POLÍTICA NACIONAL DE ALFABETIZAÇÃO: disputas pelo controle da formação para padronizar a docência
PID: S2237-94602024000100244 |
Periódico: Revista Exitus (2237-9460) |
Ano: 2024
Autores: Figueiredo
RESUMO Orientado por perspectivas pós-estruturais de currículo (Lopes, 2016; 2018a; 2018b; Macedo, 2011; 2012) e pela Teoria Política do Discurso (Laclau, 2000), o artigo tenciona problematizar a hegemonia de um discurso que significa as propostas curriculares de formação de professores como garantia da produção curricular docente em alfabetização. Tem como foco a Política Nacional de Alfabetização - PNA (Brasil, 2019b; 2019c), compartilhando uma interpretação das condições de possibilidade de sedimentação de um discurso (Laclau, 2000) que atribui à falta do conhecimento do professor - no caso da PNA, das evidências científicas produzidas pela ciência cognitiva da leitura - a totalidade dos problemas de aprendizagem em alfabetização expressos nos resultados das avaliações nacionais. Problematiza uma formação discursiva que coloca em relações transparentes a produção curricular docente, reduzida ao ensino, e os resultados de avaliação em alfabetização tomados como expressão de aprendizagem. O que se pretende é problematizar os sentidos endereçados por essa formação discursiva: à formação de professores, entendida como lugar de preenchimento dessa falta; ao professor, significado como principal agente da política curricular de alfabetização para alcance das demandas pela aprendizagem, pelo avanço da trajetória escolar e pela permanência na escola; à produção curricular docente em alfabetização, reduzida a lugar de ensino de um conhecimento para fazer aprender a ler e a escrever. O artigo traz algumas problematizações, compartilhando outras possibilidades de significar a produção curricular docente que são expulsas dessa formação discursiva.