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O podcast como ferramenta para o ensino em saúde do idoso na graduação em Medicina

PID: S1981-52712024000300202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Oliveira Caldato Carneiro
RESUMO Introdução: A expectativa de vida mundial vem aumentando nas últimas décadas, e, para atender a essa demanda, é necessário formar e capacitar profissionais de saúde para o atendimento adequado da população geriátrica no Brasil. Nesse contexto, a literatura traz o podcast como uma possível ferramenta complementar para a educação médica, visto o potencial da comunicação digital em transformar o ensino mundial. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o aprendizado em saúde do idoso por meio da ferramenta podcast em alunos de graduação em Medicina. Método: Trata-se de um estudo descritivo, longitudinal, quantitativo, ocorrido entre janeiro e dezembro de 2022, realizado com 59 discentes de Medicina da Universidade do Estado do Pará. Os estudantes responderam ao questionário-teste, no período de agosto a outubro de 2022, antes e depois de escutarem os episódios do podcast criado para esta pesquisa, com perguntas específicas sobre saúde do idoso, divididas em cinco domínios (anamnese do idoso, exame físico no idoso, relação médico-paciente, quedas e imunização no idoso). Resultado: Na avaliação geral de cada domínio, identificou-se estatisticamente diferença em quatro dos cinco grupos, assim como no valor geral, em que os discentes aumentaram seus acertos de 70,7% para 80,6%, uma melhora de quase 10 pontos percentuais após o podcast. O domínio imunização foi o que teve maiores ganhos percentuais (de 45,2% para 74,0%), seguido do domínio que tratou sobre quedas em idoso: de 79,1% antes do podcast para 91,0% na segunda avaliação. Conclusão: Os alunos obtiveram melhores resultados nos testes objetivos após escutarem os episódios de podcast sobre saúde do idoso. O podcasting tem o potencial de se tornar formal ou informalmente um componente central da educação médica. Estudos adicionais devem investigar também como os podcasts podem ser construídos a fim de que se possa otimizar a retenção de conhecimento por parte dos ouvintes.

O ensino da bioética nos cursos de Medicina do Brasil

PID: S1981-52712024000400221 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Pacheco Sauerbier Lutz Grasel Bonamigo
RESUMO Introdução: O progresso científico, tecnológico e social nas diferentes áreas do conhecimento, notadamente nas ciências biológicas e no cuidado em saúde, provoca o surgimento de conflitos morais em medicina e impulsiona a relevância da bioética no que se refere às novas interfaces da relação médico-paciente, suscitando a necessidade de aprimoramento na formação ética durante a graduação em Medicina. Objetivo: O objetivo deste estudo foi verificar a oferta de conteúdos curriculares que tratam do teor da bioética nas matrizes curriculares dos cursos de graduação em Medicina do Brasil. Método: Trata-se de um estudo documental. A coleta dos dados foi realizada no site de cada curso de Medicina. Analisaram-se as matrizes curriculares de cada curso com o intuito de averiguar as informações sobre a oferta de componente curricular ou a presença de conteúdos curriculares com o teor da bioética na matriz. Quando presente, verificaram-se a carga horária, o ciclo e a modalidade (se associada, isolada, ao longo do curso, em outras disciplinas ou optativa). Resultado: Constatou-se que a bioética era ofertada por 61,85% dos cursos, e a maioria a oferecia no ciclo básico, associada a outro componente curricular, com média de 53 horas. Os cursos da Região Sul ofereciam o componente curricular em maior porcentagem e com maior número de horas. Conclusão: O ensino da bioética, a despeito de sua importância, ainda não é ofertado por todos os cursos de Medicina do Brasil, contrariando as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ministério da Educação e as recomendações da Unesco.

O ensino de cuidados de saúde no Brasil entre os séculos XVI e XIX

PID: S1981-52712024000200802 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Baroneza Venosa Fernandes
Resumo Introdução: Entre os anos de 1500 e 1822, o Brasil esteve sob o domínio colonial de Portugal, e apenas em 1808 as duas primeiras escolas oficiais de Medicina foram abertas em seu território. Por mais de três séculos após o descobrimento, a falta de instituições locais para formar profissionais de saúde foi um problema diante de uma população vulnerável tanto às doenças tropicais quanto às enfermidades importadas. Nesse contexto, predominava a disseminação de conhecimentos, crenças e práticas dos padres jesuítas, pajés indígenas e africanos escravizados, frequentemente com perspectivas conflitantes. Desenvolvimento: Este ensaio tem como objetivos abordar o ensino dos cuidados de saúde no Brasil colonial e refletir sobre esse período histórico e suas influências para a formação de médicos no país. Conclusão: A educação médica tem enfrentado atualmente muitos desafios, e entendemos que os avanços pedagógicos, científicos e tecnológicos devem ser adotados, sem desconsiderar os contextos histórico e cultural, e a pluralidade da população e do sistema de saúde nacional. Mais de 500 anos se passaram desde a chegada dos portugueses, e ainda hoje o Brasil continua sendo um país com complexidades territorial, étnica, cultural, econômica e religiosa ímpares.

O ensino de cuidados paliativos nas faculdades de Medicina de Salvador, Brasil: análise documental

PID: S1981-52712024000300213 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Carvalho Silva Silva
RESUMO Introdução: Cuidados paliativos são práticas multidisciplinares que visam promover qualidade de vida em condições de saúde crônicas, degenerativas e que ameacem a vida. A homologação do Parecer nº 265/2022 incluiu cuidados paliativos nas Diretrizes Curriculares Nacionais da graduação em Medicina. No entanto, muitas faculdades ainda não adaptaram seus currículos para contemplar essas competências. Diante desse contexto, questiona-se como é realizado o ensino de cuidados paliativos nas escolas de Medicina de Salvador, na Bahia. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar evidências documentais do ensino de cuidados paliativos nas escolas de Medicina de Salvador. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, exploratório, por análise documental. O corpus é composto pelas matrizes curriculares, pelas ementas das disciplinas e pelo currículo do corpo docente das seis escolas de Medicina de Salvador. A coleta de dados foi realizada entre dezembro de 2022 e maio de 2023. Nas matrizes curriculares, foi investigada a presença de componente curricular específico para cuidados paliativos, sua carga horária e metodologia. No corpo docente, analisou-se a presença de profissionais qualificados na área. Nas ementas, verificou-se a presença de temas centrais dos cuidados paliativos, estabelecidos por categorias a priori e sua carga horária. Resultado: Apenas um dos seis cursos de Medicina apresenta um componente curricular específico para o ensino de cuidados paliativos, de metodologia teórica e carga horária de 30 horas. Foi obtida informação do corpo docente de três escolas, das quais somente duas possuem profissionais especializados em cuidados paliativos. Nas ementas, “habilidades de comunicação” foi a categoria com mais unidades de registro (UR), “Conceitos em cuidados paliativos” teve o terceiro maior número de UR e “Avaliação e manejo de sintomas dolorosos” teve o menor número de UR. Conclusão: Podem-se perceber lacunas importantes no ensino médico em Salvador, com a ausência de componente curricular específico sobre cuidados paliativos na maioria das escolas. Foram percebidas deficiências na exposição de temas como manejo de sintomas dolorosos, critérios de elegibilidade para cuidados paliativos, áreas de atuação e comunicação de más notícias. Entretanto, a valorização do debate dos conceitos e princípios dos cuidados paliativos é uma boa oportunidade para adaptar o currículo às novas Diretrizes Curriculares Nacionais.

O que é Residência Médica em Rede?

PID: S1981-52712024000200803 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Generoso Rossi Mazaferro
RESUMO Introdução: A Residência Médica em Rede é um novo modelo de formação de médicos especialistas que visa expandir o treinamento médico tradicional, particularmente nas redes de atenção à saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Embora legalmente respaldada, carece de regulamentação específica e definição precisa. Desenvolvimento: Um programa em rede, a nosso ver, opera nas redes temáticas do SUS, é coordenado por uma instituição pública, desenvolvido em cidades com mais de 50 mil habitantes, aprovado pela Comissão Nacional de Residência Médica e tem um programa de educação permanente para preceptores. Os desafios incluem padronização de conteúdo, treinamento contínuo de preceptores e um projeto andragógico sólido. O perfil de competências requer não só habilidades médicas, mas também de gestão, trabalho em equipe, conhecimento profundo do SUS e de atenção primária. Barreiras incluem a coordenação de cenários distintos e avaliações apropriadas. Conclusão: O sucesso do modelo exige regulamentação precisa, padronização e integração efetiva para formar especialistas alinhados com o SUS.

O uso da gamificação no ensino da fisiologia renal

PID: S1981-52712024000400222 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Parahyba Júnior Martins Weyne Nogueira Ponte Marques Silva
RESUMO Introdução: O modelo tradicional de ensino em que o professor é o mentor do processo educativo, tendo enfoque em extensas aulas expositivas, ainda é bastante predominante nas instituições de ensino de diferentes níveis de escolaridade. Esse cenário pode ser considerado incongruente com a nova era tecnológica e o novo modo de pensar. Em contrapartida, a gamificação é uma metodologia ativa que visa tornar o aluno o centro do aprendizado, a fim de aumentar o interesse dele e melhorar a absorção do conteúdo. Objetivo: O presente estudo visa analisar a percepção de alunos do segundo semestre de um curso de Medicina sobre a utilização de um jogo que contempla os principais conceitos da fisiologia renal. Método: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo prospectivo. A atividade consistiu em uma dinâmica que usou um jogo de tabuleiro com cartas sobre a fisiologia renal para 104 alunos. Em seguida, foi aplicado um questionário com 11 perguntas, majoritariamente objetivas, cujas principais variáveis investigadas foram a experiência prévia com a gamificação, a adequação da duração da aula prática, como os discentes avaliaram o uso da gamificação da aula prática, entre outras. Resultado: Os resultados mostraram que a maioria dos alunos afirmou ser esse tipo de metodologia estimulante (93,3%) e que auxilia no estudo dos assuntos propostos (94,2%), consolidando os temas já vistos em sala de aula pelo método tradicional. Também foi pontuado pelos estudantes que a melhor maneira de assimilar o conteúdo seria adicionar a gamificação, após o método tradicional de exposição dialogada (61,5%). Quando questionados sobre a percepção do uso de gamificação nas aulas práticas, a maioria a classificou como ótima (65,4%) ou boa (30,8%). Conclusão: Diante dos resultados expostos, pode-se concluir que a gamificação se mostrou uma excelente aliada à aula teórica tradicional, servindo como mecanismo de sedimentação e aumento de interesse para os discentes.

Os impactos da comunicação inadequada na relação médico-paciente

PID: S1981-52712024000100205 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Defante Monteiro Silva Santos Leonardo
Resumo: Introdução: Como um componente substancial na relação médico-paciente, a comunicação pode ser determinante na construção da hipótese diagnóstica e na adesão ao tratamento por parte do paciente, e, por isso, há a necessidade de compreender os fatores que influenciam no processo comunicativo e descrever a efetividade dele. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar os impactos da comunicação inadequada na relação médico-paciente. Método: Vinte e três pacientes voluntários com a maioridade atingida preencheram questionários de informações socioeconômicas, uso da linguagem e impressões da consulta médica. O médico preencheu um questionário sobre a experiência da consulta. Resultado: Os resultados indicaram que os pacientes apresentaram alguma dificuldade em comunicar ao médico o que sentiam, e, de modo complementar, os médicos, em 20% dos casos, tiveram algum grau de dificuldade de chegar à hipótese diagnóstica a partir do relato do paciente, o que se relaciona com a linguagem pouco descritiva utilizada pela maior parte dos pacientes. Conclusão: Dada a necessidade da qualidade da comunicação entre o médico e o paciente, conhecer os fatores que impactam o processo comunicativo é o primeiro passo para a garantia de um atendimento eficaz com autonomia do paciente e maior adesão ao plano terapêutico.

Os privilégios reproduzidos pelo elitismo no ensino da medicina: uma revisão integrativa de literatura

PID: S1981-52712024000400303 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Fujii Moraes Nobre Fredrich Sanches
RESUMO Introdução: O elitismo no ensino da medicina é um fenômeno histórico. Desde as universidades europeias da Idade Média, o ensino da medicina tornou-se um monopólio da elite. No Brasil, a elitização do conhecimento médico ocorreu com a vinda da família real em 1808, reforçando o papel dos médicos como protagonistas da saúde, enquanto práticas curativas populares foram desvalorizadas. Nos Estados Unidos, Abraham Flexner influenciou o ensino médico mundial com um modelo elitizado baseado na lógica biomédica. Objetivo: Este estudo teve como objetivos compreender os fatores que reproduzem o contexto elitista no ensino da medicina, investigar como esses aspectos influenciam a exclusão de determinados grupos sociais no meio médico e apontar caminhos para a discussão e o enfrentamento do problema. Método: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura realizada a partir de 14 artigos selecionados entre 182, publicados no período de 2012 a 2022 e filtrados das bases de dados PubMed, SciELO, Lilacs, Web of Science e Scopus. Resultado: Percebem-se semelhanças entre o grupo privilegiado na medicina, formado por homens, brancos, heterossexuais e cisgênero, de condição socioeconômica favorável, em comparação ao grupo sistematicamente marginalizado de mulheres pertencentes a minorias étnico-raciais, de baixa classe socioeconômica e/ou parte da população LGBTQIA+. Essa coincidência tem bases históricas e econômicas que refletem uma estrutura maior, que distribui privilégios partindo dos critérios de raça, gênero, classe social e orientação sexual. Entre os processos históricos que reproduzem esse padrão, cita-se o processo de colonização de países como o Brasil, marcado pela exploração, pelo apagamento e pela imposição de uma cultura e ciência médica balizada por um padrão europeu; o racismo e machismo que, como ideologias, continuam sendo critérios para a distribuição de privilégios na sociedade de classes; e a heterocisnormatividade, que também atua excluindo corpos e orientações sexuais e produção de conhecimentos e práticas de cuidado em saúde. Conclusão: Epistemologias críticas como as presentes no pensamento interseccional do feminismo negro e na colonialidade do poder de Aníbal Quijano e Audre Lorde apresentam-se como caminhos à ruptura dessa norma, propiciando o questionamento de suas raízes para a organização de lutas coletivas e formas de produção de conhecimento que venham ao encontro dos interesses dos grupos historicamente oprimidos.

Percepção de alunos ingressantes de Medicina sobre o aprendizado durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712024000200206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Dourado-Maranhão Cunha
RESUMO Introdução: No ano de 2019, com o surgimento pandemia pelo coronavírus, o mundo teve que se adaptar e utilizar medidas de distanciamento social visando ao controle da disseminação do vírus. Um dos setores que sofreram maior impacto com essas medidas foi a educação que precisou se adaptar ao ensino remoto emergencial. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender a percepção dos alunos de um curso de Medicina sobre o próprio aprendizado durante o período da pandemia pela Covid-19. Método: Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, de abordagem qualitativa. O referencial teórico foi o interacionismo simbólico. O estudo foi realizado em uma instituição de ensino superior privada do Distrito Federal. Participaram do estudo 14 alunos do terceiro ano da graduação em Medicina de turmas que tiveram a oportunidade de cursar períodos da graduação por meio do ensino remoto emergencial. Os dados foram coletados por meio de entrevista gravada, na modalidade grupo focal, e analisados por meio da análise temática indutiva. Respeitaram-se todos os conceitos éticos da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Resultado: A análise dos discursos resultou em três categorias temáticas que exploram a percepção dos estudantes sobre o aprendizado. A primeira categoria, “Vivendo como se fosse em um balão de ensaio”, aborda as mudanças vivenciadas pelos alunos no ingresso na faculdade, com sentimentos de medo, insegurança e falta de motivação devido ao estresse da pandemia. A segunda categoria, “Sentindo-se isolados e desolados”, observou a percepção do adoecimento mental e a falta de apoio dos colegas, dos professores e da instituição, influenciando no desempenho e aprendizado dos alunos. A terceira categoria, “Lidando com erros e acertos”, identificou a percepção dos resultados do aprendizado durante e após a pandemia, destacando o impacto no déficit de conhecimento e a necessidade de adaptação no retorno ao ensino presencial. Conclusão: O ensino remoto emergencial trouxe drásticas mudanças no ensino médico. Entender essas mudanças e compreender a percepção dos alunos sobre o aprendizado nesse período nos permite reconhecer os desafios enfrentados, entender a necessidade de suporte emocional adequado e pensar em estratégias de aprendizado eficazes para superar essas e outras adversidades.

Percepção de pacientes sobre a imagem profissional na assistência médica: reflexões para a educação médica

PID: S1981-52712024000400217 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Silva Marcussi Angonese Bordignon
RESUMO Introdução: Os estudos brasileiros sobre comunicação não verbal e seu possível impacto na relação entre profissionais de saúde e pacientes ainda são incipientes na literatura científica. A maioria dos estudos é de outros países que não o Brasil. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar a relação que as pessoas estabelecem entre estilos de vestimenta utilizados por médicos e os diferentes perfis ou habilidades profissionais, assim como conhecer a maneira como se sentem em relação a determinados aspectos de aparência desses profissionais. Método: Trata-se de um estudo com desenho transversal do qual participaram 160 indivíduos atendidos em um serviço público especializado de saúde do estado do Paraná, no Brasil. Os dados sociodemográficos e a maneira como os participantes percebem aspectos relacionados à aparência dos médicos foram coletados por meio de um questionário estruturado e analisados com recursos da estatística descritiva e inferencial. Resultado: A amostra foi composta principalmente por mulheres (70%). Os participantes demonstraram em geral preferência por vestimentas que incluíram o jaleco branco, sendo “formal com jaleco branco”, “pijama privativo com jaleco branco” e “casual com jaleco branco” os estilos mais indicados quando consultados sobre a vestimenta a ser utilizada pelo médico. Os aspectos de aparência que mais geraram incômodo com relação aos profissionais do sexo masculino foram: roupa suja e amassada, e uso de bermuda. Entre médicas mulheres, os participantes indicaram incômodo principalmente com os seguintes aspectos de aparência: roupa suja e amassada, blusa mostrando a barriga, shorts e vestido curto. Conclusão: Os estilos de vestimenta que incluíram jaleco branco foram os mais preferidos em geral, mas há resultados conforme situações específicas que devem ser considerados. Roupa suja e amassada foi o aspecto que mais gerou incômodo para profissionais de ambos os sexos.

Percepções de usuárias do ambulatório ginecológico sobre o atendimento em um hospital universitário

PID: S1981-52712024000100204 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Arantes Costa
Resumo: Introdução: A graduação no curso de Medicina se dá por meio de uma formação teórico-prática que tem nos hospitais universitários o seu principal cenário de práticas. Nas consultas que envolvem questões da intimidade do paciente, o constrangimento é uma possibilidade. Isso pode comprometer a qualidade da assistência e/ou da formação médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar os aspectos psicoafetivos da consulta ginecológica, a partir da percepção das pacientes, de modo a encontrar elementos que possam favorecer a adequação da formação médica à humanização do atendimento. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal, de abordagem qualitativa, realizado no ambulatório de ginecologia de um hospital universitário. Foram incluídas as usuárias do ambulatório que estavam na sala de espera para atendimento ginecológico, configurando-se como uma amostra por acessibilidade. A coleta de dados se deu entre os meses de fevereiro e agosto de 2021, por meio de uma entrevista semiestruturada com perguntas norteadoras previamente elaboradas. Realizaram-se 50 entrevistas, cujos discursos foram posteriormente transcritos e analisados pelo software IRaMuTeQ. Resultado: Sob a perspectiva das pacientes, o momento da consulta ginecológica envolve duas esferas de interesse principais: a assistência médico-ginecológica dada a elas e o ensino-aprendizado destinado aos estudantes. A partir dessa divisão, emergem duas perspectivas: aquela que parte da demanda pessoal, e a que considera o interesse do outro (o estudante). Nos discursos sobre a assistência ginecológica, as falas concentram o olhar para si, para o constrangimento vivenciado durante a assistência. Já nos discursos sobre o ensino e a aprendizagem dos estudantes, as falas referem-se, em sua maioria, ao reconhecimento da importância da prática clínica na formação médica. Dessa forma, ocorre uma intersecção entre “a assistência fornecida a mim” e o “processo de ensino-aprendizagem do outro”. O constrangimento das pacientes parece ser superado em favor de um objetivo maior: contribuir para a formação de futuros médicos. Conclusão: Apesar do constrangimento experimentado na consulta ginecológica em ambiente acadêmico, a compreensão das usuárias acerca da sua contribuição para a formação médica promove um posicionamento colaborativo, revelando-se como elemento facilitador da assistência nesse cenário. Foi revelada também uma atenuação do constrangimento proporcional à experiência da mulher nesse tipo de atendimento.

Perfil do estudante e fatores que influenciam o interesse pela medicina de família e comunidade

PID: S1981-52712024000200209 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Costa Santos Júnior Reis
RESUMO Introdução: A medicina de família e comunidade (MFC) apresenta-se como uma carreira médica de importância social, porém seu crescimento nas regiões do Brasil ainda é pouco representativo, sendo necessário identificar os fatores que influenciam o estudante do curso de Medicina na escolha dessa carreira profissional. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar fatores que influenciam o interesse pela residência em MFC pelos alunos do internato do curso de Medicina. Método: Trata-se de um estudo transversal, descritivo, de análise quantitativa, realizado com os alunos matriculados nos estágios do penúltimo e último anos dos cursos de Medicina de uma capital brasileira. Resultado: Participaram da pesquisa 229 estudantes matriculados no internato de Medicina. Aqueles que demonstraram interesse pela MFC eram, em sua maioria, jovens, de ambos os gêneros, na faixa etária entre 26 e 35 anos, casados, com filhos e renda familiar menor que cinco salários mínimos. Duas variáveis estiveram associadas à opção pela MFC: a faixa etária e a avaliação positiva acerca da especialidade. Conclusão: Compreender os fatores que influenciam na escolha da MFC pode contribuir para aprimorar a formação médica, alinhando as preferências dos estudantes com as necessidades da sociedade e do Sistema Único de Saúde.

Preceptor: o profissional de saúde-educador do século XXI

PID: S1981-52712024000200801 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Botti Rego
Resumo Introdução: É fato que os avanços pedagógicos na formação profissional em saúde não resultaram em melhor qualidade do cuidado, entretanto o trabalho em saúde como fonte para a formação e para a conscientização do preceptor como profissional de saúde-educador aparece como um caminho. Desenvolvimento: Tendo como base o envolvimento nas atividades cotidianas do trabalho, o preceptor oferece oportunidades de ensinagem; planeja, controla e guia o processo; estimula o raciocínio e a postura ativa do aluno; realiza procedimentos técnicos; modera a discussão de casos; observa, avalia o aluno executando suas atividades e analisa o seu desempenho; aconselha e cuida do crescimento profissional e pessoal do acadêmico; colabora na identificação de problemas éticos e em suas possíveis soluções; e estabelece os limites e cria possibilidades do uso da inteligência artificial. Conclusão: O preceptor - docente-clínico - transforma o ambiente de trabalho em momentos educacionais propícios, objetivando oferecer melhor cuidado à saúde da população.

Preceptoria em residência médica: uma avaliação sob a perspectiva dos preceptores

PID: S1981-52712024000400212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Ruiz
RESUMO Introdução: O papel do preceptor, no contexto da residência médica, é crucial para a formação qualificada de profissionais e especialistas em suas áreas de atuação, sendo necessárias competências clínicas e pedagógicas e a compreensão de suas atribuições e objetivos a serem alcançados na interação de ensino-aprendizado com os residentes. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a percepção dos preceptores da residência médica a respeito de seu papel nas atividades de ensino, conhecer o perfil sociodemográfico dos preceptores e identificar tópicos a serem melhorados na prática da preceptoria. Método: Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa e quantitativa, em que foram incluídos os preceptores dos programas de residência médica de pediatria, neonatologia, terapia intensiva pediátrica e ginecologia-obstetrícia. Por meio de um questionário estruturado e validado na literatura, avaliaram-se cinco domínios relacionados à prática pedagógica; além disso, três perguntas abertas tiveram como objetivo obter a opinião do preceptor sobre a preceptoria, pontos positivos e pontos a serem melhorados em sua prática. Na análise, utilizaram-se estatística descritiva e porcentagens de percepções positivas e negativas, de acordo com as respostas ao questionário estruturado. Para a análise das perguntas abertas, adotou-se a técnica de categorização. Resultado: Houve predomínio de percepções positivas nos domínios referentes à competência pedagógica, interação ensino-serviço e presença do residente no campo de prática, enquanto as percepções negativas concentraram-se nos domínios referentes aos recursos e ao suporte educacional, e ao planejamento do programa educacional. A análise qualitativa evidenciou a consciência dos preceptores a respeito do seu papel, em que se destacaram como pontos positivos o estímulo à atualização constante e a satisfação pessoal e profissional; como pontos a serem melhorados, prevaleceram a necessidade de maior espaço participativo no planejamento, o desenvolvimento de pesquisa com os residentes e a importância de formalização da função de preceptor nas instituições, corroborando as percepções obtidas nas questões estruturadas. Conclusão: O papel do preceptor é fundamental para a boa formação do médico especialista no contexto dos programas de residência médica, de modo a integrar excelência técnica na especialidade e expertise pedagógica, e favorecer a aprendizagem significativa. Capacitar os preceptores, a fim de qualificá-los pedagogicamente e permitir que eles busquem o reconhecimento de sua atuação, poderá melhorar a formação do médico especialista e a assistência à saúde.

Prevalência de depressão entre estudantes de Medicina em universidade de Goiás

PID: S1981-52712024000200210 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Oliveira Stahnke Horta Costa
RESUMO Introdução: Depressão é uma designação sindrômica que pode compreender um amplo espectro de quadros clínicos, mas que tem despertado interesse acadêmico tanto por sua prevalência quanto pelo investimento em dispositivos terapêuticos. O Brasil lidera, na América Latina, o ranking de pessoas com depressão em termos absolutos e relativos, e, no mundo, está entre as nações com a maior prevalência de condições clínicas designadas como depressão (5,9% do total ou cerca de 11,5 milhões de pessoas). Objetivo: Este estudo teve como objetivo determinar a prevalência de depressão e condições associadas entre estudantes dos cursos de Medicina da Universidade de Rio Verde, no estado de Goiás. Métodos: Trata-se de um Estudo transversal realizado na Universidade de Rio Verde com estudantes de Medicina. Realizou a coleta de dados mediante instrumento autoaplicável, cujo desfecho foi o diagnóstico médico referido de depressão. Realizaram-se análises bruta e ajustada por meio da regressão de Poisson. Resultado: Dos 1.609 participantes do estudo, 334 (20,8%; IC95% 18,8; 22,7) apresentaram depressão. Na análise ajustada, permaneceram associados sexo feminino, idades acima de 20 anos, baixo apoio social, fumantes e autopercepção de saúde classificada como razoável e ruim. Conclusão: A prevalência de depressão foi elevada, apontando para o sofrimento mental entre estudantes dos cursos de Medicina, sendo importante que as escolas conheçam essa realidade. A variável associada ao desfecho passível de modificação foi apoio social, indicando a importância da implantação de estratégias que minimizem o problema e a elaboração de políticas com aconselhamento educacional e apoio psicológico para os alunos.

Prevalência e fatores preditores do ‘Fear of Missing Out’ entre acadêmicos de Medicina durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712024000300211 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Seabra Oliveira Silva Freitas
RESUMO Introdução: O uso indiscriminado das redes sociais está intimamente relacionado à ansiedade social, incluindo o Fear of Missing Out (FoMO), expressão em inglês que significa “medo de ficar de fora”. Esse fenômeno é definido como uma apreensão duradoura de que os outros podem estar tendo experiências gratificantes das quais o usuário está ausente, e o FoMO pode ser intensificado em situações específicas, como o caso da pandemia da Covid-19. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a prevalência e os fatores preditores do FoMO em acadêmicos de Medicina de uma universidade pública federal da Amazônia Legal durante a pandemia da Covid-19. Método: Trata-se de um estudo analítico, com delineamento transversal e abordagem quantitativa. Os dados foram obtidos por meio de um questionário online, disponibilizado aos participantes do estudo por meio do Google Forms®. Esse questionário abordava características sociodemográficas, econômicas, acadêmicas, hábitos de vida e estado de saúde. Para avaliação do FoMO, foi aplicada a Fear of Missing Out Scale. Para análise estatística, realizou-se análise multivariada, e calcularam-se as razões de prevalência (RP) brutas e ajustadas e o intervalo de confiança de 95% (IC95%), sendo adotado, para o modelo final ajustado, o nível de significância de 5% (p < 0,05). Resultado: Participaram do estudo 185 acadêmicos, dos quais 42,2% apresentaram FoMO durante a pandemia da Covid-19. Entre os fatores preditores do FoMO, estão residir em república de estudantes [RP 1,66 (IC95% 1,03-2,54); p = 0,037] e presença de sintomas de depressão durante a pandemia da Covid-19 [RP 2,03 (IC95% 1,27-3,25); p = 0,003]. Conclusão: A prevalência do FoMO em acadêmicos de Medicina da instituição investigada foi elevada, e fatores sociodemográficos e estado de saúde se mantiveram associados ao desfecho investigado. Esses achados apontam para a necessidade da implementação de estratégias de suporte emocional e promoção da saúde e do bem-estar dos acadêmicos de Medicina, contribuindo para uma abordagem mais holística e saudável na formação dos futuros profissionais médicos, sobretudo nas universidades públicas.

Programas de formação docente em saúde: potencialidades e fragilidades

PID: S1981-52712024000300212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Moraes Costa
RESUMO Introdução: Os docentes da área da saúde em geral não apresentam uma base sólida de conhecimento didático-pedagógico. Na tentativa de preencher essa lacuna e promover formação permanente, algumas instituições de ensino superior têm ofertado programas de formação docente (FD). Objetivo: O objetivo deste trabalho foi compreender as potencialidades e fragilidades dos programas de FD existentes em instituições públicas de ensino superior na área da saúde no Brasil. Método: Realizou-se uma pesquisa social exploratória de abordagem qualitativa, com aplicação de entrevistas semiestruturadas a professores e/ou coordenadores dos programas de FD das instituições de ensino superior públicas federais e estaduais brasileiras. As entrevistas foram gravadas, transcritas e submetidas à análise de conteúdo na modalidade temática. Resultado: Em relação às potencialidades, observaram-se mudanças na concepção do fazer/ser docente, como planejamento, execução e avaliação das aulas, ampliação do tripé ensino-pesquisa-extensão e maior apoio institucional para a FD, como a inserção de eventos científicos e desenvolvimento de pesquisas nessa temática. Quanto às fragilidades, ressaltaram-se a falta de tempo e/ou gerenciamento das atividades docentes, a desvalorização das atividades de ensino, o desconhecimento das necessidades dos professores e a resistência docente às mudanças. Conclusão: As potencialidades e fragilidades encontradas nos programas de FD pesquisados ainda não apresentam propostas sólidas e contínuas para apoiar a prática docente, e, por isso, são imprescindíveis a implementação, o fortalecimento e o comprometimento das atividades de FD nas universidades públicas.

Projeto “Histologia sem Artefato” contribui de forma efetiva para o aprendizado significativo dos discentes

PID: S1981-52712024000400215 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Hochuli Panatta Leitão Rabelo Costa Savi-Bortolotto Bortolotto Felipetti
RESUMO Introdução: Histologia é o estudo das células e dos tecidos biológicos que compõem os seres vivos. Apesar de sua fundamental importância, a histologia ainda é um campo de difícil compreensão para uma parcela considerável dos estudantes, e, por consequência, a aprendizagem de outras ciências correlatas também fica prejudicada. Objetivo: O presente estudo se dispôs a elaborar materiais didáticos de histologia, utilizá-los como facilitadores do processo ensino-aprendizagem e avaliar a percepção dos discentes da Universidade Federal de Santa Catarina acerca das ferramentas desenvolvidas. Método: Os materiais didáticos elaborados foram: apostila, banco de imagens, banco de casos clínicos e banco de mapas mentais. Para elaborá-los, utilizou-se o software Microsoft PowerPoint 2019. A exceção a essa forma de criação se deu somente com o banco de mapas mentais, o qual foi produzido com o aplicativo de mapeamento mental MindMeisteir. Distribuíram-se os materiais aos discentes que avaliaram suas contribuições para o aprendizado em histologia por meio de um questionário anônimo no formato Likert. Os dados foram compilados em tabelas utilizando o Microsoft Excel 2019 e analisados por meio de estatística descritiva. Resultado: Os materiais desenvolvidos pelo projeto foram avaliados majoritariamente como “bons”. Quanto à frequência de uso dos materiais, obteve-se as seguintes respostas: “quase sempre” ou “sempre”. A tendência da maioria dos voluntários foi concordar completamente, para todos os documentos avaliados, de que houve um impacto positivo do material no entendimento de histologia. Conclusão: O desenvolvimento de materiais pelo projeto “Histologia sem Artefato” auxiliou na construção de conhecimento dos alunos na grande área de histologia.

Pôster como estratégia de aprendizado na disciplina de humanidades: contribuições para a formação do médico

PID: S1981-52712024000300203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Correa Moura
RESUMO Introdução: Com a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, houve a reformulação do currículo médico sob uma perspectiva biopsicossocial. Para atender a essa demanda no âmbito acadêmico, o componente de humanidades médicas (HM) foi delineado para estimular reflexões interdisciplinares de cunho ético-humanista. A proposta é potencializada com o desenvolvimento de estratégias educacionais capazes de garantir a execução da disciplina no contexto das metodologias ativas. Nessa perspectiva, no ano de 2020, devido à pandemia da Covid-19, o formato tradicional de aulas presenciais necessitou de adaptação para o ensino remoto, o que suscitou a concepção e proposta de adoção de pôster criativo como recurso metodológico. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as possíveis contribuições da produção do pôster criativo para o aprendizado e processo de formação do médico, no contexto da disciplina de HM. Método: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa de viés exploratório-descritivo. A coleta foi realizada mediante entrevista individual semiestruturada, por meio virtual, no período de agosto a novembro de 2022. Após a transcrição, utilizou-se a análise de conteúdo temática desenvolvida por Bardin para auxiliar na análise dos relatos transcritos e na elaboração de unidades temáticas. A interpretação seguiu referenciais teóricos interdisciplinares do campo da saúde e componentes da disciplina de HM. Resultado: No total, 20 acadêmicos de uma universidade pública do estado do Pará compuseram a amostra deste estudo. A partir da organização e leitura das transcrições, emergiram as seguintes categorias: experiência no ensino presencial; experiência no ensino remoto; processo de elaboração do pôster; arte e humanidades médicas; contribuições da disciplina e do pôster. Conclusão: O uso da ferramenta pôster destaca o papel dos acadêmicos como protagonistas do seu aprendizado no recorte de HM. A maioria referiu o uso do pôster como elemento potencializador para a reflexão proposta pela disciplina, favorecido pela mediação da arte, em diversas modalidades de expressão. Houve a oportunidade de os acadêmicos exporem seus sentimentos e compreensões acerca de temáticas sensíveis à formação médica.

Qualidade da residência médica na perspectiva das partes interessadas: revisão de escopo e painel Delphi

PID: S1981-52712024000300304 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2024
Autores: Miranda Cunha Barbosa Balarini Pinto Afonso
RESUMO Introdução: Embora na literatura médica existam diversas métricas para avaliar a qualidade dos programas de residência, os instrumentos avaliativos tendem a focar as dimensões dos residentes e preceptores. Isso negligencia uma ampla gama de partes interessadas (stakeholders), cujas perspectivas são fundamentais para uma compreensão holística da qualidade dos programas. Objetivo: Diante desse contexto, esta revisão teve como objetivos mapear os principais stakeholders envolvidos na residência médica, identificar e categorizar as métricas de avaliação da qualidade dos programas mais prevalentes na literatura, e analisar a sua relevância em relação às perspectivas das partes interessadas. Método: Inicialmente, foi realizada uma revisão de escopo da literatura para identificar e categorizar os stakeholders, além de mapear as métricas de qualidade. Posteriormente, um painel Delphi foi conduzido para analisar a relevância dessas métricas em relação às perspectivas das partes interessadas identificadas. Resultado: Foram mapeados 14 stakeholders e identificadas 17 métricas, posteriormente divididas em quatro categorias principais. As métricas “adaptabilidade” e “bem-estar” se destacaram, sendo unanimemente reconhecidas por todos os stakeholders como “favorável” ou “altamente favorável”. Por sua vez, “autoavaliação” e “satisfação do paciente” receberam avaliações mais cautelosas ou negativas. Os painelistas enfatizaram que “nenhuma métrica é capaz de fornecer individualmente uma avaliação precisa da qualidade de um programa de residência médica”. Conclusão: Ao mapear os stakeholders da residência médica, bem como identificar, categorizar e analisar as métricas de avaliação da qualidade mais prevalentes, este estudo ampliou o debate sobre a complexidade das perspectivas em torno da formação médica. A diversidade de atores envolvidos justifica valorizações distintas das várias dimensões da qualidade, reforçando a conclusão de que métricas isoladas não capturam integralmente a qualidade dos programas. Na prática, os resultados sublinham a importância da implementação de sistemas de avaliação da qualidade que sejam equilibrados e alinhados com as expectativas e necessidades dos principais stakeholders.
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