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Utilização da Comunicação Não Verbal Gestual nos Currículos de Licenciatura em Ciências e Matemática: uma proposta de Currículo

PID: S1809-38762024000100248 | Periódico: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Ano: 2024
Autores: Donadello Andrade Neto Groenwald
Resumo Os gestos estão presentes em nosso cotidiano e são uma expressão de linguagem considerada universal e espontânea. Professores e alunos utilizam gestos para se comunicarem naturalmente, incluindo-os em aulas de Ciências e Matemática. À vista disso, o presente artigo tem como objetivo investigar como a comunicação não verbal gestual pode dialogar com os currículos de licenciaturas em Ciências (Física, Química e Ciências Biológicas) e matemática, considerando-a uma das competências importantes que o licenciando deve desenvolver na formação inicial. De natureza teórico-bibliográfica, esta pesquisa buscou em base de dados digitais saber quais o real impacto e a relevância dos gestos nas salas de aula e de que maneira eles podem nelas ser incluídos. Portanto, apresentam-se neste artigo reflexões acerca do currículo das licenciaturas no Brasil e uma proposta de incluir a comunicação não verbal gestual nos currículos das licenciaturas de Ciências e Matemática.

“O mundo não é dos extremos, ele é de todos”: concepções de professores sobre disciplinas e práticas interdisciplinares na escola

PID: S1809-38762024000100278 | Periódico: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Ano: 2024
Autores: Lamego Santos
Resumo A organização disciplinar do currículo escolar foi constituída com base na fragmentação e na especialização do conhecimento. Assim sendo, procurou-se investigar como docentes que desenvolvem práticas interdisciplinares na escola compreendem as relações entre disciplinas e outros professores. No referencial teórico, foram utilizados aportes de Fazenda (2000, 2008, 2011, 2013), Japiassu (1976, 2006), Jantsch (1972), Lopes (2008) e Lopes e Macedo (2011). Foi realizada uma pesquisa de natureza qualitativa, com entrevistas e análise de depoimentos de docentes de uma escola pública. A análise indicou contextualização e relação com o cotidiano, valorização do diálogo entre saberes e do trabalho coletivo e estímulo à reflexão em espaços em que se desenvolvem práticas interdisciplinares.

“É preciso estar atento e forte”: contradições, retrocessos e ameaças à docência em Química no texto e contexto da BNC-Formação

PID: S1809-38762024000100107 | Periódico: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Ano: 2024
Autores: Silva Gomes
Resumo A Resolução CNE/CP nº 2/2019 definiu as atuais diretrizes curriculares nacionais para a formação inicial de professores e instituiu uma base nacional comum para essa formação (BNC-Formação) enquanto reflexo da influência do neoliberalismo nas políticas e reformas educacionais brasileiras. Assim, este estudo documental buscou analisar a referida Resolução e os seus impactos para a docência em Química. Os resultados apontam retrocessos e ameaças ao ensino de Química, indo desde o esvaziamento dos estudos na Educação Básica até a possibilidade de extinção gradual dos cursos de Licenciatura em Química. A BNC-Formação também revela contradições para a sua efetivação, usurpando a autonomia e a criticidade dos professores em prol de uma formação que não considera a complexidade da profissão docente e as necessidades formativas dos estudantes da Educação Básica.

Escrevivências de uma professora negra: saberes ancestrais no município de João Neiva

PID: S2318-19822024000300049 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Mota Ramos
Resumo O objetivo deste artigo é apresentar as escrevivências de uma mulher negra, professora aposentada, com base nos saberes ancestrais, especialmente acerca do Congo, que é uma expressão cultural secular do Estado do Espírito Santo (ES). Para alcançar o objetivo proposto, foi usada a metodologia da pesquisa documental e bibliográfica e a pesquisa narrativa, a partir das conversas realizadas com moradoras antigas do município de João Neiva, ES. Nesse sentido, foi possível conhecer as histórias da população negra que habita o município e que está invisibilizada nos livros oficiais. Com as narrativas produzidas, fortalecemos o sentimento de pertencimento, de saber de onde viemos e o reconhecimento de uma sabedoria ancestral que tem nos movido até aqui. Desse modo, reescrevemos as nossas histórias e valorizamos as memórias do povo negro. Assim, reafirmamos a importância de cumprir as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 com a realização de uma educação antirracista, com foco no tema da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e Indígena nos cotidianos escolares.

A escrevivência de professoras negras: Educação Infantil e relações étnico-raciais

PID: S2318-19822024000300181 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Lisboa Tavares Sousa
Resumo O presente artigo traz à tona, por meio da ferramenta metodológica da escrevivência (Machado; Soares, 2017), os relatos de experiência de duas professoras negras das classes populares que atuam em espaços públicos de Educação Infantil. São espaços situados em municípios distintos, tais como Niterói e Nilópolis, que, embora com cenários diferenciados, apresentam-nos desafios cotidianos, sobretudo no que diz respeito às práticas racistas na escola. A partir disso, o objetivo é ampliar as discussões sobre as microações afirmativas (Jesus, 2004) que emergem nesses espaços, diante da prática pedagógica de mulheres negras, professoras e pesquisadoras comprometidas com uma pedagogia engajada (hooks, 2017), como um movimento de ativismo político nos espaços escolares. Atuamos, respectivamente, como professora e orientadora pedagógica, tendo como similaridade formas de atuar críticas aos padrões racistas existentes na sociedade. Nosso trabalho consiste em gerar resistências nos espaços escolares e contornar o absenteísmo ainda presente nos fazeres docentes. Buscamos criar oportunidades no cotidiano escolar e implementar diferentes estratégias para nos contrapor às práticas racistas, em busca de uma educação que favoreça uma identidade positiva para as crianças negras, propondo outros modos de ser e estar no mundo para crianças negras e não negras. Como apontamentos finais, trazemos a necessidade de continuarmos o debate antirracista nas escolas referenciadas, ampliando as microações afirmativas nos seus cotidianos.

A construção das identidades étnico-raciais das crianças na educação infantil

PID: S2318-19822024000100123 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Batista Macêdo Onofre
Resumo O presente artigo tem como objetivo principal refletir sobre a importância do reconhecimento e da afirmação de um currículo centrado nas e para as relações étnico-raciais na educação infantil. Essa é uma pesquisa-ação, pois se construiu um relato de experiência do componente curricular Estagio IV, do curso de Licenciatura em Pedagogia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), campus I. 0 referido estágio aconteceu em uma turma do Maternal II, de uma instituição de educação infantil pública. Os resultados indicaram a importância da implementação de um currículo étnico-racial, através de experiências, discussões em rodas de conversa e atividades didáticas permanentes, em que as crianças vão se reconhecendo nas relações com os pares e adultos, desconstruindo preconceitos e aprendendo atitudes e comportamentos antirracistas. Concluímos que é preciso romper com as estruturas e atitudes racistas nas instituições de educação infantil, que se expressam através do currículo oficial, no qual predomina a cultura eurocêntrica. Ademais, realizar uma educação igualitária, em que o acolhimento da criança, em sua integralidade, faça parte das práticas curriculares, exige uma postura comprometida com a ética e a justiça social.

A dinâmica relacional no “afrocentramento” do currículo: por uma política da diferença

PID: S2318-19822024000100057 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Ribeiro Corrêa Silvestre
Resumo O objetivo deste texto é discutir a dinâmica relacional que envolve o afrocentramento, abrindo a abordagem à diferença. São apresentados pressupostos teóricos nos campos do currículo e das relações étnico-raciais. Currículo é tratado como política cultural. Já relações étnico-raciais, como conjunto ativo de respostas em relação a questões em debate que guiam as demandas em disputa. O caso da cultura afro-ameríndio-maranhense - no contexto da amefricanidade - e seus rastros autobiográficos são mobilizados de modo a ilustrar e a compor o quadro argumentativo em defesa da diferença como abertura, fluxo de sentidos. Sem a pretensão de esgotamento, este trabalho salienta que o caráter de afrocentramento vem se constituindo como tática diante dos históricos ataques eurocêntricos. No entanto, há risco - quando predomina o apagamento do caráter aberto dos processos de identificação e singularidades - de que não se possa dar conta do que a experiência afro-maranhense e a autobiografia apontam como exemplos da dimensão relacional e da impossibilidade de sutura. A diferença remete à imprevisibilidade e ao acontecimento, inevitáveis ao novo, diante de sedimentações.

A educação das relações étnico-raciais e a sociologia escolar: perspectivas de uma pesquisa ação na periferia de Belo Horizonte

PID: S2318-19822024000300005 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Diniz Antunes
Resumo O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa de mestrado que se debruça sobre a temática da educação das relações étnico-raciais e o ensino de Sociologia na Educação Básica. Buscamos ressaltar o potencial da Sociologia escolar no que se refere à abordagem de conceitos e teorias que dialogam diretamente com a temática da educação das relações étnico-raciais, alinhada à uma educação problematizadora e ao cumprimento da Lei n. 10.639/03. Estabelecemos um diálogo com Nilma Gomes (2017), que reconhece a Lei n. 10.639/03 como uma conquista importante, mas que traz a necessidade de uma ponderação no que diz respeito à sua efetivação; Petronilha Silva (2007), que chama atenção para um descomprometimento com uma visão plural de sociedade, a partir de uma leitura sobre políticas curriculares; e bell hooks (2013), que tece importantes contribuições sobre a humanização do espaço escolar. A metodologia da pesquisa constituiu-se numa pesquisa-ação crítico colaborativa, realizada em uma escola pública periférica na cidade de Belo Horizonte. Os resultados apontam para a potencialidade da Sociologia escolar no trato da educação das relações étnico-raciais enquanto disciplina que conta com amplas possibilidades de elaboração de propostas pedagógicas, a partir de estratégias que deem espaço para a mobilização dos saberes construídos pela população negra.

Artevivências: (re)inventando o currículo escolar a partir de mulheres negras

PID: S2318-19822024000200161 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Alves Vieira Rodrigues
Resumo Este artigo propõe a artevivência como um processo no qual mulheres negras usariam suas capacidades artísticas para contar, transmitir, refletir, revelar suas próprias percepções da realidade, a partir de sua condição de múltiplas exclusões como mulheres-negras, entendendo que o processo histórico escravista e patriarcal ainda se encontra reproduzido pelas dinâmicas sociais brasileiras. Partindo do conceito de escrevivência e das possibilidades visuais e estéticas de experiências vividas por um núcleo de Arte e Cultura, gestado em uma instituição federal de ensino da cidade do Rio de Janeiro, este artigo registra algumas das subversões curriculares propostas e das possibilidades de falar e produzir arte pelo descolonizar dos conceitos de raça e gênero no ensino de arte. Com isso, o objetivo deste artigo está em apresentar artevivências a partir de uma experiência escolar pautada pela decolonialidade e pela produção artística de mulheres negras, seus resultados e significados na visão de uma estudante negra do Ensino Médio.

As relações étnico-raciais no currículo de Ciências e Educação Física: apontamentos teóricos

PID: S2318-19822024000200005 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Leal Ferreira Brito
Resumo O presente artigo apresenta um recorte teórico de conhecimentos produzidos no âmbito de duas pesquisas de doutorado, em andamento, que têm como campo de estudo as relações étnico-raciais em dois componentes curriculares da escolarização básica - Educação Física e Ciências. Nele, reforçamos a importância de saber qual uso é feito da história da África e das relações étnico-raciais no currículo, conforme a Lei 10.639/03, para organizar o trabalho das disciplinas de Educação Física e Ciências, inclusive da escola, nos anos finais do Ensino Fundamental, e, em contrapartida, contribuir com as práticas pedagógicas no processo de desconstrução de preconceitos raciais e relações étnico-raciais socialmente vigentes na escola e sociedade brasileira. Neste texto, procuramos mostrar possibilidades para a inserção da temática étnico-racial em sala de aula, tendo como parâmetro o reconhecimento e a valorização da educação intercultural crítica e suas potencialidades (Walsh, 2007, 2009) no currículo escolar, como um desafio para a escola e os professores. Enfim, defendemos o ponto de vista segundo o qual os conteúdos acerca das relações étnico-raciais, quando valorizados nas disciplinas Educação Física e Ciências, podem possibilitar aos professores a apropriação de saberes que lhes permitam trabalhar com uma educação antirracista e atuar como profissionais comprometidos a enfrentar os desafios colocados pelo racismo no cotidiano escolar.

Autoetnografia negra feminista: epistemologias e subjetividades para um currículo antirracista

PID: S2318-19822024000300121 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Euclides Silva
Resumo Dialogar sobre as relações étnico-raciais ainda não é um debate que possamos situar como encerrado, haja vista a continuidade de práticas racistas e discriminatórias presentes na sociedade. Inúmeros são os casos de racismos individuais e institucionais que acometem grande parte da população brasileira. É fato que temos avançado, desde a intensiva atuação dos movimentos negros, bem como do ativismo e agência de negros e negras a favor de uma sociedade livre do racismo, da discriminação e do preconceito racial. Sem pretender desconsiderar as ações já emergentes no campo da luta contra o racismo na esfera da educação formal, este artigo busca trazer contribuições e reflexões no âmbito do potencial das autoetnografias negras como um caminho epistemológico, teórico e metodológico em prol de um currículo escolar enegrecido e enegrecedor. Assim, o presente texto visa trazer apontamentos sobre como podemos utilizar as autoetnografias negras como referencial na e para uma educação antirracista, colocando ao centro vozes discentes e docentes na construção de outros caminhos possíveis, que lhes caibam, conheçam e reconheçam.

Carolina vai às escolas: produzindo currículo antirracista no interior da Bahia

PID: S2318-19822024000100035 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Santos Moreira Gomes
Resumo Este artigo objetiva apresentar uma análise de atividades produzidas por um grupo de pesquisa formado por professoras/es pesquisadoras/es, estudantes licenciados e bacharéis, em sua maioria mulheres negras imbuídas/os na des/re/construção dos currículos eurocentrados. Trata-se de ações construídas mediante teares de teorias e práticas curriculares insurgentes e decoloniais, irrigadas pelas epistemologias feministas negras. O campo empírico foi produzido por meio de rodas de conversa em escolas estaduais de ensino médio, situadas em três municípios baianos, que tiveram como disparador o Projeto Carolina Vai às Escolas. O Projeto visou a a presentar os dilemas da realidade brasileira perante duas obras de Carolina Maria de Jesus: Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (2019) e Diário de Bitita (2014). As cartas produzidas pelas/pelos estudantes das turmas que tiveram envolvidas/os no projeto trazem a complexidades dos dilemas postos por Carolina, que, assim como a autora, têm suas vidas atravessadas pelo racismo, machismo e dificuldades financeiras. Com Carolina, elas/eles são afetados com a força vital que a movimentou em direção ao seu sonho de escrever, mensagem que reverberou nos estudantes a possibilidade de imaginar a melhoria das suas vidas por meio da educação.

Carta a várias mãos para uma educação antirracista: a você, colega de universidade

PID: S2318-19822024000200249 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Silva Coelho Heidemann
Resumo Esta carta apresenta reflexões sobre educação antirracista no ensino superior, a partir da narrativa do encontro de três pesquisadoras, duas autodeclaradas negras e uma branca, com trajetórias no campo da saúde e das ciências humanas. A narrativa é conduzida na primeira pessoa do plural, expressando a síntese das discussões empreendidas sobre esta temática vivenciada nas diferentes trajetórias de vida, dialogando com o feminismo negro interseccional, o transfeminismo e os estudos descoloniais. Problematiza-se o racismo vivenciado no âmbito universitário, a invisibilização das intelectualidades negras, assim como as opressões associadas à população negra além da violência racial, mas condicionadas a esta. Em consonância com o debate racial, aborda-se brevemente a transfobia, o capacitismo e o ouvintismo que cerceiam as pluralidades na expressão da negritude. Conclui-se a importância da educação antirracista como propulsora de novos projetos de sociedade e como recurso de (re)existência nas universidades brasileiras.

Cartas para inspirar, desafiar e convocar à luta: afrocentricidade na plataforma virtual Geledés

PID: S2318-19822024000100011 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Silva Silva Bonin
Resumo Pensar práticas pedagógicas em uma perspectiva afrocentrada é contestar séculos de experiências culturais que respaldam os saberes localizados ao norte global e que naturalizam a imagem do homem branco europeu como produtor e responsável pelo conhecimento socialmente validado. Desde uma perspectiva afrocêntrica, a contestação ao racismo, à discriminação e ao eurocentrismo é elemento fundante, assim como a valorização das culturas e dos saberes constituídos em experiências diaspóricas. Nesse sentido, o prefixo “afro”, em “afrocentricidade”, não remete a penas ao continente africano, em si, mas também ao fluxo de negros e negras ao redor do mundo, o que foi denominado de diáspora negra. Inserida no contexto das lutas antirracistas, no Brasil, a plataforma digital Geledés é o ponto de partida para a construção do presente estudo e é tomada como espaço afrocentrado onde se entretecem diferentes pontos de vista, por meio de imagens, textos, documentos, manifestações, criações, posicionamentos. Fundado em 30 de abril de 1988, o Geledés atua em diferentes dimensões, com o propósito central de empoderamento e reforço de narrativas negras. No recorte proposto neste artigo, foram selecionadas 10 cartas publicadas entre os anos de 2020 e 2023, e o objetivo principal é discutir de que modo se insere uma perspectiva afrocentrada em um universo amplo de produção de sentidos e de afetividades constituído nas cartas. A metodologia, de viés qualitativo, envolveu a análise discursiva das cartas selecionadas, considerando, de modo especial, a ancestralidade e o centramento na experiência da diáspora, a valorização da agência e das perspectivas negras, a contestação ao eurocentrismo e a denúncia e a luta contra o racismo.

Cartas político-afetivas contra o racismo na pós-graduação

PID: S2318-19822024000200231 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Jesus
Resumo As Leis n. 10.639/2003 e 12.711/2012 impactaram profundamente as universidades brasileiras, seja pelo aumento expressivo de estudantes negras/os nas universidades, seja pela demanda de um currículo afrocentrado e de docentes negras/os, seja pela inclusão da disciplina de Educação para as Relações Étnico-Raciais nos cursos de licenciatura, para atender às demandas de uma educação básica antirracista. No entanto, a pós-graduação brasileira segue sendo um espaço predominantemente branco, tanto na corporalidade de docentes e discentes quanto nos saberes eurocentrados que marcam o epistemicídio dos conhecimentos produzidos pelas intelectualidades negras. Por isso, este ensaio busca contemplar diferentes experiências-narrativas pessoais na pós-graduação, utilizando da carta como recurso político-metodológico narrativo. Desse modo, assumo minha narrativa autobiográfica enquanto discente, pesquisador e docente para discutir o racismo universitário na pós-graduação a partir da escrita de cartas para a minha orientadora, para as instituições de pesquisa e para as/os discentes da disciplina que ofertei, contextos nos quais a carta adquire finalidades terapêutica-imaginativa, manifesto-interpelativa e/ou pedagógica-afetiva. Por fim, considero que uma educação antirracista passa necessariamente por um currículo afrocentrado ético-político-estético-poético que acolha as experiências-narrativas negras e promova o desenvolvimento humano, intelectual e afetivo em cada sujeito.

Confluências quilombolas no curso de Pedagogia por meio do filme Aruanda

PID: S2318-19822024000300159 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Rosa
Resumo Este artigo apresenta as experiências vivenciadas em uma pesquisa de produtividade por meio do filme Aruanda (1960), de Linduarte Noronha, em um curso de Pedagogia, no início do contexto pandêmico de 2020. A partir de uma perspectiva decolonial quilombola e do conceito de confluências, recorremos à metodologia da Análise Criativa como possibilidade de desenvolver, por meios das estéticas audiovisuais, outras epistemologias corpóreas, territoriais e históricas em conexão com os elementos naturais evidenciado na obra fílmica. Para além da ressignificação desses conceitos, compreendemos a necessidade de constituir a formação em Pedagogia a partir dos conhecimentos suscitados por intelectuais negras, em nosso caso, as mulheres quilombolas, bem como a constante necessidade de produzir currículos afrorreferenciados na formação docente e no cotidiano da sala de aula de futuras professoras, para o trabalho pedagógico com as diversidades.

Conhecimento tecnológico de alunos da EaD: análises sobre os resultados do Survey TPACK aplicado a estudantes de licenciatura

PID: S2318-19822024000200267 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Oliveira
Resumo Os saberes para que os professores ensinem no século XXI envolvem os conhecimentos pedagógico, tecnológico e de conteúdos – Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK). Para identificação dos níveis de competência em cada um dos domínios do TPACK, foi desenvolvido um survey que, para esta pesquisa, foi traduzido, adaptado e aplicado a estudantes de quatro cursos de licenciatura (Física, Química, Biologia e Matemática) de uma universidade pública a distância. Neste sentido, o presente trabalho objetiva analisar e divulgar a parte dos resultados da aplicação do survey traduzida para o português brasileiro, realizada no contexto desta pesquisa, referente ao conhecimento tecnológico. No questionário, há perguntas do estilo múltipla escolha e dissertativa. Como resultados das questões fechadas, percebe-se que os licenciandos que responderam ao questionário se percebem com padrões satisfatórios de domínio do uso das tecnologias; já na pergunta aberta, ficou registrado que, para os respondentes, o fato de estudar a distância é decisivo na melhora do domínio do conteúdo tecnológico.

Corpos que lutam... Corpos que existem... Corpos que se inscrevem e escrevem na diferença, na educação, na ciência, nas cartasplatôs e nos piatosantirracistas...

PID: S2318-19822024000100079 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Dutra-Pereira Lima Tinôco
Resumo Guiando-nos pelas pegadas de intercessoras/es intelectuais das Filosofias da Diferença e da Contracolonialidade, neste textoensaio exploramos conexões, pluralizamos significados e desafiamos convenções que homogeneízam e tranquilizam o pensamento. Por esses motivos, criamos conceitos e investimos no enredamento de algumas noções teóricas, no sentido de provocarmos deslocamentos no instituído, guiando-nos pela seguinte pergunta disparadora: como é possível uma ciência química antirracista? Atravessadas/os portais agenciamentos, apresentamos a escrita de cartasplatôs como dispositivo na/para a luta antirracista, a partir de uma produção realizada por estudantes da licenciatura em Química, de uma universidade pública do Nordeste, enquanto possibilidade de construção de possíveis aberturas na educação durante as aulas de um estágio supervisionado obrigatório. A partir da apreciação de tais exemplares, percebemos uma pluralidade de direções e possibilidades de leitura, que apontam para a potência de pesquisas que se comprometem com corpos que se ins/escrevem na diferença. As cartasplatôs criam, inventam, modos de viver a vida, reafirmando a diferença e os corpos negros, apostando em platôsantirracistas e ne escrita enquanto artefato cultural e possível de luta antirracista.

Cultura visual antirracista: alteridade e diferença nas políticas curriculares, artísticas e pedagógicas

PID: S2318-19822024000300137 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Baliscei Costa
Resumo Tendo em vista episódios de racismo e machismo cometidos em espaços escolares, que, inclusive, vitimizam professoras e demais trabalhadoras, levantamos uma série de questionamentos: como os currículos escolares se envolvem na produção de alteridade e diferença? Quais noções de normalidade esses documentos engendram? A quem elas interessam? Para responder essas perguntas, este artigo tem como objetivo apresentar o currículo como um artefato cultural em disputa e responsável pela produção de identidades e diferenças afetas às questões étnico-raciais. As pesquisas desenvolvidas no bojo dos Estudos Culturais e dos Estudos Étnico-Raciais nos auxiliaram no desenvolvimento desse objetivo. No que diz respeito à estrutura, a pesquisa, de cunho bibliográfico, teve o desenvolvimento dividido em duas seções. Na primeira, debatemos sobre as questões políticas que atravessam o currículo escolar, caracterizando-o como um artefato cultural em disputa. Na segunda, investigamos as violências combinadas e concomitantes, decorrentes do machismo e do racismo, aproximando-nos de um episódio de preconceito manifestado em um espaço escolar.

Círculos Epistemológicos como dispositivo de formação para Educação das Relações Étnico-Raciais na EJA Campo

PID: S2318-19822024000300075 | Periódico: Série-Estudos (2318-1982) | Ano: 2024
Autores: Santos Borghi
Resumo O presente estudo tem como objetivo refletir acerca dos Círculos Epistemológicos enquanto dispositivo de formação de Educadores para a Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) na EJA Campo. A metodologia adotada neste estudo foi a abordagem qualitativa, ancorada nos princípios da pesquisa participante, utilizando como dispositivo de pesquisa os círculos epistemológicos, que possuem caráter investigativo e formativo. Os educadores sinalizaram a violência nos territórios pela divisão de terras de forma equitativa, que o currículo da escola não atende aos sujeitos do campo e que, quando a escola utiliza currículo urbano e conduz suas práticas na perspectiva urbanocêntrica, ela interfere diretamente na construção das identidades dos estudantes. Reconhecem também que a desigualdade étnico-racial é histórica e precisamos mudar este quadro. Concluímos que os Círculos Epistemológicos podem se constituir um dispositivo de formação e autoformação, contribuindo significativamente para a formação continuada de professores na perspectiva da ERER na EJA Campo, pois, enquanto dialogaram sobre os eixos propostos, os professores discutiram conceitos fundantes para a Educação das Relações Étnico-Raciais e a EJA Campo, problematizando suas práticas.
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