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FOFA da residência em medicina de família e comunidade no estado de São Paulo

PID: S1981-52712024000200203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Ribeiro Cyrino Pazin-Filho
Resumo Introdução: A residência médica é o padrão ouro para formação em medicina de família e comunidade. Na última década houve aumento substancial de vagas sem a avaliação da qualidade dos programas. Objetivo: Este estudo teve como objetivos observar e qualificar a percepção dos preceptores da residência nessa área. Método: Aplicou-se um questionário qualiquantitativo no estado de São Paulo, com análise estatística descritiva e elaboração da matriz FOFA associada à tríade de Donabedian a partir da análise de conteúdo dos entrevistados. Resultado: A amostra foi de 64 preceptores em 27 programas, com mediana de idade de 37 anos e composta de 52% de mulheres. A distribuição mais prevalente é de dois residentes por preceptor, e 67% atuam também com a graduação. Da amostra, 56,7% possuem residência médica e 13,4% são titulados, além de 82% com cursos em preceptoria. A análise qualitativa aponta a formação em preceptoria e o aumento de especialistas como pontos relevantes, mas ainda há a dificuldade com a organização dos serviços e o baixo apoio da gestão municipal. Conclusão: Embora haja preceptores com formação adequada, ainda é necessário seu incremento ante o aumento do número de vagas desproporcional à capacidade instalada. Melhoria das condições estruturais e maior apoio dos municípios serão necessários de acordo com a percepção dos preceptores em medicina de família e comunidade.

Fatores associados às atitudes acerca da morte em estudantes internos de Medicina

PID: S1981-52712024000100206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Garrote Siqueira Almeida
Resumo Introdução: O curso de Medicina constitui uma jornada de formação profissional exigente, acentuando-se nos dois últimos anos, no período do internato. Ocorre a exposição a inúmeros fatores estressantes, como o contato com a morte. O morrer envolve aspectos biológicos, sociais, culturais, legais, religiosos e históricos, mas, na medicina, é visto como ato de falha médica por causa da ausência de treinamento para manejá-lo. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar os fatores associados às atitudes perante a morte em estudantes internos de Medicina. Método: Trata-se de estudo transversal analítico com abordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada por meio de questionários aplicados de modo digital a estudantes internos de Medicina de todo país. Utilizaram-se os seguintes instrumentos: um questionário sociodemográfico e de aspectos relacionados à vivência com a morte e a Escala de Avaliação do Perfil de Atitudes acerca da Morte (EAPAM). Resultado: A amostra investigada foi de 171 internos de Medicina, sendo 74,9% do sexo feminino, 45% da religião católica e idade média de 24 anos. No fator medo da morte, houve maior escore nos estudantes de religião católica (p = 0,0395) e nos que não se consideraram preparados para lidar com a morte (p = 0,0010). No fator evitar a morte, maior escore no estado civil casado (p = 0,0147) e nos estudantes que não se consideraram preparados para lidar com a morte (p = 0,0020). Na aceitação por escape, maior escore nos estudantes de religião protestante (p = 0,0270), nos que referiram ter atendido paciente que faleceu (p = 0,0030) e nos que afirmaram que não se consideram empáticos (p = 0,0261). Na aceitação neutra, maior escore nos estudantes adeptos de outras religiões (p = 0,0296) e nos que afirmaram ter orientação sexual homoafetiva (p = 0,0398). Na aceitação religiosa, maior escore nos estudantes do sexo feminino (p = 0,0490), de estado civil casado (p = 0,0006), de religião protestante (p < 0,0001), com forte envolvimento religioso (p < 0,0001) e que atenderam paciente que veio a falecer (p = 0,0150). Conclusão: Assim, conclui-se que a abordagem biopsicossocial da morte no ambiente acadêmico é fundamental, haja vista a evidência encontrada em relação ao despreparo dos estudantes de Medicina do internato em relação a esse fenômeno.

Ferramenta digital como recurso de ensino-aprendizagem da otorrinolaringologia: construção de um protótipo

PID: S1981-52712024000400208 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Barros Muniz Aquino Brito
RESUMO Introdução: Os recursos tecnológicos digitais, a exemplo dos jogos, podem ser usados de forma eficiente e colaborativa no processo de ensino-aprendizagem, principalmente pela facilidade de serem inseridos no contexto acadêmico, uma vez que significativa parte dos estudantes tem acesso à internet e faz uso desses mecanismos em seu cotidiano. Tais recursos podem ser utilizados para aprimorar o conhecimento acerca de uma área específica, como a otorrinolaringologia, que envolve habilidades clínicas essenciais na formação do médico generalista, sendo destaque entre os agravos frequentes na atenção primária. Objetivo: Nesta pesquisa, objetiva-se o desenvolvimento de uma ferramenta didática que possa auxiliar na aquisição de conhecimentos específicos pertinentes à prática clínica de médicos egressos. Método: Trata-se de um estudo descritivo, de caráter experimental de um aplicativo denominado ORLearning, baseado em competências previamente definidas em um consenso Delphi, a ser usado em estudantes de Medicina a respeito da otorrinolaringologia. Resultado: Construiu-se o protótipo com interfaces próprias destinado a discentes de Medicina. Conclusão: Frisamos a importância do uso dessas ferramentas tecnológicas no processo de ensino-aprendizagem da especialidade para graduandos e recém-formados em Medicina, de modo a tornar esse processo lúdico e inovador.

Graduação médica, a prescrição de medicamentos não incorporados ao SUS e a judicialização da saúde

PID: S1981-52712024000400211 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Gariolli Loureiro Bezerra
RESUMO Introdução: O fenômeno da judicialização da saúde pública possui números expressivos, sobretudo quanto ao montante de gastos do erário ou ao volume processual. Entre suas causas, esta pesquisa se dedica à prescrição médica de fármacos em desconformidade com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), com enfoque na percepção educacional do bacharelando em Medicina acerca da relação do médico com a judicialização da saúde pública. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a graduação médica acerca da prescrição de medicamentos não incorporados ao SUS, como fator gerador da judicialização da saúde. Método: Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa, desenvolvido com o corpo discente de uma Instituição de Ensino Superior do Estado do Espírito Santo/ES. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários, seguindo um roteiro com perguntas norteadoras, registradas e examinadas de acordo com a análise de conteúdo proposta por Bardin. Conjuntamente, examinaram-se os planos de ensino de matérias que possuem maior aproximação com a temática. Resultado: Verificou-se uma lacuna entre a graduação médica e a judicialização em saúde no que diz respeito à prescrição de fármacos que não fazem parte da política pública sanitária do SUS, atraindo a necessidade de promoção de uma política pública educacional por parte das instituições de ensino de Medicina, voltada à efetiva abordagem do assunto, de maneira articulada e interdisciplinar.

Habilidades de comunicação clínica: análise da autoavaliação dos residentes de medicina de família e comunidade

PID: S1981-52712024000100213 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Tenório Figueiredo Almeida Fernandes
Resumo Introdução: O conhecimento das habilidades de comunicação clínica é primordial para o adequado exercício da medicina de família e comunidade (MFC), visto que um dos princípios da especialidade advém da relação médico-pessoa. A comunicação assertiva é uma competência clínica básica que deve ser aprendida, sobretudo, durante a residência médica. Não se trata de uma característica inata, perpassa um processo de conhecer, aplicar e dominar, necessitando, portanto, de avaliações. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a percepção dos médicos residentes de MFC em relação às suas habilidades de comunicação. Método: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal. O cenário de estudo foi o conjunto de programas de residência de MFC do município de João Pessoa, na Paraíba. A coleta de dados foi feita a partir de um questionário on-line, disponível para preenchimento de setembro a novembro de 2022. Utilizamos para a construção do questionário o instrumento A Consulta em 7 Passos. Desenvolvemos escores denominados índice de desempenho geral (IDg), índice de desempenho por passo da consulta (IDp) e índice de desempenho por item (IDitem). Na análise estatística, utilizamos o teste t para amostras independentes. Resultado: O IDg médio foi de 72,0%. Os residentes tiveram o maior índice de IDp no passo 5 da consulta (81,7%), seguido pelos passos 2 (77,6%), 3 (76,1%) e 6 (75,9%). Os menores desempenhos foram nos passos 4 (68,9%), 7 (63,7%) e 1 (63,3%). Não houve significância estatística quanto ao desempenho quando se compararam sexo, ano de residência e programa. Conclusão: Os residentes de MFC avaliam positivamente suas habilidades de comunicação. Entretanto, ainda há o que aprimorar, como fomentar momentos crítico-reflexivos sobre os fenômenos subjetivos que ocorrem na consulta. Destarte, a utilização do instrumento A Consulta em 7 Passos se revelou, no presente estudo, como uma ferramenta importante no processo de formação e avaliação da comunicação clínica durante a residência.

Impacto de uma intervenção educativa sobre segurança do paciente para residentes em anestesiologia

PID: S1981-52712024000400219 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Maranhão Lino Santos Silva Freitas
RESUMO Introdução: A matriz de competências dos programas de residência médica em anestesiologia do Brasil apresenta como objetivo específico “realizar a anestesia com segurança em todas as suas etapas”, cujos elementos para a implementação de um currículo específico precisam ser definidos. Diante desse cenário, foram propostas a elaboração e a implementação de um módulo educacional sobre segurança do paciente para residentes de anestesiologia. Objetivo: Este estudo teve como objetivos desenvolver e implementar um módulo educacional sobre segurança do paciente em anestesiologia para residentes da especialidade, e avaliar a efetividade e o grau de satisfação deles com o módulo. Método: Trata-se de um estudo quase experimental com desenho série temporal interrompida com um grupo, realizado no âmbito do mestrado profissional em Ensino na Saúde, de uma universidade pública do Nordeste do Brasil, com residentes de anestesiologia dos três anos. Desenvolveu-se um módulo educacional, em formato e-book, e implementou-se uma estratégia pedagógica para intermediar a aprendizagem de residentes, em quatro encontros presenciais, ocorridos durante o expediente de atividades práticas no hospital. Realizaram-se uma avaliação de conhecimentos com pré-teste, antes da primeira discussão dos conteúdos de segurança do paciente, no primeiro encontro, e pós-teste, no último encontro, e uma avaliação de satisfação utilizando questionário com escala Likert. Resultado: As notas do pré-teste variaram de 6.25 a 8.75 (média 7.50), enquanto no pós-teste houve uma variação de 7.50 a 10.0 (média 9.03). Houve melhora significativa das notas medianas no pós-teste de 7.50 para 8.75, com p = 0.0199. O questionário de satisfação (coeficiente alfa de Cronbach = 0.793) apresentou respostas satisfatórias para cada um dos itens avaliados, todas variando de “concordo” a “concordo totalmente”. Conclusão: A elaboração e implementação de um módulo educacional para intermediar a aprendizagem durante o processo formativo de residentes de anestesiologia foram efetivas em promover conhecimento sobre segurança do paciente para o anestesiologista em formação, com altos índices de satisfação. Assim, ressalta-se a importância da inserção do tema segurança do paciente na estrutura curricular dos cursos de residência em anestesiologia, com espaço e tempo protegidos para o processo de aprendizagem desses profissionais. Ademais, são necessários mais estudos que possam mensurar o impacto dessa intervenção em longo prazo, sua influência na aquisição de competências e se essas intervenções educacionais melhoram os resultados para os pacientes.

Impressão 3D na relação médico-paciente, relato de experiência da integração entre ensino, inovação e assistência

PID: S1981-52712024000300401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Sanchez Silva Heilmann Tube Almeida Rolim Filho
RESUMO Introdução: Na literatura, diversos artigos apresentam a satisfação dos pacientes e a melhor clareza de entendimento acerca das informações transmitidas pela equipe médica, com o auxílio de peças tridimensionais. A educação e a saúde são práticas inseparáveis e interdependentes, sempre estiveram articuladas, consideradas elementos fundamentais no processo de atuação dos profissionais da saúde. Assim, professores e alunos do curso de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco criaram uma extensão universitária, que objetivava o uso de modelos anatômicos, impressos em 3D, para educação dos pacientes do ambulatório de ortopedia e traumatologia. Relato de experiência: Ao longo dos seis meses de projeto, foram assistidos 77 pacientes, e o projeto contou com o trabalho de três professores e 18 alunos da graduação, totalizando 98 pessoas envolvidas no projeto. As ações foram divididas em dois blocos. O primeiro consistiu na capacitação dos alunos. No segundo, os discentes realizavam visitas ao ambulatório, acompanhados por um médico especialista responsável, usavam peças impressas pelos próprios alunos, para orientar os pacientes quanto à sua respectiva condição, e davam orientações sobre a terapêutica valendo-se dessas peças impressas. Discussão: A possibilidade de utilização dessa ferramenta como auxílio na comunicação médica abre um vasto horizonte de aplicação da impressão 3D na educação popular em saúde. Isso, por sua vez, propicia o aperfeiçoamento da promoção da saúde de regiões menos desenvolvidas, uma vez que essa interação entre equipe de saúde e comunidade permite a promoção, a proteção e a recuperação da saúde, a partir de um diálogo horizontal, valorizando e respeitando o usuário do sistema de saúde, de maneira a torná-lo agente e protagonista do processo saúde e doença. Conclusão: Projetos de extensão desse tipo têm um enorme potencial para gerar impactos na medicina, na comunidade acadêmica e na população assistida, sobretudo a menos instruída.

Instrumentos avaliativos nos estágios da atenção primária: revisão bibliográfica

PID: S1981-52712024000400301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Marques Cardoso Almeida Oliveira Amorim
RESUMO Introdução: O estágio supervisionado na atenção primária é uma etapa importante na graduação médica. A avaliação é indispensável para a formação dos futuros profissionais que atenderão às demandas da sociedade, uma vez que permite direcionar a aprendizagem. Existem diversos instrumentos avaliativos, seja para a análise cognitiva ou das habilidades e atitudes dos discentes de medicina. Objetivo: Este estudo teve como objetivo elaborar uma revisão integrativa sobre os instrumentos de avaliação para estudantes de Medicina nos estágios da atenção primária no Brasil e em outros países. Método: A busca na literatura foi realizada nas bases de dados National Library of Medicine (MEDLINE) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) via Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e MeSH foram: avaliação do ensino OR avaliação da educação AND estágio clínico AND estudantes de medicina AND estratégia saúde da família OR atenção primária OR atenção básica. Resultado: A partir da combinação dos descritores, obtiveram-se 740 estudos, e, após a análise dos critérios de inclusão e exclusão, elencaram-se seis estudos para a construção da discussão. Identificaram-se diferentes métodos avaliativos, como testes de múltipla escolha, rubrica padronizada para avaliação de habilidade escrita, Objective Structured Clinical Examination (OSCE), conceito global, feedback, autoavaliação e avaliação por pares, além da associação entre alguns deles. Conclusão: Apesar dos diferentes métodos avaliativos encontrados, não existe uniformização desses instrumentos no cenário mundial.

Ligas acadêmicas em saúde: uma revisão sistemática e proposta de checklist norteador de novos estudos

PID: S1981-52712024000100301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Gonsalves Fernandes Casari Falco Neto Rissi
Resumo Introdução: As ligas acadêmicas (LA) são grupos organizados sem fins lucrativos que seguem os princípios do trinômio universitário (ensino, pesquisa e extensão) por discentes e profissionais orientadores, historicamente presentes em faculdades de Medicina, mas também difundidas em diversos cursos de saúde. No entanto, o conhecimento sobre as LA é limitado. Objetivo: Este estudo teve como objetivos realizar uma revisão sistemática sobre as LA de saúde no Brasil, analisar o perfil demográfico e atuação delas no país, e propor concomitantemente um checklist norteador para a redação de relatos de experiência sobre a temática. Método: O estudo consiste em uma revisão sistemática que adotou as orientações do PRISMA e utilizou como banco de dados a BVS e Medline. Realizaram-se a descrição de detalhes das LA, a evolução histórica, o perfil demográfico e a avaliação bibliométrica dos dados obtidos. Além disso, elaborou-se um checklist (Crelas) para orientar novos relatos de experiência de LA. Resultado: Foram selecionados 2.064 estudos, e incluíram-se 74 artigos em 20 anos de análise (2003-2022). O perfil das LA em saúde se alterou com o passar dos anos, chegando ao modelo atual pautado no tripé de atividades. Ainda assim, as LA são heterogêneas no país, concentradas em algumas regiões, especialmente no Sudeste. Ademais, observaram-se uma heterogeneidade dos estudos, ausência de uma revista central e carência de estudos quantitativos uni/multicêntricos que avaliassem o impacto das LA na formação dos estudantes. Conclusão: Ainda são necessários novos estudos sobre essa temática com o propósito de esclarecer a lacuna acerca das atividades desenvolvidas e seus impactos acadêmicos e sociais.

Matriz de competências em ultrassonografia para um programa de residência médica em radiologia

PID: S1981-52712024000400220 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Dantas Diniz Vilar
RESUMO Introdução: O processo de formação médica no Brasil e no mundo vem se aperfeiçoando nas últimas décadas por meio do desenvolvimento de currículos organizados por competências. Nesse contexto, a Comissão Nacional de Residência Médica tem publicado as matrizes de competências, gerais e temáticas, para a formação do especialista, entre elas a referente aos programas de residência médica em radiologia e diagnóstico por imagem (PRM-RDI). Objetivo: Este estudo teve como objetivo elaborar a matriz de competências específica para o treinamento em ultrassonografia (US) aliada aos avanços na definição de estratégias de ensino-aprendizagem e avaliação, durante um PRM-RDI. Método: Foi realizado um estudo exploratório, descritivo composto, inicialmente, por meio de uma análise documental para a elaboração de uma versão inicial da matriz. A seguir, fez-se a construção coletiva da matriz de competências, utilizando o método Delphi modificado, com a aplicação de questionários para um painel de nove especialistas. Resultado: Com base na construção da matriz de competências inicial e após três rodadas de questionários, ocorridas entre novembro de 2022 e abril de 2023, obteve-se o consenso de opiniões entre os participantes e determinou-se a matriz de competências final. A maior taxa de concordância ocorreu entre as competências gerais, com seus métodos de ensino, as competências específicas de áreas médicas mais desenvolvidas pelos preceptores participantes e as competências para o primeiro ano de residência médica. A maior taxa de discordância ocorreu entre métodos de avaliação e atividades com pouca ou nenhuma oportunidade de treinamento. Não houve a sugestão de novos itens, mas apenas a alteração de alguns itens avaliados e a retirada de outros. Conclusão: A matriz de competências na área de US para um PRM-RDI representa um instrumento relevante para a formação por competência e a melhoria da qualidade da prática profissional, com foco no aprimoramento da formação em US.

Medicina culinária: relato de experiência de uma disciplina eletiva para alunos de Medicina

PID: S1981-52712024000300402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Nascimento Watanabe Bueno Katekawa Cruz Alvarenga Machado Yarak
RESUMO Introdução: O aumento global da alimentação não saudável está intimamente ligado a uma tendência de redução na preparação da comida feita em casa. Já existem estudos que mostram uma associação positiva entre o aumento das habilidades culinárias e a redução de risco cardiovascular. Somado a isso, o baixo tempo destinado à educação nutricional no currículo das faculdades de Medicina contrasta com as altas taxas de mortalidade atribuíveis à má alimentação. A medicina culinária (MC) é um campo emergente da medicina, que traz uma nova abordagem educacional, baseada em evidências científicas, cujo objetivo é ensinar o poder que a comida tem sobre a saúde e melhorar os comportamentos alimentares dos profissionais de saúde e, consequentemente, de seus pacientes. Relato da experiência: Desenvolveu-se uma disciplina eletiva de MC na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que resultou em um relato de experiência, com abordagem qualitativa, realizado com 18 alunos que participaram de encontros semanais durante cinco semanas de forma 100% online, por meio da plataforma Zoom. Os dados deste estudo foram coletados por meio de portfólios, em que cada estudante descreveu sua experiência com o curso. A avaliação do material foi feita por meio de análise temática. Aplicou-se um questionário que avaliou o Índice de Habilidades Culinárias, desenvolvido e validado segundo a autoeficácia no desempenho das habilidades culinárias e tendo como referencial teórico o Guia alimentar para a população brasileira. Discussão: Existem inúmeros desafios, como a conscientização dos médicos sobre a importância desse assunto, que muitas vezes parece ser mais prático do que técnico, e a subjetividade do tema sobre mudança de comportamento de médicos e pacientes. No entanto, os resultados deste estudo evidenciam que os alunos que realizaram a eletiva acreditam que essa reformulação curricular é extremamente importante e urgente. Conclusão: Observa-se uma tendência mundial de transformação da grade curricular dos profissionais da saúde, e acredita-se que esse processo pode ser iniciado nas faculdades de Medicina por meio de disciplinas eletivas de MC como a que foi implementada na Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

Medicina e espiritualidade: o perfil de estudantes e médicos de uma escola médica brasileira

PID: S1981-52712024000100207 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Banin Silva coleta e tabulação de dados (aplicação dos questionários) Moreira Padula Mariotti Andrade
Resumo Introdução: Pesquisas científicas indicam que a espiritualidade desempenha um papel importante na vida da maioria dos pacientes. Além disso, atividades e crenças religiosas podem, de acordo com algumas pesquisa, estar relacionadas à melhor saúde e qualidade de vida1. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar o nível de espiritualidade de estudantes de Medicina e de médicos já formados, e analisar o ensino da interface “medicina e espiritualidade” na escola médica. Método: Realizamos um estudo transversal descritivo por meio da aplicação de questionários a estudantes de Medicina e médicos de uma escola médica pública brasileira. Resultado: Avaliaram-se 234 participantes. A maioria acredita em uma força superior. A espiritualidade foi maior entre médicos já formados e entre pessoas do sexo feminino. A maioria acredita que a formação universitária não prepara o médico para abordar o tema com os pacientes. Apesar dessa limitação, a maioria já abordou a espiritualidade com seus pacientes. Conclusão: Médicos e estudantes de Medicina consideram importante contemplar, de maneira ecumênica e respeitosa, aspectos espirituais dos pacientes. Apesar disso, consideram que não receberam preparo suficiente na escola médica para essa abordagem.

Mentoria entre pares na transição para ciclo clínico na Famed/UFVJM: percepções dos estudantes participantes

PID: S1981-52712024000400205 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Melillo Chagas Leite
RESUMO Introdução: Na educação médica, programas de mentoria entre pares fomentam que alunos mais experientes ajudem colegas iniciantes no seu desenvolvimento. Mentorear o indivíduo durante sua vida universitária é uma maneira de oferecer suporte especialmente em momentos de transição, possibilitando o debate de tópicos relevantes muitas vezes não contemplados no currículo formal, como desempenho acadêmico, saúde mental e soft skills. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as contribuições da mentoria entre pares na transição para o ciclo clínico desenvolvida em uma escola médica, a partir da percepção dos estudantes participantes. Método: Trata-se de estudo transversal, descritivo, com abordagem qualiquantitativa. Foram realizadas três jornadas de mentoria entre pares, com quatro a seis encontros semanais entre grupos de discentes mentores do sexto ao décimo período e mentorados do quarto. Houve atividades voltadas ao aprendizado de habilidades médicas, discussão de casos clínicos, treinamento de anamnese e comunicação médica, além do compartilhamento de vivências. Os alunos participantes foram convidados a responder, anonimamente, a questionários online autoaplicados antes do início e após o último encontro. Realizaram-se análises estatísticas simples, frequências absoluta e relativa das variáveis concernentes às questões fechadas, e análise temática das respostas às questões abertas. Resultado: Participaram das três jornadas 144 estudantes: 99 mentorados e 45 mentores. Destes, 66% dos mentorados e 86% dos mentores responderam aos questionários. Pela visão da ampla maioria, a mentoria se mostrou efetiva, trazendo benefícios para mentorados e mentores. Os mentorados mencionaram que se sentiram mais preparados para as próximas atividades envolvendo atendimento ambulatorial e mais satisfeitos com o próprio desenvolvimento acadêmico e com as atividades de capacitação em habilidades de comunicação médica ofertadas pelo curso. Os mentores relataram que seus mentorados também os prepararam para avançar no curso e que auxiliaram no desenvolvimento pessoal e acadêmico. Conclusão: A mentoria entre pares na transição para o ciclo clínico revelou-se estratégia promotora de desenvolvimento acadêmico e pessoal, na percepção dos participantes, estimulando o engajamento dos estudantes, tanto mentores quanto mentorados, no processo de ensino-aprendizagem. Mais estudos com metodologias diversas, como aplicação de escalas, acompanhamento prospectivo ou análise de indicadores de êxito, podem incrementar a compreensão das contribuições da mentoria entre pares para a formação dos futuros médicos.

Metodologia da problematização no ensino remoto para debater sobre infecções sexualmente transmissíveis em idosos

PID: S1981-52712024000100401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Sales Andrade Lima Oliveira
Resumo Introdução: Atualmente o Brasil mostra um expressivo aumento da sobrevida e consequente elevação do número de idosos na sua população. Do ponto de vista de propostas para a melhoria da qualidade de vida deles, a sexualidade deve ser compreendida a partir do princípio holístico, não somente do fator biológico. Nesse cenário, novas reflexões de profissionais da saúde tornam-se indispensáveis para o planejamento de ações específicas, objetivando a atenção integral à saúde do idoso. Relato de experiência: O presente relato de experiência traz o início de um diálogo com acadêmicos de Medicina de uma universidade pública sobre a complexidade da sexualidade e infecções sexualmente transmissíveis (IST) em idosos, buscando identificar o conhecimento desses discentes sobre o assunto e idealizar propostas de ação ao público-alvo. Para isso, estruturou-se uma estratégia de ensino-aprendizagem cuja abordagem consistiu na adaptação e aplicação da metodologia do Arco de Maguerez para o debate sobre IST no contexto da saúde pública brasileira, o qual foi realizado com base nas diretrizes do ensino remoto emergencial. Nossos resultados vão de encontro à literatura que visa compreender as representações sociais acerca da sexualidade dos idosos. Neles, verificou-se que as representações sociais acerca da sexualidade na terceira idade assemelham-se à descrição científica, apresentado similitude entre o senso comum e o conhecimento erudito. Discussão: Diante da discrepância descrita na literatura quanto aos conceitos errôneos por parte dos idosos e dos familiares e pelos profissionais de saúde acerca da sexualidade na terceira idade, são imprescindíveis a realização de campanhas e o desenvolvimento de medidas e estratégias preventivas voltadas para idosos, a fim reduzir a incidência de IST nessa comunidade. Para isso, são fundamentais estratégias de educação em saúde no ensino acadêmico e de educação profissional continuada para sedimentar os conhecimentos necessários na idealização de propostas eficazes. Conclusão: A partir da formação médica adequada e por meio da discussão dos aspectos complexos sobre o assunto, serão possíveis a construção, a implementação e a avaliação de políticas públicas de saúde para o enfrentamento das IST, de modo a diminuir as barreiras relacionadas à prevenção de doenças e à promoção de saúde sexual na população idosa.

Metodologias ativas de ensino-aprendizagem em genética humana: percepção de discentes dos cursos de saúde

PID: S1981-52712024000300217 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Santos Mourão Oliveira
RESUMO Introdução: No processo de ensino, as estratégias de ensino, como as metodologias ativas, desempenham um papel fundamental na promoção da construção do conhecimento dos alunos, especialmente em disciplinas com temáticas e conteúdos científicos de difícil assimilação. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a percepção dos alunos sobre as metodologias ativas usadas na disciplina de Genética Humana nos cursos de saúde de uma universidade pública do Amazonas. Método: Neste estudo, alunos de Enfermagem, Medicina e Odontologia responderam a um questionário com alternativas de respostas em escalas Likert sobre seis metodologias ativas na sala de aula: construção de modelo didático, gamificação, aprendizagem baseada em equipe, sala de aula invertida, estudo de casos clínicos e aprendizagem baseada em vídeo. Avaliou-se a confiabilidade das respostas, e testes qui-quadrado, Mann-Whitney e Kruskal-Wallis foram usados para análises de associação com nível de confiança de 95%. Resultado: Os participantes, em sua maioria mulheres, tinham uma média de idade de 20,4 ± 3,5 anos. Os alunos de Medicina foram os mais representativos em quatro das seis metodologias ativas usadas. Observou-se uma associação significativa entre o sexo feminino e a preferência pela metodologia de construção de modelo didático, enquanto o sexo masculino tendeu a avaliar mais positivamente a aprendizagem baseada em vídeo. Além disso, a análise individual revelou que a aprendizagem baseada em vídeo foi mais associada ao curso de Odontologia em comparação com Enfermagem, enquanto o estudo de casos clínicos foi mais favorecido pelos alunos de Medicina em comparação com Enfermagem. Isso sugere uma preferência dos estudantes de Odontologia e Medicina por essas metodologias, respectivamente. Quanto ao entendimento do conceito de metodologias ativas, a palavra “aluno” foi a mais frequentemente mencionada. Conclusão: Os alunos reconhecem o envolvimento direto das metodologias ativas, mas têm compreensão parcial dos benefícios. Metodologias ativas em genética humana motivaram e despertaram interesse. Docentes devem considerar a diversidade de competências e preferências dos alunos ao usarem tais metodologias, bem como compartilhar suas experiências e buscar uma educação permanente.

Metodologias para calcular os custos de um curso de graduação em Medicina: uma revisão de escopo

PID: S1981-52712024000300301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Maia Brito Silva Jr Poz
RESUMO Introdução: Em julho de 2021, o Brasil tinha 373 cursos de Medicina autorizados pelo MEC, dos quais 229 de instituições privadas, com um valor médio de mensalidade de R$ 8.242,70. O grande volume de recursos envolvidos em mensalidades, bolsas e fomentos (Prouni, Fies etc.) justifica o esforço envolvido neste trabalho. Objetivo: A revisão visou identificar as metodologias de análise de custo de formação de médicos, classificando-as segundo categorias de nível de ensino e abrangência do custo. Método: A metodologia escolhida foi a revisão de escopo, dado que a produção na área de foco é irregular e com lacunas metodológicas. Resultado: As buscas em português e inglês resultaram na seleção de 24 textos, que foram agrupados em nove grupos, elaboradas a partir do foco de seus conteúdos combinados com os interesses da pesquisa. Conclusão: A inexistência de consenso metodológico e a busca por otimizar recursos e avaliar a eficácia do ensino reforçam a necessidade do desenvolvimento de metodologias de apuração de custos da graduação em Medicina.

Modelos de preceptoria de residência em medicina de família e comunidade: um estudo Delphi

PID: S1981-52712024000100203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Maggioni Pessoa Trindade Pessoa
Resumo Introdução: A preceptoria na atenção primária à saúde desempenha papel central na formação do residente, já que 70%-80% da carga horária dos programas de residência de medicina de família e comunidade (PRMFC) acontece na unidade de saúde da família. Como preceptor entende-se o professor que ensina na prática clínica. O cenário atual de expansão dos PRMFC, associado a poucos profissionais especializados em preceptoria, fez com que vários modelos fossem praticados. Uma revisão de literatura feita em estágio anterior a este trabalho, além das contribuições da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, identificou quatro modelos de preceptoria em MFC: ombro a ombro, preceptor da equipe ao lado, preceptor de unidade e preceptor de campo. Objetivo: Este estudo teve como objetivos validar esses quatro modelos e identificar outros, determinar, sob a ótica da qualidade de formação dos residentes, a aceitabilidade e o grau de recomendação dos modelos, e reconhecer os pontos positivos e negativos. Método: Utilizou-se a técnica Delphi modificada por questionários on-line. O estudo começou com 24 participantes de todo o Brasil na primeira rodada e terminou com 18. Aplicaram-se a técnica de estatística descritiva e a análise de conteúdo. O estudo foi realizado entre fevereiro e abril de 2022. Resultado: Validaram-se os quatro modelos apresentados, e nenhum outro foi identificado. Os modelos ombro a ombro, preceptor da equipe ao lado e preceptor de unidade foram considerados aceitáveis; e o modelo preceptor de campo, inaceitável. Os modelos ombro a ombro e preceptor de unidade foram recomendados. Reconheceram-se 92 aspectos como pontos positivos e negativos, dos quais 81 atingiram consenso. Conclusão: Obteve-se a validação dos quatro tipos de modelos de preceptoria para PRMFC. Como os modelos ombro a ombro e preceptor de unidade foram elencados como aceitáveis e recomendáveis, é importante que sejam priorizados na implantação e manutenção dos PRMFC. Os modelos preceptor da equipe ao lado e preceptor de campo foram julgados como não recomendados e, portanto, devem ser evitados. O conhecimento das fortalezas e fraquezas de cada modelo prepara os PRMFC para as possíveis dificuldades e os auxilia na escolha do modelo adequado às diversas realidades existentes no país.

Monitoria de metodologia científica: relato de experiência em um componente curricular de saúde coletiva

PID: S1981-52712024000200401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Sanday Silva Mocellin
RESUMO Introdução: A monitoria acadêmica é uma ferramenta complementar à construção do conhecimento dos discentes do ensino superior. Apresenta-se como mecanismo de auxílio e de orientação para os monitorados ao mesmo tempo que desenvolve as habilidades comunicacionais para além dos saberes essenciais do monitor. O presente trabalho tem como objetivo relatar uma experiência de monitoria com diferentes estratégias de ensino e de avaliação por meio de metodologias ativas, aplicando atividades teóricas e práticas interdisciplinares para estudantes de Medicina. Relato de experiência: Este relato de monitoria, realizado em um componente curricular de saúde coletiva da graduação em Medicina de uma universidade pública federal do Rio Grande do Sul, apresenta dados quantitativos e discute os conhecimentos adquiridos com a aplicação das atividades do projeto de ensino. Discussão: Analisaram-se quatro semestres, em que se compararam registros realizados em formulários on-line sem identificação dos respondentes referentes à participação das monitorias de caráter teórico e prático, sendo a maior adesão de participantes nas atividades práticas (42,31% versus 25,55%). Depreenderam-se as principais motivações dos discentes para buscar a monitoria, sendo a elucidação de uma etapa da simulação de pesquisa a mais requisitada. Houve predominância dos valores próximos ao máximo em monitorias práticas em relação às teóricas na avaliação geral delas, sendo considerados três aspectos: importância da atividade; clareza e didática da monitora; esclarecimento de dúvidas. Percebeu-se que o tempo destinado aos encontros variou de forma considerável, sendo mais frequente destinar 60 minutos às atividades teóricas e 30 minutos às atividades práticas. A comparação da proposta de atividades práticas e teóricas aplicadas por meio de metodologias ativas no projeto de monitoria evidenciou o quanto o discente, monitor ou monitorando, beneficia-se do processo de ensino-aprendizagem quando inserido como responsável principal pela própria educação. Conclusão: Na perspectiva da monitora, houve um fortalecimento das próprias competências relacionadas ao saber científico, assim como se observaram um nivelamento da turma em relação aos conteúdos de base e a progressão gradual da aquisição de um raciocínio crítico do estudante da área da saúde.

Métodos de avaliação institucional que incluem o corpo discente em faculdades de Medicina: uma revisão sistemática

PID: S1981-52712024000100303 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Jesuino Leite Cordeiro Nogueira Silva Guedes
Resumo Introdução: A avaliação institucional é uma importante ferramenta para o constante aperfeiçoamento dos cursos de Medicina, principalmente quando tomam a opinião discente como um de seus pontos. Objetivo: O estudo teve por objetivo averiguar, por meio de uma revisão sistemática de escopo, quais os métodos utilizados para realizar avaliações institucionais que contem com base na opinião discente através de uma revisão sistemática de escopo. Método: Em conformidade com o “Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses for Scoping Reviews (PRISMA- ScR)”, as buscas foram realizadas de modo padronizado, envolvendo no mínimo dois pesquisadores, e consultando as bases Lilacs, SciELO, PubMed, Embase e o banco de teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Por meio do software Rayyan, marcaram-se os estudos duplicados, o que permitiu a avaliação cega e independente dos dois revisores em cada etapa . Os critérios de inclusão utilizados foram: estudos publicados entre 2009 e 2019, que avaliassem cursos de Medicina e em que alguma etapa da avaliação tivesse sido realizada por estudantes. Adotaram-se os seguintes critérios de exclusão: trabalhos em idiomas diferentes do português, inglês, francês e espanhol; avaliações de uma intervenção pedagógica específica ou limitada a algumas disciplinas e artigos com foco na autoavaliação do aluno. Resultados: Foram encontrados 2.355 registros e incluídos 12 artigos. A maior parte dos trabalhos criou um questionário próprio e utilizou-se majoritariamente de escalas quantitativas, embora muitos tenham também incluído algum tipo de análise qualitativa com questões abertas. A maior parte dos estudos referia-se a uma análise pontual e não de a um projeto de avaliação permanente da instituição. Conclusão: Publicações no campo de avaliação institucional que envolvam os discentes e descrevam o questionário ainda são raras, principalmente quando se trata de avaliações permanentes.

Nível de satisfação e engajamento com aulas virtuais baseadas em metodologias ativas para estudantes de medicina

PID: S1981-52712024000300207 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Moura Chakr
RESUMO Introdução: Metodologias de ensino tradicionais, baseadas em aulas expositivas, têm sido usadas como padrão nas escolas médicas. Nas últimas décadas, têm ocorrido mudanças na educação médica no sentido de adotar métodos que encorajem a participação ativa dos alunos. Foi provado que as metodologias ativas aumentam o engajamento e isso foi particularmente necessário durante a pandemia da COVID-19, quando as metodologias ativas foram cruciais para aumentar a participação dos estudantes nas aulas virtuais. Objetivo: Este estudo objetivou medir a satisfação e o nível de participação dos alunos com aulas virtuais baseadas em metodologias ativas durante a pandemia da COVID-19. Método: Foram compilados dados de pesquisa anônima respondida por estudantes brasileiros do quarto ano de Medicina de uma universidade pública federal que cursaram a disciplina de pediatria durante um período de 18 meses. As metodologias usadas foram sala de aula invertida e aprendizado baseado em casos clínicos. Resultado: Participaram desta pesquisa 121 estudantes. O nível de satisfação com a metodologia foi alto (53% = muito satisfeito; 39% = satisfeito; 6% = indiferente; 2% = insatisfeito). A maioria dos alunos (70%) respondeu preferir ter aulas com as metodologias ativas empregadas, em comparação com aulas expositivas (16% preferem aulas expositivas; 14% são indiferentes). A adesão à leitura dos textos (sala de aula invertida) foi boa: 81% dos alunos leram entre 75% e 100% dos textos, e 19% leram entre 50% e 74% dos textos disponibilizados. Conclusão: A implementação de metodologias ativas na disciplina demonstrou ter sido bem-sucedida, considerando a participação e o nível de satisfação dos alunos.
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