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A Arte como Estratégia de Coping em Tempos de Pandemia

PID: S1981-52712024000100402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Medeiros Barreto Sampaio Alves Albino Fernandes
Resumo: Introdução: O momento da pandemia por Covid-19 tem um impacto direto na formação dos estudantes de Medicina, tanto pela modificação repentina na metodologia presencial para remota quanto pelo estresse e pela ansiedade gerados. A saúde mental dos estudantes necessita de estratégias de coping para que eles possam lidar com situações de extrema ansiedade. Relato de experiência: O grupo Estudo de Literatura e Arte na Medicina (Elam) criou, durante o período da pandemia, momentos de discussão de literatura por meio de produção textual e discussões em mídia social, e principalmente por meio de atividades artísticas com pintura em aquarela e artes plásticas, para lidar com os conflitos apresentados pelos alunos na quarentena. Foram 24 telas de aquarela, vídeos, telas de colagem em artes plásticas e textos de crônicas e poesias. Os temas abordados nos textos foram principalmente: amor (N = 2), envelhecer (N = 2), pecado e religiosidade (N = 4), ciclo da vida (N = 6), câncer, caos, sabedoria, mortalidade (N = 3), tempo, olhar e ver (N = 2) e regionalismo (N = 2). Discussão: O enfrentamento da Covid-19 impõe o isolamento social, o distanciamento físico e a restrição à mobilidade das pessoas como medidas fundamentais para evitar a rápida disseminação do vírus. Quando o jovem não dispõe de mecanismos para lidar com a situação estressante propiciada pela situação, pode haver o desencadeamento de uma série de psicopatologias, como depressão, ansiedade e distúrbios do humor. É uma tendência mais ampla na educação médica: cada vez mais, as escolas de Medicina estão investindo em currículo e programação em torno das artes, e, no momento atual, essa estratégia de coping se torna importante no enfrentamento da pandemia pelo estudante de Medicina. Conclusão: Atravessar esse momento de pandemia pela Covid-19 exigiu uma estratégia de coping para ajudar os alunos a vivenciar e extravasar seus medos, sendo a arte a melhor forma de expressão, o que foi atingido pelo grupo Elam.

A formação do nefrologista: uma análise bioética

PID: S1981-52712024000400209 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Campos Gomes
RESUMO Introdução: O processo formativo em que o profissional está inserido terá intensa relação com a forma como ele se colocará perante as situações do cotidiano de atuação, especialmente as que evidenciam conflitos bioéticos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a formação ética dos profissionais atuantes em ambulatórios de tratamento conservador da doença renal crônica (DCR) e o conhecimento deles acerca dos conceitos, das correntes e das teorias bioéticos. Método: Trata-se de um estudo transversal, descritivo, de abordagem qualitativa em que foram entrevistados 63 profissionais, incluindo médicos, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, atuantes nos ambulatórios de tratamento conservador da DRC de quatro serviços de formação de especialistas em nefrologia do Rio de Janeiro, entre março e setembro de 2022. As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas pela técnica de Bardin. Resultado: Na análise das entrevistas, emergiram 28 categorias agrupadas em quatro eixos temáticos: estudo da ética; como e o que os profissionais aprendem sobre ética; relevância do estudo da ética na formação profissional; e estudo da ética em nefrologia. A avaliação do conhecimento dos profissionais acerca dos conceitos bioéticos evidenciou que apenas dois falaram de teorias bioéticas e conceitos específicos de ética. Conclusão: Evidenciaram-se desinteresse e pouca valoração do estudo da ética na formação do especialista em nefrologia, o que foi associado à dificuldade dos profissionais em compreender a importância da competência moral para uma prática médica efetiva, humanizada e de qualidade.

A interdisciplinaridade como ferramenta para mergulhos mais profundos na graduação em Medicina

PID: S1981-52712024000200213 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Canuto Cyrino Soares Gomes Barbosa Rocha
RESUMO Introdução: Demandas sociais suscitaram questionamentos sobre o ensino médico. Assim, surgiram tendências de formação generalista, que atendam às necessidades da população. A matriz curricular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas é composta pelos eixos: teórico-prático integrado, aproximação à prática médica e à comunidade, e desenvolvimento pessoal, indissociáveis e de caráter interdisciplinar. Objetivo: Este estudo teve como objetivo desenvolver atividades interdisciplinares entre os três eixos curriculares no curso de Medicina de uma universidade pública. Método: Utilizou-se a pesquisa-ação como estratégia metodológica com análise de conteúdo, e adotou-se o software Iramuteq para análise das discussões entre pesquisadores e participantes, as quais foram divididas em cinco encontros permeados por obras literárias e música motivadora, correlacionando-se com a interdisciplinaridade. Resultado: Em relação aos debates sobre a temática, foram geradas nuvens de palavras, análises de similitude e dendrogramas que refletiram o pensamento dos participantes e a complexidade da temática. Os participantes focaram o discurso na saúde do aluno, nas relações interpessoais, em espaços que propiciem a interdisciplinaridade, bem como na comunicação entre os professores. Além disso, discutiram-se a necessidade da interdisciplinaridade no currículo médico e a importância da relação médico-paciente e da visão holística da medicina. Por fim, foram criados dois casos clínicos que evidenciaram os aspectos socioeconômicos e patológicos das doenças. Conclusão: A pesquisa-ação e a utilização do Iramuteq foram de suma importância para a coleta de dados de maneira fidedigna e rápida. Observou-se que o curso de Medicina prima pelo ensino da ética e da bioética nas disciplinas eletivas e obrigatórias até o sexto período e tem uma lacuna nos demais períodos, sendo sugerida a criação da disciplina de Humanidades para o sétimo período. Há uma demanda por uma interação mais expressiva nos projetos de extensão e por maior socialização dos professores e comunicação entre as disciplinas intra e intereixos.

A percepção do estudante de medicina sobre a simulação realística em pediatria

PID: S1981-52712024000100210 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Moliterno Veiga Tempski Cunha Prata-Barbosa Magalhães-Barbosa
Resumo Introdução: O uso de simulação realística em emergências pediátricas é particularmente valioso, pois permite o treinamento de habilidades técnicas, atitudinais e cognitivas, ajudando a garantir a segurança do paciente. Objetivo: Este estudo tem como objetivo descrever a percepção do aluno sobre o uso da Simulação Realista de Alta Fidelidade nos módulos de emergência pediátrica durante o internato de medicina. Métodos: Estudo observacional, descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa. Um questionário semiestruturado foi aplicado aos estudantes do sexto ano de medicina ao final dos módulos de internato pediátrico, com oito semanas de duração, de agosto a dezembro de 2020. Todos participaram de dois tipos de atividades sobre 14 temas: simulação de alta fidelidade (SRAF) e discussão estruturada de casos clínicos (DCC). Resultados: Dos 33 participantes, 29 responderam ao questionário. A média de idade foi de 24 ± 1,8 anos, sendo 58,6% do sexo feminino. Todos concordaram que a experiência com SRAF contribuiu para um desempenho mais seguro em emergências pediátricas, considerado ótimo por 76% e bom para os demais. A maioria achava que a associação de SRAF e DCC era o método ideal (96%). A análise de conteúdo das respostas sobre a SRAF destacou unidades temáticas em cinco categorias: aprendizagem significativa, contribuição para a formação profissional, habilidades, atitude/comportamento e qualidade da atividade. Conclusões: A reação dos estudantes ao uso da SRAF em emergências pediátricas foi muito positiva, e sua associação com a DCC foi considerada o método de ensino ideal. Conhecer as reações dos alunos ajuda os professores a planejarem suas atividades para melhorar o método de ensino-aprendizagem.

Adaptação dos acadêmicos de Medicina em currículo PBL e tradicional ao ensino remoto na pandemia

PID: S1981-52712024000200212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Coelho Silva Brandão Veiga Tsutida Mattei
RESUMO Introdução: Em 2020, o mundo foi afetado pelo novo coronavírus, e isso gerou mudanças históricas em diversos setores, incluindo o da educação, que teve que se adaptar rapidamente ao formato online. Objetivo: Este estudo teve como objetivo comparar se houve uma melhor adaptação ao ensino remoto durante a pandemia de Covid-19 dos acadêmicos de Medicina que estudam em currículos PBL quando comparada a de alunos com currículos em modelo disciplinar expositivo. Método: Trata-se de um estudo transversal. Foram incluídos na pesquisa os estudantes matriculados do segundo ao quarto ano do curso de Medicina que tenham preenchido o questionário completamente e cursado pelo menos um semestre de ensino remoto durante o ano de 2020. Resultado: Houve uma diferença significativa entre as metodologias, com maior adaptação dos estudantes que utilizaram o modelo PBL em comparação aos que cursaram no modelo disciplinar expositivo durante a pandemia de Covid-19. Conclusão: Na amostra estudada, o método PBL mostrou-se superior ao método disciplinar, nos quesitos avaliados, na adaptação de estudantes de Medicina ao ensino remoto.

Análise da tuberculose e hanseníase nos projetos pedagógicos das faculdades de Medicina e a relação espacial dos casos

PID: S1981-52712024000200204 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Vitiritti Baruffi Xavier
Resumo Introdução: A educação médica é essencial para formar profissionais de saúde. No Brasil, houve avanços na formação médica, com foco no Sistema Único de Saúde e na atenção primária. A inclusão da tuberculose e da hanseníase no currículo médico é crucial devido ao impacto dessas doenças na saúde pública. As faculdades de Medicina deveriam garantir que os estudantes aprendessem sobre essas doenças para melhorar os resultados de saúde no país. Objetivo: Este trabalho buscou analisar como estão incluídos os temas de hanseníase e tuberculose nos projetos pedagógicos do curso (PPC) de Medicina nas instituições de ensino superior da Região Sul do Brasil. Método: Foi realizado um estudo documental e exploratório, de abordagem qualitativa. Os projetos pedagógicos foram coletados entre janeiro e agosto de 2023. A análise dos PPC se concentrou em identificar as palavras-chave “hanseníase” e “tuberculose”, e avaliar como essas doenças eram abordadas nos documentos, tanto no contexto teórico quanto nas intenções de ensino prático. As unidades de conteúdo foram identificadas e agrupadas em duas categorias principais: aprendizado teórico e aprendizado clínico-prático. Resultado: Os resultados indicaram que as referências à tuberculose eram mais frequentes do que à hanseníase nos PPC analisados. Foi observado que a maioria das instituições prioriza o ensino dessas doenças nos primeiros anos do curso de Medicina, com pouca ênfase na fase de internato médico. Além disso, a análise revelou que o ensino dessas doenças tende a ser mais teórico, com poucas referências à prática clínica. Também foi realizada uma distribuição espacial da hanseníase em Santa Catarina e feita sua correlação entre a presença de cursos de Medicina em certos municípios e o número de casos de hanseníase diagnosticados nesses locais. Conclusão: O estudo destaca a importância de revisar e aprimorar os PPC dos cursos de Medicina em Santa Catarina, a fim de melhorar o ensino de doenças negligenciadas. Isso inclui a incorporação de abordagens práticas e a consideração da relevância epidemiológica dessas doenças. O estudo também destaca a necessidade de repensar a forma como esses temas são ensinados e como os estudantes de Medicina podem desempenhar um papel ativo na detecção e no manejo dessas doenças na comunidade.

Aprendizagem baseada em casos clínicos no ensino de genética para medicina

PID: S1981-52712024000100212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Silva Paiva Klautau-Guimarães Villacis Baroneza Oliveira
Resumo Introdução: A necessidade premente de formar médicos autônomos e proativos implica novas abordagens didáticas e formas de mediar o conteúdo. Nesse contexto, a utilização de métodos ativos de ensino e aprendizagem pode incrementar o perfil do novo profissional. A Aprendizagem Baseada em Casos (ABC) é uma estratégia fundamentada na capacidade de o estudante relacionar teoria e prática com autonomia e tomada de decisão. A disciplina de genética aborda conteúdos que podem parecer distantes do cotidiano e da prática profissional futura, e, por isso, a necessidade de utilizar estratégias de ensino que facilitem a compreensão da aplicação desse conhecimento na prática médica. Objetivo: O presente trabalho teve por objetivo avaliar a ABC como abordagem pedagógica no processo de ensino-aprendizagem de genética para o curso de Medicina de uma instituição pública. Método: Aplicou-se um protocolo de método ativo composto por nove casos clínicos a 46 estudantes de Medicina da Universidade de Brasília que, posteriormente, foram divididos em nove grupos. Por meio de questionários, avaliaram-se o desempenho e as percepções em relação ao método. Os resultados quantitativos foram analisados por meio do teste t de Student. Resultado: O rendimento do trabalho em grupo foi estatisticamente maior em oito dos nove casos em comparação ao trabalho individual. A atividade foi considerada boa ou muito boa por 76% dos estudantes, e 90% mencionaram que houve aumento da motivação. Além disso, 71,4% destes demonstraram interesse em estudar mais sobre o assunto após a aula, 20% se consideraram capazes de ensinar o assunto a outras pessoas, e 42% avaliaram que acertariam todas ou a maioria das questões caso fossem submetidos a uma nova avaliação. Com relação ao trabalho em equipe, 38% relataram se sentir mais motivados. Por fim, 86% consideraram relevante ou muito relevante a discussão de casos clínicos para a formação profissional. Conclusão: Os resultados demostraram sucesso no uso do método ABC na abordagem de genética, porém apontaram que há dificuldades na utilização de métodos de ensino alternativos à aula expositiva. Apesar disso, fica explícito que a estratégia adotada pode levar à mobilização de conhecimentos prévios em situações da prática profissional.

Aprendizagem no internato na Atenção Básica em pediatria: olhar de egressos de Medicina

PID: S1981-52712024000100214 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Andrade Pio Nonato Tonhom
Resumo Introdução: Muito se discute sobre a formação de profissionais de saúde preparados para atender às reais necessidades da população no contexto do Sistema Único de Saúde como preconizado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, almejando o cuidado integral. A Atenção Básica se destaca como importante cenário de prática nesse contexto, inclusive no internato, considerando a autonomia e o domínio dessa fase. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as percepções dos egressos de um curso médico em relação ao internato em pediatria na Atenção Básica. Método: Trata-se de pesquisa descritiva, exploratória com abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de entrevistas on-line com egressos de Medicina, formados em uma instituição de ensino superior pública do interior paulista nos anos de 2018 e 2019. Os dados foram examinados por meio da análise de conteúdo temática. Resultado: Entrevistaram-se 11 egressos de 2018 e 15 egressos de 2019, com atuações profissionais diversas desde a finalização do curso. A categoria explorada neste artigo será “Oportunidade de aprendizagem durante a Atenção Básica em pediatria”. Vivenciar a Atenção Básica em pediatria oportunizou aprendizados diversos quanto ao cuidado integral da criança, compreendendo a importância de seu contexto e e de suas repercussões. Conclusão: Conhecer sobre a Rede de Atenção à Saúde desde o início do curso possibilitou entender as dificuldades vivenciadas nela e o impacto no cuidado. As situações mais prevalentes e de baixa complexidade são a realidade do egresso na atuação profissional e precisam ser abordadas durante o processo de ensino-aprendizagem do internato, favorecendo a atuação dele.

Aprendizagem significativa sobre política de saúde da criança: relato de experiência de estudantes

PID: S1981-52712024000400401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Paiva Guimarães Silva Vernasque Marin
RESUMO Introdução: Os métodos ativos de aprendizagem têm adquirido crescente relevância, promovendo aprimoramento das relações interpessoais e maior aproximação com a prática profissional. Este artigo tem como objetivo relatar a experiência de um grupo de estudantes dos cursos de Medicina e Enfermagem, ao empregarem o método ativo de aprendizagem da problematização para exploração da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (Pnaisc). Relato de experiência: A vivência envolveu 13 estudantes de Medicina e Enfermagem que, após vivências no Sistema Único de Saúde e tendo como propósito a apreensão das políticas públicas de saúde, sentiram-se motivados à elaboração de trabalho sobre a Pnaisc. O processo contemplou aprofundamento na política, por meio de artigos e manuais, seguido pela estruturação e produção do trabalho em formato de vídeo no estilo Draw my Life, incorporando ilustrações e narração simultânea. O vídeo foi exibido em plenária com todos os estudantes da série e compartilhado no YouTube, obtendo expressivo número de visualizações e comentários positivos. Discussão: A construção ativa e aprofundada do vídeo proporcionou aos estudantes compreensão significativa acerca da Pnaisc, política centrada na criança que visa articular ações e serviços de saúde nas Redes de Atenção à Saúde. Além de contribuir para compreensão desse tema crucial na formação de profissionais de saúde, o projeto estimulou o desenvolvimento de competências adicionais, incluindo busca ativa e análise crítica de dados. Conclusão: O método ativo adotado foi amplamente valorizado pelos membros do grupo de trabalho e pelos participantes da plenária como ferramenta eficaz para despertar o interesse dos estudantes no conteúdo abordado, resultando em compreensão facilitada.

As escolhas das especialidades médicas e a afetividade: revisão de literatura

PID: S1981-52712024000300302 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Façanha Ribeiro Montenegro Júnior Bomfim
RESUMO Introdução: A escolha da especialidade é fator determinante da prática profissional do médico. A especialização médica é o meio não somente de atingir a excelência técnica e científica na atenção à saúde, mas também é a estratégia em que se estabelecem o poder e o status entre os pares e a sociedade em geral. Neste estudo, os aspectos psicossociais dessas escolhas foram analisados a partir dos artigos de educação médica selecionados. Objetivo: Este estudo teve como objetivo apresentar os fatores psicossociais mediadores nas escolhas por especialidades médicas a partir do olhar da psicologia sócio-histórica. Método: Trata-se de uma revisão de literatura em que foi realizada uma busca com os descritores residência médica, especialidade e escolha nas plataformas PubMed e SciELO, para estudos publicados nos últimos cinco anos. Resultado: A busca nas bases de dados resultou em 509 estudos, dos quais foram selecionados 53 artigos para análise crítica. Desses 53 artigos, selecionaram-se 18 para análise de conteúdo, resultando em indícios de que a categoria psicossocial “afetividade”, identificada neste estudo - nas emoções vivenciais, no sentimento do cuidado de si, no sentimento de pertencimento e nas emoções da interação social nos processos formativos é a mediadora da escolha da especialidade médica e, por isso, deve ser considerada nos processos educacionais das ciências médicas. Conclusão: A afetividade é o principal fator psicossocial mediador nos processos das escolhas de especialidades médicas. E isso indica a necessidade de estudos mais aprofundados sobre os sentimentos e as emoções dos alunos de Medicina que visem colaborar para uma educação mais crítica e significativa para os educandos e profissionais, refletindo na qualidade da saúde coletiva.

As pessoas LGBTI+ nas DCN dos cursos de saúde no Brasil, 2001-2023

PID: S1981-52712024000300210 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Leiria Flores Tesser Junior Oliveira Moretti-Pires
RESUMO Introdução: A implementação da Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNSI-LGBTT) em 2011 e de outros marcos legais destaca a importância da inclusão da identidade de gênero e da orientação sexual na formação em saúde. Objetivo: Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo apresentar a presença da diversidade sexual e de gênero nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de graduação em saúde. Método: A coleta de dados foi realizada por meio de documentos de acesso público disponíveis no site do MEC. Examinaram-se 22 DCN estabelecidas nas últimas duas décadas, com foco nos registros de direitos humanos, identidade de gênero e orientação sexual. Resultado: Houve um aumento progressivo na inclusão das minorias sexuais nas DCN ao longo das duas últimas décadas, sobretudo nos últimos dez anos. Destaca-se um notável crescimento nos registros de direitos humanos, identidade de gênero e orientação sexual, refletindo uma mudança significativa no panorama das DCN. Conclusão: Os resultados evidenciam uma tendência positiva de inclusão de temas relacionados à diversidade sexual e de gênero nas DCN da área da saúde. Esse avanço sugere maior conscientização e reconhecimento da importância de uma formação inclusiva para profissionais de saúde, promovendo a equidade e a justiça social.

Atitudes diante da morte e espiritualidade em estudantes de Medicina: um ensaio educacional

PID: S1981-52712024000200208 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Santos Costa Santos Melo Ferreira
RESUMO Introdução: Apesar de ser parte essencial do cuidado, os profissionais de saúde não recebem, durante a formação, o preparo adequado para que possam lidar com os sentimentos consequentes da morte de um paciente, o que pode gerar impactos negativos no bem-estar deles. Por conta disso, é imprescindível realizar uma reflexão sobre essa temática. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as atitudes dos estudantes de Medicina acerca do processo de morte e o índice de espiritualidade antes e depois da vivência do módulo “Saúde do Idoso, Envelhecimento e Terminalidade da Vida”, dirigido aos alunos do oitavo período da Faculdade Pernambucana de Saúde, em 2021. Método: Realizou-se um ensaio educacional, do tipo antes e depois, analítico, baseado na abordagem da morte e do processo de morrer por meio do referido módulo. Os participantes responderam a um questionário contendo as variáveis de interesse e instrumentos validados (Perfil de atitudes frente à morte - Revisado (DAP-R) e Spirituality Self Rating Scale - SSRS). Para análise estatística, adotou-se o teste do qui-quadrado, considerando o valor de p < 0,05. Resultado: Não houve mudança significativa da atitude diante da morte antes e depois do módulo (p = 0,236), destacando-se predominância de atitudes negativas (p = 0,775), em especial evitamento da morte, nos dois momentos do estudo. Entre os estudantes com espiritualidade alta, atitudes negativas também foram mais prevalentes, sem diferença significativa nos períodos pré e pós-módulo. Conclusão: A ausência de mudanças de atitude corrobora a hipótese de que a atual abordagem acerca dessa temática não é suficiente para que os estudantes desenvolvam atitudes adaptativas necessárias para lidar com a morte no âmbito profissional.

Avaliando a implementação da residência em medicina de família e comunidade na atenção primária

PID: S1981-52712024000300206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Ribeiro Cyrino Pazin-Filho
RESUMO Introdução: A medicina de família e comunidade (MFC) é a especialidade preferencial para estar presente na atenção primária à saúde (APS). O padrão ouro de formação de profissionais para a especialidade é a residência médica, momento que ao menos 70% do período de estágio é na APS. Assim, é imprescindível avaliar a qualidade de inserção da residência nesse local. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de implementação dos programas de residência médica em MFC na APS. Método: Utilizou-se uma ferramenta desenvolvida para a análise de implementação de residência de MFC na APS em programas pequenos (até dois residentes do segundo ano), médios (de dois a cinco) e grandes (a partir de seis), avaliando de zero a quatro pontos, entre não implantado e totalmente implantado. As notas foram obtidas a partir de entrevista com residentes, preceptores, coordenadores e gestores municipais, considerando a avaliação de quarta geração com análise de Bardin das falas. Resultado: Seis programas foram avaliados, em municípios de 20 mil a 12 milhões de habitantes, com variação de um a 22 residentes do segundo ano por programa, desde insatisfatório (um programa) a totalmente implantado (dois programas). Municípios com maior cobertura de APS apresentaram resultados de implementação melhores. As notas mais baixas foram nos itens “educação permanente” e “educação continuada”, e as mais altas na presença de especialistas em MFC como preceptores. Há diferença de percepção entre os entrevistados considerando as mesmas perguntas. O estudo sugere que municípios com maior investimento na APS também possuem melhores programas de residência, independentemente de o vínculo ser com centros educacionais ou secretarias de saúde. A pandemia de Sars-CoV-2 também dificultou a educação em saúde. Os resultados também foram definidores quando entrevistadas diferentes pessoas, demonstrando ser essencial a análise de quarta geração. Conclusão: Há a necessidade de observar a implementação dos programas de residência na APS para garantir formação de qualidade, e não apenas quantidade para provimento.

Avaliação da participação das mulheres brasileiras no CNPQ na área de pesquisa médica

PID: S1981-52712024000200201 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Keffer Sousa Oliveira Magalhães Oliveira Martelli Júnior
Resumo Introdução: A produção científica brasileira apresentou crescimento substancial e visibilidade internacional. Contudo, em geral, a participação das mulheres em atividades científicas ainda é limitada. Objetivo: Este estudo objetivou avaliar os indicadores de produtividade científica de mulheres bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na área de medicina. Método: Foi realizado estudo transversal com 541 (211 mulheres, 39%) pesquisadores cadastrados como bolsistas de produtividade em medicina do CNPq conforme lista disponibilizada em dezembro de 2022. Resultado: Houve predomínio de pesquisadores do sexo masculino (n = 330; 61%). Em ambos os grupos, masculino e feminino, a maioria dos investigadores encontra-se no nível 2, sendo 62,5% mulheres e 47,2% homens (p = 0,018). Todos os 211 pesquisadores foram distribuídos em 37 instituições diferentes e publicaram 34.969 artigos em revistas científicas, com média de 165,7 artigos por pesquisador. De 2018 a 2022, foram publicados 9.679 artigos. Ao longo de suas carreiras, os 211 pesquisadores orientaram 5.440 alunos de iniciação científica, 4.144 alunos de mestrado e 2.923 alunos de doutorado. Houve diferença significativa entre os níveis de bolsas quanto ao desenvolvimento de recursos humanos em iniciação científica (p = 0,040), mestrado (p = 0,027) e doutorado (p < 0,001). Conclusão: Ainda há menor participação de mulheres do que de homens entre os pesquisadores médicos do CNPq. Contudo, foi possível observar participação substancial das mulheres em todos os quesitos avaliados, incluindo a produção técnica e científica e a formação de recursos humanos.

Avaliação de programa de residência em medicina de família e comunidade pela ótica dos médicos residentes

PID: S1981-52712024000400206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Guimarães Guimarães Souza Júnior Machado Freitas Nuto
RESUMO Introdução: A residência médica (RM) é considerada acadêmica e profissionalmente o método padrão ouro no ensino de médicos egressos da universidade. O Programa Integrado de Residência em Medicina de Família e Comunidade (PIRMFC) de Fortaleza, no Ceará, reúne os programas da Universidade Federal do Ceará, da Escola de Saúde Pública do Ceará e da prefeitura, e é o primeiro do gênero em larga escala, contando com cerca de 70 residentes na primeira edição, implantado em uma capital, paralelamente ao processo de implantação da rede de serviços da Estratégia Saúde da Família (ESF) pela prefeitura. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar um PIRMFC a partir da ótica dos residentes. Método: Trata-se de uma pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, utilizando o modelo de Kirkpatrick no seu primeiro nível: reação e satisfação dos residentes. A coleta de dados foi realizada com a participação de 18 residentes (R2) em cinco grupos focais, no segundo semestre de 2020. Aplicaram-se também questionários com perguntas fechadas para caracterização da amostra, seguidas de questões de múltipla escolha graduadas em escala Likert. Os dados qualitativos foram examinados pela técnica de análise temática, e os quantitativos, por meio de frequências simples e percentuais. Resultado: Identificaram-se as seguintes categorias principais: estratégias de ensino-aprendizagem, avaliação do processo ensino-aprendizagem, produção de autonomia, transferência da formação para a prática, fragilidades e potencialidades da residência. Os residentes compreendem a responsabilidade que têm no atendimento médico diário, ainda que como aprendizes. Eles demonstram insegurança como sujeitos da formação, sentindo-se mais confortáveis quando são colocados no papel passivo. Contudo, os discentes do programa reconhecem a metodologia ativa de ensino-aprendizagem como adequada para o ensino de adultos, mas precisam que as estratégias estejam voltadas para a resolução de problemas comuns à prática profissional deles. Conclusão: O programa não conseguiu firmar bases para o engajamento dos residentes em algumas estratégias ativas simuladas de ensino-aprendizagem, como grupos tutoriais. É preciso valorizar as experiências e competências adquiridas heterogeneamente pelos residentes para compor momentos de equalização do aprendizado, buscando o protagonismo do aluno em vez da imposição de conhecimentos.

Avaliação do perfil do egresso e da residência médica em ortopedia e traumatologia do HCFMRP-USP

PID: S1981-52712024000200202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Ribeiro Santos Engel
Resumo Introdução: Bons programas de residência médica (PRM) devem investir na estruturação e no desenvolvimento contínuo dos serviços de assistência no contexto da rede de saúde, na organização da estrutura de apoio às atividades didáticas e assistenciais, e na remuneração e capacitação contínua de preceptores e coordenadores. Objetivo: Este estudo observacional, transversal e descritivo buscou caracterizar o perfil dos egressos do Programa de Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia (PRMOT) do HCFMRP-USP e coletar dados sobre as características do programa que orientem ações de aperfeiçoamento na metodologia de ensino. Método: Participaram do estudo egressos do PRMOT ou que concluíram os programas de complementação especializada e residência médica em cirurgia da mão entre 1964 e 2020. Resultado: Foi encaminhado um questionário a 302 indivíduos (73,6% do total de egressos), obtendo 214 respostas (70,8% dos indivíduos contatados ou 52,2% do total de egressos). Indivíduos do sexo masculino correspondem a 92,5% dos egressos, e 71,9% residem no estado de São Paulo. As duas subespecialidades mais cursadas foram cirurgia do joelho e da mão. A pós-graduação stricto sensu fez parte da formação acadêmica de 40,6% dos egressos, dos quais 60,7% trabalharam com ensino médico. Dos egressos, 71% atuam na subespecialidade escolhida. Na avaliação do ensino do PRMOT e do grau de satisfação profissional, os aspectos que se destacaram positivamente foram: capacitação para atendimento em níveis terciário e secundário, número de atendimentos, variabilidade dos casos e preparo para o mercado de trabalho. Os aspectos que se destacaram negativamente foram: remuneração mensal, carga horária de aulas teóricas e realização de procedimentos cirúrgicos. Conclusão: O estudo conseguiu traçar o perfil do egresso e determinar os pontos fortes e as oportunidades de melhoria do PRMOT do HCFMRP-USP.

Como ensinar cuidados paliativos para estudantes de Medicina e Enfermagem? Uma revisão integrativa de literatura

PID: S1981-52712024000400302 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Medeiros Trovo Duarte Barros Fukuda Freitas Latorre Herbst
RESUMO Introdução: A garantia na oferta de cuidados paliativos (CP) a pacientes e seus familiares que enfrentam doenças graves e ameaçadoras da vida é uma responsabilidade ética dos sistemas de saúde, bem como dos profissionais. Diversas ações contribuem para a garantia na prestação desse tipo de cuidado, podendo-se destacar o ensino em CP para os profissionais de saúde. No Brasil, a inclusão do ensino de CP na graduação é exceção, tanto para o curso de Medicina como de Enfermagem. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar quais são as competências paliativistas recomendadas para o ensino de CP nas graduações em Medicina e Enfermagem, e caracterizar as evidências das melhores práticas para o ensino de CP para graduandos desses cursos. Método: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, em que foram utilizarados os seguintes descritores: Medical student, Nursing student, education, learning, teaching e palliative care. A busca ocorreu, com o emprego do recurso booleano OR e AND, nas bases de dados eletrônicas Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), PubMed, Scopus e Web of Science. Resultado: A estratégia de busca gerou 182 artigos potenciais para inclusão nesta revisão. Destes, 85 foram excluídos por não estarem dentro dos critérios de inclusão, e 13, por não estarem disponíveis para acesso na plataforma digital. Os artigos incluídos trouxeram aspectos das competências a serem desenvolvidas para prática de CP, estratégias de ensino e estrutura curricular. A maior parte dos estudos incluídos teve como enfoque as estratégias de ensino, com destaque para as metodologias ativas que têm por objetivo não apenas a transferência de conhecimento, mas também o desenvolvimento de habilidades e atitudes para oferta de um cuidado que visa ao alívio do sofrimento. Conclusão: A revisão integrativa de literatura desenvolvida permitiu identificar as competências a serem adquiridas ainda nas graduações em Medicina e Enfermagem para que os futuros profissionais possam ofertar CP primários, bem como as melhores estratégias de ensino utilizadas.

Como estamos avaliando competências? Projeto de intervenção nos instrumentos avaliativos de um programa de residência medicina intensiva

PID: S1981-52712024000300403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Moraes Guará Lucas Barros Silva
RESUMO Introdução: O ensino baseado em competências no âmbito das residências médicas tornou evidente o descompasso dos processos de avaliação tradicionais com os objetivos educacionais dos projetos pedagógicos alinhados às matrizes de competências de cada especialidade. A matriz de competência para o Programa de Residência em Medicina Intensiva (acesso direto em três anos) foi aprovada em 2021. O objetivo deste artigo é descrever o relato de experiência de um projeto de intervenção nos instrumentos de avaliação de desempenho dos residentes no Programa em Residência em Medicina Intensiva de um hospital público universitário em São Luís, no Maranhão. Relato de experiência: Após a organização do grupo de estudo e de trabalho para a intervenção, houve a escolha do objeto “ferramentas de avaliação de competências” e a seleção do Programa de Residência de Medicina Intensiva. Inicialmente, foi aplicado um questionário a todos os médicos preceptores e residentes, com atuação no cenário da unidade de terapia intensiva (UTI), com o objetivo de aferir as percepções deles acerca do instrumento avaliativo vigente, seguindo a pergunta norteadora: “A avaliação atual atende à concepção do programa traduzido pela matriz de competência da Comissão Nacional de Residência Médica?”. Discussão: Embora a maioria dos preceptores e residentes tenha considerado que os métodos de avaliação atendiam à concepção do programa, havia pontos frágeis em relação ao feedback e à avaliação de desempenho dos residentes. Como intervenção, propusemos adaptação da ferramenta existente, adequando-a aos desempenhos previstos na matriz de competências da especialidade com formalização do feedback e introdução de avaliação de desempenho em cenário real utilizando o Miniexercício Clínico Avaliativo (Mini-Cex). Conclusão: Os limites entre a avaliação e a aprendizagem são tênues. Com base em indicadores sobre a percepção de preceptores e residentes de fragilidades na avaliação utilizada de longa data, foi proposta uma intervenção de modificação dos instrumentos avaliativos com o intuito de adequar/melhorar a avaliação de competências.

Competências comuns para a prática interprofissional no cuidado às pessoas em situação de violência sexual

PID: S1981-52712024000100202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Lima Freitas Júnior
Resumo Introdução: A violência sexual é um grave problema na sociedade brasileira cujas repercussões no âmbito da saúde pública tornam imperativa a abordagem dessa questão no contexto da formação das suas profissões. Igualmente, a integralidade do cuidado destinado às pessoas em situação de violência sexual requer a atuação conjunta de diversas profissões, além da integração em rede e articulação de diferentes equipamentos sociais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo reconhecer quais competências - entendidas como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes - são necessárias para o desenvolvimento do cuidado integral destinado às pessoas em situação de violência sexual, segundo os melhores padrões de qualidade e segurança para a saúde delas. Método: Realizou-se um estudo qualitativo de caráter exploratório e descritivo que envolveu a aplicação de um formulário prévio sobre os conhecimentos acerca das competências, seguido da dinâmica da construção da figura humana, que consiste na confecção de um boneco no qual os conhecimentos estariam representados pela cabeça, as habilidades pelos membros e as atitudes pelo corpo, na realização de uma oficina com 76 participantes de diferentes profissões. Adicionalmente, aplicou-se um questionário a 32 profissionais com reconhecida expertise na área de violência sexual e com experiência prática no atendimento às pessoas nessa situação. Foi empregada a análise temática categorial. Resultado: Identificaram-se desafios a serem superados nas três dimensões constituintes das competências, com nítida deficiência de conhecimentos para a atuação em rede visando à efetividade e à integralidade do cuidado. Reconheceram-se 15 competências comuns aos profissionais que lidam com a violência, e o produto final foi representado num infográfico de disposição radial com a organização dos conhecimentos, das habilidades e das atitudes identificados como necessários para o desenvolvimento de tais competências. Conclusão: Reconhecer competências comuns e identificar, separadamente, quais conhecimentos, habilidades e atitudes as constituem representa estratégias promotoras da abordagem transversal desses conteúdos na formação das profissões, sobretudo da saúde. A proposição de uma matriz de competências comuns para prática interprofissional no cuidado destinado às pessoas em situação de violência sexual pode orientar a qualificação desse cuidado e alicerçar a interprofissionalidade em cenários cruciais de atuação coletiva para o enfrentamento da flagrante injustiça social que a violência sexual significa.

Compreensão de médicas sobre gênero e a influência na formação acadêmica: um estudo qualitativo

PID: S1981-52712024000300208 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Santana Jansen Nascimento Moura
RESUMO Introdução: A “feminização” da medicina é uma tendência nacional e mundial. Cada vez mais mulheres têm escolhido essa área como profissão, mudando a demografia médica brasileira e internacional. No entanto, ainda há algumas barreiras na formação e atuação em medicina, como a manutenção de estereótipos de gênero, o que pode ser observado na sub-representação de mulheres em áreas cirúrgicas. Ademais, desigualdade salarial, assédio, machismo, preconceito e discriminação de gênero são outros desafios enfrentados pelas médicas. Objetivo: O artigo analisou a compreensão de mulheres médicas sobre as relações de gênero e a possível influência na sua formação acadêmica. Método: Consistiu em um estudo qualitativo, sendo realizadas entrevistas semiestruturadas, no período de novembro a dezembro de 2022, com 13 médicas que atuam profissionalmente no município de Marabá, no Pará. A amostra foi obtida por meio do método bola de neve, e, para a abordagem dos dados, utilizou-se a análise temática de conteúdo proposta por Laurence Bardin. Resultado: As entrevistas apontaram uma diversidade de compreensões acerca do conceito de gênero e demonstraram, de variadas formas, a interferência das relações de gênero na formação médica. As participantes narraram situações misóginas e machistas vivenciadas por elas, as quais, em sua maioria, evidenciavam a minimização das qualificações profissionais das mulheres. Além disso, o assédio foi algo bem evidenciado pelas colaboradoras, nove das 13 entrevistadas relataram episódios que envolviam comentários sobre aparência, convites, favores e contatos físicos, principalmente provenientes de professores e preceptores. Também foi pontuado que os estereótipos relacionados à escolha da especialidade são evidentes no meio médico, pois observam-se a predominância de mulheres em áreas da clínica médica, como dermatologia e pediatria, e o afastamento das especialidades cirúrgicas. Conclusão: Por meio dos relatos das participantes, foi observado o que médicas compreendem sobre o conceito de gênero, e revelou-se um contraste entre as suas percepções. Ademais, este trabalho abordou como, do ponto de vista de médicas, o gênero influencia na formação acadêmica das mais variadas formas, sendo retratada a qualidade de situações apresentadas pelas entrevistadas que evidenciam essa interferência.
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