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CENAS ANTIDEMOCRÁTICAS: manifestações neoliberais e neoconservadoras nos currículos escolares

PID: S1982-03052024000400103 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Santos Segat Caetano
Resumo O artigo objetiva investigar as expressões da aliança entre neoliberalismo e neoconservadorismo nos debates sobre as políticas curriculares da educação básica. Para isso, a partir de pesquisa bibliográfica, buscamos, em um primeiro momento, explorar meandros dessas racionalidades e suas alianças, pensando em como reverberam no campo da educação. Como destaque, apresentamos os projetos ligados ao homeschooling e à militarização das escolas. Após, por meio de uma abordagem qualitativa e fazendo uso da metodologia de pesquisa narrativa, compartilhamos duas cenas do cotidiano escolar, vivenciadas por professoras/es da educação básica. A partir disso, propomo-nos a problematizar como os projetos neoliberal e neoconservador se expressam nas disputas em torno dos currículos. A partir de uma perspectiva pós-crítica e dos estudos nosdoscom os cotidianos, apresentamos uma concepção de currículo que extrapola os documentos e políticas formais. Os currículos são, assim, articulados como território de disputas, que são praticados nos cotidianos em que convivem diferentes culturas e redes formativas. Observamos que tais projetos estão cada vez mais presentes, afetando os cotidianos das escolas. No entanto, as/os praticantes, nesse espaçotempo, por meio de táticas, vão criando resistências ao que se tenta ali instituir.

CLAUDIO ULPIANO: a docência como obra

PID: S1982-03052024000100438 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Marques
Resumo O presente ensaio discute a docência como obra em Claudio Ulpiano (Rio de Janeiro, 1932 - 1999). Para tal, considera o material publicizado das e sobre as aulas - relatos de ex-alunos/as, depoimentos de participantes dos encontros, textos, vídeos, sites, áudios - que possa revelar uma forma de ensinar filosofia característica desse professor. Defende a hipótese de que o acontecimento-aula dinamiza o conceito e, portanto, que o exercício da docência em Ulpiano se constitui como obra reverberada na presença. No devir da ação e da palavra, o encontro/aula possibilita uma extensão com e além do conteúdo partilhado, com e além do espaço-tempo de sua realização. Tomada como obra, a realização da docência viabiliza um legado passível de ser disseminado, continuado e transformado. Assim, da experiência de ensino em Claudio Ulpiano, discorre sobre a busca didática por conjugar inteligência e intuição, razão e emoção, conteúdo e experiência de mundo. Conclui-se com a defesa da obra de docência como indispensável à experiência acadêmica.

COMBATENDO A SUBVERSÃO EM NOME DA PÁTRIA, DE DEUS E DA FAMÍLIA: ações e representações em torno de jovens e drogas na ditadura militar

PID: S1982-03052024000400306 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Magaldi Silva
Resumo A sociedade brasileira vivia um cenário promissor em termos políticos e educacionais no início dos anos 1960, com projetos comprometidos com a educação pública e a construção da vida social em bases democráticas. A ditadura militar interrompe esse processo, com progressivo fechamento político, restrições ao estado democrático e perseguição aos opositores. Entre estes são tomados os jovens e a contracultura e símbolos deste movimento são atacados, como as drogas psicodélicas. Este trabalho busca observar como setores da sociedade, entre os quais uma associação de mulheres católicas e veículos da imprensa carioca, se mobilizam na conformação da juventude brasileira, e no combate à “subversão” identificada à mesma em nome dos valores do novo regime, focalizando ainda ações conduzidas pelo Estado na mesma direção. Dialogando com estudos de Rosa de Olmo, Júlio Delmanto e Antonio Maurício Freitas Brito, entre outros, e operando com o conceito de representação na perspectiva de Roger Chartier, essa pesquisa histórica toma como marcos temporais os anos 1960-70 no Brasil e está baseada em diferentes tipos de fontes, como jornais, arquivos de associações, leis e decretos, relatórios estatísticos e outros. Como resultado, entendemos que a educação é arrolada enquanto aparato institucional para controle e adestramento da juventude.

COMPONDO CURRÍCULOS NÔMADES NOS COTIDIANOS ESCOLARES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

PID: S1982-03052024000200343 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Fonseca Delboni
Resumo Este artigo é parte de uma pesquisa em andamento com turmas do segundo segmento da educação de jovens e adultos (EJA) de uma escola pública da rede municipal que aposta na composição de currículos nômades constituídos nos movimentos de corpos coletivos nos cotidianos escolares. Problematiza como as macro/micropolíticas engendram currículos nômades, configurando linhas de fuga nos cotidianos escolares da EJA. Objetiva cartografar os processos de composições curriculares que ocorrem nos encontros coletivos e nos espaços de ensino-aprendizagem, como outros modos possíveis de ser e estar na educação. Entende- se que a cartografia, como metodologia de pesquisa, requer o acompanhamento com olhar sensível do cartógrafo aos deslocamentos traçados nas composições de mapas abertos, passíveis de rasuras e mudanças de percurso. As ferramentas teórico-conceituais apresentadas têm como intercessores teóricos Deleuze, Guattari, Rolnik, Gallo e Foucault, para problematizar os conceitos de macro/micropolítica entendidos como forças indissociáveis em constante relação na educação; currículos nômades como linhas de fuga a outros fazeres possíveis; e heterotopias como o espaço do fora, os espaços dessacralizados de aprendizagens nas composições curriculares com a EJA. Como conclusão parcial, aponta os movimentos que constituem currículos nômades como insurgências tecidas nos encontros, nos afetos e afecções de corpos coletivos que potencializam a vida dos cotidianos escolares da EJA.

CONCEPÇÃO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA DO PROGRAMA TEMPO DE APRENDER: proposta inovadora ou velho modelo travestido de novo?

PID: S1982-03052024000400302 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Costa Gontijo
Resumo Este artigo tem por objetivo analisar como o programa de formação de professores alfabetizadores Tempo de Aprender, proposto pela Política Nacional de Alfabetização (PNA), lançada em 2019, articula a relação ensino-aprendizagem da leitura no contexto de sua proposta formativa. Adota, como metodologia de estudo, a pesquisa documental, pois analisa os vídeos que compõem os sete módulos do programa, os textos explicativos de cada vídeo e as fichas de estratégias de ensino. Assume a perspectiva enunciativo-discursiva de linguagem conforme proposta por Mikhail Bakhtin, que compreende que essa concepção, atrelada aos conceitos de alfabetização e de leitura, permite, ao mesmo tempo, reivindicar, a despeito do programa, uma alfabetização crítica. Conclui que, apesar de o programa apregoar que se fundamenta em práticas inovadoras por meio da denominada “alfabetização baseada em evidências científicas”, retoma, a partir dos pressupostos bloomfieldianos, antigas práticas relacionadas com as metodologias fônicas para o ensino da leitura e da escrita.

CONCEPÇÕES SOBRE EDUCAÇÃO SEXUAL DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DE UMA ESCOLA DO CAMPO DO MUNICÍPIO DE ANTÔNIO CARDOSO (BA)

PID: S1982-03052024000400315 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Cerqueira Mendes
Resumo Este artigo tem como objetivo compreender as concepções sobre sexualidade de docentes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de uma escola do campo do município de Antônio Cardoso (BA). Para tanto, partimos do pressuposto de que tais concepções contribuem para a constituição das práticas pedagógicas. O estudo caracterizou-se como descritivo e exploratório, com abordagem qualitativa e as informações foram obtidas por meio da aplicação de um questionário com cinco questões abertas para 12 (doze) professores que atuam na EJA Campo e analisadas com base na análise de conteúdo temática. O referencial teórico norteador da pesquisa foi o dos estudos da sexualidade. Como resultados, identificamos que as concepções de sexualidade são baseadas em discursos preventivistas e heteronormativos, que produzem diferentes efeitos na prática docente. Concluímos que a inclusão da temática sexualidade na formação de professores, a partir de uma perspectiva posicionada contra a patologização e a ações heteronormativas, é um ato político voltado à garantia dos direitos humanos e que o desafio de trabalhar a Educação Sexual dentro de questões não só biológicas, mas, também, histórica, social e cultural é urgente e atual.

CONHECIMENTO CURRICULAR DA GEOMETRIA: um estudo com professores dos anos iniciais

PID: S1982-03052024000100167 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Lima Junior Azerêdo
Resumo Este artigo aborda o ensino de matemática, especificamente, o eixo temático geometria. Tem como objetivo discutir o conhecimento curricular da geometria apresentado por professores dos anos iniciais. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa empírica, de caráter qualitativo, realizada com 37 professores dos anos iniciais, cuja interpretação dos dados se baseou nas técnicas de análise de conteúdo. Como resultado, apontou-se para questões importantes sobre o quê, quando e por que ensinar geometria nos anos iniciais de escolarização. Os professores sinalizaram diferentes razões para o ensino da geometria, tais como: a presença do conteúdo geométrico no cotidiano, o desenvolvimento do pensamento geométrico e a apropriação de noções de localização e deslocamento no espaço. Os dados mostraram que o ensino das figuras geométricas emerge como principal conteúdo abordado em sala de aula. Além disso, os professores não demonstraram trabalhar com plantas baixas, croquis e noções de lateralidade (esquerda e direita), o que pode indicar fragilidades no ensino da geometria.

CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UM TRABALHO DOCENTE ANTIRRACISTA NA PANDEMIA

PID: S1982-03052024000400112 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Oliveira Santos Zanardi
Resumo Este artigo objetiva apresentar e analisar as ações desenvolvidas por um grupo de professores(as) da rede pública municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais, na construção coletiva de uma educação antirracista durante a pandemia. Na pesquisa qualitativa, utilizou-se a análise de conteúdo das entrevistas semiestruturadas realizadas com os(as) professores(as) que desenvolveram o projeto. Balizam essa pesquisa referenciais teóricos da área da formação de professores(as) e do currículo, no intuito de compreender de maneira complexa as ações empreendidas pelo coletivo de professores. Visibilizam-se as iniciativas do coletivo de professores(as) da Educação Básica pública como forma de desenvolvimento de insurgências curriculares, promovendo a resistência ao neoconservadorismo que avança sobre a escola. Os dados afirmam a importância do trabalho coletivo para o desenvolvimento da autonomia profissional docente e da construção de uma educação antirracista. Entre as conclusões, destacamos que a flexibilização e a multiplicação de tempos e espaços destinados ao trabalho coletivo são elementos fundamentais para a promoção de projetos integrados e interdisciplinares.

CONVERSAS SOBRE ENSINAGEM, EXERCÍCIOS DE A/R/TISTAGEM: encontros e trocas na docência universitária

PID: S1982-03052024000100125 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Bueno Lima
Resumo O ensaio discute as questões que emergiram durante uma pesquisa de pós-doutorado que teve por objeto de estudo as práticas docentes. As autoras enfatizam a relevância de uma abordagem integrada entre o ensino universitário, a pesquisa e a extensão. A argumentação é sustentada a partir dos conceitos de ensinagem, artistagem e integridade docente, desenvolvidos pelas estudiosas Léa Anastasiou, Sandra Mara Corazza e bell hooks. Para conduzir este estudo/esta pesquisa, as autoras adotam a metodologia da a/r/tografia, segundo a qual a produção artística é mobilizada como elemento condutor de uma investigação voltada para as atividades educativas. A adoção desse enfoque possibilitou às autoras afirmarem a docência universitária como um processo criativo, ético e estético. Por fim, o texto aborda a importância da colaboração entre docentes formadores/as, a necessidade de uma revisão da formação pedagógica no ensino superior e o reconhecimento da valorização de uma docência que seja marcada pela criatividade, pela reflexividade e pelo compromisso com a construção de conhecimentos e práticas transformadoras.

CORPO-MULHER AMAZÔNIDA: pesquisadoras na Filosofia da diferença

PID: S1982-03052024000400312 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Oliveira Costa Aikawa
Resumo Esse ensaio objetiva problematizar a existência da mulher e pesquisadora, reafirmando a existência duma multiplicidade de vidas no grupo de estudo e pesquisa Vidar In-tensões, na perspectiva da Filosofia da diferença. Como escrever um corpo-mulher amazônida que pesquisa alinhada à diferença? De que modos se escrever enquanto corpo-mulher pesquisadora que escapa às posições e coordenadas localizáveis? Beleza e delicadeza compõem um feminino instituído num tempo disciplinar em que este corpo segue preso no interior de poderes, limitações, proibições e obrigações. Esses elementos ainda não se encerraram para a mulher e se instalam na sociedade como modo de fabricação da imagem do feminino sensualizado, objetificado, subvalorizado, docilizado e recatado. Suspeitamos dessas verdades e nos posicionamos como mulheres-pesquisadoras no viés do Devir da Filosofia da diferença, enquanto filosofia da multiplicidade e construção incessante que assume uma fluidez provocativa à invenção de conceitos. O texto articula-se à ferramenta da escrita de si foucaultiana, ao assumir o escrever-se enquanto criação de si, multiplicação de formas de vida de mulheres amazônidas que pesquisam nas fronteiras da diferença. Rodamos nossas próprias vidas com o grupo Vidar In-tensões, em atos de si consigo e com outros(as), em fugas dos instituintes do que podemos e devemos ser. Neste, mobilizamo-nos em processos formativos docentes por entrevias menores, clandestinidades, nomadismos, geramos pesquisas femininas desimportantes, desinteressantes, desqualificadas para homens doutos e dialogamos, acontecemos, encontramo-nos no (re)existir na universidade enquanto mulheres-pesquisadoras na Filosofia da diferença. Seguimos como brecha nos espaços mais fechados, num devir-mulher em transformação de si em zona de vizinhança.

CORPOS INTERDITADOS NO BRASIL DAS DESIGUALDADES HISTÓRICAS: educação, racismo e LGBTfobia na trajetória do barítono Raimundo Pereira (1990-2006)

PID: S1982-03052024000300065 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Oliveira Monti
Resumo Este artigo tem como objetivo refletir, a partir da trajetória do cantor de ópera Raimundo Pereira, sobre obstáculos historicamente impostos à escolarização de pessoas subalternizadas. Nos caminhos da História Oral indagamos: como a presença de corpos não hegemônicos de pessoas negras e homossexuais são interditados em espaços educacionais e artísticos? Enfatizamos a temporalidade entre 1990 e 2006 por relacionar-se ao percurso de formação universitária e militante do sujeito protagonizado na pesquisa. Priorizamos fragmentos de documentos orais produzidos mediante entrevistas realizadas com contemporâneos do artista e trechos de sua autobiografia. Interpretamos que Raimundo Pereira interrompeu sua trajetória acadêmica em razão do conjunto de opressões sobrepostas e indissociáveis de suas identidades homossexual, de classe, raça e regionalidade. Assim, argumentamos que discursos meritocráticos, antigênero, racistas e classistas desconsideram fatores históricos e operam por meio da produção de estereótipos negativos, culpabilizando grupos vulnerabilizados, desresponsabilizando o Estado e a sociedade quanto a medidas de reparação.

COTISTAS RACIAIS E O MERCADO DE TRABALHO: a trajetória dos egressos da Unipampa de 2015 a 2022

PID: S1982-03052024000300107 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Rosa Jesus
Resumo O presente trabalho tem como finalidade apresentar parte dos resultados obtidos por meio de uma pesquisa de uma dissertação de mestrado, defendida no Programa de Pós-Graduação em Ensino - PPGE. Para isso, buscou-se analisar questões históricas acerca da educação e do mercado de trabalho para a população negra brasileira. Além disso, analisou-se o percurso de inserção no mercado de trabalho dos egressos cotistas raciais negros, pretos e pardos dos cursos presenciais de graduação do Campus Bagé da Unipampa que ingressaram no curso no período de 2015 a 2018 e concluíram o curso entre 2018 e 2022. Cabe destacar que esta é uma pesquisa de cunho qualitativo que conjuga análise histórica e a análise de conteúdo de narrativas obtidas por meio de questionário com questões abertas e fechadas, junto a egressos da instituição, que cursaram a graduação enquanto cotistas raciais. O recorte aqui apresentado, considera apenas o ingresso desses egressos no mercado de trabalho. Dito isso, sabe-se que as cotas raciais ampliaram o ingresso da população negra no ensino público superior brasileiro, sendo assim, torna-se pertinente pesquisar acerca da trajetória dos egressos diante de sua inserção no mercado de trabalho.

CRIATIVIDADE EM ARTES VISUAIS NO CONTEXTO DAS ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO

PID: S1982-03052024000100361 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Pedrosa Lustosa
Resumo O artigo apresenta recorte de tese de Doutorado em Educação, com ênfase na Educação Especial e Inclusiva, abordando a criatividade, as artes visuais e as altas habilidades/superdotação (AH/SD). A pesquisa objetivou investigar, na perspectiva de especialistas em artes visuais, a criatividade em educandos identificados e em processo de identificação nas AH/SD no Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S). Trata-se de pesquisa qualitativa com delineamento de pesquisaação, que se realizou por meio de um curso denominado Artexpansões, em que a leitura de imagem suscitou vivências de pintura e colagem, visando estimular a criatividade dos educandos. Os produtos derivados do fazer artístico, elaborados pelos sujeitos, foram avaliados por especialistas em artes visuais quanto à visualidade e à criatividade. Os produtos considerados criativos, de forma unânime, constituíram o cerne das análises deste recorte de pesquisa. Como resultado, os especialistas evidenciaram elementos que permearam as distintas composições dos sujeitos e confirmaram a expressão da criatividade.

DA REDENÇÃO À REPARAÇÃO: A CONSTRUÇÃO DA QUESTÃO RACIAL NO BRASIL

PID: S1982-03052024000100003 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Campos Tebet
Resumo Este artigo visa analisar a trajetória dos estudos sobre o povo negro, por meio de uma análise histórica do processo de colonização, sobretudo na elaboração de estereótipos que foram utilizados para justificar o processo desumanizador da escravização ancorado nas Teorias Raciais e no racismo científico. Buscamos, ainda, compreender a maneira pela qual alguns iluministas contribuíram para solidificar o processo de invisibilidade do continente africano e dos povos africanos. Discutimos a ideologia da democracia racial brasileira e a maneira como essa narrativa legitimou a marginalização do afro-brasileiro. Para subsidiar esse estudo, realizamos pesquisa bibliográfica, acionando pensadores/as que versam sobre a temática, a saber: Munanga (2000; 2008), Silva (2007), Hernandes (2008), Hall (2006), Guimarães (2001; 2004), Azevedo (1996), Freyre (2005), Fernandes (2008), Ki-Zerbo (2010), dentre outros. Os resultados apontam para a maneira pela qual o racismo foi utilizado como base ideológica da dominação, tanto no colonialismo, quanto no neocolonialismo. No Brasil, essa narrativa, construída a partir da marginalização dos afro-brasileiros, legitimou e inviabilizou a inserção do negro na sociedade brasileira, sobretudo após a abolição, que consideramos malsucedida. Nesse sentido, o racismo operacionalizado no Brasil, de maneira escamoteada, estabeleceu um conjunto de estratégias que foram capazes de promover uma inversão no tocante à promoção da imagem do país como uma democracia racial.

DALCÍDIO JURANDIR: do Peixe Frito às páginas de Dom Casmurro

PID: S1982-03052024000300265 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Carvalho Silva
Resumo O escritor paraense Dalcídio Jurandir compôs o Ciclo do Extremo Norte, conjunto de romances no qual ficcionalizou vivências amazônicas do início do século XX, promovendo a circulação de saberes e de linguagens frequentemente marginalizadas. Seu ingresso na cena literária nacional ocorreu com a publicação de Chove nos Campos de Cachoeira (1941), possibilitada pela vitória do Concurso de Romances Vecchi-Dom Casmurro em 1940. Este artigo tem como objetivo mapear o papel de mediação cultural promovido por epitextos editoriais (Genette, 2009) que envolveram a divulgação do romance inaugural dalcidiano nas páginas do jornal literário Dom Casmurro, uma vez que a apresentação de Dalcídio Jurandir aos leitores do periódico possibilitou a difusão de elementos constitutivos da identidade cultural amazônica. São analisados três artigos jornalísticos relacionados à divulgação do romance e escritos pelos literatos paraenses Dalcídio Jurandir, Bruno de Menezes e Cléo Bernardo. Do ponto de vista teórico e metodológico, a ênfase recai nos pressupostos da História Cultural (Chartier, 2011; 2014), associados à maneira de conceber as relações entre grupos sociais e a circulação da cultura escrita. Este estudo situa-se, pois, na interseção entre a História da Educação e a História do Livro e da Leitura.

DESCOLONIZAÇÃO DAS DISCIPLINAS ACADÊMICAS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

PID: S1982-03052024000400106 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Silva
Resumo O artigo aborda o processo de desenvolvimento de práticas e de conteúdos descolonizadores no âmbito da educação superior. Constitui-se da análise do movimento político-pedagógico crítico de reconstrução do currículo universitário de forma endógena, a partir da invenção de outras práticas e da circulação de outros saberes na ministração das disciplinas obrigatórias do curso de formação inicial de professores(as). Trata das especificidades do curso de licenciatura em Pedagogia do Campo, ofertado por uma universidade federal da região Nordeste do Brasil. O estudo documental e qualitativo observou que o contato de diferentes grupos étnicos, culturais e sociais, com interesses políticos e culturais semelhantes, fez insurgir, nas(os) futuras(os) professoras(es), o interesse pelo desenvolvimento de saberes e práticas que confrontam o modelo colonizador de formação acadêmica na educação superior.

DIÁLOGOS, DISPUTAS E RESSIGNIFICAÇÕES NA MICROPOLÍTICA DOS PROCESSOS DE EXPERIMENTAÇÃO PEDAGÓGICA

PID: S1982-03052024000300425 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Alén
Resumo Este artigo pretende analisar o conceito de micropolítica e como essa produção teórica faz parte de uma concepção das instituições escolares como organizações políticas. Com a expressão micropolítica, analisase o conjunto de decisões e definições que se processam cotidianamente em uma instituição escolar, e como estes vão moldando a produção de uma política que se baseia em posições docentes (Southwell e Vassiliades, 2014), ao mesmo tempo, constituídas em coletivas (Barreiro, Rodríguez e Stevenazzi, 2020) alcançando, assim, diferentes graus de explicação e reflexão, aqueles que não podem ser separadas de seu fardo político. Embora uma série de esforços materiais e simbólicos sejam feitos para excluir as dimensões políticas do trabalho pedagógico, no cotidiano escolar convivem uma série de definições postas em prática e com poucas possibilidades de reflexão, às quais se sobrepõe um processo de gestão que exclui gradativamente o pedagógico dentro da escola. A figura do quotidiano associada ao político é interessante, porque é aí que se jogam os grandes enunciados, se põem em prática todos os dias os discursos político-pedagógicos, é nessa dialética do quotidiano em que se processam as transformações do educativo.

DOCENTES NEGROS NO PÓS-ABOLIÇÃO: a greve e seus atravessamentos interseccionais na cidade de Salvador em 1918

PID: S1982-03052024000300091 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Sousa Lima
Resumo Tomamos neste escrito a análise das presenças e atuações das professoras e professores da escola primária, negras e negros, na greve ocorrida em Salvador em 1918. O objetivo é explicitar as presenças e atuações dessas professoras e professores da escola primária, negras e negros, na liderança da greve de docentes no ano de 1918, refletindo sobre a interseccionalidade que os atravessavam quando dos seus movimentos e lutas por direitos profissionais docente, com a intenção de comunicar a história daqueles que historicamente têm sido invisibilizados e as complexidades que os conformam. O aporte teórico relacionado à greve docente de 1918 é inspirado em autores como Silva (1997), Costa e Conceição (2001), Silva (2017) e Miguel (2021), com interseccionalidade e aprofundamento das desigualdades tratadas a partir de Collins e Bilge (2021) e Carneiro (2011). Dessa maneira, problematizar esse tema exige que pensemos na categoria raça e em seu atravessamento com outras categorias, como gênero e classe, e o aprofundamento das desigualdades vividas por esses docentes no final da década de 1910 no Brasil.

DOCÊNCIAS CURRICULANTES EM ATOS FORMACIONAIS: heurística e política municipalista insurgentes

PID: S1982-03052024000400108 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Macedo Silva Silva
Resumo O presente artigo, tomando a perspectiva de docência curriculante e a crítica às políticas de currículo e formação antidocência, apresenta argumentos sobre a experiência heurística e formacional do Programa de formação para a (Re)elaboração dos Referenciais Curriculares dos Municípios do Estado da Bahia, vinculado à UNDIME-BA (União dos Dirigentes Municipais de Educação, Secção Bahia). Explicita como nessa experiência coletiva, professoras(es) criaram saberes curriculares a partir do seu trabalho docente, dos seus territórios de identidade e de forma retroalimentada, construíram, propuseram e institucionalizaram saberes curriculares para subsidiar e realizar por suas ações a construção dos referenciais curriculares de seus municípios. Com essa vontade política, autorizando-se, a partir dos estudos e debates sobre a Teoria Etnoconstitutiva de Currículo e a Etnopesquisa-formação (Macedo, 2016, 2021), instituíram saberes curriculares e formativos, assim como produções heurísticas insurgentes, marcadas pelos seus pertencimentos municipais, suas experiências profissionais, lutas por reconhecimento, anseios por participação legítima e por protagonismo laboral.

EDUCAR PARA O PROGRESSO DA NAÇÃO: recortes de livros didáticos de português do ensino primário e secundário brasileiro (1930-1971)

PID: S1982-03052024000100267 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2024
Autores: Boto Giardino Ferrero
Resumo O presente artigo objetiva investigar as finalidades assumidas pela disciplina escolar português no período entre 1930 e 1971 no Brasil, a partir do estudo de livros didáticos. Procuramos efetuar uma periodização inscrita diretamente na história da educação brasileira. Sendo assim, o marco inicial é 1930, ano em que foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública, e em que se percebeu um progressivo controle estatal sobre a educação e a produção de livros didáticos no país. A data final é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei no 5.692/1971), uma vez que provocou mudanças significativas no ensino básico. A partir dos fundamentos teórico-metodológicos da história cultural, buscou-se lançar luz sobre os discursos presentes nos livros escolares da disciplina português adotados no ensino primário e no secundário, evidenciando aproximações de cada etapa. Disponíveis na biblioteca do livro didático na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, as fontes forneceram relevantes indícios sobre as práticas em sala de aula, de maneira a esclarecer em parte o contexto social, histórico e pedagógico do período em questão. Foi possível concluir que o ensino da língua materna, dentro do processo de escolarização, era pensado e mobilizado como aliado a um projeto civilizatório que visava à inculcação de certos valores e comportamentos considerados fundamentais à nação.
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