos na criação da escala com perspectiva de gênero, embora possa ser tomado como um modelo transferível para outras instituições de ensino.

Ética nas pesquisas acadêmicas: refletindo com mestrandos e doutorandos sobre posicionamentos ativistas necessários

PID: S1809-43092024000100207 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2024
Autores: Soares Mendes Rennó Silva Barbosa Amaral
Resumo Este trabalho surgiu no bojo das reflexões construídas com mestrandos e doutorandos participantes da disciplina “Ética na pesquisa: desafios e dilemas nas Ciências Humanas e na Educação”, ofertada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O texto decorre da necessidade de agir-se na realidade da pesquisa e da percepção de que a escrita acadêmica, seguida da publicação de resultados das investigações, é uma importante maneira de assumir um posicionamento ativista, conforme defendido por Stetsenko (2021). Após sustentar a necessidade de uma postura de compromisso ético adequado com os processos de pesquisa, apresentam-se reflexões necessárias ao combate a todas as formas de fraude, tais como plágios e autoplágios. Finalmente, argumenta-se que uma epistemologia da destinação deve orientar um posicionamento ético ativista e transformador nas Ciências Humanas e nas pesquisas em Educação.

A GAROTA DINAMARQUESA: COMO LER UM CORPO NO TRANSFEMINISMO

PID: S2175-35202024000100094 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: Baz Reyes Cid Souza
Resumo Esta investigação concentra-se no filme “A Garota Dinamarquesa”, baseado no romance homônimo The Danish girl, de David Ebershoff, que narra a transformação de Einar Wegener, marido de Gerda Wegener, em Lili Elbe, primeira mulher transexual a se submeter a uma cirurgia de redesignação sexual. A trama ocorre na década de 1920 em Copenhague, onde, a pedido de sua esposa Gerda, Einar substitui uma modelo para uma pintura, iniciando nesse ato uma busca por sua própria identidade, levando-a a um processo de subjetivação, confrontando os cânones morais da época e as instituições, especialmente a medicina psiquiátrica que definia o que era normal e anormal. O objetivo deste trabalho é explorar os temas de confissão, poder e controle numa perspectiva foucaultiana, sobre as questões de sexo e gênero, interrogando as tecnologias de gênero, como proposto por De Lauretis (1987), que posicionam os corpos e os obrigam a existir ou deixar de existir segundo Butler (2019), assim como as tecnologias do sexo, que utilizam a biologia e a medicina como discursos e práticas que fabricam corpos como assinala Preciado (2002). O filme nos possibilita interrogar não apenas a performance de gênero, mas também as instituições que constroem o sexo e o gênero, e que permitem, em alguns casos, a subjetivação para enfrentar as tecnologias de dominação.

A PSICOLOGIA NA DIFERENÇA: MIRADAS LATINO-AMERICANAS E AFROBRASILEIRAS

PID: S2175-35202024000100007 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: Soligo Cuellar
Resumo Este artigo parte da crítica aos saberes tradicionalmente difundidos e ensinados nos cursos de Psicologia, que se baseiam nos conhecimentos produzidos no ocidente europeu e estadunidenses e traduzem a visão de humano cunhada na modernidade ocidental, de natureza individualista, pretensamente universal, objetiva e neutra. Nessa perspectiva, foram historicamente negados ou apagados os saberes produzidos em África e na América Latina. Para compreender a conexão entre os saberes tradicionais da ciência psicológica e a visão de homem que carregam, realiza-se um resgate histórico da constituição do “Outro” universal, o branco, em oposição aos “outros” desumanizados, a partir das invasões europeias nos continentes africano e americano. A partir da crítica aos saberes psicológicos colonizados, que carregam uma perspectiva eugenista e excludente, apontam-se outras possibilidades de compreensão do humano, em especial na perspectiva africana e afrobrasileira, apresentando como alternativa ao sujeito individual, o sujeito coletivo e a conectividade comunitária como princípios organizadores dos conhecimentos. São apresentados alguns aportes afrocentrados em Psicologia e dois exemplos de produção de saber-fazer em perspectiva decolonial e afroreferenciada.

Agrupamentos de coletivos não hispanofalantes e afrodescendentes em Rosario, Argentina

PID: S2175-35202024000100083 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: Angelucci Pozzo
Resumo O fenômeno migratório é intrínseco à vida humana. Contudo, o agravamento das tensões político-sociais e econômicas no mundo inteiro aumentou a mobilidade das pessoas. Partindo do pressuposto de que o sujeito se constitui em uma língua e é interpelado por outras, o deslocamento físico leva a deslocamentos subjetivos de diversos tipos. Neste contexto, a Argentina foi palco de migrações históricas, como a migração italiana no início do século passado, e de migrações contemporâneas. Neste último contexto, este artigo propõe-se a analisar comparativamente o papel de duas organizações civis ligadas a grupos de imigrantes não hispanofalantes e afrodescendentes em Rosario: o Clube Argentino Brasileiro e a Associação Civil Haitiana. Foi realizada uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva com abordagem teórico-metodológica inscrita na análise do discurso franco-brasileira. A construção dos dados baseou-se em entrevistas abertas com lideranças e observações participantes. Assim, buscou-se reconstruir parte de suas trajetórias institucionais como registro histórico, além de analisar as estratégias das organizações para divulgar e defender a diversidade linguístico-cultural dos grupos migrantes envolvidos. Ambas as organizações diferem em termos de origens, objetivos e decisões relativas ao ensino de línguas e visibilidade local. Estas diferenças permitem-nos sistematizar a multiplicidade de aspectos que catalisam as ligações entre as origens migratórias e a comunidade de acolhimento.

Imaginando uma Pedagogia Descolonizadora para Crianças: Uma Perspectiva Social-Psicanalítica Crítica

PID: S2175-35202024000100023 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: O’Loughlin
Resumo Uma descrição dos desafios enfrentados pelos professores nos tempos contemporâneos, quando a guerra, o deslocamento e outras forças reacionárias tornam a infância precária e resultam em uma subjetividade separada da história e caracterizada pela melancolia, é usada como base para investigar as profundas implicações desses contextos no trabalho pedagógico. O autor intersecciona os campos da pedagogia, psicanálise e teoria decolonial para explorar o potencial de uma pedagogia que amplie as possibilidades de crianças, particularmente aquelas de grupos subalternizados, para relações éticas e agência. A psicanálise é proposta como uma ferramenta para resgatar narrativas e restaurar a possibilidade metafórica em crianças cujas subjetividades são frequentemente obstruídas por forças ideológicas externas, como o neoliberalismo e o capitalismo racial. O artigo também sugere alguns princípios centrais que educadores críticos podem usar para construir uma pedagogia decolonial para crianças por meio de uma perspectiva social-psicanalítica crítica, destacando que, para isso, é necessária uma formação crítica e introspectiva para os professores.

JESSÉ SOUZA E O RACISMO MULTIDIMENSIONAL: A AUSÊNCIA DO IDEAL EDUCACIONAL MODERNO E A GÊNESE DA “SUBCIDADANIA” BRASILEIRA

PID: S2175-35202024000100042 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: Paiva
Resumo O objetivo deste artigo é investigar nos trabalhos do sociólogo brasileiro Jessé Souza, especialmente em seus trabalhos “A ralé brasileira”, de 2020, e “Como o racismo criou o Brasil”, publicada no ano de 2021, a relação entre a ausência ou incompletude de um projeto educacional moderno - forjado nos expedientes “civilizatórios” dos ideais liberais da modernidade ocidental - nos processos de construção da sociedade brasileira e o engendramento de uma estrutura social praticamente estática, marcada pela desigualdade e exclusão da maior parcela da população, à qual é reservado um estatuto simbólico de indignidade, demérito e desprestígio social, elementos cofundadores de uma espécie de “subcidadania” inerente associada ao que o autor denominou de “ralé brasileira”, formada, sobretudo, pelos pretos, pardos, povos indígenas originários e pobres. A essa subcidadania da ralé, se contrapõe a autoimagem da “elite do atraso”, a minoria privilegiada branca, que se entende moralmente superior aos demais porque supostamente herdeira dos mais elevados atributos imateriais da cidadania e civilização ocidentais, dentre eles, a capacidade de autocontrole, de disciplina e de prospecção. No sustentáculo dessa divisão há um dispositivo racista que se apresenta multidimensionalmente: como racismo global e simbólico, como racismo de classe e como racismo racial, que ocupa “o comando de todo o processo de subordinação, humilhação e exclusão social da sociedade brasileira” (Souza, 2021, p. 134). Para melhor compreender a hipótese relacional de Souza, será examinado de que forma o desenvolvimento histórico da educação no Brasil, igualmente demarcado pela exclusão e desigualdade, contribui para a manutenção e reprodução desse cenário social.

LEGISLANDO A FAVOR DO RETROCESSO: O PL 504/2020 E A PROIBIÇÃO DA PUBLICIDADE LGBTQIAPN+ NO ESTADO DE SÃO PAULO

PID: S2175-35202024000100113 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: Alexandrino Urt Soligo
Resumo O presente artigo propõe uma análise, a partir da Teoria das Representações Sociais, do texto integral do PL 504/2020, que circulou na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) no referido ano, que versava sobre o que se chamou, no texto jurídico, de proibição da publicidade LGBTQIAPN+. Partindo do pressuposto de que o conceito de homossexualidade é uma construção social, foi possível identificar no texto do projeto de lei duas representações sociais que justificam a sua existência, a sodomia e a pederastia, que culpabilizam, patologizam e criminalizam os sujeitos LGBTQIAPN+ historicamente. Após análise de todo o corpo do texto legal, percebe-se que, mesmo com o PL 504/2020 sendo barrado na Alesp, ele gera um impacto social quando de suas discussões. A lógica de manutenção do Estado, através do discurso a favor da família tradicional e proteção às crianças, é usada como dispositivo de instauração de pânico social na tentativa de manter a extrema direita do poder. O PL 504/2020, que vem na esteira do inconstitucional Projeto Escola sem Partido, de 2019, caracteriza-se assim como mais uma tentativa de deslegitimar o Estado de direito democrático e pode ser entendido como um prenúncio da ideologia da campanha eleitoral de 2022 que se anuncia. A proibição da visibilidade e o diálogo em torno das temáticas de gênero e orientação sexual, incide sobre a escola, seus conteúdos e funcionamento, e se constitui obstáculo ao princípio da formação cidadã promulgada pela LDB de 1996.

MULHERES NEGRAS E DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: TRAJETÓRIAS E RUPTURAS

PID: S2175-35202024000100062 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: Santos Santos Ferreira Silva Santos
Resumo A construção deste artigo é uma realização coletiva, orquestrada por um grupo de mulheres negras que, por meio da escrita, se aquilombam. Partimos da consideração de que as questões interseccionais de raça e gênero atravessam a construção pessoal e profissional de mulheres negras em diferentes contextos sociais, caracterizando, assim, nosso problema de pesquisa, que é a (não) presença das mulheres negras nas universidades como outsiders. Propomos, portanto, refletir sobre a mulher negra na docência a partir de uma revisão bibliográfica de escopo em duas bases de dados brasileiras, utilizando as palavras-chave: “mulher negra” e “universidade” ou “academia” , com vistas a encontrar produções que contemplem as trajetórias e narrativas dessas mulheres, a fim de identificar as nuances identitárias, científicas, relacionais e institucionais que posicionam (ou não) docentes negras como produtoras de conhecimento válidos e influentes no meio em que se encontram. Dessa forma, foram inicialmente incluídos 25 artigos e, aplicando-se os critérios de exclusão, a amostra foi reduzida para oito artigos. Os resultados demonstram que, apesar da pouca quantidade de artigos encontrados e de circunstâncias desafiadoras enfrentadas por essas mulheres negras, suas presenças movimentaram a estrutura institucional em que se encontram, seja na constituição de perspectivas científicas interseccionais, seja na ruptura do ideal masculino, branco, pretensamente universal ligado ao padrão científico acadêmico.

NOSSOS PASSOS VÊM DE LONGE: MULHERES NEGRAS NA PÓS-GRADUAÇÃO

PID: S2175-35202024000100072 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: Ribeiro Alves Soligo
Resumo O racismo é um problema estrutural, que se reflete no âmbito das instituições e relações interpessoais de diferentes maneiras, explícitas e veladas. No contexto educacional, uma das manifestações do racismo está na pouca representatividade de pessoas negras no corpo docente e nas referências bibliográficas, e essa desigualdade racial se acentua quando se verificam os níveis mais elevados de ensino. Com o intuito de dar visibilidade para a produção de conhecimentos científicos realizados por pesquisadoras negras, este trabalho apresenta as pesquisas das mulheres negras que concluíram a pós-graduação, vinculadas à linha de pesquisa Psicologia e Educação, no grupo de estudos e Pesquisas Diferenças e Subjetividades em Educação (DiS), do Programa de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Educação (PPGE-FE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre os anos de 2005 e 2024. Para tanto, realiza-se uma pesquisa bibliográfica e documental, com levantamento das dissertações e teses já defendidas no grupo de pesquisa, e currículo Lattes das pesquisadoras. A partir deste trabalho, colocam-se em evidência os estudos construídos por mulheres negras nessa linha de pesquisa e suas contribuições, refletindo sobre o acesso e condições das mulheres negras na universidade pública. Ressalta-se a relevância social e científica das pesquisas que em sua maioria abordam relações raciais e as desigualdades decorrentes, apresentando inovações teóricas e metodológicas. Constata-se também a pouca representatividade de pesquisadoras e docentes negras, que reflete o racismo institucionalizado nos programas de pós-graduação mesmo com a implementação de ações afirmativas.

O ESPELHO CONVEXO EM “EXTRAORDINÁRIO”: ANÁLISE DOS MECANISMOS DE DEFESA FRENTE AO CORPO ABJETO NAS RELAÇÕES ESCOLARES

PID: S2175-35202024000100104 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: Poker Silva
Resumo Este artigo explora a representação do olhar da diferença e do corpo dissidente da norma no livro EXTRAORDINÁRIO, por meio da análise de literatura, pelo exame das reações emocionais e dos mecanismos de defesa daqueles ao redor de August - principalmente seus colegas e adultos. O trabalho recorre a teorias de poder e subjetividade, especialmente do pós-estruturalismo e da teoria queer, para investigar como as normas sociais moldam o gerenciamento dos corpos não normativos. Não obstante, apresenta as categorias de análise sugeridas por Lígia Amaral para a tratativa dos elementos narrativos em que a deficiência e o corpo disforme estão em foco nas histórias infantis. Por fim, o artigo defende uma mudança no discurso sobre corpos considerados "abjetos", sugerindo que a aceitação ativa pode levar a práticas sociais transformadoras nas escolas. Desafia narrativas tradicionais e propõe uma nova gramática das relações sociais que desloque o diferente enquanto agência para novas narrativas nas relações.

PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO EM FREUD: SUBLIMAÇÃO PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA

PID: S2175-35202024000100013 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: Germer Villela
Resumo Visa-se contribuir, neste artigo, com os estudos sobre os processos de subjetivação em Freud, a partir de um questionamento sobre em que medida a busca da felicidade, analisada na seção II de O mal-estar na civilização, se ancora em dois conceitos de sublimação complementares: (1) o que o autor identificou, em O Eu e o Id, como “narcisismo secundário,” caracterizando-o como um processo de identificação do Eu com o objeto de desejo, com vistas a se proteger de sua perda (e do qual se origina o caráter); e (2) o que ele descreveu, em O mal-estar na civilização, como o “destino imposto ao instinto pela civilização”, e o “caminho melhor” frente ao isolamento, constituído pela participação na comunidade humana e pela subordinação civilizatória da natureza à nossa vontade. Propõe-se que ambos os conceitos podem ser denominados de “sublimação primária” e “secundária”.

PRODUÇÃO HUMORÍSTICA E SOFRIMENTO PSÍQUICO: HUMOR NA ESCOLA COMO DISPOSITIVO DE SOBREVIVÊNCIA

PID: S2175-35202024000100033 | Periódico: Psicologia da Educação (2175-3520) | Ano: 2024
Autores: Orrico Archangelo
Resumo Este artigo pretende analisar as influências recíprocas entre humor, sofrimento e sobrevivência psíquica. Para tanto, partirá da leitura psicanalítica do humor em Sigmund Freud, nas obras “Os chistes e sua relação com o inconsciente” (1905) e “O humor” (1927), e em autores contemporâneos que atualizam este debate, tais como Adilson Moreira (2019), Chaya Ostrower (2015), Ana Brancaleoni e Daniel Kupermann (2021). Este arcabouço teórico perpassa conceitos como: inconsciente, recalcamento, economia psíquica, mecanismos de defesa, trauma, relação continente-contido, desidealização, teoria da superioridade, racismo recreativo, performatividade de gênero, entre outros. Após versar conceitualmente sobre o tema, este artigo apresenta alguns dados de pesquisa sobre o chiste e o humor produzido cotidianamente em sala de aula em uma unidade escolar pública do estado de São Paulo - em classes do sexto ao nono ano do ensino fundamental II - para, então, refletir sobre a eventual relevância do humor como dispositivo de sobrevivência psíquica na escola.
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